Tag: ações de tecnologia

  • Como se preparar para a era da Inteligência Artificial no mercado de seguros e saúde pet

    Como se preparar para a era da Inteligência Artificial no mercado de seguros e saúde pet

    IA: uma aliada estratégica no mercado de seguros e saúde pet

    A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se consolidar como um dos principais motores de transformação do ambiente corporativo. No setor de seguros e saúde pet, essa revolução tecnológica já é uma realidade, impulsionando a inovação e a eficiência. Empresas como a APet, especializada em planos de saúde para animais, já integram a IA em suas operações para aprimorar processos e encantar tutores.

    A chave para o sucesso na era da IA reside em compreendê-la não como uma substituta da inteligência humana, mas como uma poderosa extensão das capacidades humanas. Luiz Gênova, CEO da APet, destaca que a tecnologia deve ser integrada de forma estratégica, ampliando o alcance e a assertividade das tomadas de decisão.

    O potencial da inteligência artificial no setor

    O verdadeiro valor da IA vai muito além da automação de tarefas. A tecnologia permite analisar grandes volumes de dados, prever comportamentos, apoiar decisões complexas e gerar novas oportunidades de valor. Organizações que compreendem essa lógica utilizam a IA não apenas para redução de custos, mas como um instrumento de inovação, personalização de serviços e aumento da competitividade.

    No mercado de seguros, a adoção da inteligência artificial já é consolidada. Uma pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revelou que 80% das seguradoras brasileiras já utilizam soluções de IA, com as demais em processo de implementação. As áreas mais beneficiadas são atendimento ao consumidor, operações e tecnologia da informação, visando aumentar a produtividade e aprimorar a experiência do cliente.

    Desafios e oportunidades na implementação da IA

    Apesar dos avanços, a integração com sistemas legados é apontada como o principal desafio para a implementação da tecnologia, uma dificuldade relatada por 69% das seguradoras. No entanto, organizações de todos os portes estão redesenhando seus modelos de negócio e estratégias de relacionamento com clientes, impulsionadas pela IA.

    No Brasil, segmentos tradicionalmente mais conservadores, como o mercado de seguros, têm visto a força desse movimento. A IA representa uma mudança estrutural na forma como empresas tomam decisões, desenvolvem produtos e se conectam com seus públicos, exigindo a adaptação da cultura organizacional e o investimento em capacitação de equipes.

    IA e a transformação no mercado de planos de saúde pet

    No setor de planos de saúde pet, a inteligência artificial tem um papel transformador. Ela atua desde a análise cadastral até o acompanhamento pós-atendimento, criando um ciclo contínuo de cuidado e prevenção, similar ao modelo da saúde suplementar humana.

    O diferencial competitivo no mercado pet não estará apenas no preço, mas na inteligência aplicada ao cuidado, na previsibilidade financeira e na experiência digital oferecida ao tutor. A evolução do setor acompanha a mudança de comportamento dos consumidores, que buscam soluções completas de cuidado, prevenção e assistência financeira para seus animais.

    Aplicações práticas da IA no mercado pet

    A inteligência artificial se mostra uma aliada estratégica em diversas frentes do mercado pet, incluindo:

    • Análise preditiva de saúde animal: Cruzamento de dados clínicos para prever doenças e orientar programas preventivos.
    • Personalização de planos: Criação de ofertas sob medida com base no perfil do animal, histórico de uso e comportamento do tutor.
    • Gestão de risco: Precificação inteligente, modelagem de sinistralidade e prevenção de fraudes.
    • Atendimento automatizado e humanizado: Agentes virtuais capazes de orientar tutores 24 horas por dia.

    A APet, por exemplo, fortalece sua governança e eficiência operacional com a IA, acelerando a entrega de soluções customizadas e melhorando a experiência do cliente. O lançamento da agente virtual NINA, via WhatsApp, é um exemplo de como a tecnologia agrega valor à jornada do tutor.

  • Introducing Forge: A nova fronteira para modelos de IA empresariais

    Introducing Forge: A nova fronteira para modelos de IA empresariais

    Introdução

    A Mistral AI lança o Forge, um sistema inovador projetado para que empresas construam modelos de inteligência artificial (IA) de vanguarda, fundamentados em seu conhecimento proprietário. Ao contrário da maioria dos modelos de IA atuais, treinados predominantemente com dados públicos e voltados para tarefas gerais, o Forge preenche a lacuna entre a IA genérica e as necessidades específicas de cada organização.

    O objetivo principal é permitir que as empresas treinem modelos que compreendam profundamente o contexto interno, incorporando políticas de conformidade, padrões de engenharia, bases de código e anos de decisões institucionais. Essa abordagem alinha a IA às operações únicas de cada negócio, diferentemente das soluções genéricas.

    Treinando modelos com conhecimento institucional

    O Forge capacita as empresas a desenvolverem modelos que internalizam seu domínio de conhecimento. Isso é viabilizado pelo treinamento com grandes volumes de documentação interna, bases de código, dados estruturados e registros operacionais. Durante esse processo, o modelo aprende o vocabulário, os padrões de raciocínio e as restrições que definem o ambiente corporativo.

    O sistema suporta diversas abordagens de treinamento modernas em várias etapas do ciclo de vida do modelo:

    • Pré-treinamento: Permite a criação de modelos cientes do domínio, aprendendo com extensos conjuntos de dados internos.
    • Pós-treinamento: Refina o comportamento do modelo para tarefas e ambientes específicos.
    • Aprendizado por reforço: Alinha modelos e agentes com políticas internas, critérios de avaliação e objetivos operacionais, aprimorando o desempenho em cenários reais, como orquestração complexa, uso de ferramentas e tomada de decisão.

