Tag: Automação

  • FreeWheel lança ferramentas de IA para transações de anúncios em vídeo premium

    FreeWheel lança ferramentas de IA para transações de anúncios em vídeo premium

    A FreeWheel, empresa de tecnologia de anúncios da Comcast, anunciou o lançamento de uma nova infraestrutura de agentes de IA focada em automatizar partes do processo de vendas de publicidade em vídeo premium. A iniciativa visa otimizar transações e já conta com a PMG como uma das primeiras parceiras a testar a tecnologia.

    O cerne desta inovação reside no novo Model Context Protocol (MCP) Server e em um conjunto de ferramentas de Inteligência. Juntas, elas prometem simplificar e agilizar a negociação, otimização e execução de transações de vídeo premium, buscando maior eficiência para compradores e vendedores.

    Como funcionam as novas ferramentas de IA da FreeWheel

    O MCP Server estabelece uma camada segura que permite que agentes de IA se conectem diretamente à plataforma da FreeWheel para executar ações. As ferramentas de Inteligência associadas são projetadas para monitorar o desempenho de negócios, analisar o volume de gastos e a qualidade do inventário, acompanhar compromissos e automatizar decisões rotineiras. O objetivo é integrar a IA aos sistemas utilizados diariamente no mercado de publicidade em vídeo premium.

    “Nosso objetivo é incorporar a IA nos sistemas que compradores e vendedores de publicidade em vídeo premium utilizam diariamente”, afirmou Mark McKee, General Manager da FreeWheel.

    PMG testa a nova tecnologia

    A PMG está avaliando as novas funcionalidades por meio do Alli, seu sistema operacional de marketing. Esta colaboração permitirá que as equipes da PMG e seus clientes monitorem o desempenho de negócios, identifiquem oportunidades e otimizem campanhas de streaming de forma mais rápida. Isso é possível graças a uma conexão direta com a plataforma da FreeWheel, proporcionando um link em tempo real para dados de streaming.

    Mike Treon, Head de Estratégia de CTV & Vídeo na PMG, destacou que a integração transcende o simples monitoramento, avançando em direção a uma compra de mídia mais automatizada. Essa parceria representa um passo significativo para a automação na compra de mídia.

    Estratégia de longo prazo da FreeWheel

    O lançamento dessas ferramentas de IA faz parte de uma estratégia mais ampla da FreeWheel para aprofundar a inteligência artificial em sua plataforma de ad tech. A meta é tornar as transações de vídeo premium mais eficientes e automatizadas.

    Esta iniciativa segue o anúncio feito na CES deste ano, quando a empresa revelou a compra de mídia por IA cross-platform com a NBCUniversal e outros parceiros. A FreeWheel planeja introduzir mais ferramentas baseadas em IA ao longo de 2026, com o intuito de modernizar a infraestrutura que sustenta o mercado de publicidade em streaming.

  • SAP Business AI: Como a Inteligência Artificial Transforma Empresas em 2025

    SAP Business AI: Como a Inteligência Artificial Transforma Empresas em 2025

    SAP Business AI: Como a IA Transforma Empresas em 2025

    A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma força motriz na transformação de negócios. Em 2025, o SAP Business AI consolida essa revolução, integrando agentes inteligentes e automação proativa diretamente no núcleo das operações corporativas. Esta abordagem, fundamentada em dados unificados e contextuais, visa otimizar a tomada de decisões, aumentar a eficiência e preparar as empresas para um futuro mais dinâmico e competitivo.

    Ao contrário de soluções que adicionam camadas de IA às operações existentes, a SAP insere a inteligência artificial de forma nativa em sua suíte de negócios. Essa integração profunda garante que a IA opere com um conhecimento semântico e em tempo real de processos completos, desde finanças e procurement até supply chain e gestão de capital humano. Essa amplitude, como destaca Muhammad Alam, Head of Product & Engineering da SAP, oferece o contexto necessário para recomendações mais precisas e resultados superiores.

    O que é SAP Business AI e como funciona

    O SAP Business AI é uma plataforma integrada que utiliza inteligência artificial para aprimorar a gestão empresarial. Seu funcionamento é baseado em uma base de dados unificada e semanticamente rica, que alimenta o sistema em tempo real. Essa fundação abrange processos de negócio cruciais, como:

    • Finanças e Controladoria
    • Gestão de Gastos e Procurement
    • Supply Chain e Logística
    • Gestão de Capital Humano
    • Experiência do Cliente

    O SAP Joule, por exemplo, atua como um assistente inteligente personalizado, ciente do papel e do contexto do usuário. Ele oferece ferramentas específicas para cada função, maximizando a eficiência operacional e garantindo que a IA esteja intrinsecamente ligada às atividades diárias dos profissionais.

    Agentes Inteligentes SAP: Automação Proativa em Ação

    Os agentes inteligentes da SAP funcionam como um sistema de alerta antecipado, monitorando proativamente as operações empresariais. Eles não apenas identificam problemas potenciais antes que se tornem críticos, mas também automatizam soluções preventivas. Essa capacidade de ação proativa, conforme descrito por Alam, é como ter “uma equipe de escoteiros digitais sempre em alerta”.

    Exemplos práticos demonstram o poder dessa abordagem:

    • Supply Chain: Detecção de potenciais rupturas de estoque ou atrasos logísticos, com sugestões de correções imediatas.
    • Recursos Humanos: Orientação em processos de onboarding e recomendação de trilhas de aprendizado personalizadas.
    • Finanças: Automação de tarefas rotineiras em gestão de caixa, tesouraria e compliance, com potencial de economia de tempo de até 80%.

    Essa capacidade de migrar de uma postura reativa para uma estratégia proativa confere às empresas uma vantagem competitiva significativa, transformando incertezas em visibilidade clara.

