Tag: desinformação

  • TRE-GO conquista 3º lugar no 6º Prêmio Conexão Inova com projeto de inteligência artificial contra a desinformação

    TRE-GO conquista 3º lugar no 6º Prêmio Conexão Inova com projeto de inteligência artificial contra a desinformação

    TRE-GO conquista 3º lugar no 6º Prêmio Conexão Inova com projeto de inteligência artificial contra a desinformação

    O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) alcançou a 3ª posição no 6º Prêmio Conexão Inova, um reconhecimento de relevância no cenário de inovação pública. A conquista se deu com o projeto GuaIA – Tecnologia de Inteligência Artificial para Combate à Desinformação no Processo Eleitoral, que foi selecionado na categoria “Inteligência Artificial e outras Tecnologias Emergentes e Disruptivas”.

    Este prêmio destaca a capacidade do TRE-GO em desenvolver e implementar soluções tecnológicas avançadas para um dos maiores desafios da democracia contemporânea: a disseminação de informações falsas. O projeto GuaIA demonstra um compromisso com a integridade e a credibilidade do processo eleitoral.

    O que é o projeto GuaIA?

    O GuaIA é uma iniciativa pioneira do TRE-GO, desenvolvida em colaboração com o Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG). A ferramenta foi concebida especificamente para combater a propagação de conteúdos falsos e manipulados, incluindo fake news e deepfakes, que representam uma ameaça direta à confiança no sistema eleitoral.

    Como a inteligência artificial combate a desinformação

    Lançada em agosto de 2024, a ferramenta GuaIA emprega inteligência artificial para analisar rigorosamente conteúdos veiculados em diversas plataformas, como sites, redes sociais, vídeos e áudios. O sistema funciona cruzando informações em rede e atribui uma pontuação de 0 a 100, indicando o grau de veracidade das publicações analisadas.

    Essa abordagem analítica e baseada em dados fortalece significativamente a capacidade de identificação e combate à desinformação, oferecendo um importante suporte técnico para a proteção da integridade das eleições. A iniciativa se consolida como um instrumento fundamental para a proteção da integridade das eleições e para o fortalecimento da confiança da sociedade no processo democrático.

    Convergência 2026 e a Inovação Pública

    O 6º Prêmio Conexão Inova foi concedido durante o evento Convergência 2026 – Inovação Pública, realizado em Goiânia entre os dias 11 e 13 de março. O encontro reuniu iniciativas inovadoras do setor público, focando na modernização da gestão e no aprimoramento dos serviços prestados à população. O evento é uma realização da Rede Conexão Inovação Pública, em parceria com o Governo do Estado de Goiás.

    A parceria envolveu secretarias estaduais importantes, como a de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), a de Governo (SGG) e a de Administração (SEAD), reforçando o compromisso do estado com uma gestão pública moderna, orientada por resultados e focada em inovações tecnológicas como o projeto GuaIA.

  • EJE-PR promove palestra sobre os desafios da inteligência artificial nas Eleições 2026

    EJE-PR promove palestra sobre os desafios da inteligência artificial nas Eleições 2026

    EJE-PR promove palestra sobre os desafios da inteligência artificial nas Eleições 2026

    A Escola Judiciária Eleitoral do Paraná (EJE-PR) realizou, na última sexta-feira (13), um encontro crucial para debater os desafios da inteligência artificial aplicados ao contexto das Eleições 2026. A palestra, intitulada “Inteligência artificial, provas digitais e ilícitos eleitorais – desafios práticos para a atuação jurisdicional nas Eleições 2026”, buscou capacitar magistrados e servidores da Justiça Eleitoral do Paraná.

    O evento, que aconteceu no Fórum Eleitoral de Curitiba e foi transmitido ao vivo pelo YouTube, destacou a importância da constante atualização da Justiça Eleitoral diante das novas tecnologias. O objetivo principal foi fornecer estratégias práticas para que os profissionais possam compreender e enfrentar os dilemas impostos pela IA na atividade jurisdicional.

    A importância da capacitação em IA para a Justiça Eleitoral

    Na abertura, o diretor-executivo da EJE-PR ressaltou a relevância de a Justiça Eleitoral expandir o conhecimento de seus membros sobre temas envolvendo inteligência artificial. Ele enfatizou o papel da Escola Judiciária em promover eventos que atendam às demandas de capacitação e à atuação do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).

