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  • CEO de Nvidia diz que é contra alarmar o público sobre a inteligência artificial

    CEO de Nvidia diz que é contra alarmar o público sobre a inteligência artificial

    Jensen Huang, CEO da Nvidia, posicionou-se firmemente contra o alarmismo sobre a inteligência artificial, defendendo que o medo excessivo pode ser mais prejudicial do que se imagina. Sua principal preocupação, revelada em março de 2026, em artigo do O Globo, é que a paranoia em torno da IA retarde a adoção tecnológica nos Estados Unidos, comprometendo a segurança nacional em relação a outros países rivais.

    Essa visão de Huang emerge em meio a debates complexos, como o conflito entre a Anthropic – uma das principais clientes da Nvidia – e o Pentágono, devido a restrições sobre o uso militar de suas ferramentas de IA. Para o líder da gigante dos chips, embora alertar seja válido, assustar o público sobre o potencial da tecnologia é um erro.

    A visão de jensen huang sobre o medo da ia

    Durante uma mesa-redonda na conferência tecnológica da Nvidia, Huang foi questionado sobre as negociações da Anthropic com o Pentágono. Ele afirmou que “o desejo de alertar as pessoas sobre a capacidade da tecnologia é realmente fantástico”, mas ressalvou: “Alertar está bem, assustar nem tanto, porque esta tecnologia é importante demais para nós.” A base dessa postura é a convicção de que o maior risco para a segurança nacional dos EUA não reside na IA em si, mas na possibilidade de os cidadãos ficarem tão apreensivos que o país adote a tecnologia de forma mais lenta do que seus concorrentes globais.

    O caso anthropic: um exemplo de cautela e conflito

    A Anthropic, conhecida por seu chatbot Claude e um dos pilares de clientes da Nvidia, tem enfrentado um impasse com a administração Trump. A empresa buscou impor cláusulas contratuais que proibissem o uso de seus produtos para vigilância interna de americanos e para o desenvolvimento de armas totalmente autônomas. Essa insistência levou ao rompimento da relação com o Pentágono no mês passado, resultando na declaração da Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos e sua exclusão de projetos governamentais. A empresa, no entanto, contesta essas medidas nos tribunais.

    Apesar da disputa, Huang mantém um notável otimismo em relação às perspectivas financeiras da Anthropic. No mesmo painel, que se transformou em um episódio do podcast All-In focado em tecnologia, ele projetou que a receita da Anthropic poderia ultrapassar US$ 1 trilhão até 2030, considerando as previsões do diretor executivo Dario Amodei como conservadoras.

    A verdadeira natureza da inteligência artificial, segundo huang

    Huang reforça que a indústria tecnológica deve evitar alimentar o medo desnecessário em relação às ferramentas de IA. Ele descreveu a inteligência artificial de forma pragmática, afirmando:

    Não é um ser biológico. Não é um extraterrestre. Não tem consciência. É um programa de computador.

    Para ele, “dizer coisas bastante extremas, bastante catastróficas, sem evidências de que vão acontecer, pode ser mais prejudicial do que as pessoas pensam.” Sua perspectiva busca desmistificar a IA, apresentando-a como uma ferramenta poderosa, mas fundamentalmente um software, e não uma entidade com intenções próprias.

    A postura de Jensen Huang frente ao debate sobre a inteligência artificial sublinha a necessidade de um discurso equilibrado. Enquanto a cautela e o alerta sobre os riscos são fundamentais, o CEO da Nvidia argumenta que o pânico generalizado pode sabotar o progresso e a competitividade tecnológica. Seu otimismo com empresas como a Anthropic, mesmo em meio a controvérsias, reforça a crença no potencial transformador da IA, desde que a sociedade abrace a inovação com informação e sem receios infundados.

  • Inteligência artificial, políticas públicas e novas competências profissionais pautam Fórum de Educação Executiva em Brasília

    Inteligência artificial, políticas públicas e novas competências profissionais pautam Fórum de Educação Executiva em Brasília

    Inteligência artificial, políticas públicas e novas competências profissionais pautam Fórum de Educação Executiva em Brasília

    A FGV Educação Executiva em Brasília sedia, entre 19 de março e 9 de abril de 2026, o 14º Fórum de Educação Executiva. O evento reunirá especialistas para debater temas cruciais da atualidade, como inovação, transformação digital, políticas públicas e o desenvolvimento profissional. Os encontros, realizados presencialmente na sede da instituição, a partir das 9h, abordarão desafios e tendências com foco na aplicação prática de novas tecnologias e nas mudanças do mercado de trabalho.

    O fórum se propõe a ser um palco para a discussão aprofundada sobre como a inteligência artificial está remodelando o cenário profissional e as estratégias governamentais. A programação foi estruturada em quatro painéis, cada um dedicado a explorar aspectos específicos dessa convergência, visando orientar tanto o setor público quanto o privado em suas jornadas de adaptação e crescimento.

    Inteligência artificial: do conceito à aplicação prática

    A abertura do fórum, em 19 de março, contará com a palestra “Inteligência Artificial do zero à prática”. Bruno Pimenta, executivo de tecnologia com vasta experiência em design, marketing digital, business intelligence e analytics, conduzirá a sessão. O objetivo é oferecer orientações estratégicas para a integração de ferramentas de IA no cotidiano profissional, abordando temas como engenharia de prompt e aplicações de tecnologias emergentes. A mediação ficará a cargo de Betovem Coura, doutor em Administração de Empresas e coordenador acadêmico da FGV.

    O futuro dos profissionais de TI com a evolução da IA

    No dia 26 de março, o painel “O futuro dos profissionais de TI com a evolução da IA” analisará o impacto da inteligência artificial generativa no setor de tecnologia da informação. Marcelo Magalhães, consultor e professor em estratégia e transformação digital, ministrará a palestra. O debate centrar-se-á na transição do perfil técnico executor para o de orquestrador de soluções, além de discutir as competências que se mostram essenciais em um ambiente cada vez mais automatizado. André Barcaui, doutor e pós-doutor em Administração, com experiência em gestão e tecnologia em empresas como HP e IBM, será o moderador.