    Segurança e Confiabilidade do SAP Business AI

    A confiabilidade e a segurança são pilares essenciais do SAP Business AI. Cada recurso de IA passa por uma revisão ética rigorosa e está alinhado a padrões globais como o EU AI Act e os princípios da UNESCO. Essa diligência garante que as soluções atendam não apenas aos requisitos técnicos, mas também aos mais altos padrões éticos internacionais.

    As principais medidas de segurança incluem:

    • Privacidade de dados integrada desde o design.
    • Controle rigoroso de papéis e permissões de usuário.
    • Supervisão humana obrigatória em processos críticos.
    • Conformidade com regulamentações locais e globais.

    A SAP enfatiza que “construímos IA em que você pode confiar, usar e depender”, mantendo o usuário sempre no controle das operações. O ecossistema aberto da empresa garante padrões globais unificados com flexibilidade para necessidades locais, permitindo que as empresas inovem com confiança.

    Novas Funcionalidades SAP AI para Supply Chain e Procurement

    A SAP tem acelerado o lançamento de capacidades avançadas de IA, com foco especial em Supply Chain e Procurement. Uma nova solução de orquestração de supply chain utiliza um gráfico de conhecimento de rede e IA para analisar dados em tempo real de fornecedores e logística, prevendo e prevenindo interrupções antes que ocorram.

    Entre as principais inovações em desenvolvimento estão:

    • SAP Ariba Source-to-Pay: Reconstruído como uma solução moderna e nativa em IA.
    • Procurement Agêntico: Incorporação de analytics e agentes de IA para gerenciar eventos complexos de sourcing.
    • Agentes Financeiros: Automação de gestão de caixa, tesouraria e compliance.
    • SAP Joule Action Bar: Integração do assistente em todas as telas.

    O agent builder permite a personalização de assistentes e agentes sem a necessidade de codificação. Essas atualizações redefinem o conceito de empresa verdadeiramente inteligente, onde cada decisão é mais inteligente, rápida e sempre conectada ao cliente.

    O Futuro do Trabalho com Inteligência Artificial SAP

    A evolução da IA está redefinindo o futuro do trabalho empresarial, com a SAP promovendo a colaboração entre humanos e máquinas. Muhammad Alam prevê que a IA “aumentará principalmente o trabalho humano ao automatizar tarefas rotineiras e liberar pessoas para focar em atividades estratégicas e criativas”.

    As mudanças esperadas no ambiente de trabalho incluem:

    • Automação de tarefas repetitivas.
    • Elevação do papel dos funcionários para supervisão e estratégia.
    • Foco em gerenciamento de exceções e tomada de decisões complexas.
    • Colaboração contínua entre humanos e agentes inteligentes.

    Profissionais precisarão aprender a trabalhar com IA para prosperar. Agentes inteligentes apoiarão decisões, anteciparão desafios e otimizarão operações. O resultado será um ambiente onde “agentes lidam com as tarefas enquanto humanos estrategizam e verificam para garantir o sucesso”, tornando o trabalho humano mais valioso.

  • A IA não vai acabar com os empregos de quem ganha menos. Vai começar pelos que ganham mais.

    A IA não vai acabar com os empregos de quem ganha menos. Vai começar pelos que ganham mais.

    A revolução silenciosa da IA no mercado de trabalho

    Ao contrário do que muitos imaginam, a inteligência artificial (IA) não mira inicialmente as profissões de menor remuneração. Uma análise detalhada, conduzida por Andrej Karpathy, um dos fundadores da OpenAI e ex-diretor de IA da Tesla, revela um cenário surpreendente: as carreiras que exigem alta especialização e diploma são as que apresentam maior exposição às transformações impulsionadas pela IA.

    Essa perspectiva desafia a narrativa predominante sobre automação, indicando que o impacto inicial da IA pode ser mais sentido por profissionais com salários mais altos. A questão central não é se a IA mudará o trabalho, pois ela já está mudando, mas sim como cada indivíduo se adaptará a essa nova realidade.

    Profissões em evidência: o mapa da exposição à IA

    A pesquisa de Karpathy categorizou 342 tipos de empregos, atribuindo a cada um uma pontuação de exposição à IA. No topo da lista, com notas que chegam a 10, estão profissões como transcrição médica, assistentes jurídicos (8-9), analistas de dados (9), editores, redatores, matemáticos, designers gráficos e pesquisadores de mercado (todos acima de 8).

    Essas ocupações, em sua maioria de escritório, baseiam-se em processamento de linguagem, identificação de padrões e análise, habilidades que os modelos de linguagem de grande escala dominam com crescente proficiência. A análise sugere que o conhecimento especializado, antes visto como um escudo contra a automação, agora é um fator de alta exposição.

    Quem está mais protegido: o corpo no mundo real

    Em contrapartida, profissões com pontuações baixas de exposição (0 a 3) compartilham um denominador comum: a necessidade de interação física com o mundo real. Eletricistas, encanadores, bombeiros, operários da construção civil, pintores, serralheiros, jardineiros, zeladores e mergulhadores exigem destreza manual, adaptação a ambientes imprevisíveis e tomada de decisão física em tempo real.

    Por enquanto, as capacidades da IA não se estendem a tarefas que demandam intervenção física direta, como apertar um parafuso ou apagar um incêndio. Essa distinção aponta para uma resiliência temporária dessas carreiras frente à automação direta por IA.

    O dado que inverte a narrativa: salários e exposição

    A análise de Karpathy apresentou um dado que contraria a crença de que a IA ameaça primeiramente trabalhadores de baixa renda. Profissionais que ganham acima de 100 mil dólares por ano apresentaram uma pontuação média de exposição de 6,7, enquanto aqueles que ganham menos de 35 mil dólares registraram 3,4. Estima-se que US$ 3,7 trilhões em salários anuais estejam expostos à IA, concentrados em funções de conhecimento e análise.