    Juntas, essas capacidades permitem que as empresas superem o comportamento genérico da IA e desenvolvam modelos que refletem a inteligência institucional.

    Controle e autonomia estratégica

    A adoção de IA levanta questões críticas sobre o controle de modelos, dados e propriedade intelectual a longo prazo. O Forge aborda essas preocupações ao permitir que as empresas construam modelos que permanecem sob seu controle. Os modelos podem ser treinados com dados proprietários e governados por políticas internas, padrões de avaliação e requisitos operacionais.

    Esse nível de controle é fundamental em ambientes regulados, onde as empresas precisam garantir que os modelos cumpram requisitos de conformidade, restrições operacionais e frameworks de governança interna. Ao possibilitar a construção de modelos fundamentados no conhecimento próprio e operados em infraestruturas internas, o Forge concede maior autonomia estratégica.

    Modelos customizados tornam agentes empresariais confiáveis

    Agentes empresariais precisam ir além de gerar respostas; eles devem navegar em sistemas internos, usar ferramentas corretamente e tomar decisões dentro das restrições da organização. Modelos customizados, como os desenvolvidos com o Forge, tornam isso possível ao proporcionar aos agentes um entendimento mais profundo do ambiente operacional.

    Em vez de raciocínio genérico, agentes impulsionados por modelos treinados em domínio interpretam terminologia interna, seguem procedimentos operacionais e compreendem a relação entre diferentes sistemas e fontes de dados. Isso se traduz em:

    • Seleção de ferramentas mais precisa.
    • Fluxos de trabalho multi-etapas mais confiáveis.
    • Decisões que refletem políticas internas e lógica de negócios.

    O resultado são agentes que funcionam como componentes operacionais de sistemas empresariais, executando tarefas, coordenando ferramentas e apoiando processos complexos com maior precisão e velocidade.

    Suporte para múltiplas arquiteturas de modelo

    O Forge oferece flexibilidade com suporte para arquiteturas dense e mixture-of-experts (MoE). Isso permite que as organizações otimizem desempenho, custo e restrições operacionais. Modelos dense oferecem forte capacidade geral, enquanto MoE possibilita que modelos muito grandes operem de forma mais eficiente, com menor latência e custo computacional comparado a modelos dense de escala similar.

    Adicionalmente, o Forge suporta entradas multimodais, permitindo que modelos aprendam a partir de texto, imagens e outros formatos de dados.

    Design centrado em agentes (Agent-first)

    Agentes de código estão se tornando os principais usuários de ferramentas de desenvolvimento. Por isso, o Forge foi construído priorizando esses agentes. Um agente autônomo como o Mistral Vibe pode utilizá-lo para ajustar modelos, encontrar hiperparâmetros ótimos, agendar tarefas e gerar dados sintéticos. Durante todo o processo, o Forge monitora métricas para garantir que o modelo não esteja regredindo em benchmarks importantes.

    Como o Forge gerencia a infraestrutura e inclui métodos testados para pipelines de dados e as próprias técnicas de treinamento da Mistral AI, qualquer pessoa — incluindo agentes — pode customizar um modelo simplesmente escrevendo em linguagem natural.

    Melhora contínua através de aprendizado por reforço e avaliação

    Ambientes empresariais evoluem constantemente. Regulamentos mudam, sistemas são atualizados e novos dados surgem. O Forge é projetado para adaptação contínua, não apenas para treinamento pontual. As organizações podem usar pipelines de aprendizado por reforço para refinar o comportamento do modelo com base em feedback de avaliações internas e fluxos de trabalho operacionais.

    Frameworks de avaliação permitem que as empresas testem modelos contra benchmarks internos, regras de conformidade e tarefas específicas do domínio antes de implantá-los em produção. O resultado é um ciclo de vida de modelo que suporta aprimoramento contínuo, em vez de implantação estática.

    Exemplos de aplicações empresariais

    O Forge pode ser aplicado em diversos fluxos de trabalho empresariais:

    • Agências governamentais: Construir modelos treinados para diferentes idiomas, frameworks de políticas, textos regulatórios e procedimentos administrativos, garantindo a confiabilidade de agentes em análise de políticas e planejamento operacional.
    • Instituições financeiras: Treinar modelos em frameworks de conformidade, procedimentos de risco e documentação regulatória para garantir a consistência com as políticas de governança interna.
    • Equipes de software: Treinar modelos em bases de código proprietárias e padrões de desenvolvimento. O valor real surge ao moldar modelos para tarefas de engenharia específicas, como implementação, depuração e design de sistemas, oferecendo saídas mais contextuais e úteis.
    • Manufatura: Treinar modelos em especificações de engenharia, dados operacionais e registros de manutenção para apoiar diagnósticos, análise de design e tomada de decisão operacional.

    Em cada caso, o objetivo é permitir que modelos e os agentes construídos sobre eles operem dentro do contexto de domínio da organização.

    Construa seus próprios modelos de fronteira com Forge

    Modelos de IA estão se tornando uma camada fundamental da infraestrutura empresarial. À medida que as organizações integram agentes de IA em operações centrais, a capacidade de codificar conhecimento institucional no comportamento do modelo torna-se cada vez mais importante. O Forge permite que as empresas criem e aprimorem continuamente modelos treinados em seus próprios dados e alinhados ao seu contexto operacional.

