Singapura precisa de mais construtores de IA, não apenas usuários, alerta oficial da AI Singapore

Profissionais asiáticos trabalhando juntos em um centro de inovação de IA em Singapura.

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Singapura precisa urgentemente priorizar a formação de profissionais capazes de construir sistemas de inteligência artificial, em vez de se concentrar unicamente em capacitar a força de trabalho para utilizar a tecnologia existente. Essa é a advertência de Leslie Teo, diretor sênior da AI Singapore, o programa nacional de pesquisa em IA do país.

A estratégia atual de Singapura corre o risco de formar um grande número de usuários certificados de IA, mas falhar em desenvolver engenheiros e pesquisadores essenciais para projetar e criar novas tecnologias de IA. Essa preocupação surge em um momento em que empresas adotam ferramentas de IA em ritmo acelerado, ao mesmo tempo em que reduzem a contratação de pessoal em cargos de entrada, o que pode limitar as oportunidades para jovens trabalhadores adquirirem experiência técnica.

O desafio da automação e a lacuna de talentos

Leslie Teo destacou que a automação de tarefas rotineiras, impulsionada pela IA, está cada vez mais substituindo o trabalho antes realizado por funcionários juniores. Consequentemente, as empresas podem oferecer menos oportunidades para recém-formados desenvolverem as habilidades práticas necessárias para se tornarem desenvolvedores de IA.

“Funcionários juniores são baratos. A IA é mais barata, embora”, afirmou Teo em entrevista ao The Business Times. Ele sugere que, para garantir um fluxo contínuo de construtores de IA, os governos podem precisar tratar o treinamento no início de carreira como um bem público.

Investimentos e desafios globais em IA

Singapura tem se comprometido com mais de S$ 1 bilhão para fortalecer sua posição como um centro global de IA. Esse investimento faz parte de um esforço mundial para desenvolver capacidades domésticas de IA, em uma competição acirrada entre países para controlar a próxima geração de infraestrutura tecnológica.

No entanto, Teo alertou que economias menores, como Singapura, enfrentam desafios particulares para acompanhar grandes potências como os Estados Unidos e a China. Esses países investem maciçamente em pesquisa de IA, infraestrutura de computação e talentos técnicos.

Adaptando o treinamento à velocidade da IA

O principal mecanismo de treinamento de força de trabalho em Singapura é o programa SkillsFuture, que subsidia cursos ao longo da carreira dos cidadãos. Em 2025, cerca de 606.000 pessoas participaram de treinamentos apoiados pelo programa.

Apesar disso, Teo apontou que os programas de treinamento muitas vezes lutam para acompanhar o rápido desenvolvimento da IA. Os processos de aprovação de cursos, por exemplo, podem levar anos, tornando difícil a atualização do conteúdo para refletir os avanços mais recentes.

O futuro competitivo de Singapura

Singapura também está investindo em iniciativas para construir capacidades domésticas de IA, como o desenvolvimento do Sea-LION, um modelo de linguagem regional projetado para o Sudeste Asiático.

Em última análise, Teo argumenta que a competitividade de longo prazo de Singapura dependerá de sua capacidade de cultivar pessoas que possam moldar sistemas de IA, e não apenas utilizá-los. A ênfase deve ser na criação de talentos que possam inovar e desenvolver as próximas gerações de tecnologia de inteligência artificial.

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