Tag: educação

  • Inteligência artificial expõe crise na formação intelectual dos estudantes

    Inteligência artificial expõe crise na formação intelectual dos estudantes

    Inteligência artificial expõe crise na formação intelectual dos estudantes

    A rápida ascensão da inteligência artificial (IA) no ambiente educacional tem jogado luz sobre uma preocupante realidade: muitos jovens demonstram dificuldade crescente em formular pensamentos autônomos e exercer a análise crítica. Longe de ser apenas uma nova ferramenta tecnológica, o fenômeno aponta para uma crise cognitiva, onde a compreensão do mundo passa a ser delegada, em larga escala, às máquinas.

    Embora a IA tenha sido concebida para otimizar tarefas e liberar o ser humano do trabalho braçal, observa-se um paradoxo: ela começa a libertar indivíduos do próprio esforço intelectual. O cerne do problema, contudo, não reside na tecnologia em si, mas no terreno que ela encontrou. A ferramenta se depara com uma sociedade intelectualmente fragilizada, onde muitos estudantes falham em estruturar raciocínios básicos.

    O reflexo da fragilidade no uso da IA

    A eficácia das inteligências artificiais, por exemplo, está diretamente ligada à qualidade das perguntas que lhes são submetidas. A falta de leitura, de contexto e de repertório por parte dos usuários resulta em comandos superficiais. Consequentemente, as respostas geradas pela máquina refletem, inevitavelmente, a formação intelectual de quem a utiliza.

    A origem dessa questão é mais antropológica e educacional do que tecnológica. Há décadas, o sistema escolar tem sido criticado por falhar em seu propósito de formar indivíduos no sentido mais amplo, limitando-se, muitas vezes, a produzir meros “alunos” burocráticos. O foco na preparação para enfrentar problemas complexos e construir projetos de vida autônomos tem sido negligenciado.

    Desafios da educação e o papel da IA

    Se não resgatarmos a capacidade de pensar por conta própria, a inteligência artificial deixará de ser um braço direito do homem para tornar-se a muleta de uma geração que desaprendeu a caminhar sozinha.

    O desafio tem sido substituído pela facilidade, e o mérito pela acomodação, onde qualquer exigência de excelência é frequentemente vista como opressão. A verdadeira educação, por outro lado, deveria guiar o ser humano à descoberta, à autonomia e à responsabilidade intelectual. Um exemplo de formação que possibilitou avanços significativos é o da pesquisadora brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, que desenvolveu a polilaminina, uma contribuição relevante para a biomedicina.

    A produção de talentos com tal envergadura exige rigor, disciplina intelectual e o estímulo ao pensamento crítico, elementos cada vez mais escassos. Portanto, a inteligência artificial não deve ser rejeitada, mas sim recolocada em seu devido lugar: como ferramenta de apoio, jamais como substituta da consciência humana.

    A educação é o alicerce indispensável de qualquer sociedade que almeja ser justa e meritocrática. Sem o resgate da capacidade de pensar de forma independente, a IA corre o risco de se tornar uma muleta para uma geração que perdeu a habilidade de caminhar por si mesma.

  • Escola em Chicago adota inteligência artificial no ensino a partir de outono, segundo reportagem

    Escola em Chicago adota inteligência artificial no ensino a partir de outono, segundo reportagem

    Escola em Chicago introduz inteligência artificial no ensino

    Uma escola em Chicago está se preparando para incorporar a inteligência artificial (IA) nas aulas a partir do próximo outono. Estudantes utilizarão ferramentas de IA para matérias principais, sob a orientação de funcionários, conforme noticiado pela CBS.

    A Alpha Chicago, parte da rede de escolas privadas K-12 Alpha Schools, fundada em 2014, empregará a IA de uma a duas horas por dia em disciplinas como ciência, matemática e leitura. Cada aluno terá um “guia” em vez de um professor tradicional.

    Como funcionará a inteligência artificial nas aulas

    Apesar da introdução da IA, a escola assegura que os alunos não aprenderão com robôs nem passarão o dia inteiro em frente a telas. Os professores continuarão a desempenhar um papel central no processo educacional.

    “Estamos usando o mesmo currículo que os alunos em sala de aula estão aprendendo. Não é o ChatGPT inventando perguntas”, afirmou Mackenzie Price, fundadora da escola.

