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  • Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: a nova fronteira da exploração digital

    A inteligência artificial (IA) trouxe avanços notáveis, mas também abriu portas para novas formas de crime. Uma das mais perturbadoras é o uso de deepfakes, vídeos e imagens manipulados por IA, para explorar pessoas com deficiência. Essa tecnologia permite a criação de conteúdo falso que simula ter síndrome de Down, combinando roubo de identidade com discriminação e visando lucros em plataformas de conteúdo adulto.

    Criminosos se apropriam de imagens de mulheres, muitas vezes retiradas de redes sociais, e utilizam filtros de IA para alterar feições, criando a aparência de pessoas com síndrome de Down. Essas imagens são então sobrepostas a corpos de mulheres reais, gerando personagens fictícias. O objetivo é direcionar tráfego para plataformas de conteúdo adulto pago, explorando a deficiência como um nicho de mercado específico e lucrativo.

    O funcionamento dos deepfakes de síndrome de Down

    O processo para criar esses deepfakes maliciosos envolve a apropriação não autorizada de imagens de mulheres reais, geralmente extraídas de perfis públicos em redes sociais. A tecnologia de IA é então empregada para modificar características faciais, simulando a aparência de pessoas com síndrome de Down. Essas imagens manipuladas são aplicadas sobre corpos de indivíduos reais, formando personagens completamente novas e fictícias.

    Um exemplo notório é o caso de Alice, uma jovem de 17 anos, cuja imagem foi utilizada sem consentimento em uma conta no Instagram que rapidamente acumulou 25 mil seguidores. As contas falsas operam sob um padrão específico: postam mensagens sugestivas para gerar engajamento, recebem comentários de natureza sexual e, em seguida, direcionam os usuários para plataformas de conteúdo adulto, capitalizando a exploração da deficiência.

    O esquema de monetização nas redes sociais

    A monetização desses deepfakes explora um sistema sofisticado de redirecionamento entre plataformas. O esquema funciona como um funil de conversão: começa no Instagram, onde conteúdo sugestivo atrai seguidores, e culmina em plataformas de conteúdo adulto pago. O modelo de negócio é frequentemente coordenado por indivíduos especializados na criação de “influenciadores artificiais”, conhecidos como “Geradores de IA do OnlyFans”.

    Esses criadores utilizam tutoriais e canais específicos para ensinar a estratégia, que envolve:

    • Criação de engajamento em plataformas como o Instagram.
    • Redirecionamento de usuários para perfis pagos, como no OnlyFans.
    • Adaptação das imagens, com rostos cortados ou ocultos no conteúdo pago para contornar as políticas das plataformas sobre deepfakes.
    • Exploração de nichos específicos, onde deficiências são tratadas como “mercados de nicho” lucrativos.

    Conforme explicado por alguns desses “gerentes”, a IA permite a criação de “qualquer nicho sob demanda”, incluindo a exploração de pessoas com deficiência como parte de uma estratégia comercial predatória.

    Impactos devastadores na comunidade com deficiência

    Os deepfakes que simulam síndrome de Down causam danos profundos, que transcendem as vítimas individuais e afetam toda a comunidade de pessoas com deficiência. Os impactos são tanto psicológicos quanto sociais, perpetuando estereótipos prejudiciais e fetichizando uma condição genética.

    “Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa. Eu e Jeremy temos síndrome de Down e adoramos isso. Ela é única e eu adoro. É meio que a melhor coisa da minha vida.”

    — Audrey, ativista com síndrome de Down

    Os principais impactos identificados incluem:

    • Fetichização da deficiência: Transformação de uma condição genética em objeto sexual.
    • Representação distorcida: Criação de estereótipos negativos sobre pessoas com síndrome de Down.
    • Apropriação de identidade: Uso não autorizado de imagens da comunidade para fins lucrativos.
    • Normalização da exploração: Tratamento da deficiência como um mero “nicho de mercado”.

    Jeremy, outro ativista, lamenta: “Estão fazendo isso por dinheiro. Por favor, parem com isso.” A sensação de “estar sendo usada” reflete como essa prática ataca a dignidade e a autorrepresentação de toda a comunidade, criando uma “rede de exploração” que prejudica a percepção social sobre pessoas com deficiência.

