Tag: Israel

  • Fato ou fake: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria

    Fato ou fake: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria

    Publicações disseminadas em redes sociais levantam dúvidas sobre a autenticidade de um vídeo divulgado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no qual ele aparece em uma cafeteria em Jerusalém. As acusações apontam o uso de inteligência artificial (IA) na produção das imagens, com especulações que ganharam força após um pronunciamento anterior de Netanyahu, onde alguns usuários afirmaram ter visto seis dedos em sua mão, o que seria um indício de manipulação.

    Diante da repercussão, surgiram buscas globais por termos como “netanyahu está vivo últimas atualizações”, “dedos de netanyahu” e “vídeo de netanyahu no café”. No entanto, uma análise factual baseada em informações disponíveis revela o que realmente sabemos sobre o caso.

    Verificando a autenticidade do vídeo e do local

    Um dos posts que viralizaram em espanhol, e que já ultrapassou 45 mil visualizações, afirma categoricamente que o vídeo foi criado com inteligência artificial e que a situação, como o copo de café que não transborda, provaria a falsidade.

    Usuários destacaram pontos específicos da gravação, como o nível constante do café e o gesto de colocar a mão no bolso, interpretando-os como evidências de manipulação. Outras mensagens mencionavam a data vista na tela de um caixa registradora, que seria 15/03/2024, e sugeriam que a visita ocorreu durante a pandemia de Covid-19, com seguranças de máscara.

    Contudo, a verificação por meio do Google Maps demonstrou que a cafeteria em questão, identificada pela palavra “Sataf” no avental de um funcionário, realmente existe. Imagens panorâmicas e de satélite confirmam a localização exata do estabelecimento em Jerusalém, dissipando a ideia de ser um cenário sinteticamente criado.

    Adicionalmente, o perfil oficial da cafeteria no Instagram publicou fotos da visita de Netanyahu, acompanhadas de uma legenda expressando satisfação em recebê-lo. Essas postagens reforçam a veracidade do encontro.

    O café, chamado Sataf, fica em Jerusalém e foi inaugurado em julho do ano passado, contrariando as alegações de que a gravação seria de 2024.

    Comparando imagens do Google Maps com o vídeo divulgado por Netanyahu, é possível notar a correspondência de detalhes como o mármore do balcão, as prateleiras e a disposição das garrafas, fortalecendo ainda mais a autenticidade.

    Ferramentas de detecção de IA e o veredito

    Para combater as acusações de manipulação, o vídeo e imagens relacionadas foram submetidos a diversas ferramentas de detecção de inteligência artificial. Os resultados indicaram uma baixa probabilidade de uso de IA.

    Ferramentas como o DecopyAI analisaram as imagens postadas pelo perfil oficial da cafeteria e indicaram chances mínimas de serem sintéticas, com resultados de 1% e 2%.

    O próprio vídeo de Netanyahu foi testado em três plataformas distintas:

    • Hive Moderation concluiu que “o arquivo provavelmente não contém IA ou deepfake”.
    • Sight Engine apontou apenas 13% de chance de uso de IA.
    • SynthID Detector, a ferramenta do Google, indicou “Não foi feito com a IA do Google”, o que significa que o conteúdo não foi gerado pela IA específica dessa empresa, que utiliza uma marca d’água digital para identificação.

    A análise dessas ferramentas sugere que as alegações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu na cafeteria não são sustentadas pelas evidências tecnológicas atuais.

  • ‘Margem de erro é alta’: os perigos do uso da inteligência artificial para a guerra

    ‘Margem de erro é alta’: os perigos do uso da inteligência artificial para a guerra

    ‘Margem de erro é alta’: os perigos do uso da inteligência artificial para a guerra

    A recente operação militar conjunta entre Israel e Estados Unidos contra o Irã lançou luz sobre o uso da inteligência artificial (IA) na guerra, expondo tanto seu potencial quanto seus riscos inerentes. Informações e imagens coletadas ao longo de anos pelos serviços de inteligência de ambos os países foram processadas por IAs, que, por sua vez, orientaram os alvos dos bombardeios em Teerã. Este cenário marca o que a revista francesa Le Nouvel Obs descreve como uma “automatização da guerra”, evidenciada pelo assassinato do líder supremo Ali Khamenei.

    O emprego de IA já se tornara comum em conflitos como os da Ucrânia e em Gaza, e foi decisivo em operações como a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. No entanto, a ação conjunta entre a CIA e o Mossad representou, segundo a L’Express, “uma virada na história militar”. A publicação destaca que as agências de inteligência empregaram alta tecnologia de forma inédita, em um contexto de vácuo jurídico internacional para o uso militar da IA.

    Como a IA opera nos conflitos modernos

    As IAs são capazes de analisar volumes massivos de dados sensíveis, auxiliando os serviços de inteligência humana a conectar informações e planejar ações futuras. No caso específico dos ataques a Teerã, a IA Claude, desenvolvida pela Anthropic, foi fundamental na identificação de alvos e no acompanhamento dos deslocamentos da liderança iraniana ao longo de anos.

    Os riscos da ‘automatização da guerra’

    A diretora do Centro de Políticas de Tecnologias do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), Laure de Roucy-Rochegonde, em entrevista à Nouvel Obs, alerta que a “margem de erro é alta” e que o discernimento humano na tomada de decisões está em declínio. Ela aponta para o risco de uma “maior tolerância aos danos colaterais” e explica um perigo crucial:

    “A decisão é sempre tomada por um humano, mas ele se baseia no direcionamento estabelecido por uma máquina, que usa informações que ele não tem – o que significa dizer que a decisão é tomada às cegas”, explicou a especialista.

    IA como ferramenta de defesa

    A tecnologia não se limita ao ataque; ela também desempenha um papel vital na defesa. Países do Golfo, alvos de retaliações iranianas, têm conseguido neutralizar a maioria dos disparos provenientes de Teerã, em grande parte devido aos benefícios da inteligência artificial. Reportagem da Le Point revela que os Emirados Árabes Unidos, com um “orçamento ilimitado e salários exorbitantes”, atraem os principais especialistas da área. Abu Dhabi sediou, há cinco anos, a primeira universidade do mundo dedicada à IA, consolidando a tecnologia como “o escudo da nação” e um motor de crescimento econômico.

  • Tecnologias de massacre: o uso de Inteligência Artificial no ataque imperialista ao Irã

    Tecnologias de massacre: o uso de Inteligência Artificial no ataque imperialista ao Irã

    Tecnologias de massacre: o uso de Inteligência Artificial no ataque imperialista ao Irã

    Um novo capítulo na reconfiguração do poder bélico global foi escrito com o ataque ao Irã, orquestrado entre Estados Unidos e Israel. A operação, que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei e na destruição de uma escola de meninas com mais de 160 vítimas, foi marcada pelo uso extensivo de drones equipados com inteligência artificial. Os sistemas L.U.C.A.S. (Sistema Não Tripulado de Baixo Custo de Ataque e Combate) foram fundamentais para mapear e neutralizar radares iranianos, abrindo caminho para mísseis e caças.

    Este evento não é um incidente isolado, mas a manifestação de um processo de integração tecnológica sem precedentes em conflitos armados. A inteligência artificial, drones autônomos, ciberataques e vigilância em massa tornam-se centrais para as estratégias de potências como Estados Unidos, Israel, Rússia e China. Essa escalada tecnológica aponta para um futuro onde o extermínio em massa pode ser potencializado por algoritmos e sistemas automatizados.

    A confluência do complexo militar-industrial e das Big Techs

    O professor Sérgio Amadeu, em seu livro, cunha o termo “complexo militar-industrial-dataficado” para descrever a nova configuração do poder bélico. Estados imperialistas como os EUA utilizam o poder de processamento de dados das gigantes de tecnologia – Google, Amazon, Microsoft e Meta, além de empresas de IA como OpenAI, Oracle e Anthropic – para monitorar populações, definir estratégias e selecionar alvos. Essas empresas, antes vistas como meras prestadoras de serviços comerciais, tornam-se peças-chave na estrutura estatal bélica.

    A administração Trump, desde 2024, integrou diversos diretores de Big Techs em seu Departamento de Guerra, evidenciando a simbiose entre o setor privado de tecnologia e o aparato militar. Bilhões de dólares circulam em contratos entre os governos americano e israelense e essas corporações, configurando uma nova fronteira de acumulação capitalista.

    Gaza como laboratório e o caso da Anthropic

    As tecnologias empregadas contra o Irã já haviam sido testadas na Faixa de Gaza. Israel utilizou IA e tecnologia de ponta nos massacres iniciados em outubro de 2023. O Google, por exemplo, forneceu dados e recursos para Israel desenvolver mecanismos de mapeamento de alvos e identificação de supostos terroristas, incluindo treinamento de padrões biométricos de palestinos. Essa vigilância massiva, aliada a bombardeios, resultou na destruição da infraestrutura civil da região.

