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  • “Parece o Jogo da lula”: trabalhadores da China correm para acompanhar a corrida da IA

    “Parece o Jogo da lula”: trabalhadores da China correm para acompanhar a corrida da IA

    “Parece o Jogo da lula”: trabalhadores da China correm para acompanhar a corrida da IA

    Quase mil pessoas formaram fila do lado de fora da sede da Tencent em Shenzhen, demonstrando a febre em torno do OpenClaw, um agente de inteligência artificial de código aberto. Essa agitação, apelidada de “criar um lagostim” devido ao logo vermelho da IA, reflete um medo profundo entre os trabalhadores chineses: ferramentas destinadas a aumentar a produtividade podem, em breve, substituí-los. Para muitos, dominar o OpenClaw tornou-se uma questão de sobrevivência em um ambiente de trabalho onde a adoção da IA está acelerando.

    “Parece que estou jogando Jogo da Lula”, disse Lambert Li, morador de Xangai e um dos primeiros usuários do OpenClaw, referindo-se à série da Netflix onde os participantes competem em jogos brutais de eliminação. “Você pode ser eliminado a qualquer momento. Como não ficar ansioso?” A empregadora de Li demitiu 30% de sua força de trabalho em 2025, cortando funcionários que não conseguiram se adaptar rapidamente o suficiente à IA.

    A corrida por novas ferramentas

    O crescimento da IA gerou ansiedade global sobre a perda de empregos, e isso é mais palpável na China, onde o governo está investindo recursos maciços na área, apostando nela para impulsionar o crescimento econômico futuro do país. A China possui uma das maiores bases de usuários de IA do mundo. Esse impulso massivo causa um medo constante de redundância entre os trabalhadores, somado ao estigma social da perda de emprego.

    Especialistas acreditam que isso pode ter implicações econômicas e sociais maiores. “Quando um grande número de trabalhadores da classe média e jovens temem que a IA possa perturbar suas carreiras, eles tendem a cortar gastos e aumentar as poupanças preventivas caso sejam demitidos”, explicou Li Chen, pesquisador da economia chinesa no think tank Anbound, com sede em Pequim. “Isso pode dificultar os esforços do governo para estimular a economia.”

    Domínio ou redundância?

    Após alguns dias acompanhando a febre do OpenClaw, o desenvolvedor de software Li percebeu que o agente não era realmente útil para ele. Diferentemente de bots populares como ChatGPT ou Gemini, o OpenClaw opera diretamente no computador do usuário e executa tarefas autonomamente entre arquivos e aplicativos. Li não usa o OpenClaw regularmente porque teme que ele cometa erros se tiver acesso excessivo aos seus arquivos e sistemas de trabalho.

    No entanto, ele sente que não pode ignorar completamente a IA. Desde o ano passado, o profissional de 35 anos tem testado diversas ferramentas de IA, experimentando cada atualização importante de modelo e agente de produtividade que ouve falar. Na popular plataforma de mídia social chinesa RedNote, a hashtag #AIAnxiety acumulou cerca de 2,6 milhões de visualizações. Usuários compartilham preocupações pessoais: “Manter-se atualizado com a IA é mais exaustivo do que o próprio trabalho”, diz uma postagem. “Meu chefe pediu para eu escrever código de IA para substituir vários membros da equipe”, relata outra. “Quando será minha vez?”

    Dados e percepções sobre a IA

    Uma pesquisa de agosto de 2025 com 38.000 adultos trabalhadores em 34 países revelou que quase um terço dos entrevistados “acreditava fortemente” que a IA poderia substituí-los e que estavam buscando ativamente um novo emprego.

    A China tem sido muito otimista em relação à IA. Uma pesquisa da KPMG mostrou que 69% dos entrevistados chineses consideravam que os benefícios gerais da IA superavam os riscos, em comparação com 35% dos americanos. Um estudo da Universidade de Pequim analisou mais de um milhão de vagas de emprego na China entre 2018 e 2024 e descobriu um declínio significativo na contratação para funções que poderiam ser realizadas com IA, incluindo programação de computadores, contabilidade, edição e vendas.

    Em uma pesquisa de maio de 2025, realizada pela Cheung Kong Graduate School of Business, 85,5% dos 11.814 entrevistados chineses expressaram preocupação com o impacto da IA em seus empregos. A taxa de desemprego entre jovens chineses de 16 a 24 anos em 2025 permaneceu entre 15% e 19%, superior à média global. Nos EUA, a taxa para a mesma faixa etária ficou entre 9% e 11%.

    Ansiedade amplificada

    “À medida que a IA remodela o mercado de trabalho, os desafios que a China enfrenta em termos de mudança estrutural na educação, combinados com a pressão social sobre os indivíduos para se posicionarem para o futuro, podem tornar a ansiedade enfrentada pelos jovens chineses ainda mais aguda do que no Ocidente”, afirmou Jack Linzhou Xing, pesquisador da Universidade de Harvard.

    A ansiedade em relação à IA também é alimentada por uma lacuna crescente entre a narrativa de progresso tecnológico da China e a realidade vivida por muitos trabalhadores. A competição se intensifica mesmo com o país avançando em tecnologia global, segundo Xing, que pesquisa a sociologia da tecnologia na China.

    Frank Wang, um programador de 28 anos em Chengdu, disse que costumava ficar muito ansioso com a possibilidade de a IA substituí-lo no trabalho. No entanto, ele percebeu que não conseguiria lutar contra essa tendência e agora adota a postura de “deitar-se plano” (fazer o mínimo necessário no trabalho). “Se me demitirem, me demitiram. Vou esperar por algum auxílio social.”

    A ansiedade gerada pela IA não poupou nem mesmo trabalhadores não técnicos. Betty Lai, gerente de marketing de produto, foi informada de que as avaliações anuais de desempenho de sua empresa incluiriam o conhecimento e o uso de IA pelos funcionários. Uma colega imediatamente organizou um workshop voluntário de treinamento em OpenClaw, e os participantes disputaram os assentos na primeira fila.

    “A pressão [para usar IA] às vezes vem da expectativa da empresa de que nos tornemos mais eficientes com essas ferramentas”, disse Lai. “Mas isso nem sempre é verdade ainda. Pode levar tempo para descobrir como realmente incorporá-las ao seu trabalho. Não adianta ficar ansioso. Já estamos nessa onda. Ou você a cavalga, ou é levado por ela.”

  • AI use at work in Europe: Which countries lead — and why?

    AI use at work in Europe: Which countries lead — and why?

    A inteligência artificial (IA) generativa tem se integrado cada vez mais ao cotidiano, do ensino ao ambiente profissional. Contudo, apesar do uso crescente por muitos, a aplicação dessas ferramentas no contexto profissional ainda revela grandes disparidades na Europa. Em 2025, a Eurostat revelou que 15% das pessoas com idade entre 16 e 74 anos utilizavam IA para fins de trabalho no continente, mas esse número médio esconde realidades bem distintas.

    Noruega, com 35,4%, e Suíça, com 34,4%, destacam-se como líderes absolutos na adoção de IA no trabalho, seguidos de perto por Malta (29,6%), Dinamarca (27,2%), Holanda (26,6%), Estônia (25,1%) e Finlândia (25,1%). Essa liderança se deve a uma combinação de fatores como um forte setor público digital, alta confiança da população, habilidades avançadas e práticas empregadoras maduras, conforme explicou a professora Aleksandra Przegalińska da Kozminski University à Euronews Business. Na outra ponta, países como Hungria (1,3%), Romênia, Turquia, Sérvia e Itália registram taxas de uso profissional de IA inferiores a 10%.

    Uma clara divisão regional

    Os dados de 2025 revelam um padrão geográfico nítido na Europa. Os países do norte e oeste europeu lideram claramente a adoção da IA no trabalho, enquanto o sul da Europa apresenta um cenário misto. Por outro lado, o leste e o sudeste do continente, de maneira geral, mostram um atraso significativo.

    Entre as maiores economias da União Europeia, a França registra o maior uso no ambiente de trabalho, com 18,4%, seguida pela Espanha (17,9%). A Alemanha fica ligeiramente acima da média da UE, com 15,8%, enquanto a Itália se posiciona consideravelmente abaixo, com apenas 8%. Diversas economias menores, incluindo Luxemburgo, Chipre, Áustria, Suécia e Bélgica, também reportam taxas de uso relativamente altas, variando entre 20% e 25%.

    É importante ressaltar que essas estatísticas refletem o uso de IA por indivíduos no trabalho, e não a porcentagem de empresas que adotaram a tecnologia.

    A lacuna entre o uso pessoal e profissional da ia

    Há uma diferença notável entre o uso geral de IA e sua aplicação no trabalho. Em 2025, o uso geral de IA na UE era de 32,7%, mas o uso para fins profissionais era de apenas 15,1%. Isso significa que menos da metade dos usuários de IA, cerca de 46%, a empregam em suas atividades laborais. Essa lacuna varia significativamente entre os países.

    Em nações como Suíça, Malta, Noruega e Holanda, a maioria dos usuários de IA também a utiliza no trabalho. Contudo, países como Hungria, Romênia e Sérvia apresentam taxas muito mais baixas de uso profissional entre seus usuários de IA. Para a professora Przegalińska, essas diferenças são explicadas por uma combinação de “capacidade” e “permissão”.

    Habilidades, estrutura e cultura no ambiente de trabalho

    A “capacidade” inclui fatores como as habilidades digitais da força de trabalho, a proporção de empregos baseados em conhecimento e a infraestrutura digital disponível, como acesso à banda larga e serviços de nuvem.

    A “permissão”, por sua vez, é moldada pela cultura organizacional e pelas políticas internas das empresas. Przegalińska aponta:

    “Onde os empregadores fornecem ferramentas aprovadas, diretrizes claras e treinamento, a adesão tende a ser mais rápida porque os funcionários se sentem seguros usando a IA generativa e sabem o que é permitido.”

    Dados da OCDE indicam que o uso individual de IA generativa está em rápido crescimento, com um aumento de 68% entre 2024 e 2025 nos países da UE com dados disponíveis. Nils Adriansson, economista-estatístico da OCDE, observa que “as empresas também estão usando mais IA, e a IA generativa é um motor fundamental desse aumento”. Ele adiciona que grandes empresas são tipicamente as primeiras a adotar e possuem mais oportunidades para implementar novas tecnologias, dada a amplitude de suas atividades e recursos.

    O papel da estrutura econômica nacional

    A composição das economias nacionais também desempenha um papel crucial. O professor Valerio De Stefano, da York University em Toronto, explicou à Euronews Business que “as diferenças nos dados podem ser explicadas pela composição distinta das economias nacionais, com alguns países possuindo mais indústrias e setores onde a IA generativa poderia ser mais facilmente implementada, como trabalho baseado em conhecimento e mídia, TIC, pesquisa e desenvolvimento”.

    Além disso, alguns trabalhadores podem subestimar o quanto já dependem da IA, pois muitas ferramentas de uso comum são impulsionadas por essa tecnologia. Com os dados coletados em 2025, antes da disseminação mais recente dos agentes de IA em toda a economia, é provável que as taxas de adoção continuem a crescer em um futuro próximo.

    Conclusão: um futuro impulsionado pela ia

    A adoção da inteligência artificial no ambiente de trabalho europeu em 2025 revela um cenário dinâmico e desigual, com nações do Norte e Oeste liderando o caminho. O sucesso de países como Noruega e Suíça destaca a importância de um ecossistema digital robusto, que inclui investimento em habilidades, infraestrutura e, crucialmente, uma cultura organizacional que incentiva e orienta o uso seguro e eficaz da IA.

    À medida que a IA generativa continua a evoluir e se integrar em mais setores, a expectativa é de um aumento ainda maior nas taxas de adoção. Para que mais países alcancem os níveis dos líderes, será fundamental focar na capacitação da força de trabalho, no desenvolvimento de políticas claras e na criação de um ambiente de confiança que transforme a experimentação em prática rotineira e legítima no local de trabalho.

  • Transição de IA muito rápida: o custo permanente da adoção acelerada

    Transição de IA muito rápida: o custo permanente da adoção acelerada

    Transição de IA muito rápida: o custo permanente da adoção acelerada

    A rápida adoção da Inteligência Artificial (IA) pode ter um impacto duradouro e, em alguns casos, permanente no mercado de trabalho. Ao contrário do que se pode pensar, o maior choque não vem da novidade tecnológica em si, mas da velocidade com que as capacidades existentes são disseminadas e reorganizam a produção. Este fenômeno, impulsionado por iniciativas ambiciosas no cenário empresarial em 2026, levanta questões cruciais sobre a capacidade de ajuste da força de trabalho.

    A analogia histórica com a eletrificação, que revolucionou a produção décadas após sua invenção, serve como um alerta. O ponto de inflexão ocorreu não com a tecnologia, mas com a reorganização produtiva em torno dela, como a linha de montagem de Henry Ford. Na era da IA, a transição de ferramentas de aumento para a reestruturação completa de processos produtivos, liderada por projetos como o de Jeff Bezos e Jack Dorsey, exige uma análise aprofundada da velocidade de adaptação e seus custos associados.

    A velocidade como fator de dano permanente

    Um novo modelo dinâmico, apresentado em 2026 por Levy Yeyati, formaliza a intuição de que a velocidade de adoção da IA, denotada por κ, pode ser determinante para o futuro do mercado de trabalho. Quando a capacidade de requalificação dos trabalhadores deslocados pela automação é finita, uma adoção mais rápida significa que a economia se move mais depressa em direção a uma fronteira de automação, mas com o risco de sobrecarregar o sistema de treinamento.

    O ponto crítico surge quando o fluxo de trabalhadores deslocados excede a capacidade de absorção do sistema de requalificação. A velocidade de adoção, neste contexto, não altera a fronteira de automação de longo prazo, mas comprime a janela de deslocamento. Isso significa que um grande volume de trabalhadores chega simultaneamente ao sistema de treinamento, exacerbando a pressão e elevando o custo de oportunidade de aguardar.

    Congestionamento, sinais enganosos e o custo da espera

    O aumento da congestão na fila de requalificação torna a permanência no mercado de trabalho mais custosa. Os trabalhadores enfrentam tempos de espera mais longos, salários esperados menores e maior incerteza. Em um cálculo racional, se o tempo de espera ultrapassar o valor presente esperado dos salários futuros em setores não rotineiros, alguns podem optar por sair permanentemente da força de trabalho. Essa saída é absorvente, sem retorno.

    Portanto, o custo social da adoção rápida não se reflete apenas na taxa de emprego final, mas na profundidade e duração da queda na participação na força de trabalho, e na compressão da renda ao longo do processo. Duas economias podem convergir para a mesma fronteira de automação, mas experimentar transições radicalmente diferentes. Aquela em que a adoção supera a capacidade de realocação sofrerá danos sociais permanentes.

    Sinais iniciais e o descompasso do mercado

    Um resultado menos intuitivo é que os indicadores iniciais de uma transição acelerada podem ser enganosos. Pode haver um aumento precoce no emprego não rotineiro e ganhos de produtividade que levem decisores a acreditar que a adaptação está ocorrendo com sucesso. No entanto, enquanto isso ocorre, o número de trabalhadores desencorajados pode aumentar silenciosamente.

    Posteriormente, pode ocorrer um cruzamento de trajetórias: os salários caem mais acentuadamente durante a transição à medida que trabalhadores requalificados entram no setor não rotineiro mais rápido do que a demanda se expande. A saída permanente da força de trabalho continua a crescer. Paradoxalmente, em longo prazo, os salários dos trabalhadores remanescentes podem até aumentar, precisamente porque menos trabalhadores deslocados conseguiram se requalificar e retornar.

