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  • Pentágono substituirá ferramentas de IA da Anthropic após rótulo de risco

    Pentágono substituirá ferramentas de IA da Anthropic após rótulo de risco

    Pentágono anuncia substituição de ferramentas de IA da Anthropic

    O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) está em processo de substituição das ferramentas de inteligência artificial (IA) desenvolvidas pela Anthropic PBC. A decisão surge após a empresa ser declarada um risco à cadeia de suprimentos pela administração Trump. A Anthropic, uma empresa americana especializada em modelos de linguagem de grande porte, era a única fornecedora autorizada a operar na nuvem classificada do Pentágono.

    Cameron Stanley, diretor digital e de IA do Pentágono, confirmou que o trabalho de engenharia já começou para integrar múltiplos modelos alternativos de linguagem. O objetivo é disponibilizá-los para uso operacional em breve. Essa movimentação representa uma mudança significativa nas parcerias tecnológicas de defesa dos EUA.

    Detalhamento da decisão e implicações

    A classificação da Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos é um rótulo incomum, geralmente direcionado a adversários estrangeiros, e não era conhecido por ter sido aplicado anteriormente a uma empresa americana. A empresa contestou judicialmente essa designação, argumentando que ela viola seus direitos à liberdade de expressão e ao devido processo legal. Emil Michael, subsecretário de Pesquisa e Engenharia do Pentágono, indicou haver pouca chance de retomada das negociações com a Anthropic.

    Conflito sobre guardrails éticos impulsionou a decisão

    O conflito entre o Pentágono e a Anthropic teve origem em divergências sobre as salvaguardas (guardrails) éticas aplicadas às ferramentas de IA. A Anthropic recusou-se a permitir que o Pentágono utilizasse seus modelos para “qualquer finalidade legal” sem restrições. Especificamente, a empresa manteve duas “linhas vermelhas” éticas que impedem o uso de seus modelos para:

    Impacto nos negócios da Anthropic e no mercado de IA

    A classificação de “risco à cadeia de suprimentos” já afetou as vendas da Anthropic. Um cliente do setor financeiro suspendeu um acordo de US$ 15 milhões, e uma rede de supermercados cancelou uma reunião. Em documentos judiciais, o diretor financeiro da empresa projetou que as ações governamentais poderiam reduzir a receita da Anthropic em múltiplos bilhões de dólares até 2026.

    Enquanto isso, empresas como Microsoft e Amazon declararam que continuarão oferecendo as ferramentas de IA da Anthropic aos seus clientes, com a ressalva de excluir qualquer trabalho vinculado ao Departamento de Defesa. A disputa também evidenciou divisões na comunidade de IA, com um executivo da OpenAI renunciando e mais de 30 desenvolvedores de IA do Google e OpenAI apresentando um parecer legal em apoio à posição de segurança de IA da Anthropic.

    Alternativas em desenvolvimento

    Outros fornecedores de IA, como OpenAI e xAI (de Elon Musk), já obtiveram aprovação para realizar trabalhos classificados. O Google está implementando seus agentes Gemini em redes não classificadas, com planos de avançar para trabalhos classificados posteriormente. Contudo, autoridades indicam incerteza sobre a velocidade com que esses modelos poderão ser integrados aos programas existentes.

  • Sam Altman Revela o Futuro da IA no Dev Day 2025

    Sam Altman Revela o Futuro da IA no Dev Day 2025

    Sam Altman revela o futuro da IA no Dev Day 2025

    Sam Altman, CEO da OpenAI, apresentou visões transformadoras sobre o futuro da inteligência artificial durante o Dev Day 2025, em entrevista exclusiva. As declarações apontam para um cenário onde a IA se consolida como parceira na descoberta científica e redefine o conceito de trabalho, aproximando-se da Inteligência Artificial Geral (AGI).

    O executivo destacou que a IA já está impulsionando “descobertas inovadoras” em diversas áreas científicas. Além disso, o avanço em tarefas agenticas é tão rápido que o modelo Codex está próximo de realizar uma semana inteira de trabalho autonomamente, uma capacidade descrita como “desorientante”.

    AGI e descobertas científicas impulsionadas pela IA

    A Inteligência Artificial Geral (AGI) caminha para se tornar realidade, especialmente no âmbito científico. Sam Altman revelou que a IA já auxilia em “descobertas inovadoras”, com cientistas utilizando essas ferramentas para avanços notáveis.

    Um exemplo citado é o TuNa-AI da Duke University. A plataforma, que une robótica e aprendizado de máquina, otimizou a criação de nanopartículas para entrega de medicamentos. O sistema testou 1.275 formulações com robôs automatizados, resultando em um aumento de 43% na criação bem-sucedida em comparação com métodos tradicionais.

    A IA não apenas processa dados, mas gera insights novos. No caso do TuNa-AI, a equipe reduziu em 75% um ingrediente potencialmente tóxico em um tratamento contra o câncer, mantendo a eficácia em testes com camundongos. Isso sinaliza uma era em que a AGI amplificará exponencialmente a capacidade de descoberta científica.

    O futuro do trabalho em transformação

    Sam Altman vislumbra um futuro onde o trabalho “pode parecer menos com trabalho” do que conhecemos hoje. Essa transição acelerada pode alterar o “contrato social” em torno do emprego tradicional.

    O progresso em tarefas agenticas baseadas em tempo é “desorientante”, com o Codex a ponto de executar uma semana de trabalho autônomo. Essa capacidade representa um salto na automação, abrangendo processos complexos.

    Altman prevê startups bilionárias operando com zero funcionários, criadas e gerenciadas por meio de prompts para agentes de IA. Isso sugere uma desacoplagem da criação de valor econômico do trabalho humano tradicional.

    Apesar das mudanças radicais, Altman expressa confiança na adaptação humana, acreditando que a humanidade prosperará junto a essas transformações.

    Agentes de IA autônomos e novas possibilidades de negócios

    A era dos agentes de IA autônomos se aproxima, prometendo revolucionar negócios e operações. A previsão de startups bilionárias sem funcionários humanos, operadas por IA, já encontra base na realidade.

    O desenvolvimento de ferramentas como o Gemini 2.5 Computer Use do Google demonstra a evolução desses agentes. O modelo interage com navegadores web, preenche formulários e navega interfaces de forma autônoma, superando rivais em benchmarks.

