Autor: Iago Mendes

  • Inteligência artificial ‘ressuscita’ Val Kilmer para novo filme

    Inteligência artificial ‘ressuscita’ Val Kilmer para novo filme

    O renomado ator Val Kilmer, mesmo após seu falecimento, está confirmado para estrelar um novo filme, intitulado As Deep as the Grave. Essa “ressurreição” cinematográfica é possível graças à inteligência artificial, que recriou a imagem e a voz do artista para o projeto.

    A decisão de utilizar a tecnologia partiu do cineasta Coerte Voorhees, que considerou Kilmer insubstituível para o papel, especialmente por sua ascendência nativa americana e conexão com o sudoeste dos Estados Unidos. A família do ator, incluindo seu espólio e a filha Mercedes, não apenas concedeu a permissão, mas também colaborou ativamente com o empreendimento, garantindo que a visão de Val fosse honrada, como detalhado pela Veja.

    A tecnologia que traz o ator de volta

    A reconstrução digital de Val Kilmer para o filme foi um processo minucioso. Foram utilizadas imagens do ator em sua juventude, fornecidas pela família, e também fotos de seus últimos anos de vida. O objetivo não era apenas replicar sua aparência, mas também sua voz, que foi danificada após uma cirurgia na traqueia devido a um câncer na garganta.

    A inteligência artificial recriou especificamente o timbre de voz do ator em seus últimos anos, e não o de sua juventude. Essa escolha técnica é coerente com o personagem que Kilmer interpreta, o padre Fintan, que na trama sofre de tuberculose, justificando a alteração vocal. O papel de Fintan, que equilibra crenças católicas e indígenas, é descrito como “considerável” na história.

    A decisão familiar e o apoio ao projeto

    A colaboração da família de Val Kilmer foi crucial para a viabilidade do projeto. Além do espólio e da filha Mercedes, o cineasta Coerte Voorhees afirma que o filho do ator, Jack, também apoia a iniciativa. “A família dele insistiu no quanto acreditavam na importância desta história e o quanto Val queria fazer parte disso”, declarou Voorhees.

    “Algumas pessoas podem chamar isso de polêmico, mas é o que o Val queria.”

    Essa declaração reforça a ideia de que a participação póstuma de Val Kilmer via IA não é uma mera exploração comercial, mas uma extensão de seu desejo de atuar, impedido pela doença.

    Sobre o filme: enredo e elenco

    O projeto, que já teve o título Canyon of the Dead, baseia-se em uma história real. Ele narra a jornada dos arqueólogos Ann e Earl Morris, um casal que escavou o Cânion de Chelly, no Arizona, em busca de vestígios da história do povo indígena Navajo.

    O elenco principal conta com Abigail Lawrie e Tom Felton nos papéis dos arqueólogos. Nomes como Abigail Breslin e Wes Studi também compõem o elenco, adicionando peso à produção. A complexidade do personagem de Val Kilmer, o padre Fintan, promete ser um dos pontos altos da narrativa, conectando elementos culturais e espirituais.

    A iniciativa de “ressuscitar” Val Kilmer através da inteligência artificial para As Deep as the Grave marca um ponto significativo na evolução do cinema. Mais do que uma proeza tecnológica, o projeto destaca a capacidade de honrar a memória e o desejo de um artista, superando barreiras impostas pela vida. Com o respaldo familiar e uma trama histórica envolvente, o filme se posiciona como um marco na interação entre arte, tecnologia e legado.

  • Meta vai usar IA para ler conversas e exibir anúncios

    Meta vai usar IA para ler conversas e exibir anúncios

    Meta vai usar IA para ler conversas e exibir anúncios

    A Meta anunciou uma mudança significativa em suas políticas de privacidade que entrará em vigor a partir de 16 de dezembro de 2025. A partir dessa data, a companhia passará a utilizar as conversas dos usuários com sua inteligência artificial, o Meta AI, como um novo sinal para a personalização de anúncios e recomendações de conteúdo nas plataformas como Facebook e Instagram. Interações por texto ou voz com o Meta AI serão interpretadas de forma semelhante a curtir uma publicação ou seguir uma página, influenciando diretamente o que aparece no feed dos usuários.

    Essa nova abordagem visa aprofundar a personalização de experiências digitais. Por exemplo, conversas sobre interesses específicos como viagens ou hobbies poderão gerar anúncios de produtos relacionados, como botas de caminhada após discussões sobre trilhas, ou sugestões de grupos e conteúdos similares. Essa integração se estende a diversas plataformas da Meta, incluindo o WhatsApp em alguns casos, criando um ecossistema de dados comportamentais mais unificado. Com mais de um bilhão de usuários já interagindo com recursos de IA da Meta mensalmente, essa expansão na coleta de dados conversacionais promete intensificar o direcionamento publicitário.

    Como a Meta utilizará suas conversas

    Qualquer interação com o Meta AI, seja por texto ou voz, poderá ser utilizada para refinar a exibição de anúncios e sugestões de conteúdo. O funcionamento é direto: se um usuário discute sobre um interesse específico, como viagens, esse tópico se torna um novo sinal para a personalização publicitária. A própria Meta exemplifica que conversas sobre trilhas de montanha podem resultar em anúncios de botas de caminhada, discussões sobre esportes podem levar a publicações de grupos relacionados, e interesses em hobbies podem influenciar a exibição de reels de amigos com conteúdo similar.

    Essa integração abrange Facebook, Instagram e, em alguns casos, WhatsApp, estabelecendo um ecossistema unificado de dados comportamentais. Segundo informações da Meta, mais de 1 bilhão de pessoas já utilizam recursos de IA da empresa mensalmente, o que torna essa mudança uma expansão considerável na coleta de dados conversacionais para fins publicitários.

    Quais dados serão coletados das suas interações

    A Meta implementou um sistema de coleta que abrange praticamente qualquer assunto mencionado nas interações com o Meta AI. Todas as formas de comunicação com a IA, incluindo conversas por texto em todas as plataformas integradas e interações por voz, podem ser transformadas em dados valiosos para o direcionamento publicitário. Tópicos de interesse e preferências implícitas demonstradas durante o diálogo também são capturados.

    O alcance da coleta de dados está diretamente ligado às configurações do Accounts Center. Usuários com contas integradas terão suas interações consolidadas em um único perfil de dados, potencializando a personalização entre plataformas. No entanto, para usuários com WhatsApp não vinculado ao mesmo centro de contas do Facebook ou Instagram, as conversas no mensageiro permanecem isoladas e não são aproveitadas para personalização em outras redes. A empresa assegura que o microfone é ativado apenas com permissão expressa e durante o uso de recursos que exigem áudio, sempre com um indicador luminoso.

    Temas excluídos da coleta de dados

    Apesar da amplitude da nova política, a Meta definiu categorias sensíveis que ficam protegidas do sistema de coleta para direcionamento publicitário. Esses temas sensíveis incluem:

    • Religião e crenças espirituais
    • Orientação sexual e identidade de gênero
    • Política e posicionamentos ideológicos
    • Saúde e condições médicas
    • Origem étnica e questões raciais
    • Crenças filosóficas e sistemas de valores
    • Filiação sindical e ativismo trabalhista

    Essas exclusões demonstram um reconhecimento da Meta sobre a sensibilidade desses assuntos e os riscos de exploração comercial. Fora dessas exceções, a maioria dos outros tópicos mencionados em interações com o Meta AI poderá influenciar anúncios e conteúdos exibidos nas plataformas. Essa abordagem busca equilibrar a personalização com a responsabilidade social, evitando a exploração comercial de dados sensíveis.

    Ferramentas de controle e privacidade

    Embora não haja uma opção de desativação completa (opt-out) da nova política, a Meta oferece ferramentas específicas para que os usuários ajustem o uso de seus dados e personalizem o conteúdo recebido. As principais ferramentas de controle incluem:

    • Ads Preferences: Permite ajustar preferências de exibição publicitária.
    • Controles de feed: Ferramentas existentes para personalizar o conteúdo exibido.
    • Accounts Center: Configurações que determinam o compartilhamento de dados entre plataformas.
    • Indicadores de privacidade: Sinais visuais que indicam quando o microfone está ativo.

    O Accounts Center é particularmente importante. Os usuários podem optar por manter suas contas separadas, limitando o compartilhamento de dados. Por exemplo, desvincular o WhatsApp do Facebook e Instagram impede que conversas no mensageiro influenciem anúncios em outras redes. A Meta iniciará a comunicação sobre essas mudanças em 7 de outubro de 2025, através de notificações nos aplicativos e e-mail, concedendo tempo para que os usuários ajustem suas configurações antes da implementação em dezembro.

    Impactos da nova política na privacidade digital

    A decisão da Meta marca um ponto de virada no debate sobre privacidade digital, estabelecendo um novo paradigma na monetização de conversas com inteligência artificial através de publicidade direcionada. Essa mudança apresenta uma dualidade para os usuários: por um lado, feeds mais personalizados e relevantes; por outro, uma expansão sem precedentes na coleta de dados conversacionais privados.

    Com mais de 1 bilhão de usuários interagindo com IA da Meta mensalmente, essa política afetará uma parcela significativa da população digital global, redefinindo as expectativas de privacidade em interações com inteligência artificial. A implementação levanta questionamentos éticos sobre a coleta de informações privadas, especialmente considerando que conversas com IA podem conter reflexões pessoais e íntimas. O precedente criado pela Meta pode influenciar outras empresas de tecnologia a adotarem políticas semelhantes, normalizando a monetização de conversas com IA. A ausência de um opt-out completo sinaliza uma priorização da indústria em personalização e receita publicitária em detrimento do controle total do usuário sobre seus dados conversacionais.

  • Atriz criada por IA gera polêmica em Hollywood em 2024

    Atriz criada por IA gera polêmica em Hollywood em 2024

    Atriz virtual Tilly Norwood causa protestos em Hollywood

    Em 2024, o cenário de Hollywood foi abalado pela chegada de Tilly Norwood, a primeira atriz virtual desenvolvida inteiramente por inteligência artificial. A criação, originada pela Xicoia, um estúdio autodenominado de talentos com IA, rapidamente gerou um debate acirrado e protestos por parte de sindicatos e profissionais da indústria cinematográfica, levantando questões sobre o futuro da atuação e a ética no uso de tecnologias avançadas.

    A personagem digital foi apresentada ao mundo pela produtora e comediante holandesa Eline Van der Velden, fundadora do estúdio de IA Particle6. Durante o Zurich Summit, evento paralelo ao Festival de Cinema de Zurique, Van der Velden anunciou que agências de talentos já demonstravam interesse em Norwood, com a expectativa de uma contratação iminente. A presença digital ativa de Tilly, com mais de 33 mil seguidores no Instagram, exibe a personagem em atividades cotidianas e testes de tela, evidenciando a ambição de inseri-la no mainstream de Hollywood.

    Sindicatos e atores criticam uso de inteligência artificial no cinema

    A emergência de Tilly Norwood provocou uma reação imediata e veemente dos sindicatos de atores. O Screen Actors Guild (SAG-AFTRA), principal entidade representativa de artistas nos Estados Unidos, divulgou um comunicado oficial rejeitando categoricamente a atriz virtual.

    “A criatividade é, e deve permanecer, centrada no ser humano”, declarou a associação em posicionamento firme.

    O sindicato argumentou que Tilly Norwood não é uma atriz, mas sim uma personagem gerada por computador, treinada com base no trabalho de inúmeros artistas profissionais, sem o consentimento ou remuneração destes. As críticas centrais do SAG-AFTRA focam na ausência de experiência de vida, emoções genuínas e na conexão com a experiência humana, além do uso não autorizado do trabalho de artistas reais.

    Este tema já foi um ponto crucial nas negociações que levaram ao fim da greve prolongada do sindicato em 2023, resultando em salvaguardas para proteger o uso de imagens e atuações de atores por IA. Similarmente, uma greve de atores de videogames culminou em um novo contrato que exige permissão explícita para a criação de réplicas digitais.

    Reação da indústria cinematográfica à atriz digital

    A indústria cinematográfica reagiu com críticas severas. Atores renomados usaram suas redes sociais para expressar indignação. Melissa Barrera, conhecida por seus papéis em filmes como “Em um Bairro de Nova York”, criticou diretamente:

    “Espero que todos os atores representados pelo agente que faz isso se ferrem. Que nojo, leiam o ambiente.”

    Natasha Lyonne, estrela de “Boneca Russa” e diretora do filme “Uncanny Valley”, foi ainda mais incisiva, publicando no Instagram:

    “Qualquer agência de talentos envolvida nisso deveria ser boicotada por todas as corporações.”

    Lyonne classificou a iniciativa como “profundamente equivocada e totalmente perturbadora”. Seu posicionamento é relevante, pois ela dirige um longa que busca usar IA de forma “ética” em conjunto com métodos tradicionais, indicando que mesmo defensores do uso responsável de IA rejeitam a substituição completa de atores humanos.

    Defesa da criadora: IA como arte ou substituição humana

    Em resposta às críticas, Eline Van der Velden defendeu sua criação como uma forma legítima de arte. Em uma publicação detalhada, ela afirmou que Tilly Norwood não é uma substituta para um ser humano, mas sim uma “obra criativa — uma obra de arte”.

    Van der Velden argumentou que personagens de IA deveriam ser julgados como um gênero artístico próprio, separado da atuação tradicional. Ela comparou o processo de criação de Tilly com outras formas de arte, como desenhar um personagem ou escrever um papel, enfatizando que “dar vida a um personagem como esse exige tempo, habilidade e iteração”.

    A criadora holandesa posiciona a IA como uma ferramenta criativa legítima, argumentando que, como muitas formas de arte, ela desperta conversas, demonstrando o poder da criatividade. Essa narrativa foi compartilhada na conta de Tilly Norwood no Instagram, reforçando a ideia de inovação artística em vez de substituição profissional.

    Impacto da inteligência artificial no futuro do cinema

    O caso Tilly Norwood marca um ponto de inflexão na discussão sobre o papel da IA no cinema, evidenciando as crescentes tensões entre inovação tecnológica e a preservação do trabalho humano. Hollywood encontra-se em um momento crucial sobre como integrar a inteligência artificial.

    Enquanto a IA já é utilizada como ferramenta auxiliar em produções cinematográficas, sua implementação como substituto direto de atores abre um território controverso. O filme vencedor do Oscar de 2024, “O Brutalista”, exemplificou o uso da IA em diálogos em húngaro, gerando debates significativos.

    As implicações futuras deste caso incluem a redefinição de contratos com cláusulas específicas sobre o uso de IA, a proteção de direitos autorais de imagens e performances, a possível criação de categorias separadas para conteúdo gerado por IA e o fortalecimento das proteções trabalhistas sindicais. O contrato recém-aprovado para atores de videogame, exigindo permissão escrita para réplicas digitais, pode servir de modelo para futuras negociações cinematográficas. A resistência organizada da indústria sugere que o caminho será de regulamentação rigorosa, em vez de adoção irrestrita.

  • Cassava usa fábricas de IA com NVIDIA para impulsionar infraestrutura africana de inteligência artificial

    Cassava usa fábricas de IA com NVIDIA para impulsionar infraestrutura africana de inteligência artificial

    Cassava impulsiona infraestrutura de IA africana com fábricas NVIDIA para acelerar capacidades de dados soberanos

    A Cassava Technologies, líder global em tecnologia de herança africana, está marcando um ponto de virada para o continente com a implementação de sua AI Factory, potencializada pela plataforma NVIDIA AI. Inicialmente implantada na África do Sul, a iniciativa tem planos ambiciosos de expansão para Nigéria, Quênia, Egito e Marrocos, visando fortalecer a infraestrutura de inteligência artificial (IA) e as capacidades de dados soberanos da África.

    “Para a Cassava, construir o ecossistema de IA da África é um ato de empoderamento, não apenas um marco tecnológico”, afirma Ahmed El Beheiry, Group COO e Group Chief Technology&AI Officer da Cassava Technologies. Como a primeira NVIDIA Cloud Partner do continente, a empresa assegura que os negócios africanos se tornem “arquitetos” de sua própria tecnologia, e não apenas consumidores.

    Democratizando o acesso à IA na África

    O objetivo central da Cassava é fornecer à África a infraestrutura necessária para construir seu futuro digital em seus próprios termos. Isso inclui o desenvolvimento de modelos de IA que compreendam e utilizem idiomas locais, começando pelo Swahili e expandindo para línguas como Zulu e Afrikaans, para melhor atender aos usuários e mercados locais.

