Tag: União Europeia

  • UE registra aumento acentuado em interferência estrangeira impulsionada por IA

    UE registra aumento acentuado em interferência estrangeira impulsionada por IA

    UE registra aumento acentuado em interferência estrangeira impulsionada por IA

    A União Europeia observou um crescimento alarmante em incidentes de interferência estrangeira impulsionados por inteligência artificial (IA) em 2025. Um relatório do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), braço diplomático do bloco, apontou que atores mal-intencionados incorporaram totalmente a nova tecnologia em suas operações, levando a uma quase triplicação desses casos.

    O documento identificou 540 episódios de manipulação e interferência informacional (FIMI) no último ano. Desses, 147 envolviam o uso de IA, representando pouco mais de um quarto do total. Este número representa um aumento expressivo de 259% em relação a 2024, quando foram registrados apenas 41 casos semelhantes, demonstrando a rápida adaptação e expansão dessas táticas.

    Quem está por trás das operações?

    A Ucrânia foi o país mais visado, com 112 incidentes. Em seguida, aparecem a França (107), Moldávia (94), Alemanha (71) e os Estados Unidos (51). A Polônia, um membro importante da UE, registrou 17 incidentes, posicionando-se em oitavo lugar.

    Segundo o relatório, 29% dos incidentes documentados foram atribuídos à Rússia, enquanto 6% foram ligados à China. Os restantes 65% permaneceram sem atribuição direta, embora o documento sugira que muitos possam ter utilizado infraestruturas russas ou chinesas.

    A dificuldade na atribuição se deve à natureza enganosa das operações, que frequentemente ocultam seus operadores e financiamento. O relatório enfatiza que a maior parte das infraestruturas de FIMI é oculta ou inautêntica, tornando a exposição das conexões por trás de fontes secretas crucial para mitigar seu impacto.

    O que está sendo disseminado?

    Os temas explorados pelos atores maliciosos variaram desde o apoio à Ucrânia até as relações transatlânticas. Com a aproximação de eleições, o aparato russo de FIMI explorou questões domésticas para aprofundar divisões e polarização existentes.

    Na Alemanha, o foco foi a imigração; na Polônia, o sentimento anti-refugiados. Narrativas que retratavam a Ucrânia como instigadora de ataques na Europa foram amplamente utilizadas durante eventos de notícias de última hora, como a incursão de drones russos e o sabotagem ferroviária na Polônia.

    Tendências futuras e plataformas utilizadas

    As redes sociais e plataformas de mensagens continuam sendo os meios mais eficazes e de menor custo para alcançar grandes audiências globais. Notavelmente, 88% dos incidentes foram concentrados na plataforma X, propriedade do empresário Elon Musk.

    O relatório conclui que as atividades de FIMI russas provavelmente intensificar-se-ão ainda mais em 2026. Regiões de importância estratégica, como o Mar Báltico e o Ártico, devem se tornar alvos crescentes de operações de influência.

  • Facilitando o desenvolvimento e uso de IA por empresas europeias

    Facilitando o desenvolvimento e uso de IA por empresas europeias

    Empresas europeias terão mais facilidade para desenvolver e usar IA

    O Grupo PPE (Partido Popular Europeu) anunciou nesta [data] que votará pela simplificação e adiamento das novas regras da União Europeia sobre Inteligência Artificial (IA). O objetivo é permitir que as empresas se preparem melhor e enfrentem menos requisitos sobrepostos, um passo crucial para se tornar um continente líder em IA.

    A iniciativa visa dar às empresas mais tempo para adaptação, simplificar o Ato de IA e oferecer suporte a startups e scale-ups. A proposta busca eliminar a burocracia e regras duplicadas, que podem prejudicar tanto cidadãos quanto negócios, segundo declarou Arba Kokalari MEP, negociadora do Parlamento sobre o tema.

    Simplificação e clareza para o setor

    A proposta centraliza-se em evitar cenários onde as empresas precisem cumprir múltiplos conjuntos de regras para um único produto. A ideia é que as normas setoriais existentes prevaleçam, permitindo que as empresas operem dentro de um único e claro quadro regulatório. “Nosso objetivo é simples: menos regras sobrepostas e menores custos para as empresas. É assim que a simplificação deve parecer”, afirmou Axel Voss MEP, negociador do Grupo PPE no comitê de Liberdades Civis.

    Com o cronograma proposto, as obrigações chave para sistemas de IA de alto risco serão aplicadas em uma data posterior à planejada originalmente. Isso proporcionará às empresas um período estendido para garantir a conformidade.

    Inovação europeia em foco

    Para que a Europa se consolide como um continente de IA, é fundamental facilitar, e não dificultar, a inovação e o investimento. “Hoje, as regras podem ser muito rigorosas ou não claras o suficiente. Isso pode desencorajar as empresas a adicionar recursos úteis de IA, mesmo quando são seguros”, comentou Kokalari. Ela ressaltou a importância de não tratar a IA de baixo risco da mesma forma que a de alto risco, para não inibir o progso. A negociação com os países da UE deve ser concluída até abril, com adoção final antes de agosto de 2026.

    Abordando usos abusivos de IA

    O Grupo PPE também apoia o banimento de ferramentas de IA que geram imagens íntimas falsas de pessoas reais sem consentimento. Casos recentes evidenciam a urgência dessa ação. No entanto, o banimento deve focar exclusivamente em usos abusivos, sem bloquear aplicações legítimas de IA em áreas como edição de fotos, saúde, varejo, artes e moda. A meta é garantir que regras estritas para alto risco não se apliquem a aplicações de baixo risco.