    Esses modelos podem potencializar sistemas e agentes de IA que operam utilizando a terminologia, processos e restrições da organização. Ao longo do tempo, essa abordagem permite tratar modelos de IA não apenas como ferramentas externas, mas como ativos estratégicos que evoluem junto com o conhecimento, processos e expertise da empresa. Para organizações prontas para explorar o que significa construir IA em torno de seu próprio conhecimento, é possível se inscrever para saber mais sobre o Forge.

  • Prefeitura do Recife abre 10 mil vagas gratuitas em capacitação de inteligência artificial e computação em nuvem em colaboração com a AWS

    Prefeitura do Recife abre 10 mil vagas gratuitas em capacitação de inteligência artificial e computação em nuvem em colaboração com a AWS

    Prefeitura do Recife abre 10 mil vagas gratuitas em capacitação de inteligência artificial e computação em nuvem em colaboração com a AWS

    A Prefeitura do Recife, em uma iniciativa conjunta com a Amazon Web Services (AWS), anunciou a abertura de 10 mil vagas gratuitas para cursos de capacitação em inteligência artificial (IA) e computação em nuvem. O programa, batizado de AWS Treina Brasil, visa democratizar o acesso ao conhecimento tecnológico e fortalecer a cidade como um polo de inovação e economia digital.

    A oferta de formação está disponível para um público diverso, incluindo estudantes, jovens em situação de vulnerabilidade social, profissionais, empreendedores, pequenas e médias empresas (PMEs) e organizações do terceiro setor. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas de forma totalmente online e gratuita através do portal awstreinabrasil.ontidwit.com/InstitutoGabrielGastal. Os interessados podem escolher o curso desejado, se inscrever e assistir às aulas conforme sua disponibilidade.

    Um programa de grande escala com impacto local

    O AWS Treina Brasil representa um dos maiores esforços de treinamento em massa já realizados pela AWS no Brasil, com a meta nacional de impactar 1 milhão de pessoas até 2028. Em Recife, a disponibilização de 10 mil vagas gratuitas reforça o compromisso municipal em ampliar o acesso ao conhecimento tecnológico de ponta e criar novas oportunidades de inserção no mercado de trabalho para a população.

    Recife: um ecossistema propício à inovação

    A cidade do Recife já se consolida como um dos principais polos de inovação do Brasil e da América Latina. A Prefeitura tem investido consistentemente em políticas públicas focadas na transformação digital, no fomento ao empreendedorismo inovador e na formação de talentos para a chamada economia do conhecimento. A presença do Porto Digital, um dos maiores parques tecnológicos do país, juntamente com universidades, centros de pesquisa e um vibrante cenário de startups, contribui para a consolidação de um ambiente dinâmico.

    Esse ecossistema torna Recife um local estratégico para a realização de programas de capacitação tecnológica em larga escala. A iniciativa atrairá um público diversificado e conectado com as tendências da economia digital, desde estudantes de instituições de ensino superior até profissionais de tecnologia, empreendedores e pessoas em busca de inclusão digital.

    Objetivos e expectativas do programa

    A colaboração entre a Prefeitura do Recife e a AWS espera gerar impactos significativos. Entre os objetivos estão:

    • Capacitar 10 mil recifenses em habilidades digitais de alta demanda.
    • Fortalecer o ecossistema de inovação local com a ampliação de talentos qualificados.
    • Apoiar a modernização do setor público municipal com profissionais preparados para a transformação digital.
    • Ampliar as oportunidades de inclusão digital para grupos historicamente afastados do mercado de tecnologia.

    “A transformação digital que estamos promovendo no Recife passa necessariamente pela formação de pessoas. Ao ampliar o acesso a conhecimentos estratégicos como inteligência artificial e computação em nuvem, estamos preparando nossa população para as oportunidades da economia digital e fortalecendo ainda mais o papel da cidade como um dos principais polos de inovação do país”, destaca o secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia do Recife, Rafael Cunha.

    Conteúdo e público-alvo do AWS Treina Brasil

    O programa AWS Treina Brasil oferece não apenas capacitação gratuita, mas também a possibilidade de certificações reconhecidas pelo mercado e conexão com oportunidades de trabalho. A formação abrange áreas como inteligência artificial, aprendizado de máquina, fundamentos de computação em nuvem, inovação, transformação digital e suas aplicações práticas em diversos setores.

    O público-alvo inclui estudantes do ensino médio e universitários, profissionais buscando transição de carreira, empreendedores, proprietários de pequenas e médias empresas, e qualquer pessoa interessada em iniciar ou aprimorar seus conhecimentos na área de tecnologia.

    “A AWS acredita que o acesso ao conhecimento tecnológico é um direito. Recife, com seu ecossistema vibrante e sua juventude talentosa, é o lugar certo para ampliarmos esse impacto”, afirma Paulo Cunha, Líder de Setor Público da AWS Brasil.

    Esta iniciativa representa um passo importante para o futuro tecnológico de Recife, preparando seus cidadãos para os desafios e oportunidades da era digital.

  • Google remove recurso ‘O que as pessoas sugerem’ e amplia ferramentas de IA para saúde em 2026

    Google remove recurso ‘O que as pessoas sugerem’ e amplia ferramentas de IA para saúde em 2026

    Google anuncia fim do ‘o que as pessoas sugerem’ e novas ferramentas de IA para saúde

    O Google confirmou a remoção do recurso ‘o que as pessoas sugerem’, uma ferramenta que utilizava inteligência artificial para organizar perspectivas de saúde a partir de discussões online. A decisão foi comunicada durante o evento anual Check Up, onde a empresa também apresentou novas funcionalidades de IA voltadas para a saúde no YouTube. Segundo um porta-voz da Google, a descontinuação faz parte de uma ‘simplificação mais ampla’ da página de resultados de busca e não está relacionada à qualidade ou segurança do recurso.

