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  • Como equipes de segurança combatem hackers impulsionados por IA

    Como equipes de segurança combatem hackers impulsionados por IA

    A nova fronteira dos ataques cibernéticos: hackers com superpoderes de IA

    A segurança cibernética entrou em uma nova era, onde a inteligência artificial (IA) se tornou uma ferramenta poderosa tanto para atacantes quanto para defensores. Recentemente, o governo mexicano foi alvo de um ataque massivo, com 150GB de dados de contribuintes roubados. O que antes exigiria meses de trabalho para uma equipe qualificada, foi orquestrado por um único indivíduo com o auxílio de um assistente de IA, o Claude Code. Este incidente, que explorou dezenas de vulnerabilidades em dez instituições, demonstra como a IA democratizou a capacidade de realizar grandes roubos de dados.

    Essa nova realidade, onde um único hacker pode executar ataques complexos com a ajuda de assinaturas de IA comerciais e persistência, exige uma mudança de paradigma na defesa. A capacidade de personalizar ataques, automatizar a exploração e a movimentação lateral, e realizar stuffing de credenciais em escala está nas mãos de mais indivíduos. Contudo, essa mesma tecnologia de IA pode conceder poderes semelhantes às equipes de proteção.

    A ascensão dos hackers equipados com IA

    Os atacantes já estão explorando as vantagens da IA há algum tempo. Relatórios indicam um aumento expressivo em ataques habilitados por IA. Segundo o CrowdStrike’s 2026 Global Threat Report, houve um aumento de 89% ano a ano em ataques com IA. O tempo médio entre o acesso inicial e a movimentação lateral agora é de apenas 29 minutos, com casos registrados de breakout em 27 segundos.

    A IA também atrai uma nova geração de cibercriminosos. Tarefas tradicionalmente complexas, como escrever código de exploração ou depurar malware, agora podem ser simplificadas com simples comandos de IA. Um único ator malicioso pode gerar um conjunto completo de ferramentas com a assistência de uma IA. Isso reduz drasticamente a barreira de entrada técnica, permitindo que criminosos com menos conhecimento realizem feitos impressionantes.

    O caso do governo mexicano e a queda no nível de habilidade

    O ataque ao governo mexicano exemplifica essa tendência. Embora o hacker possuísse conhecimento para obter acesso inicial e contornar proteções, grande parte do trabalho complexo foi executado pela IA. Evidências, como o registro da conversa deixado em local público, sugeriram que a campanha foi parcialmente oportunista, com a IA guiando as ações subsequentes.

    A campanha FortiGate: IA em ação com baixas habilidades técnicas

    Um outro exemplo notório foi a campanha FortiGate, documentada em fevereiro de 2026. Um atacante com habilidades técnicas relativamente baixas comprometeu mais de 600 firewalls FortiGate em 55 países em cinco semanas. O acesso inicial foi obtido através de varredura de portas de gerenciamento expostas e o uso de credenciais comumente reutilizadas. Uma vez dentro, a IA assumiu o controle, criando planos de ataque, desenvolvendo ferramentas e, em alguns casos, executando ações ofensivas sem aprovação explícita do atacante.

    Nesses cenários, a IA mascarou a falta de habilidade técnica, fazendo com que o atacante parecesse mais competente. À medida que a IA se torna mais sofisticada, os atacantes precisam de menos conhecimento técnico para infligir danos significativos.

    A defesa precisa de seu próprio upgrade: IA contra IA

    Diante desse cenário, as equipes de defesa não podem mais depender das ferramentas e sistemas tradicionais. A IA demonstrou a capacidade de identificar e explorar cadeias complexas de vulnerabilidades em alta velocidade, tornando-as viáveis em larga escala. A mesma IA que auxilia atacantes na criação de exploits e no mapeamento de rotas de movimentação lateral pode e deve ser utilizada em benefício dos defensores.

    Limitações das defesas tradicionais

    A detecção baseada em assinaturas é ineficaz contra scripts gerados dinamicamente que nunca existiram antes. Análises estáticas de segurança (SAST) podem identificar padrões conhecidos, mas não conseguem prever cadeias de vulnerabilidade criadas em tempo real por uma IA.

    O poder da IA para os defensores

    A única maneira de identificar proativamente essas novas rotas de ataque, especialmente aquelas que até mesmo pentesters humanos não conceberiam, é empregar IA para testar as aplicações. A IA capacita os defensores com habilidades que antes eram inatingíveis. Um único engenheiro de segurança pode agora executar testes com uma velocidade, profundidade e cobertura que superam equipes de red teaming completas.

    Testes de penetração contínuos com IA permitem que todas as partes de uma aplicação sejam testadas em cada deploy. Agentes de IA podem explorar centenas de caminhos de ataque em paralelo, fornecendo feedback em tempo real. Isso permite que as equipes operem em uma escala sem precedentes, reduzindo drasticamente o tempo em que uma aplicação permanece vulnerável.

    Prontos para a batalha: equipando a defesa com IA

    Os recentes ataques destacam a necessidade urgente de as equipes de segurança adotarem suas próprias ferramentas de IA. Assim como Tony Stark utilizou o traje do Homem de Ferro e a inteligência de JARVIS para combater ameaças, os defensores precisam de um “traje de superpoder” para enfrentar hackers igualmente equipados.

    A solução proposta, como a Aikido Infinite, atua como esse traje de superpoder para equipes de segurança. O pentest contínuo com IA funciona como uma equipe dedicada de hackers de elite, testando incessantemente uma aplicação. Isso libera os profissionais de segurança de tarefas de triagem repetitivas para que possam focar em desafios mais estratégicos.

    Os atacantes já possuem suas “armas” aprimoradas por IA. Agora, é o momento dos defensores se equiparem com suas próprias contrapartes para garantir a segurança no cenário cibernético em constante evolução.

  • TSE aprimora regras para uso de inteligência artificial nas eleições de 2026

    TSE aprimora regras para uso de inteligência artificial nas eleições de 2026

    TSE atualiza regras para propaganda eleitoral e combate à desinformação

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma atualização significativa na Resolução nº 23.610/2019, definindo as diretrizes para a propaganda eleitoral e outras práticas de campanha nas eleições brasileiras de 2026. As novas regras estabelecem normas claras sobre o uso de inteligência artificial (IA) no processo eleitoral, com o objetivo de aumentar a transparência e a integridade do debate público no ambiente digital. A Conectas Direitos Humanos teve papel ativo no processo, apresentando contribuições que foram incorporadas à regulamentação.

    Entre os pontos centrais da atualização, destaca-se a determinação para que plataformas de impulsionamento de conteúdo político-eleitoral ofereçam um campo obrigatório para que anunciantes declarem o uso de conteúdo gerado por inteligência artificial. Essa medida visa garantir a aplicação das regras de transparência já existentes para conteúdos manipulados ou sintéticos, facilitando o cumprimento e a fiscalização.

    Incorporação de propostas da Conectas e vedação de práticas preocupantes

    A Conectas Direitos Humanos contribuiu com sugestões por meio da Sala de Articulação contra Desinformação (SAD) e participação em audiências públicas. Três propostas específicas apresentadas pela organização foram diretamente incluídas na nova regulamentação:

    • Transparência no uso de IA: A exigência de declaração sobre o uso de IA no impulsionamento de conteúdo é vista como um passo importante para a rastreabilidade e combate à manipulação. A Conectas argumenta que isso reduz o descumprimento de regras por falhas de usabilidade e estabelece um padrão operacional verificável.
    • Vedação de “campeonatos de cortes”: A resolução proíbe a promoção ou o financiamento de concursos, torneios e desafios que incentivem a criação ou edição de conteúdos eleitorais para amplificar artificialmente o alcance. Essas práticas, muitas vezes disfarçadas de dinâmicas “gamificadas”, dificultavam a fiscalização do regime de propaganda paga.
    • Supressão de dispositivo problemático: Foi excluído um artigo da minuta original que poderia permitir o impulsionamento de conteúdos sensíveis, abrindo margem para vantagens indevidas e comprometendo a isonomia entre candidaturas, especialmente durante a pré-campanha.

    Fortalecimento do cumprimento de obrigações das plataformas

    Além das medidas específicas relacionadas à IA e à desinformação, a Resolução aprimorada também incorpora mecanismos para fortalecer o cumprimento de obrigações por parte das empresas de plataformas digitais. Embora o formato final de algumas dessas medidas tenha divergido da proposta inicial da Conectas, a organização avalia que o modelo de plano de conformidade aprovado pela TSE segue a lógica defendida em suas contribuições.

    A participação da sociedade civil, como a da Conectas e da rede SAD, foi fundamental para a atualização das normas. A rede SAD, que reúne organizações dedicadas ao enfrentamento da desinformação, apresentou contribuições a 14 dispositivos da minuta, vendo seis de suas 28 propostas serem incorporadas ao texto final, reforçando a preocupação com a manipulação da informação e a necessidade de medidas mais robustas.

  • Oracle planeja cortes de pessoal com avanço de ferramentas de IA na eficiência

    Oracle planeja cortes de pessoal com avanço de ferramentas de IA na eficiência

    A Oracle está se preparando para reduzir seu quadro de funcionários à medida que ferramentas de inteligência artificial (IA) impulsionam a eficiência na codificação. A medida surge em meio ao contínuo investimento da empresa em infraestrutura de data centers baseada em IA.

    Executivos da companhia destacam que as ferramentas de desenvolvimento assistidas por IA permitem que equipes menores de engenharia entreguem aplicações com maior rapidez. Ao automatizar tarefas rotineiras de codificação, essas tecnologias possibilitam à Oracle manter sua produção enquanto diminui o número de colaboradores em certas áreas.

    Cortando custos e investindo em IA

    Essa otimização gerou especulações de que milhares de postos de trabalho podem ser afetados, embora números exatos não tenham sido confirmados. Os cortes parecem fazer parte de uma estratégia mais ampla para gerenciar os custos crescentes associados aos ambiciosos planos de infraestrutura de IA da Oracle.