    Novas habilidades para o profissional de relações governamentais

    A programação segue em 31 de março com o painel “Tech Skills: novas habilidades para o profissional de relações governamentais”. Camila Barbosa, cientista política e sócia da Prospectiva, abordará como o uso transversal da tecnologia pode expandir a atuação desses profissionais, integrando competências tecnológicas às já exigidas na área. A mediação será conduzida por Rodrigo Martins Navarro de Andrade, doutor em Administração e CEO da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos.

    Orçamento verde como instrumento de políticas públicas

    Encerrando o fórum, em 9 de abril, o painel “Green Budget: Painel Orçamentário de Gastos Climáticos como instrumento de coordenação de políticas públicas” discutirá como o orçamento verde pode fortalecer a coordenação de políticas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, preservação da biodiversidade e gestão de riscos. Virgínia de Angêlis, secretária Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, e Dalmo Palmeira, assessor parlamentar, serão os palestrantes, com moderação de Mauro Santos, doutor em Economia e coordenador de políticas de infraestrutura e regulação no IPEA.

    O 14º Fórum de Educação Executiva visa ampliar o debate sobre temas estratégicos, promovendo a troca de conhecimento entre especialistas e profissionais para acompanhar as transformações tecnológicas, econômicas e institucionais que moldam o desenvolvimento do país. Os encontros ocorrem na FGV Brasília, localizada na Av. L2 Norte, Quadra 602, Módulos A, B e C – SGAN.

  • GLM 4.7: Tudo sobre a IA que desafia o GPT-5 e Claude

    GLM 4.7: Tudo sobre a IA que desafia o GPT-5 e Claude

    GLM 4.7: Tudo sobre a IA que desafia o GPT-5 e Claude

    O cenário da inteligência artificial recebe um novo e poderoso competidor: o GLM 4.7. Desenvolvido pela Zhipu AI, este modelo chega com a promessa de entregar resultados que rivalizam e, em muitos aspectos, superam gigantes estabelecidos como GPT-5 e Claude. Com foco em raciocínio complexo e desenvolvimento de software, o GLM 4.7 se apresenta como uma alternativa viável e inovadora, pronta para transformar fluxos de trabalho.

    Para aqueles que acompanham a evolução das IAs, o GLM 4.7 representa um salto significativo, especialmente em eficiência e profundidade de análise. As inovações trazidas por este modelo da Zhipu AI merecem atenção detalhada, desde sua arquitetura única até suas aplicações práticas no desenvolvimento de código.

    Potencial e inovações do modelo GLM 4.7

    A arquitetura de Mistura de Especialistas (MoE) é um dos pilares do GLM 4.7. Diferentemente de modelos densos, o MoE ativa apenas os parâmetros necessários para cada tarefa. Isso resulta em um processamento mais ágil, eficiente em termos de energia e computação, tornando a ferramenta acessível sem sacrificar a profundidade do raciocínio.

    Outro diferencial marcante é a vasta capacidade de retenção de contexto. Com suporte para janelas de contexto que podem atingir até 200 mil tokens, o GLM 4.7 mantém a coerência em conversas extensas e na análise de grandes bases de código. Desenvolvedores e analistas de dados se beneficiam dessa funcionalidade, pois o assistente pode compreender projetos inteiros, oferecendo sugestões mais holísticas.

    Raciocínio intercalado e preservação de pensamento

    O mecanismo de “pensar antes de agir” é uma das características mais impressionantes do GLM 4.7. Ele utiliza um processo de raciocínio intercalado, planejando a execução de tarefas complexas antes de gerar a resposta final. Isso minimiza drasticamente a taxa de erros em instruções com múltiplas etapas.

    Adicionalmente, a tecnologia de “Preserved Thinking” (Pensamento Preservado) garante que o sistema mantenha sua linha de raciocínio lógico ativa durante toda a interação. Em cenários que exigem ações sequenciais, como em agentes autônomos, essa memória de trabalho assegura que o objetivo inicial não se perca, eliminando a necessidade de reexplicar o contexto.

    Revolução no desenvolvimento de software e ‘Vibe Coding’

    No campo da engenharia de software, o GLM 4.7 demonstra uma competência notável. O conceito de ‘Vibe Coding’ foca na estética e usabilidade do código gerado, especialmente para interfaces de usuário (front-end). O sistema não apenas produz código funcional, mas também se preocupa com o design visual, criando páginas web e apresentações com layouts modernos.

    A precisão em tarefas de terminal e automação foi aprimorada. Testes indicam que a capacidade de lidar com linhas de comando e scripts de automação supera modelos concorrentes, auxiliando profissionais de DevOps e engenheiros de sistemas. A integração com ferramentas como Claude Code e ambientes de desenvolvimento populares é fluida, funcionando como um par programador sênior.

    Benchmarks: Números comprovam a eficácia

    Os resultados em plataformas de avaliação como o SWE-bench, que mede a habilidade de resolver problemas reais de engenharia de software, colocam o GLM 4.7 no topo do ranking de código aberto. Houve uma melhoria de dois dígitos em comparação com versões anteriores, consolidando sua liderança.

    No teste “Humanity’s Last Exam” (HLE), conhecido por sua dificuldade para IAs, o modelo alcançou uma pontuação que demonstra capacidade de generalização e lógica abstrata. Esses dados indicam que o GLM 4.7 está preparado para desafios que exigem rigor técnico e criatividade simultaneamente.

    Comparativo direto: desempenho frente à concorrência global

    Em comparação com o GPT-5 e o Claude Sonnet, o GLM 4.7 se destaca pelo equilíbrio entre pragmatismo e potência. Em tarefas de raciocínio matemático e lógica dedutiva, os testes mostram paridade técnica ou até uma leve vantagem para o modelo da Zhipu AI.