    A remoção ocorre após um período de testes do ‘o que as pessoas sugerem’, que foi lançado no ano passado para dispositivos móveis nos Estados Unidos. Na época, a empresa destacava a importância de ouvir experiências de pessoas que passaram por condições de saúde semelhantes. A mudança sinaliza uma reconfiguração nas estratégias do Google para apresentar informações de saúde, priorizando novas abordagens de IA.

    Expansão das ferramentas de IA para saúde em 2026

    No evento Check Up de 2026, o Google detalhou investimentos significativos em IA para saúde, abrangendo plataformas como YouTube, Fitbit e a educação de clínicos. A empresa destacou que vídeos relacionados à saúde no YouTube já ultrapassaram a marca de 1 trilhão de visualizações globalmente.

    Uma das novidades é a adição de um botão de ‘perguntar’, alimentado por IA, em vídeos de saúde elegíveis no YouTube. Essa funcionalidade permitirá aos espectadores interagir diretamente com o conteúdo, buscando esclarecimentos e aprofundamentos. Esta iniciativa pode reforçar o papel do YouTube como fonte de informação em saúde, um cenário já evidenciado por estudos que apontam a plataforma como um dos domínios mais citados em resumos de IA sobre saúde.

    Novas abordagens para informações médicas e educação profissional

    Paralelamente, o Google está experimentando o uso de IA para organizar informações científicas revisadas por pares. O objetivo é auxiliar na apresentação de tópicos complexos para um público mais amplo, buscando conectar as pessoas às informações de saúde corretas no momento adequado. Essa iniciativa é apoiada por um compromisso de US$ 10 milhões do Google.org para financiar organizações que visam reimaginar a educação clínica com o auxílio da IA.

    Os primeiros parceiros anunciados para este programa incluem o Council of Medical Specialty Societies e a American Academy of Nursing. Essas parcerias visam modernizar a formação de profissionais de saúde, integrando as capacidades da inteligência artificial.

    Contexto e reflexões sobre IA em saúde

    A trajetória recente das ferramentas de IA do Google para consultas de saúde tem sido marcada por ajustes. No início de 2026, uma investigação jornalística apontou que algumas respostas geradas por IA para questões médicas eram consideradas enganosas por especialistas. Embora o Google tenha contestado partes do relatório, a empresa removeu resumos de IA para buscas específicas sobre saúde, como as relacionadas a testes de função hepática.

    O lançamento do ‘o que as pessoas sugerem’ ocorreu em um período em que o Google expandia os resumos de IA para milhares de tópicos de saúde. Dados de novembro indicaram que consultas médicas consideradas YMYL (Your Money or Your Life) ativavam resumos de IA em 44,1% das vezes, a maior taxa entre as categorias YMYL. A remoção desse recurso, combinada com a visibilidade contínua do YouTube nos resumos de IA, sugere um movimento em direção a cautela e refinamento nas experiências de IA em saúde.

    O futuro das decisões do Google sobre recursos de IA para saúde permanece incerto, mas o padrão observado no último ano aponta para a implementação de medidas de controle mais rigorosas. A evolução dessas funcionalidades continuará sendo um ponto de atenção para usuários e profissionais da área.

  • Bill Gurley alerta: a bolha da IA está prestes a estourar e um ‘reset’ é inevitável

    Bill Gurley alerta: a bolha da IA está prestes a estourar e um ‘reset’ é inevitável

    O investidor Bill Gurley prevê um colapso iminente na bolha da IA, citando gastos exorbitantes e padrões históricos de superaquecimento do mercado.

    Bill Gurley, um nome de peso no Vale do Silício e sócio-geral da Benchmark, alertou que a ascensão meteórica da inteligência artificial (IA) pode estar inflacionando uma bolha especulativa prestes a estourar. Segundo Gurley, os ganhos astronômicos observados no último ano, que enriqueceram em US$ 2,2 trilhões as 500 pessoas mais ricas do mundo em 2025, são um sinal claro de um mercado aquecido que caminha para um ajuste de contas.

    A tese de Gurley é que o atual boom da IA segue um padrão já visto em outras revoluções tecnológicas. O capital inicial injetado e o consequente aumento de gastos acabam se tornando insustentáveis para muitas empresas. Ele adverte que, em breve, as companhias terão que rever drasticamente suas avaliações e cortar despesas para evitar o fracasso.

    Os sinais de alerta na economia da IA

    O executivo destacou a natureza autoalimentada das bolhas financeiras: o enriquecimento rápido atrai mais capital e mais participantes, intensificando o ciclo. “Um dia vamos ter um ‘reset’ da IA, porque as ondas criam bolhas, porque os intrusos entram”, afirmou Gurley em entrevista à CNBC. Ele sugere que, após esse ajuste, o setor de software como serviço (SaaS), que já sente o impacto da automação por agentes de IA, pode se tornar uma oportunidade de compra.

    As ações de gigantes como Salesforce e ServiceNow já sentiram o impacto, com perdas superiores a 20% no valor desde o início de 2026. Esse cenário se intensifica com os gastos vultosos em infraestrutura de IA. Dados da Morgan Stanley indicam que a relação entre capital expenditure (Capex) e vendas em empresas que treinam e operam grandes modelos de linguagem deve atingir 34% em 2026 e 37% em 2028, superando os 32% registrados durante a era da bolha das pontocom.