    O problema de coordenação e a corrida contra o tempo

    Essas dinâmicas – congestão, saída permanente e sinais iniciais enganosos – levam a um resultado normativo central: o bem-estar social é côncavo em relação à velocidade de adoção e é maximizado abaixo da taxa de mercado. As empresas individuais internalizam os ganhos de produtividade da IA, mas não o congestionamento imposto às filas de requalificação de outros trabalhadores, nem as saídas irreversíveis que essa congestão desencadeia.

    A velocidade de adoção, portanto, transcende a mera escolha tecnológica, configurando-se como um problema de coordenação. A questão fundamental para os formuladores de políticas não é se automatizar, mas se as instituições existentes podem absorver a automação na velocidade em que ela ocorre. A corrida que importa é entre a velocidade de adoção e a capacidade de requalificação, com a saída permanente da força de trabalho como linha de chegada.

    Alinhando o ritmo da difusão à capacidade de absorção

    A intuição política aponta para a necessidade de alinhar o ritmo da difusão tecnológica com a capacidade de absorção da economia. Dois vetores são essenciais: a capacidade de requalificação em si e o momento de sua construção.

    O primeiro envolve políticas ativas de mercado de trabalho, reforma de credenciais, apoio à mobilidade e mecanismos institucionais que aumentem a eficiência da realocação de trabalhadores. O segundo, e crucial, é o timing. A capacidade de requalificação construída antes do pico de deslocamento é significativamente mais valiosa do que aquela criada após o pico, pois o desânimo e a saída crescem quando a congestão é mais intensa.

    Em suma, economias com acesso às mesmas tecnologias de ponta podem enfrentar custos sociais muito distintos, dependendo da robustez de suas instituições para sustentar a requalificação. Mesmo que o progresso na fronteira tecnológica se desacelere, o choque no mercado de trabalho pode se intensificar à medida que as empresas finalmente se reorganizam em torno de sistemas já existentes. A capacidade de ajuste da força de trabalho e a estrutura institucional que a suporta definirão o custo permanente dessas transições.

  • A inteligência artificial não vai substituir o ser humano, mas pode substituir quem não aprende a usá-la

    A inteligência artificial não vai substituir o ser humano, mas pode substituir quem não aprende a usá-la

    A inteligência artificial não vai substituir o ser humano, mas pode substituir quem não aprende a usá-la

    Em 2026, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta presente na rotina de milhões de pessoas. Textos, imagens, diagnósticos e análises complexas são gerados em segundos por essas tecnologias. A pergunta que paira no ar não é mais “se” a IA se consolidará no mercado, mas sim “como” cada indivíduo se adaptará a essa nova realidade. A verdade é que a IA não eliminará empregos em massa, mas pode, sim, tornar obsoletos aqueles profissionais que se recusarem a aprender e a integrar essas ferramentas em seu trabalho.

    A sofisticação e o acesso em massa às ferramentas de IA são relativamente recentes, mas sua utilização por grandes empresas em áreas como logística, finanças e análise de dados já ocorria há anos. O que mudou drasticamente é a capacidade de produção em escala e a aparência convincente dos conteúdos gerados. Essa democratização da criação, contudo, abre portas para a proliferação de informações imprecisas e falsas, um desafio ainda maior em anos de debates políticos.

    Desinformação e a responsabilidade humana

    O avanço da inteligência artificial, em especial quando combinada com o alcance das redes sociais, intensifica a disseminação de notícias falsas e narrativas distorcidas. Embora a tecnologia não crie a desinformação, ela amplifica sua capacidade de alcance e sofisticação. Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), divulgado pela revista Science, já indicava que informações falsas se espalham mais rapidamente do que as verdadeiras. Com ferramentas de IA cada vez mais capazes de gerar conteúdos indistinguíveis da realidade, o cenário se torna mais complexo.

    O uso da IA não elimina a responsabilidade humana sobre o que se produz, compartilha ou amplifica. Quanto maior for a liberdade de criar e distribuir informação, maior também a responsabilidade individual pelas consequências desse uso.

    Nesse contexto, a responsabilização pela circulação de conteúdos falsos se torna um ponto crucial. À medida que as ferramentas de IA se tornam mais acessíveis, a distinção entre erro, descuido e má-fé pode se tornar tênue. Contudo, o uso da IA não isenta o indivíduo de sua responsabilidade.

    O mercado de trabalho em reconfiguração

    Paralelamente, a IA está redefinindo o mercado de trabalho. Tarefas operacionais e repetitivas tendem a ser executadas com maior rapidez por sistemas automatizados. A substituição de profissões inteiras de um dia para o outro é improvável, mas uma reconfiguração é inevitável. O valor profissional se desloca da mera execução para a interpretação, o julgamento, a criatividade e a capacidade de tomar decisões contextualizadas.

    O Future of Jobs Report, do World Economic Forum, corrobora essa tendência, apontando que a IA e a automação transformarão milhões de postos de trabalho, exigindo novas competências. A ênfase recai na substituição de tarefas, impulsionando a necessidade de adaptação profissional.

    Adaptação profissional: a chave para o futuro

    O verdadeiro impacto da IA não reside na substituição direta de pessoas por máquinas, mas na substituição de profissionais que não se adaptam por aqueles que dominam o uso estratégico dessas ferramentas. A distinção fundamental passa a ser entre humanos que incorporam a tecnologia e aqueles que a ignoram.

