Robô-peixe Belle ajuda a proteger recifes com IA discreta

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Como o robô-peixe Belle, com IA, coleta eDNA e imagens sem perturbar recifes

Pesquisadores do ETH Zurich desenvolveram um equipamento que promete transformar a forma como estudamos recifes e ecossistemas marinhos. O pequeno robô, batizado de robô-peixe Belle, foi projetado para operar de maneira autônoma, silenciosa e pouco intrusiva, permitindo a coleta de vídeos em alta resolução e amostras de DNA ambiental, o chamado eDNA, sem perturbar a vida submarina.

Segundo os desenvolvedores, o objetivo é registrar os organismos marinhos no seu estado natural e com o menor impacto possível. Na visão da equipe, obter imagens e amostras sem causar estresse aos animais e sem danificar habitats sensíveis é crucial para avaliar com precisão a saúde dos recifes e para orientar ações de conservação.

Como funciona o robô-peixe

Com menos de um metro de comprimento e pesando quase 10 kg fora da água, o robô-peixe Belle é impulsionado por uma nadadeira de silicone que simula o movimento de um peixe real. O mecanismo utiliza duas cavidades nas quais a água é bombeada em ciclos, produzindo propulsão sem hélices, o que evita o refluxo e a perturbação do ambiente.

Na descrição técnica do projeto, os pesquisadores explicam o funcionamento do sistema de propulsão com as palavras de um dos membros da equipe. Leon Guggenheim, estudante de engenharia mecânica do ETH Zurich, afirmou: “Queremos capturar os ecossistemas da maneira como eles realmente se comportam”.

O detalhe do movimento foi explicado pelos próprios desenvolvedores. Sobre as cavidades e o movimento da nadadeira, disseram: “Essas cavidades são preenchidas e esvaziadas com água por meio de um sistema de bombeamento, e isso move a nadadeira para frente e para trás, porque você tem uma cavidade de um lado que cria uma pressão excessiva e uma cavidade do outro lado que cria um vácuo. Isso dobra a nadadeira em uma direção”.

Por que isso importa para a conservação marinha

Recifes de coral e áreas costeiras vêm sofrendo com pesca excessiva, poluição e alterações climáticas, fatores que impactam a biodiversidade e a resiliência dos ecossistemas. Sistemas tradicionais de coleta de dados, especialmente veículos com hélices, podem agravar o problema, destruindo estruturas frágeis e afugentando peixes.

Robert Katzschmann, professor assistente de robótica do ETH Zurich, ressaltou esse risco, observando: “Essas áreas são particularmente vulneráveis a sistemas baseados em hélices que simplesmente destruiriam os corais ou assustariam os peixes”. A proposta do robô-peixe Belle é, justamente, oferecer uma alternativa que minimize impactos enquanto aumenta a qualidade das informações obtidas.

Além das imagens em alta resolução, o robô coleta amostras de eDNA, uma técnica cada vez mais usada para identificar espécies presentes em um local sem a necessidade de captura física. A equipe informa que a missão típica do robô é planejada para durar duas horas, prazo no qual o filtro de eDNA precisa ser substituído e as baterias recarregadas.

Sobre o processo de recuperação do aparelho e da amostra, os pesquisadores explicaram: “Ele nada até a superfície, nos envia um sinal de GPS e então nós o pegamos novamente”. E acrescentaram: “E a partir daí ele poderia nos enviar dados, mas a ideia é que a missão seja tão longa que a bateria precisa ser substituída de qualquer maneira, assim como o filtro de DNA ambiental precisa ser substituído, então não faz sentido enviar dados se você precisa obter manualmente os dados para o filtro de DNA ambiental de qualquer maneira”.

Desafios e próximos passos

Embora o protótipo do robô-peixe Belle demonstre avanços promissores, há desafios a superar antes de uma implantação em larga escala. Limitações de autonomia, resistência a correntes intensas, e a necessidade de processos eficientes para recuperar e processar o eDNA são pontos que a equipe continuará a aperfeiçoar.

Os pesquisadores planejam integrar melhor os sistemas de navegação autônoma baseados em IA e otimizar a autonomia energética, além de testar o robô em diferentes tipos de ambientes de recife para validar seu desempenho em condições reais. A expectativa é que, com versões aprimoradas, o equipamento auxilie biólogos marinhos na monitoração contínua da saúde dos recifes, contribuindo para políticas de conservação mais bem embasadas.

Projetos como esse mostram como a tecnologia, quando bem direcionada, pode ampliar nosso entendimento do oceano sem aumentar a pressão sobre ele. Com conteúdo da Euronews, a iniciativa do ETH Zurich combina robótica, inteligência artificial e métodos modernos de biologia molecular para oferecer uma nova ferramenta na proteção dos ecossistemas marinhos.

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