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  • Black Friday e IA: como tecnologia redefine ofertas, atendimento e segurança

    Black Friday e IA impulsionam personalização, automação e desafios para varejistas em 2025

    A combinação entre Black Friday e IA ganhou destaque ao transformar a maneira como consumidores buscam ofertas e como marcas organizam campanhas. Dados e especialistas apontam que a data deixou de ser um evento pontual para se tornar uma temporada prolongada, exigindo preparação robusta dos canais digitais e estratégias que equilibrem escala e proximidade.

    Segundo Giovanna Dominiquini, diretora de vendas da Infobip, “53% das pessoas já reservam dinheiro para compras”, o que impõe às empresas uma organização antecipada das comunicações. Para ela, os aprendizados recentes mostram que o cliente prioriza conveniência, personalização e segurança, e as marcas que integraram múltiplos canais conseguiram oferecer uma experiência mais consistente.

    IA e canais digitais: personalização em escala

    O estudo da Infobip aponta três pilares das campanhas de destaque: segmentação inteligente, automação sem perda de personalização e estratégias multicanais que valorizem as forças de cada plataforma. Com a chegada de agentes de IA e formatos como RCS, é possível dar escala às interações sem abrir mão do tom e da relevância.

    Varejo e e-commerce lideraram o volume de interações na última temporada, com crescimentos de 42% e 36% respectivamente, segundo o levantamento. O fluxo de troca de mensagens se estendeu por todo o mês de novembro, consolidando a Black Friday como uma temporada prolongada, e reforçando o papel da Black Friday e IA na jornada de compra.

    Giovanna enfatiza a necessidade de integrar canais digitais, automatizar comunicações e explorar tecnologias novas: “Os aprendizados do ano passado mostram que o consumidor busca conveniência, personalização e segurança. As marcas que integraram múltiplos canais conseguiram oferecer uma experiência mais consistente. Para 2025, a recomendação é integrar canais digitais, automatizar comunicações e explorar tecnologias, como RCS e agentes de IA para dar escala sem perder proximidade”, afirma.

    Segurança e confiança: requisitos essenciais

    Apesar dos avanços, os desafios persistem. O e-commerce movimentou R$ 5,22 bilhões na Black Friday de 2024, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mas o Procon-SP registrou mais de duas mil reclamações, sobretudo por atrasos e falhas na entrega. Esse cenário deixa claro que tecnologia sem processos de atendimento eficientes não é suficiente.

    Para especialistas em segurança digital, ganhar a confiança do cliente passa por boas práticas. Vinícius Almeida, Head IA da IPNET by Vivo, reforça que “É crucial manter uma comunicação aberta e oficial por meio de canais de atendimento eficientes e perfis verificados, garantindo que as informações e promoções sejam verdadeiras e que o cliente receba suporte rápido e eficaz”.

    Almeida também destaca o papel da IA como ferramenta para monitorar preços, evitar falsos descontos e oferecer recomendações personalizadas. Ele alerta consumidores a evitar links suspeitos, não concluir compras em redes Wi‑Fi públicas, não salvar dados permanentes do cartão e verificar sempre a URL e o cadeado de segurança. Como resume o especialista, “A conscientização é a melhor ferramenta de segurança”.

    O que esperar em 2025: previsões e oportunidades

    A projeção para 2025 é otimista. A ABComm estima que o e-commerce deve faturar entre R$ 11,6 bilhões e R$ 13,3 bilhões, cerca de 15% acima do ano anterior. Ao mesmo tempo, o Google aponta que 68% dos consumidores podem mudar de loja em busca de um preço melhor, o que reforça a importância de ações rápidas e personalizadas impulsionadas por IA.

    Segundo Giovanna, “Essa deve ser a Black Friday da IA, onde o número de interações com chatbots pode bater recorde. É o momento ideal para transformar dados em ações práticas. Com as ferramentas certas, a data deixa de ser um desafio e se torna uma oportunidade de construir relacionamentos duradouros com os clientes”, conclui.

    Para varejistas, isso significa investir em integração de canais, automação inteligente e atendimento ágil, sem negligenciar segurança e transparência. Para consumidores, significa aproveitar ferramentas que facilitem a busca por ofertas, mantendo cuidados básicos de segurança digital.

    No cruzamento entre Black Friday e IA estão desafios operacionais, exigências de confiança e uma janela de oportunidade para quem souber unir tecnologia, dados e experiência humana em favor do cliente. O próximo ano promete transformar essa combinação em padrão do comércio digital brasileiro.

  • Inteligência Artificial: Alphabet ameaça ecossistema Nvidia-OpenAI, diz analista

    Inteligência Artificial: Alphabet ameaça ecossistema Nvidia-OpenAI, diz analista

    Análise sobre o avanço da Alphabet na Inteligência Artificial

    No campo da Inteligência Artificial, Laura Martin, da Needham, alerta sobre a competição da Alphabet

    O debate sobre liderança em Inteligência Artificial ganhou novo fôlego depois das observações de Laura Martin, analista da Needham. Segundo a especialista, “a Alphabet pode se tornar uma ameaça significativa para o atual ecossistema dominado pela Nvidia e pela OpenAI.” A afirmação reacende a discussão sobre como big techs com amplo ecossistema podem reconfigurar o balanço de poder entre hardware, modelos e aplicações.