    Apesar dessa tendência, surgem contradições. A empresa Anthropic resistiu inicialmente ao uso de sua IA, Claude, para a automatização de drones militares, mesmo após um contrato bilionário com o Departamento de Defesa dos EUA. No entanto, o governo americano declarou que a IA Claude foi, de fato, utilizada na coordenação dos ataques ao Irã. A postura da Anthropic, que se autodenomina promotora de “IA Responsável”, revela a complexidade moral e ética envolvida, especialmente quando a IA se torna uma moeda de troca com regimes autoritários.

    Em 2024, 28 trabalhadores do Google foram demitidos por protestarem contra o Projeto Nimbus, um contrato de 1,2 bilhão de dólares com Israel para aprimorar tecnologias de guerra em Gaza. Esse episódio sublinha a crescente resistência interna contra a aplicação de tecnologias em atos de violência estatal.

    O futuro do conflito e o enfrentamento ao imperialismo dataficado

    Compreender a centralidade das empresas de tecnologia e a plataformização da sociedade é crucial para enfrentar o imperialismo contemporâneo. A inteligência artificial, muitas vezes apresentada como solução para problemas globais, é, na realidade, um componente fundamental na agudização das crises multidimensionais.

    É imperativo o diagnóstico de que estamos sob um complexo militar-industrial-dataficado e que essa realidade exige a elaboração de um programa de enfrentamento profundo a essa face do capitalismo. A busca por uma ruptura com as Big Techs, que se consolidam como representantes dessa nova ordem, torna-se um passo essencial para a solidariedade com os povos oprimidos e para a construção de um futuro mais justo.

  • É #FAKE vídeo que mostra torres destruídas em Tel Aviv; cenas foram geradas por inteligência artificial e já viralizaram em 2025

    É #FAKE vídeo que mostra torres destruídas em Tel Aviv; cenas foram geradas por inteligência artificial e já viralizaram em 2025

    É #FAKE vídeo que mostra torres destruídas em Tel Aviv; cenas foram geradas por inteligência artificial e já viralizaram em 2025

    Um vídeo que circula nas redes sociais e mostra imagens aéreas de supostas torres destruídas em Tel Aviv, Israel, após ataques com mísseis, é falso. As cenas foram criadas por inteligência artificial (IA) e já haviam viralizado anteriormente, em 2025. Uma ferramenta de detecção apontou 99,9% de probabilidade de uso de IA no conteúdo.

    A publicação, que apareceu em plataformas como o X (antigo Twitter) com legendas alegando que Tel Aviv estaria destruída em 48 horas, gerou questionamentos em meio ao contexto de guerra entre Estados Unidos e Irã. É importante ressaltar que, apesar da falsidade das imagens em questão, houve ataques reais com mísseis em Tel Aviv no sábado (28), que resultaram em mortes e feridos, além de danos a edificações.

    Análise da veracidade do vídeo

    A checagem do conteúdo foi realizada pelo portal Fato ou Fake, que utilizou a plataforma Hive Moderation, especializada na detecção de conteúdos fabricados por IA. A análise indicou uma probabilidade de 99,9% de uso de inteligência artificial em toda a extensão do vídeo.

    Além da detecção técnica, foram observadas falhas características de cenas sintéticas. A partir do sexto segundo do clipe, um caminhão de bombeiros no canto inferior direito da tela se transforma em um carro branco. Outro indício é um letreiro em um dos prédios, com uma língua inexistente que apenas se assemelha ao hebraico, não sendo reconhecida por aplicativos de tradução.

    Origem e histórico do conteúdo falso

    Para rastrear a origem das imagens, a equipe do Fato ou Fake utilizou a ferramenta InVID para fragmentar o vídeo em quadros estáticos. Uma busca reversa por essas imagens no Google Lens revelou que o conteúdo já havia sido publicado anteriormente. Um vídeo de 16 segundos com cenas similares foi encontrado no TikTok, datado de 14 de junho do ano passado, onde o perfil citava o termo “resistência da inteligência artificial”.

    Anteriormente, nos dias 26 e 27 de maio de 2025, o mesmo perfil já havia divulgado conteúdos que supostamente mostravam áreas residenciais destruídas em Tel Aviv. Naquela época, Irã e Israel não estavam em conflito armado, o que reforça a natureza fabricada das imagens.

    Contexto e desinformação

    A disseminação deste vídeo falso ocorreu em um momento delicado, com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. A guerra, iniciada em 28 de maio, tem o programa nuclear iraniano como principal objetivo declarado. A circulação de desinformação como esta pode intensificar pânico e confusão em períodos de crise.

    É fundamental que os usuários verifiquem a veracidade das informações antes de compartilhar, especialmente em cenários de conflito. Ferramentas de checagem e a análise crítica do conteúdo são essenciais para combater a desinformação.