    Exposição: ameaça e oportunidade

    É crucial entender que a pontuação de exposição não mede risco direto de desemprego, mas sim o grau em que a IA pode modificar, alterar ou ampliar uma ocupação. Para as profissões de alta exposição, há um duplo cenário: a automação de tarefas específicas pode reduzir a demanda por horas humanas, mas, por outro lado, as mesmas ferramentas de IA podem multiplicar a produtividade de quem aprender a utilizá-las.

    A diferença entre a ameaça e a oportunidade reside na capacidade do profissional de se adaptar e aprender a trabalhar com as novas tecnologias. Aqueles que decidirem esperar podem ficar para trás em relação aos que buscarem ativamente o desenvolvimento e a integração com a IA.

    A questão real: adaptação e o futuro do trabalho

    O exercício de Karpathy evidencia que a IA está impactando o conhecimento especializado e as estruturas corporativas que o protegem. Carreiras como advocacia, análise de dados, redação e pesquisa, antes vistas como seguras pela alta barreira de entrada, agora enfrentam uma nova realidade.

    A inteligência artificial não reconhece essas barreiras tradicionais. Portanto, a pergunta fundamental para os profissionais hoje não é se a IA vai mudar o trabalho, mas sim o que cada um fará com o tempo disponível para se adaptar e prosperar na nova era do trabalho impulsionada pela inteligência artificial.

  • Sam Altman Revela o Futuro da IA no Dev Day 2025

    Sam Altman Revela o Futuro da IA no Dev Day 2025

    Sam Altman Revela o Futuro da IA no Dev Day 2025

    O CEO da OpenAI, Sam Altman, apresentou visões audaciosas sobre o futuro da inteligência artificial durante o Dev Day 2025 em uma entrevista exclusiva, detalhando avanços em descobertas científicas, a autonomia de agentes de IA e uma redefinição radical do conceito de trabalho. As declarações do executivo apontam para um 2025 onde a IA não é apenas uma ferramenta, mas um parceiro ativo na inovação e na criação de valor.

    Altman destacou que a capacidade da IA para “descobertas inovadoras” já é uma realidade. Cientistas de diversas áreas estão utilizando essas ferramentas para alcançar avanços significativos, marcando um ponto de inflexão onde a IA se torna um colaborador essencial na geração de conhecimento. O executivo também sinalizou a proximidade de marcos tecnológicos impressionantes, como a capacidade do Codex de realizar autonomamente uma semana inteira de trabalho, um avanço que ele descreve como “desorientante”.

    AGI e o avanço das descobertas científicas

    A Inteligência Artificial Geral (AGI) está mais perto do que se imagina, especialmente no campo científico. Sam Altman revelou que a IA já demonstra capacidades de “descoberta inovadora”. Cientistas em diversas disciplinas estão usando essas ferramentas para avanços revolucionários.

    Um exemplo notável é o TuNa-AI, desenvolvido na Duke University. Esta plataforma combina robótica com aprendizado de máquina para projetar nanopartículas para entrega de medicamentos. O sistema testou 1.275 formulações com robôs automatizados, aumentando em 43% a criação bem-sucedida de nanopartículas em comparação com métodos tradicionais.

    Essa capacidade de descoberta autônoma representa uma mudança fundamental no paradigma científico. A IA gera insights genuinamente novos. No caso do TuNa-AI, a equipe conseguiu reduzir em 75% um ingrediente potencialmente tóxico de um tratamento contra o câncer, mantendo a mesma eficácia em testes com camundongos. Isso sugere uma era onde a AGI amplificará exponencialmente a capacidade humana de descoberta, acelerando o progresso científico.

    O futuro do trabalho transformado pela IA

    Sam Altman apresentou uma visão radical sobre a transformação do trabalho, sugerindo que o futuro “pode parecer menos com trabalho” e alterará o “contrato social” em torno do trabalho tradicional. Essa transição será acelerada.

    O progresso em tarefas agenticas baseadas em tempo tem sido “desorientante”. O Codex está “não muito longe” de executar autonomamente uma semana inteira de trabalho, um salto qualitativo na automação que vai além de tarefas repetitivas.

    Altman prevê startups bilionárias com zero funcionários, empresas criadas e operadas inteiramente por agentes de IA através de um simples prompt. Isso sugere um futuro onde a criação de valor econômico pode ser desacoplada do trabalho humano tradicional.

    A humanidade prosperará ao lado dessas transformações tecnológicas. Altman mantém confiança na capacidade humana de adaptação.

    Agentes de IA autônomos e novas fronteiras empresariais

    A era dos agentes de IA autônomos está se aproximando, prometendo revolucionar não apenas o trabalho, mas a criação e operação de negócios. Sam Altman destacou a possibilidade de startups bilionárias operadas sem funcionários humanos, criadas e gerenciadas via prompts para agentes de IA.

    O progresso em tarefas agenticas tem sido acelerado, descrito como “desorientante”. O Codex está perto de trabalhar autonomamente por uma semana inteira. Ferramentas como o Gemini 2.5 Computer Use do Google já demonstram essa evolução, controlando navegadores web, preenchendo formulários e navegando em interfaces de forma autônoma.

    Essa evolução sugere um futuro onde a barreira de entrada para o empreendedorismo será drasticamente reduzida. Qualquer pessoa com uma boa ideia poderá criar e escalar um negócio sem equipes tradicionais.

    Google Gemini 2.5 Computer Use: um novo padrão em agentes de IA

    A competição por agentes de IA autônomos intensificou-se com o lançamento do Google Gemini 2.5 Computer Use. O modelo superou rivais da OpenAI em múltiplos benchmarks em tarefas web e mobile.