    Além do desempenho, a relação custo-benefício é um ponto forte. Com um preço por milhão de tokens significativamente menor que seus rivais ocidentais, o GLM 4.7 democratiza o acesso a inteligência de ponta, permitindo que empresas e desenvolvedores independentes integrem capacidades avançadas de IA sem comprometer o orçamento.

    Integração com agentes e ferramentas externas

    A habilidade de uso de ferramentas externas (Tool Use) é outro ponto forte do GLM 4.7. O sistema navega na web, executa código Python em ambientes isolados e interage com APIs de forma autônoma com alta taxa de sucesso. Comparado a outros modelos, a fluidez com que ele alterna entre geração de texto e ação prática é notável.

    Essa competência é crucial para a criação de agentes autônomos capazes de realizar tarefas como pesquisa de mercado, compilação de relatórios e envio de e-mails sem intervenção humana constante. A arquitetura foi otimizada para reduzir alucinações durante o uso de ferramentas, garantindo ações precisas e seguras.

    Em suma, o GLM 4.7 da Zhipu AI surge como um marco na evolução das IAs, oferecendo um conjunto robusto de capacidades que desafiam o status quo e abrem novas possibilidades para desenvolvedores e empresas. Sua combinação de raciocínio avançado, eficiência e custo-benefício o posiciona como um forte concorrente no mercado global de inteligência artificial.

  • Comissão aprova criação do Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil

    Comissão aprova criação do Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil

    Comissão aprova criação do Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil

    A Comissão de Comunicação (CCom) da Câmara dos Deputados aprovou, em 18 de março de 2026, o Projeto de Lei 2.688/2025, que estabelece o Marco Regulatório para o Desenvolvimento e Uso da Inteligência Artificial (IA) no Brasil. A iniciativa visa criar uma resposta legislativa específica para os desafios impostos por uma prática grave e crescente que impacta direitos fundamentais, como dignidade, privacidade e integridade, especialmente de mulheres, crianças e adolescentes. Além disso, busca assegurar a preservação da segurança, da ética, da transparência e da soberania tecnológica nacional.

    O PL define direitos, deveres, princípios, mecanismos de governança e normas de transparência civil e penal para o desenvolvimento e uso da IA no país. O texto impõe um conjunto de obrigações para as plataformas de IA, que incluem a identificação e rastreamento de conteúdos artificiais, revisão humana de decisões automatizadas, obrigações de transparência e auditabilidade, além da proteção de dados pessoais.

    Sistemas de alto risco e deveres do poder público

    O projeto prevê obrigações específicas para sistemas de IA considerados de alto risco. Estes deverão elaborar avaliações de impacto algorítmico e realizar auditorias periódicas. Para o Poder Público, a proposta institui a obrigatoriedade de realizar avaliação prévia de impacto sobre direitos fundamentais e análise de riscos antes da adoção de tais sistemas.

    Urgência na regulação: o caso Grok

    O relator do projeto, deputado Jadyel Alencar (Republicanos – PI), ressaltou a urgência da regulação, destacando o uso de tecnologias de IA para a produção de imagens e vídeos envolvendo crianças e adolescentes, ou pessoas adultas, sem consentimento, em contextos sexuais ou eróticos. Ele citou como exemplo emblemático o caso recente envolvendo a ferramenta de IA Grok, da rede social X (antigo Twitter). Uma pesquisa do Center for Countering Digital Hate (CCDH) apontou que, nos primeiros 11 dias após o lançamento da funcionalidade de geração de imagem do Grok, em 29 de dezembro de 2025, foram produzidos mais de três milhões de conteúdos sexualizados, sendo 23 mil deles envolvendo crianças. As estimativas indicam que, a cada 41 segundos durante o período analisado, uma imagem imprópria envolvendo crianças foi criada.

    A presidente da Comissão, deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), elogiou a aprovação, enfatizando a relevância do tema diante do crescimento vertiginoso do uso da IA no país.

    Outras aprovações na Comissão de Comunicação

    Na mesma reunião, a CCom aprovou outros dois projetos:

    • PL 3.698/23: Dispõe sobre a identificação de ameaças e a repressão de ilícitos contra a infraestrutura de telecomunicações. O deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) alertou que, em 2023, foram roubados ou furtados 5,4 milhões de metros de cabos, um aumento de 15% em relação a 2022, motivado pelo alto valor de metais como o cobre no mercado de sucata. O objetivo é viabilizar repasses a órgãos de inteligência e segurança pública para a identificação, prevenção e repressão desses ilícitos.
    • Substitutivo ao PL 4.614/2025: Aprimora a tipificação, as penas e as medidas contra organizações criminosas digitais. A proposição introduz o conceito de organização criminosa digital na Lei nº 12.850/2013, com pena de reclusão de quatro a oito anos, além das penas dos delitos praticados. Prevê aumento de pena com o uso de ferramentas avançadas de anonimização ou ataques a instituições financeiras, serviços públicos essenciais ou infraestruturas críticas. Altera a Lei nº 9.613/1998 para aumentar a pena em casos de lavagem de dinheiro com criptoativos ou plataformas digitais vinculada a organizações criminosas digitais. Reforça a obrigação de colaboração de provedores de aplicações de internet com autoridades na investigação de crimes cibernéticos, conforme a Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet).

    Ambos os projetos seguirão para análise das Comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação, de Finanças e Constituição, Justiça e Cidadania (no caso do Marco da IA) e da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Constituição e Justiça e de Cidadania (no caso do PL 4.614/2025), antes de serem votados no Plenário da Câmara.

  • O uso ético da inteligência artificial na Justiça

    O uso ético da inteligência artificial na Justiça

    O uso ético da inteligência artificial na Justiça

    A inteligência artificial (IA) já não é uma questão de se irá ingressar na esfera judicial, mas sim sob quais limites constitucionais, processuais e éticos sua admissão é compatível com a integridade do sistema de justiça. O debate crucial não reside na mera presença de tecnologia, mas em como ela pode interferir na formação do juízo, na seleção de informações e na estrutura das decisões, sem comprometer a responsabilidade humana e o devido processo legal.