    A resposta das plataformas digitais: inconsistência e lacunas

    As plataformas digitais têm apresentado respostas inconsistentes e muitas vezes inadequadas ao problema dos deepfakes exploratórios, revelando lacunas significativas em suas políticas de moderação de conteúdo e na capacidade de enforcement diante de um cenário tecnológico em rápida evolução.

    No caso de Alice, a denúncia inicial ao Instagram resultou em uma resposta automática afirmando que o conteúdo não violava as normas, pois os vídeos deepfake não eram explicitamente sexuais, explorando uma brecha nas políticas existentes. Somente após a intervenção jornalística da BBC, as contas envolvidas foram removidas.

    As ações posteriores das plataformas incluíram:

    • YouTube: Cancelou canais que disseminavam tutoriais sobre a criação desses deepfakes.
    • Meta (Instagram): Removeu contas denunciadas por desrespeito às regras de personificação e promoção de serviços sexuais.
    • OnlyFans: Reafirmou suas políticas contra esse tipo de conteúdo, embora seu sistema de verificação de identidade não impeça o uso de imagens obtidas sem autorização de terceiros.

    A remoção das contas exploratórias, em muitos casos, dependeu da exposição pública e da pressão da mídia, evidenciando a insuficiência das ferramentas automatizadas de moderação para detectar formas de exploração mais sutis e sofisticadas.

    Como se proteger contra deepfakes maliciosos

    A proteção contra deepfakes maliciosos exige uma abordagem multifacetada, combinando vigilância pessoal, uso eficaz das ferramentas de denúncia e um aumento na conscientização sobre os riscos inerentes a essas tecnologias.

    Estratégias de proteção individual incluem:

    • Monitoramento constante: Realizar buscas periódicas pelo próprio nome e imagem em diversas plataformas online.
    • Configurações de privacidade: Limitar a visibilidade de fotos e vídeos em perfis públicos para dificultar a coleta de material por criminosos.
    • Denúncias persistentes: Não desistir após respostas automáticas negativas das plataformas, buscando os canais de suporte e documentando as tentativas de contato.
    • Documentação: Manter registros detalhados de contas falsas identificadas e de quaisquer tentativas de contato ou exploração.

    Para a comunidade em geral, a proteção envolve educação sobre deepfakes, reconhecimento de sinais de conteúdo manipulado, apoio às vítimas e pressão contínua por políticas mais robustas por parte das plataformas digitais para aprimorar seus sistemas de detecção e prevenção.

  • Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    A inteligência artificial (IA) avança rapidamente, trazendo inovações, mas também novas formas de exploração. Criminosos têm se aproveitado da tecnologia de deepfakes para criar esquemas lucrativos, explorando de maneira particularmente cruel indivíduos com deficiência. Essa prática, que combina roubo de identidade com discriminação, tem gerado preocupações significativas.

    O método consiste na apropriação não autorizada de imagens de pessoas reais, muitas vezes retiradas de perfis de redes sociais. Em seguida, filtros de IA são usados para alterar características faciais, simulando condições como a síndrome de Down, e aplicados sobre o corpo de modelos. Essas figuras fictícias são então utilizadas para direcionar usuários a plataformas de conteúdo adulto pago, explorando a deficiência como um nicho de mercado.

    Como funcionam os deepfakes exploratórios

    A exploração de deepfakes que simulam síndrome de Down é uma forma alarmante de abuso digital. O processo inicia com a coleta de imagens de mulheres em seus perfis públicos. A IA, então, modifica a aparência facial para criar a ilusão de que a pessoa tem síndrome de Down. Essas imagens são sobrepostas a corpos de modelos reais, resultando em personagens completamente falsas.

    Um exemplo chocante é o caso de Alice, uma jovem de 17 anos, cuja imagem foi usada sem permissão em uma conta no Instagram que alcançou 25 mil seguidores. Essas contas operam em um padrão bem definido: postam conteúdo sugestivo para obter engajamento, recebem comentários explícitos e redirecionam o tráfego para sites de conteúdo adulto pago.

    “Retira dados das mulheres sem o seu consentimento e os usa para capitalizar a deficiência como forma de ganhar dinheiro”, explica a pesquisadora Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge.

    Essa prática cria uma dupla camada de exploração, afetando tanto as vítimas diretas quanto a comunidade de pessoas com deficiência como um todo.

    O esquema de monetização nas redes sociais

    A monetização desses deepfakes maliciosos é um sistema sofisticado de redirecionamento entre plataformas. O esquema funciona como um funil de conversão, começando no Instagram e culminando em plataformas de conteúdo adulto, como o OnlyFans. Os responsáveis por isso são conhecidos como “Geradores de IA do OnlyFans”, especialistas em criar influenciadores virtuais para promover conteúdo adulto.

    Um “gerente” francês, identificado pela BBC como Dorian, compartilhava tutoriais em canais no YouTube e grupos no Telegram, ensinando a estratégia. O modelo de monetização segue etapas:

    • Criação de engajamento: Contas no Instagram postam conteúdo sugestivo para atrair seguidores.
    • Redirecionamento: Usuários são direcionados para perfis pagos, como o OnlyFans.
    • Adaptação às políticas: Rostos são ocultos ou cortados para evitar detecção de deepfakes pelas plataformas.
    • Exploração de nichos: Deficiências são vistas como “mercados de nicho” lucrativos.

    Dorian destacou em seus tutoriais a capacidade da IA de criar “qualquer nicho sob demanda”, incluindo pessoas com deficiências, como parte de uma estratégia comercial predatória.

    Impactos na comunidade com deficiência

    Os deepfakes que simulam síndrome de Down causam danos profundos, afetando não apenas as vítimas individuais, mas toda a comunidade com deficiência. O impacto é psicológico e social, perpetuando estereótipos e objetificando uma condição genética.

    Ativistas como Jeremy e Audrey, que possuem síndrome de Down, expressaram sua preocupação. “Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa”, disse Audrey à BBC. “Eu e Jeremy temos síndrome de Down e adoramos isso. Ela é única e eu adoro. É meio que a melhor coisa da minha vida.”

    Os impactos incluem:

    • Fetichização da deficiência: Transformação de uma condição genética em objeto sexual.
    • Representação distorcida: Criação de estereótipos prejudiciais.
    • Apropriação de identidade: Uso não autorizado de imagens da comunidade para lucro.
    • Normalização da exploração: Tratamento da deficiência como “nicho de mercado”.

    “Estão fazendo isso por dinheiro”, lamenta Jeremy. “Por favor, parem com isso.” A sensação de estar “sendo usada”, expressa por Audrey, reflete como essa prática afeta a dignidade e a autorrepresentação da comunidade.

    Resposta das plataformas digitais

    As plataformas digitais têm apresentado respostas inconsistentes e muitas vezes inadequadas diante do problema dos deepfakes exploratórios, revelando lacunas em suas políticas de moderação.

    No caso de Alice, a denúncia inicial ao Instagram resultou em uma resposta automática alegando que o usuário não violou as normas, pois os vídeos não eram explicitamente sexuais, explorando uma brecha nas políticas. Somente após a investigação jornalística da BBC, as plataformas agiram:

    • YouTube: Cancelou canais de Dorian por violar políticas de spam e práticas enganosas.
    • Meta (Instagram): Removeu a maioria das contas denunciadas por personificação e promoção de serviços sexuais.
    • OnlyFans: Reafirmou suas verificações de identidade, mas o sistema atual não impede o uso de imagens obtidas sem autorização.

    A remoção da conta que usava a imagem de Alice só ocorreu após a intervenção midiática, evidenciando a insuficiência das ferramentas automatizadas de moderação contra explorações sofisticadas.

    Como se proteger de deepfakes maliciosos

    A proteção contra deepfakes maliciosos exige uma abordagem multifacetada, combinando vigilância pessoal, uso de ferramentas de denúncia e conscientização.

    Estratégias individuais incluem:

    • Monitoramento regular: Buscar periodicamente pelo próprio nome e imagem em diversas plataformas.
    • Configurações de privacidade: Limitar a visibilidade de fotos e vídeos em perfis públicos.
    • Denúncias persistentes: Não desistir após respostas automáticas negativas das plataformas.
    • Documentação: Manter registros de contas falsas e tentativas de contato.

    Para a comunidade em geral, a proteção envolve educação sobre deepfakes, apoio às vítimas e pressão por políticas mais eficazes nas plataformas digitais. A exposição pública através da mídia, como no caso relatado pela BBC, continua sendo uma ferramenta importante para combater essas práticas exploratórias.

  • Guerra no Oriente Médio e o papel dos ciberataques impulsionados por IA em 2026

    Guerra no Oriente Médio e o papel dos ciberataques impulsionados por IA em 2026

    Guerra no Oriente Médio e o papel dos ciberataques impulsionados por IA

    Em março de 2026, o Oriente Médio testemunhou uma escalada de conflitos com uma nova e preocupante dimensão: o espaço cibernético. Ataques impulsionados por Inteligência Artificial (IA) transformaram a guerra moderna, afetando diretamente a vida de milhões de pessoas. Quando drones iranianos atingiram data centers da Amazon Web Services nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein, milhões em Dubai e Abu Dhabi viram suas vidas digitais paralisadas, com dificuldades para realizar transações básicas.

    Essa disrupção digital, que gerou confusão e pânico, evidencia como os conflitos na região se estenderam silenciosamente para o ciberespaço, com operações cada vez mais sofisticadas e baseadas em IA. Essa não foi uma ocorrência isolada; analistas de cibersegurança relataram um aumento de incidentes digitais ligados à confrontação entre Israel e Irã, com grupos hacktivistas reivindicando ataques a portos e ministérios, e redes oficiais sob intensa pressão.

    A IA como ferramenta estratégica na guerra cibernética

    A dinâmica da guerra na região mudou estruturalmente. Estados começam a empregar ferramentas cibernéticas automatizadas como ativos estratégicos, testando o potencial de delegar partes das operações de guerra a máquinas e códigos. A velocidade com que a tecnologia avança permite que sistemas de IA auxiliem em todas as fases de uma campanha cibernética.

    Reconhecimento e identificação de alvos

    Na fase de reconhecimento, algoritmos de machine learning vasculham milhões de dispositivos conectados à internet em segundos, identificando alvos vulneráveis como roteadores expostos, servidores ou câmeras de segurança (IoT). Atores ligados ao Irã foram observados escaneando milhares de câmeras de segurança em Israel e países do Golfo em busca de vulnerabilidades conhecidas. Dados de câmeras comprometidas foram utilizados para monitorar locais estratégicos pouco antes de ataques, com sistemas de IA analisando vastos fluxos de dados — incluindo imagens de satélite, comunicações interceptadas e tráfego de rede — para identificar padrões e vulnerabilidades que analistas humanos poderiam negligenciar.

    Forças americanas e israelenses, por exemplo, utilizaram sistemas de IA integrados a plataformas de inteligência para processar dados de vigilância e identificar mais de mil alvos potenciais nas primeiras 24 horas de operações militares, demonstrando a capacidade da IA em acelerar o planejamento estratégico.

    Ataques e a fase de entrega

    A IA generativa tem se mostrado particularmente perigosa na fase de entrega de ataques. Modelos de linguagem avançados são usados para criar mensagens de phishing e iscas para malware altamente convincentes em múltiplos idiomas. Grupos ligados ao Irã empregam campanhas de spear-phishing aprimoradas por IA, gerando cargas úteis que se adaptam ao tom e contexto das vítimas. Um exemplo notório foi a descoberta de um aplicativo falso de alerta de mísseis israelense, distribuído via SMS, que roubava mensagens, contatos e localização precisa sob o pretexto de emergência de guerra.

    Essa capacidade da IA de gerar mensagens realistas e mimetizar softwares oficiais torna esses ataques mais escaláveis e furtivos do que métodos tradicionais.

    A fusão entre guerra digital e física

    Uma nova categoria de operações, os chamados ataques cinético-cibernéticos, emergiu. Estes são ciberoperações que desencadeiam diretamente disrupções físicas ou acompanham ataques militares. O recente ataque à infraestrutura de nuvem exemplifica essa mudança, com drones iranianos visando data centers comerciais usados por grandes provedores de nuvem no Golfo, afetando serviços digitais para milhões de usuários.