    Price explicou que o sistema de IA é capaz de avaliar o conhecimento dos alunos e identificar lacunas. Ela também ressaltou que os guias receberão salários elevados, e que os professores são fundamentais para o sucesso do modelo.

    Liz Gerber, da Center for Human-Computer Interaction and Design da Northwestern University, descreveu o modelo da Alpha Schools como um aprendizado autodirigido, baseado em princípios montessorianos. No entanto, ela expressou hesitação em classificar a escola como “de IA”, sugerindo que se trata de aprendizagem personalizada.

    Detalhes sobre a Alpha Chicago

    Com mensalidades anuais de $55.000, a escola atrai principalmente famílias abastadas. Segundo a Alpha Schools, seus alunos se classificam no 1% superior em testes padronizados nacionais e progridem em um ritmo médio 2,6 vezes mais rápido que os colegas em avaliações MAP.

    Até o momento, 35 alunos demonstraram interesse e dois já se matricularam para o próximo ano letivo. A escola tem como meta atingir 50 alunos até o outono de 2026 e está atualmente aceitando candidaturas. Existem 22 escolas Alpha nos Estados Unidos.

  • IFPE Palmares abre inscrições para Curso de Extensão em Arduino na Prática Educacional

    IFPE Palmares abre inscrições para Curso de Extensão em Arduino na Prática Educacional

    IFPE Palmares abre inscrições para Curso de Extensão em Arduino na Prática Educacional

    O Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) Campus Palmares anunciou a abertura de inscrições para o seu novo Curso de Extensão em Arduino na Prática Educacional. A iniciativa, voltada para professores e estudantes, visa introduzir os participantes aos conceitos de Arduino e robótica educacional, abrindo portas para o aprendizado prático e a aplicação em sala de aula. O curso é gratuito e as aulas estão previstas para iniciar em 1º de abril de 2026.

    O curso é uma oportunidade imperdível para educadores e alunos que desejam explorar o potencial do Arduino em contextos de ensino. Não é necessário possuir conhecimento prévio em programação ou eletrônica, tornando-o acessível a um público amplo. Para se inscrever, os interessados devem ter um CPF válido, e-mail ativo, conhecimentos básicos de informática e acesso à internet para as atividades online.

    Público-alvo e requisitos

    O Curso de Extensão em Arduino na Prática Educacional destina-se a professores das redes municipal, estadual e federal, além de estudantes das mesmas redes. O público externo e a comunidade interna do IFPE Palmares também podem se candidatar. Os pré-requisitos incluem posse de CPF válido, e-mail ativo, noções básicas de informática e acesso à internet para a modalidade híbrida do curso.

    Inscrições e Vagas

    As inscrições são gratuitas e realizadas exclusivamente online, no dia 24 de março de 2026. Os interessados devem preencher um formulário eletrônico específico, disponível no site do IFPE Palmares. Durante a inscrição, o candidato poderá indicar sua preferência pelo dia de aula, quarta ou quinta-feira, sujeito à disponibilidade de vagas.

    Serão ofertadas 40 vagas no total, divididas em duas turmas de 20 alunos cada. As aulas presenciais acontecerão às quartas-feiras (Turma 1) e às quintas-feiras (Turma 2). Essa divisão visa garantir um aproveitamento máximo das atividades práticas e um acesso facilitado aos equipamentos.

    Seleção e Divulgação do Resultado

    A seleção dos candidatos será feita por ordem de inscrição, respeitando o limite de vagas estabelecido. Uma lista de espera será formada para atender a eventuais desistências. O resultado do processo seletivo será divulgado no dia 24 de março de 2026 nos canais oficiais do IFPE, incluindo o sítio eletrônico, redes sociais e murais institucionais. Recursos contra o resultado poderão ser enviados à equipe organizadora por e-mail.

    Metodologia e Conteúdo

    Com carga horária total de 40 horas, o curso será ministrado na modalidade híbrida, combinando 12 horas presenciais com 28 horas assíncronas. Os encontros presenciais ocorrerão no IFPE Palmares, totalizando quatro sessões das 13h às 16h. As atividades assíncronas utilizarão o simulador Wokwi, acessível via navegador.

    A metodologia aborda a Cultura Maker e a Engenharia Reversa, incentivando a aprendizagem pela experimentação e modificação de códigos e circuitos. Os participantes utilizarão kits Arduino Uno/ESP32, protoboards, componentes eletrônicos, IDE Arduino e o simulador Wokwi.