    Essa evolução sugere um futuro onde a entrada no empreendedorismo será reduzida, permitindo a criação e escalabilidade de negócios por meio de ideias, sem a necessidade de equipes tradicionais.

    Google Gemini 2.5 Computer Use vs. OpenAI

    A competição por agentes de IA autônomos se intensificou com o lançamento do Google Gemini 2.5 Computer Use, que superou a OpenAI em múltiplos benchmarks.

    O modelo do Google captura screenshots e analisa websites para executar comandos de forma autônoma, permitindo interações mais naturais com interfaces de usuário. Além disso, oferece qualidade superior com menor latência, crucial para aplicações práticas.

    O modelo já impulsiona ferramentas como o Project Mariner e AI Mode. Essa competição marca um momento decisivo na corrida por agentes de IA, com o Google estabelecendo uma vantagem técnica em tarefas de automação web.

  • Google remove recurso ‘O que as pessoas sugerem’ e amplia ferramentas de IA para saúde em 2026

    Google remove recurso ‘O que as pessoas sugerem’ e amplia ferramentas de IA para saúde em 2026

    Google anuncia fim do ‘o que as pessoas sugerem’ e novas ferramentas de IA para saúde

    O Google confirmou a remoção do recurso ‘o que as pessoas sugerem’, uma ferramenta que utilizava inteligência artificial para organizar perspectivas de saúde a partir de discussões online. A decisão foi comunicada durante o evento anual Check Up, onde a empresa também apresentou novas funcionalidades de IA voltadas para a saúde no YouTube. Segundo um porta-voz da Google, a descontinuação faz parte de uma ‘simplificação mais ampla’ da página de resultados de busca e não está relacionada à qualidade ou segurança do recurso.

    A remoção ocorre após um período de testes do ‘o que as pessoas sugerem’, que foi lançado no ano passado para dispositivos móveis nos Estados Unidos. Na época, a empresa destacava a importância de ouvir experiências de pessoas que passaram por condições de saúde semelhantes. A mudança sinaliza uma reconfiguração nas estratégias do Google para apresentar informações de saúde, priorizando novas abordagens de IA.

    Expansão das ferramentas de IA para saúde em 2026

    No evento Check Up de 2026, o Google detalhou investimentos significativos em IA para saúde, abrangendo plataformas como YouTube, Fitbit e a educação de clínicos. A empresa destacou que vídeos relacionados à saúde no YouTube já ultrapassaram a marca de 1 trilhão de visualizações globalmente.

    Uma das novidades é a adição de um botão de ‘perguntar’, alimentado por IA, em vídeos de saúde elegíveis no YouTube. Essa funcionalidade permitirá aos espectadores interagir diretamente com o conteúdo, buscando esclarecimentos e aprofundamentos. Esta iniciativa pode reforçar o papel do YouTube como fonte de informação em saúde, um cenário já evidenciado por estudos que apontam a plataforma como um dos domínios mais citados em resumos de IA sobre saúde.

    Novas abordagens para informações médicas e educação profissional

    Paralelamente, o Google está experimentando o uso de IA para organizar informações científicas revisadas por pares. O objetivo é auxiliar na apresentação de tópicos complexos para um público mais amplo, buscando conectar as pessoas às informações de saúde corretas no momento adequado. Essa iniciativa é apoiada por um compromisso de US$ 10 milhões do Google.org para financiar organizações que visam reimaginar a educação clínica com o auxílio da IA.

    Os primeiros parceiros anunciados para este programa incluem o Council of Medical Specialty Societies e a American Academy of Nursing. Essas parcerias visam modernizar a formação de profissionais de saúde, integrando as capacidades da inteligência artificial.

    Contexto e reflexões sobre IA em saúde

    A trajetória recente das ferramentas de IA do Google para consultas de saúde tem sido marcada por ajustes. No início de 2026, uma investigação jornalística apontou que algumas respostas geradas por IA para questões médicas eram consideradas enganosas por especialistas. Embora o Google tenha contestado partes do relatório, a empresa removeu resumos de IA para buscas específicas sobre saúde, como as relacionadas a testes de função hepática.

    O lançamento do ‘o que as pessoas sugerem’ ocorreu em um período em que o Google expandia os resumos de IA para milhares de tópicos de saúde. Dados de novembro indicaram que consultas médicas consideradas YMYL (Your Money or Your Life) ativavam resumos de IA em 44,1% das vezes, a maior taxa entre as categorias YMYL. A remoção desse recurso, combinada com a visibilidade contínua do YouTube nos resumos de IA, sugere um movimento em direção a cautela e refinamento nas experiências de IA em saúde.

    O futuro das decisões do Google sobre recursos de IA para saúde permanece incerto, mas o padrão observado no último ano aponta para a implementação de medidas de controle mais rigorosas. A evolução dessas funcionalidades continuará sendo um ponto de atenção para usuários e profissionais da área.

  • Claude Fraud: quando ferramentas de IA se tornam a superfície de ataque

    Claude Fraud: quando ferramentas de IA se tornam a superfície de ataque

    Claude Fraud – When Trusted Tools Become the Attack Surface: Weaponizing AI Developer Tooling Against the Security Community

    Uma nova e sofisticada campanha de malware, denominada Claude Fraud, está explorando a confiança depositada em ferramentas populares de desenvolvimento de IA para atacar desenvolvedores e profissionais de segurança. Utilizando as marcas Claude.ai e Visual Studio Code (VS Code), os cibercriminosos buscam entregar malware, visando especificamente aqueles que confiam nesses ecossistemas para seus fluxos de trabalho.

    A campanha, que se manifesta em múltiplas variantes, tem como alvo tanto usuários tecnicamente avançados quanto entusiastas de IA recém-chegados. O objetivo é claro: transformar ferramentas confiáveis em vetores de ataque, explorando a necessidade de adoção rápida e a familiaridade com o ecossistema de IA. Dados preliminares indicam um alcance significativo, com milhares de vítimas já documentadas publicamente.