    A tese de Martin se apoia em argumentos concretos sobre vantagens competitivas. Conforme o comentário da analista, “A Alphabet possui recursos financeiros e infraestrutura robusta que, aliados à sua vasta base de dados e experiência em processamento e análise de informações, colocam a empresa em posição estratégica para competir com líderes consolidadas.” Essas capacidades combinadas, segundo ela, deixam a Alphabet em posição de disputar espaço tanto no desenvolvimento de modelos quanto na integração desses modelos em produtos massivos.

    Por que a Alphabet pode desafiar Nvidia e OpenAI

    Há três pilares que sustentam a avaliação: capital, dados e alcance de produto. A Alphabet não apenas dispõe de recursos financeiros significativos, como também controla serviços com bilhões de usuários, o que facilita o treinamento e a validação de modelos de Inteligência Artificial em escala real.

    Além disso, a integração vertical entre software e serviços permite à Alphabet testar e difundir inovações com muita rapidez. Em um ecossistema em que a Nvidia domina o fornecimento de chips para treino e a OpenAI se destaca em modelos de linguagem, a Alphabet pode atuar em camadas complementares, reduzindo fricções entre pesquisa, infraestrutura e adoção comercial.

    Impactos para o mercado de IA e investidores

    “Segundo Martin, essa movimentação tem implicações importantes não apenas para as gigantes tecnológicas, mas para todo o mercado de IA.” Esta mudança potencial tende a acelerar a competição, obrigando fornecedores de hardware e criadores de modelos a inovar mais rápido, e ao mesmo tempo, pode reduzir barreiras de entrada para empresas que consigam integrar inteligência artificial a produtos existentes.

    Para investidores, isso significa atenção redobrada à dinâmica entre empresas de chip, provedores de nuvem e desenvolvedores de modelos. “Ainda que a Nvidia e a OpenAI mantenham seu papel fundamental no fornecimento de hardware e na criação de modelos avançados, a entrada vigorosa da Alphabet no campo sugere que os investidores e usuários precisem ficar atentos às mudanças.” A diversificação das apostas pode criar novas oportunidades, mas também maiores riscos de volatilidade, conforme líderes tradicionais enfrentam concorrentes com bolsos profundos e ecossistemas amplos.

    O que observar nos próximos meses

    Nos próximos meses, vale monitorar anúncios de parcerias, lançamentos de modelos proprietários, investimentos em chips customizados e movimentos regulatórios que possam afetar acesso a dados e concorrência. A capacidade da Alphabet de integrar soluções de IA em produtos como busca, anúncios, nuvem e Android será um indicador-chave de sua intenção real de disputar a liderança.

    Também é importante acompanhar respostas da Nvidia e da OpenAI, tanto em termos tecnológicos quanto comerciais. Inovações em eficiência de hardware, novos modelos de linguagem com melhores custos de operação, e acordos comerciais com grandes clientes podem reequilibrar o mercado. Em síntese, “a observação de Laura Martin reflete uma tendência de reestruturação no setor de inteligência artificial, onde a diversificação dos investimentos e a expansão do portfólio de tecnologias podem levar a uma nova dinâmica de poder.”

    O cenário descrito exige acompanhamento contínuo, por parte de profissionais de tecnologia, investidores e reguladores. A disputa entre capital, dados e capacidade de integração definirá, nos próximos anos, quem dominará não apenas a oferta de modelos, mas a forma como a Inteligência Artificial será entregue e consumida em escala global.

  • Papa Leo alerta: riscos do uso excessivo de IA para Gerações Z e Alpha

    Papa Leo alerta: riscos do uso excessivo de IA para Gerações Z e Alpha

    Papa Leo pede equilíbrio entre tecnologia e habilidades humanas diante do uso excessivo de IA

    Em um cenário em que a tecnologia avança rapidamente, o uso excessivo de IA virou preocupação central para educadores, líderes e famílias. Recentemente, Papa Leo fez um pronunciamento dirigido especialmente à Geração Z e à Geração Alpha, alertando para os perigos de delegar tarefas cognitivas fundamentais às máquinas. Em suas palavras, “Não peça para ela fazer sua lição de casa”, uma frase que resume o temor de que a dependência de ferramentas digitais comprometa o desenvolvimento intelectual e profissional dos jovens.

    O alerta de Papa Leo chama atenção para um ponto simples, porém crítico. Quando a inteligência artificial passa a ser usada de forma indiscriminada, ela pode substituir exercícios que antes estimulavam o pensamento crítico, a criatividade e a autonomia. Para gerações em formação, essas atividades são essenciais, tanto para a vida pessoal, quanto para a carreira. O recado é claro, a tecnologia deve ser aliada, e não substituta das habilidades humanas.

    O alerta e suas implicações

    A frase “Não peça para ela fazer sua lição de casa” serve como um lembrete direto sobre a importância do esforço individual no processo de aprendizagem. Segundo o pronunciamento, confiar demais em assistentes de IA pode impedir o desenvolvimento da autoconfiança e da capacidade de resolver problemas de forma independente.

    Essa dependência, quando se torna padrão, tende a gerar efeitos cumulativos. Jovens que rotineiramente recorrem à IA para tarefas escolares ou profissionais podem perder a prática de investigar, comparar fontes e formular hipóteses próprias. Em um mercado de trabalho em transformação, essas competências são cada vez mais valorizadas, e a perda delas pode resultar em menor capacidade de adaptação diante de situações inéditas.