    A empresa está investindo significativamente em data centers capazes de suportar cargas de trabalho de IA generativa, posicionando-se para atender à crescente demanda por serviços corporativos de IA. Relatórios indicam que os requisitos de financiamento para esses projetos podem atingir dezenas de bilhões de dólares.

    IA como motor de produtividade

    A liderança da Oracle tem buscado tranquilizar investidores, enfatizando que a IA está impulsionando ganhos de produtividade, e não sinalizando um declínio nos negócios. A companhia acredita que suas ofertas de software empresarial e nuvem estão bem posicionadas para se beneficiar da integração de IA.

    A empresa também considera que os temores sobre uma disrupção generalizada no setor de software como serviço (SaaS) são exagerados. A estratégia da Oracle sugere um movimento para otimizar operações e focar recursos em áreas de alto crescimento impulsionadas pela tecnologia.

  • Diretores espirituais refletem sobre inteligência artificial em encontro nacional da OSIB

    Diretores espirituais refletem sobre inteligência artificial em encontro nacional da OSIB

    Diretores espirituais refletem sobre inteligência artificial em encontro nacional da OSIB

    De 9 a 12 de março de 2026, Belo Horizonte (MG) sediou o Encontro Nacional de Atualização para Diretores Espirituais, um evento promovido pela Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB). O encontro reuniu 65 formadores de diversas regiões do país para debater os desafios da direção espiritual na era das transformações tecnológicas e culturais.

    O principal foco das discussões foi o impacto da inteligência artificial na formação e no acompanhamento espiritual dos futuros clérigos. Segundo o presidente da OSIB, padre Vagner João Pacheco de Moraes, o evento foi crucial para aprofundar conceitos e compreender o cenário contemporâneo.

    “Foram dias significativos para conhecer conceitos e aprofundar temas que certamente serão trabalhados depois em nossas casas de formação e comunidades formativas”, destacou padre Vagner.

    A relevância do encontro foi amplificada pela participação de representantes de 17 regionais da CNBB. Entre os presentes, diretores espirituais, orientadores espirituais e uma religiosa dedicada ao acompanhamento de seminaristas, demonstrando a amplitude do debate.

    Contribuições especializadas para a reflexão

    A programação contou com assessorias de especialistas, incluindo o padre Danilo Pinto, secretário-executivo do INAPAZ, e o professor Everthon Oliveira, de Belo Horizonte. Suas contribuições foram fundamentais para que os participantes pudessem compreender as mudanças antropológicas decorrentes do uso intensivo das tecnologias digitais e das redes sociais.

    “Foi uma oportunidade muito rica para refletir sobre as dificuldades e desafios que surgem a partir dessas transformações culturais e tecnológicas”, afirmou padre Vagner.

    O objetivo primordial do encontro foi fornecer subsídios para que os diretores espirituais possam atuar de maneira mais consciente e pastoral. A meta é oferecer respostas adequadas às novas realidades vivenciadas pelas gerações que crescem imersas na cultura digital e na crescente influência da inteligência artificial.

  • Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    A inteligência artificial (IA) generativa está avançando a passos largos na criação de vídeos, produzindo conteúdos cada vez mais realistas que desafiam a distinção com a realidade. Essa evolução traz tanto avanços tecnológicos quanto preocupações significativas sobre a disseminação de informações falsas.

    Conforme avalia o professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos da USP, o processo de criação de vídeos por IA tem passado por um refinamento contínuo. Utilizando técnicas como redes adversárias, a IA aprimora a qualidade de suas produções ao identificar e corrigir falhas, resultando em vídeos que se assemelham impressionantemente ao que vemos no mundo real.

    Como a IA gera vídeos cada vez mais realistas

    O processo de geração de vídeos por IA pode ser iniciado de diversas formas, como a partir de comandos textuais (prompts), imagens ou outros recursos visuais. A IA, treinada em vastos bancos de dados, interpreta as instruções para construir cenas e narrativas visuais.

    As técnicas de deep learning, que utilizam redes neurais artificiais para o aprendizado de máquina, são fundamentais nesse desenvolvimento. Inicialmente, a IA gerava imagens a partir de texto. Atualmente, com o avanço das IAs multimodais, o sistema pode processar e gerar conteúdo combinando texto, imagem e, em alguns casos, áudio, expandindo a capacidade de criar desde imagens estáticas até vídeos dinâmicos.

    A complexidade da geração por texto é notável. Ao receber um prompt como “gere uma imagem de uma pessoa andando em uma rua”, a IA utiliza seu modelo padrão para preencher detalhes genéricos, como a aparência da pessoa, o ambiente, etc. Essa autonomia, embora poderosa, também levanta questões sobre os dados com os quais a IA é alimentada e os possíveis estereótipos que pode perpetuar.

    Os perigos da disseminação de informações falsas

    O professor Fernando Osório destaca que a disseminação de informações falsas é um dos danos mais emergentes da utilização irrestrita da IA. A capacidade de criar vídeos extremamente convincentes torna a detecção de fakes um desafio crescente.