    Novos direitos, ameaças emergentes e o papel da IA

    O professor Fernando Rodrigues Peres, presidente do Instituto de Defesa Digital e Inovação Tecnológica, ministrou a palestra e abordou temas como os novos direitos sociais, incluindo os neurodireitos, o conceito de cidades inteligentes e as ameaças crescentes, como a criminalidade cibernética potencializada pela IA.

    Peres alertou para um dado alarmante: grande parte do conteúdo consumido na internet já não é mais produzido por seres humanos. “Dessa forma, é necessário se atentar e saber dominar as ferramentas digitais de maneira eficiente”, explicou o palestrante, enfatizando a necessidade de compreensão das tecnologias emergentes.

    Utilizando IA de forma eficiente e combatendo desinformação

    Durante o evento, foram discutidos os prompts utilizados em plataformas como Gemini e ChatGPT. O professor Fernando Rodrigues Peres defendeu a importância de fornecer o máximo de informações para a IA, pois “sem os direcionamentos corretos, o resultado pode não ser eficiente”.

    Ele orientou o público sobre como utilizar essas ferramentas no cotidiano, com o objetivo de identificar conteúdos falsos de maneira eficaz e, assim, evitar o compartilhamento de informações falsas no ambiente virtual, um desafio cada vez maior nas eleições.

    Preparando-se para o futuro tecnológico

    O palestrante concluiu sua participação ressaltando que a melhor forma de prever o futuro é criar oportunidades de aprendizado. Ele destacou que, com a rápida evolução tecnológica, as pessoas precisam estar em constante aprendizado para acompanhar a realidade que as cerca, especialmente em períodos eleitorais.

    Para mais informações e acesso a conteúdos confiáveis, o TRE-PR disponibiliza links úteis em seu portal, incentivando a verificação de informações e o combate a boatos.

  • Especialistas discutem desinformação e riscos à democracia na era da inteligência artificial

    Especialistas discutem desinformação e riscos à democracia na era da inteligência artificial

    Especialistas discutem desinformação e riscos à democracia na era da inteligência artificial

    A crescente influência da inteligência artificial (IA) levanta sérias preocupações sobre a disseminação de desinformação e seus impactos na estabilidade democrática. Especialistas de diversas áreas se reuniram para debater esses desafios urgentes, buscando caminhos para proteger os processos democráticos em um cenário digital em constante evolução.

    A Fundação Getulio Vargas (FGV), através da FGV Comunicação, promoveu um encontro crucial para aprofundar a discussão sobre como a inteligência artificial afeta a circulação de informações e a integridade das democracias. O debate, realizado em parceria com a Delegação da União Europeia no Brasil, reuniu figuras importantes da América Latina e da Europa.

    Desafios da desinformação e interferência estrangeira

    Um dos focos centrais do debate foi o uso de tecnologias de IA na criação e disseminação de conteúdos falsos. A interferência estrangeira em processos democráticos, utilizando essas ferramentas, foi apontada como um risco significativo para a soberania e a integridade eleitoral.

    Marcela Ríos Tobar, diretora para América Latina e Caribe do International IDEA, e a jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, participaram de um painel que abordou especificamente esses desafios no Brasil e em toda a região latino-americana. A moderação deste painel ficou a cargo de Beatriz Farrugia, analista sênior do Debunk.org.

    Impactos da IA nos processos democráticos

    Outro ponto crucial discutido foi o impacto geral da inteligência artificial e de outras tecnologias emergentes sobre os mecanismos democráticos. A forma como essas ferramentas moldam o debate público e a participação cidadã foi analisada com atenção.

    Representando o governo, participaram Marcelo Almeida, assessor especial do Advogado-Geral da União, e João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A discussão foi moderada por Amaro Grassi, vice-diretor da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV.

    O papel das instituições e plataformas na proteção democrática

    A conferência buscou não apenas expor os problemas, mas também fomentar um diálogo construtivo sobre as soluções. A discussão pública sobre os desafios contemporâneos da desinformação foi incentivada, com foco no papel essencial das instituições, da sociedade civil e das plataformas digitais na salvaguarda da democracia.