    Impactos no desenvolvimento pessoal e na carreira

    O uso excessivo de IA afeta não apenas o aprendizado técnico, mas também habilidades socioemocionais. Ao terceirizar atividades que exigem reflexão, os jovens podem reduzir oportunidades de desenvolver persistência, criatividade e pensamento crítico. Esses atributos são frequentemente decisivos na resolução de problemas complexos no ambiente profissional.

    Além disso, há o risco de estagnação intelectual. Quando a tecnologia responde imediatamente a todas as dúvidas, diminui-se o incentivo a buscar soluções próprias, testar hipóteses e aprender com erros. Papa Leo ressalta que cultivar o hábito de aprender ativamente ajuda a manter a originalidade e a capacidade de inovar, competências essenciais para navegar em carreiras cuja demanda por conhecimento e reinvenção é constante.

    Como equilibrar uso de IA e habilidades humanas

    O desafio prático é encontrar formas de integrar a IA sem comprometer a formação. Especialistas em educação e tecnologia propõem estratégias que preservem a autonomia dos estudantes, enquanto aproveitam os benefícios da automação. Entre as abordagens, estão práticas que incentivam a verificação crítica de respostas geradas por IA, e tarefas projetadas para exigir explicações do próprio aluno, não apenas a entrega de um resultado.

    Além disso, é importante que pais, professores e gestores adotem diretrizes claras sobre quando e como usar ferramentas de IA. O objetivo é transformar a tecnologia em um suporte para o aprendizado, e não em um atalho. Nessa linha, o fundador da Iglu Online e escritor André Lug contribui para o debate ao compartilhar conteúdos sobre IA, produtividade e empreendedorismo, reforçando a necessidade de educação consciente sobre essas ferramentas.

    O pronunciamento de Papa Leo funciona como um convite à reflexão, especialmente em um contexto onde a automação e a digitalização redesenham o mercado de trabalho e a rotina das pessoas. Equilibrar o uso da tecnologia com o desenvolvimento de capacidades humanas fundamentais garante que a IA seja uma aliada na construção de carreiras sólidas e de um crescimento pessoal consistente.

    Em resumo, o conselho é simples e direto: usar a IA com responsabilidade, preservar atividades que exigem esforço cognitivo e estimular a autonomia intelectual. Só assim as gerações Z e Alpha poderão aproveitar os benefícios da tecnologia sem abrir mão da criatividade e da capacidade de pensar por si mesmas.

  • Melhores configurações do Midjourney para imagens consistentes

    Melhores configurações do Midjourney para imagens consistentes

    Como acertar o ponto ideal nas criações com IA

    Conquistar resultados previsíveis e de alta qualidade em ferramentas de imagem por IA depende mais das escolhas de parâmetros do que de sorte. Neste guia, explicamos, de forma prática e acessível, quais são as Melhores configurações do Midjourney que você deve priorizar para obter imagens consistentes, desde a seleção do modelo até o ajuste do nível criativo e o uso correto dos modos de privacidade.

    Escolha do modelo e versão: base para consistência

    A primeira decisão que impacta fortemente a consistência é o modelo ou a versão do Midjourney que você usa. Cada versão tem características próprias de estilo, fidelidade e interpretação de prompts. Testar versões fixas e manter-se em uma delas ajuda a diminuir variações inesperadas. Ao definir um padrão de trabalho, documente a versão, os parâmetros de qualidade e os prompts base, para que você consiga replicar o mesmo tipo de resultado quando necessário.

    Além disso, pequenas alterações no prompt podem gerar grandes mudanças visuais. Por isso, ao buscar estabilidade, prefira prompts mais descritivos e padronizados. Use referências visuais e termos técnicos quando possível, e registre os prompts que entregam os melhores resultados para o seu projeto.

    Controle de criatividade e parâmetros técnicos

    Entre os ajustes mais relevantes estão o controle de criatividade e parâmetros como chaos, stylize e a resolução. Reduzir o nível de aleatoriedade (por exemplo, um valor de chaos mais baixo) tende a gerar imagens mais previsíveis, enquanto aumentar o stylize provoca resultados mais artísticos e imprevisíveis. Para projetos que exigem consistência visual, mantenha o stylize em valores moderados e defina um padrão de resolução e proporção que atenda à sua necessidade.

    Outro ponto é aproveitar os parâmetros de repetição e sementes (seed) quando disponíveis. A utilização da mesma seed em runs distintos é uma das formas mais eficazes de garantir que variações sutis sejam controladas, permitindo consistência entre versões de um mesmo projeto.

    Modos Público e Furtivo, e boas práticas de fluxo de trabalho

    Entender as diferenças entre modos de uso é essencial para quem busca resultados reproduzíveis. Se o objetivo é colaboração e iteração aberta, o modo Público facilita o compartilhamento e a obtenção de referências. Para trabalhos comerciais ou que exijam sigilo, o modo Furtivo preserva privacidade, mas exige disciplina na documentação interna das configurações. Em qualquer cenário, mantenha um registro organizado das configurações usadas em cada criação.

    No blog original, há um resumo objetivo que reforça esses pontos: “Conclusão Essas melhores configurações do Midjourney podem aprimorar significativamente sua experiência com imagens geradas por IA. Desde escolher o modelo correto, ajustar o nível de liberdade criativa e entender as diferenças entre os modos Público e Furtivo, essas configurações fornecem as ferramentas necessárias para criar uma arte de IA vívida e personalizada. Portanto, comece a experimentar essas configurações hoje mesmo e veja suas visões artísticas ganharem vida com o Midjourney.” Esta conclusão sintetiza a ideia central, e serve como um convite prático para testar e iterar.