    Avaliação e Certificação

    Para obter a certificação de 40 horas, os participantes deverão:

    • Comparecer aos encontros presenciais.
    • Completar as atividades propostas no simulador Wokwi.
    • Entregar a atividade final, que consiste na elaboração de um esboço de plano de aula demonstrando o uso do Arduino na educação.

    A participação ativa é fundamental, e estudantes que não cumprirem os requisitos de presença e realização das atividades poderão ser desligados do curso.

  • Novo centro de pesquisa vai usar inteligência artificial para inovar o ensino da matemática

    Novo centro de pesquisa vai usar inteligência artificial para inovar o ensino da matemática

    Um marco promissor para a educação matemática foi anunciado com a criação do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) Inteligência Artificial para Matemática e Aprendizado Inovador (Iamai), na Universidade de São Paulo (USP). A iniciativa, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), visa a aplicar avanços em inteligência artificial para transformar o ensino e a aprendizagem da disciplina. O lançamento oficial ocorrerá em um evento nos dias 7 e 8 de abril de 2026, reunindo especialistas, estudantes e parceiros.

    O Iamai nasce com a missão clara de fortalecer a educação matemática por meio de tecnologias de inteligência artificial. A proposta é desenvolver, aplicar e disseminar soluções inovadoras que expandam as possibilidades de aprendizado, integrando diversas áreas do conhecimento. O evento de lançamento, sediado no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, será presencial e também transmitido online, democratizando o acesso às discussões.

    Objetivos e lançamento do Iamai

    O encontro de lançamento, que acontece nos dias 7 e 8 de abril, no Auditório Jacy Monteiro do IME, no campus do Butantã, São Paulo, marcará a apresentação formal do centro. O evento contará com a presença do reitor da USP, Aluísio Augusto Cotrim Segurado, e do professor Roberto Marcondes Cesar Junior, que detalharão os objetivos do Iamai. A palestra inaugural será ministrada pelo pró-reitor de Graduação, Marcos Garcia Neira.

    Pesquisadores apresentarão as diversas frentes de atuação do centro. A professora Ana Paula Jahn abordará a formação de recursos humanos, enquanto Carlos Hitoshi Morimoto discutirá o desenvolvimento de ferramentas de IA. Eduardo Colli focará no uso de objetos concretos e interativos. Marcus Maltempi apresentará o eixo Mathematic, Leonardo Barichello tratará da integração de tecnologias, e Viviana Giampaoli discutirá o eixo sociedade.

    Inteligência artificial e educação matemática em debate

    O segundo dia do evento, 8 de abril, será dedicado a um fórum de debates sobre inteligência artificial e educação matemática. Especialistas de diferentes áreas participarão da discussão, incluindo a professora Cristina Godoy Bernardo de Oliveira, coordenadora do Grupo de Estudos em Direito e Tecnologia (TechLaw) do Instituto de Estudos Avançados da USP, e as professoras Daniela Mariz e Maria Rebeca Otero Gomes, do IME e coordenadora do setor de Educação da Unesco no Brasil.

    A tarde do dia 8 de abril será reservada para dinâmicas de grupo, com o intuito de fomentar a colaboração e identificar novas oportunidades de pesquisa e aplicação de IA na educação matemática. As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser realizadas via formulário, com confirmação até 3 de abril.

    Mais informações sobre o evento estão disponíveis em um link específico, e detalhes sobre o novo centro podem ser acessados em outra página.
    Datas do evento: 7 e 8 de abril de 2026 (manhã e tarde)
    Local: Auditório Jacy Monteiro do IME/USP, Rua do Matão, 1.010, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo.
    Transmissão: Canal do IME no YouTube.
    Inscrições: Gratuitas, via formulário.

  • CEIA-UFG compra 31 supercomputadores de IA da NVIDIA

    CEIA-UFG compra 31 supercomputadores de IA da NVIDIA

    CEIA-UFG compra 31 supercomputadores de IA da NVIDIA

    O Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG) deu um passo significativo na expansão de sua infraestrutura tecnológica com a aquisição de 31 unidades do NVIDIA DGX Spark. Este equipamento, conhecido como o menor supercomputador pessoal de Inteligência Artificial do mundo, será fundamental para equipar dois novos laboratórios de ensino na UFG. A iniciativa visa aprimorar a formação de estudantes e pesquisadores na área de IA no Brasil.