    O evento, que ocorreu na sede da FGV em Brasília em 17 de março, contou com tradução simultânea em inglês e português, visando ampliar o alcance do debate e promover a colaboração internacional.

  • CUT debate impactos da inteligência artificial no trabalho e na democracia

    CUT debate impactos da inteligência artificial no trabalho e na democracia

    CUT debate impactos da inteligência artificial no trabalho e na democracia

    A Central Única dos Trabalhadores (CUT) promoveu um debate crucial sobre os impactos da inteligência artificial (IA) no mundo do trabalho e na democracia. O evento, realizado em São Paulo no primeiro dia do 10º Encontro Nacional de Comunicação da CUT, reuniu especialistas e trabalhadores para discutir como as novas tecnologias afetam as relações laborais e o debate público.

    O foco principal da discussão foi a necessidade de a classe trabalhadora compreender e se apropriar dessas ferramentas. Thiago Salvador, produtor de conteúdo e ativista pela regulação da IA, destacou que a tecnologia já é uma realidade cotidiana e pode ser empregada tanto para o controle quanto para o fortalecimento da organização social. “Quando a gente começa essa conversa e aproxima as pessoas da inteligência artificial, desmistificamos o tema. Essa tecnologia já é usada contra nós. Se a classe trabalhadora aprender a utilizá-la a seu favor, pode avançar muito”, afirmou Salvador.

    Tecnologia e organização sindical

    Juvandia Moreira, vice-presidenta da CUT, ressaltou a urgência de debater a inteligência artificial diante da celeridade das mudanças tecnológicas. “A inteligência artificial é um tema extremamente atual. Ainda há muitos aspectos desconhecidos e, por isso, a CUT tem promovido reflexões sobre o assunto. Precisamos aprender a usar essa ferramenta a favor do nosso trabalho e da nossa organização”, declarou.

    Moreira enfatizou que, apesar dos avanços tecnológicos, a organização sindical permanece insubstituível. “Nada substitui a organização no local de trabalho, a conversa na rua e a mobilização. Precisamos combinar as duas coisas”, defendeu.

    Algoritmos e controle no trabalho

    O debate ocorreu em um cenário de crescente adoção da IA pelo mercado de trabalho. Empresas têm utilizado algoritmos para automatizar decisões de gestão, justificar demissões e reorganizar processos. No trabalho por aplicativo, por exemplo, sistemas digitais monitoram o desempenho e impactam diretamente a remuneração, além de implementarem mecanismos de controle.

    Thiago Salvador apontou que muitas empresas adotam estratégias de gamificação, inspiradas em jogos digitais, com metas, pontuações e recompensas para estimular a produtividade constante e aumentar o controle sobre os trabalhadores autônomos.

    Riscos sociais e políticos

    Os riscos sociais e políticos da IA também foram pauta central. A presença de vieses algorítmicos foi um dos pontos levantados, onde sistemas podem reproduzir discriminações raciais e sociais presentes nos dados de treinamento. Casos de reconhecimento facial que levaram a punições injustas a trabalhadores negros ilustram falhas e a necessidade de maior controle público sobre o uso da tecnologia.

    Outro tema preocupante foi o uso da IA para disseminar desinformação e manipular o debate político em redes sociais. “A inteligência artificial tem sido usada para espalhar fake news e conteúdos de ódio. É nosso papel combater mentiras e disputar, nas redes e nas ruas, qual projeto de país queremos para o Brasil”, alertou Juvandia Moreira.

    Comunicação sindical e disputa de ideias

    Maria Faria, secretária nacional de Comunicação da CUT, avaliou que o encontro atingiu seu objetivo de aprofundar a discussão sobre comunicação e tecnologia no movimento sindical. “Os debates colocados aqui ajudam a pensar os desafios da comunicação e as ferramentas que teremos para enfrentar o próximo período, especialmente em um ano que exige muita organização e clareza política”, afirmou.

    Ela concluiu que fortalecer a comunicação sindical e expandir a presença da CUT nas redes sociais são estratégias essenciais para a disputa de ideias na sociedade e para a defesa da democracia.

  • TSE aprimora regras para uso de inteligência artificial nas eleições de 2026

    TSE aprimora regras para uso de inteligência artificial nas eleições de 2026

    TSE atualiza regras para propaganda eleitoral e combate à desinformação

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma atualização significativa na Resolução nº 23.610/2019, definindo as diretrizes para a propaganda eleitoral e outras práticas de campanha nas eleições brasileiras de 2026. As novas regras estabelecem normas claras sobre o uso de inteligência artificial (IA) no processo eleitoral, com o objetivo de aumentar a transparência e a integridade do debate público no ambiente digital. A Conectas Direitos Humanos teve papel ativo no processo, apresentando contribuições que foram incorporadas à regulamentação.

    Entre os pontos centrais da atualização, destaca-se a determinação para que plataformas de impulsionamento de conteúdo político-eleitoral ofereçam um campo obrigatório para que anunciantes declarem o uso de conteúdo gerado por inteligência artificial. Essa medida visa garantir a aplicação das regras de transparência já existentes para conteúdos manipulados ou sintéticos, facilitando o cumprimento e a fiscalização.

    Incorporação de propostas da Conectas e vedação de práticas preocupantes

    A Conectas Direitos Humanos contribuiu com sugestões por meio da Sala de Articulação contra Desinformação (SAD) e participação em audiências públicas. Três propostas específicas apresentadas pela organização foram diretamente incluídas na nova regulamentação:

    • Transparência no uso de IA: A exigência de declaração sobre o uso de IA no impulsionamento de conteúdo é vista como um passo importante para a rastreabilidade e combate à manipulação. A Conectas argumenta que isso reduz o descumprimento de regras por falhas de usabilidade e estabelece um padrão operacional verificável.
    • Vedação de “campeonatos de cortes”: A resolução proíbe a promoção ou o financiamento de concursos, torneios e desafios que incentivem a criação ou edição de conteúdos eleitorais para amplificar artificialmente o alcance. Essas práticas, muitas vezes disfarçadas de dinâmicas “gamificadas”, dificultavam a fiscalização do regime de propaganda paga.
    • Supressão de dispositivo problemático: Foi excluído um artigo da minuta original que poderia permitir o impulsionamento de conteúdos sensíveis, abrindo margem para vantagens indevidas e comprometendo a isonomia entre candidaturas, especialmente durante a pré-campanha.

    Fortalecimento do cumprimento de obrigações das plataformas

    Além das medidas específicas relacionadas à IA e à desinformação, a Resolução aprimorada também incorpora mecanismos para fortalecer o cumprimento de obrigações por parte das empresas de plataformas digitais. Embora o formato final de algumas dessas medidas tenha divergido da proposta inicial da Conectas, a organização avalia que o modelo de plano de conformidade aprovado pela TSE segue a lógica defendida em suas contribuições.

    A participação da sociedade civil, como a da Conectas e da rede SAD, foi fundamental para a atualização das normas. A rede SAD, que reúne organizações dedicadas ao enfrentamento da desinformação, apresentou contribuições a 14 dispositivos da minuta, vendo seis de suas 28 propostas serem incorporadas ao texto final, reforçando a preocupação com a manipulação da informação e a necessidade de medidas mais robustas.

  • Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    A inteligência artificial (IA) generativa está avançando a passos largos na criação de vídeos, produzindo conteúdos cada vez mais realistas que desafiam a distinção com a realidade. Essa evolução traz tanto avanços tecnológicos quanto preocupações significativas sobre a disseminação de informações falsas.

    Conforme avalia o professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos da USP, o processo de criação de vídeos por IA tem passado por um refinamento contínuo. Utilizando técnicas como redes adversárias, a IA aprimora a qualidade de suas produções ao identificar e corrigir falhas, resultando em vídeos que se assemelham impressionantemente ao que vemos no mundo real.

    Como a IA gera vídeos cada vez mais realistas

    O processo de geração de vídeos por IA pode ser iniciado de diversas formas, como a partir de comandos textuais (prompts), imagens ou outros recursos visuais. A IA, treinada em vastos bancos de dados, interpreta as instruções para construir cenas e narrativas visuais.

