Nos EUA, uso de inteligência artificial na guerra no Oriente Médio vira disputa na Justiça
O uso da inteligência artificial (IA) na guerra se tornou um ponto de atrito legal nos Estados Unidos. A empresa Anthropic, especializada em IA, está processando o governo americano após uma determinação do presidente Donald Trump para que todas as agências federais suspendam o uso dos serviços da startup.
Em um cenário raro, a Microsoft apresentou um parecer jurídico em apoio à Anthropic, evidenciando uma aliança incomum entre gigantes da tecnologia contra a Casa Branca. O Pentágono, por sua vez, classificou a Anthropic como um risco à segurança nacional, citando preocupações com a cadeia de suprimentos dos EUA.
O contrato e o atrito com o Pentágono
A disputa judicial teve origem em um contrato de US$ 200 milhões entre a Anthropic e o Departamento de Guerra. No acordo, a startup impôs condições para que sua tecnologia não fosse utilizada para vigilância de cidadãos ou em armas autônomas, que atacam alvos sem controle humano.
Contudo, o Pentágono argumenta que a decisão sobre como utilizar as tecnologias de IA deve caber ao governo. Diante disso, o secretário de Guerra emitiu um ultimato na quinta-feira (5), exigindo acesso irrestrito ao modelo de IA da Anthropic, sob pena de rescisão do contrato. A Anthropic não cedeu às exigências.
IA como ferramenta estratégica na guerra
A inteligência artificial é vista como uma das principais apostas do governo americano em operações militares. No contexto do Oriente Médio, a tecnologia tem sido empregada no planejamento e identificação de alvos estratégicos.
Exemplos recentes incluem o uso de IA em drones que teriam confundido a defesa iraniana durante a operação que resultou na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei. A tecnologia também teria sido utilizada na captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela.
As manifestações judiciais, como a da Microsoft, sublinham a complexidade e as tensões envolvidas na aplicação da IA em conflitos, ao mesmo tempo em que big techs demonstram cautela em confrontar diretamente a administração federal.

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