    Defesa cibernética impulsionada por IA

    Em contrapartida, governos e empresas também utilizam IA para defesa. Sistemas de machine learning agora potencializam a detecção de intrusão, análise de logs e resposta automatizada. Diante de milhares de alertas por segundo em redes críticas, a IA ajuda analistas humanos a priorizar ameaças reais, acelerando a contenção de brechas. Dados da indústria indicam uma queda nos custos médios de violação devido à detecção mais rápida, com um relatório da IBM apontando a primeira queda no custo médio de violação em 2025 impulsionada por respostas de IA.

    A IA, portanto, atua em ambos os fronts: afia a espada e fortalece o escudo. Automatizar remove atrasos e vieses humanos, permitindo vigilância contínua e aprendizado sobre o comportamento normal para capturar intrusos. Ofensivamente, permite que pequenas equipes lancem centenas de ataques simultaneamente ou personalizem explorações em tempo real, tornando velocidade e escala decisivas em conflitos evolutivos.

    O desafio da governança da IA na guerra

    Essa vantagem tecnológica traz consigo um sério problema de governança. Sistemas de IA, embora poderosos, cometem erros que podem ter consequências catastróficas em contextos de guerra. Falhas na identificação de alvos ou interpretação de dados podem levar ao desligamento desnecessário de redes ou drones, impactando diretamente a confiança pública e a estabilidade de investimentos em tecnologia.

    A falta de supervisão adequada é o cerne da questão. Em muitos estados do Oriente Médio, estratégias de cibersegurança e IA priorizam a ambição em detrimento de salvaguardas. Uma abordagem de “regulação branda” com planos nacionais e princípios éticos pode carecer de regras vinculativas e mecanismos de fiscalização, criando zonas cinzentas legais para operações de ciber-IA.

    Transparência e responsabilização

    Diferentemente de contextos ocidentais com legislações mais maduras, como o rascunho do Ato de IA da União Europeia, a região raramente submete suas ferramentas de ciber-IA a revisões independentes ou exige transparência. A erosão da confiança pública é perigosa, especialmente quando a proteção do cidadão é o dever primordial do governo. A falta de transparência cria um cenário onde os cidadãos percebem um “sistema” opaco governando suas vidas, e a responsabilização se dissolve quando ninguém pode ser claramente apontado como culpado por erros da IA.

    Enquanto outras nações como Japão, a UE e a China desenvolvem regras para transparência e auditorias de IA, e os EUA possuem diretrizes éticas militares, o Golfo, apesar de seu avanço em infraestrutura de nuvem e grandes investimentos de gigantes de tecnologia como Microsoft, AWS e Google, ainda não lidera nessa área. A instabilidade recente, como demonstrado pelos ataques aos data centers, sugere que a própria tecnologia que impulsiona o desenvolvimento pode se tornar um alvo.

    Passos necessários para um futuro mais seguro

    Para enfrentar esses desafios, os formuladores de políticas do Oriente Médio precisam agir com urgência. Primeiramente, é fundamental estabelecer quadros claros de responsabilidade para ciber-IA, com leis ou estatutos que definam o uso permitido em segurança nacional, incluindo níveis de precisão e protocolos de resposta. Auditorias independentes de ferramentas de ciber-IA devem ser obrigatórias.

    Em segundo lugar, os direitos dos cidadãos devem ser expandidos para incluir o direito de apelar contra ações automatizadas de segurança, permitindo que contestem conclusões de IA. A transparência é essencial, com relatórios públicos sobre sistemas de segurança de IA para reconstruir a confiança através de dados concretos, como métricas de falsos positivos e taxas de incidentes.

    Finalmente, a tecnologia deve ser integrada a uma estratégia de defesa mais ampla. O desenvolvimento e retenção de talentos locais são cruciais para garantir que a “defesa de IA” seja uma capacidade soberana. Estes passos enfatizam a importância da governança e da legislação sobre gastos em hardware, mesmo para sistemas em desenvolvimento. Alianças regionais para compartilhar melhores práticas em controles cibernéticos de IA, semelhantes às colaborações em defesa antimísseis, podem ser benéficas.

    Conclusão: O novo campo de batalha

    Os ataques à AWS e o subsequente alvoroço nas redes sociais sinalizam um ponto de virada. As futuras guerras no Oriente Médio misturarão drones e servidores, oleodutos e processadores. A forma como os governos responderão moldará o uso futuro da IA. A evolução tecnológica é imparável, mas uma governança forte pode garantir que ela permaneça sob controle humano.