    A discussão sobre a IA na Justiça, em 2026, transcende a especulação acadêmica para se tornar uma questão de governança concreta. O Poder Judiciário, historicamente, tem adotado ferramentas tecnológicas para otimizar processos, reduzir assimetrias informacionais e agilizar rotinas. Contudo, a IA apresenta um desafio diferente quando sua mediação tecnológica começa a influenciar a própria formação da decisão judicial, exigindo um exame rigoroso de suas condições de uso para garantir a conformidade com a Constituição, o processo justo e a ética pública.

    Definindo os limites da tecnologia na jurisdição

    A questão central é estabelecer as condições sob as quais o uso da IA permanece compatível com os pilares do Direito. Isso implica evitar posições extremas: a tecnofobia, que rejeita toda IA, e o solucionismo, que legitima qualquer delegação tecnológica pela eficiência operacional. O Direito brasileiro foca em garantias, competências e responsabilidades. Portanto, a pergunta fundamental não é se a máquina “ajuda”, mas se essa ajuda preserva a estrutura normativa do ato estatal, especialmente quando este impacta a liberdade, o patrimônio ou a igualdade processual das partes.

    A moldura constitucional, com garantias como o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a motivação das decisões, é mais exigente do que a discussão pública por vezes reconhece. O CPC, ao detalhar o regime de fundamentação, explicita o que não constitui uma decisão adequadamente motivada. Em matéria pericial, por exemplo, exige-se método e análise técnica conclusiva. Em essência, nenhuma tecnologia pode servir como atalho para uma decisão cuja racionalidade não possa ser reconstruída, contestada e atribuída a um responsável humano identificável.

    A resolução CNJ 615/25 e a governança da IA

    A Resolução CNJ 615/25 estabelece diretrizes cruciais para o desenvolvimento, utilização e governança de soluções de IA no Poder Judiciário. Longe de ser um mero slogan, a norma ancora o sistema em pilares como a centralidade da pessoa humana, a supervisão humana em todas as etapas, rastreabilidade, auditabilidade e a proteção de direitos fundamentais. Princípios como transparência, explicabilidade, contestabilidade e confiabilidade são explicitados, sinalizando que a inovação só é admissível sob um regime denso de responsabilidade e controle.

    O cenário atual, com 45,8% dos tribunais já utilizando IA generativa em 2025, segundo o Programa Justiça 4.0, demonstra que o debate ético não é especulativo. Ele se concentra na governança concreta de sistemas em uso ou em processo de adoção. Isso eleva a responsabilidade dos juristas, que lidam com a legitimidade presente da tecnologia, e não com um futuro distante. A supervisão humana, por si só, pode ser insuficiente se não houver condições reais de revisão crítica, tempo para discordar da máquina, compreensão de sua operação e preservação da autoridade intelectual do julgador.

    Supervisão humana: mais que uma formalidade

    Um agente público que apenas “confirma” o que não compreende, sob pressão de produtividade e sem trilha de auditoria, não está supervisionando; está homologando. Essa homologação acrítica de saídas algorítmicas não se alinha com a ideia constitucional de motivação nem com a responsabilidade funcional de quem decide. O ponto em que o debate ético encontra o núcleo do devido processo é precisamente este: se a IA participa da triagem de casos, da identificação de padrões decisórios ou da sugestão de minutas, ela pode influenciar o resultado antes mesmo da assinatura final.

    Essa influência só é legítima se mantida dentro de limites transparentes e auditáveis. A formação de uma “caixa-preta jurisdicional”, onde o itinerário cognitivo relevante está oculto em ferramentas cujos vieses ou falhas não são inteligíveis ou contestáveis, é inaceitável. A forma humana com substância opaca não satisfaz o constitucionalismo processual. A Resolução 615/25, ao vedar soluções que impeçam revisão humana e exigir auditorias regulares, aponta nessa direção.

    Regulação em construção: o caminho brasileiro para a IA

    Em março de 2026, o Brasil ainda aguarda uma lei geral de IA em vigor, similar ao AI Act europeu. A regulação atual é fragmentária, com avanços setoriais e institucionais. O PL 2338/23 foi aprovado no Senado em dezembro de 2024 e seguiu para a Câmara. O Executivo, em dezembro de 2025, encaminhou proposta complementar de governança. O sistema jurídico brasileiro tem construído sua disciplina de IA “de baixo para cima”, por setores e autoridades competentes, antes mesmo da consolidação legislativa geral.

    Essa abordagem converge com consensos internacionais, como a Recomendação da Unesco sobre Ética da IA, os princípios da OCDE e as diretrizes da Cepej (Conselho da Europa), que enfatizam a dignidade humana, a proteção de direitos e a supervisão humana. O AI Act europeu solidifica a lógica de abordagem baseada em risco. O ponto comum é que a ética da IA aplicada à justiça não é um ornamento moral, mas uma técnica institucional de contenção do arbítrio tecnológico.

    A delegação limitada como princípio ético

    A ética da IA na Justiça vai além da decisão final, envolvendo a proveniência intelectual do ato. À medida que sistemas generativos auxiliam em pesquisa, organização de argumentos e elaboração de minutas, é crucial distinguir apoio instrumental de substituição encoberta do labor intelectual. O problema não é usar tecnologia para ampliar capacidade cognitiva, mas dissolver, sem transparência, a autoria responsável do raciocínio jurídico.

    Uma decisão assinada por um magistrado pode padecer de déficit ético se o itinerário argumentativo decisivo foi terceirizado a sistemas cujo funcionamento não possa ser reconstruído criticamente. A categoria decisiva para os próximos anos será a de delegação limitada. A IA pode auxiliar, mas não substituir o núcleo indelegável do ato jurisdicional, que inclui a definição do problema, a seleção de material probatório e normativo, a fundamentação compreensível, o juízo sobre a suficiência das razões e a assunção pessoal da responsabilidade.

