China impulsiona autossuficiência tecnológica: IA e chips locais colhem primeiros frutos

Escrito por

em

China impulsiona autossuficiência tecnológica: IA e chips locais colhem primeiros frutos

Investimentos massivos em tecnologia nacional mostram resultados, reduzindo dependência externa e impulsionando inovação em IA e semicondutores.

A busca por autonomia tecnológica na China começa a render frutos concretos, evidenciando o sucesso de investimentos estratégicos em áreas cruciais como inteligência artificial e semicondutores. A dependência de tecnologia dos Estados Unidos, considerada arriscada diante de tensões geopolíticas e tarifas, tem impulsionado o país a acelerar o desenvolvimento de soluções internas.

A DeepSeek, uma empresa que representa uma parcela significativa das ambições chinesas em inteligência artificial, deu um passo importante ao iniciar o treinamento de seus modelos com chips da Huawei. Essa iniciativa marca um avanço crucial para reduzir a dependência de semicondutores americanos, garantindo um suprimento confiável de hardware fora do controle dos EUA. Para Pequim, essa mudança atende diretamente ao chamado para a adoção de tecnologia local, fortalecendo a cadeia produtiva nacional.

Em sintonia com essa tendência, a Baidu intensificou o impulso à tecnologia doméstica ao revelar uma plataforma de computação para IA construída inteiramente com chips chineses. Os processadores da sua divisão Kunlunxin são a espinha dorsal do novo sistema Baige 5.0. Segundo a empresa, essa nova plataforma aumenta a eficiência do modelo de raciocínio R1 da DeepSeek em cerca de 50%, demonstrando o potencial da tecnologia nacional em rivalizar com as soluções estrangeiras.

A Alibaba também está na vanguarda dessa corrida, desenvolvendo um chip de IA mais versátil com o objetivo de competir diretamente com ofertas de empresas como Nvidia e AMD. Esses movimentos coordenados indicam que os intensos investimentos internos na área de IA estão começando a gerar retornos tangíveis. Fabricantes de chips domésticos planejam triplicar a produção de processadores de IA no próximo ano, com a Huawei se destacando como uma das principais beneficiadas.

O sucesso se estende a empresas que souberam transformar desafios em oportunidades, com um crescimento notável no setor de semicondutores.

A Cambricon Technologies é um exemplo notável dessa resiliência. A empresa, que enfrentou prejuízos no ano anterior, registrou um lucro recorde de 1,03 bilhão de CNY (aproximadamente US$ 145 milhões) no primeiro semestre de 2025. Suas ações dispararam mais de cinco vezes nesse período, refletindo a confiança dos investidores em seu potencial para se tornar uma futura campeã da IA na China, acompanhando o crescimento de players como a DeepSeek.

No lado da demanda, Pequim lançou uma plataforma nacional de computação que interliga 10 províncias para compartilhar recursos de computação subutilizados. Essa iniciativa faz parte de um plano mais amplo para transformar a IA em um motor de crescimento econômico, com projeções de adicionar trilhões de yuans à economia chinesa até 2035. Atualmente, mais de 100 prestadores de serviços, 1.000 clientes empresariais e 100 modelos de IA já aderiram a este projeto colaborativo.

Enquanto a China avança em autossuficiência tecnológica, a Índia e o Sudeste Asiático também registram movimentos significativos em IA e infraestrutura digital.

Na Índia, a Reliance está apostando forte em inteligência artificial com a criação da subsidiária Reliance Intelligence. O objetivo é construir data centers verdes em escala de gigawatt e fornecer infraestrutura de IA de grande porte, tornando os serviços acessíveis em todo o país. A empresa firmou parcerias estratégicas com gigantes da tecnologia como Google e Meta. A colaboração com o Google visa construir uma infraestrutura de nuvem dedicada à IA na Índia, começando com um data center em Jamnagar. Já com a Meta, a Reliance lançou uma joint venture para oferecer a plataforma empresarial de IA baseada no Llama da Meta como serviço, com um investimento conjunto de aproximadamente US$ 100 milhões, onde a Reliance detém 70% das ações.

O presidente da Reliance, Mukesh Ambani, declarou que “Há uma década, os serviços digitais se tornaram um novo motor de crescimento para nós. Agora, a oportunidade que a IA nos oferece é tão grande, se não maior”. A empresa também sinalizou o desenvolvimento de óculos de IA próprios, demonstrando uma ambição abrangente no setor.

No Sudeste Asiático, a Sea, controladora da Shopee, se consolidou como a empresa mais valiosa da região, com suas ações apresentando um crescimento expressivo. A divisão de jogos da Sea também demonstra forte desempenho, com o jogo Free Fire liderando como o título móvel de batalhas mais lucrativo nos Estados Unidos.

A Malásia deu um passo notável ao lançar seu primeiro chip de IA desenvolvido localmente, o MARS1000, pela startup SkyeChip. Embora ainda aquém dos chips mais potentes utilizados em data centers pela Nvidia, o MARS1000 é projetado para alimentar dispositivos como carros e robôs, marcando um avanço rumo ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas avançadas na região.

Esses desenvolvimentos em diferentes partes da Ásia sublinham uma tendência global crescente: a busca por soberania tecnológica e o reconhecimento do potencial transformador da inteligência artificial como um motor de inovação e crescimento econômico.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *