‘Margem de erro é alta’: os perigos do uso da inteligência artificial para a guerra
A recente operação militar conjunta entre Israel e Estados Unidos contra o Irã lançou luz sobre o uso da inteligência artificial (IA) na guerra, expondo tanto seu potencial quanto seus riscos inerentes. Informações e imagens coletadas ao longo de anos pelos serviços de inteligência de ambos os países foram processadas por IAs, que, por sua vez, orientaram os alvos dos bombardeios em Teerã. Este cenário marca o que a revista francesa Le Nouvel Obs descreve como uma “automatização da guerra”, evidenciada pelo assassinato do líder supremo Ali Khamenei.
O emprego de IA já se tornara comum em conflitos como os da Ucrânia e em Gaza, e foi decisivo em operações como a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. No entanto, a ação conjunta entre a CIA e o Mossad representou, segundo a L’Express, “uma virada na história militar”. A publicação destaca que as agências de inteligência empregaram alta tecnologia de forma inédita, em um contexto de vácuo jurídico internacional para o uso militar da IA.
Como a IA opera nos conflitos modernos
As IAs são capazes de analisar volumes massivos de dados sensíveis, auxiliando os serviços de inteligência humana a conectar informações e planejar ações futuras. No caso específico dos ataques a Teerã, a IA Claude, desenvolvida pela Anthropic, foi fundamental na identificação de alvos e no acompanhamento dos deslocamentos da liderança iraniana ao longo de anos.
Os riscos da ‘automatização da guerra’
A diretora do Centro de Políticas de Tecnologias do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), Laure de Roucy-Rochegonde, em entrevista à Nouvel Obs, alerta que a “margem de erro é alta” e que o discernimento humano na tomada de decisões está em declínio. Ela aponta para o risco de uma “maior tolerância aos danos colaterais” e explica um perigo crucial:
“A decisão é sempre tomada por um humano, mas ele se baseia no direcionamento estabelecido por uma máquina, que usa informações que ele não tem – o que significa dizer que a decisão é tomada às cegas”, explicou a especialista.
IA como ferramenta de defesa
A tecnologia não se limita ao ataque; ela também desempenha um papel vital na defesa. Países do Golfo, alvos de retaliações iranianas, têm conseguido neutralizar a maioria dos disparos provenientes de Teerã, em grande parte devido aos benefícios da inteligência artificial. Reportagem da Le Point revela que os Emirados Árabes Unidos, com um “orçamento ilimitado e salários exorbitantes”, atraem os principais especialistas da área. Abu Dhabi sediou, há cinco anos, a primeira universidade do mundo dedicada à IA, consolidando a tecnologia como “o escudo da nação” e um motor de crescimento econômico.

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