OpenAI, Google e Microsoft negociam o futuro do jornalismo na era da IA generativa: acordos, direitos autorais e pagamentos milionários

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Negociações em curso sobre o jornalismo na era da IA generativa

As maiores empresas de tecnologia estão em conversas com grandes editoras para decidir como conteúdo jornalístico será usado no treinamento de modelos e nos chatbots. News Corp, Axel Springer, The New York Times e The Guardian, por exemplo, teriam conversado com pelo menos uma das principais empresas de IA, segundo as fontes envolvidas nas negociações.

As conversas ainda estão em estágio inicial, mas as empresas mostram disposição em pagar valores significativos e em estabelecer relações de longo prazo com editoras. As estimativas atuais para o uso de conteúdo jornalístico compatível com os direitos autorais no treinamento de IA variam de US$ 5 milhões a US$ 20 milhões por ano, diz relatório que acompanha as negociações.

Modelos propostos e o debate sobre transparência

Executivos de editoras, como o CEO da Axel Springer, Mathias Döpfner, estão propondo modelos inspirados em serviços de streaming, em que a remuneração seria proporcional ao uso, mas isso exige que as empresas de IA informem quais conteúdos foram efetivamente usados no treinamento. A proposta de Döpfner busca evitar que provedores menores e regionais fiquem em desvantagem, e ele defende uma solução colaborativa para toda a indústria.

Se não houver incentivo para criar propriedade intelectual, não haverá nada a ser rastreado. E a inteligência artificial se tornará uma estupidez artificial, disse Döpfner, ressaltando o risco de desvalorização do trabalho jornalístico se não houver remuneração e transparência.

No caso da OpenAI, a empresa não divulga os dados de treinamento do GPT-4, citando o ambiente competitivo. A OpenAI, por exemplo, não divulga os dados de treinamento para o GPT-4, citando o ambiente competitivo, uma posição que complica modelos que dependem de auditoria sobre o que foi aprendido pela IA.

Riscos para o ecossistema de notícias e preocupações sobre atribuição

Além do uso em treinamento, há outra frente de preocupação: chatbots conectados à internet que acessam conteúdos jornalísticos em tempo real e os resumem para usuários. Esse uso pode minar os modelos de receita das editoras, porque o leitor não é direcionado ao site original, e em muitos casos a fonte nem é citada corretamente.

O problema é duplo. Primeiro, o conteúdo jornalístico entra nos dados de treinamento sem que o criador receba compensação. Segundo, os chatbots podem fornecer resumos ou respostas curtas que substituem a visita ao site, reduzindo tráfego e receita publicitária. Em alguns casos, podcasts e vídeos também podem ser transformados em trechos resumidos, ampliando o impacto além do texto. Essa dinâmica coloca em risco a identidade de marcas jornalísticas e a sustentabilidade financeira das redações.

O Google, por sua vez, afirmou que já treinou modelos usando conteúdos disponíveis publicamente e confirmou que está em negociações com editoras no Reino Unido, Estados Unidos e na Europa. Em discussões com The Guardian e NewsUK, o Google teria apresentado um modelo de licenciamento. Uma alternativa mencionada por algumas empresas é dar às editoras mais controle, por exemplo oferecendo uma opção de exclusão voluntária do uso de seu conteúdo.

O que as editoras pedem e os próximos passos

Editoras procuram não apenas remuneração imediata, mas também mecanismos que garantam retorno de tráfego e reconhecimento de marca. O CEO da OpenAI, Sam Altman, teria conversado com a News Corp e o The New York Times, segundo relatos, e a OpenAI disse que aguarda sugestões sobre como direcionar o tráfego de volta para suas fontes e contribuir para a saúde do ecossistema.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, teria conversado com a News Corp e o The New York Times, o que indica que a discussão envolve desde acordos financeiros até estratégias para preservar a visibilidade das fontes jornalísticas.

As opções sobre a mesa hoje variam entre assinaturas anuais, modelos de pagamento por uso, mecanismos de transparência sobre dados de treinamento e controles de exclusão voluntária. No entanto, especialistas do setor alertam que qualquer solução precisa equilibrar inovação tecnológica e sustentabilidade do jornalismo. Sem um modelo que preserve incentivos, a qualidade e a diversidade do conteúdo jornalístico podem ser prejudicadas.

Enquanto as negociações avançam, o tema do jornalismo na era da IA generativa permanece no centro do debate sobre direitos autorais, transparência e o futuro das receitas editoriais. As decisões tomadas agora terão impacto direto sobre como empresas de tecnologia e imprensa coabitam e se beneficiam mutuamente nas próximas décadas.

Reportagem baseada em informações de conversas entre grandes editoras e empresas de tecnologia, e em relatos públicos sobre as negociações.

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