    Isso exige uma atualização contínua e, mais importante, o desenvolvimento do senso crítico. Saber usar a inteligência artificial não significa transferir o raciocínio para a máquina. Significa compreender suas limitações, verificar rigorosamente as informações geradas, assumir a responsabilidade pelo conteúdo produzido e manter o discernimento humano em decisões que envolvem ética, contexto e consequências.

    A inteligência artificial expande nossa capacidade de produção, mas não substitui a essência humana de sentir, interpretar nuances, mediar conflitos e tomar decisões baseadas em valores. Essas dimensões permanecem intrinsecamente humanas. Portanto, o debate se resume à disposição de profissionais e cidadãos em aprender, adaptar-se e assumir a responsabilidade pelo uso das ferramentas tecnológicas que já moldam nossa realidade.

  • Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    O avanço da inteligência artificial (IA) no cenário educacional está se tornando uma realidade cada vez mais presente. Nas principais instituições de ensino superior dos Estados Unidos e da União Europeia, aproximadamente 90% dos estudantes já utilizam ferramentas de IA. No Brasil, esse número também é expressivo, com 85% dos universitários, 70% dos estudantes do ensino médio e 40% do ensino fundamental integrando a tecnologia em suas rotinas.

    Essa rápida disseminação é impulsionada por gigantes da tecnologia, gerando debates e, em alguns casos, resistência por parte de educadores, que levantam preocupações éticas, de precisão e de transparência. Contudo, a IA já executa tarefas tradicionalmente associadas ao ensino, como análise de informações, produção textual, sumarização de conteúdos e programação, tornando sua exclusão cada vez mais inviável.

    A necessidade de adaptação universitária

    Diante desse cenário de transformação, especialistas defendem a ampliação do estudo da inteligência artificial em todas as áreas do conhecimento nas universidades, transcendendo o foco exclusivo da ciência da computação. A USP, por exemplo, busca se adaptar a essa nova realidade, propondo a criação de uma estrutura dedicada à integração da IA em seus cursos.

    Impacto no mercado de trabalho e no ensino superior

    As mudanças tecnológicas trazidas pela IA também redefinem o mercado de trabalho e influenciam o interesse dos jovens pela universidade. Em países como Estados Unidos e na Europa, observa-se uma tendência crescente entre os jovens em priorizar o aprendizado prático ou ingressar mais cedo no mercado, focando em habilidades e trajetórias profissionais em detrimento da obtenção de diplomas tradicionais.

    Esse movimento pressiona as universidades a repensarem seus modelos. A adaptação é vista como essencial para preparar os estudantes para um mundo em constante evolução e para mitigar o aumento das desigualdades educacionais e profissionais. Conforme reportado pelo Jornal da USP em 17 de março de 2026, a inteligência artificial avança nas escolas, exigindo que as universidades se reinventem diante das novas demandas tecnológicas e do mercado de trabalho.

  • Estudo aponta profissões menos ameaçadas pela inteligência artificial no mercado de trabalho

    Estudo aponta profissões menos ameaçadas pela inteligência artificial no mercado de trabalho

    Estudo aponta profissões menos ameaçadas pela inteligência artificial no mercado de trabalho

    O avanço da inteligência artificial (IA) está remodelando o mercado de trabalho globalmente. Um relatório do Fórum Econômico Mundial prevê que, até 2030, tecnologias como IA e automação podem eliminar cerca de 92 milhões de empregos. Contudo, a mesma projeção indica o surgimento de aproximadamente 78 milhões de novas vagas, sugerindo uma profunda transformação em vez de um declínio líquido de oportunidades.

    Apesar da magnitude das mudanças, o impacto da IA não será uniforme entre todas as carreiras. Uma pesquisa da Anthropic, empresa especializada em inteligência artificial, identificou ocupações com menor exposição à automação. Essas áreas se destacam por exigirem habilidades humanas intrínsecas, difíceis de serem replicadas por máquinas.

    Habilidades humanas essenciais contra a automação

    O estudo, divulgado pela revista Forbes, destaca que a inteligência artificial ainda está em seus estágios iniciais de transformação no mundo do trabalho. O que se observa hoje em áreas mais vulneráveis é apenas a “ponta do iceberg”.

    Profissões que demandam contato humano direto, trabalho manual, pensamento crítico e inteligência emocional tendem a ser menos suscetíveis à substituição. Da mesma forma, atividades realizadas em ambientes imprevisíveis ou que envolvem decisões complexas e cuidado com pessoas são consideradas mais resilientes à automação.

    Profissões com menor risco de substituição pela IA

    A pesquisa da Anthropic apontou exemplos concretos de setores e profissões com baixo risco de serem completamente automatizados. Na construção civil, por exemplo, as atividades frequentemente exigem:

    • Presença física indispensável
    • Resolução de problemas em tempo real no local da obra
    • Tomada de decisões imediatas
    • Adaptação constante às condições do canteiro

    Profissionais como carpinteiros, eletricistas e encanadores são citados como exemplos nesse cenário. Outros grupos com baixa exposição à IA incluem aqueles voltados a serviços técnicos especializados, manutenção e interação social intensa.

    Adaptação e o futuro do trabalho com IA

    Diante desse panorama, a adaptação profissional emerge como um fator crucial. Especialistas enfatizam que competências como criatividade, empatia, comunicação e julgamento ético são diferenciais importantes e difíceis de serem replicados pela tecnologia.

    A tendência não é de substituição total, mas de transformação das ocupações. Muitas profissões incorporarão ferramentas de inteligência artificial como aliadas para otimizar atividades. Assim, o mercado de trabalho para a próxima década aponta para uma transição contínua, com o surgimento de novas funções e a redefinição de carreiras existentes pela integração tecnológica.

  • Empresas de tecnologia culpam IA por demissões em massa. O que está realmente acontecendo?

    Empresas de tecnologia culpam IA por demissões em massa. O que está realmente acontecendo?

    Empresas de tecnologia culpam IA por demissões em massa. O que está realmente acontecendo?

    Nos últimos meses, uma onda de demissões em massa tomou conta do setor de tecnologia. Empresas como Atlassian, Block e Amazon anunciaram cortes significativos de pessoal, justificando essas decisões com o aumento da eficiência proporcionado pela inteligência artificial (IA). A narrativa oficial é consistente: a IA está tornando o trabalho humano substituível e a gestão responsável exige adaptação. No entanto, a realidade apresentada pelos dados revela uma história mais complexa.

    Embora a automação impulsionada pela IA seja uma força disruptiva, a escala desse impacto é frequentemente exagerada pelas corporações. Pesquisas recentes indicam que, apesar de muitas tarefas serem suscetíveis à automação, a grande maioria ainda é realizada primariamente por humanos. Cargos como programadores, representantes de atendimento ao cliente e digitadores estão entre os mais expostos, mas o uso da IA nessas funções ainda é limitado.

    A automação é a única causa?

    Dados econômicos globais corroboram essa visão. Um relatório de 2025 do Goldman Sachs estimou que, mesmo com a aplicação total da IA nas tarefas em que ela é capaz, cerca de 2,5% do emprego nos EUA estaria em risco. Contudo, o mesmo relatório aponta que trabalhadores em ocupações expostas à IA não estão, atualmente, mais propensos a perder seus empregos, ter horas reduzidas ou salários menores do que outros.

    No entanto, há sinais de tensão em setores específicos. O Goldman Sachs identifica áreas onde o crescimento do emprego desacelerou e que se alinham a ganhos de eficiência relacionados à IA. Exemplos incluem consultoria de marketing, design gráfico, administração de escritórios e centrais de atendimento.

    No próprio setor de tecnologia, trabalhadores jovens em ocupações expostas à IA viram o desemprego aumentar quase 3% no primeiro semestre de 2025. A pesquisa da Anthropic também mostrou uma queda de aproximadamente 14% nas taxas de contratação para jovens adultos entrando nessas ocupações desde o lançamento do ChatGPT em 2022. Estes são sinais importantes, mas concentrados e específicos de setores, distantes da ideia de um deslocamento generalizado.

    Motivações ocultas por trás das demissões

    Essa discrepância entre os fatos e a retórica corporativa levanta questionamentos. O momento e o discurso em torno dessas demissões merecem um olhar mais atento. Fatores como reestruturação corporativa, contratações excessivas durante o boom pós-pandemia e a pressão dos investidores por margens de lucro maiores operam simultaneamente aos avanços da IA.

    Há um forte incentivo financeiro para que as empresas pareçam estar abraçando agressivamente a IA. Desde o lançamento do ChatGPT, ações relacionadas à IA foram responsáveis por cerca de 75% dos retornos do S&P 500. Uma redução de força de trabalho enquadrada na adoção de IA envia um sinal positivo aos investidores, diferente de um simples anúncio de corte de custos.

    É crucial distinguir dois tipos de redução de força de trabalho. No primeiro, a IA genuinamente aumenta a produtividade, exigindo menos funcionários para o mesmo output. No segundo, as demissões não são uma consequência da IA, mas sim um meio de financiá-la.

    A Meta ilustra essa distinção. A gigante das redes sociais planeja demitir até 20% de sua força de trabalho, ao mesmo tempo em que se compromete com US$ 600 bilhões para construir data centers e recrutar pesquisadores de IA. Nesse caso, os trabalhadores demitidos não estão sendo substituídos pela IA hoje, mas sim subsidiando a aposta futura da empresa na tecnologia.

    O futuro provável é de transformação, não eliminação

    A perspectiva geral aponta para uma transformação, não para uma eliminação em massa de empregos. Relatórios recentes indicam que o emprego continua crescendo na maioria das indústrias expostas à IA, embora o crescimento seja mais lento. Simultaneamente, os salários nesses setores aumentam significativamente mais rápido do que em áreas menos impactadas pela tecnologia. Profissionais com habilidades em IA comandam um prêmio salarial médio de cerca de 56%.

    Os dados sugerem um achatamento da pirâmide tradicional do local de trabalho, em vez de um deslocamento massivo. As empresas podem necessitar de menos funcionários juniores para tarefas rotineiras, enquanto profissionais experientes que utilizam ferramentas de IA de forma eficaz se tornam mais produtivos e valiosos.