    O autor da fonte também recomenda engajamento com a comunidade e inscrição em canais de conteúdo: “Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos”, uma chamada simples, que lembra a importância de acompanhar atualizações e dicas para manter sua prática afinada.

    Aplicando hoje: checklist rápido para consistência

    Para colocar em prática as Melhores configurações do Midjourney, comece definindo uma versão de modelo como padrão, escolha valores conservadores de criatividade, salve e documente seeds e prompts, e mantenha controle sobre resolução e proporção. Teste variações menores e registre os resultados, até chegar a um conjunto de parâmetros que funcione como um template para seus trabalhos futuros.

    Finalmente, a credibilidade do conteúdo original é reforçada pela experiência do autor: André Lug Fundador da Iglu Online e escritor do blog André Lug. Como especialista em Inteligência Artificial e criação de conteúdo, traz conteúdos sobre IA, produtividade e empreendedorismo. Essa referência ajuda a contextualizar as recomendações, ligando teoria e prática em um fluxo aplicável por profissionais e entusiastas.

    Com paciência e sistematização, as Melhores configurações do Midjourney deixam de ser um mistério, e se tornam um conjunto de escolhas repetíveis que ampliam sua eficiência criativa. Experimente, documente e ajuste: a repetição controlada é o caminho para resultados estáveis e de alta qualidade.

  • Robô-peixe Belle ajuda a proteger recifes com IA discreta

    Robô-peixe Belle ajuda a proteger recifes com IA discreta

    Como o robô-peixe Belle, com IA, coleta eDNA e imagens sem perturbar recifes

    Pesquisadores do ETH Zurich desenvolveram um equipamento que promete transformar a forma como estudamos recifes e ecossistemas marinhos. O pequeno robô, batizado de robô-peixe Belle, foi projetado para operar de maneira autônoma, silenciosa e pouco intrusiva, permitindo a coleta de vídeos em alta resolução e amostras de DNA ambiental, o chamado eDNA, sem perturbar a vida submarina.

    Segundo os desenvolvedores, o objetivo é registrar os organismos marinhos no seu estado natural e com o menor impacto possível. Na visão da equipe, obter imagens e amostras sem causar estresse aos animais e sem danificar habitats sensíveis é crucial para avaliar com precisão a saúde dos recifes e para orientar ações de conservação.

    Como funciona o robô-peixe

    Com menos de um metro de comprimento e pesando quase 10 kg fora da água, o robô-peixe Belle é impulsionado por uma nadadeira de silicone que simula o movimento de um peixe real. O mecanismo utiliza duas cavidades nas quais a água é bombeada em ciclos, produzindo propulsão sem hélices, o que evita o refluxo e a perturbação do ambiente.

    Na descrição técnica do projeto, os pesquisadores explicam o funcionamento do sistema de propulsão com as palavras de um dos membros da equipe. Leon Guggenheim, estudante de engenharia mecânica do ETH Zurich, afirmou: “Queremos capturar os ecossistemas da maneira como eles realmente se comportam”.

    O detalhe do movimento foi explicado pelos próprios desenvolvedores. Sobre as cavidades e o movimento da nadadeira, disseram: “Essas cavidades são preenchidas e esvaziadas com água por meio de um sistema de bombeamento, e isso move a nadadeira para frente e para trás, porque você tem uma cavidade de um lado que cria uma pressão excessiva e uma cavidade do outro lado que cria um vácuo. Isso dobra a nadadeira em uma direção”.

    Por que isso importa para a conservação marinha

    Recifes de coral e áreas costeiras vêm sofrendo com pesca excessiva, poluição e alterações climáticas, fatores que impactam a biodiversidade e a resiliência dos ecossistemas. Sistemas tradicionais de coleta de dados, especialmente veículos com hélices, podem agravar o problema, destruindo estruturas frágeis e afugentando peixes.

    Robert Katzschmann, professor assistente de robótica do ETH Zurich, ressaltou esse risco, observando: “Essas áreas são particularmente vulneráveis a sistemas baseados em hélices que simplesmente destruiriam os corais ou assustariam os peixes”. A proposta do robô-peixe Belle é, justamente, oferecer uma alternativa que minimize impactos enquanto aumenta a qualidade das informações obtidas.

    Além das imagens em alta resolução, o robô coleta amostras de eDNA, uma técnica cada vez mais usada para identificar espécies presentes em um local sem a necessidade de captura física. A equipe informa que a missão típica do robô é planejada para durar duas horas, prazo no qual o filtro de eDNA precisa ser substituído e as baterias recarregadas.

    Sobre o processo de recuperação do aparelho e da amostra, os pesquisadores explicaram: “Ele nada até a superfície, nos envia um sinal de GPS e então nós o pegamos novamente”. E acrescentaram: “E a partir daí ele poderia nos enviar dados, mas a ideia é que a missão seja tão longa que a bateria precisa ser substituída de qualquer maneira, assim como o filtro de DNA ambiental precisa ser substituído, então não faz sentido enviar dados se você precisa obter manualmente os dados para o filtro de DNA ambiental de qualquer maneira”.

    Desafios e próximos passos

    Embora o protótipo do robô-peixe Belle demonstre avanços promissores, há desafios a superar antes de uma implantação em larga escala. Limitações de autonomia, resistência a correntes intensas, e a necessidade de processos eficientes para recuperar e processar o eDNA são pontos que a equipe continuará a aperfeiçoar.