    O diferencial técnico do Gemini 2.5 reside em sua abordagem inovadora: o modelo captura screenshots de websites e os analisa para executar autonomamente comandos de clique, digitação e navegação. Isso permite interações mais naturais e precisas com interfaces de usuário, sem a necessidade de APIs específicas.

    Além da precisão, o Google alcançou qualidade superior com a menor latência entre os competidores. Essa combinação é crucial para aplicações práticas. O modelo já alimenta ferramentas como o Project Mariner e AI Mode, demonstrando sua aplicabilidade comercial.

    Esta competição direta marca um momento decisivo na corrida por agentes de IA, com o Google estabelecendo uma vantagem técnica mensurável sobre a OpenAI em tarefas de automação web.

  • Transição de IA muito rápida: o custo permanente da adoção acelerada

    Transição de IA muito rápida: o custo permanente da adoção acelerada

    Transição de IA muito rápida: o custo permanente da adoção acelerada

    A rápida adoção da Inteligência Artificial (IA) pode ter um impacto duradouro e, em alguns casos, permanente no mercado de trabalho. Ao contrário do que se pode pensar, o maior choque não vem da novidade tecnológica em si, mas da velocidade com que as capacidades existentes são disseminadas e reorganizam a produção. Este fenômeno, impulsionado por iniciativas ambiciosas no cenário empresarial em 2026, levanta questões cruciais sobre a capacidade de ajuste da força de trabalho.

    A analogia histórica com a eletrificação, que revolucionou a produção décadas após sua invenção, serve como um alerta. O ponto de inflexão ocorreu não com a tecnologia, mas com a reorganização produtiva em torno dela, como a linha de montagem de Henry Ford. Na era da IA, a transição de ferramentas de aumento para a reestruturação completa de processos produtivos, liderada por projetos como o de Jeff Bezos e Jack Dorsey, exige uma análise aprofundada da velocidade de adaptação e seus custos associados.

    A velocidade como fator de dano permanente

    Um novo modelo dinâmico, apresentado em 2026 por Levy Yeyati, formaliza a intuição de que a velocidade de adoção da IA, denotada por κ, pode ser determinante para o futuro do mercado de trabalho. Quando a capacidade de requalificação dos trabalhadores deslocados pela automação é finita, uma adoção mais rápida significa que a economia se move mais depressa em direção a uma fronteira de automação, mas com o risco de sobrecarregar o sistema de treinamento.

    O ponto crítico surge quando o fluxo de trabalhadores deslocados excede a capacidade de absorção do sistema de requalificação. A velocidade de adoção, neste contexto, não altera a fronteira de automação de longo prazo, mas comprime a janela de deslocamento. Isso significa que um grande volume de trabalhadores chega simultaneamente ao sistema de treinamento, exacerbando a pressão e elevando o custo de oportunidade de aguardar.

    Congestionamento, sinais enganosos e o custo da espera

    O aumento da congestão na fila de requalificação torna a permanência no mercado de trabalho mais custosa. Os trabalhadores enfrentam tempos de espera mais longos, salários esperados menores e maior incerteza. Em um cálculo racional, se o tempo de espera ultrapassar o valor presente esperado dos salários futuros em setores não rotineiros, alguns podem optar por sair permanentemente da força de trabalho. Essa saída é absorvente, sem retorno.

    Portanto, o custo social da adoção rápida não se reflete apenas na taxa de emprego final, mas na profundidade e duração da queda na participação na força de trabalho, e na compressão da renda ao longo do processo. Duas economias podem convergir para a mesma fronteira de automação, mas experimentar transições radicalmente diferentes. Aquela em que a adoção supera a capacidade de realocação sofrerá danos sociais permanentes.

    Sinais iniciais e o descompasso do mercado

    Um resultado menos intuitivo é que os indicadores iniciais de uma transição acelerada podem ser enganosos. Pode haver um aumento precoce no emprego não rotineiro e ganhos de produtividade que levem decisores a acreditar que a adaptação está ocorrendo com sucesso. No entanto, enquanto isso ocorre, o número de trabalhadores desencorajados pode aumentar silenciosamente.

    Posteriormente, pode ocorrer um cruzamento de trajetórias: os salários caem mais acentuadamente durante a transição à medida que trabalhadores requalificados entram no setor não rotineiro mais rápido do que a demanda se expande. A saída permanente da força de trabalho continua a crescer. Paradoxalmente, em longo prazo, os salários dos trabalhadores remanescentes podem até aumentar, precisamente porque menos trabalhadores deslocados conseguiram se requalificar e retornar.

    O problema de coordenação e a corrida contra o tempo

    Essas dinâmicas – congestão, saída permanente e sinais iniciais enganosos – levam a um resultado normativo central: o bem-estar social é côncavo em relação à velocidade de adoção e é maximizado abaixo da taxa de mercado. As empresas individuais internalizam os ganhos de produtividade da IA, mas não o congestionamento imposto às filas de requalificação de outros trabalhadores, nem as saídas irreversíveis que essa congestão desencadeia.

    A velocidade de adoção, portanto, transcende a mera escolha tecnológica, configurando-se como um problema de coordenação. A questão fundamental para os formuladores de políticas não é se automatizar, mas se as instituições existentes podem absorver a automação na velocidade em que ela ocorre. A corrida que importa é entre a velocidade de adoção e a capacidade de requalificação, com a saída permanente da força de trabalho como linha de chegada.

    Alinhando o ritmo da difusão à capacidade de absorção

    A intuição política aponta para a necessidade de alinhar o ritmo da difusão tecnológica com a capacidade de absorção da economia. Dois vetores são essenciais: a capacidade de requalificação em si e o momento de sua construção.