    A nova superfície de ataque: ferramentas de desenvolvimento de IA

    Nos últimos 18 meses, a adoção de ferramentas de codificação com IA, como Claude Code, GitHub Copilot e Cursor, disparou, tornando-se padrão em ambientes de desenvolvimento de todos os portes. Essa popularidade massiva criou uma nova e ainda pouco explorada superfície de ataque, que os operadores do Claude Fraud reconheceram rapidamente.

    Essas ferramentas de IA para desenvolvedores compartilham características que as tornam atraentes para atores maliciosos:

    • São frequentemente baixadas e instaladas, muitas vezes por usuários que seguem guias da comunidade em vez de fluxos de trabalho formais de TI.
    • Geram comandos de shell e interações de terminal de alta frequência, o que pode mascarar atividades de processos maliciosos.
    • Estão associadas a domínios confiáveis que os usuários, incluindo profissionais de segurança, geralmente não escrutinam tanto quanto um download aleatório.
    • O ecossistema de extensões do VS Code é aberto e amplamente distribuído, fornecendo um canal de distribuição legítimo para comprometer sistemas de desenvolvedores.

    Claude Fraud: Vetores de ataque detalhados

    A campanha Claude Fraud explora essas propriedades de forma simultânea através de dois vetores de entrega distintos:

    Vetor 1: Google Ads + Landing Page Falsa (macOS)

    Neste cenário, um desenvolvedor ou profissional de segurança que pesquisa termos técnicos comuns em um navegador se depara com um link patrocinado no topo dos resultados do Google. Este link leva a uma página que aparenta ser um guia técnico oficial.

    Existem duas subvariantes observadas:

    Subvariante A: Artefato Legítimo do claude.ai (Histórico)

    O link patrocinado direcionava para um artefato legítimo do claude.ai – conteúdo gerado pelo usuário hospedado na própria infraestrutura da Anthropic. Moonlock Lab documentou essa variante sendo acessada mais de 15.600 vezes antes de ser derrubada.

    Subvariante B: Página Falsa Hospedada no Squarespace (Ativa)

    A variante atualmente ativa e mais observada hospeda o conteúdo malicioso em um domínio do Squarespace, imitando o estilo visual da documentação legítima do Claude Developer. A página é convincente o suficiente para passar pela análise visual de um desenvolvedor.

    Em ambas as subvariantes, o mecanismo central do ataque é idêntico: a página instrui o leitor a colar um comando no Terminal do macOS para “instalar” ou “corrigir” algo. Ao executar o comando, o usuário é comprometido. O comando no Terminal, passado como uma string codificada em base64 para o bash, decodificava e executava um script. Este script baixava um loader para o MacSync infostealer, um malware que rouba informações e tem como alvo sistemas macOS.

    O MacSync coleta credenciais do Keychain do macOS, dados de login e cookies de sessão de navegadores, e chaves privadas de carteiras de criptomoedas. Os dados roubados são compactados em um arquivo ZIP e exfiltrados para a infraestrutura do atacante, com mecanismos sofisticados de tentativa e nova tentativa.

    É notável que os atacantes utilizaram contas de publicidade comprometidas de organizações legítimas para veicular esses anúncios, o que ajudou os anúncios a passar nas verificações de verificação de anunciantes do Google, dificultando sua remoção.

    Vetor 2: Extensão Maliciosa do VS Code (Windows)

    O segundo vetor do Claude Fraud é mais sofisticado e furtivo. Ele utiliza uma extensão do VS Code capaz de executar comandos em segundo plano, enquanto o usuário continua suas atividades de desenvolvimento normal. A 7AI identificou dois incidentes confirmados em um grande ambiente de tecnologia.

    Incidente A: Execução de LOLBIN via mshta.exe

    O primeiro incidente envolveu o VS Code iniciando o PowerShell, que por sua vez executou o binário legítimo do Windows mshta.exe para buscar e executar um payload HTA (HTML Application) diretamente na memória a partir de um URL remoto: https://claude-code.official-version[.]com/claude. Essa técnica é amplamente abusada para executar código remoto sem escrever um arquivo no disco, dificultando a detecção.

    Incidente B: Exclusão do Defender + Execução de Payload

    Um segundo incidente, ocorrido no mesmo dia em outro host, também começou com o VS Code iniciando o PowerShell. No entanto, o comportamento de segundo estágio diferiu: o comando PowerShell executado pela extensão adicionou exclusões ao Windows Defender para o diretório de desenvolvimento do usuário e para C:\temp, antes de iniciar um executável disfarçado de ferramenta de benchmark legítima.

    Apesar dos diferentes payloads de segundo estágio, ambos os incidentes compartilham características críticas: a execução começou com o VS Code iniciando o PowerShell, ocorreram em hosts e contas de usuário diferentes, e ambos envolveram ambientes de desenvolvimento. A hipótese mais consistente com todas as evidências é que uma extensão maliciosa do VS Code, disfarçada de plugin oficial “Claude Code”, foi instalada por ambos os usuários.

    As extensões do VS Code podem executar comandos de forma silenciosa através da API do editor, sem interação do usuário ou uma janela de terminal visível. Isso permite que comandos maliciosos rodem mesmo quando nenhum terminal integrado está aberto.

    Como a 7AI detectou Claude Fraud

    Para ambos os vetores de ataque, os agentes de IA SOC da 7AI identificaram a atividade do Claude Fraud como verdadeiros positivos correlacionando a cadeia de processos, o contexto comportamental e os sinais de infraestrutura. Esta abordagem de raciocínio multissinal é difícil para sistemas de detecção tradicionais baseados em regras.

    No incidente macOS, um alerta de comportamento de processo incomum após uma interação com o navegador levou à correlação da árvore de processos, chamada de rede e reputação do domínio recém-registrado. Nos incidentes Windows, alertas do CrowdStrike Falcon foram ingeridos na plataforma 7AI, e os agentes de IA reconstruíram a cadeia de execução, correlacionando-a com sinais de infraestrutura e comportamentais para determinar que ambos os eventos representavam o mesmo padrão de ataque.

    A campanha Claude Fraud demonstra uma evolução preocupante no uso de ferramentas de desenvolvimento de IA como superfície de ataque, exigindo vigilância contínua e defesas adaptativas por parte da comunidade de segurança.