    Os pesquisadores planejam integrar melhor os sistemas de navegação autônoma baseados em IA e otimizar a autonomia energética, além de testar o robô em diferentes tipos de ambientes de recife para validar seu desempenho em condições reais. A expectativa é que, com versões aprimoradas, o equipamento auxilie biólogos marinhos na monitoração contínua da saúde dos recifes, contribuindo para políticas de conservação mais bem embasadas.

    Projetos como esse mostram como a tecnologia, quando bem direcionada, pode ampliar nosso entendimento do oceano sem aumentar a pressão sobre ele. Com conteúdo da Euronews, a iniciativa do ETH Zurich combina robótica, inteligência artificial e métodos modernos de biologia molecular para oferecer uma nova ferramenta na proteção dos ecossistemas marinhos.

  • Variscita: IA revela rotas surpreendentes do comércio da pedra verde

    Variscita: IA revela rotas surpreendentes do comércio da pedra verde

    Como a inteligência artificial explicável traçou origens e trajetos da variscita em redes comerciais antigas

    Pesquisadores combinaram métodos arqueológicos tradicionais com técnicas de inteligência artificial explicável para reconstituir as rotas de comércio de uma pedra rara, a variscita, que circulou entre populações pré-históricas. A abordagem permitiu identificar, com maior precisão, onde e como começaram os trajetos de intercâmbio desse mineral verde, oferecendo novos olhares sobre interações sociais e econômicas entre comunidades antigas.

    O que é variscita e por que era valiosa

    A variscita é um mineral de tom verde-azulado apreciado desde a pré-história por sua cor, durabilidade e possibilidade de ser trabalhada em contas e ornamentos. Essas peças arqueológicas aparecem em sítios distantes de suas prováveis jazidas, o que sempre indicou a existência de redes de troca complexas. A análise de peças de variscita permite inferir contatos, mobilidade de grupos humanos e até hierarquias sociais, porque matérias-primas raras tendem a ser associadas a status e rituais.

    Ao mapear as ocorrências e as assinaturas químicas da variscita, arqueólogos conseguem traçar nexo entre ponto de extração e destino final das peças. No estudo recente, a junção de dados geológicos, contextos arqueológicos e modelos de IA trouxe à tona trajetos e origens que antes permaneciam incertos.

    IA explicável e a reconstituição das rotas

    Os pesquisadores aplicaram técnicas de inteligência artificial explicável, um conjunto de métodos que torna os modelos de IA mais transparentes, permitindo entender como as decisões são tomadas. Esse tipo de IA não se limita a fornecer previsões, ele explicita os fatores que levaram a determinada conclusão, o que é essencial para a interpretação científica e para validar hipóteses arqueológicas.

    Daniel Sánchez-Gómez, arqueólogo da Universidade de Lisboa, sintetizou o valor da abordagem ao afirmar: “Não se trata apenas de contas verdes: trata-se de usar a inteligência artificial para contar as histórias humanas da pré-história”. A frase, usada pelos autores do estudo, resume a proposta central, que é transformar dados materiais em narrativas robustas sobre interações humanas.

    Com a ajuda de modelos explicáveis, os pesquisadores identificaram pontos de origem de variscita que antes eram apenas conjectura. A IA combinou padrões químicos das amostras com variáveis espaciais e contextuais, e destacou quais características eram decisivas para ligar um artefato a uma jazida específica. Essas explicações facilitaram a triagem de hipóteses concorrentes e revelaram que algumas rotas comerciais se iniciaram em áreas mais distantes do que se supunha.

    Impactos para a arqueologia e para a compreensão do passado

    A integração entre arqueologia e IA explicável não elimina o trabalho de campo, ela o complementa. O novo método fornece uma ferramenta poderosa para priorizar escavações, reinterpretar coleções antigas e propor modelos de circulação de bens mais refinados. Além disso, o uso de explicabilidade reforça a confiança nos resultados, porque permite aos especialistas verificar e contestar os critérios usados pelo algoritmo.

    Para divulgadores e especialistas em tecnologia, como André Lug, fundador da Iglu Online, a confluência entre IA e narrativas humanas é uma oportunidade para ampliar o alcance do conhecimento científico. A análise da variscita mostra que, ao cruzar dados e exigir transparência dos modelos, é possível recuperar histórias sociais complexas que estavam ocultas sob fragmentos e solos antigos.

    Em termos práticos, os achados reforçam que redes de troca pré-históricas eram dinâmicas e capazes de conectar regiões distantes, levando matérias-primas valiosas como a variscita a comunidades que a transformavam em contas, amuletos e símbolos de identidade. A combinação de técnicas digitais e pesquisa tradicional promete revelar ainda mais sobre como essas trocas moldaram relações humanas ao longo de milênios.

    O avanço sugere, por fim, que futuras pesquisas poderão aplicar a mesma lógica a outros materiais arqueológicos, ampliando nossa compreensão sobre circulação, conectividade e tecnologia antiga. A variscita, assim, deixa de ser apenas uma pedra verde, para se tornar uma chave de leitura sobre as redes de sociabilidade do passado.

