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  • O dilema da pesquisa científica com a Inteligência Artificial

    O dilema da pesquisa científica com a Inteligência Artificial

    A pesquisa científica no Brasil, em 2026, enfrenta um novo marco regulatório que redefine o papel da Inteligência Artificial (IA) generativa. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) publicou a Portaria nº 2.664, que institui a Política de Integridade na Atividade Científica, destacando diretrizes claras para o uso dessa tecnologia.

    Essa medida visa estabelecer um equilíbrio crucial entre a inovação tecnológica e a manutenção da rigorosa ética acadêmica, colocando a responsabilidade da produção científica diretamente nas mãos dos pesquisadores e exigindo transparência no processo.

    Do que trata a portaria do CNPq?

    A Portaria 2.664/2026 do CNPq é mais do que uma mera atualização burocrática; ela representa uma mudança sísmica na forma como a ciência é governada no Sul Global, conforme aponta o artigo original publicado no Brasil de Fato. Seu foco principal é a definição de diretrizes para o uso da Inteligência Artificial generativa (IAG) na pesquisa científica, com ênfase na transparência e na responsabilidade ética.

    Esta política se aplica a todos os usuários da base do CNPq, incluindo bolsistas, proponentes de projetos, servidores e membros de comitês de assessoramento. Um exemplo prático da sua relevância surge quando um pesquisador, pressionado por prazos, utiliza uma ferramenta de IAG e acaba por incluir uma citação alucinada – um artigo inexistente. No passado, isso poderia ser visto como um equívoco. Hoje, sob a nova política, a situação direciona para uma clara responsabilidade acadêmica e profissional, buscando minimizar o fim do “faroeste” da pesquisa assistida por IA.

    Principais regras do cnpq para uso da iag na pesquisa científica

    A portaria do CNPq inova ao integrar conceitos de justiça social e de gênero como pilares da integridade científica. A integridade agora se estende para além da ausência de fabricação de dados, abrangendo a forma como as pessoas são tratadas e a diversidade do conhecimento respeitado. Um ponto central é a introdução da Justiça Cognitiva, que reconhece e valoriza diferentes formas de conhecimento, indo além dos paradigmas tradicionais orientais.

    Os princípios do CNPq reforçam que a responsabilidade do conteúdo científico produzido recai inteiramente sobre o pesquisador, atuando como um escudo legal para a instituição e transferindo o ônus da verdade diretamente ao indivíduo. Além disso, a portaria não recomenda oficialmente o uso de IA para gerar avaliações por pares, preservando o elemento humano e a criticidade na avaliação acadêmica, um aspecto crucial para a produção de novas perguntas e avanços científicos.

    “Os autores são integralmente responsáveis pelo conteúdo final, incluindo qualquer plágio ou imprecisão gerada pela ferramenta utilizada.” (Art. 9, I, d/f)

    A política também proíbe expressamente a inserção de projetos de pesquisa de terceiros em tecnologias de IAG com o objetivo de elaborar pareceres científicos. Tal medida visa proteger a propriedade intelectual e a integridade do processo de avaliação, evitando que dados sensíveis sejam processados por ferramentas externas de IA. O descumprimento dessas regras pode resultar em advertências, suspensão de benefícios e até o impedimento de participação em futuros processos de fomento do órgão.

    Como declarar o uso de ia generativa em um projeto científico?

    A transparência é fundamental, e o CNPq estabelece diretrizes claras sobre como declarar o uso de IA Generativa em projetos científicos:

    • O quê declarar: É obrigatório especificar a ferramenta de IA generativa utilizada (nome do software ou plataforma) e a finalidade exata do seu uso no trabalho.
    • Quando declarar: A informação deve ser fornecida independentemente da fase da pesquisa, seja na concepção, redação, análise de dados ou submissão.
    • Onde inserir a informação: Deve constar nos respectivos textos e exposições eletrônicas do projeto ou relatório científico.
    • Como declarar: Inserir os respectivos textos e exposições eletrônicas e digitais dos documentos de relatórios técnicos, teses, artigos, etc.