    Antigamente, erros grosseiros, como o número incorreto de dedos ou representações fisicamente impossíveis, facilitavam a identificação de vídeos gerados por IA. Contudo, em um período de um a três anos, a evolução foi tão significativa que esses erros se tornaram raros. Hoje, os fakes são muito mais precisos, enganando até mesmo pessoas cientes da sua origem artificial.

    Osório relata que, em alguns casos, pessoas que sabem que um vídeo é falso podem desenvolver uma espécie de “memória de vida” de momentos que nunca existiram, tamanha a força e a precisão desse tipo de conteúdo. A dificuldade em distinguir o real do artificial é um ponto crítico.

    Como mitigar os riscos

    A utilização consciente e segura desse recurso passa pela implementação de limitações e ferramentas de controle. A IA já possui a capacidade de verificar a qualidade do que está sendo criado e de identificar elementos que não deveriam estar presentes.

    O professor Osório menciona a possibilidade de uso de filtros para bloquear a geração de conteúdo ilegal ou prejudicial, como representações de pessoas famosas de forma indevida, conteúdo sexual explícito, ou instruções para a fabricação de artefatos perigosos. No entanto, ele aponta que a decisão de disponibilizar e implementar esses filtros depende das grandes empresas de tecnologia (Big Techs).

    A motivação das Big Techs em ganhar dinheiro com a ferramenta, mesmo que envolva a venda de ilegalidade, pode ser um obstáculo para a filtragem eficaz. Algumas ações podem ser apenas performáticas, sem o real compromisso de impedir a disseminação de desinformação.

    Ferramentas de identificação de conteúdo gerado por IA

    Apesar dos desafios, existem ferramentas para auxiliar na identificação de conteúdos gerados por IA. Para textos, há sistemas que detectam se um material acadêmico foi criado por máquina, embora existam técnicas para disfarçar essa origem.

    No campo audiovisual, a identificação pode ser mais complexa. Uma abordagem promissora é a marca d’água, que pode ser visível ou invisível. As marcas d’água invisíveis são codificadas de forma a serem imperceptíveis ao olho humano, mas detectáveis por máquinas. Essa assinatura digital é uma forma ideal de rastrear a origem do conteúdo gerado por computador, permitindo sua identificação.

    A evolução da inteligência artificial na criação de vídeos reais é inegável e abre um leque de possibilidades, mas exige um olhar crítico e o desenvolvimento contínuo de mecanismos de segurança e ética para que seus benefícios superem os riscos.

  • Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: Uma Nova Fronteira na Exploração Digital

    A inteligência artificial (IA) avança em ritmo acelerado, trazendo inovações que transformam diversos setores. Contudo, essa mesma tecnologia tem sido a ferramenta de criminosos para criar deepfakes, conteúdo sintético que simula a aparência e voz de pessoas reais. Uma das aplicações mais alarmantes dessa prática é a exploração de indivíduos com deficiência em esquemas financeiros, utilizando roubo de identidade e discriminação digital.

    Este artigo explora como deepfakes, em especial aqueles que simulam a síndrome de Down, se tornaram um nicho lucrativo para atividades ilícitas. Entender o funcionamento, a monetização e os impactos dessas manipulações é crucial para proteger as vítimas e a comunidade com deficiência.

    Como funcionam os deepfakes com síndrome de Down

    Os deepfakes que simulam síndrome de Down representam uma forma particularmente perturbadora de exploração. O processo envolve a apropriação não autorizada de imagens de mulheres, frequentemente retiradas de perfis públicos em redes sociais. A IA, com filtros específicos, altera características faciais para criar a aparência de pessoas com síndrome de Down, aplicando-as sobre corpos de mulheres reais.

    O caso de Alice, uma jovem de 17 anos, exemplifica essa exploração. Sua imagem foi usada sem consentimento em uma conta do Instagram que reuniu 25 mil seguidores. Essas contas falsas seguem um padrão claro: postam mensagens sexualmente sugestivas para gerar engajamento, recebem comentários explícitos e direcionam o tráfego para plataformas de conteúdo adulto pago, explorando a deficiência como um nicho de mercado.

    Segundo a pesquisadora Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge, essa prática “retira dados das mulheres sem o seu consentimento e os usa para capitalizar a deficiência como forma de ganhar dinheiro”. Isso cria uma dupla camada de exploração, afetando tanto as vítimas individuais quanto toda a comunidade com deficiência.

    O esquema de monetização nas redes sociais

    A monetização desses deepfakes maliciosos opera por meio de um sistema sofisticado de redirecionamento entre plataformas. O esquema funciona como um funil de conversão, começando no Instagram e culminando em plataformas de conteúdo adulto pago. O modelo de negócio é coordenado pelos chamados “Geradores de IA do OnlyFans” — profissionais especializados em criar influenciadores artificiais para promover conteúdo adulto.