    A analogia com a medicina e a prova de IA

    A regulação ética da IA na medicina oferece uma analogia pertinente: a resolução CFM 2.454/26 admite a IA como ferramenta de apoio, mas preserva a autoridade final do médico e exige julgamento crítico. Da mesma forma, na Justiça, a tecnologia não pode destruir a imputabilidade racional do ato. Sistemas inteligentes podem ser auxiliares valiosos, mas seu uso só é ético quando a autoridade profissional permanece humana, identificável, crítica e responsável.

    A ilusão da “prova mágica” sobre o uso de IA, com detectores de texto e estilometria forense, precisa ser enfrentada. A própria OpenAI retirou seu classificador de texto por baixa acurácia. Esforços promissores em transparência focam em trilhas de proveniência e metadados, como no padrão C2PA. Contudo, isso complementa, mas não substitui, a governança jurídica, logs institucionais e a responsabilidade funcional. A ética séria na Justiça se fará com desenho institucional verificável, não com fetiche de detector.

    Construindo a dogmática da trilha auditável

    O uso ético da IA na Justiça exige menos uma teoria abstrata da “máquina justa” e mais uma dogmática da trilha auditável. Na prática, isso significa políticas institucionais claras, distinção entre usos de baixo e alto risco, registro técnico do emprego de modelos, critérios para revisão humana obrigatória, possibilidade de contestação pelas partes e avaliação contínua de viés e erro. A Resolução 615/25 abriu esse caminho, que precisa ser preenchido com densidade operacional.

    Em suma, a Justiça pode usar IA, mas não pode terceirizar a juridicidade de seus atos à opacidade algorítmica. A ética da IA na jurisdição exige compatibilidade estrutural com a Constituição do processo: motivação real, supervisão humana não decorativa, contestabilidade efetiva, tratamento não discriminatório e preservação da autoria responsável do juízo. A tecnologia deve servir ao sistema de razões, garantias e responsabilidades da Justiça, sem reconfigurá-lo silenciosamente para um modelo mais rápido, porém menos inteligível e com menor legitimidade.

  • Elon Musk surpreende ao apontar quem realmente vai dominar a inteligência artificial e deixa de fora nomes como ChatGPT e sua própria xAI na disputa global

    Elon Musk surpreende ao apontar quem realmente vai dominar a inteligência artificial e deixa de fora nomes como ChatGPT e sua própria xAI na disputa global

    Musk revela divisão inesperada da liderança em inteligência artificial

    Elon Musk agitou o cenário tecnológico em 19 de março de 2026 ao apresentar uma visão peculiar sobre a corrida global da inteligência artificial (IA). Em uma declaração concisa publicada na plataforma X, o empresário delineou um futuro onde a liderança da IA seria dividida entre o Google no Ocidente, a China na Terra e a SpaceX no espaço. Essa projeção deixou de fora de forma notável gigantes como o ChatGPT e até mesmo a sua própria iniciativa, a xAI, gerando imediatas repercussões e questionamentos sobre os rumos da tecnologia.

    A divisão proposta por Musk, embora sem detalhes adicionais, fragmenta a disputa tecnológica em três frentes distintas. A clareza dessa divisão tem provocado um intenso debate entre especialistas e entusiastas, que analisam as implicações dessa nova configuração de poder no desenvolvimento e aplicação da IA em escala mundial.

    Google, China e SpaceX: as novas potências da IA segundo Musk

    A análise de Elon Musk organiza a futura disputa pela inteligência artificial em blocos geográficos e tecnológicos bem definidos. No mercado ocidental, o Google emerge como o principal nome para a liderança. A gigante de tecnologia tem investido massivamente em modelos de linguagem e em soluções baseadas em nuvem, consolidando sua posição como um player chave e frequentemente citado ao lado de outros grandes nomes do setor.

    Para a China, Musk reservou o domínio no cenário terrestre. O país asiático tem demonstrado um crescimento acelerado em suas capacidades de IA, impulsionado por robusto financiamento governamental e um ecossistema vasto de dados. Essa combinação de fatores fortalece sua influência e amplia sua participação no desenvolvimento global da tecnologia.

    A ascensão da SpaceX na IA espacial

    Um dos pontos mais surpreendentes da declaração foi o destaque dado à SpaceX como líder em sistemas de inteligência artificial voltados para o espaço. Com uma atuação já consolidada em redes de satélites e transporte espacial, a expectativa é que a IA desempenhe um papel crucial em futuras missões. Isso abrange desde a automação de sistemas até o suporte a operações de exploração em ambientes extremos, como o espaço profundo.

    Essa projeção posiciona a SpaceX como responsável por expandir o uso da IA para além da atmosfera terrestre, estabelecendo uma nova fronteira tecnológica. A empresa se tornaria a pioneira em consolidar uma frente de atuação da IA focada na exploração e utilização do espaço.

    Reações e questionamentos à visão de Musk

    A publicação de Elon Musk não tardou a gerar reações diversas. Enquanto parte do público tecnológico concordou com a análise, outros levantaram sérias dúvidas sobre a viabilidade de uma divisão tão segmentada do futuro da IA. Um dos pontos de preocupação levantados foi o domínio chinês, com questionamentos sobre como o Google poderia liderar no Ocidente diante de um avanço global chinês.

    Houve também especulações sobre o surgimento de novas tecnologias, como a IA quântica, que poderiam alterar completamente o cenário atual da disputa. Questionamentos diretos a Musk também surgiram, como a implicação de sua visão para a própria xAI e seu modelo Grok, sugerindo que estas poderiam já estar fora da corrida principal.

    Apesar da brevidade, a declaração de Elon Musk ampliou o debate sobre a complexidade e os múltiplos atores envolvidos na corrida pela inteligência artificial, reforçando a percepção de que o futuro desta tecnologia se desdobrará em diversas frentes e áreas de atuação.

