Tag: jornalismo

  • Impactos e usos da inteligência artificial na mídia

    Impactos e usos da inteligência artificial na mídia

    A inteligência artificial revoluciona a mídia: desafios e oportunidades

    A inteligência artificial (IA) generativa se consolidou como uma força transformadora no cenário da mídia, levantando preocupações e abrindo novas avenidas para o jornalismo. Em 2026, o uso da IA para busca de informações disparou, saltando de 11% em 2024 para 24% em 2025, segundo o estudo “Generative AI and news report” do Reuters Institute. Essa ascensão reflete uma mudança significativa na forma como o público consome notícias, com 6% dos entrevistados buscando informações diretamente via IA.

    O debate em torno da IA na mídia ganhou destaque no South by Southwest (SXSW) 2026, onde empreendedores e profissionais do setor discutiram suas implicações. Uma conclusão unânime é que, enquanto a internet eliminou os custos de distribuição, a IA agora impacta diretamente os custos de produção de conteúdo noticioso.

    IA: uma aliada, não uma substituta do jornalismo

    Apesar dos receios, o investidor e empreendedor Mark Cuban defende que a IA ainda não representa uma ameaça existencial ao jornalismo tradicional. Ele compara a inteligência da IA a uma criança de dois anos com boa memória, mas sem a capacidade de medir as consequências de suas ações. Segundo Cuban, a IA opera de forma probabilística e estatística, e a ideia de que ela substituirá todos os profissionais em dois anos é infundada.

    Atualmente, a IA ainda apresenta limitações no mercado de notícias, como a alta latência na atualização e a dificuldade em capturar informações em tempo real. “Há sempre novas informações que a plataforma não captou”, observa o empreendedor.

    Para Cuban, a desinformação é o ponto mais crítico da IA na disputa com veículos jornalísticos. Modelos que apresentam informações incorretas minam a confiança do consumidor e a recorrência no uso da tecnologia.

    Ele aponta que a IA se mostra útil em tarefas repetitivas, burocráticas, auxilia em estudos aprofundados e na geração de ideias. “Se está encarregado, é sua responsabilidade nutrir a cultura de experimentação da IA na sua empresa”, aconselha Cuban.

    A supervisão humana como pilar na era da IA

    A supervisão humana emerge como um princípio absoluto no uso da IA em ambientes corporativos, conforme debatido em diversos painéis no SXSW. À medida que a expertise técnica se torna mais acessível, o valor se desloca para o julgamento humano e a capacidade de discernimento.

    Exemplo disso é a iniciativa do The New York Times. Em dezembro de 2023, o jornal contratou Zach Seward para liderar uma área dedicada à estruturação do uso de IA na redação. Composta por oito colaboradores, incluindo engenheiros, designers e jornalistas, a equipe explora a tecnologia em quatro frentes: treinamento e suporte, jornalismo investigativo e pesquisa, otimização do fluxo de produção e desenvolvimento de futuras experiências de consumo de conteúdo.

    Usos práticos da IA na produção de conteúdo no The New York Times

    Zach Seward detalhou sete usos específicos da IA na produção de conteúdo:

    • Busca semântica: Utiliza IA para buscar não apenas palavras, mas conceitos e contextos, compreendendo sinônimos e variações de termos.
    • Mudanças de meio: Converte dados entre formatos distintos, como transformar vídeos em texto, explicar imagens ou usar OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres) para transcrever textos manuscritos.
    • Computer vision: Emprega IA para analisar imagens, como fotos de satélite, identificando elementos específicos como bombas ou quadras esportivas.
    • Gerar mais dados: Cria novos dados úteis a partir de listas desorganizadas ou grandes volumes de conteúdo, como o acompanhamento de podcasts aliados a figuras políticas.
    • Extração e estruturação de dados: Utiliza IA para extrair informações de arquivos históricos, como publicações antigas do jornal, e organizá-las em planilhas e documentos acessíveis.
    • Classificação granular: Classifica grandes volumes de material, como transcrições de áudio, em segmentos para identificar temas específicos.
    • Adicionando expertise: Combina metodologias para auxiliar em projetos de larga escala, como a análise de documentos complexos liberados por órgãos governamentais, permitindo que jornalistas encontrem informações relevantes com mais eficiência.