    As técnicas de deep learning, que utilizam redes neurais artificiais para o aprendizado de máquina, são fundamentais nesse desenvolvimento. Inicialmente, a IA gerava imagens a partir de texto. Atualmente, com o avanço das IAs multimodais, o sistema pode processar e gerar conteúdo combinando texto, imagem e, em alguns casos, áudio, expandindo a capacidade de criar desde imagens estáticas até vídeos dinâmicos.

    A complexidade da geração por texto é notável. Ao receber um prompt como “gere uma imagem de uma pessoa andando em uma rua”, a IA utiliza seu modelo padrão para preencher detalhes genéricos, como a aparência da pessoa, o ambiente, etc. Essa autonomia, embora poderosa, também levanta questões sobre os dados com os quais a IA é alimentada e os possíveis estereótipos que pode perpetuar.

    Os perigos da disseminação de informações falsas

    O professor Fernando Osório destaca que a disseminação de informações falsas é um dos danos mais emergentes da utilização irrestrita da IA. A capacidade de criar vídeos extremamente convincentes torna a detecção de fakes um desafio crescente.

    Antigamente, erros grosseiros, como o número incorreto de dedos ou representações fisicamente impossíveis, facilitavam a identificação de vídeos gerados por IA. Contudo, em um período de um a três anos, a evolução foi tão significativa que esses erros se tornaram raros. Hoje, os fakes são muito mais precisos, enganando até mesmo pessoas cientes da sua origem artificial.

    Osório relata que, em alguns casos, pessoas que sabem que um vídeo é falso podem desenvolver uma espécie de “memória de vida” de momentos que nunca existiram, tamanha a força e a precisão desse tipo de conteúdo. A dificuldade em distinguir o real do artificial é um ponto crítico.

    Como mitigar os riscos

    A utilização consciente e segura desse recurso passa pela implementação de limitações e ferramentas de controle. A IA já possui a capacidade de verificar a qualidade do que está sendo criado e de identificar elementos que não deveriam estar presentes.

    O professor Osório menciona a possibilidade de uso de filtros para bloquear a geração de conteúdo ilegal ou prejudicial, como representações de pessoas famosas de forma indevida, conteúdo sexual explícito, ou instruções para a fabricação de artefatos perigosos. No entanto, ele aponta que a decisão de disponibilizar e implementar esses filtros depende das grandes empresas de tecnologia (Big Techs).

    A motivação das Big Techs em ganhar dinheiro com a ferramenta, mesmo que envolva a venda de ilegalidade, pode ser um obstáculo para a filtragem eficaz. Algumas ações podem ser apenas performáticas, sem o real compromisso de impedir a disseminação de desinformação.

    Ferramentas de identificação de conteúdo gerado por IA

    Apesar dos desafios, existem ferramentas para auxiliar na identificação de conteúdos gerados por IA. Para textos, há sistemas que detectam se um material acadêmico foi criado por máquina, embora existam técnicas para disfarçar essa origem.

    No campo audiovisual, a identificação pode ser mais complexa. Uma abordagem promissora é a marca d’água, que pode ser visível ou invisível. As marcas d’água invisíveis são codificadas de forma a serem imperceptíveis ao olho humano, mas detectáveis por máquinas. Essa assinatura digital é uma forma ideal de rastrear a origem do conteúdo gerado por computador, permitindo sua identificação.

    A evolução da inteligência artificial na criação de vídeos reais é inegável e abre um leque de possibilidades, mas exige um olhar crítico e o desenvolvimento contínuo de mecanismos de segurança e ética para que seus benefícios superem os riscos.

  • Eleições terão regras mais rígidas para uso de inteligência artificial nas campanhas

    Eleições terão regras mais rígidas para uso de inteligência artificial nas campanhas

    Eleições terão regras mais rígidas para uso de inteligência artificial nas campanhas

    As eleições de 2026 trarão um novo cenário para o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceram novas e mais rigorosas restrições para a produção e circulação de conteúdos sintéticos, visando combater a desinformação em um período crítico do processo eleitoral.

    A principal novidade é a proibição da disseminação de material produzido ou manipulado por IA nas 72 horas que antecedem o dia da votação e nas 24 horas posteriores ao pleito. Essa medida, mesmo para conteúdos devidamente identificados como gerados artificialmente, busca blindar o eleitor de possíveis manipulações em momentos decisivos.