  • Val Kilmer retorna após a morte com papel recriado por IA em “As Deep as the Grave”

    Val Kilmer retorna após a morte com papel recriado por IA em “As Deep as the Grave”

    Val Kilmer aparece postumamente em novo filme usando inteligência artificial

    O falecido ator Val Kilmer fará uma aparição póstuma nas telas no vindouro filme «As Deep as the Grave». A performance inovadora foi criada utilizando tecnologia de inteligência artificial generativa, marcando um feito sem precedentes na indústria cinematográfica.

    Conhecido por seus papéis icônicos em filmes como «Top Gun», «The Doors» e «Batman Forever», Kilmer foi originalmente escalado para interpretar o Padre Fintan, um sacerdote católico com fortes conexões com a espiritualidade nativa americana. Devido a complicações de saúde decorrentes de seu tratamento contra o câncer de garganta, o ator, que faleceu em abril de 2026 aos 65 anos, não pôde participar das filmagens originais.

    Recreação de performance com IA e respeito ao legado

    A equipe de produção de «As Deep as the Grave» trabalhou em estreita colaboração com o espólio de Val Kilmer e sua filha, Mercedes Kilmer. O objetivo foi incorporar a tecnologia de IA de forma a honrar a profunda conexão pessoal do ator com o personagem e o projeto.

    «No momento em que foi escalado, Kilmer expressou que o personagem Fintan o tocou tanto cultural quanto espiritualmente», declarou a First Line Films. A produtora destacou a herança nativa americana de Kilmer e sua ligação de longa data com o Sudoeste Americano.

    A First Line Films, sediada no Novo México, anunciou que empregará ferramentas avançadas de IA para recriar a performance de Kilmer. A intenção é que o ator possa dar vida a um personagem de significado histórico, respeitando sua visão e intenção original.

    A trama e o envolvimento de Coerte Voorhees

    Dirigido e escrito por Coerte Voorhees, o filme acompanha os arqueólogos Ann Morris, interpretada por Abigail Lawrie, e Earl Morris, vivido por Tom Felton. A dupla realiza escavações no Canyon de Chelly, Arizona, desvendando também a história e as experiências do povo Navajo.

    Legado de Val Kilmer em Hollywood

    Val Kilmer, com formação na Juilliard, construiu uma carreira notável por suas atuações intensas. Ele era conhecido como um dos talentos mais imprevisíveis de Hollywood. Seus créditos incluem atuações memoráveis, como a de Doc Holliday em «Tombstone», consolidando-o como um dos atores mais distintos de sua geração.

  • “Parece o Jogo da lula”: trabalhadores da China correm para acompanhar a corrida da IA

    “Parece o Jogo da lula”: trabalhadores da China correm para acompanhar a corrida da IA

    “Parece o Jogo da lula”: trabalhadores da China correm para acompanhar a corrida da IA

    Quase mil pessoas formaram fila do lado de fora da sede da Tencent em Shenzhen, demonstrando a febre em torno do OpenClaw, um agente de inteligência artificial de código aberto. Essa agitação, apelidada de “criar um lagostim” devido ao logo vermelho da IA, reflete um medo profundo entre os trabalhadores chineses: ferramentas destinadas a aumentar a produtividade podem, em breve, substituí-los. Para muitos, dominar o OpenClaw tornou-se uma questão de sobrevivência em um ambiente de trabalho onde a adoção da IA está acelerando.

    “Parece que estou jogando Jogo da Lula”, disse Lambert Li, morador de Xangai e um dos primeiros usuários do OpenClaw, referindo-se à série da Netflix onde os participantes competem em jogos brutais de eliminação. “Você pode ser eliminado a qualquer momento. Como não ficar ansioso?” A empregadora de Li demitiu 30% de sua força de trabalho em 2025, cortando funcionários que não conseguiram se adaptar rapidamente o suficiente à IA.

    A corrida por novas ferramentas

    O crescimento da IA gerou ansiedade global sobre a perda de empregos, e isso é mais palpável na China, onde o governo está investindo recursos maciços na área, apostando nela para impulsionar o crescimento econômico futuro do país. A China possui uma das maiores bases de usuários de IA do mundo. Esse impulso massivo causa um medo constante de redundância entre os trabalhadores, somado ao estigma social da perda de emprego.

    Especialistas acreditam que isso pode ter implicações econômicas e sociais maiores. “Quando um grande número de trabalhadores da classe média e jovens temem que a IA possa perturbar suas carreiras, eles tendem a cortar gastos e aumentar as poupanças preventivas caso sejam demitidos”, explicou Li Chen, pesquisador da economia chinesa no think tank Anbound, com sede em Pequim. “Isso pode dificultar os esforços do governo para estimular a economia.”

    Domínio ou redundância?

    Após alguns dias acompanhando a febre do OpenClaw, o desenvolvedor de software Li percebeu que o agente não era realmente útil para ele. Diferentemente de bots populares como ChatGPT ou Gemini, o OpenClaw opera diretamente no computador do usuário e executa tarefas autonomamente entre arquivos e aplicativos. Li não usa o OpenClaw regularmente porque teme que ele cometa erros se tiver acesso excessivo aos seus arquivos e sistemas de trabalho.

    No entanto, ele sente que não pode ignorar completamente a IA. Desde o ano passado, o profissional de 35 anos tem testado diversas ferramentas de IA, experimentando cada atualização importante de modelo e agente de produtividade que ouve falar. Na popular plataforma de mídia social chinesa RedNote, a hashtag #AIAnxiety acumulou cerca de 2,6 milhões de visualizações. Usuários compartilham preocupações pessoais: “Manter-se atualizado com a IA é mais exaustivo do que o próprio trabalho”, diz uma postagem. “Meu chefe pediu para eu escrever código de IA para substituir vários membros da equipe”, relata outra. “Quando será minha vez?”

