Escassez de energia no Vale do Silício: como a falta de eletricidade atrasa data centers e impacta a IA

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A demanda por energia para data centers supera a capacidade de entrega, com grandes projetos parados em Santa Clara e em outras regiões dos EUA

Contexto energético no Vale do Silício

No Vale do Silício, a escassez de energia está freando a expansão de grandes data centers e, na prática, atrasando investimentos bilionários em IA. Em Santa Clara, a silicon valley power (SVP) não tem conseguido entregar a demanda energética exigida por esses empreendimentos, deixando instalações já erguidas sem energização suficiente. A Digital Realty, maior fornecedora mundial de chips de IA, tem um prédio de quatro andares e 40 mil m² na cidade, ainda vazio por falta de energia adequada. Já a Stack Infrastructure, adquirida pela Blue Owl Capital, possui uma planta de 48 MW que permanece “às moscas”.

Segundo a Bloomberg, a demanda por energia está sendo pressionada por uma infraestrutra elétrica obsoleta e pela construção lenta de novas linhas de transmissão, além de entraves regulatórios. A outra ponta, a demanda de IA deve mais que dobrar até 2035, ainda que apenas nos EUA, segundo projeções da BloombergNEF.

“A SVP está realizando uma atualização de sistema de US$ 450 milhões [R$ 2,3 bilhões, na conversão direta] para atender às necessidades desses e de outros clientes, e o projeto está atualmente dentro do cronograma para ser concluído em 2028”, afirmou Crystal Delany, vice-presidente de gestão de portfólio de data centers da Digital Realty, em entrevista à Bloomberg. Essa visão de planejamento de longo prazo é fundamental para entender o tamanho do gargalo, que exige que as cidades consolide infraestrutura elétrica antes de liberar grandes cargas.

Casos emblemáticos: Digital Realty, Stack e as dificuldades de energização

Em Santa Clara, a Digital Realty planeja energizar um espaço de 48 MW que já foi construído, mas enfrenta atraso por limitações da SVP. A empresa gasta, em média, US$ 13,3 milhões por MW em centros nos EUA, com o Vale do Silício ainda mais caro, segundo o executivo Jordan Sadler, porta-voz da Digital Realty. Ele acrescenta que a empresa precisa **garantir a energia necessária antes de 2028**.

O prédio da Stack, também em Santa Clara, tem quatro andares e 51,1 mil m², com uma planta de energia de 12 MW de capacidade crítica disponíveis para locação imediata e potencial expansão para 48 MW. A Stack detalhou, em informativo, que a energia seria fornecida por uma subestação dedicada no local. O acordo com a SVP, segundo o comunicado à Bloomberg, “reflete a energia atual e a nova energia que entrará em operação até 2027”, mas não comentou sobre o estado do arrendamento.

Além disso, as dificuldades não se limitam à Califórnia. Em outros estados, a construção de grandes projetos enfrenta prazos de energização mais longos, com a Dominion Energy reportando em 2024 que o tempo para conectar grandes data centers à rede pode variar de 1 a 3 anos, chegando a até 7 anos em alguns casos, na região conhecida como Data Center Alley, no norte da Virgínia.

Impactos para o ecossistema de tecnologia, reguladores e consumidores

Cenários como esse afetam desde investidores até operadoras de nuvem locais que optam por instalar imóveis e energia de alto custo para reduzir a latência. Regiões com maior demanda acabam esperando mais tempo para energização. Segundo o próprio mercado, a alta demanda permite que construtoras já aluguem projetos anos antes de estarem prontos, com 74,3% dos empreendimentos em construção nos EUA já alugados, segundo relatório da CBRE.

Essa lógica de localização próxima a centros populacionais explica por que muitos projetos escolhem o Vale do Silício e o norte da Virgínia, onde a demanda é acentuada. A reportagem aponta que houve atrasos em outros locais grandes, o que reforça a necessidade de ampliar infraestrutura de transmissão, licenciamento e infraestrutura de energia para sustentar o crescimento da IA em larga escala. Em resumo, embora o mercado de data centers viva uma fase de expansão, a capacidade de fornecimento de energia continua sendo o principal obstáculo para que esse crescimento se sustente de forma rápida e previsível.

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