    Um “gerente” francês, identificado como Dorian, mantinha um canal no YouTube com tutoriais e um canal no Telegram com milhares de assinantes. A estratégia de monetização segue etapas específicas:

    • Criação de engajamento: Contas no Instagram postam conteúdo sugestivo para atrair seguidores.
    • Redirecionamento: Usuários são direcionados para perfis pagos no OnlyFans.
    • Adaptação às políticas: Rostos são cortados ou ocultos no OnlyFans para evitar violação de regras sobre deepfakes.
    • Exploração de nichos: Deficiências são tratadas como “mercados de nicho” lucrativos.

    Dorian explicou em seus tutoriais que a IA permite criar “qualquer nicho sob demanda” e “qualquer personagem instantaneamente”, incluindo pessoas com deficiências, como parte de uma estratégia comercial predatória.

    Impactos na comunidade com deficiência

    Os deepfakes que simulam síndrome de Down causam danos profundos que vão além das vítimas individuais, afetando toda a comunidade. O impacto é psicológico e social, perpetuando estereótipos prejudiciais e objetificando uma condição genética.

    Ativistas e produtores de podcasts com síndrome de Down, como Jeremy e Audrey, expressaram profunda preocupação. “Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa”, declarou Audrey à BBC. “Eu e Jeremy temos síndrome de Down e adoramos isso. Ela é única e eu adoro. É meio que a melhor coisa da minha vida.”

    Os impactos incluem:

    • Fetichização da deficiência: Transformação de uma condição genética em objeto sexual.
    • Representação distorcida: Criação de estereótipos prejudiciais.
    • Apropriação de identidade: Uso não autorizado da imagem da comunidade para lucro.
    • Normalização da exploração: Tratamento da deficiência como “nicho de mercado”.

    “Estão fazendo isso por dinheiro”, lamenta Jeremy. “Por favor, parem com isso.” O sentimento de Audrey de estar “sendo usada” reflete como essa prática afeta a dignidade e autorrepresentação de toda a comunidade, criando uma “rede de exploração”, nas palavras da pesquisadora Eleanor Drage.

    Resposta das plataformas digitais

    As plataformas digitais apresentaram respostas inconsistentes e frequentemente inadequadas ao problema dos deepfakes exploratórios, revelando lacunas em suas políticas de moderação de conteúdo. A resposta inicial do Instagram foi problemática; quando Alice denunciou a conta que usava sua imagem, recebeu uma resposta automática alegando que o usuário não violou as normas, pois os vídeos deepfake não eram explicitamente sexuais, explorando uma brecha nas políticas.

    Após a investigação da BBC, as respostas tornaram-se mais efetivas:

    • YouTube: Cancelou os canais de Dorian por violar políticas de spam, scam e práticas enganosas.
    • Meta (Instagram): Removeu a maioria das contas denunciadas por desrespeito às regras de personificação e promoção de serviços sexuais.
    • OnlyFans: Reafirmou que criadores passam por “profunda verificação de identidade” e não permite conteúdo deste tipo.

    Contudo, a conta que explorava a imagem de Alice só foi removida após a intervenção jornalística, não pelos canais normais de denúncia. Isso evidencia que as ferramentas automatizadas de moderação são insuficientes para detectar formas sofisticadas de exploração que operam nas fronteiras das políticas existentes.

    Como se proteger de deepfakes maliciosos

    A proteção contra deepfakes maliciosos requer vigilância pessoal e conscientização sobre os riscos. O caso de Alice demonstra vulnerabilidades e estratégias de resposta. Para proteção individual:

    • Monitoramento regular: Busque periodicamente por seu nome e imagem em diferentes plataformas.
    • Configurações de privacidade: Limite a visibilidade de fotos e vídeos em perfis públicos.
    • Denúncias persistentes: Não desista após respostas automáticas negativas das plataformas.
    • Documentação: Mantenha registros de contas falsas e tentativas de contato.

    Alice enviou mensagens diretas diversas vezes para a conta falsa, informando ser menor de idade, mas não obteve resposta. A persistência na denúncia formal às plataformas mostrou-se mais efetiva. Para a comunidade, a proteção envolve educação sobre deepfakes, apoio às vítimas e pressão por políticas melhores, exigindo que plataformas aprimorem seus sistemas de detecção.

    A intervenção de veículos de comunicação pode ser mais efetiva que canais tradicionais de denúncia, sugerindo que a exposição pública continua sendo uma ferramenta importante para combater essas práticas exploratórias.

  • Microsoft lança Copilot Health: um espaço dedicado para dados de saúde pessoal e insights com IA

    Microsoft lança Copilot Health: um espaço dedicado para dados de saúde pessoal e insights com IA

    Microsoft lança Copilot Health, um espaço dedicado para dados de saúde pessoal e insights com IA

    A Microsoft anunciou o lançamento do Copilot Health, um novo espaço dentro de seu assistente de IA Copilot. A ferramenta visa unificar e analisar dados de saúde dos usuários provenientes de dispositivos vestíveis, registros eletrônicos de saúde e resultados de exames, oferecendo insights baseados em inteligência artificial.