    Em 2025, a Cassava lançou o Cassava AI Multi-Model Exchange (CAIMEx), uma plataforma pioneira que facilita o acesso dos desenvolvedores africanos às principais ferramentas de IA e grandes modelos de linguagem (LLMs) do mundo. Com o CAIMEx, os desenvolvedores podem construir, ajustar e implantar aplicações de IA utilizando um ambiente integrado, impulsionado por NVIDIA Blueprints, Models e NIM microservices.

    Recentemente, a empresa apresentou a Cassava Autonomous Network, um projeto que opera na plataforma CAIMEx e promete melhorar significativamente o desempenho da rede em toda a África, disponível para Operadoras de Rede Móvel (MNOs).

    Fábricas de IA soberanas: um divisor de águas

    A implantação localizada de computação de alto desempenho representa um avanço crucial. Ao oferecer GPUaaS (GPU as a Service) e AIaaS/APIs, a Cassava remove barreiras tradicionais de entrada, proporcionando acesso à capacidade computacional local. Isso garante que a África tenha sua própria produção de inteligência, com fábricas de IA soberanas que mantêm a inteligência segura dentro das fronteiras, adaptam modelos a idiomas e culturas locais, e fomentam empregos, startups e crescimento econômico.

    Essa oferta permite que empresas e governos africanos inovem de forma independente. Haseeb Budhani, CEO da Rafay Systems, destaca que a África está “prestes a saltar a infraestrutura tradicional”, e com a nuvem de IA soberana da Cassava, o continente tem o “motor definitivo para a transformação digital”. A iniciativa permite que as empresas africanas assumam o controle de seu destino.

    Impacto em setores estratégicos e fomento de talentos

    A democratização da tecnologia oferecida pela Cassava capacita organizações africanas em diversos setores, incluindo o setor público, telecomunicações, serviços financeiros, seguros, saúde, mineração, óleo e gás, e varejo. O objetivo é permitir que essas entidades não apenas acompanhem a corrida global de IA, mas também a liderem.

    “Manter os dados dentro das fronteiras africanas nos permite desenvolver modelos especializados para saúde, energia e agricultura, adaptados aos nossos contextos únicos”, explica Dr. H. Sithole, Center Manager do National Integrated Cyberinfrastructure (NICIS) no CSIR. Ele acrescenta que a Cassava AI Factory na África do Sul permite que o CSIR estenda parcerias com a indústria para acelerar a adoção da inteligência artificial nas comunidades de pesquisa sul-africanas.

    A parceria com a Zindi, conforme Celina Lee, CEO e Co-Fundadora, é fundamental para “desbloquear a computação de IA na África, garantindo que os dados do continente não precisem sair de suas praias”. Através da Cassava AI Factory, a Cassava ajuda a comunidade de desenvolvedores da Zindi a criar as melhores soluções de IA para seus problemas locais, investindo na próxima geração de talentos em IA e criando empregos de alta tecnologia que posicionarão a África para liderar a corrida global de IA.

    Em suma, a Cassava Technologies está transformando o papel da África no cenário global de IA, de um participante passivo para um criador primário. Ao fornecer capacidade computacional de classe mundial, a empresa cumpre sua missão principal: construir um futuro digitalmente inclusivo onde cada africano tenha as ferramentas para inovar e prosperar.

  • Apple Cancela Vision Pro e Foca em Óculos Inteligentes IA

    Apple Cancela Vision Pro e Foca em Óculos Inteligentes IA

    Apple abandona Vision Pro para focar em óculos inteligentes com IA

    A Apple tomou a decisão de cancelar a reformulação do seu headset Vision Pro, realinhando completamente sua estratégia para o desenvolvimento de óculos inteligentes impulsionados por Inteligência Artificial. A meta é competir diretamente com a linha Ray-Ban da Meta, marcando uma mudança radical na abordagem da empresa para dispositivos vestíveis.

    O relatório da Bloomberg indica que o trabalho em uma versão mais acessível do Vision Pro, prevista para 2027, foi interrompido. Em vez disso, as equipes foram realocadas para acelerar o desenvolvimento de múltiplos designs de óculos inteligentes. Essa mudança sinaliza um reconhecimento por parte da Apple de que o mercado de headsets de Realidade Virtual e Aumentada (VR/AR) ainda não está preparado para produtos de alto custo como o Vision Pro.

    Os desafios do Vision Pro e a nova aposta da Apple

    Lançado em 2023 com grande expectativa, o Vision Pro enfrentou barreiras significativas no mercado. Entre os principais obstáculos estavam o preço elevado, que restringiu severamente a adoção, e um design pesado que comprometia o conforto do usuário. A baixa aceitação geral pelo público também contribuiu para essa reavaliação estratégica.

    Com a aposta em óculos inteligentes mais leves e acessíveis, a Apple busca replicar o sucesso visto com os óculos inteligentes da Meta, os Ray-Ban. Essa nova direção também sublinha a crescente importância da IA pessoal em dispositivos vestíveis, onde a portabilidade e a praticidade tendem a superar recursos visuais mais complexos.

    Especificações dos futuros óculos inteligentes da Apple

    A Apple está trabalhando em duas versões distintas de seus óculos inteligentes, cada uma voltada para segmentos de mercado específicos e com cronogramas de lançamento diferenciados.

    • Primeira versão (prevista para 2027): Funcionará como um acessório conectado ao iPhone, sem tela integrada. Seu foco principal será em controles por voz, utilizando uma versão aprimorada do Siri.
    • Segunda versão: Com um cronograma mais ambicioso, esta variante incluirá uma tela integrada, mirando uma concorrência mais direta com os óculos Display da Meta.