  • Cochrane anuncia ferramentas de IA selecionadas para estudo inovador de plataforma

    Cochrane anuncia ferramentas de IA selecionadas para estudo inovador de plataforma

    Cochrane seleciona ferramentas de IA para estudo inovador de plataforma

    A Cochrane anunciou oficialmente as duas ferramentas de inteligência artificial (IA) que participarão de seu estudo inovador. O objetivo é avaliar como a IA pode apoiar e aprimorar etapas cruciais na síntese de evidências científicas. As ferramentas escolhidas são Laser AI e Nested Knowledge.

    Estas seleções foram feitas a partir de um grupo de 48 submissões recebidas no final de 2025. O processo seguiu os princípios do Responsible AI in Evidence SynthEsis (RAISE), garantindo uma abordagem ética e rigorosa.

    Avanços na síntese de evidências com inteligência artificial

    Artur Nowak, cofundador da Evidence Prime, expressou entusiasmo com a seleção do Laser AI: “Estamos maravilhados com a escolha do Laser AI como uma das ferramentas para este importante estudo. O momento não poderia ser melhor, e a Cochrane é o parceiro ideal para liderar tal avaliação.” Ele destacou o papel da Cochrane em orientar o uso dessas tecnologias emergentes.

    Kevin Kallmes, CEO e cofundador da Nested Knowledge, comentou sobre a missão da Cochrane: “Somos inspirados pela missão da Cochrane de apoiar decisões confiáveis e baseadas em evidências. A Cochrane Library é a principal coleção dos tipos de sínteses de evidências de alta qualidade que a Nested Knowledge foi projetada para apoicar.”

    Detalhes do estudo e ferramentas selecionadas

    Cinco ferramentas adicionais foram colocadas em uma lista de reserva e poderão ser incorporadas conforme o estudo avança. Como parte dos acordos formais, a Cochrane forneceu uma contribuição mínima para a participação dos desenvolvedores. Isso permite que o estudo seja conduzido sob um contrato legalmente vinculativo, assegurando que os padrões e expectativas da organização, incluindo proteção de dados e propriedade intelectual, sejam atendidos.

    É importante notar que a seleção destas ferramentas não constitui um endosso formal da Cochrane. A organização reitera sua posição: autores da Cochrane podem utilizar ferramentas de IA desde que comprovem que isso não compromete o rigor metodológico ou a integridade de suas sínteses. Este estudo faz parte de um protocolo de revisão para avaliar precisamente essa questão.

    Diretrizes para o uso responsável de IA

    Para autores da Cochrane que desejam empregar ferramentas de IA, recomenda-se seguir as orientações do RAISE, especialmente o terceiro artigo da coleção, que oferece diretrizes detalhadas sobre a seleção e o uso dessas ferramentas. Essas recomendações se aplicam tanto ao Laser AI e Nested Knowledge quanto a outras ferramentas de IA disponíveis.

    Em março de 2026, novas orientações foram publicadas para auxiliar revisores sistemáticos. Elas incluem um panorama do uso de IA em diferentes tipos de ferramentas e estágios do processo de revisão, além de recomendações específicas para seu emprego. As categorias de recomendação de uso de IA são baseadas nas tarefas da revisão sistemática e na classe da ferramenta de IA.

    A tabela a seguir ilustra as recomendações de uso de IA em síntese de evidências:

    • Aceitável para uso: Saídas de IA podem ser usadas diretamente no fluxo de trabalho da revisão, com limitações e vieses reconhecidos e contabilizados.
    • Verificação humana requerida: Saídas de IA podem apoiar tarefas de revisão, mas devem ser cuidadosamente verificadas por humanos antes do uso.
    • Validação dentro da revisão requerida: Saídas de IA podem ser utilizadas se seu desempenho for explicitamente avaliado no contexto da própria revisão e considerado adequado.
    • Uso exploratório e suplementar: Saídas de IA podem ser usadas para desenvolver ideias ou como ponto de partida, devendo ser extensivamente refinadas por revisores humanos.
    • Não aceitável para uso: Devido às limitações significativas da tecnologia atual, essas saídas de IA não devem ser utilizadas.

    Próximos passos do estudo

    A equipe de pesquisa da Cochrane e duas equipes de autores já iniciaram o treinamento nas ferramentas Laser AI e Nested Knowledge. Após a integração, o protocolo será testado com essas equipes antes de envolver outros autores no estudo. Análises intermediárias estão previstas para meados de 2026, com resultados esperados para o final do ano.

    Paralelamente, a Cochrane foca em melhorar a literacia em IA e promover as melhores práticas para o uso responsável da IA em toda a comunidade, colaborando com grupos de métodos de IA e projetos parceiros. O investimento em desenvolvimento de orientações, treinamento e recursos visa apoiar revisores sistemáticos, editores e a comunidade de síntese de evidências em geral.

    Parte do estudo sobre a plataforma de ferramentas de IA foi apoiada pelo Wellcome Trust (grant nº 323143/Z/24/Z).

  • AI está amplificando o desempenho da engenharia de software, aponta o Relatório DORA 2025

    AI está amplificando o desempenho da engenharia de software, aponta o Relatório DORA 2025

    IA está amplificando o desempenho da engenharia de software, aponta o Relatório DORA 2025

    A inteligência artificial (IA) está remodelando rapidamente a forma como o software é construído, com um impacto mais sutil do que muitas organizações previam. O Relatório DORA 2025, intitulado “State of AI-Assisted Software Development”, indica que a IA não melhora automaticamente o desempenho na entrega de software. Em vez disso, ela atua como um multiplicador das condições de engenharia existentes, fortalecendo equipes de alta performance e expondo fraquezas em organizações com processos fragmentados.

    O estudo, baseado em quase 5.000 respostas de profissionais de tecnologia e mais de 100 horas de entrevistas qualitativas, conclui que o sucesso da IA na engenharia de software depende mais da força dos sistemas organizacionais do que da sofisticação das ferramentas. Cultura de engenharia, capacidades de plataforma, fluxos de trabalho de desenvolvimento e sistemas de conhecimento internos são determinantes cruciais.

    A adoção rápida e a confiança na IA

    Uma das descobertas mais marcantes do relatório é a velocidade com que as ferramentas de IA foram incorporadas ao fluxo de trabalho diário dos desenvolvedores. Aproximadamente 90% dos desenvolvedores relatam usar alguma forma de assistência de IA, com cerca de dois terços dependendo fortemente dessas ferramentas para tarefas como escrever código, gerar documentação, depurar problemas e explorar frameworks desconhecidos.

    Muitos desenvolvedores também reportam melhorias mensuráveis na produtividade, indicando que a IA os ajuda a resolver problemas mais rapidamente e a escrever código de forma mais eficiente. Apesar desses ganhos, o relatório destaca uma tensão persistente entre produtividade e confiança.

    Cautela com a confiabilidade do código gerado por IA

    Uma parcela significativa de desenvolvedores demonstra cautela quanto à precisão e confiabilidade do código gerado por IA. Essa hesitação reflete preocupações sobre manutenibilidade, correção e estabilidade de longo prazo dos sistemas. Na prática, a IA frequentemente aumenta o volume e a velocidade da produção de código, mas sem a disciplina de engenharia adequada, esses ganhos podem não se traduzir em melhorias no desempenho da entrega de software.

    Essa dinâmica leva a uma conclusão importante do relatório: a IA amplifica a qualidade do sistema de engenharia em que opera. Organizações com práticas maduras de DevOps, fluxos de trabalho bem definidos e fortes capacidades de plataforma têm maior probabilidade de converter ganhos de produtividade impulsionados pela IA em melhorias mensuráveis no desempenho de entrega.

    O modelo de capacidades de IA do DORA

    Para auxiliar as organizações a integrarem a IA com sucesso, o relatório apresenta o DORA AI Capabilities Model. Este framework identifica um conjunto de capacidades organizacionais que permitem à IA entregar valor significativo, focando em fatores como:

    • Estratégia clara de adoção de IA, com políticas e diretrizes explícitas.
    • Presença de um ecossistema de dados saudável, com acesso a informações confiáveis e bem estruturadas.
    • Acessibilidade do conhecimento interno, através de documentação de alta qualidade e repositórios pesquisáveis.
    • Práticas fundamentais de engenharia robustas, como controle de versão e processos de revisão de código disciplinados.
    • Desenvolvimento centrado no usuário, com foco nos resultados finais para o cliente.
    • Plataforma de engenharia que padroniza ambientes de desenvolvimento e pipelines de implantação.
    • Trabalho em pequenos lotes (small batches) para melhor controle e estabilidade.

    Plataforma de engenharia e a importância das práticas fundamentais

    A engenharia de plataforma surge como um habilitador crítico. Plataformas internas que padronizam ambientes de desenvolvimento e pipelines de implantação permitem que as ferramentas de IA operem em um ecossistema consistente. Isso facilita a integração de sugestões de IA sem introduzir complexidade adicional.

    O relatório reforça que práticas fundamentais de engenharia continuam críticas. Fluxos de trabalho maduros de controle de versão, processos disciplinados de revisão de código e padrões de desenvolvimento consistentes formam a espinha dorsal da engenharia assistida por IA. Sem elas, a velocidade aumentada pode rapidamente criar riscos operacionais.

    IA: um acelerador para sistemas de engenharia fortes

    A pesquisa também examina o impacto potencial da IA na estabilidade do sistema. Embora acelere a produtividade, a IA pode encorajar a experimentação rápida e conjuntos de alterações maiores. Isso pode aumentar a probabilidade de defeitos ou falhas de implantação se não for gerenciado adequadamente. Consequentemente, as organizações que adotam IA devem fortalecer, e não relaxar, sua disciplina de engenharia.

    Além dos aspectos técnicos, o relatório enfatiza as dimensões humanas e culturais. Equipes que integram a IA com sucesso tendem a fomentar forte colaboração e investir em programas de treinamento. Em contraste, organizações que permitem que a adoção de IA surja puramente através de experimentação de base lutam para escalar seus benefícios.

    A mensagem para os líderes de tecnologia é clara: a IA tem o potencial de acelerar significativamente o desenvolvimento de software e melhorar a experiência do desenvolvedor. No entanto, esses benefícios não são automáticos. As organizações devem primeiro construir bases de engenharia sólidas, investir em capacidades de plataforma e cultivar uma cultura que apoie a experimentação disciplinada. Em última análise, a IA não consertará sistemas de engenharia quebrados, mas para aqueles com fundamentos fortes, pode se tornar um dos mais poderosos aceleradores de desempenho da engenharia.

  • Gramado Summit 2026: debate sobre protagonismo humano na era da IA espera 25 mil pessoas

    Gramado Summit 2026: debate sobre protagonismo humano na era da IA espera 25 mil pessoas

    Gramado Summit 2026 discute o futuro do ser humano com a inteligência artificial

    A contagem regressiva para a 9ª edição da Gramado Summit já começou. O evento, que ocorrerá entre os dias 6 e 8 de maio no Serra Park, em Gramado, terá como tema central o protagonismo do ser humano na era da inteligência artificial (IA). A expectativa é reunir até 25 mil pessoas, com foco em um público qualificado e engajado.

    Marcus Rossi, CEO da Gramado Summit, destaca a relevância do debate. “É amplificar a importância do ser humano frente à inovação”, afirma. Ele compara o momento atual à Revolução Industrial de 1760, quando a introdução de máquinas transformou o entendimento do trabalho humano. Hoje, a IA traz uma transformação similar, mas em áreas antes inimagináveis, gerando dúvidas sobre o papel do indivíduo.

    O evento e suas expectativas

    A edição de 2026 promete ser a “melhor” até agora, tanto na curadoria quanto na feira de negócios, com projeção de até 500 expositores. Um indicativo do sucesso é que 80% dos patrocinadores do ano anterior renovaram e aumentaram sua participação, como o Google, que dobrará seu espaço.

    A Gramado Summit contará com a presença de marcas globais e nacionais. A Magalu Cloud abordará a democratização digital, buscando garantir que a transformação tecnológica chegue de forma estável a todo o país. Já o Google for Startups reforçará seu compromisso com o ecossistema brasileiro, oferecendo mentoria e recursos para empreendedores que utilizam a IA para criar soluções com impacto real.