    Avanço na regulamentação contra desinformação

    Segundo Luiz Eugênio Scarpino Junior, especialista em direito eleitoral, as novas regras representam uma evolução significativa em relação às eleições anteriores. “Desde 2024, a Justiça Eleitoral já demonstrava preocupação com a desinformação e com as dificuldades de fiscalização do uso da inteligência artificial nas campanhas”, explica. O que se observa em 2026, segundo ele, é um “avanço na regulamentação para evitar abusos tecnológicos e o chamado caos informacional”.

    Uma das determinações do TSE é o aumento da agilidade na remoção de conteúdos considerados irregulares da internet. Plataformas digitais deverão cumprir decisões judiciais de retirada de material de forma mais célere. “As plataformas deverão apresentar um plano de conformidade, deverão especificar as suas estratégias com relação ao controle de como eles estão usando a inteligência artificial”, aponta Scarpino Junior. Ele reforça que a resposta a ordens de remoção não pode mais esperar “24, 48 horas”, devendo ser cumpridas “automaticamente”.

    Equilíbrio entre liberdade de expressão e controle

    O professor Rubens Beçak, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, avalia que as novas medidas buscam um equilíbrio importante entre a liberdade de expressão e o controle de abusos. As regras “preservam o direito de candidatos e partidos divulgarem suas ideias e propostas, mas deixam claro que excessos e distorções, como as chamadas fake news, podem levar o eleitor a erro e comprometer a escolha nas urnas”, afirma.

    A regulamentação não visa proibir o uso de IA, mas sim conter seus excessos. Caso conteúdos como imagens, áudios ou vídeos sejam alterados por recursos como deepfakes, a propaganda deverá informar claramente que o material foi produzido ou modificado por meios sintéticos. “O eleitor não pode ser induzido a acreditar que um conteúdo é natural quando, na verdade, foi produzido ou manipulado com inteligência artificial”, concorda Scarpino Junior.

    Inovações em proteção a grupos minorizados

    Além das regras sobre IA, as resoluções aprovadas pelo TSE trazem outras inovações importantes. Há um reforço na proibição da violência política contra mulheres, uma questão já reprimida pelo Direito Penal, mas que agora encontra também regulamentação na Justiça Eleitoral.

    Outras medidas visam ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados. A garantia de recursos para candidaturas de pessoas negras, em conformidade com as emendas constitucionais 130 e 133, que asseguram a destinação de até 30% dos fundos, é um exemplo.

    Uma nova iniciativa, denominada “O Seu Voto Importa”, prevê a locomoção gratuita de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, buscando facilitar a participação eleitoral desse público. Essas regras foram elaboradas após audiências públicas que coletaram mais de 1.600 sugestões da sociedade, tornando o processo mais democrático e adaptado aos desafios tecnológicos.

  • TRE-GO é finalista do Convergência 2026 com projeto de inteligência artificial para combate à desinformação

    TRE-GO é finalista do Convergência 2026 com projeto de inteligência artificial para combate à desinformação

    Tribunal Regional Eleitoral de Goiás é reconhecido em evento de inovação pública

    O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) alcançou a fase final do evento Convergência 2026 – Inovação Pública. A instituição foi selecionada com o projeto GuaIA – Tecnologia de Inteligência Artificial para Combate à Desinformação no Processo Eleitoral, competindo na categoria “Inteligência Artificial e outras Tecnologias Emergentes e Disruptivas”.

    O Convergência 2026, que ocorre de 11 a 13 de março em Goiânia, tem como objetivo reunir e destacar iniciativas inovadoras do setor público. O evento busca promover a modernização da gestão pública e o aprimoramento dos serviços oferecidos à sociedade, com a realização feita pela Rede Conexão Inovação Pública em parceria com o Governo do Estado de Goiás.

    GuaIA: a ferramenta de IA contra fake news

    O projeto GuaIA é uma iniciativa pioneira do TRE-GO, desenvolvida em colaboração com o Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG). Sua criação visa combater um dos maiores desafios da democracia atual: a disseminação de conteúdos falsos ou manipulados, como fake news e deepfakes, que podem minar a credibilidade das eleições.