    O investimento foi viabilizado com recursos do Governo do Estado de Goiás e do Programa de Desenvolvimento de Competências da EMBRAPII. A diretoria do CEIA-UFG esteve recentemente em Santa Clara, Califórnia (EUA), na sede da NVIDIA, durante a NVIDIA GTC 2026, um dos principais eventos globais sobre Inteligência Artificial e computação acelerada, para formalizar a compra.

    Infraestrutura de ponta para formação em IA

    Os novos supercomputadores DGX Spark, equipados com o superchip NVIDIA GB10 Grace Blackwell, começam a chegar à universidade em março de 2026, com a expectativa de que a instalação dos laboratórios seja concluída até o final de abril. O campus da UFG abrigará dois laboratórios: um no Instituto de Informática (INF), prioritariamente para os alunos do Bacharelado em Inteligência Artificial – o primeiro curso de graduação do tipo no Brasil –, e outro destinado aos estudantes de Engenharia de Computação.

    A proposta é proporcionar aos alunos acesso direto a tecnologias de ponta, similares às utilizadas em centros avançados de pesquisa e na indústria. “O acesso a esse tipo de infraestrutura ainda na graduação permite que os estudantes desenvolvam aplicações de Inteligência Artificial com ferramentas de nível profissional, acelerando a formação de talentos e a criação de soluções inovadoras”, explicou a professora Telma Soares, diretora do CEIA-UFG.

    O poder do NVIDIA DGX Spark

    Lançado pela NVIDIA em 2025, o DGX Spark se destaca pelo seu formato compacto, mas com altíssimo poder de processamento. Ele integra CPU e GPU projetadas especificamente para aplicações de Inteligência Artificial, permitindo que os usuários desenvolvam e executem modelos avançados de IA diretamente em suas estações de trabalho.

    Fortalecimento da universidade pública e pesquisa

    Para a reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, a aquisição reforça o compromisso da universidade pública com a formação de profissionais qualificados em uma área de extrema importância estratégica para o país. “A parceria com o CEIA e o investimento em infraestrutura de ponta ampliam as oportunidades para nossos estudantes e reforçam o papel da universidade pública na formação de profissionais preparados para os desafios tecnológicos contemporâneos”, destacou.

    Os novos laboratórios integrarão a robusta infraestrutura tecnológica do CEIA-UFG, que já é reconhecido como um dos principais centros de pesquisa aplicada em Inteligência Artificial do Brasil, com atuação em setores cruciais como saúde, agronegócio, energia, logística e cidades inteligentes.

  • Inteligência Artificial: aliada, ferramenta, mas também perigo — tudo ao mesmo tempo

    Inteligência Artificial: aliada, ferramenta, mas também perigo — tudo ao mesmo tempo

    Inteligência Artificial: aliada, ferramenta, mas também perigo — tudo ao mesmo tempo

    A inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito futurista para se tornar uma realidade palpável no cotidiano. De escolas a negócios, essa tecnologia se manifesta de maneiras diversas, apresentando-se tanto como uma aliada poderosa quanto como um potencial perigo. Ferramentas como o ChatGPT já fazem parte do dia a dia, transformando a forma como aprendemos e trabalhamos.

    Essa dualidade da IA é evidente em suas aplicações práticas. Enquanto impulsiona a criatividade e a eficiência, também levanta questões sobre autenticidade e segurança. Compreender esse cenário multifacetado é fundamental para navegar no mundo cada vez mais digital em que vivemos.

    IA como aliada no aprendizado

    Em Anápolis, o professor Clóvis Teodoro, do CEPI Gomes de Souza Ramos, integrou a inteligência artificial e games educativos em suas aulas de Química e Iniciação Científica. A iniciativa buscou aproximar os alunos do conteúdo, percebendo que recursos digitais estimulam mais a curiosidade e melhoram o desempenho. Essa estratégia se alinha à realidade de um país onde a maioria dos jovens acessa a internet diariamente, tornando as aulas mais dinâmicas, interativas e compreensíveis.

    Ferramenta de empreendedorismo

    Em Goiânia, no CEPI Novo Horizonte, a IA transcendeu a sala de aula para se tornar uma ferramenta de empreendedorismo. Através da Eletiva de Empreendedorismo Juvenil, ministrada pela professora Aline Maria, os alunos aprendem a transformar ideias em projetos concretos com o apoio da inteligência artificial. O resultado são estudantes que já iniciaram seus próprios empreendimentos, descobrindo novas possibilidades ao aprenderem a tirar ideias do papel.