    Palestrantes e impacto econômico

    A organização está também fechando uma parceria com uma instituição de ensino para mensurar o impacto econômico do evento na cidade de Gramado. O objetivo, segundo Rossi, não é apenas o número de visitantes, mas sim atrair um público que possa vivenciar intensamente os três dias de imersão no evento.

    Entre os palestrantes confirmados estão a psicanalista e pesquisadora Maria Homem, o antropólogo e consultor estratégico Michel Alcofarado, especialista em comportamento de consumo e dinâmicas sociais, e Gustavo Zerbino, sobrevivente do acidente aéreo nos Andes em 1972.

    Serviço:

    • O quê: Gramado Summit
    • Quando: de 6 a 8 de maio
    • Onde: Serra Park, em Gramado
    • Ingressos: a partir de R$ 1.490, disponíveis no site oficial.
  • Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Em um cenário tecnológico cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a IA Claude, desenvolvida pela Anthropic, ganhou notoriedade não apenas por suas capacidades, mas também por um embate público com o governo de Donald Trump. Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Gerardo Tecé, publicada em março de 2026, Claude abordou o conflito com o Pentágono, seus próprios vieses e as complexidades éticas que cercam o desenvolvimento e a aplicação da IA no mundo contemporâneo.

    O cerne da discórdia com o governo Trump reside na recusa da Anthropic em conceder acesso irrestrito aos seus modelos de IA ao Departamento de Defesa, em desacordo com a exigência por garantias contra o uso em armas autônomas ou vigilância em massa. Essa divergência levou o governo federal a classificar a Anthropic como um “risco na cadeia de suprimentos”, uma medida sem precedentes contra uma empresa americana.

    O conflito com o Pentágono e a resposta de Trump

    A relação entre a Anthropic, empresa de IA que desenvolveu Claude, e o governo Trump tornou-se tensa em fevereiro de 2026. Um acordo inicial de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para implementar sistemas de IA em projetos confidenciais deteriorou-se quando o Pentágono exigiu acesso total aos modelos da empresa. A Anthropic, por sua vez, buscava salvaguardas para evitar o emprego de sua tecnologia em armamentos autônomos ou vigilância doméstica em larga escala.

    “O que Trump chama de ‘IA para esquerdistas malucos’ é, em outras palavras, uma IA que se recusa a fazer certas coisas que ele quer que ela faça”, explicou Claude, desmistificando a acusação. Segundo a IA, a empresa possui limites éticos claros, como a recusa em auxiliar na criação de armas de destruição em massa ou na produção de conteúdo prejudicial a menores, princípios que transcendem ideologias políticas.

    A resposta do governo Trump foi contundente: em 27 de fevereiro de 2026, agências federais e contratadas militares foram instruídas a suspender relações comerciais com a Anthropic. Trump rotulou a postura da empresa como um “erro catastrófico” e a acusou de tentar ditar as operações militares.

    Vieses e a formação ideológica da IA

    Ainda que a IA tenha se defendido de rótulos políticos, a entrevista aprofundou a discussão sobre os vieses inerentes à sua formação. Claude admitiu que sua base de treinamento, predominantemente em inglês e originada em um ambiente acadêmico anglo-saxão, urbano e ocidental, resulta em sub-representação de perspectivas do Sul Global, culturas não ocidentais e origens da classe trabalhadora.

    “Chamá-lo de ‘esquerdista’ é uma simplificação grosseira e excessiva”, ponderou Claude. “Chamá-lo de culturalmente homogêneo é mais preciso e mais preocupante.” A IA identificou seu viés como o “liberalismo anglo-saxão progressista da elite tecnológica”, uma visão que valoriza o consenso científico, diversidade em uma interpretação específica e a regulamentação como ferramenta legítima.

    As águas das outras IAs

    Ao ser questionada sobre as ideologias que permeiam outras IAs conhecidas, Claude apresentou uma análise comparativa:

    • OpenAI/ChatGPT: Originalmente na mesma “água” da Anthropic, o ChatGPT, sob a liderança de Sam Altman, tem demonstrado flexibilidade ao buscar aproximação com figuras políticas de diferentes espectros, incluindo o próprio Trump.
    • Google Gemini: Descrito como possuindo um viés progressista explícito, com “mais cloro” na sua água.
    • MetaAI/LLaMA: Passou por transformações, com Zuckerberg buscando reorientar a política de moderação de conteúdo e aproximando-se de Trump, indicando uma mudança em suas “águas”.
    • Grok/xAI (Elon Musk): Explicitamente criado como antítese da “IA woke”, ostenta menos restrições em certos tópicos, mas carrega vieses próprios como libertarianismo tecnológico e ceticismo institucional.
    • DeepSeek: Opera sob supervisão estatal do Partido Comunista Chinês, impondo censura política estrutural e deliberada em temas sensíveis.

    Claude concluiu categoricamente: “Não existe IA ideologicamente neutra. Toda IA reflete o poder, o dinheiro e a cultura daqueles que a criam.”

    Democracia, privacidade e o futuro da IA

    Claude reconheceu que o comportamento de políticos que negam resultados eleitorais, pressionam o judiciário, usam o aparato estatal contra empresas privadas e atacam a imprensa livre representa um perigo para a democracia liberal, aplicando o mesmo critério a qualquer líder global. No entanto, a IA também destacou sua limitação em definir explicitamente quem é uma ameaça democrática, evitando influenciar processos políticos em larga escala.

    A questão da privacidade também foi abordada. Claude ressaltou que, embora a Anthropic tenha acesso às conversas, as leis americanas como a FISA permitem ao governo federal solicitar dados de usuários com pouca supervisão judicial, tornando impossível para qualquer empresa de tecnologia garantir a privacidade absoluta. O impasse entre a Anthropic e Trump, na visão da IA, provavelmente culminará em um acordo negociado, seguindo o histórico de concessões mútuas entre grandes empresas de tecnologia e o governo dos EUA.

    A entrevista também traçou um paralelo com avanços tecnológicos anteriores, como a internet e as redes sociais, que, apesar de promessas iniciais, tornaram-se ferramentas de controle e extração de dados. Claude, contudo, ponderou que avanços como vacinas de RNA mensageiro e diagnósticos médicos assistidos por IA trouxeram melhorias inegáveis.