    Seward enfatiza a importância de questionar as motivações por trás do uso da IA. “Só nos interessa usar IA como uma ferramenta a serviço de uma missão ou objetivo já existente da organização. Internamente, usamos um atalho para isso: ‘comece pelo porquê, não pela IA’”, afirma.

    Ele alerta contra o risco de se tornar um “martelo de IA vendo pregos em todo lugar”. O ideal é focar nos problemas das pessoas e identificar onde a IA pode genuinamente agregar valor. Na maioria das vezes, a IA pode não ser a solução, mas nos casos em que é, a exploração se torna produtiva.

  • Times Brasil CNBC estreia estúdio voltado à inteligência artificial

    Times Brasil CNBC estreia estúdio voltado à inteligência artificial

    Times Brasil CNBC estreia estúdio voltado à inteligência artificial

    O Times Brasil CNBC anunciou a inauguração de seu terceiro estúdio na sede da emissora em abril de 2026. A novidade marca a implementação de uma tecnologia inédita focada em inteligência artificial (IA), resultado de uma colaboração com as gigantes de tecnologia Totvs, Tecla T e IBM.

    Batizado de Estúdio Lab I.A., o novo espaço promete integrar a IA em todas as fases do processo de produção jornalística. O objetivo é otimizar a produtividade e elevar a qualidade do conteúdo, dando mais ferramentas ao time de jornalistas para apuração, produção e distribuição de notícias em tempo real.

    Novas funcionalidades impulsionadas pela IA

    Entre as inovações implementadas no Estúdio Lab I.A. está o uso de sistemas de assistência inteligente. Essas ferramentas darão suporte na organização de informações, na geração de insights e na preparação de materiais para exibição, como pautas, roteiros, sugestões de perguntas para entrevistas e tarjas para serem exibidas na tela.

    Outro lançamento aguardado é a introdução de um avatar interativo de inteligência artificial. Este recurso poderá participar ativamente dos programas, sugerindo temas, perguntas e abordagens para apresentadores e convidados, o que promete ampliar as possibilidades de interação editorial durante as transmissões ao vivo.

    Tecnologia em prol do jornalismo em tempo real

    O novo estúdio do Times Brasil CNBC, localizado na Avenida Berrini, no centro financeiro de São Paulo, será utilizado tanto para gravações quanto para programação ao vivo. Inicialmente, dois novos projetos aproveitarão o ambiente de ponta, incluindo um programa dedicado ao universo da tecnologia.

    A operação do Estúdio Lab I.A. também contará com ferramentas avançadas de análise e processamento de dados. Essas capacidades auxiliarão na tomada de decisões em tempo real durante a produção e se integrarão a sistemas automatizados de controle e monitoramento, buscando aumentar a previsibilidade e a estabilidade das transmissões.

    “Já usamos ferramentas de I.A. no processo diário de produção de jornalismo, mas este projeto eleva essa integração a outro nível, com desenvolvimento de ponta na criação de agentes e soluções sob medida que, além de otimizar a produtividade, contribuem para aumentar a qualidade do produto final”, explica André Ramos, vice-presidente de Conteúdo e Operações do Times Brasil CNBC.

    Rafael Duzzi, diretor de tecnologia e engenharia do canal, reforça a visão: “Nosso objetivo é dar mais tração ao nosso time de jornalistas e à produção de conteúdo em tempo real. Tecnologia e I.A. entram como grandes aliadas nesse processo, criando um ambiente cada vez mais fértil para a apuração, produção e distribuição de notícias”.

  • O impacto das ferramentas de busca por inteligência artificial no jornalismo

    O impacto das ferramentas de busca por inteligência artificial no jornalismo

    A inteligência artificial (IA) tornou-se um dilema urgente no jornalismo global. Enquanto a tecnologia já integra o cotidiano de muitos, seja na imprensa ou fora dela, a popularização de ferramentas generativas introduz novas e complexas questões. Em 2026, com quase metade dos brasileiros acessando a internet utilizando recursos como ChatGPT e Gemini, o debate sobre o impacto contínuo da IA na forma de fazer jornalismo é mais relevante do que nunca.

    No entanto, essa mesma tecnologia que apoia a produção técnica e agiliza processos nas redações, como visto em veículos como Estadão e Folha de S.Paulo com seus comitês de IA, também levanta sérias preocupações. Ferramentas de busca baseadas em IA generativa, como o AI Overviews do Google, já contribuem para uma redução significativa no tráfego direcionado a sites de notícias, impactando diretamente a distribuição e monetização do conteúdo jornalístico.

    A inteligência artificial no cotidiano das redações

    Apesar de o debate sobre a IA no jornalismo ser frequentemente discutido em um futuro hipotético, a realidade é que ela já está firmemente estabelecida. Veículos de comunicação, como o Estadão e a Folha de S.Paulo, implementaram comitês e códigos de conduta para nortear o uso da inteligência artificial. A transparência sobre essa utilização foi explorada em um artigo da pesquisadora Kalianny Bezerra, doutora em Jornalismo pelo PPGJOR/UFSC e integrante do objETHOS.

    É inegável que a tecnologia tem sido uma aliada na produção técnica, encurtando processos, evitando retrabalho e facilitando o refinamento de dados. Muitas redações estabeleceram setores de análise de informações, onde jornalistas programadores desenvolvem recursos específicos para agilizar a apuração de fatos e mapear pautas potenciais.

    Desafios na distribuição e monetização de notícias

    A democratização do acesso à informação é vital. Contudo, a popularização das ferramentas de busca com IA generativa introduz uma nova camada de complexidade para o jornalismo. Um estudo da empresa Authoritas revelou que o recurso AI Overviews do Google tem gerado uma redução de 20,6% no tráfego direcionado a sites de notícias. Isso ocorre porque um número crescente de pessoas realiza suas pesquisas diretamente por meio dessas ferramentas, que sintetizam informações sem exigir o acesso aos links de origem.

    O impacto dessa prática gerou uma mobilização importante. O estudo completo foi submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pelas organizações Foxglove, Artigo 19 e Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), em conjunto com o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio. Desde 2019, o Cade conduz um inquérito administrativo que investiga possíveis infrações e abuso de posição dominante por parte do Google nos sistemas de busca online.

    Em junho de 2025, o julgamento do caso foi interrompido após um pedido de vista do conselheiro Diogo Thompson, e uma consulta pública para coleta de novas informações foi aberta, encerrando-se em setembro de 2025. Até a publicação original deste artigo no Observatório da Imprensa, não foram identificadas atualizações sobre o andamento do processo no site oficial do Cade. Além de não divulgar os critérios de seleção de dados, o Google também tem capturado informações jornalísticas — incluindo texto, fotografias e vídeos — sem a devida autorização dos autores.

    Paralelamente, veículos da imprensa hegemônica, como Estadão, CNN, Fox News e Le Monde, estão firmando acordos com gigantes da tecnologia, como Google e Meta, para fornecer conteúdo para seus assistentes de inteligência artificial. Isso destaca a complexa relação entre as big techs e as empresas de mídia em um cenário de rápida mudança.

    A vulnerabilidade do conteúdo jornalístico e o risco da desinformação

    A questão não se resume apenas a como a IA altera a distribuição e seleção de respostas aos usuários. Uma pesquisa intitulada “The Protocol Gap”, realizada pelo Journalism Relay Project, Momentum e International Fund for Public Interest Media (IFPIM), utilizando dados do Atlas da Notícia, revelou um dado alarmante: 93% dos sites de notícias no Brasil não protegem seus dados dos mecanismos de busca por IA.

    Essa fragilidade não apenas permite que os conteúdos sejam disponibilizados sem retorno financeiro aos autores, mas também contribui para que as ferramentas mimetizem a linguagem e o formato dos textos jornalísticos. Ao permitir que sistemas de inteligência artificial emulem práticas jornalísticas, empresas de tecnologia abrem um vasto espaço para a ampliação da circulação de conteúdos falsos, especialmente em um contexto onde o público tende a consumir informações cada vez mais fragmentadas e superficiais.

    Soma-se a isso a presença de vieses nos próprios mecanismos de busca, que podem limitar a pluralidade e a diversidade de perspectivas. É igualmente comum que os resultados apontem informações erradas ou descontextualizadas. Nesse cenário de incertezas, cresce a preocupação de que a desinformação seja potencializada, inclusive com o aval de grandes empresas, conforme destacado por Caroline dos Passos, jornalista, mestranda em Jornalismo pelo PPGJor/UFSC e pesquisadora do objETHOS.