    Dados e percepções sobre a IA

    Uma pesquisa de agosto de 2025 com 38.000 adultos trabalhadores em 34 países revelou que quase um terço dos entrevistados “acreditava fortemente” que a IA poderia substituí-los e que estavam buscando ativamente um novo emprego.

    A China tem sido muito otimista em relação à IA. Uma pesquisa da KPMG mostrou que 69% dos entrevistados chineses consideravam que os benefícios gerais da IA superavam os riscos, em comparação com 35% dos americanos. Um estudo da Universidade de Pequim analisou mais de um milhão de vagas de emprego na China entre 2018 e 2024 e descobriu um declínio significativo na contratação para funções que poderiam ser realizadas com IA, incluindo programação de computadores, contabilidade, edição e vendas.

    Em uma pesquisa de maio de 2025, realizada pela Cheung Kong Graduate School of Business, 85,5% dos 11.814 entrevistados chineses expressaram preocupação com o impacto da IA em seus empregos. A taxa de desemprego entre jovens chineses de 16 a 24 anos em 2025 permaneceu entre 15% e 19%, superior à média global. Nos EUA, a taxa para a mesma faixa etária ficou entre 9% e 11%.

    Ansiedade amplificada

    “À medida que a IA remodela o mercado de trabalho, os desafios que a China enfrenta em termos de mudança estrutural na educação, combinados com a pressão social sobre os indivíduos para se posicionarem para o futuro, podem tornar a ansiedade enfrentada pelos jovens chineses ainda mais aguda do que no Ocidente”, afirmou Jack Linzhou Xing, pesquisador da Universidade de Harvard.

    A ansiedade em relação à IA também é alimentada por uma lacuna crescente entre a narrativa de progresso tecnológico da China e a realidade vivida por muitos trabalhadores. A competição se intensifica mesmo com o país avançando em tecnologia global, segundo Xing, que pesquisa a sociologia da tecnologia na China.

    Frank Wang, um programador de 28 anos em Chengdu, disse que costumava ficar muito ansioso com a possibilidade de a IA substituí-lo no trabalho. No entanto, ele percebeu que não conseguiria lutar contra essa tendência e agora adota a postura de “deitar-se plano” (fazer o mínimo necessário no trabalho). “Se me demitirem, me demitiram. Vou esperar por algum auxílio social.”

    A ansiedade gerada pela IA não poupou nem mesmo trabalhadores não técnicos. Betty Lai, gerente de marketing de produto, foi informada de que as avaliações anuais de desempenho de sua empresa incluiriam o conhecimento e o uso de IA pelos funcionários. Uma colega imediatamente organizou um workshop voluntário de treinamento em OpenClaw, e os participantes disputaram os assentos na primeira fila.

    “A pressão [para usar IA] às vezes vem da expectativa da empresa de que nos tornemos mais eficientes com essas ferramentas”, disse Lai. “Mas isso nem sempre é verdade ainda. Pode levar tempo para descobrir como realmente incorporá-las ao seu trabalho. Não adianta ficar ansioso. Já estamos nessa onda. Ou você a cavalga, ou é levado por ela.”

  • Luiza Helena Trajano defende mais protagonismo feminino nos projetos de IA

    Luiza Helena Trajano defende mais protagonismo feminino nos projetos de IA

    Luiza Helena Trajano defende mais protagonismo feminino nos projetos de IA

    A inteligência artificial (IA) não é uma tecnologia neutra. Ela aprende a partir de dados, e esses dados foram gerados em um contexto histórico de desigualdade. Luiza Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, tem alertado com crescente urgência: a ausência de mulheres na programação, liderança e tomada de decisões em projetos de IA pode levar à sistematização e escalada de preconceitos já existentes no mundo real. Este é um risco concreto, com implicações mensuráveis para empresas e para a sociedade.

    A premissa central é clara: quando os dados utilizados para treinar modelos de IA refletem décadas de sub-representação feminina, o algoritmo aprende o desequilíbrio como norma e o reproduz em diversas áreas, como processos seletivos, concessão de crédito e diagnósticos médicos. A solução, segundo Trajano, começa com a inclusão de mais mulheres nos espaços de criação e decisão tecnológica.

    A origem do problema: dados e desequilíbrio

    Modelos de inteligência artificial são treinados com base em padrões históricos. Quando esses padrões mostram a sub-representação feminina em áreas como o mercado de trabalho, ciência e liderança, o resultado é que os algoritmos passam a perpetuar esse desequilíbrio. Isso pode se manifestar em processos seletivos enviesados, dificuldades na obtenção de crédito ou diagnósticos médicos imprecisos para mulheres.

    “Precisamos de mais mulheres programando, mais mulheres liderando projetos e participando das decisões sobre inteligência artificial”, declarou Trajano, enfatizando que a inclusão é o ponto de partida para evitar que a tecnologia escale desigualdades.

    Tecnologia: ferramenta de emancipação ou exclusão?

    Trajano reconhece o imenso potencial transformador da tecnologia para as mulheres, abrindo portas para vendas online, estudos a distância e criação de negócios digitais. No entanto, esse potencial só se concretiza com acesso e formação adequados. Sem uma inclusão deliberada, a tecnologia tende a concentrar poder, em vez de democratizá-lo.

    “Tecnologia sem inclusão pode ampliar desigualdades. Com inclusão, ela transforma vidas”, ressalta Trajano. Essa distinção é crucial e, muitas vezes, negligenciada nas estratégias corporativas de inovação.

    Desigualdade salarial: uma questão de gestão

    Em relação à diferença salarial entre homens e mulheres em cargos iguais, Luiza Helena Trajano é categórica: não se trata de um problema estrutural sem solução, mas sim de uma decisão de gestão. Ela afirma que, quando há um compromisso real da liderança, o ajuste salarial acontece. A falta de equidade, em muitos casos, reside na ausência de prioridade.

    Muitas organizações encaram a desigualdade salarial como um tema complexo, mas Trajano desmonta esse argumento, indicando que a solução existe e depende da vontade de implementá-la.

