Romances gráficos NASA e histórias de astronautas mulheres saem do site
A agência espacial americana retirou do ar duas séries de romances gráficos que tinham como protagonista uma astronauta feminina fictícia, em uma ação que reforça tensões em torno das políticas de Diversidade, Equidade e Inclusão. As obras, disponíveis por anos, foram removidas das páginas oficiais, mesmo com comunicados de lançamento ainda acessíveis.
As séries, chamadas “First Woman: NASA’s Promise for Humanity” e “First Woman: Expanding Our Universe”, acompanhavam a personagem Callie Rodriguez e celebravam a trajetória da (ficcional) primeira mulher a pisar na Lua. Apesar de os comunicados permanecerem, a página principal dedicada à história agora retorna um erro 404, segundo apuração feita por observadores externos.
O que foi removido e quem é Callie Rodriguez
Os romances gráficos mostravam uma narrativa voltada à representação feminina na exploração espacial, com recursos visuais e textos educativos voltados a público jovem. Keith Cowing, do NASA Watch, que documentou parte do conteúdo, comentou a ação apontando um possível direcionamento institucional: “Aparentemente, a equipe de saneamento DEI da NASA está usando minhas postagens para ajudá-los a excluir conteúdos”.
Embora os títulos e partes das campanhas tenham sido mantidos em comunicados, a remoção do material principal causou estranhamento entre divulgadores e parte do público, que vinha acompanhando as histórias como ferramenta de engajamento em ciência e carreiras espaciais.
Contexto político e medidas sobre DEI
A exclusão do material acontece em um momento de forte revisão das políticas de diversidade no governo federal. No primeiro dia do que o governo classificou como um novo mandato, a Casa Branca declarou os programas DEI “ilegais e imorais” e afirmou que o governo está “comprometido a servir cada pessoa com dignidade e respeito”, segundo as comunicações oficiais citadas por fontes.
Em janeiro, a agência iniciou o encerramento dos programas de diversidade e, no mês seguinte, informou funcionários que não poderiam mais exibir pronomes em seus perfis online, abrangendo assinaturas de e-mail e contas no Microsoft Outlook. A medida foi percebida por críticos como parte de um movimento mais amplo para reduzir iniciativas de inclusão nas agências federais.
Ao mesmo tempo, a agência enfrenta outras mudanças administrativas. Relatos apontam cancelamento de contratos no valor de US$ 420 milhões, uma movimentação associada ao Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que, segundo fontes, tem promovido cortes e reestruturações desde sua criação por ordem executiva no primeiro dia do mandato. Há também questionamentos sobre o papel de lideranças externas no processo, citando a figura de Elon Musk à frente do DOGE.
Impactos, críticas e perguntas em aberto
A decisão de retirar os romances gráficos gerou reação entre comunicadores de ciência e especialistas em divulgação. Para alguns, o episódio simboliza um enfraquecimento de iniciativas que usam narrativa e arte para atrair públicos diversos para carreiras científicas.
Fontes tentaram obter posição oficial da agência, mas “A porta-voz da NASA, Bethany Stevens, não respondeu a pedidos de comentário”, conforme relatos das coberturas originais. Sem uma explicação formal, resta dúvida sobre se a remoção foi pontual, parte de uma revisão de conteúdo mais ampla, ou alinhamento explícito a diretrizes administrativas recentes.
Para o público e educadores, a retirada também levanta questões práticas sobre preservação de materiais educativos produzidos por agências públicas, e sobre o impacto que decisões administrativas podem ter em programas de engajamento científico de longo prazo.
Enquanto isso, observadores como Keith Cowing seguem documentando mudanças no acervo público online, e a comunidade científica monitora próximos passos da agência. A ausência dos materiais e a falta de resposta oficial mantêm o episódio em aberto, deixando claro que as disputas sobre DEI, comunicação pública e prioridades orçamentárias continuarão a influenciar o acesso a conteúdos institucionais.
Fontes e levantamentos citados indicam que as remoções ocorreram sem aviso prévio, e que a manutenção dos comunicados, mas não das histórias visuais completas, dificulta avaliar a justificativa técnica ou política. Espera-se que, caso haja questionamento público mais amplo, a NASA apresente posicionamento detalhado sobre a retirada desses materiais.

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