    A IA é, sem dúvida, uma tecnologia transformadora com impacto a longo prazo. O que está em jogo é se as demissões anunciadas pelas empresas refletem precisamente essa trajetória ou se elas confundem a mudança tecnológica genuína com decisões que poderiam ter sido tomadas independentemente. Compreender essa distinção é fundamental para que formuladores de políticas, educadores e os próprios trabalhadores naveguem adequadamente pela natureza da disrupção em curso.

  • CEO da Accenture: falha ao usar IA pode custar promoção ou emprego

    CEO da Accenture: falha ao usar IA pode custar promoção ou emprego

    IA se torna essencial para progressão na carreira, afirma CEO da Accenture

    No cenário corporativo em rápida evolução de 2026, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma vantagem para se tornar um requisito fundamental. Julie Sweet, CEO da Accenture, em uma recente entrevista ao podcast “Rapid Response”, enfatizou que a proficiência no uso das ferramentas de IA da empresa é agora um fator mandatório para o avanço na carreira. Aqueles que se recusarem a adaptar-se às novas tecnologias correm o risco de não apenas perder oportunidades de promoção, mas também de enfrentar o desligamento.

    A consultoria global anunciou um programa de otimização de negócios, no qual investiu mais de US$ 865 milhões, incluindo a requalificação de milhares de funcionários. A mensagem é clara: dominar as novas ferramentas é parte integrante de como a Accenture opera.

    A integração da IA na Accenture: um processo de três anos

    Sweet esclareceu que a transição para a exigência do uso de IA não ocorreu de um dia para o outro. “Não passamos de zero a ‘você não será promovido’ em um mês. É um período de três anos para se acostumar com a tecnologia, garantir que seja fácil de usar, que tenhamos a estrutura certa para as pessoas utilizarem e, então, dizer: ‘Ei, esta é a Accenture e como operamos’”, explicou a CEO.

    Este esforço faz parte de um investimento de US$ 3 bilhões da Accenture para integrar a IA de forma pioneira, iniciado em 2023. Uma das metas era dobrar o número de profissionais com expertise em IA para 80.000, através de contratações, aquisições e treinamento, em uma empresa que conta com mais de 770.000 funcionários.

    Adoção de IA no mercado: entre a exceção e a regra

    A abordagem proativa da Accenture contrasta com a adoção mais gradual de IA em outras empresas. Uma pesquisa da Gallup, referente ao quarto trimestre de 2025, indicou que apenas 38% das companhias reportavam a integração de IA para melhoria de produtividade, eficiência e qualidade. No entanto, a tendência é de crescimento, com 69% dos líderes empresariais utilizando IA no mesmo período, um aumento significativo em relação aos menos de 40% de 2023.

    CEO’s e executivos têm demonstrado ceticismo quanto ao impacto imediato da IA. Um estudo do National Bureau of Economic Research revelou que, embora dois terços dos C-suite utilizassem IA, o uso era de apenas cerca de 1,5 hora por semana, com 90% reportando nenhum impacto em emprego ou produtividade nos últimos três anos. Contudo, a mesma pesquisa projeta um aumento de 1,4% na produtividade e 0,8% na produção nos próximos três anos.

    Por que a Accenture apostou na IA?

    Segundo Sweet, a integração da IA é uma evolução natural, comparável à introdução dos computadores no ambiente de trabalho. “Ninguém diria que exigir que alguém use um computador é coerção”, comparou. “É assim que as empresas iam realizar o trabalho. Hoje, a IA na Accenture é como fazemos o trabalho.”

    A CEO demonstra empatia com empresas resistentes à mudança. Ela observou que falhas na integração da IA muitas vezes ocorrem quando ela é usada como uma ferramenta em fluxos de trabalho preexistentes, em vez de ser incorporada em sistemas redesenhados com a tecnologia em mente. “Para capturar a oportunidade com IA, você realmente tem que estar disposto a reescrever sua empresa”, aconselhou Sweet.

    Apesar do planejamento, a própria Accenture enfrentou desafios. “Para as nossas pessoas e nossos clientes, foi difícil”, admitiu Sweet. “Como você tem coragem para fazer isso? É aí que entra a humildade, mas também essa ideia de abraçar a mudança e a inovação.” A empresa estima que a ampliação do uso de IA e a requalificação de funcionários podem adicionar entre US$ 4,8 trilhões e US$ 6,6 trilhões à economia dos EUA na próxima década.

  • Morgan Stanley alerta: um avanço da IA está chegando em 2026 – e o mundo não está pronto

    Morgan Stanley alerta: um avanço da IA está chegando em 2026 – e o mundo não está pronto

    Morgan Stanley adverte sobre iminente avanço da inteligência artificial

    Um avanço monumental em inteligência artificial (IA) é esperado para a primeira metade de 2026, e o Morgan Stanley alerta que a maior parte do mundo não está preparada para suas implicações. Em um relatório abrangente, o banco de investimento sinaliza um salto transformador na IA, impulsionado por um acúmulo sem precedentes de poder computacional nos principais laboratórios de IA dos Estados Unidos.

    Pesquisadores destacaram as projeções de Elon Musk, que acredita que a aplicação de dez vezes mais poder computacional no treinamento de modelos de linguagem grandes (LLMs) dobrará efetivamente a “inteligência” desses modelos. As leis de escalonamento que sustentam essa afirmação permanecem sólidas, indicando que os ganhos já estão superando as expectativas. O modelo GPT-5.4 “Thinking”, lançado recentemente pela OpenAI, alcançou 83.0% no benchmark GDPVal, equiparando-se ou superando especialistas humanos em tarefas de valor econômico.