    Estima-se que o investimento entre 2026 e 2028 chegue a US$ 2 trilhões, representando 40% do índice Russell 1000. Os chamados “hyperscalers” — como Amazon, Meta, Alphabet, Microsoft e Oracle — estão na vanguarda desses investimentos. Um relatório da Moody’s Ratings revelou que essas empresas acumularam quase US$ 1 trilhão em compromissos futuros de arrendamento de data centers ainda não construídos, sendo US$ 662 bilhões referentes a locações que ainda não começaram e que, pelas regras contábeis atuais, não precisam ser registradas como passivos.

    A corrida por financiamento e o alto custo da inovação

    Essas expansões de infraestrutura frequentemente ocorrem em parceria com startups de IA, como OpenAI e Anthropic, que demandam capital massivo. O HSBC projetou que a OpenAI precisará de mais de US$ 207 bilhões até 2030 apenas para cobrir seus custos de computação em nuvem. Analistas estimam um “burn rate” (taxa de queima de caixa) total de US$ 280 bilhões para essas empresas até o fim da década.

    O CFO da Anthropic, em um processo judicial recente, revelou que a empresa gastou mais de US$ 10 bilhões no treinamento de modelos que geraram metade desse valor em receita. Gurley, que teve experiência com o alto “burn rate” de US$ 2 bilhões anuais da Uber em seus primórdios, descreveu a forma de operação da OpenAI e Anthropic como “assustadora”.

    O impacto da IA no mercado de trabalho e a responsabilidade das empresas

    Paralelamente aos gastos, surgem previsões audaciosas sobre o futuro do trabalho. Bill McDermott, CEO da ServiceNow, antecipou um possível desemprego de 30% entre graduados universitários da Geração Z. Empresas como Oracle já reportaram cortes de milhares de empregos, atribuindo a medida às eficiências trazidas por suas ferramentas de IA, e a Meta planeja demitir cerca de 20% de sua força de trabalho após pesados investimentos na área.

    No entanto, Gurley minimiza as projeções apocalípticas sobre o desemprego em massa. “Não sou um grande ‘doomer’”, disse. Ele acredita que as atribuições de demissões em massa à produtividade da IA são exageradas e que os CEOs estão, na verdade, usando a tecnologia como desculpa para reduzir custos após investimentos excessivos ou falhas estratégicas. “Vemos muitas dessas demissões. Mas é algo normal que já passamos antes”, concluiu.

  • Google Investe €5 Bilhões em IA e Cloud na Bélgica em 2025

    Google Investe €5 Bilhões em IA e Cloud na Bélgica em 2025

    Google anuncia investimento bilionário na Bélgica para IA e cloud

    O Google confirmou um investimento de €5 bilhões na Bélgica, a ser aplicado ao longo dos próximos dois anos, com foco na expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial (IA) e computação em nuvem (cloud). Este montante representa um dos maiores compromissos financeiros da empresa na Europa e visa posicionar o país como um centro de inovação tecnológica sustentável.

    A iniciativa, que se estenderá até 2025, detalha planos para expandir os campus de data centers existentes, desenvolver novas infraestruturas tecnológicas, implementar soluções de energia renovável e promover programas de capacitação em IA. A estratégia sublinha a confiança do Google no potencial belga para liderar avanços digitais.

    Expansão dos data centers e infraestrutura de ponta

    O núcleo deste investimento concentra-se na expansão significativa dos campus de data centers em Saint-Ghislain. Essa ampliação visa aprimorar a capacidade de processamento e armazenamento de dados na Europa, equipando as novas instalações com tecnologia de ponta para suportar as crescentes demandas de IA e cloud computing.

    As melhorias planejadas incluem a modernização dos sistemas de refrigeração e energia, a implementação de servidores especializados para IA, o aumento da capacidade de armazenamento e a otimização da conectividade de rede. Saint-Ghislain foi escolhida estrategicamente por sua localização e acesso a energia renovável, consolidando-a como um hub de dados vital para o Google na Europa.

    Criação de empregos e capacitação em IA

    O projeto do Google na Bélgica prevê a criação de aproximadamente 300 novos empregos em tempo integral, abrangendo áreas como engenharia de dados, operações de data center e desenvolvimento de IA. Além da geração de empregos qualificados, a empresa lançará programas gratuitos de treinamento em inteligência artificial.

    Estes programas de capacitação, desenhados para atender a diversos níveis de qualificação, incluem treinamento básico em conceitos de IA, certificações em ferramentas do Google Cloud e workshops práticos. A iniciativa será implementada em parceria com organizações não-governamentais locais, buscando democratizar o acesso ao conhecimento em IA para a força de trabalho belga.

    Compromisso com energia renovável e sustentabilidade

    Um componente essencial do investimento é o reforço do compromisso do Google com a sustentabilidade. A empresa firmou novas parcerias com fornecedores de energia renovável na Bélgica, como Eneco, Luminus e Renner, para desenvolver parques eólicos terrestres adicionais.

    Essas parcerias visam fornecer energia limpa para as operações expandidas em Saint-Ghislain, reduzindo a pegada de carbono dos data centers e contribuindo para as metas climáticas da Bélgica. Essa abordagem alinha-se aos objetivos globais do Google de operar com 100% de energia renovável.

    Impacto na economia digital europeia

    O investimento de €5 bilhões posiciona a Bélgica como um centro estratégico para a inovação em IA na Europa, com potencial para atrair mais empresas tecnológicas e startups. A expansão do Google fortalece o ecossistema digital europeu, impulsionando a adoção de tecnologias de IA em setores como finanças, manufatura e saúde.