    Considerações finais sobre o jornalismo e a inteligência artificial

    O impacto das ferramentas de busca por inteligência artificial no jornalismo em 2026 é, sem dúvida, multifacetado. Embora ofereça eficiências operacionais e de produção, a ameaça à sustentabilidade financeira dos veículos de notícias, a captação de conteúdo sem autorização e o risco elevado de proliferação de desinformação são desafios prementes. A necessidade de transparência, proteção de dados e modelos de remuneração justos para o conteúdo jornalístico é mais urgente do que nunca, à medida que a imprensa busca manter sua relevância e confiabilidade em um ecossistema digital em constante evolução.

  • Futuro da mídia frente à inteligência artificial é pauta no festival

    Futuro da mídia frente à inteligência artificial é pauta no festival

    O futuro da mídia e a inteligência artificial em debate

    A inteligência artificial (IA) se consolida como um tema central nos debates sobre o futuro da mídia. Eventos como o South by Southwest (SXSW) reúnem gigantes da comunicação e da tecnologia para discutir como as empresas podem navegar essa revolução tecnológica e transformar a IA de uma ameaça a uma ferramenta de crescimento.

    O modelo tradicional de distribuição de conteúdo, que impulsionou o jornalismo na era digital, enfrenta novos desafios. A busca direta por respostas em plataformas de IA e a ascensão de agentes autônomos diminuem a necessidade de visitas a sites, impactando diretamente o tráfego e a receita de veículos de comunicação. Paralelamente, a indústria ainda lida com a queda na confiança pública e no número de assinantes.

    Novos modelos em discussão no festival

    Diante desse cenário, o SXSW se tornou um palco para a exploração de novos modelos e práticas. Representantes de veículos como The New York Times, The Texas Tribune, Reuters Institute e Wikipedia, além de empreendedores como Mark Cuban e publishers digitais como BuzzFeed e Shit You Should Care About, apresentaram suas estratégias.

    O objetivo é reposicionar a IA de um obstáculo a um aliado. A discussão central gira em torno de como a criatividade e a tecnologia podem coexistir para definir o futuro do negócio midiático.

    Exemplos práticos de adaptação

    Empresas presentes no festival detalharam abordagens específicas:

    • Spotify: O co-CEO Gustav Söderström compartilhou a visão da empresa sobre a transformação tecnológica na música, podcasts e audiolivros. Ele destacou como o controle do usuário, a inovação dos criadores e a tecnologia focada no futuro moldam o entretenimento, buscando reconectar artistas e fãs.
    • BuzzFeed: Jonah Peretti, co-fundador e CEO, apresentou planos para tornar a internet mais interativa e divertida, revelando os bastidores da incubadora de IA da empresa. O foco é criar novas formas de conteúdo, autoexpressão e conexão social, utilizando IA para gerar momentos culturais compartilhados e combater as bolhas de filtro.
    • The New York Times: Zach Seward, diretor de iniciativas de IA, apresentou descobertas sobre o uso da tecnologia no jornalismo. A estratégia envolve usar a IA para potencializar a expertise humana e explorar novas formas de reportagem, contrastando diferentes abordagens e identificando melhores práticas.

    O impacto da IA na busca e no acesso à informação

    Um dos pontos mais críticos abordados foi o futuro da busca online. Matthew Prince, co-fundador e CEO da Cloudflare, discutiu a quebra do modelo econômico que sustentou a internet. Com sistemas de IA fornecendo respostas diretas e agentes autônomos realizando transações, o tráfego para os sites dos criadores de conteúdo diminui drasticamente.

    A sessão “The Internet After Search” explorou quem controla o acesso à informação e quem será remunerado pelo conteúdo. As decisões tomadas agora sobre remuneração, propriedade e acesso digital definirão a trajetória futura da web.

    Coberturas e negócios em foco

    O festival também serviu de palco para a Fox antecipar seus planos para a Copa do Mundo FIFA 2026. Analistas e apresentadores da Fox Sports discutiram a evolução do esporte nos EUA e as expectativas para o evento, considerado um momento cultural geracional.

    Em resumo, o festival destacou a urgência de adaptação e inovação no setor de mídia. A inteligência artificial não é mais uma questão de “se”, mas de “como” será integrada para garantir a sustentabilidade e a relevância do jornalismo e do entretenimento na era digital.