    Cotas: instrumentos para corrigir desigualdades

    A presidente do Conselho da Magalu é defensora do uso de cotas para mulheres em conselhos e cargos de liderança, classificando-as como instrumentos temporários essenciais para corrigir desigualdades históricas, e não como privilégios. Através do Grupo Mulheres do Brasil, ela participou ativamente da aprovação da Lei 15.177/2025, que estabelece a reserva mínima de 30% de vagas para mulheres em conselhos de administração de empresas públicas e sociedades de economia mista.

    Para Trajano, o impacto das cotas transcende a representatividade. Uma maior diversidade na liderança, segundo ela, aprimora a governança corporativa, enriquece a tomada de decisões e fortalece os resultados das organizações, configurando uma lógica empresarial e não meramente social.

    Gestão com visão de longo prazo e cultura organizacional

    A trajetória à frente do Magazine Luiza ensinou a Trajano a importância de construir valor a longo prazo, cuidando das pessoas. Empresas que focam apenas no resultado trimestral, segundo ela, dificilmente constroem um legado duradouro. No Magalu, a cultura de proximidade, escuta e valorização das pessoas é uma prática cotidiana, que antecede os conceitos de ESG.

    Essa cultura, que sustenta décadas de crescimento em um mercado predominantemente masculino, também se reflete na política de combate ao assédio. A posição é clara: assédio é inegociável e no Magalu resulta em demissão. Canais seguros de denúncia são uma obrigação, não um benefício.

    O que está em jogo: o futuro moldado pela IA

    O debate sobre a presença feminina na IA é central para definir como a tecnologia mais poderosa da história será construída e para quem. As decisões tomadas nos próximos meses e anos definirão os padrões que os sistemas de IA carregarão por décadas. Aqueles que estiverem presentes nessas decisões moldarão o futuro, enquanto os ausentes herdarão um sistema que não foi pensado para suas necessidades.

    Luiza Trajano compreendeu a urgência dessa questão estratégica. A pergunta que fica é se as organizações entenderão a tempo a importância da inclusão feminina no desenvolvimento da inteligência artificial.

  • Segurança Pública do DF testa projetos de inteligência artificial para ampliar resposta operacional

    Segurança Pública do DF testa projetos de inteligência artificial para ampliar resposta operacional

    Segurança Pública do DF testa projetos de inteligência artificial para ampliar resposta operacional

    A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal (SESP-DF) está avançando na adoção de tecnologias de ponta para aprimorar suas operações. Atualmente, a pasta está em fase de testes e finalização de dois projetos estratégicos que utilizam inteligência artificial (IA) com o objetivo de otimizar a resposta operacional e a capacidade investigativa das forças de segurança.

    Essas iniciativas representam um passo significativo na modernização da segurança pública no DF, integrando inovação tecnológica à gestão orientada por dados. A apresentação das soluções ocorreu nesta terça-feira (17/Mar), no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), demonstrando o compromisso da SESP-DF em fortalecer suas capacidades.

    Projeto de transcrição automática de chamadas

    O primeiro projeto-piloto foca na transcrição automática de chamadas dos canais de emergência. Utilizando IA, a ferramenta é capaz de converter o áudio das ligações em texto estruturado. Essa funcionalidade tem o potencial de reduzir consideravelmente o tempo dedicado ao registro de ocorrências, além de padronizar as informações recebidas e qualificar a análise dos atendimentos realizados.

    Segundo o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, a inteligência artificial se consolida como uma aliada fundamental. “Estamos estruturando um modelo moderno, que integra tecnologia, inovação e gestão orientada por evidências. Esses projetos já estão sendo testados, ajustados e preparados para serem incorporados à rotina operacional, ampliando nossa capacidade de antecipar cenários, responder com mais rapidez e proteger melhor a população”, afirmou Avelar.

    Análise de padrões de comportamento veicular com IA

    A segunda solução desenvolvida é uma ferramenta inovadora para a análise de padrões de comportamento veicular. O sistema opera a partir do fluxo de veículos captado por câmeras inteligentes, indo além da simples leitura de placas. A tecnologia é capaz de identificar vínculos e padrões de deslocamento, como a atuação em comboios ou a utilização de rotas consideradas suspeitas.

    Essa funcionalidade é particularmente valiosa para o mapeamento de trajetórias associadas a crimes como furtos, roubos e tráfico interestadual. Ao permitir a identificação de relações entre veículos envolvidos em atividades criminosas, a ferramenta amplia significativamente a capacidade investigativa e de inteligência das forças de segurança pública do DF.

    “O que estamos construindo aqui é uma nova lógica de atuação na segurança pública, baseada em dados, integração e inteligência. Esses pilotos demonstram que é possível transformar demandas operacionais em soluções tecnológicas concretas, com impacto direto na eficiência do atendimento, na investigação e na prevenção ao crime.” Thiago Costa, secretário-executivo de Gestão Integrada da SSP-DF

    Centro Integrado de Inteligência Artificial (CIIA)

    Ambos os projetos estão alinhados à estratégia da plataforma DF 360, que visa fortalecer a atuação orientada por evidências por meio do monitoramento e integração de dados. Os testes estão em estágio avançado, e a SESP-DF trabalha no aprimoramento das ferramentas e na avaliação da viabilidade operacional e jurídica para sua incorporação definitiva.

    O presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, destacou o papel da inovação: “A aplicação de IA demonstra como a inovação pode gerar soluções concretas para a segurança pública no DF, ao automatizar processos, qualificar informações e ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança.”

    O Centro Integrado de Inteligência Artificial (CIIA), que coordena essas iniciativas, está sediado no Parque Tecnológico de Brasília (Biotic) e conta com um supercomputador de alto desempenho. O CIIA foi estruturado com base na articulação entre governo, academia e setor produtivo, com o objetivo de desenvolver soluções tecnológicas para a gestão pública.