  • Especialistas discutem desinformação e riscos à democracia na era da inteligência artificial

    Especialistas discutem desinformação e riscos à democracia na era da inteligência artificial

    Especialistas discutem desinformação e riscos à democracia na era da inteligência artificial

    A crescente influência da inteligência artificial (IA) levanta sérias preocupações sobre a disseminação de desinformação e seus impactos na estabilidade democrática. Especialistas de diversas áreas se reuniram para debater esses desafios urgentes, buscando caminhos para proteger os processos democráticos em um cenário digital em constante evolução.

    A Fundação Getulio Vargas (FGV), através da FGV Comunicação, promoveu um encontro crucial para aprofundar a discussão sobre como a inteligência artificial afeta a circulação de informações e a integridade das democracias. O debate, realizado em parceria com a Delegação da União Europeia no Brasil, reuniu figuras importantes da América Latina e da Europa.

    Desafios da desinformação e interferência estrangeira

    Um dos focos centrais do debate foi o uso de tecnologias de IA na criação e disseminação de conteúdos falsos. A interferência estrangeira em processos democráticos, utilizando essas ferramentas, foi apontada como um risco significativo para a soberania e a integridade eleitoral.

    Marcela Ríos Tobar, diretora para América Latina e Caribe do International IDEA, e a jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, participaram de um painel que abordou especificamente esses desafios no Brasil e em toda a região latino-americana. A moderação deste painel ficou a cargo de Beatriz Farrugia, analista sênior do Debunk.org.

    Impactos da IA nos processos democráticos

    Outro ponto crucial discutido foi o impacto geral da inteligência artificial e de outras tecnologias emergentes sobre os mecanismos democráticos. A forma como essas ferramentas moldam o debate público e a participação cidadã foi analisada com atenção.

    Representando o governo, participaram Marcelo Almeida, assessor especial do Advogado-Geral da União, e João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A discussão foi moderada por Amaro Grassi, vice-diretor da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV.

    O papel das instituições e plataformas na proteção democrática

    A conferência buscou não apenas expor os problemas, mas também fomentar um diálogo construtivo sobre as soluções. A discussão pública sobre os desafios contemporâneos da desinformação foi incentivada, com foco no papel essencial das instituições, da sociedade civil e das plataformas digitais na salvaguarda da democracia.

    O evento, que ocorreu na sede da FGV em Brasília em 17 de março, contou com tradução simultânea em inglês e português, visando ampliar o alcance do debate e promover a colaboração internacional.

  • Conselho Europeu propõe proibição de ferramentas de ‘nudificação’ no Ato de IA

    Conselho Europeu propõe proibição de ferramentas de ‘nudificação’ no Ato de IA

    Conselho Europeu propõe proibição de ferramentas de ‘nudificação’ no Ato de IA

    O Conselho Europeu deu um passo significativo na regulamentação da inteligência artificial ao propor a inclusão de uma proibição explícita para ferramentas de ‘nudificação’ em sua versão emendada do Ato de IA. A medida visa combater a geração de conteúdo sexual e íntimo não consensual, bem como material de abuso sexual infantil.

    A proposta, divulgada na sexta-feira, representa um avanço na simplificação do Ato de IA, o marco legislativo digital da União Europeia. A inclusão da proibição de ‘nudificação’ é uma resposta direta a incidentes recentes, como a geração de imagens íntimas não consensuais pelo chatbot Grok, que gerou repercussão global e levou a Comissão Europeia a investigar a plataforma X.

    Novas diretrizes para dados e sistemas de alto risco

    Além da proibição de ferramentas de ‘nudificação’, a proposta do Conselho Europeu introduz padrões mais rigorosos para o processamento de certas categorias de dados pessoais. Foi restabelecido o critério de estrita necessidade para o processamento de categorias especiais de dados pessoais, com o objetivo de garantir a detecção e correção de vieses em sistemas de IA.

    Outras emendas propostas incluem a reintegração de uma regra que obriga os provedores a registrar sistemas de IA considerados de alto risco em um banco de dados da UE, caso sustentem que suas ofertas devam ser isentas das regulamentações aplicáveis a tais sistemas. A Comissão Europeia já havia proposto estender o prazo de entrada em vigor das regras para sistemas de IA de alto risco em até 16 meses e isentar mais pequenas empresas de algumas regulamentações.

    Próximos passos e negociações

    As emendas adicionais apresentadas pelo Conselho Europeu agora precisam ser debatidas e acordadas com o Parlamento Europeu. Membros do Parlamento Europeu já haviam aprovado uma proibição semelhante em sua própria proposta na quarta-feira, indicando uma forte probabilidade de que a medida seja incluída no plano negociado entre o Conselho e o Parlamento.

    A iniciativa reflete o esforço contínuo da Europa em estabelecer um quadro regulatório robusto para a inteligência artificial, buscando equilibrar inovação com a proteção dos direitos fundamentais e a segurança dos cidadãos. A proposta de proibir ferramentas de ‘nudificação’ é um marco importante nessa direção, sinalizando uma tolerância zero para a criação e disseminação de conteúdo prejudicial gerado por IA.