Como Ken DiCross usa IA para acelerar a interoperabilidade de blockchains e por que defende uma IA descentralizada e criptografada

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Fundador da Wire Network mistura uso intensivo de IA com alerta sobre riscos

Ken DiCross, fundador da Wire Network, diz “Eu uso a IA para tudo” e pede proteção de dados com IA descentralizada

Ken DiCross, fundador da Wire Network, descreve um paradoxo prático: embora afirme que “Eu não confio na IA”, ele a integra profundamente em seu dia a dia profissional e pessoal. Em entrevista atualizada em 11/11/2025, DiCross explicou como a IA virou ferramenta central na construção da infraestrutura que conecta blockchains, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de uma IA descentralizada e criptografada para proteger dados dos usuários.

IA na rotina de trabalho: produtividade e vantagem competitiva

DiCross afirma claramente que “Eu uso a IA para tudo que posso; desde ajudar com minha agenda até categorizar e responder e-mails.” Ele detalha que aplica modelos de linguagem para tarefas que variam desde a elaboração de pitch decks para investidores até a análise de white papers de concorrentes. O processo, segundo ele, é direto: pega o conteúdo do white paper, insere no modelo de linguagem, faz uma série de perguntas e em minutos identifica o problema central, muitas vezes a centralização das soluções rivais.

O resultado é uma economia de tempo substancial. DiCross diz que o que levaria “um tempo inimaginável” feito manualmente, passa a ser concluído em cerca de cinco minutos com o auxílio da IA. Esse ganho operacional transforma a forma como ele comunica riscos e vantagens à sua equipe e a potenciais investidores, mantendo a Wire Network competitiva no mercado de interoperabilidade entre blockchains.

Limites e riscos: alucinações, segurança e perfilamento de dados

Apesar do uso intenso, DiCross alerta para falhas cruciais. Ele lembra que “Não. A IA ainda comete ‘alucinações’.” Como exemplo, contou que a IA errou ao resolver um problema matemático simples, exigindo que ele a conduzisse até a resposta correta. Para ele, o risco surge quando desenvolvedores fazem vibe coding, ou seja, confiam no output da IA sem entender plenamente o código, comprometendo a segurança dos sistemas.

DiCross também manifesta preocupação com a coleta e comercialização de dados. Ele afirma que sempre sente desconforto ao usar serviços centralizados, porque sabe que “estão construindo um perfil sobre mim.” Ele exemplifica o perigo: dados de consultas médicas podem ser vendidos e até impactar o valor do seguro de uma pessoa em minutos, cenário que considera distópico. Por isso, reforça que a solução passa por uma IA descentralizada, que proteja a privacidade dos usuários por meio de criptografia.

O futuro que ele imagina: IA descentralizada e de código aberto

Ken DiCross é otimista quanto ao futuro da IA, desde que sua evolução caminhe em direção à descentralização. Ele compara o potencial desse movimento ao papel do Linux no ecossistema de servidores: assim como o sistema livre tornou-se base para inúmeros serviços, uma IA de código aberto poderia se tornar a espinha dorsal da próxima geração de aplicações, sem que grandes corporações controlem dados sensíveis.

Enquanto isso não se consolida, DiCross continua usando IA para tarefas práticas. Recentemente, por exemplo, pediu à IA que categorizasse requisitos de funções e gerasse um contrato-base para contratação de assessores, embaixadores e consultores. Ele conta que esse processo entrega cerca de 80% do trabalho pronto, com a etapa final de revisão a cargo do jurídico. Apresentações também são delegadas quase por completo, já que os modelos, alimentados com dados da Wire, produzem resultados rápidos e precisos.

Na prática, a IA permite que a equipe faça o trabalho de duas ou três pessoas, reduzindo a necessidade de contratar níveis juniores, segundo DiCross. Ainda assim, ele deixa claro que especialistas humanos são imprescindíveis para validar resultados e mitigar falhas. A solução que propõe, em última instância, é uma combinação: uso massivo da IA para ganho de produtividade, aliado ao desenvolvimento de uma IA descentralizada e criptografada que respeite a privacidade e a segurança dos usuários.

Essa visão coloca DiCross entre os líderes de tecnologia que, ao mesmo tempo que aproveitam as vantagens da IA, defendem mudanças estruturais na forma como modelos e dados são controlados. Para ele, a transição para uma inteligência artificial mais aberta e segura será decisiva para evitar riscos à privacidade e garantir confiança a longo prazo.

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