    A infraestrutura e a crise de energia para a IA

    Esse rápido desenvolvimento da IA, no entanto, enfrenta uma restrição de infraestrutura significativa. O modelo “Intelligence Factory” do Morgan Stanley projeta um déficit líquido de energia nos EUA entre 9 e 18 gigawatts até 2028, o que representa uma lacuna de 12% a 25% na energia necessária para alimentar toda essa capacidade computacional.

    Diante desse cenário, desenvolvedores não estão aguardando a adaptação da rede elétrica. Há um movimento crescente na conversão de operações de mineração de Bitcoin em centros de computação de alto desempenho. Além disso, turbinas a gás e células de combustível estão sendo implementadas para garantir o suprimento de energia necessário e manter o ritmo de desenvolvimento.

    A dinâmica econômica gerada é impressionante, com um padrão emergente de “15-15-15”: arrendamentos de data centers por 15 anos, com rendimentos de 15% e gerando US$ 15 por watt em criação de valor líquido.

    Impactos no mercado de trabalho e o futuro do emprego

    As ondas de choque econômicas prometem ir além da infraestrutura. O Morgan Stanley prevê que a “IA Transformadora” atuará como uma poderosa força deflacionária, à medida que ferramentas de IA replicam o trabalho humano a um custo significativamente menor. O banco relata que executivos já estão implementando reduções de força de trabalho em larga escala devido às eficiências proporcionadas pela IA.

    Sam Altman, CEO da OpenAI, vislumbra um futuro onde empresas inteiras, compostas por apenas uma a cinco pessoas, poderão superar grandes concorrentes estabelecidos. Jimmy Ba, cofundador da xAI, sugere que loops de autoaprimoramento recursivo – onde a IA melhora suas próprias capacidades autonomamente – poderão surgir já na primeira metade de 2027.

    A conclusão do Morgan Stanley é direta: a “moeda de troca” está se tornando a inteligência pura, forjada pelo poder computacional e pela energia. Essa explosão de capacidade está chegando mais rápido do que a maioria das pessoas está preparada para enfrentar.

  • Inteligência artificial pode desacelerar crescimento de dez profissões até 2034

    Inteligência artificial pode desacelerar crescimento de dez profissões até 2034

    Inteligência artificial pode desacelerar crescimento de dez profissões até 2034

    A rápida evolução da inteligência artificial (IA) lança novas perspectivas sobre o futuro do mercado de trabalho. Relatório da Anthropic, empresa especializada em IA, sugere que o avanço tecnológico poderá impactar o crescimento de dez profissões específicas, com uma desaceleração prevista até 2034. A pesquisa busca entender como a IA está redefinindo funções, otimizando custos e gerando preocupações sobre a substituição de trabalhadores.

    O estudo da Anthropic, que utiliza dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS), foca na “exposição observada” de cada ocupação à IA. Essa métrica combina o potencial teórico de modelos de linguagem com dados reais de aplicação, identificando profissões com maior risco de deslocamento. Apesar da IA estar longe de sua capacidade máxima, seu impacto já se faz notar.

    Profissões com maior exposição à IA

    Dez ocupações foram identificadas com altos níveis de exposição ao avanço da inteligência artificial. São elas:

    • Programadores (74,5%)
    • Representantes de atendimento ao cliente (70,1%)
    • Analistas de dados (67,1%)
    • Especialistas em registros médicos (66,7%)
    • Analistas de mercado e especialistas em marketing (64,8%)
    • Representantes de vendas (62,8%)
    • Analistas financeiros (57,2%)
    • Analistas de software e garantia de qualidade (51,9%)
    • Analistas de segurança da informação (48,6%)
    • Especialistas em suporte técnico ao usuário (46,8%)

    Estas profissões compartilham características como a alta frequência de tarefas repetitivas, que a IA tem grande potencial para automatizar e, consequentemente, otimizar o tempo de trabalho. Em resumo, a tecnologia pode transformar a maneira como essas funções são exercidas.

    Impacto no emprego e comparações históricas

    Embora o relatório aponte uma desaceleração no crescimento dessas profissões, as pesquisas nos EUA não revelaram um impacto direto nas taxas de desemprego para os trabalhadores mais expostos. Contudo, existem evidências preliminares de uma ligeira diminuição na contratação para trabalhadores entre 22 e 25 anos nessas áreas.

    A Anthropic compara o impacto da IA não com choques econômicos recentes, como a pandemia de COVID-19, mas sim com disrupções históricas causadas pela internet e pela expansão do comércio global. Essas comparações sugerem uma transformação gradual, porém profunda, no mercado de trabalho.

    O que não está na lista?

    É importante notar que o relatório exclui deliberadamente profissões que exigem presença física indispensável, como cozinheiros, mecânicos de motocicletas, salva-vidas, bartenders, lavadores de pratos e atendentes de vestiário. Atividades como poda de árvores e a representação legal de clientes em tribunais também não foram consideradas no escopo de impacto direto da IA.

    O estudo da Anthropic se posiciona como um passo inicial para mapear os efeitos da IA no emprego. A expectativa é que, com abordagens consolidadas, seja possível discernir o real impacto da tecnologia, separando as tendências significativas do ruído informacional.