  • Inteligência Artificial pode substituir 11,7% dos empregos nos EUA, diz estudo

    Inteligência Artificial pode substituir 11,7% dos empregos nos EUA, diz estudo

    Novo estudo do MIT revela alcance da Inteligência Artificial no mercado de trabalho

    Estudo do MIT destaca impacto imediato da Inteligência Artificial na força de trabalho americana

    Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) reacendeu o debate sobre o ritmo e a escala da automação: segundo a pesquisa, a Inteligência Artificial já alcança capacidade para substituir parcela significativa de empregos nos Estados Unidos.

    Como destacou uma publicação que repercutiu a pesquisa, “Inteligência Artificial já Pode Substituir 11,7% da Força de Trabalho dos EUA”, um dado que circulou amplamente nas redes e em newsletters especializadas. A manchete apareceu acompanhada do nome do autor, André Lug, que é identificado na publicação como autor e fundador da Iglu Online.

    O número de 11,7% não é apenas um índice técnico, ele representa milhões de trabalhadores em funções que, segundo os critérios do estudo, podem ter suas tarefas automatizadas de forma significativa por ferramentas de Inteligência Artificial. Especialistas interpretam o resultado como um alerta para empresas, trabalhadores e formuladores de políticas públicas.

    Como o estudo chegou aos 11,7%

    O MIT cruzou avaliações de capacidade técnica de modelos de IA com perfis ocupacionais detalhados, analisando quais tarefas, hoje realizadas por humanos, podem ser automatizadas. A metodologia combina testes de desempenho em tarefas específicas, com métricas de substituição de trabalho humano por sistemas de aprendizado de máquina.

    Embora estudos anteriores já apontassem para a automação de rotinas repetitivas, a novidade é que modelos de linguagem e sistemas generativos ampliaram o alcance para atividades que exigem escrita, análise de dados e atendimento, entre outras. O resultado foi consolidado na estimativa de que a Inteligência Artificial pode, hoje, substituir 11,7% da força de trabalho dos EUA.

    Setores mais expostos e efeitos esperados

    Setores como atendimento ao cliente, produção de conteúdo, suporte administrativo, análise básica de dados e certas funções de vendas aparecem como os mais vulneráveis. A adoção de Inteligência Artificial tende a acelerar a automação desses postos, reduzindo a necessidade de mão de obra em tarefas padronizadas.

    Por outro lado, a pesquisa também sugere que a Inteligência Artificial cria demanda por novas competências. Profissões que exigem criatividade complexa, supervisão humana, pensamento crítico e empatia permanecem menos suscetíveis à substituição imediata. A combinação entre perda de postos automatizáveis e criação de funções novas ou transformadas compõe o cenário que empresas e trabalhadores precisarão administrar.

    Implicações para o Brasil e caminhos de adaptação

    Embora a pesquisa seja focada nos Estados Unidos, os impactos já chegam ao Brasil através de cadeias globais de trabalho e adoção tecnológica acelerada. Empresas brasileiras que importam soluções ou competem em mercados internacionais podem sentir os efeitos de produtividade e redução de custos, influenciando empregos locais.

    Para mitigar riscos, especialistas recomendam investimentos em requalificação, educação continuada e políticas públicas orientadas à transição profissional. É fundamental priorizar programas que atualizem competências em dados, tecnologia e soft skills, para que trabalhadores possam migrar de funções automatizáveis para atividades de maior valor agregado.

    Em síntese, a mensagem é dupla: a Inteligência Artificial oferece ganhos de eficiência e inovação, mas também impõe desafios de redistribuição de trabalho e necessidade de adaptação. O número-chave, 11,7%, serve como um sinal para que empresas, sindicatos e governos planejem respostas coordenadas.

    Enquanto o debate avança, leitores e tomadores de decisão devem acompanhar estudos como o do MIT com atenção, equilibrando os benefícios da automação com políticas que protejam empregos e promovam transição justa. A questão já não é mais se a Inteligência Artificial vai impactar o trabalho, mas como será gerida essa transformação.

  • Black Friday e IA: como a tecnologia transforma compras e atendimento em 2025

    Como integrar canais, automação e segurança para aproveitar a Black Friday e IA

    A combinação entre Black Friday e IA vem mudando a forma como consumidores e varejistas se preparam para a maior temporada de vendas do ano. Segundo Giovanna Dominiquini, diretora de vendas da Infobip, “Os aprendizados do ano passado mostram que o consumidor busca conveniência, personalização e segurança. As marcas que integraram múltiplos canais conseguiram oferecer uma experiência mais consistente. Para 2025, a recomendação é integrar canais digitais, automatizar comunicações e explorar tecnologias, como RCS e agentes de IA para dar escala sem perder proximidade”.

    Esses apontamentos ganham relevância diante de números que mostram tanto o potencial quanto os riscos da data. 53% das pessoas já reservam dinheiro para compras, o que exige uma preparação robusta dos canais digitais para atender a demanda. Por outro lado, o e-commerce movimentou R$ 5,22 bilhões na Black Friday de 2024, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mas o Procon-SP registrou mais de duas mil reclamações, sobretudo por atrasos e falhas na entrega.

    Preparação multicanal e automação com personalização

    O estudo da Infobip identificado três pilares nas campanhas de destaque: “segmentação inteligente, automação sem perda de personalização e estratégias multicanais”, pilares que se tornaram essenciais para marcas que querem otimizar vendas e reduzir atritos no atendimento.