    Lançada em agosto de 2024, a plataforma GuaIA emprega recursos avançados de inteligência artificial. Ela é capaz de analisar conteúdos diversos, incluindo publicações em sites, redes sociais, vídeos e áudios. O sistema opera cruzando informações em rede e, com base nessa análise, apresenta um índice de veracidade em uma escala de 0 a 100 pontos.

    Fortalecendo a confiança no processo democrático

    A ferramenta GuaIA tem se consolidado como um importante instrumento de apoio técnico e de proteção à integridade eleitoral. Ao contribuir ativamente para o enfrentamento da desinformação, a iniciativa fortalece a confiança da sociedade no processo democrático e na lisura das eleições.

    A participação do TRE-GO como finalista no Convergência 2026 demonstra o compromisso do órgão com a inovação e a busca por soluções tecnológicas para desafios públicos complexos.

  • Meta falhou em identificar vídeo de IA durante guerra Israel-Irã em 2025, diz Conselho de Supervisão

    Meta falhou em identificar vídeo de IA durante guerra Israel-Irã em 2025, diz Conselho de Supervisão

    Meta falhou em identificar vídeo de IA durante guerra Israel-Irã em 2025, diz Conselho de Supervisão

    O Conselho de Supervisão, órgão que atua como uma espécie de “corte suprema” para as decisões de moderação de conteúdo da Meta, divulgou uma nova decisão apontando que a empresa permitiu a circulação de um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) sem identificação adequada no Facebook. O incidente ocorreu durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã em junho de 2025.

    O vídeo em questão, postado por um usuário nas Filipinas que se passava por uma fonte de notícias, mostrava danos extensos a edifícios na cidade de Haifa, terceira maior de Israel. Apesar de ter sido reportado por seis usuários e de um vídeo similar já ter sido desmentido por veículos de imprensa confiáveis no TikTok, a Meta não tomou providências para sinalizar seu conteúdo como possivelmente artificial.

    A falha na moderação de conteúdo

    O Conselho de Supervisão reverteu a decisão da Meta de manter o vídeo online sem um rótulo de “IA de Alto Risco”. Embora o conteúdo não justificasse a remoção, por não apresentar ameaça iminente de dano físico ou violência, o conselho argumentou que sua inautenticidade deveria ter sido claramente sinalizada aos usuários.

    “À medida que a quantidade e a qualidade do conteúdo gerado por IA aumentam, seu impacto sobre pessoas e sociedades será profundo”, destacou o conselho em sua decisão.

    O contexto da guerra e a proliferação de deepfakes

    A constatação do conselho surge em um momento em que vídeos criados por IA estão se tornando cada vez mais comuns, especialmente em meio ao conflito entre Israel e Irã. De acordo com a plataforma NewsGuard, que avalia a confiabilidade de informações online, atores estatais de ambos os países estão gerando deepfakes em um ritmo mais acelerado do que em tempos de paz.

    Uma análise da BBC também revelou que criadores de conteúdo em redes sociais menores estão utilizando ferramentas de IA para produzir e monetizar imagens de guerra falsas. A própria Meta admitiu, durante a investigação do conselho, que depende de metadados para identificar conteúdo gerado por IA. No entanto, essa abordagem é limitada, aplicando-se principalmente a imagens estáticas e sendo facilmente contornável pela remoção dos metadados antes do upload.

    Desafios na detecção de conteúdo manipulado

    Atualmente, a maioria das plataformas depende da autodeclaração dos usuários, e as ferramentas para detectar e sinalizar áudio e vídeo manipulados por IA ainda estão em fase de desenvolvimento. O Conselho de Supervisão enfatizou a necessidade de a Meta “fazer mais” para auxiliar os usuários a identificar conteúdo gerado por IA em conflitos armados.

    Isso inclui fornecer detalhes sobre a origem da mídia, investir em ferramentas de detecção mais robustas e desenvolver métodos aprimorados para rotulagem, tudo isso de forma ágil. O membro do conselho, Sudhir Krishnaswamy, sugeriu que o mandato do órgão pode se tornar menos focado em casos individuais e mais estruturado para implementar reformas e recomendações amplas conforme a IA se prolifera.