    O primeiro envolve políticas ativas de mercado de trabalho, reforma de credenciais, apoio à mobilidade e mecanismos institucionais que aumentem a eficiência da realocação de trabalhadores. O segundo, e crucial, é o timing. A capacidade de requalificação construída antes do pico de deslocamento é significativamente mais valiosa do que aquela criada após o pico, pois o desânimo e a saída crescem quando a congestão é mais intensa.

    Em suma, economias com acesso às mesmas tecnologias de ponta podem enfrentar custos sociais muito distintos, dependendo da robustez de suas instituições para sustentar a requalificação. Mesmo que o progresso na fronteira tecnológica se desacelere, o choque no mercado de trabalho pode se intensificar à medida que as empresas finalmente se reorganizam em torno de sistemas já existentes. A capacidade de ajuste da força de trabalho e a estrutura institucional que a suporta definirão o custo permanente dessas transições.

  • Inteligência artificial avança no e-commerce e cria nova vantagem competitiva para empresas

    Inteligência artificial avança no e-commerce e cria nova vantagem competitiva para empresas

    Inteligência artificial avança no e-commerce e cria nova vantagem competitiva para empresas

    A inteligência artificial (IA) está acelerando sua integração no cotidiano e, especialmente, no setor de e-commerce, prometendo transformar o mercado em um ritmo surpreendentemente rápido. Essa evolução tecnológica já demonstra capacidade de executar uma vasta gama de tarefas digitais, desde programação e análise de dados até o atendimento ao cliente, redefinindo a forma como as empresas operam e se relacionam com seus consumidores online.

    Para as empresas, a vantagem competitiva reside na adoção estratégica dessas ferramentas. A IA não é mais uma promessa futura, mas uma realidade presente capaz de otimizar processos, aprimorar a experiência do cliente e agilizar a tomada de decisões, elementos cruciais para prosperar no cenário digital atual.

    O impacto da IA na automação e eficiência

    O potencial da inteligência artificial no e-commerce é vasto. Segundo Marcelo Baratela, mentor de negócios, a tecnologia pode cobrir até 94% das tarefas em algumas áreas. No entanto, a taxa de adoção atual ainda se encontra em torno de 33%, indicando um cenário de oportunidades significativas para as organizações que souberem explorar esse avanço.

    A automação de tarefas digitais, viabilizada pela IA, libera equipes para focarem em atividades mais estratégicas e de maior valor agregado. Isso se traduz em operações mais enxutas, maior eficiência e uma capacidade aprimorada de responder às demandas do mercado com agilidade.

    Melhoria no atendimento e tomada de decisões

    No e-commerce, a experiência do cliente é um diferencial. A inteligência artificial permite personalizar interações, oferecer suporte mais rápido e eficiente, e antecipar necessidades, elevando a satisfação e fidelidade do consumidor. Sistemas de IA podem analisar grandes volumes de dados de comportamento do cliente para oferecer recomendações precisas e personalizadas, tornando a jornada de compra mais fluida e atrativa.

    Além disso, a capacidade da IA em processar e interpretar dados em tempo real acelera drasticamente a tomada de decisões. Empresas podem identificar tendências de mercado, prever demandas e ajustar estratégias de precificação e estoque com base em informações concretas, minimizando riscos e maximizando retornos.

    O futuro do trabalho e a valorização de novas competências

    O avanço da inteligência artificial no e-commerce também reconfigura o mercado de trabalho. Funções operacionais que podem ser facilmente automatizadas tendem a sofrer redução na demanda por contratações. Em contrapartida, há uma crescente valorização de profissionais que possuem habilidades para dominar e gerenciar o uso da tecnologia.

    A recomendação para profissionais e empresas é clara: começar a aplicar a IA no dia a dia e investir continuamente na capacitação das equipes. O domínio dessas ferramentas não é apenas um diferencial, mas um fator determinante para quem busca se destacar e prosperar no mercado em constante evolução.

    A inteligência artificial deve transformar o mercado em cerca de sete anos, em um ritmo muito mais acelerado que o do comércio eletrônico.

  • SAP Business AI: Como a IA Transforma Empresas em 2025

    SAP Business AI: Como a IA Transforma Empresas em 2025

    SAP Business AI: Como a IA Transforma Empresas em 2025

    Em 2025, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma força motriz na otimização de processos empresariais. O SAP Business AI emerge como um divisor de águas, integrando IA diretamente no núcleo das operações corporativas. Diferentemente de abordagens que adicionam ferramentas isoladas, a SAP consolida a IA em uma base de dados unificada e semanticamente rica, que abrange desde finanças e supply chain até gestão de capital humano e experiência do cliente. O resultado são decisões mais rápidas e precisas, impulsionadas por um contexto de negócio abrangente.

    A revolução promovida pelo SAP Business AI reside na sua capacidade de oferecer agentes inteligentes que atuam proativamente, antecipando e solucionando problemas antes que eles impactem o negócio. Esta abordagem vai muito além de um simples assistente; trata-se de um sistema consciente do papel e do contexto do usuário, como o SAP Joule, que personaliza a experiência e maximiza a eficiência operacional em diversas funções.

    Agentes inteligentes: automação proativa em ação

    Os agentes inteligentes da SAP funcionam como um sistema de vigilância digital. Eles monitoram continuamente as operações empresariais, identificando potenciais problemas e implementando soluções preventivas de forma autônoma. Essa capacidade proativa permite que as empresas transitem de uma postura reativa de “apagar incêndios” para uma estratégia de antecipação e preparação.

    Exemplos práticos demonstram o poder dessa automação:

    • Na supply chain, agentes detectam antecipadamente rupturas de estoque ou atrasos logísticos, sugerindo correções imediatas.
    • Em Recursos Humanos, auxiliam no onboarding de funcionários e recomendam trilhas de aprendizado personalizadas.
    • Na área Financeira, automatizam a gestão de caixa, tesouraria e compliance, com potencial de economizar até 80% do tempo em tarefas rotineiras.