    Com o Copilot Health, a empresa busca fornecer aos usuários um acesso confiável a informações de saúde, combinando dados pessoais com conhecimento especializado. A iniciativa representa um passo em direção ao que a Microsoft chama de “superinteligência médica”, com o objetivo de oferecer uma compreensão profunda da saúde individualizada.

    Unindo dados e inteligência artificial para a saúde

    O novo recurso permite a combinação de dados como níveis de atividade e padrões de sono de dispositivos como Oura ring ou Fitbit. Além disso, integra informações de mais de 50.000 hospitais e organizações de saúde nos EUA, através da plataforma HealthEx. Essa agregação de dados permite que o Copilot Health acesse fontes verificadas de organizações de saúde credíveis em 50 países.

    Uma das funcionalidades destacadas é a apresentação de cartões de resposta com conteúdo escrito por especialistas da Harvard Health. O serviço também se conecta a diretórios de provedores de saúde em tempo real nos EUA, permitindo que os usuários busquem por clínicos com base em especialidade, localização, idioma e cobertura de seguro.

    Concorrência e compromisso com a privacidade

    O lançamento do Copilot Health coloca a Microsoft em competição direta com outras gigantes da tecnologia no setor de saúde. A OpenAI já havia apresentado o ChatGPT Health em janeiro, e a Anthropic lançou o Claude for Healthcare na mesma semana. O Google, por sua vez, anunciou uma parceria com a plataforma de gerenciamento de saúde b.well em outubro de 2025, focada em usar sua IA para personalizar o acesso a dados de saúde.

    A Microsoft assegura que os dados do Copilot Health não serão utilizados para treinar seus modelos, seguindo um compromisso semelhante ao da OpenAI. A empresa obteve a certificação ISO/IEC 42001, um padrão independente para sistemas de gestão de IA, e afirma que as conversas sobre saúde são isoladas do Copilot geral, com controles adicionais de privacidade.

    Revisão e contribuição médica

    Para garantir a segurança e a precisão clínica, um painel externo com mais de 230 médicos de 24 países contribuiu para a revisão do produto. Essa colaboração multidisciplinar visa assegurar que as informações e insights fornecidos pelo Copilot Health sejam confiáveis e clinicamente relevantes.

    Adoção e uso atual de IA para saúde

    A pesquisa publicada pela Microsoft, analisando mais de 500.000 conversas anônimas com o Copilot em janeiro de 2026, revela um alto engajamento dos usuários com questões de saúde. Quase um em cada cinco usuários utilizou a IA para avaliar sintomas pessoais ou discutir condições médicas. Observou-se também um pico nas consultas de saúde durante a noite e madrugada, horários em que o acesso à saúde tradicional é mais limitado.

    A análise mostrou ainda que uma em cada sete consultas de saúde pessoal envolvia preocupações com familiares ou parceiros, indicando que a ferramenta também funciona como um recurso de apoio a cuidadores. Uma parcela significativa das perguntas focava em como navegar o sistema de saúde, incluindo a busca por provedores e a compreensão de coberturas de seguro.

    Disponibilidade e próximos passos

    O Copilot Health abre sua lista de espera na quinta-feira, com disponibilidade inicial limitada a adultos falantes de inglês nos Estados Unidos. A Microsoft planeja expandir o suporte a outros idiomas e geografias futuramente.

  • O toque humano da inteligência artificial movimenta o South Summit Brazil

    O toque humano da inteligência artificial movimenta o South Summit Brazil

    O toque humano da inteligência artificial movimenta o South Summit Brazil

    O South Summit Brazil, que acontece de 25 a 27 de março em Porto Alegre, coloca a inteligência artificial (IA) em destaque, mas com uma ênfase crucial: a importância insubstituível do lado humano na evolução tecnológica. O evento busca promover uma reflexão fundamental sobre como a IA, apesar de seu potencial revolucionário, deve sempre servir e ampliar as capacidades humanas.

    Conforme ressaltado por José Renato Hopf, presidente do South Summit Brazil, a inovação é intrinsecamente ligada às pessoas. “Não existe inovação sem pessoas: a inteligência artificial é poderosa justamente quando amplia a capacidade humana”, afirma Hopf. Ele complementa que a tecnologia só se justifica quando é desenvolvida com o propósito de beneficiar o ser humano, reforçando que “no fim, toda inovação é humana por natureza”. A inteligência artificial também será uma ferramenta prática dentro do evento, utilizada para otimizar e facilitar conexões entre os participantes.

    Palestrantes e líderes debatem o futuro da IA

    A programação do South Summit Brazil contará com a presença de renomados especialistas para aprofundar o debate sobre a inteligência artificial e sua interação com o elemento humano. Nomes como Salim Ismail, fundador e CEO da OpenExO e diretor da Singularity University, e Hitendra Patel, CEO do IXL Center e reconhecido guru de inovação global, estarão presentes. Peter Skillman, head global de design da Philips, abordará como a diferenciação competitiva, em um cenário de democratização de ferramentas de criação por IA, passa a residir na empatia e no design centrado no ser humano.