    Ambos os dispositivos dependerão fortemente da reformulação do Siri, que a Apple tem desenvolvido para aprimorar suas capacidades de IA conversacional. Recursos de saúde, através de sensores especializados, também estarão presentes, alinhando-se com a estratégia da Apple de posicionar seus wearables como ferramentas de bem-estar pessoal.

    A competição com a Meta no mercado de wearables

    A Meta já consolidou uma presença significativa no mercado de óculos inteligentes com sua linha Ray-Ban. Modelos como o Ray-Ban Gen 2, os óculos Display e a Neural Band demonstram a maturidade da empresa neste segmento.

    Mark Zuckerberg considera os óculos o formato ideal para IA pessoal, e os números de mercado parecem corroborar essa visão. A Meta obteve sucesso ao combinar designs familiares com funcionalidades práticas. A Apple, por sua vez, enfrenta o desafio de superar as limitações conhecidas de seu assistente Siri em comparação com os concorrentes.

    Enquanto a Meta já coleta feedback de usuários com produtos no mercado, a Apple ainda está na fase de desenvolvimento. Essa diferença pode representar uma desvantagem competitiva, exigindo que a empresa resolva suas deficiências em IA antes do lançamento.

    Impacto da mudança de estratégia da Apple no setor de IA

    A decisão da Apple de abandonar o Vision Pro em favor de óculos inteligentes com IA valida a abordagem da Meta sobre a viabilidade dos óculos como plataforma para adoção em massa de IA pessoal. A empresa, tradicionalmente cautelosa, admite que o mercado de VR/AR premium ainda não está pronto.

    Este movimento intensifica a corrida pela IA vestível, um campo de batalha promissor para as grandes empresas de tecnologia. Podemos esperar uma aceleração na inovação, potenciais reduções de preço devido à concorrência e um investimento maior em IA conversacional por parte de todos os players.

    Para o setor de IA, a mudança destaca que a praticidade supera a sofisticação técnica na adoção pelo consumidor. Dispositivos que se integram naturalmente ao cotidiano têm maior potencial de sucesso.

    Cronograma de lançamento e expectativas para 2027

    A Apple definiu 2027 como meta para o lançamento de sua primeira geração de óculos inteligentes. Este cronograma de três anos é considerado agressivo, dada a necessidade de superar desafios técnicos, especialmente na reformulação do Siri.

    As expectativas para 2027 incluem:

    • Integração fluida com o ecossistema Apple.
    • Qualidade de construção premium.
    • Recursos avançados de privacidade.
    • Preço competitivo, aprendendo com os erros do Vision Pro.

    O sucesso dependerá crucialmente da capacidade da Apple em oferecer uma experiência de IA superior através do Siri. A observação e o aprendizado com a evolução dos produtos da Meta também serão fundamentais para evitar armadilhas e incorporar lições do mercado real.

  • Fato ou fake: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria

    Fato ou fake: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria

    Publicações disseminadas em redes sociais levantam dúvidas sobre a autenticidade de um vídeo divulgado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no qual ele aparece em uma cafeteria em Jerusalém. As acusações apontam o uso de inteligência artificial (IA) na produção das imagens, com especulações que ganharam força após um pronunciamento anterior de Netanyahu, onde alguns usuários afirmaram ter visto seis dedos em sua mão, o que seria um indício de manipulação.

    Diante da repercussão, surgiram buscas globais por termos como “netanyahu está vivo últimas atualizações”, “dedos de netanyahu” e “vídeo de netanyahu no café”. No entanto, uma análise factual baseada em informações disponíveis revela o que realmente sabemos sobre o caso.

    Verificando a autenticidade do vídeo e do local

    Um dos posts que viralizaram em espanhol, e que já ultrapassou 45 mil visualizações, afirma categoricamente que o vídeo foi criado com inteligência artificial e que a situação, como o copo de café que não transborda, provaria a falsidade.

    Usuários destacaram pontos específicos da gravação, como o nível constante do café e o gesto de colocar a mão no bolso, interpretando-os como evidências de manipulação. Outras mensagens mencionavam a data vista na tela de um caixa registradora, que seria 15/03/2024, e sugeriam que a visita ocorreu durante a pandemia de Covid-19, com seguranças de máscara.

    Contudo, a verificação por meio do Google Maps demonstrou que a cafeteria em questão, identificada pela palavra “Sataf” no avental de um funcionário, realmente existe. Imagens panorâmicas e de satélite confirmam a localização exata do estabelecimento em Jerusalém, dissipando a ideia de ser um cenário sinteticamente criado.

    Adicionalmente, o perfil oficial da cafeteria no Instagram publicou fotos da visita de Netanyahu, acompanhadas de uma legenda expressando satisfação em recebê-lo. Essas postagens reforçam a veracidade do encontro.

    O café, chamado Sataf, fica em Jerusalém e foi inaugurado em julho do ano passado, contrariando as alegações de que a gravação seria de 2024.

    Comparando imagens do Google Maps com o vídeo divulgado por Netanyahu, é possível notar a correspondência de detalhes como o mármore do balcão, as prateleiras e a disposição das garrafas, fortalecendo ainda mais a autenticidade.

    Ferramentas de detecção de IA e o veredito

    Para combater as acusações de manipulação, o vídeo e imagens relacionadas foram submetidos a diversas ferramentas de detecção de inteligência artificial. Os resultados indicaram uma baixa probabilidade de uso de IA.

    Ferramentas como o DecopyAI analisaram as imagens postadas pelo perfil oficial da cafeteria e indicaram chances mínimas de serem sintéticas, com resultados de 1% e 2%.

    O próprio vídeo de Netanyahu foi testado em três plataformas distintas:

    • Hive Moderation concluiu que “o arquivo provavelmente não contém IA ou deepfake”.
    • Sight Engine apontou apenas 13% de chance de uso de IA.
    • SynthID Detector, a ferramenta do Google, indicou “Não foi feito com a IA do Google”, o que significa que o conteúdo não foi gerado pela IA específica dessa empresa, que utiliza uma marca d’água digital para identificação.

    A análise dessas ferramentas sugere que as alegações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu na cafeteria não são sustentadas pelas evidências tecnológicas atuais.

  • Como a Inteligência Artificial virou arma de guerra?

    Como a Inteligência Artificial virou arma de guerra?

    Como a Inteligência Artificial virou arma de guerra?

    A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser um conceito futurista para se tornar um fator decisivo no campo de batalha. Na recente guerra contra o Irã, a IA consolidou sua posição, integrando-se a tecnologias como drones e ciberataques. Ela não é mais apenas uma ferramenta, mas sim o elemento estruturante das operações militares, redefinindo o planejamento, a execução e a comunicação das ações bélicas.

    Um dos impactos mais notáveis é a aceleração do ritmo da guerra. Decisões e ataques que antes consumiam dias ou semanas agora são realizados em horas, graças à mediação de sistemas automatizados. A IA atua em diversas frentes: desde o processamento e análise de vastos volumes de dados militares até o apoio na avaliação de riscos e definição de estratégias.

    IA no campo de batalha: novas capacidades e estratégias

    O uso da IA se manifesta em diversas aplicações militares. Ela é fundamental no monitoramento e vigilância, além de auxiliar na identificação e priorização de alvos em larga escala. Essa capacidade de processamento rápido de informações transforma a dinâmica do conflito, permitindo respostas mais ágeis e precisas.

    Os Estados Unidos e Israel se destacam pelo emprego avançado de IA. O sistema Maven, dos EUA, em conjunto com o Claude, cruza dados de satélite, sinais e vigilância para gerar listas com sugestões de ataque. Em Israel, o sistema Lavender identifica e classifica indivíduos como alvos potenciais com alta precisão, enquanto o sistema Gospel gera listas de alvos de infraestrutura.

    Os resultados dessa integração são expressivos. Nas primeiras 12 horas de conflito, Estados Unidos e Israel executaram quase 900 ataques no Irã. Sistemas de IA permitiram a geração de cerca de 1.000 alvos priorizados em um único dia, possibilitando operações em escala similar à Guerra do Iraque com apenas um décimo da mão de obra humana necessária anteriormente.

    A guerra da informação e a influência da IA

    Além das operações diretas no campo de batalha, a IA também tem sido uma ferramenta poderosa na guerra da informação. Sua aplicação na produção e disseminação de conteúdos falsos, como deepfakes e materiais propagandísticos, visa influenciar a opinião pública.

    No conflito contra o Irã, ambos os lados utilizaram a tecnologia para criar animações que reforçam suas narrativas. Imagens falsas de ataques, incluindo fotos manipuladas e cenas de videogames apresentadas como reais, circularam amplamente. Deepfakes e contas falsas integraram operações coordenadas para moldar a percepção pública, com autoria indeterminada.

    Riscos e desafios na era da guerra com IA

    A crescente dependência da IA em contextos militares traz consigo riscos significativos. Um deles é a automação por consentimento, onde operadores humanos têm tempo limitado para validar decisões sugeridas por sistemas automatizados.

    Há também o perigo de erros de identificação, com algoritmos que podem confundir padrões e classificar civis como ameaças. Vieses nos dados de treinamento e possíveis interferências externas podem distorcer as decisões dos sistemas de IA.

    Em cenários letais, essas falhas técnicas deixam de ser meros problemas de software e se transformam em tragédias humanas. A guerra em 2026 demonstra que a Inteligência Artificial se tornou um pilar central nos conflitos modernos, exigindo novas abordagens éticas e estratégicas.

  • USP integra consórcio global da OMS sobre inteligência artificial em saúde

    USP integra consórcio global da OMS sobre inteligência artificial em saúde

    USP integra consórcio global da OMS sobre inteligência artificial em saúde

    O Brasil assume uma posição de destaque no cenário internacional do debate sobre a aplicação da inteligência artificial (IA) na saúde. O Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde (LABDAPS), vinculado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), foi selecionado como o único representante das Américas em um consórcio internacional recém-formado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    A iniciativa, cuja reunião inaugural ocorre nesta semana em Delft, na Holanda, reúne centros de pesquisa de diversas nações. O principal objetivo é debater os desafios e as oportunidades inerentes ao uso da inteligência artificial em sistemas de saúde, com foco na criação de diretrizes de boas práticas. Busca-se garantir que a IA seja utilizada de forma ética, segura e eficaz, especialmente em regiões que enfrentam limitações no acesso a especialistas.

    Apoio clínico em áreas remotas

    Conforme explica o diretor do LABDAPS, professor Alexandre Chiavegatto Filho, o consórcio surge em um momento de significativa expansão da IA aplicada ao setor de saúde. Ele destaca o potencial da tecnologia em reduzir desigualdades no atendimento médico. “Em áreas remotas, por exemplo, algoritmos podem funcionar como apoio clínico, oferecendo diagnósticos e orientações onde não há médicos especialistas disponíveis”, afirma.

    O laboratório da USP e seu compromisso

    Fundado em 2017, o LABDAPS opera na intersecção entre ciência de dados e saúde coletiva, desenvolvendo soluções voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). O laboratório é responsável pela criação de modelos preditivos que auxiliam na identificação de riscos epidemiológicos, como a mortalidade materna e neonatal, além de analisar a fundo as desigualdades no acesso à saúde em âmbito nacional. Seu trabalho conta com reconhecimento internacional, materializado em publicações em periódicos de alta relevância como The Lancet e Nature Medicine.