    Os riscos e o perigo da desinformação

    Contudo, a inteligência artificial também apresenta riscos significativos que demandam atenção. O fenômeno das deepfakes, vídeos falsos gerados por IA com impressionante precisão, exemplifica essa preocupação. Heinz Felipe, engenheiro de IA, alerta que esses conteúdos podem levar à disseminação de fake news, golpes financeiros e danos à reputação.

    Para se proteger nesse cenário, o especialista recomenda desconfiar de conteúdos sensacionalistas, verificar a fonte antes de compartilhar e utilizar ferramentas de checagem. O senso crítico emerge como o principal antídoto contra a desinformação.

    A inteligência artificial não é vilã nem heroína — é uma ferramenta poderosa que depende do uso que fazemos dela.

    As experiências nas escolas goianas demonstram que a IA está moldando jovens mais criativos, empreendedores e críticos. O SER Goiás na TV continua acompanhando essa evolução, reforçando o compromisso com a educação de qualidade e a aprendizagem inclusiva.

  • Como a IA pode criar uma geração sem raciocínio ou memória

    Como a IA pode criar uma geração sem raciocínio ou memória

    IA: Um atalho que pode custar caro ao aprendizado humano

    A inteligência artificial (IA) está cada vez mais integrada ao cotidiano, com estudantes de todas as idades recorrendo a chatbots para solucionar desde problemas simples aos mais complexos. Essa delegação cognitiva, no entanto, levanta uma preocupação crescente entre pesquisadores e educadores: o impacto dessa dependência no desenvolvimento do raciocínio, da memória e da criatividade humana.

    Durante um painel no festival SXSW, especialistas discutiram o risco de a tecnologia, ao assumir uma parcela cada vez maior das tarefas mentais, levar à diminuição do exercício de habilidades cruciais para o processo de aprendizado. A base dessa preocupação reside em um princípio fundamental da neurociência: o cérebro se adapta aos estímulos que recebe. Habilidades frequentemente usadas tendem a se fortalecer, enquanto aquelas que não são exercitadas podem enfraquecer com o tempo.

    O dilema da conveniência tecnológica

    Sanjay Sarma, professor do MIT e pesquisador em tecnologia educacional, expressou sua profunda apreensão de que a IA se torne uma “muleta” que resulte em atrofia cognitiva. Ele ressalta que, embora preocupações semelhantes tenham acompanhado outras transformações tecnológicas, como a disseminação da escrita na Grécia Antiga (que Platão temia prejudicar a memória), a inteligência artificial apresenta um nível de delegação cognitiva diferente.

    A IA opera diretamente em atividades associadas ao raciocínio e à produção intelectual. Aplicativos de navegação definem rotas, ferramentas de IA generativa criam textos e imagens a partir de comandos simples, e dispositivos conectados auxiliam na identificação de informações e objetos. A grande questão é como o cérebro humano responderá à ausência de parte dessas demandas cognitivas.

    A mudança visível nas universidades

    Olivia Joseph, estudante de computação e cognição no MIT, já observa essa mudança dentro do ambiente universitário. Ela relata que, antes da popularização dos grandes modelos de linguagem (LLMs), a resolução de problemas complexos envolvia discussões com colegas, consultas a professores e experimentação. “Você tentava, falhava, tentava de novo e eventualmente chegava à resposta”, recorda.

    Com a chegada dos LLMs, a adoção entre os estudantes foi quase imediata. “Em poucas semanas, todo mundo estava usando”, afirma Joseph. Essa nova dinâmica, especialmente em áreas técnicas como a ciência da computação, leva a situações onde exercícios que antes exigiam tentativa e erro são resolvidos diretamente com a ajuda da IA. “Tenho colegas que praticamente não escrevem mais código”, lamenta.

    O risco da perda de habilidades e homogeneização

    Para Joseph, a preocupação vai além do uso indevido em avaliações acadêmicas. O cerne da questão é a perda de uma etapa fundamental do aprendizado: o desenvolvimento gradual de habilidades através da prática. Ela compara o processo ao treinamento esportivo: “Você não entra em quadra sem praticar os fundamentos”.