    A Responsabilidade de Autoria é um ponto crucial: é expressamente proibido submeter conteúdo gerado por IA como se fosse de autoria humana. Os autores humanos mantêm a responsabilidade integral pelo conteúdo final, com a obrigação de revisar, garantir a veracidade das informações e responder por eventuais plágios ou imprecisões geradas pela ferramenta.

    O papel das universidades diante do desafio da ia

    As universidades e demais instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) têm respondido ao desafio da IAG com uma postura de corresponsabilidade e governança ativa. No entanto, muitos docentes ainda enfrentam dificuldades em lidar com textos gerados por IA apresentados por estudantes, identificando problemas como despadronização, descontextualização e alucinações nos conteúdos.

    Em resposta, algumas instituições têm desenvolvido iniciativas para abordar as questões éticas. Exemplos notáveis incluem o Guia para Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial (IA) Generativa na UFBA (publicado em 2025) e o Guia de IA da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A UFMG foi a primeira universidade federal brasileira a criar um guia e sediar um seminário sobre o tema. Ambas as instituições criaram comissões permanentes para gerenciar os potenciais e desafios da IA no ambiente universitário.

    Em uma palestra recente na Ufba, o professor Virgílio Almeida, da UFMG, destacou pontos essenciais para as universidades lidarem com a IA: a necessidade de ampliar o debate e a governança interna para construir diretrizes específicas e a importância de oferecer orientação e suporte aos pesquisadores e docentes para esclarecer dúvidas.

    A questão que permanece em 2026, conforme discutido em um artigo publicado no Brasil de Fato, é: será possível integrar de forma ética e colaborativa o uso da IAG no plano acadêmico e científico, garantindo avanço sem comprometer a integridade e a autoria humana?

  • Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    O avanço da inteligência artificial (IA) no cenário educacional está se tornando uma realidade cada vez mais presente. Nas principais instituições de ensino superior dos Estados Unidos e da União Europeia, aproximadamente 90% dos estudantes já utilizam ferramentas de IA. No Brasil, esse número também é expressivo, com 85% dos universitários, 70% dos estudantes do ensino médio e 40% do ensino fundamental integrando a tecnologia em suas rotinas.

    Essa rápida disseminação é impulsionada por gigantes da tecnologia, gerando debates e, em alguns casos, resistência por parte de educadores, que levantam preocupações éticas, de precisão e de transparência. Contudo, a IA já executa tarefas tradicionalmente associadas ao ensino, como análise de informações, produção textual, sumarização de conteúdos e programação, tornando sua exclusão cada vez mais inviável.

    A necessidade de adaptação universitária

    Diante desse cenário de transformação, especialistas defendem a ampliação do estudo da inteligência artificial em todas as áreas do conhecimento nas universidades, transcendendo o foco exclusivo da ciência da computação. A USP, por exemplo, busca se adaptar a essa nova realidade, propondo a criação de uma estrutura dedicada à integração da IA em seus cursos.

    Impacto no mercado de trabalho e no ensino superior

    As mudanças tecnológicas trazidas pela IA também redefinem o mercado de trabalho e influenciam o interesse dos jovens pela universidade. Em países como Estados Unidos e na Europa, observa-se uma tendência crescente entre os jovens em priorizar o aprendizado prático ou ingressar mais cedo no mercado, focando em habilidades e trajetórias profissionais em detrimento da obtenção de diplomas tradicionais.

    Esse movimento pressiona as universidades a repensarem seus modelos. A adaptação é vista como essencial para preparar os estudantes para um mundo em constante evolução e para mitigar o aumento das desigualdades educacionais e profissionais. Conforme reportado pelo Jornal da USP em 17 de março de 2026, a inteligência artificial avança nas escolas, exigindo que as universidades se reinventem diante das novas demandas tecnológicas e do mercado de trabalho.