    O Brasil também estará bem representado com líderes de empresas que lideram investimentos em IA. Diego Barreto, CEO do iFood, e Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, compartilharão suas visões e experiências. A Microsoft, com seu investimento na OpenAI, detentora do ChatGPT, tem desempenhado um papel significativo na mudança da percepção pública sobre o potencial da IA.

    Um evento cada vez mais global e estratégico

    O South Summit Brazil consolida sua posição como um evento de alcance global. Em 2026, o evento espera a presença de mais de 20 delegações internacionais, um recorde que demonstra o crescente interesse global no ecossistema de inovação brasileiro. A competição de startups reflete essa internacionalização, com 2,4 mil inscrições de 66 países. As startups finalistas representam 15 nacionalidades, com o Brasil liderando a lista com 25 finalistas, seguido por Argentina e Espanha.

    A participação de investidores também é um ponto alto. O evento busca superar o número anterior de 900 investidores de 130 fundos de venture capital, com a expectativa de atrair cerca de 25 mil participantes nos três dias de atividades, que incluem debates, painéis e eventos paralelos. O South Summit Brazil é uma parceria com a idealizadora do evento em Madrid, María Benjumea.

    A inteligência artificial, portanto, não é apenas um tema central de discussão, mas também uma ferramenta integrada à operação do South Summit Brazil, visando criar um ambiente mais estratégico e conectado para founders, investidores e lideranças presentes.

  • Modelos de IA ocidentais falham espetacularmente em fazendas e florestas no exterior

    Modelos de IA ocidentais falham espetacularmente em fazendas e florestas no exterior

    Modelos de IA ocidentais falham espetacularmente em fazendas e florestas no exterior

    Modelos de inteligência artificial desenvolvidos por gigantes da tecnologia ocidental têm demonstrado falhas notáveis quando aplicados em cenários agrícolas fora de seus mercados de origem. A ciência por trás dessas ferramentas, que prometem revolucionar desde o mapeamento de safras até o monitoramento de desmatamento, muitas vezes se choca com a realidade de contextos locais, especialmente no Sul Global. A falta de adaptação e dados específicos para essas regiões torna essas soluções, em muitos casos, irrelevantes e potencialmente agravadoras de desigualdades existentes.

    A especialista Catherine Nakalembe, professora assistente na Universidade de Maryland e diretora do programa África na NASA Harvest, exemplifica o desafio. Ao tentar mapear tipos de culturas no oeste do Quênia, ela se deparou com a limitação de modelos de IA que não reconheciam as plantações locais. A solução encontrada foi a coleta de dados próprios: câmeras GoPro em capacetes de voluntários registraram mais de 5 milhões de imagens em duas semanas, treinando o reconhecimento facial para identificar milho, feijão e mandioca. Essa iniciativa destaca uma necessidade fundamental: a adaptação de sistemas de IA, frequentemente treinados com dados europeus e americanos, para contextos locais.

    Desafios da aplicação de IA no Sul Global

    A relevância das ferramentas de IA no setor agrícola é inegável, com potencial para otimizar a produção e auxiliar pequenos agricultores, que representam mais de 2 bilhões de pessoas em países de baixa e média renda. No entanto, a aplicação dessas tecnologias enfrenta barreiras significativas. Oren Ahoobim, da consultoria Dalberg Advisors, aponta que a qualidade e disponibilidade dos dados subjacentes melhoraram drasticamente, mas a adaptação para o Sul Global é crucial. “Sistemas de IA construídos no Ocidente muitas vezes falham em considerar os contextos do Sul Global, incluindo altos custos de internet, largura de banda limitada e falta de dados de treinamento rotulados”, explica Nakalembe.

    Quando esses sistemas não são adaptados, eles correm o risco de se tornarem irrelevantes, aprofundando desigualdades. Existe ainda o perigo de que priorizem o lucro corporativo em detrimento das necessidades dos agricultores. A inteligência artificial é vista como uma solução para combater a fome, um dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, mas a sua implementação eficaz depende de um entendimento profundo das realidades locais.

    Exemplos práticos e lições aprendidas

    Apesar dos desafios, a IA já demonstra seu potencial em diversas iniciativas. No Pará, Brasil, dados costeiros em tempo real são transformados em alertas de voz via WhatsApp para pescadores e produtores de ostras. A Microsoft utiliza IA para monitorar o desmatamento na Amazônia através de bioacústica.

    Na Ásia e África, o aplicativo FarmerChat, da Digital Green, atende a mais de 1 milhão de agricultores, usando IA generativa para responder a perguntas em 16 idiomas locais e diagnosticar problemas em plantas a partir de imagens. Rikin Gandhi, cofundador da Digital Green, ressalta que os modelos de linguagem foram treinados com mais de 120.000 interações de agricultores e respostas de especialistas, utilizando a linguagem que os próprios agricultores utilizam. “A agricultura é hiperlocal: tipo de solo, chuva, altitude, pragas e mercados variam de vila para vila. O aprendizado do modelo deve permanecer próximo a essas realidades”, afirma Gandhi.