    Além da produção científica, o grupo se distingue pelo forte compromisso com o uso ético da inteligência artificial, com ênfase no combate a vieses algorítmicos que podem perpetuar desigualdades sociais. A contribuição brasileira para o consórcio, segundo Chiavegatto Filho, reside na capacidade de adaptar tecnologias desenvolvidas em grandes centros para realidades mais diversas e desiguais.

    Brasil como laboratório natural para IA em saúde

    “O Brasil funciona como um grande laboratório natural”, ressalta Chiavegatto Filho. “Temos dados de regiões muito distintas, o que nos permite testar se esses algoritmos realmente funcionam onde são mais necessários.” O laboratório emprega técnicas como o aprendizado por transferência, adaptando modelos treinados em ambientes com abundância de dados para regiões com informações limitadas. Outra estratégia é o aprendizado federado, que viabiliza o uso de grandes conjuntos de dados, assegurando a privacidade dos pacientes.

    A inclusão do LABDAPS no consórcio da OMS posiciona o Brasil na vanguarda das discussões sobre o futuro da inteligência artificial na saúde, consolidando o papel do SUS como um pilar de inovação científica com profundo impacto social.

  • Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: a nova fronteira da exploração digital

    A inteligência artificial (IA) trouxe avanços notáveis, mas também abriu portas para novas formas de crime. Uma das mais perturbadoras é o uso de deepfakes, vídeos e imagens manipulados por IA, para explorar pessoas com deficiência. Essa tecnologia permite a criação de conteúdo falso que simula ter síndrome de Down, combinando roubo de identidade com discriminação e visando lucros em plataformas de conteúdo adulto.

    Criminosos se apropriam de imagens de mulheres, muitas vezes retiradas de redes sociais, e utilizam filtros de IA para alterar feições, criando a aparência de pessoas com síndrome de Down. Essas imagens são então sobrepostas a corpos de mulheres reais, gerando personagens fictícias. O objetivo é direcionar tráfego para plataformas de conteúdo adulto pago, explorando a deficiência como um nicho de mercado específico e lucrativo.

    O funcionamento dos deepfakes de síndrome de Down

    O processo para criar esses deepfakes maliciosos envolve a apropriação não autorizada de imagens de mulheres reais, geralmente extraídas de perfis públicos em redes sociais. A tecnologia de IA é então empregada para modificar características faciais, simulando a aparência de pessoas com síndrome de Down. Essas imagens manipuladas são aplicadas sobre corpos de indivíduos reais, formando personagens completamente novas e fictícias.

    Um exemplo notório é o caso de Alice, uma jovem de 17 anos, cuja imagem foi utilizada sem consentimento em uma conta no Instagram que rapidamente acumulou 25 mil seguidores. As contas falsas operam sob um padrão específico: postam mensagens sugestivas para gerar engajamento, recebem comentários de natureza sexual e, em seguida, direcionam os usuários para plataformas de conteúdo adulto, capitalizando a exploração da deficiência.

    O esquema de monetização nas redes sociais

    A monetização desses deepfakes explora um sistema sofisticado de redirecionamento entre plataformas. O esquema funciona como um funil de conversão: começa no Instagram, onde conteúdo sugestivo atrai seguidores, e culmina em plataformas de conteúdo adulto pago. O modelo de negócio é frequentemente coordenado por indivíduos especializados na criação de “influenciadores artificiais”, conhecidos como “Geradores de IA do OnlyFans”.

    Esses criadores utilizam tutoriais e canais específicos para ensinar a estratégia, que envolve:

    • Criação de engajamento em plataformas como o Instagram.
    • Redirecionamento de usuários para perfis pagos, como no OnlyFans.
    • Adaptação das imagens, com rostos cortados ou ocultos no conteúdo pago para contornar as políticas das plataformas sobre deepfakes.
    • Exploração de nichos específicos, onde deficiências são tratadas como “mercados de nicho” lucrativos.

    Conforme explicado por alguns desses “gerentes”, a IA permite a criação de “qualquer nicho sob demanda”, incluindo a exploração de pessoas com deficiência como parte de uma estratégia comercial predatória.

    Impactos devastadores na comunidade com deficiência

    Os deepfakes que simulam síndrome de Down causam danos profundos, que transcendem as vítimas individuais e afetam toda a comunidade de pessoas com deficiência. Os impactos são tanto psicológicos quanto sociais, perpetuando estereótipos prejudiciais e fetichizando uma condição genética.

    “Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa. Eu e Jeremy temos síndrome de Down e adoramos isso. Ela é única e eu adoro. É meio que a melhor coisa da minha vida.”

    — Audrey, ativista com síndrome de Down

    Os principais impactos identificados incluem:

    • Fetichização da deficiência: Transformação de uma condição genética em objeto sexual.
    • Representação distorcida: Criação de estereótipos negativos sobre pessoas com síndrome de Down.
    • Apropriação de identidade: Uso não autorizado de imagens da comunidade para fins lucrativos.
    • Normalização da exploração: Tratamento da deficiência como um mero “nicho de mercado”.

    Jeremy, outro ativista, lamenta: “Estão fazendo isso por dinheiro. Por favor, parem com isso.” A sensação de “estar sendo usada” reflete como essa prática ataca a dignidade e a autorrepresentação de toda a comunidade, criando uma “rede de exploração” que prejudica a percepção social sobre pessoas com deficiência.

