IA se torna essencial para progressão na carreira, afirma CEO da Accenture
No cenário corporativo em rápida evolução de 2026, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma vantagem para se tornar um requisito fundamental. Julie Sweet, CEO da Accenture, em uma recente entrevista ao podcast “Rapid Response”, enfatizou que a proficiência no uso das ferramentas de IA da empresa é agora um fator mandatório para o avanço na carreira. Aqueles que se recusarem a adaptar-se às novas tecnologias correm o risco de não apenas perder oportunidades de promoção, mas também de enfrentar o desligamento.
A consultoria global anunciou um programa de otimização de negócios, no qual investiu mais de US$ 865 milhões, incluindo a requalificação de milhares de funcionários. A mensagem é clara: dominar as novas ferramentas é parte integrante de como a Accenture opera.
A integração da IA na Accenture: um processo de três anos
Sweet esclareceu que a transição para a exigência do uso de IA não ocorreu de um dia para o outro. “Não passamos de zero a ‘você não será promovido’ em um mês. É um período de três anos para se acostumar com a tecnologia, garantir que seja fácil de usar, que tenhamos a estrutura certa para as pessoas utilizarem e, então, dizer: ‘Ei, esta é a Accenture e como operamos’”, explicou a CEO.
Este esforço faz parte de um investimento de US$ 3 bilhões da Accenture para integrar a IA de forma pioneira, iniciado em 2023. Uma das metas era dobrar o número de profissionais com expertise em IA para 80.000, através de contratações, aquisições e treinamento, em uma empresa que conta com mais de 770.000 funcionários.
Adoção de IA no mercado: entre a exceção e a regra
A abordagem proativa da Accenture contrasta com a adoção mais gradual de IA em outras empresas. Uma pesquisa da Gallup, referente ao quarto trimestre de 2025, indicou que apenas 38% das companhias reportavam a integração de IA para melhoria de produtividade, eficiência e qualidade. No entanto, a tendência é de crescimento, com 69% dos líderes empresariais utilizando IA no mesmo período, um aumento significativo em relação aos menos de 40% de 2023.
CEO’s e executivos têm demonstrado ceticismo quanto ao impacto imediato da IA. Um estudo do National Bureau of Economic Research revelou que, embora dois terços dos C-suite utilizassem IA, o uso era de apenas cerca de 1,5 hora por semana, com 90% reportando nenhum impacto em emprego ou produtividade nos últimos três anos. Contudo, a mesma pesquisa projeta um aumento de 1,4% na produtividade e 0,8% na produção nos próximos três anos.
Por que a Accenture apostou na IA?
Segundo Sweet, a integração da IA é uma evolução natural, comparável à introdução dos computadores no ambiente de trabalho. “Ninguém diria que exigir que alguém use um computador é coerção”, comparou. “É assim que as empresas iam realizar o trabalho. Hoje, a IA na Accenture é como fazemos o trabalho.”
A CEO demonstra empatia com empresas resistentes à mudança. Ela observou que falhas na integração da IA muitas vezes ocorrem quando ela é usada como uma ferramenta em fluxos de trabalho preexistentes, em vez de ser incorporada em sistemas redesenhados com a tecnologia em mente. “Para capturar a oportunidade com IA, você realmente tem que estar disposto a reescrever sua empresa”, aconselhou Sweet.
Apesar do planejamento, a própria Accenture enfrentou desafios. “Para as nossas pessoas e nossos clientes, foi difícil”, admitiu Sweet. “Como você tem coragem para fazer isso? É aí que entra a humildade, mas também essa ideia de abraçar a mudança e a inovação.” A empresa estima que a ampliação do uso de IA e a requalificação de funcionários podem adicionar entre US$ 4,8 trilhões e US$ 6,6 trilhões à economia dos EUA na próxima década.

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