    Muhammad Alam, Head of Product & Engineering da SAP, compara essa funcionalidade a “ter uma equipe de escoteiros digitais sempre em alerta”. Com a SAP atuando como uma “torre de controle”, a incerteza é transformada em visibilidade, conferindo uma vantagem competitiva significativa.

    Segurança e confiabilidade no SAP Business AI

    A confiabilidade e a segurança são pilares essenciais do SAP Business AI, dada a sua profunda integração com os sistemas corporativos. Cada recurso de IA passa por uma rigorosa revisão ética e está alinhado a padrões globais, como o EU AI Act e os princípios da UNESCO. Isso garante que as soluções não apenas atendam a requisitos técnicos, mas também a rigorosos padrões éticos internacionais.

    As principais medidas de segurança incluem:

    • Privacidade de dados incorporada desde o design.
    • Controle granular de papéis e permissões de usuário.
    • Supervisão humana obrigatória em processos críticos.
    • Conformidade com regulamentações locais e globais.

    A SAP aprendeu com o cenário regulatório europeu que privacidade, segurança e ética são inegociáveis. Conforme declarado por Alam, a empresa constrói “IA em que você pode confiar, usar e depender”, mantendo o usuário sempre no controle das operações. O ecossistema aberto da SAP garante padrões globais unificados, com flexibilidade para adaptações locais, permitindo que as empresas inovem com segurança.

    Novas funcionalidades de IA para Supply Chain e Procurement

    A SAP tem acelerado o lançamento de capacidades avançadas de IA, com foco especial em Supply Chain e Procurement. Uma nova solução de orquestração de supply chain utiliza um gráfico de conhecimento de rede e IA para analisar dados em tempo real de fornecedores e logística. Essa tecnologia previne e gerencia impactos de interrupções antes que se concretizem, oferecendo visibilidade sem precedentes.

    Entre as inovações destacam-se:

    • SAP Ariba Source-to-Pay: Reconstruído como uma solução moderna e nativa em IA.
    • Procurement Agêntico: Incorpora analytics e agentes de IA para gerenciar eventos complexos de sourcing.
    • Agentes Financeiros: Automatizam gestão de caixa, tesouraria e compliance.
    • SAP Joule Action Bar: Traz o assistente inteligente para todas as telas da suíte.

    O “agent builder” permite personalizar assistentes e agentes sem a necessidade de codificação. Muhammad Alam ressalta que “estamos enviando capacidades de IA em ritmo acelerado por toda a suíte”, chegando a integrar IA à robótica para automação do mundo real. Essas atualizações visam tornar cada decisão mais inteligente, rápida e conectada ao cliente.

    O futuro do trabalho com inteligência artificial SAP

    A evolução da IA está redefinindo o futuro do trabalho empresarial, e a SAP posiciona-se na vanguarda dessa transformação com uma abordagem colaborativa entre humanos e máquinas. A visão é clara: a IA aumentará o trabalho humano, automatizando tarefas rotineiras e liberando profissionais para atividades estratégicas e criativas, em vez de substituí-los.

    As mudanças esperadas no ambiente de trabalho incluem:

    • Automação de tarefas repetitivas e operacionais.
    • Elevação do papel dos funcionários para supervisão e estratégia.
    • Foco em gerenciamento de exceções e tomada de decisões complexas.
    • Colaboração contínua entre humanos e agentes inteligentes.

    Profissionais precisarão aprender a trabalhar com IA para prosperar. Agentes inteligentes auxiliarão na tomada de decisões, anteciparão desafios e otimizarão operações. O resultado será um ambiente onde “agentes lidam com as tarefas enquanto humanos estrategizam e verificam para garantir o sucesso”, tornando o trabalho humano mais valioso.

  • Singapura precisa de mais construtores de IA, não apenas usuários, alerta oficial da AI Singapore

    Singapura precisa de mais construtores de IA, não apenas usuários, alerta oficial da AI Singapore

    Singapura precisa urgentemente priorizar a formação de profissionais capazes de construir sistemas de inteligência artificial, em vez de se concentrar unicamente em capacitar a força de trabalho para utilizar a tecnologia existente. Essa é a advertência de Leslie Teo, diretor sênior da AI Singapore, o programa nacional de pesquisa em IA do país.

    A estratégia atual de Singapura corre o risco de formar um grande número de usuários certificados de IA, mas falhar em desenvolver engenheiros e pesquisadores essenciais para projetar e criar novas tecnologias de IA. Essa preocupação surge em um momento em que empresas adotam ferramentas de IA em ritmo acelerado, ao mesmo tempo em que reduzem a contratação de pessoal em cargos de entrada, o que pode limitar as oportunidades para jovens trabalhadores adquirirem experiência técnica.

    O desafio da automação e a lacuna de talentos

    Leslie Teo destacou que a automação de tarefas rotineiras, impulsionada pela IA, está cada vez mais substituindo o trabalho antes realizado por funcionários juniores. Consequentemente, as empresas podem oferecer menos oportunidades para recém-formados desenvolverem as habilidades práticas necessárias para se tornarem desenvolvedores de IA.

    “Funcionários juniores são baratos. A IA é mais barata, embora”, afirmou Teo em entrevista ao The Business Times. Ele sugere que, para garantir um fluxo contínuo de construtores de IA, os governos podem precisar tratar o treinamento no início de carreira como um bem público.

    Investimentos e desafios globais em IA

    Singapura tem se comprometido com mais de S$ 1 bilhão para fortalecer sua posição como um centro global de IA. Esse investimento faz parte de um esforço mundial para desenvolver capacidades domésticas de IA, em uma competição acirrada entre países para controlar a próxima geração de infraestrutura tecnológica.

    No entanto, Teo alertou que economias menores, como Singapura, enfrentam desafios particulares para acompanhar grandes potências como os Estados Unidos e a China. Esses países investem maciçamente em pesquisa de IA, infraestrutura de computação e talentos técnicos.

    Adaptando o treinamento à velocidade da IA

    O principal mecanismo de treinamento de força de trabalho em Singapura é o programa SkillsFuture, que subsidia cursos ao longo da carreira dos cidadãos. Em 2025, cerca de 606.000 pessoas participaram de treinamentos apoiados pelo programa.

    Apesar disso, Teo apontou que os programas de treinamento muitas vezes lutam para acompanhar o rápido desenvolvimento da IA. Os processos de aprovação de cursos, por exemplo, podem levar anos, tornando difícil a atualização do conteúdo para refletir os avanços mais recentes.

    O futuro competitivo de Singapura

    Singapura também está investindo em iniciativas para construir capacidades domésticas de IA, como o desenvolvimento do Sea-LION, um modelo de linguagem regional projetado para o Sudeste Asiático.

    Em última análise, Teo argumenta que a competitividade de longo prazo de Singapura dependerá de sua capacidade de cultivar pessoas que possam moldar sistemas de IA, e não apenas utilizá-los. A ênfase deve ser na criação de talentos que possam inovar e desenvolver as próximas gerações de tecnologia de inteligência artificial.

  • Atriz criada por IA gera polêmica em Hollywood em 2026

    Atriz criada por IA gera polêmica em Hollywood em 2026

    Hollywood em alerta: A chegada da primeira atriz virtual

    A indústria cinematográfica de Hollywood está em polvorosa com o surgimento de Tilly Norwood, a primeira atriz criada inteiramente por inteligência artificial (IA). Desenvolvida pela Xicoia, um estúdio de talentos com IA, a personagem digital foi apresentada pela produtora holandesa Eline Van der Velden, fundadora do estúdio Particle6. A novidade, que promete agitar os bastidores de uma das maiores indústrias culturais do mundo, já provoca fortes reações de sindicatos e artistas.

    A estreia de Tilly Norwood em eventos como o Zurich Summit levanta questionamentos sobre o futuro do trabalho artístico. Com uma presença digital crescente, incluindo uma conta no Instagram com milhares de seguidores, a atriz virtual expressa ambições de alcançar a “tela grande”. Essa projeção no cenário cinematográfico tradicional acende um debate crucial sobre os limites e as implicações da inteligência artificial no entretenimento.

    Atores e sindicatos reagem com veemência

    A resposta da comunidade artística não tardou a chegar. O Screen Actors Guild (SAG-AFTRA), principal sindicato de atores nos Estados Unidos, divulgou um comunicado oficial rejeitando categoricamente a atriz virtual. A associação defende que “a criatividade é, e deve permanecer, centrada no ser humano”, argumentando que Tilly Norwood é uma personagem gerada por computador, treinada com base no trabalho de artistas profissionais sem sua permissão ou remuneração.

    As críticas do SAG-AFTRA apontam para a ausência de elementos essenciais à atuação humana, como:

    • Experiência de vida como fonte de inspiração
    • Emoções genuínas
    • Conexão com a experiência humana
    • Uso não autorizado do trabalho de artistas reais

    Essas preocupações ecoam as discussões que levaram à greve prolongada do sindicato no final de 2023, que resultou em salvaguardas contra o uso indevido de imagens e atuações por IA. Atores de videogames também conquistaram, após uma greve de um ano, um novo contrato que exige permissão explícita para a criação de réplicas digitais.

    Indústria cinematográfica se une contra a substituição humana

    A reação na indústria cinematográfica vai além dos sindicatos. Atores renomados utilizaram as redes sociais para expressar indignação. Melissa Barrera criticou a iniciativa, desejando que os profissionais envolvidos “se ferrem”. Natasha Lyonne, estrela de “Boneca Russa” e diretora de “Uncanny Valley”, foi ainda mais direta, sugerindo um boicote a qualquer agência de talentos associada ao projeto, classificando-o como “profundamente equivocado e totalmente perturbador”.

    O posicionamento de Lyonne é notável, visto que ela trabalha em um longa que propõe o uso ético de IA em conjunto com técnicas tradicionais. Sua postura demonstra que mesmo defensores do uso responsável da tecnologia rejeitam a ideia de substituição completa de atores humanos.

    Criadora defende IA como forma de arte

    Diante da onda de críticas, Eline Van der Velden rebateu as acusações, defendendo Tilly Norwood como uma “obra criativa – uma obra de arte”. Em uma publicação detalhada, ela argumentou que personagens de IA deveriam ser vistos como um gênero artístico distinto da atuação tradicional. Van der Velden comparou o processo de criação de Tilly a outras formas de arte:

    • Dar vida a um personagem exige tempo, habilidade e iteração.
    • O processo é comparável a desenhar um personagem ou escrever um papel.

    A criadora holandesa enfatiza que a IA, assim como outras formas de arte, desperta conversas e demonstra o poder da criatividade. Essa narrativa, compartilhada também pela conta de Tilly Norwood, busca posicionar a personagem como inovação artística, e não como substituta de profissionais.

    O futuro do cinema na era da inteligência artificial

    O caso Tilly Norwood marca um ponto de inflexão na discussão sobre o papel da IA em Hollywood. A polêmica expõe a tensão entre a inovação tecnológica e a preservação do trabalho humano. A IA já é uma ferramenta auxiliar valiosa na produção cinematográfica, como evidenciado no filme vencedor do Oscar de 2026, “O Brutalista”, que utilizou IA para diálogos em húngaro.