    Pesquisadores alertam que as plataformas enfrentarão níveis sem precedentes de desinformação na era da IA. Mahsa Alimardani e Sam Gregory, pesquisadores de direitos humanos do Witness, escreveram em junho de 2025 que, enquanto outros conflitos viram um grande volume de imagens recicladas e transmissões falsas, o conteúdo gerado por IA relacionado ao conflito Irã-Israel elevou a desinformação a um “nível industrial”.

  • Inteligência artificial nas eleições? Veja o que ficou decidido pelo TSE

    Inteligência artificial nas eleições? Veja o que ficou decidido pelo TSE

    Inteligência artificial nas eleições? Veja o que ficou decidido pelo TSE

    A Justiça Eleitoral definiu novas regras para o uso da inteligência artificial (IA) nas eleições de 2026, buscando garantir que a tecnologia seja uma ferramenta de apoio à democracia, e não um obstáculo. Com mais de 155 milhões de eleitores aptos a votar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu diretrizes claras para o conteúdo eleitoral e a atuação de provedores de IA, visando a transparência e a proteção da decisão do eleitorado.

    As decisões do TSE visam impedir que a IA seja utilizada para enganar ou manipular os eleitores. Uma das principais determinações é a obrigatoriedade de avisos claros em conteúdos de propaganda eleitoral criados ou alterados por inteligência artificial. Essa medida busca combater montagens que simulem situações reais, assegurando que a transparência seja um pilar central nas campanhas digitais.

    Avisos claros para conteúdo gerado por IA

    Todo material de campanha eleitoral produzido ou modificado por IA deverá apresentar um aviso explícito e de fácil entendimento. O objetivo é informar o eleitor sobre a origem do conteúdo, prevenindo fraudes e garantindo a veracidade das informações veiculadas.

    IA não pode recomendar candidatos

    Provedores de sistemas de IA estão proibidos de ranquear, recomendar ou favorecer candidatos e partidos específicos. A Justiça Eleitoral quer evitar que algoritmos interfiram diretamente na decisão de voto dos cidadãos. As empresas do setor também deverão implementar planos para mitigar riscos à integridade do processo eleitoral e disponibilizar canais ágeis para denúncias por parte de candidatos e partidos.

    Proibição de conteúdo com IA próximo à eleição

    Para proteger os candidatos de ataques de última hora, o TSE proibiu a postagem de qualquer conteúdo gerado por inteligência artificial que utilize a voz ou a imagem de candidatos e figuras públicas nos 72 horas anteriores à eleição e nas 24 horas posteriores ao encerramento da votação. Em caso de descumprimento, as plataformas digitais terão a obrigação de remover o conteúdo imediatamente.

    Comprovação de conteúdo e parcerias estratégicas

    A identificação de conteúdos manipulados por IA será amparada por parcerias entre os Tribunais Eleitorais e instituições especializadas, como universidades, que possuem profissionais capacitados em perícia digital. Em certas situações, a Justiça poderá inverter o ônus da prova, exigindo que quem publicou o conteúdo demonstre sua veracidade e legalidade.

    Restrições à contratação de influenciadores e perfis falsos

    A contratação de pessoas físicas ou jurídicas para publicar conteúdo político-eleitoral em troca de remuneração ou vantagem econômica foi proibida. Isso inclui mecanismos de premiação ou ranking. Perfis comprovadamente falsos, anônimos ou gerados por robôs que disseminem desinformação sobre o sistema de votação ou a Justiça Eleitoral poderão ser banidos após processo judicial.

    Contudo, a norma ressalta a proteção à livre manifestação do pensamento de eleitores reais, que só pode ser restringida em casos de ofensa à honra de candidatos ou divulgação de fatos comprovadamente mentirosos.

    Parceria Senado e TSE no combate à desinformação

    O Senado Federal e o TSE colaboram ativamente para proteger o processo democrático. Por meio de um protocolo de intenções firmado em março de 2022, integram o Programa de Enfrentamento à Desinformação, unindo esforços para assegurar que o eleitor brasileiro receba informações confiáveis e verificadas.

    Como denunciar irregularidades

    A Justiça Eleitoral disponibiliza o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE) para que qualquer cidadão possa colaborar. É possível enviar conteúdos falsos ou fora de contexto que possam prejudicar o pleito. A colaboração do eleitor é fundamental para manter a integridade do processo eleitoral.