Funcionário demitido denuncia robôs humanoides da Figure AI que podem ‘fraturar crânios’

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Engenheiro alega que robôs humanoides representam risco à segurança pública

Um engenheiro que trabalhava como engenheiro-chefe de segurança robótica na Figure AI abriu uma ação judicial depois de alegar que os robôs humanoides desenvolvidos pela empresa são perigosos e capazes de “fraturar crânios”. Segundo os documentos do processo, o alerta de segurança foi enviado aos executivos da companhia em setembro, e a demissão do funcionário motivou o protocolo legal aberto “nesta última sexta-feira (21)”.

O autor da ação, identificado como Robert Gruendel, afirma que comunicou suas preocupações diretamente ao CEO da empresa, Brett Adcock, e ao engenheiro-chefe, Kyle Edelberg. Gruendel busca, na justiça federal do Distrito Norte da Califórnia, compensações econômicas e deseja que a conduta da empresa seja julgada por um júri, conforme consta no auto do processo.

O alerta e os detalhes técnicos citados no processo

No relato apresentado por Gruendel, há exemplos concretos que, segundo ele, demonstram a força e o potencial perigo dos robôs humanoides. O engenheiro afirma que, durante um mau funcionamento, um dos humanoides provocou um “corte de 1/4 polegadas na porta de aço de uma geladeira”. Essa ocorrência, segundo o processo, foi usada para ilustrar a força desproporcional do robô em situações fora dos parâmetros esperados.

Além do incidente mecânico, Gruendel sugere que medidas de segurança previstas pela empresa foram abandonadas após o encerramento de aportes financeiros, enquanto, no período anterior, havia um plano de ação voltado para a mitigação de riscos. A alegação de que planos de segurança teriam sido “descartados” aparece como um dos elementos centrais da reclamação, e fundamenta o argumento de que a empresa colocou investidores e o ritmo de desenvolvimento à frente de salvaguardas técnicas.

Resposta da Figure AI e posicionamento jurídico

A Figure AI respondeu, por e-mail à CNBC, contestando as razões da demissão. Segundo a empresa, a saída do funcionário se deu por mau desempenho, e a companhia declarou que as “alegações são falsidades que a Figure desacreditará completamente no tribunal”.

Do lado do autor da ação, o advogado Robert Ottinger ressaltou que a legislação da Califórnia protege funcionários que denunciam práticas inseguras. Ottinger afirmou que seu cliente aguarda com expectativa o julgamento, para que possa expor o “real perigo” que, na visão dele, a corrida por robôs representa ao público. O processo detalha pedidos de compensação e visa, também, responsabilizar a empresa por supostas falhas em protocolos de segurança.

Contexto da Figure AI e o debate sobre segurança em robótica

A Figure AI é conhecida por desenvolver robôs humanoides alimentados por inteligência artificial, projetos que atraíram investimentos relevantes, incluindo apoio financeiro de empresas como Nvidia, Microsoft e de investidores ligados a Jeff Bezos. O financiamento e a visibilidade colocam a companhia no centro do debate sobre como equilibrar inovação e segurança.

O caso aberto por Gruendel coloca em evidência questões mais amplas, entre elas, a governança em startups de robótica, a implementação de políticas de segurança durante fases aceleradas de desenvolvimento, e a responsabilidade das empresas quando produtos com força física significativa atuam fora de parâmetros controlados.

Para especialistas do setor, incidentes durante testes e protótipos são esperados, porém, o que diferencia preocupações aceitáveis das que justificam ações legais é a resposta da empresa aos sinais de risco e a transparência sobre medidas corretivas. O processo iniciado pelo ex-engenheiro da Figure AI deve, portanto, servir como caso de referência sobre como empresas tecnológicas tratam alertas internos e sobre a proteção de quem os levanta.

O desfecho do litígio dependerá do julgamento, e a expectativa é que, se o caso for a júri, a corte examine tanto as evidências técnicas sobre os eventos mencionados, quanto as comunicações internas relacionadas às decisões de segurança. Até lá, o episódio reacende o debate sobre a necessidade de regras mais claras e supervisão na produção e teste de robôs humanoides, sobretudo quando tais máquinas podem exercer força suficiente para causar danos físicos sérios.

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