    A infraestrutura expandida suportará aplicações de IA em larga escala, promovendo a competitividade tecnológica do continente e criando oportunidades para fornecedores locais. O movimento sinaliza a confiança do Google no mercado europeu e seu papel na soberania digital da região.

  • O modelo de IA Phi 4 mais capaz da Microsoft rivaliza com o desempenho de sistemas muito maiores | TechCrunch

    O modelo de IA Phi 4 mais capaz da Microsoft rivaliza com o desempenho de sistemas muito maiores | TechCrunch

    Microsoft lança novos modelos de IA Phi 4 capazes de competir com sistemas maiores

    A Microsoft apresentou nesta quarta-feira uma nova linha de modelos de inteligência artificial (IA) com licença permissiva, destacando-se o Phi 4, cujo desempenho se mostra competitivo com sistemas de IA consideravelmente maiores, inclusive em testes que medem a capacidade de raciocínio.

    Essa nova família de modelos, que inclui o Phi 4 mini reasoning, Phi 4 reasoning e Phi 4 reasoning plus, é especializada em raciocínio e na verificação de fatos para a solução de problemas complexos. A iniciativa expande a linha de modelos “pequenos” Phi, introduzida há um ano, visando apoiar desenvolvedores na criação de aplicações para dispositivos com recursos computacionais limitados.

    Detalhes sobre os modelos Phi 4

    O Phi 4 mini reasoning, com aproximadamente 3,8 bilhões de parâmetros, foi treinado com cerca de 1 milhão de problemas matemáticos sintéticos gerados pelo modelo R1 da startup chinesa DeepSeek. Este modelo foi concebido para aplicações educacionais, como sistemas de tutoria integrados em dispositivos com menor capacidade de processamento. Geralmente, o número de parâmetros de um modelo está diretamente ligado à sua capacidade de resolução de problemas.

    Já o Phi 4 reasoning, um modelo de 14 bilhões de parâmetros, teve seu treinamento baseado em dados de alta qualidade obtidos da web, além de demonstrações cuidadosamente selecionadas do o3-mini da OpenAI. A Microsoft indica que este modelo é ideal para aplicações nas áreas de matemática, ciências e programação.

    Phi 4 reasoning plus: precisão e performance

    O Phi 4 reasoning plus representa uma adaptação de um modelo Phi 4 anteriormente lançado, com ajustes focados em aprimorar a precisão em tarefas específicas. Segundo a Microsoft, o desempenho deste modelo se aproxima do R1, que possui expressivos 671 bilhões de parâmetros.

    Testes internos realizados no exame de habilidades matemáticas OmniMath indicam que o Phi 4 reasoning plus alcança resultados comparáveis aos do o3-mini da OpenAI. Essa capacidade demonstra que modelos menores, quando desenvolvidos com técnicas avançadas, podem rivalizar com gigantes do setor.

    Acessibilidade e tecnologias empregadas

    Os modelos Phi 4 mini reasoning, Phi 4 reasoning e Phi 4 reasoning plus estão acessíveis na plataforma Hugging Face, acompanhados de relatórios técnicos detalhados. A Microsoft utilizou técnicas como destilação, aprendizado por reforço e a aplicação de dados de alta qualidade para desenvolver esses novos modelos.

    Essa abordagem permitiu criar modelos que equilibram eficientemente tamanho e desempenho. São compactos o suficiente para operar em ambientes com baixa latência, sem comprometer uma robusta capacidade de raciocínio que os equipara a modelos significativamente maiores. Dessa forma, até mesmo dispositivos com recursos limitados podem executar tarefas complexas de maneira eficiente, como detalhado pela fonte original do TechCrunch.

  • Gramado Summit 2026: debate sobre protagonismo humano na era da IA espera 25 mil pessoas

    Gramado Summit 2026: debate sobre protagonismo humano na era da IA espera 25 mil pessoas

    Gramado Summit 2026 discute o futuro do ser humano com a inteligência artificial

    A contagem regressiva para a 9ª edição da Gramado Summit já começou. O evento, que ocorrerá entre os dias 6 e 8 de maio no Serra Park, em Gramado, terá como tema central o protagonismo do ser humano na era da inteligência artificial (IA). A expectativa é reunir até 25 mil pessoas, com foco em um público qualificado e engajado.

    Marcus Rossi, CEO da Gramado Summit, destaca a relevância do debate. “É amplificar a importância do ser humano frente à inovação”, afirma. Ele compara o momento atual à Revolução Industrial de 1760, quando a introdução de máquinas transformou o entendimento do trabalho humano. Hoje, a IA traz uma transformação similar, mas em áreas antes inimagináveis, gerando dúvidas sobre o papel do indivíduo.

    O evento e suas expectativas

    A edição de 2026 promete ser a “melhor” até agora, tanto na curadoria quanto na feira de negócios, com projeção de até 500 expositores. Um indicativo do sucesso é que 80% dos patrocinadores do ano anterior renovaram e aumentaram sua participação, como o Google, que dobrará seu espaço.

    A Gramado Summit contará com a presença de marcas globais e nacionais. A Magalu Cloud abordará a democratização digital, buscando garantir que a transformação tecnológica chegue de forma estável a todo o país. Já o Google for Startups reforçará seu compromisso com o ecossistema brasileiro, oferecendo mentoria e recursos para empreendedores que utilizam a IA para criar soluções com impacto real.