    O risco do colonialismo digital e a importância da adaptação local

    A iniciativa Farmers for Forests, na Índia, enfrentou um revés ao utilizar um modelo popular de código aberto para analisar dados florestais no estado de Maharashtra. O modelo, treinado em florestas norte-americanas, falhou em identificar mais da metade das árvores. Arti Dhar, diretora do grupo, enfatizou: “É uma lição clara que você não pode simplesmente introduzir IA ocidental no Sul Global e esperar que funcione.” Sua equipe desenvolveu um modelo customizado, baseado no Detectron2 da Meta, que mapeia árvores em imagens de drones para calcular o sequestro de carbono, gerando renda para os agricultores. O chatbot ChutkiAI, também desenvolvido pela equipe, oferece suporte aos agricultores.

    “Propriedade e adaptação local são críticas… caso contrário, a promessa da IA permanecerá concentrada nas mãos de poucos”, alerta Dhar. Ela acrescenta que a tecnologia é apenas parte da solução; a confiança e o alinhamento com as necessidades econômicas reais dos agricultores são essenciais. O mercado de ferramentas digitais para agricultura, avaliado em cerca de 30 bilhões de dólares em 2025 e projetado para atingir 84 bilhões até 2034, atrai grandes empresas de tecnologia. Contudo, há um risco de que a IA se torne uma nova forma de colonialismo digital, com empresas extraindo dados de comunidades vulneráveis para criar modelos proprietários e, em seguida, vendendo serviços de volta a essas mesmas comunidades.

    A inteligência artificial otimizada apenas para curto prazo, ignorando questões como esgotamento de água e degradação do solo, pode minar a resiliência a longo prazo. Gandhi conclui: “Um sistema de IA pode ter um bom desempenho técnico e ainda assim falhar com os agricultores se ignorar as realidades econômicas e ecológicas. A verdadeira medida da IA na agricultura é se ela fortalece a agência do agricultor, melhora a lucratividade, apoia a sustentabilidade e funciona para homens e mulheres. Isso depende inteiramente da construção com os agricultores, não apenas para eles.”

  • Inteligência artificial pode desacelerar crescimento de dez profissões até 2034

    Inteligência artificial pode desacelerar crescimento de dez profissões até 2034

    Inteligência artificial pode desacelerar crescimento de dez profissões até 2034

    A rápida evolução da inteligência artificial (IA) lança novas perspectivas sobre o futuro do mercado de trabalho. Relatório da Anthropic, empresa especializada em IA, sugere que o avanço tecnológico poderá impactar o crescimento de dez profissões específicas, com uma desaceleração prevista até 2034. A pesquisa busca entender como a IA está redefinindo funções, otimizando custos e gerando preocupações sobre a substituição de trabalhadores.

    O estudo da Anthropic, que utiliza dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS), foca na “exposição observada” de cada ocupação à IA. Essa métrica combina o potencial teórico de modelos de linguagem com dados reais de aplicação, identificando profissões com maior risco de deslocamento. Apesar da IA estar longe de sua capacidade máxima, seu impacto já se faz notar.

    Profissões com maior exposição à IA

    Dez ocupações foram identificadas com altos níveis de exposição ao avanço da inteligência artificial. São elas:

    • Programadores (74,5%)
    • Representantes de atendimento ao cliente (70,1%)
    • Analistas de dados (67,1%)
    • Especialistas em registros médicos (66,7%)
    • Analistas de mercado e especialistas em marketing (64,8%)
    • Representantes de vendas (62,8%)
    • Analistas financeiros (57,2%)
    • Analistas de software e garantia de qualidade (51,9%)
    • Analistas de segurança da informação (48,6%)
    • Especialistas em suporte técnico ao usuário (46,8%)

    Estas profissões compartilham características como a alta frequência de tarefas repetitivas, que a IA tem grande potencial para automatizar e, consequentemente, otimizar o tempo de trabalho. Em resumo, a tecnologia pode transformar a maneira como essas funções são exercidas.

    Impacto no emprego e comparações históricas

    Embora o relatório aponte uma desaceleração no crescimento dessas profissões, as pesquisas nos EUA não revelaram um impacto direto nas taxas de desemprego para os trabalhadores mais expostos. Contudo, existem evidências preliminares de uma ligeira diminuição na contratação para trabalhadores entre 22 e 25 anos nessas áreas.

    A Anthropic compara o impacto da IA não com choques econômicos recentes, como a pandemia de COVID-19, mas sim com disrupções históricas causadas pela internet e pela expansão do comércio global. Essas comparações sugerem uma transformação gradual, porém profunda, no mercado de trabalho.

    O que não está na lista?

    É importante notar que o relatório exclui deliberadamente profissões que exigem presença física indispensável, como cozinheiros, mecânicos de motocicletas, salva-vidas, bartenders, lavadores de pratos e atendentes de vestiário. Atividades como poda de árvores e a representação legal de clientes em tribunais também não foram consideradas no escopo de impacto direto da IA.

    O estudo da Anthropic se posiciona como um passo inicial para mapear os efeitos da IA no emprego. A expectativa é que, com abordagens consolidadas, seja possível discernir o real impacto da tecnologia, separando as tendências significativas do ruído informacional.