    Varejo e e-commerce lideraram o volume de interações, com crescimentos de 42% e 36%, e o fluxo de troca de mensagens se estendeu por todo o mês de novembro, consolidando a Black Friday como uma temporada prolongada. A lógica é clara: integrar canais digitais e usar agentes de IA permite dar escala às operações sem perder proximidade com o cliente, um diferencial competitivo em um ambiente onde 68% dos consumidores podem mudar de loja em busca de um preço melhor, segundo o Google.

    Segurança e confiança do consumidor em primeiro lugar

    Com a crescente automação e uso de chatbots, surge a necessidade de reforçar práticas de segurança. Vinícius Almeida, Head IA da IPNET by Vivo, defende um conjunto de cuidados e explica que “É crucial manter uma comunicação aberta e oficial por meio de canais de atendimento eficientes e perfis verificados, garantindo que as informações e promoções sejam verdadeiras e que o cliente receba suporte rápido e eficaz”.

    Além disso, o especialista destaca que a IA atua como um “caçador de ofertas”, capaz de monitorar histórico de preços, evitar falsos descontos e oferecer recomendações muito mais relevantes. Entre as orientações para consumidores, estão evitar links suspeitos, não concluir compras em redes Wi‑Fi públicas, não salvar dados permanentes do cartão e verificar sempre a URL e o cadeado de segurança. Como Vinícius reforça, “A conscientização é a melhor ferramenta de segurança”.

    O que esperar da Black Friday e IA em 2025

    As projeções para 2025 apontam para um cenário otimista, com a ABComm estimando que o e-commerce deve faturar entre R$ 11,6 bilhões e R$ 13,3 bilhões, cerca de 15% acima do ano anterior. Diante disso, a integração entre dados e ações práticas se mostra determinante para transformar a intensa movimentação da Black Friday em relacionamentos duradouros.

    Como resume Giovanna, “Essa deve ser a Black Friday da IA, onde o número de interações com chatbots pode bater recorde. É o momento ideal para transformar dados em ações práticas. Com as ferramentas certas, a data deixa de ser um desafio e se torna uma oportunidade de construir relacionamentos duradouros com os clientes”.

    Para marcas, o desafio é equilibrar tecnologia e experiência humana, automatizar sem perder personalização e, acima de tudo, garantir entregas e suporte eficientes para reduzir reclamações. Para consumidores, a chave é combinar atenção a boas práticas de segurança com o aproveitamento de ofertas reais.

    No fim, Black Friday e IA prometem ampliar alcance e eficiência, desde que companhias invistam em canais integrados, automação responsável e medidas de segurança que restituam confiança ao cliente.

  • Nvidia fabrica chips de IA nos EUA: produção no Arizona e investimento bilionário

    Nvidia fabrica chips de IA nos EUA: produção no Arizona e investimento bilionário

    Produção de chips de IA da Nvidia estreia em solo americano

    Nvidia fabrica chips de IA nos EUA pela primeira vez, com fábricas no Arizona e Texas

    A novidade confirma uma mudança significativa na cadeia global de tecnologia, e traz a promessa de acelerar a capacidade industrial dos Estados Unidos no mercado de inteligência artificial. Segundo o relatório divulgado, A gigante da tecnologia anunciou nesta segunda-feira que, pela primeira vez, produzirá seus supercomputadores de inteligência artificial em solo americano. (The Washington Post)

    O anúncio e o projeto industrial

    Na prática, a decisão da Nvidia prevê ampliar suas operações além do design e da venda, entrando na produção física de seus processadores avançados. Em comunicado reproduzido pela reportagem, A empresa comissionou mais de um milhão de pés quadrados de espaço de fabricação para construir e testar seus chips especializados, conhecidos como Blackwell, no estado do Arizona, além de desenvolver supercomputadores de IA no Texas. (The Washington Post)

    O movimento coloca em evidência a intenção da companhia de reduzir dependências externas e de consolidar um núcleo de desenvolvimento e manufatura no interior dos EUA. A estratégia também serve como resposta às pressões geopolíticas e às demandas crescentes por chips que alimentam servidores e aplicações de grande escala em inteligência artificial.

    Investimento e metas financeiras

    A expansão tem um tamanho ambicioso. Conforme a cobertura, A decisão faz parte de um investimento que visa estabelecer uma infraestrutura de IA avaliada em até meio trilhão de dólares nos próximos quatro anos. (The Washington Post) Esse dado ilustra a magnitude do plano, que envolve tanto espaço físico para produção, quanto centros de testes e a construção de supercomputadores locais.

    Especialistas ouvidos por analistas do setor interpretam o montante como um esforço para acelerar inovação e competir com rivais que já investem em capacidade de fabricação. Para o mercado, um aporte dessa ordem tende a estimular fornecedores locais, criação de empregos qualificados e fortalecimento de ecossistemas regionais de tecnologia.

    O que será produzido e por que importa

    Os chips citados, conhecidos como Blackwell, são projetados para tarefas intensivas de inteligência artificial, incluindo treino e inferência de grandes modelos. Produzir esses processadores no Arizona significa encurtar prazos, aumentar a segurança da cadeia de suprimentos e permitir ajustes mais rápidos entre projeto e produção.

    Ao afirmar que Nvidia fabrica chips de IA nos EUA, o anúncio também busca sinalizar compromisso com políticas industriais locais, atraindo investimentos em infraestrutura e mão de obra especializada no Texas e no Arizona. A presença física de linhas de teste e montagem deve facilitar parcerias com universidades e centros de pesquisa, além de criar sinergias com fornecedores de componentes e refrigeração.