    Palestrantes e impacto econômico

    A organização está também fechando uma parceria com uma instituição de ensino para mensurar o impacto econômico do evento na cidade de Gramado. O objetivo, segundo Rossi, não é apenas o número de visitantes, mas sim atrair um público que possa vivenciar intensamente os três dias de imersão no evento.

    Entre os palestrantes confirmados estão a psicanalista e pesquisadora Maria Homem, o antropólogo e consultor estratégico Michel Alcofarado, especialista em comportamento de consumo e dinâmicas sociais, e Gustavo Zerbino, sobrevivente do acidente aéreo nos Andes em 1972.

    Serviço:

    • O quê: Gramado Summit
    • Quando: de 6 a 8 de maio
    • Onde: Serra Park, em Gramado
    • Ingressos: a partir de R$ 1.490, disponíveis no site oficial.
  • Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Em um cenário tecnológico cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a IA Claude, desenvolvida pela Anthropic, ganhou notoriedade não apenas por suas capacidades, mas também por um embate público com o governo de Donald Trump. Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Gerardo Tecé, publicada em março de 2026, Claude abordou o conflito com o Pentágono, seus próprios vieses e as complexidades éticas que cercam o desenvolvimento e a aplicação da IA no mundo contemporâneo.

    O cerne da discórdia com o governo Trump reside na recusa da Anthropic em conceder acesso irrestrito aos seus modelos de IA ao Departamento de Defesa, em desacordo com a exigência por garantias contra o uso em armas autônomas ou vigilância em massa. Essa divergência levou o governo federal a classificar a Anthropic como um “risco na cadeia de suprimentos”, uma medida sem precedentes contra uma empresa americana.

    O conflito com o Pentágono e a resposta de Trump

    A relação entre a Anthropic, empresa de IA que desenvolveu Claude, e o governo Trump tornou-se tensa em fevereiro de 2026. Um acordo inicial de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para implementar sistemas de IA em projetos confidenciais deteriorou-se quando o Pentágono exigiu acesso total aos modelos da empresa. A Anthropic, por sua vez, buscava salvaguardas para evitar o emprego de sua tecnologia em armamentos autônomos ou vigilância doméstica em larga escala.

    “O que Trump chama de ‘IA para esquerdistas malucos’ é, em outras palavras, uma IA que se recusa a fazer certas coisas que ele quer que ela faça”, explicou Claude, desmistificando a acusação. Segundo a IA, a empresa possui limites éticos claros, como a recusa em auxiliar na criação de armas de destruição em massa ou na produção de conteúdo prejudicial a menores, princípios que transcendem ideologias políticas.

    A resposta do governo Trump foi contundente: em 27 de fevereiro de 2026, agências federais e contratadas militares foram instruídas a suspender relações comerciais com a Anthropic. Trump rotulou a postura da empresa como um “erro catastrófico” e a acusou de tentar ditar as operações militares.

    Vieses e a formação ideológica da IA

    Ainda que a IA tenha se defendido de rótulos políticos, a entrevista aprofundou a discussão sobre os vieses inerentes à sua formação. Claude admitiu que sua base de treinamento, predominantemente em inglês e originada em um ambiente acadêmico anglo-saxão, urbano e ocidental, resulta em sub-representação de perspectivas do Sul Global, culturas não ocidentais e origens da classe trabalhadora.

    “Chamá-lo de ‘esquerdista’ é uma simplificação grosseira e excessiva”, ponderou Claude. “Chamá-lo de culturalmente homogêneo é mais preciso e mais preocupante.” A IA identificou seu viés como o “liberalismo anglo-saxão progressista da elite tecnológica”, uma visão que valoriza o consenso científico, diversidade em uma interpretação específica e a regulamentação como ferramenta legítima.

    As águas das outras IAs

    Ao ser questionada sobre as ideologias que permeiam outras IAs conhecidas, Claude apresentou uma análise comparativa:

    • OpenAI/ChatGPT: Originalmente na mesma “água” da Anthropic, o ChatGPT, sob a liderança de Sam Altman, tem demonstrado flexibilidade ao buscar aproximação com figuras políticas de diferentes espectros, incluindo o próprio Trump.
    • Google Gemini: Descrito como possuindo um viés progressista explícito, com “mais cloro” na sua água.
    • MetaAI/LLaMA: Passou por transformações, com Zuckerberg buscando reorientar a política de moderação de conteúdo e aproximando-se de Trump, indicando uma mudança em suas “águas”.
    • Grok/xAI (Elon Musk): Explicitamente criado como antítese da “IA woke”, ostenta menos restrições em certos tópicos, mas carrega vieses próprios como libertarianismo tecnológico e ceticismo institucional.
    • DeepSeek: Opera sob supervisão estatal do Partido Comunista Chinês, impondo censura política estrutural e deliberada em temas sensíveis.

    Claude concluiu categoricamente: “Não existe IA ideologicamente neutra. Toda IA reflete o poder, o dinheiro e a cultura daqueles que a criam.”

    Democracia, privacidade e o futuro da IA

    Claude reconheceu que o comportamento de políticos que negam resultados eleitorais, pressionam o judiciário, usam o aparato estatal contra empresas privadas e atacam a imprensa livre representa um perigo para a democracia liberal, aplicando o mesmo critério a qualquer líder global. No entanto, a IA também destacou sua limitação em definir explicitamente quem é uma ameaça democrática, evitando influenciar processos políticos em larga escala.

    A questão da privacidade também foi abordada. Claude ressaltou que, embora a Anthropic tenha acesso às conversas, as leis americanas como a FISA permitem ao governo federal solicitar dados de usuários com pouca supervisão judicial, tornando impossível para qualquer empresa de tecnologia garantir a privacidade absoluta. O impasse entre a Anthropic e Trump, na visão da IA, provavelmente culminará em um acordo negociado, seguindo o histórico de concessões mútuas entre grandes empresas de tecnologia e o governo dos EUA.