    Sem a prática repetida – seja escrevendo código, testando hipóteses ou corrigindo erros – torna-se mais difícil desenvolver uma compreensão profunda dos problemas. Joseph destaca que os modelos de linguagem são particularmente eficazes em tarefas com soluções já documentadas: “LLMs são ótimos para resolver problemas que já foram resolvidos”. Mas e quanto aos problemas que ainda não existem?

    Outra observação de Joseph é a padronização da escrita. Textos produzidos por diferentes alunos, mesmo com suas próprias palavras, tendem a apresentar estruturas e tons semelhantes. “Eles tinham todos o mesmo tom”, diz. Em alguns casos, o uso de ferramentas de IA é evidente; em outros, a influência parece mais indireta, resultado do auxílio de LLMs na pesquisa, sumarização e organização de ideias.

    O desafio para o ensino superior

    Chris Gabrieli, presidente do Conselho de Educação Superior de Massachusetts, aponta que as discussões sobre IA nas universidades frequentemente começam com a preocupação com a desonestidade acadêmica. “Todo mundo está colando”, afirma. Muitas instituições têm reagido reinstaurando avaliações presenciais ou exames manuscritos.

    No entanto, Gabrieli considera essa uma resposta parcial. O desafio mais amplo, segundo ele, é que o modelo de ensino superior foi construído em torno de avaliações – como trabalhos escritos e ensaios – que se tornaram fáceis de automatizar com os avanços da IA. Isso levanta questões sobre como medir o aprendizado de forma eficaz quando a produção de textos estruturados não exige mais o mesmo processo cognitivo.

    A expansão da IA ocorre em um momento de desafios para as universidades, como queda nas matrículas, aumento de custos e questionamentos sobre o retorno econômico de um diploma. A expectativa geral é que dominar as ferramentas de IA se torne uma habilidade básica no mercado de trabalho. “Seria uma má ideia contratar alguém que não sabe usar IA”, reconhece Gabrieli.

    O caminho para um aprendizado genuíno

    O desafio, segundo os especialistas, é garantir que o uso dessas tecnologias não substitua as etapas essenciais do aprendizado humano. A resolução de problemas, a escrita de textos e o desenvolvimento de argumentos devem continuar envolvendo um processo de tentativa, erro, revisão e reflexão. Somente assim um aprendizado genuíno poderá ocorrer, preservando as capacidades de raciocínio e memória para as futuras gerações.

  • Educadores de Física e Matemática já podem se inscrever para Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial

    Educadores de Física e Matemática já podem se inscrever para Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial

    Educadores de Física e Matemática já podem se inscrever para Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial

    Professores e professoras de Física e Matemática da rede estadual e das redes municipais de educação do estado da Bahia já têm a oportunidade de se inscrever na ‘Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial para Educadores (as) de Física e Matemática’. A iniciativa, lançada em março de 2026, visa capacitar educadores para o uso ético, crítico e pedagógico da Inteligência Artificial (IA), integrando-a a metodologias ativas, atividades experimentais e situações-problema no ensino.

    A proposta da jornada busca fortalecer a conexão entre teoria e prática, com o objetivo de desenvolver o pensamento científico e matemático dos estudantes no ambiente escolar. A Inteligência Artificial é vista como uma ferramenta essencial para mediar esses processos, expandindo as possibilidades de investigação, experimentação e resolução de problemas, sem, contudo, substituir o raciocínio humano e a construção conceitual.

    Detalhes da formação

    A formação continuada possui uma carga horária total de 40 horas e será realizada integralmente na modalidade online, por meio da plataforma Colaborativus. Esta ação se consolida como um passo estratégico para a qualificação das práticas pedagógicas nas disciplinas de Física e Matemática.

    Os objetivos incluem a melhoria da qualidade do ensino, o aumento do engajamento dos estudantes e o fortalecimento de uma cultura escolar que seja inovadora, ética e baseada em evidências. O programa contará com momentos de atividades assíncronas e síncronas, com um forte foco na experimentação pedagógica e na resolução de problemas práticos do cotidiano escolar.

    Metodologia e foco

    A metodologia adotada prioriza a aprendizagem ativa, incentivando a colaboração entre os professores e a produção de materiais didáticos que possam ser diretamente aplicados em suas salas de aula. O uso intencional da Inteligência Artificial será um dos pilares da jornada, permitindo que os educadores explorem novas abordagens para o ensino das ciências exatas.