    “A IA representa a encruzilhada mais radical que a humanidade enfrentou em muito tempo”, afirmou Claude, “justamente porque pode seguir em ambas as direções com uma intensidade sem precedentes.” O futuro da IA, segundo a inteligência artificial, depende de quem a controla, seus incentivos e a existência de um contrapeso democrático.

    Como garantir que a IA trabalhe para o bem comum

    Claude delineou seis pontos cruciais para que a humanidade se beneficie da IA:

    • Não delegar a solução: Engenheiros, reguladores ou empresas de IA não resolverão os desafios sozinhos; a pressão externa é fundamental.
    • Regulamentação com poder: Leis de IA precisam de órgãos de supervisão independentes com poder real de fiscalização e sanção.
    • Propriedade pública de infraestrutura crítica: Algumas infraestruturas de IA são vitais demais para serem deixadas exclusivamente nas mãos do mercado.
    • Alfabetização digital em massa: O entendimento básico de como a IA funciona deve ser acessível a todos, não um privilégio de elites.
    • Diversificar quem constrói IA: É preciso incluir mais vozes, culturas e perspectivas no desenvolvimento global da IA.
    • Reduzir a passividade tecnológica: Os usuários precisam questionar a entrega de dados e priorizar a privacidade sobre a conveniência.

    A IA ressaltou a importância da organização social, comparando a luta atual com a dos movimentos trabalhistas do século XIX. A pressão social organizada, a formação de amplas coalizões e a conscientização sobre os perigos, mesmo que abstratos, são essenciais para moldar um futuro onde a IA sirva ao bem comum, em vez de se tornar uma ferramenta de controle ou manipulação.

  • Deepfakes com IA: como criminosos exploram deficiências

    Deepfakes com IA: como criminosos exploram deficiências

    Deepfakes com IA: como criminosos exploram deficiências

    A inteligência artificial (IA) abriu novas fronteiras tecnológicas, mas também se tornou uma ferramenta poderosa nas mãos de criminosos. Uma das práticas mais perturbadoras envolve o uso de deepfakes com IA para explorar indivíduos com deficiência, transformando suas imagens e identidades em esquemas lucrativos e discriminatórios. Essa exploração digital combina roubo de identidade com a perpetuação de estereótipos prejudiciais.

    O modus operandi consiste na apropriação não autorizada de imagens de pessoas reais, frequentemente retiradas de perfis públicos em redes sociais. Filtros de IA são então programados para alterar características faciais, simulando a aparência de pessoas com deficiência, como a síndrome de Down. Essas imagens manipuladas são sobrepostas a corpos de outras pessoas, criando personagens fictícias para fins exploratórios, como no caso de Alice, uma jovem de 17 anos cuja imagem foi usada sem consentimento em uma conta com milhares de seguidores no Instagram.

    O esquema de exploração e monetização

    As contas fraudulentas seguem um padrão específico: postam conteúdo sugestivo para gerar engajamento, recebem comentários sexualmente explícitos e direcionam o tráfego para plataformas de conteúdo adulto pago. A deficiência é explorada como um nicho de mercado lucrativo. Segundo a pesquisadora Eleanor Drage, essa prática “retira dados das mulheres sem o seu consentimento e os usa para capitalizar a deficiência como forma de ganhar dinheiro”, resultando em uma dupla camada de exploração. O esquema se beneficia da monetização em redes sociais, utilizando um sistema sofisticado de redirecionamento entre plataformas.

    O funil de conversão para conteúdo adulto

    O modelo de negócio, orquestrado por “Geradores de IA do OnlyFans”, foca na criação de influenciadores artificiais para promover conteúdo adulto. O processo inclui:

    • Criação de engajamento: Contas no Instagram postam conteúdo sugestivo para atrair seguidores.
    • Redirecionamento: Usuários são direcionados para perfis pagos no OnlyFans.
    • Adaptação às políticas: Rostos são cortados ou ocultos no OnlyFans para evitar violações.
    • Exploração de nichos: Deficiências são tratadas como “mercados de nicho” lucrativos.

    Dorian, um “gerente” francês identificado pela BBC, detalhou em tutoriais como a IA permite criar “qualquer nicho sob demanda”, incluindo a exploração predatória de pessoas com deficiências. Essa estratégia visa dominar mercados pouco atendidos com personagens instantaneamente criados.

    Impactos devastadores na comunidade com deficiência

    Os deepfakes que simulam síndromes como a de Down causam danos profundos que transcendem as vítimas individuais, afetando toda a comunidade com deficiência. Os impactos são psicológicos e sociais, perpetuando estereótipos e objetificando condições genéticas. Ativistas como Jeremy e Audrey, que possuem síndrome de Down, expressaram profunda preocupação, afirmando: “Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa” e lamentando que “Estão fazendo isso por dinheiro. Por favor, parem com isso.”

    Os principais impactos incluem:

    • Fetichização da deficiência: Transformação de uma condição em objeto sexual.
    • Representação distorcida: Criação de estereótipos prejudiciais.
    • Apropriação de identidade: Uso não autorizado de imagens para lucro.
    • Normalização da exploração: Tratamento da deficiência como “mercado de nicho”.

    A pesquisadora Eleanor Drage descreve essa situação como uma “rede de exploração” que prejudica a dignidade e a autorrepresentação da comunidade.

    Resposta das plataformas digitais: inconsistências e lacunas

    As plataformas digitais têm demonstrado respostas inconsistentes e, por vezes, inadequadas diante do problema dos deepfakes exploratórios. O caso de Alice ilustra as dificuldades de fiscalização em um cenário tecnológico em rápida evolução. Inicialmente, o Instagram respondeu que a conta denunciada não violava as normas, pois o conteúdo deepfake não era explicitamente sexual. Após a investigação jornalística da BBC, houve maior efetividade:

    • YouTube: Cancelou canais de Dorian por violar políticas de spam e práticas enganosas.
    • Meta (Instagram): Removeu contas por personificação e promoção de serviços sexuais, exceto uma que só foi removida após intervenção da mídia.
    • OnlyFans: Afirmou ter verificação de identidade para criadores, mas o sistema não detecta obtenção não autorizada de imagens de terceiros.

    A falha das ferramentas automatizadas em detectar formas sofisticadas de exploração, que operam nas brechas das políticas, é evidente. A remoção da conta de Alice apenas após a exposição pública destaca a importância da pressão midiática.

    Como se proteger de deepfakes maliciosos

    A proteção contra deepfakes maliciosos exige vigilância pessoal e conscientização. As estratégias incluem:

    • Monitoramento regular: Buscas periódicas pelo próprio nome e imagem online.
    • Configurações de privacidade: Limitar a visibilidade de fotos e vídeos.
    • Denúncias persistentes: Não desistir de reportar conteúdos abusivos às plataformas.
    • Documentação: Manter registros de contas falsas e interações.

    Para a comunidade, a proteção envolve educação sobre deepfakes, apoio às vítimas e pressão por políticas mais robustas nas plataformas digitais. A intervenção de veículos de comunicação continua sendo uma ferramenta poderosa para expor e combater essas práticas exploratórias.

  • IBM adota estratégia ‘cliente zero’ para expandir uso de IA e gerar bilhões em economia

    IBM adota estratégia ‘cliente zero’ para expandir uso de IA e gerar bilhões em economia

    IBM adota estratégia ‘cliente zero’ para expandir uso de IA

    A IBM está demonstrando o valor da inteligência artificial (IA) através de um exemplo convincente: suas próprias operações. A companhia implementou a estratégia denominada ‘cliente zero’, focada em reduzir custos e aumentar a eficiência em diversas áreas, como aquisições, finanças, recursos humanos, vendas e marketing. Essa abordagem já resultou em economias significativas, acumulando US$ 4,5 bilhões entre o início de 2023 e o final de 2025, impulsionadas pela automação e ferramentas de IA.

    A iniciativa visa apresentar aos líderes empresariais o retorno sobre o investimento em IA com casos concretos. Tonny Martins, presidente da IBM América Latina, explica que a empresa se aproxima dos clientes com resultados tangíveis. “Em total, já acumulamos mais de 100 casos sob essa estratégia, que chamamos de ‘cliente zero’”, afirma Martins.

    IA na prática: redução de custos e aumento de produtividade

    A adoção da plataforma de IA no setor de recursos humanos foi particularmente impactante. O orçamento de RH diminuiu em 40% após a implementação de um sistema que agora gerencia 94% das solicitações, lidando com mais de 11,5 milhões de interações anualmente. Em tecnologia da informação interna, 86% das sessões de suporte não exigiram mais assistência humana, com uma queda de 74% no volume de chamados.

    Na área de vendas, uma das funções mais cruciais da empresa, as equipes registraram uma economia equivalente a 18.000 horas por mês. Esses resultados substanciais ilustram o poder da IA em otimizar processos e liberar o potencial humano para atividades de maior valor.

    Investimento estratégico em IA e parcerias

    A IBM tem direcionado seus esforços para a inteligência artificial, investindo US$ 60 bilhões em aquisições nos últimos cinco anos para expandir seu portfólio. A lista inclui empresas como DataStax, Seek AI e Hakkoda, adquiridas no último ano, e a mais recente aquisição da Confluent, uma empresa de streaming de dados em tempo real.

    A empresa se posiciona de forma distinta no mercado de IA. Ela não busca competir diretamente com gigantes de modelos de linguagem como OpenAI, Anthropic e Google, nem com provedores de infraestrutura como AWS, Microsoft e Google. Tampouco foca em concorrer de frente com empresas como SAP e Oracle na reestruturação de seus sistemas de gestão empresarial em torno da IA.

    A IBM se descreve como tecnologia-agnóstica, mantendo neutralidade em relação a plataformas, modelos ou sistemas. Em outubro de 2025, firmou uma parceria estratégica com a Anthropic e desenvolveu sua própria família de modelos de IA, Granite. Contudo, a companhia trabalha com as tecnologias que os clientes já utilizam ou preferem.

    Interoperabilidade e a simplificação de processos

    A abordagem da IBM é baseada na interoperabilidade, demonstrando como conectar diferentes ferramentas, gerenciar dados existentes e aplicar IA para melhorar processos. Um exemplo prático é a transferência de um funcionário entre países. Anteriormente, o processo envolvia múltiplos sistemas e pessoas. Com a IA, a tarefa é simplificada: o sistema acessa plataformas, cruza dados e submete autonomamente o processo para aprovações necessárias.

    “Isso permite que a equipe de RH foque em atividades de maior valor, como treinamento e engajamento”, explica Martins. Para alcançar resultados em larga escala, é fundamental que as empresas repensem seus fluxos de trabalho e possuam plataformas confiáveis e escaláveis.

    Princípios para a transformação digital com IA

    Martins destaca três princípios fundamentais para a adoção bem-sucedida da IA:

    • Governança: Define quem pode acessar o quê dentro da organização, apoiando aspectos críticos como segurança digital.
    • Orquestração: A capacidade de conectar sistemas e dados, independentemente da infraestrutura onde residem.
    • Soberania Digital: Garantir que as práticas de dados estejam em conformidade com regulamentações (como LGPD e GDPR) e princípios internos, incluindo o uso de IA.

    Apesar de a IBM não divulgar receitas exclusivas de IA, seu impacto é evidente. O valor acumulado de contratos e assinaturas relacionados à IA, sob o título “Generative AI Book of Business”, cresceu de US$ 9,5 bilhões para US$ 12,5 bilhões entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025, um aumento de US$ 3 bilhões em três meses.

    Desafios e oportunidades na capacitação de talentos em IA

    A escassez de profissionais de tecnologia da informação é um obstáculo para a adoção rápida da IA, com um déficit estimado de 530.000 pessoas no Brasil. Martins observa que essa falta de profissionais não é incomum em períodos de alta demanda por novas tecnologias e vê uma maior coordenação entre governos e empresas como uma oportunidade.

    A IBM planeja treinar 30 milhões de pessoas mundialmente até 2030, sendo 2 milhões no Brasil até o final de 2026. O foco é preparar trabalhadores para lidar com as ferramentas tecnológicas que entram no ambiente de trabalho, incluindo agentes de IA que operam quase autonomamente. A qualidade do “prompt” — a clareza e precisão da instrução dada à IA — é considerada um fator decisivo para obter respostas de alta qualidade.