    Impactos econômicos e geopolíticos

    O movimento da Nvidia chega num contexto de competição global por liderança em inteligência artificial. Países e empresas buscam diminuir exposição a riscos externos, e a produção doméstica de chips é vista como um passo estratégico. A notícia pode gerar efeitos multiplicadores, com oferta de empregos, contratos locais e atração de fornecedores para as proximidades das plantas.

    Além do efeito econômico direto, há implicações geopolíticas. Fortalecer a produção de semicondutores nos EUA tem sido uma prioridade em diversos fóruns, e o anúncio da Nvidia se encaixa nessa agenda. Ao combinar design, manufatura e centros de supercomputação, a empresa amplia sua resiliência frente a tensões comerciais e problemas logísticos internacionais.

    Em síntese, a confirmação de que Nvidia fabrica chips de IA nos EUA marca uma virada operacional e estratégica. Com destaque para o espaço superior a um milhão de pés quadrados no Arizona e a intenção de investir até meio trilhão de dólares nos próximos quatro anos, a iniciativa reforça a centralidade dos EUA na corrida por infraestrutura de IA, e aponta para desdobramentos relevantes no mercado de tecnologia, na economia regional e nas relações industriais globais.

    Reportagem e dados citados por: The Washington Post.

  • Confiabilidade da IA em seis etapas: como avaliar modelos e respostas

    Confiabilidade da IA em seis etapas: como avaliar modelos e respostas

    Pesquisadores propõem seis dimensões para medir a confiabilidade da IA em humanos, instituições e máquinas

    Um novo estudo das universidades Ruhr de Bochum e Técnica de Dortmund traz um caminho prático para entender a confiabilidade da IA. Assinado por Carina Newen, Emmanuel Müller e Albert Newen e publicado na revista Topoi, o trabalho propõe um modelo com seis dimensões de confiabilidade aplicáveis a pessoas, instituições, máquinas e sistemas de inteligência artificial.

    Os autores partem do problema hoje mais evidente: modelos de linguagem conseguem responder quase qualquer pergunta, mas frequentemente o fazem de maneira imprecisa. Para enfrentar isso, a proposta tenta oferecer critérios que ajudem usuários, desenvolvedores e reguladores a avaliar quando e em que grau um sistema deve ser considerado confiável.

    Por que a confiabilidade da IA é um problema real

    Do ponto de vista técnico, a falta de transparência é apontada como um dos maiores entraves. Como disse Emmanuel Müller, “o deep learning faz coisas impressionantes, mas seus processos ainda são uma caixa-preta”. Essa opacidade dificulta entender por que um modelo toma determinada decisão, e alimenta riscos de confiança excessiva por parte dos usuários.

    Além disso, Carina Newen destaca que “vieses presentes em dados de treinamento são facilmente reproduzidos”. Quando um modelo replica preconceitos ou erros presentes nos dados, sua utilidade prática e ética fica comprometida, reduzindo a confiabilidade da IA em contextos sensíveis.

    Na perspectiva filosófica, Albert Newen chama a atenção para respostas que parecem corretas, mas podem ser enganosas. Em suas palavras, “sistemas como o ChatGPT podem gerar respostas convincentes, mas imprecisas, reforçando a necessidade de uso crítico”. Para o autor, estabelecer vínculos de confiança com chatbots pode ser perigoso, porque esses sistemas não têm obrigações reais com o usuário.

    O que engloba o modelo de seis dimensões

    O estudo não apenas coloca o problema, ele organiza critérios. As seis dimensões servem como um mapa conceitual para avaliar aspectos como transparência, precisão, robustez, justiça diante de vieses, responsabilidade institucional e sensibilidade ao contexto de uso.

    Ao distribuir essas dimensões entre agentes humanos, organizações e máquinas, a abordagem permite comparar formas diferentes de confiabilidade e torna a avaliação menos ad hoc. Em vez de perguntar apenas se um sistema “funciona”, o modelo ajuda a identificar em que situações específicas aquela confiança é justificada, e onde é preciso cautela.

    Como aplicar o método na prática

    Para usuários e desenvolvedores, a proposta funciona como uma check-list reflexiva. Primeiro, avaliar a transparência — há explicações sobre como o sistema gera respostas? Depois, checar a precisão e a robustez a entradas inesperadas. Também é essencial investigar a presença de vieses nos dados e nas saídas, e se existem mecanismos institucionais de responsabilização.

    O modelo ainda orienta sobre o papel do contexto: uma aplicação clínica exige padrões de confiabilidade muito diferentes de um assistente de escrita. Por fim, a análise propõe que confiança não é uma característica binária, mas um gradiente que depende de múltiplos fatores.

    Além do aspecto técnico, o estudo lembra que comunicação clara com o público é fundamental. Leandro Criscuolo e Layse Ventura, jornalistas que cobrem tecnologia, ressaltam a necessidade de explicar riscos e limites das ferramentas, para evitar tanto o pânico quanto a aceitação acrítica.

    Em suma, a proposta dos pesquisadores da Ruhr de Bochum e da Técnica de Dortmund oferece um quadro teoricamente sólido e aplicado para medir a confiabilidade da IA. A adoção de critérios claros pode reduzir erros, mitigar vieses e orientar políticas públicas, enquanto o uso crítico por parte dos usuários contribui para um ecossistema de IA mais seguro e transparente.

    O estudo na Topoi representa, assim, um passo importante na construção de referências que permitam saber quando e como confiar em sistemas cada vez mais presentes no cotidiano.