    A resposta das plataformas digitais: inconsistência e lacunas

    As plataformas digitais têm apresentado respostas inconsistentes e muitas vezes inadequadas ao problema dos deepfakes exploratórios, revelando lacunas significativas em suas políticas de moderação de conteúdo e na capacidade de enforcement diante de um cenário tecnológico em rápida evolução.

    No caso de Alice, a denúncia inicial ao Instagram resultou em uma resposta automática afirmando que o conteúdo não violava as normas, pois os vídeos deepfake não eram explicitamente sexuais, explorando uma brecha nas políticas existentes. Somente após a intervenção jornalística da BBC, as contas envolvidas foram removidas.

    As ações posteriores das plataformas incluíram:

    • YouTube: Cancelou canais que disseminavam tutoriais sobre a criação desses deepfakes.
    • Meta (Instagram): Removeu contas denunciadas por desrespeito às regras de personificação e promoção de serviços sexuais.
    • OnlyFans: Reafirmou suas políticas contra esse tipo de conteúdo, embora seu sistema de verificação de identidade não impeça o uso de imagens obtidas sem autorização de terceiros.

    A remoção das contas exploratórias, em muitos casos, dependeu da exposição pública e da pressão da mídia, evidenciando a insuficiência das ferramentas automatizadas de moderação para detectar formas de exploração mais sutis e sofisticadas.

    Como se proteger contra deepfakes maliciosos

    A proteção contra deepfakes maliciosos exige uma abordagem multifacetada, combinando vigilância pessoal, uso eficaz das ferramentas de denúncia e um aumento na conscientização sobre os riscos inerentes a essas tecnologias.

    Estratégias de proteção individual incluem:

    • Monitoramento constante: Realizar buscas periódicas pelo próprio nome e imagem em diversas plataformas online.
    • Configurações de privacidade: Limitar a visibilidade de fotos e vídeos em perfis públicos para dificultar a coleta de material por criminosos.
    • Denúncias persistentes: Não desistir após respostas automáticas negativas das plataformas, buscando os canais de suporte e documentando as tentativas de contato.
    • Documentação: Manter registros detalhados de contas falsas identificadas e de quaisquer tentativas de contato ou exploração.

    Para a comunidade em geral, a proteção envolve educação sobre deepfakes, reconhecimento de sinais de conteúdo manipulado, apoio às vítimas e pressão contínua por políticas mais robustas por parte das plataformas digitais para aprimorar seus sistemas de detecção e prevenção.

  • Nvidia lança novo chip específico para inferência de inteligência artificial

    Nvidia lança novo chip específico para inferência de inteligência artificial

    Nvidia lança novo chip específico para inferência de inteligência artificial

    A Nvidia anunciou oficialmente o lançamento do chip Language Processing Unit (LPU), um desenvolvimento que surge após a semi-aquisição da designer de chips Groq. Batizado de Nvidia Groq 3 LPU, o novo processador foi projetado com o objetivo de revolucionar tarefas de inferência de inteligência artificial que demandam latência extremamente baixa. A empresa apresentou a novidade durante um evento para a imprensa especializada, destacando sua capacidade de respostas em frações de segundo.

    Este movimento estratégico da gigante dos chips aconteceu na véspera do Natal de 2025, quando a Nvidia investiu US$ 20 bilhões para licenciar a propriedade intelectual da Groq e integrar sua equipe de liderança, incluindo o CEO e fundador Jonathan Ross. O novo chip será disponibilizado em racks LPX refrigerados a líquido, uma solução de alto desempenho que agrupa 256 LPUs. Cada rack oferece 128 GB de SRAM on-chip e uma largura de banda de escala impressionante de 640 TBps, configurado especificamente para workloads de inferência de IA que exigem respostas quase instantâneas.

    Diferenças arquiteturais entre LPU e GPU

    Ian Buck, que lidera a divisão de data center da Nvidia, detalhou as distinções fundamentais entre a nova arquitetura LPU e as tradicionais GPUs da empresa. “As GPUs, com sua grande memória, desempenho incrível em ponto flutuante e alta taxa de transferência de tokens, são insuperáveis para treinamento”, explicou Buck. Ele contrapôs que “o LPU é otimizado estritamente para a geração de tokens com latência extremamente baixa, oferecendo taxas na casa dos milhares de tokens por segundo.”.

    No entanto, Buck ponderou sobre as características do LPU: “A contrapartida, é claro, é que você precisa de muitos chips para obter esse tipo de desempenho. E a economia, ou os tokens por segundo por chip, é bastante baixa”.

    A visão da Nvidia: o melhor dos dois mundos

    A estratégia da Nvidia é consolidar o poder de processamento das GPUs com a agilidade dos LPUs. “Esses dois processadores combinarão os flops extremos das GPUs e a largura de banda das LPUs em uma só solução”, projetou Buck. A empresa vislumbra um futuro impulsionado por sistemas multiagente de IA, onde a combinação dessas tecnologias será crucial.

    Em termos de capacidade, um LPU possui uma fração da memória de uma GPU. Enquanto uma GPU pode ter 288 GB de memória, um LPU conta com 500 MB de SRAM empilhada. Contudo, a largura de banda do LPU é excepcional, variando de 22 TB a 150 TB por segundo, um fator determinante para a baixa latência em tarefas de inferência.

    Disponibilidade e impacto no mercado

    A Nvidia confirmou que o rack LPX estará disponível na segunda metade de 2026, coincidindo com o lançamento da “arquitetura Vera Rubin”, a próxima geração de plataformas da empresa. A expectativa do mercado é que esta nova solução intensifique a competição no setor de chips especializados para IA, especialmente em nichos que demandam processamento em tempo real, como assistentes virtuais avançados e sistemas autônomos.