    O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã, com os estados do Golfo em sua órbita geopolítica, pode ser lembrado não apenas por seus mísseis e drones, mas como o momento em que a guerra cibernética impulsionada por IA se tornou uma característica permanente do conflito global. As batalhas decisivas da próxima geração podem, em última instância, não serem travadas nos céus ou no solo, mas no código.

  • Novo golpe usa inteligência artificial para clonar voz e pedir dinheiro a familiares em Pelotas

    Novo golpe usa inteligência artificial para clonar voz e pedir dinheiro a familiares em Pelotas

    Uma nova e sofisticada modalidade de golpe tem preocupado moradores de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Criminosos estão utilizando inteligência artificial para clonar a voz de pessoas e, com ela, induzir familiares e conhecidos a realizar transferências de dinheiro, simulando situações de emergência. O alerta é do Procon municipal, que orienta a população a redobrar a atenção com comunicações suspeitas por telefone e aplicativos de mensagem.

    A tática alarmante envolve a gravação de trechos da voz da vítima, muitas vezes captados através de uma chamada inicial conhecida como ‘ligação silenciosa’. Ao atender, a vítima ouve apenas um breve ruído ou silêncio, momento em que os golpistas podem registrar palavras-chave. Posteriormente, essas amostras de áudio são processadas por softwares capazes de reproduzir o timbre de voz original. Com a voz clonada, os criminosos enviam mensagens, especialmente via WhatsApp, solicitando quantias em dinheiro com base em falsas urgências.

    Golpistas exploram voz clonada para fraudes

    Segundo o coordenador executivo do Procon Pelotas, Crístoni Costa, a principal característica desse tipo de fraude é a exploração do padrão vocal capturado. “Todos os consumidores precisam desconfiar e ficar atentos às tentativas de criminosos que utilizam o padrão vocal, igual ou muito parecido, capturado da pessoa cujos contatos pretendem enganar”, afirma Costa.

    Embora não haja um levantamento oficial específico sobre o número de ocorrências desta modalidade em Pelotas, o órgão de defesa do consumidor relata que denúncias e tentativas de fraude por telefone e aplicativos são frequentes, indicando a crescente sofisticação dos estelionatários.

    Como funciona a tática dos criminosos

    Após a clonagem da voz, os golpistas entram em contato com parentes ou amigos próximos da vítima. A estratégia comum é simular uma situação de emergência, como um imprevisto financeiro, com o objetivo de criar um senso de urgência e pressionar a vítima a realizar a transferência rapidamente. Os métodos de pagamento usualmente solicitados incluem Pix, QR Code ou depósito bancário.

    Além das chamadas de voz, os criminosos também podem utilizar outros canais. Mensagens por SMS, e-mail ou aplicativos podem conter links falsos e pedidos diretos por senhas e dados pessoais. Outra tática recorrente é a alegação de problemas com contas bancárias ou identificação de compras suspeitas, visando induzir o interlocutor a fornecer informações sigilosas.

    Sinais de alerta e medidas de proteção

    Um dos principais sinais de alerta é a pressão por uma ação imediata. A urgência é deliberadamente utilizada pelos criminosos para impedir que a pessoa confirme a informação com o verdadeiro contato. “Quando há pressão para envio imediato de dinheiro ou compartilhamento de dados, é importante interromper o contato e tentar confirmar a informação por outro meio”, orienta Crístoni Costa.

    O Procon Pelotas recomenda medidas simples, mas eficazes, para se proteger:

    • Desconfie sempre de chamadas de números desconhecidos.
    • Pesquise o número de telefone na internet; muitos golpes já são registrados e denunciados online.
    • Nunca informe senhas, dados bancários ou informações pessoais sensíveis por telefone ou mensagem.
    • Sempre que houver dúvida sobre a identidade de quem entrou em contato, solicite uma videochamada.

    Caso identifique uma tentativa de golpe, mesmo que não tenha resultado em prejuízo financeiro, é fundamental registrar um boletim de ocorrência. Isso pode ser feito online ou em uma delegacia da Polícia Civil. Essas ações ajudam as autoridades a mapear e combater essas novas modalidades criminosas.