    As implicações futuras deste debate incluem a redefinição de contratos com cláusulas específicas sobre o uso de IA, a proteção de direitos de imagem e performances, a possível criação de categorias distintas para conteúdo gerado por IA e o fortalecimento da regulamentação sindical. O modelo de contrato estabelecido para atores de videogames, exigindo permissão escrita para réplicas digitais, pode servir como um precedente importante. A resistência organizada da indústria sugere que o caminho à frente será marcado por uma regulamentação rigorosa, em vez de uma adoção irrestrita da inteligência artificial.

  • IBM adota estratégia ‘cliente zero’ para expandir uso de IA e gerar bilhões em economia

    IBM adota estratégia ‘cliente zero’ para expandir uso de IA e gerar bilhões em economia

    IBM adota estratégia ‘cliente zero’ para expandir uso de IA

    A IBM está demonstrando o valor da inteligência artificial (IA) através de um exemplo convincente: suas próprias operações. A companhia implementou a estratégia denominada ‘cliente zero’, focada em reduzir custos e aumentar a eficiência em diversas áreas, como aquisições, finanças, recursos humanos, vendas e marketing. Essa abordagem já resultou em economias significativas, acumulando US$ 4,5 bilhões entre o início de 2023 e o final de 2025, impulsionadas pela automação e ferramentas de IA.

    A iniciativa visa apresentar aos líderes empresariais o retorno sobre o investimento em IA com casos concretos. Tonny Martins, presidente da IBM América Latina, explica que a empresa se aproxima dos clientes com resultados tangíveis. “Em total, já acumulamos mais de 100 casos sob essa estratégia, que chamamos de ‘cliente zero’”, afirma Martins.

    IA na prática: redução de custos e aumento de produtividade

    A adoção da plataforma de IA no setor de recursos humanos foi particularmente impactante. O orçamento de RH diminuiu em 40% após a implementação de um sistema que agora gerencia 94% das solicitações, lidando com mais de 11,5 milhões de interações anualmente. Em tecnologia da informação interna, 86% das sessões de suporte não exigiram mais assistência humana, com uma queda de 74% no volume de chamados.

    Na área de vendas, uma das funções mais cruciais da empresa, as equipes registraram uma economia equivalente a 18.000 horas por mês. Esses resultados substanciais ilustram o poder da IA em otimizar processos e liberar o potencial humano para atividades de maior valor.

    Investimento estratégico em IA e parcerias

    A IBM tem direcionado seus esforços para a inteligência artificial, investindo US$ 60 bilhões em aquisições nos últimos cinco anos para expandir seu portfólio. A lista inclui empresas como DataStax, Seek AI e Hakkoda, adquiridas no último ano, e a mais recente aquisição da Confluent, uma empresa de streaming de dados em tempo real.

    A empresa se posiciona de forma distinta no mercado de IA. Ela não busca competir diretamente com gigantes de modelos de linguagem como OpenAI, Anthropic e Google, nem com provedores de infraestrutura como AWS, Microsoft e Google. Tampouco foca em concorrer de frente com empresas como SAP e Oracle na reestruturação de seus sistemas de gestão empresarial em torno da IA.

    A IBM se descreve como tecnologia-agnóstica, mantendo neutralidade em relação a plataformas, modelos ou sistemas. Em outubro de 2025, firmou uma parceria estratégica com a Anthropic e desenvolveu sua própria família de modelos de IA, Granite. Contudo, a companhia trabalha com as tecnologias que os clientes já utilizam ou preferem.

    Interoperabilidade e a simplificação de processos

    A abordagem da IBM é baseada na interoperabilidade, demonstrando como conectar diferentes ferramentas, gerenciar dados existentes e aplicar IA para melhorar processos. Um exemplo prático é a transferência de um funcionário entre países. Anteriormente, o processo envolvia múltiplos sistemas e pessoas. Com a IA, a tarefa é simplificada: o sistema acessa plataformas, cruza dados e submete autonomamente o processo para aprovações necessárias.

    “Isso permite que a equipe de RH foque em atividades de maior valor, como treinamento e engajamento”, explica Martins. Para alcançar resultados em larga escala, é fundamental que as empresas repensem seus fluxos de trabalho e possuam plataformas confiáveis e escaláveis.

    Princípios para a transformação digital com IA

    Martins destaca três princípios fundamentais para a adoção bem-sucedida da IA:

    • Governança: Define quem pode acessar o quê dentro da organização, apoiando aspectos críticos como segurança digital.
    • Orquestração: A capacidade de conectar sistemas e dados, independentemente da infraestrutura onde residem.
    • Soberania Digital: Garantir que as práticas de dados estejam em conformidade com regulamentações (como LGPD e GDPR) e princípios internos, incluindo o uso de IA.

    Apesar de a IBM não divulgar receitas exclusivas de IA, seu impacto é evidente. O valor acumulado de contratos e assinaturas relacionados à IA, sob o título “Generative AI Book of Business”, cresceu de US$ 9,5 bilhões para US$ 12,5 bilhões entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025, um aumento de US$ 3 bilhões em três meses.

    Desafios e oportunidades na capacitação de talentos em IA

    A escassez de profissionais de tecnologia da informação é um obstáculo para a adoção rápida da IA, com um déficit estimado de 530.000 pessoas no Brasil. Martins observa que essa falta de profissionais não é incomum em períodos de alta demanda por novas tecnologias e vê uma maior coordenação entre governos e empresas como uma oportunidade.

    A IBM planeja treinar 30 milhões de pessoas mundialmente até 2030, sendo 2 milhões no Brasil até o final de 2026. O foco é preparar trabalhadores para lidar com as ferramentas tecnológicas que entram no ambiente de trabalho, incluindo agentes de IA que operam quase autonomamente. A qualidade do “prompt” — a clareza e precisão da instrução dada à IA — é considerada um fator decisivo para obter respostas de alta qualidade.