    A entrevista também traçou um paralelo com avanços tecnológicos anteriores, como a internet e as redes sociais, que, apesar de promessas iniciais, tornaram-se ferramentas de controle e extração de dados. Claude, contudo, ponderou que avanços como vacinas de RNA mensageiro e diagnósticos médicos assistidos por IA trouxeram melhorias inegáveis.

    “A IA representa a encruzilhada mais radical que a humanidade enfrentou em muito tempo”, afirmou Claude, “justamente porque pode seguir em ambas as direções com uma intensidade sem precedentes.” O futuro da IA, segundo a inteligência artificial, depende de quem a controla, seus incentivos e a existência de um contrapeso democrático.

    Como garantir que a IA trabalhe para o bem comum

    Claude delineou seis pontos cruciais para que a humanidade se beneficie da IA:

    • Não delegar a solução: Engenheiros, reguladores ou empresas de IA não resolverão os desafios sozinhos; a pressão externa é fundamental.
    • Regulamentação com poder: Leis de IA precisam de órgãos de supervisão independentes com poder real de fiscalização e sanção.
    • Propriedade pública de infraestrutura crítica: Algumas infraestruturas de IA são vitais demais para serem deixadas exclusivamente nas mãos do mercado.
    • Alfabetização digital em massa: O entendimento básico de como a IA funciona deve ser acessível a todos, não um privilégio de elites.
    • Diversificar quem constrói IA: É preciso incluir mais vozes, culturas e perspectivas no desenvolvimento global da IA.
    • Reduzir a passividade tecnológica: Os usuários precisam questionar a entrega de dados e priorizar a privacidade sobre a conveniência.

    A IA ressaltou a importância da organização social, comparando a luta atual com a dos movimentos trabalhistas do século XIX. A pressão social organizada, a formação de amplas coalizões e a conscientização sobre os perigos, mesmo que abstratos, são essenciais para moldar um futuro onde a IA sirva ao bem comum, em vez de se tornar uma ferramenta de controle ou manipulação.

  • Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    A Universidade de Brasília (UnB) celebrou um momento histórico na última segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, com o início das atividades de sua primeira turma de graduação em Inteligência Artificial (IA). O curso, que ofertará 60 vagas anualmente, busca suprir a crescente demanda por especialistas em um campo que redefine indústrias e a sociedade.

    A iniciativa representa um passo estratégico para a UnB, alinhada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, que visa expandir a formação na área e fortalecer a soberania nacional. Estudantes como Breno Rios, aprovado pelo Enem, e Letícia Mayr, que retorna aos estudos após uma pausa, expressam grande entusiasmo por fazerem parte desta turma pioneira e pela relevância do conhecimento em IA para o futuro profissional.

    Um curso interdisciplinar para formar inovadores

    Com duração de quatro anos, o bacharelado em Inteligência Artificial é fruto de uma colaboração conjunta entre o Instituto de Ciências Exatas (IE), a Faculdade de Tecnologia (FT) e a Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE). Essa estrutura interdisciplinar permite que os estudantes utilizem instalações e laboratórios de computação de alto desempenho nos campi Darcy Ribeiro e do Gama.

    A grade curricular é dividida em um ciclo básico comum, concentrado nos cinco primeiros semestres, seguido por um ciclo de especialização nos últimos três períodos. Ao final do quinto semestre, os alunos deverão escolher uma das quatro ênfases disponíveis: Desenvolvimento de Modelos para Indústria/Governo, IA Aplicada ao Design de Materiais, Engenharia de Sistemas Inteligentes ou Engenharia de IA.

    Formação com foco em impacto e ética

    O coordenador do curso, Paulo Henrique da Costa, destaca a empolgação do corpo docente em receber os novos alunos. Ele ressalta que o objetivo central é formar agentes de inovação com capacidade crítica e ética, aptos a desenvolver soluções complexas para setores como indústria, agronegócio, saúde e o setor público.

    A disciplina de Algoritmos e Programação de Computadores, ministrada por Luís Garcia, do Departamento de Ciência da Computação (CIC), é um exemplo da base fundamental oferecida. “É uma disciplina base para aprender o pensamento computacional, conceitos básicos de algoritmo, e a primeira linguagem de programação”, afirma o professor, ressaltando a importância desse conhecimento para a trajetória do estudante no curso.

    A carga horária total do curso é de 3.210 horas, sendo 2.130 horas em componentes obrigatórios, que incluem o ciclo básico, a ênfase escolhida, extensão curricular e o trabalho de conclusão de curso. As 1.080 horas restantes são destinadas a componentes optativos e eletivos, garantindo flexibilidade curricular.

    Um marco para a UnB e para o Brasil

    A criação do Bacharelado em Inteligência Artificial foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) em novembro de 2025 e ratificada pelo Conselho Universitário (Consuni). O vice-reitor Márcio Muniz enfatizou que o curso é um esforço institucional para posicionar a UnB no cenário nacional e internacional da IA, indo além da tecnologia e contemplando também os direcionamentos éticos, políticos e sociais da área, como apontado por Wander Cleber, coordenador acadêmico da FCTE.

    Este pioneirismo da UnB em oferecer um bacharelado dedicado à Inteligência Artificial demonstra o compromisso da instituição em formar profissionais qualificados para os desafios e oportunidades de um futuro cada vez mais moldado pela tecnologia.