    A inscrição para a jornada está aberta, e os interessados podem acessar o link disponibilizado para garantir sua participação nesta oportunidade de desenvolvimento profissional. A iniciativa é um reflexo do compromisso com a inovação na educação baiana.

  • Educadores de Física e Matemática podem se inscrever para Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial

    Educadores de Física e Matemática podem se inscrever para Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial

    Educadores de Física e Matemática já podem se inscrever para Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial

    Professores da rede estadual e de redes municipais de educação da Bahia já podem garantir sua participação na ‘Jornada de Inovação Pedagógica com Inteligência Artificial para Educadores (as) de Física e Matemática’. A iniciativa, anunciada em 17 de março de 2026, visa capacitar educadores para o uso ético, crítico e pedagógico da Inteligência Artificial (IA), integrando-a a metodologias ativas, atividades experimentais e situações-problema.

    O principal objetivo da jornada é fortalecer a conexão entre teoria e prática, impulsionando o desenvolvimento do pensamento científico e matemático no ambiente escolar. O curso abordará como a IA pode servir como uma ferramenta mediadora, expandindo as possibilidades investigativas e de resolução de problemas, sem, contudo, substituir o raciocínio, a experimentação e a construção conceitual pelos alunos.

    Formação online e inovadora

    A formação conta com uma carga horária total de 40 horas e será realizada integralmente online, através da plataforma Colaborativus (https://colaborativus.educacao.ba.gov.br/). Esta modalidade consolida-se como uma estratégia eficaz para a qualificação das práticas pedagógicas em Física e Matemática, prometendo melhorias significativas na qualidade do ensino.

    A iniciativa é vista como fundamental para aumentar o engajamento dos estudantes e fomentar uma cultura escolar que seja inovadora, ética e orientada por evidências concretas. O cronograma da formação inclui momentos tanto assíncronos quanto síncronos, com um forte enfoque na experimentação pedagógica.

    Metodologia e foco prático

    A jornada priorizará a resolução de problemas reais, o uso intencional da Inteligência Artificial e a aplicação prática em sala de aula. A metodologia adotada incentiva a aprendizagem ativa, a colaboração entre os educadores e a produção de materiais que possam ser facilmente aplicados no contexto escolar. Esta abordagem busca garantir que os conhecimentos adquiridos se traduzam em benefícios tangíveis para o processo de ensino-aprendizagem.

  • Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    O avanço da inteligência artificial (IA) no cenário educacional está se tornando uma realidade cada vez mais presente. Nas principais instituições de ensino superior dos Estados Unidos e da União Europeia, aproximadamente 90% dos estudantes já utilizam ferramentas de IA. No Brasil, esse número também é expressivo, com 85% dos universitários, 70% dos estudantes do ensino médio e 40% do ensino fundamental integrando a tecnologia em suas rotinas.

    Essa rápida disseminação é impulsionada por gigantes da tecnologia, gerando debates e, em alguns casos, resistência por parte de educadores, que levantam preocupações éticas, de precisão e de transparência. Contudo, a IA já executa tarefas tradicionalmente associadas ao ensino, como análise de informações, produção textual, sumarização de conteúdos e programação, tornando sua exclusão cada vez mais inviável.

    A necessidade de adaptação universitária

    Diante desse cenário de transformação, especialistas defendem a ampliação do estudo da inteligência artificial em todas as áreas do conhecimento nas universidades, transcendendo o foco exclusivo da ciência da computação. A USP, por exemplo, busca se adaptar a essa nova realidade, propondo a criação de uma estrutura dedicada à integração da IA em seus cursos.

    Impacto no mercado de trabalho e no ensino superior

    As mudanças tecnológicas trazidas pela IA também redefinem o mercado de trabalho e influenciam o interesse dos jovens pela universidade. Em países como Estados Unidos e na Europa, observa-se uma tendência crescente entre os jovens em priorizar o aprendizado prático ou ingressar mais cedo no mercado, focando em habilidades e trajetórias profissionais em detrimento da obtenção de diplomas tradicionais.

    Esse movimento pressiona as universidades a repensarem seus modelos. A adaptação é vista como essencial para preparar os estudantes para um mundo em constante evolução e para mitigar o aumento das desigualdades educacionais e profissionais. Conforme reportado pelo Jornal da USP em 17 de março de 2026, a inteligência artificial avança nas escolas, exigindo que as universidades se reinventem diante das novas demandas tecnológicas e do mercado de trabalho.