Tag: fake news

  • Corrida armamentista contra a desinformação: usando IA para detectar IA

    Corrida armamentista contra a desinformação: usando IA para detectar IA

    A nova paisagem informacional: quando o real e o falso se misturam

    A luta contra a desinformação ganhou um novo capítulo com o avanço da inteligência artificial. Ferramentas capazes de criar imagens, vídeos e textos ultrarrealistas tornaram a distinção entre o que é genuíno e o que é fabricado um desafio cada vez maior. Pesquisadores europeus estão respondendo a essa ameaça com uma estratégia inovadora: usar a própria IA para detectar conteúdo falso.

    Recentemente, vídeos alarmantes inundaram as redes sociais, alegando a invasão de mercados de Natal por radicais islâmicos e tumultos em eventos públicos. As imagens, convincentes à primeira vista, eram, na verdade, compilações de manifestações pacíficas ou completamente geradas por inteligência artificial. Essa nova realidade digital exige respostas tecnológicas ágeis.

    AI4Media: a primeira linha de defesa contra a desinformação

    Em 2020, uma iniciativa financiada pela União Europeia reuniu especialistas de universidades, empresas de mídia e companhias de tecnologia. O projeto AI4Media, com duração de quatro anos, tem como objetivo desenvolver ferramentas de IA que auxiliem jornalistas e verificadores de fatos a autenticar conteúdos digitais de maneira rápida e confiável.

    “Há uma necessidade urgente de desenvolver técnicas de IA para o setor de mídia”, afirma Yiannis Kompatsiaris, diretor de pesquisa do Centro de Pesquisa e Tecnologia Hellas (CERTH) e coordenador da iniciativa. A IA democratizou a criação de conteúdos falsos convincentes, permitindo que qualquer pessoa com acesso a ferramentas generativas produza imagens, vozes ou notícias fabricadas que são amplificadas rapidamente pelas redes sociais.

    “Quando uma história falsa é apoiada por imagens realistas, torna-se muito mais fácil de acreditar – e mais tentador de compartilhar, porque o conteúdo gera mais visualizações”, acrescenta Kompatsiaris.

    As ferramentas desenvolvidas pelo AI4Media foram projetadas para se integrar diretamente aos fluxos de trabalho das redações. Organizações como a Deutsche Welle (Alemanha) e a VRT (Bélgica) já testaram essas tecnologias em cenários reais. Akis Papadopoulos, pesquisador do CERTH envolvido no projeto, descreve a tecnologia como uma “primeira linha de defesa”, que não substitui o julgamento humano, mas sinaliza rapidamente conteúdos potencialmente manipulados.

    AI4Trust: mapeando a disseminação da desinformação

    Identificar o conteúdo manipulado é apenas uma parte da batalha. Compreender como a desinformação se espalha – quem a amplifica, como as narrativas evoluem e se as campanhas são coordenadas – é igualmente crucial. O projeto AI4Trust, em paralelo ao AI4Media, foca justamente nessa análise das dinâmicas mais amplas da desinformação online.

    Financiado pela UE, o AI4Trust reúne universidades e organizações de mídia europeias, incluindo Euractiv (Bélgica), Sky Italia, e serviços de checagem como Maldita.es (Espanha), Ellenika Hoaxes (Grécia) e Demagog (Polônia). Enquanto o AI4Media se concentra na detecção de mídias manipuladas, o AI4Trust constrói um sistema híbrido (humano-máquina) para monitorar e analisar a desinformação em escala.

    A plataforma do AI4Trust rastreia múltiplas redes sociais e sites de notícias em tempo quase real. Utilizando algoritmos avançados de IA, o sistema processa conteúdos multilingues e multimodais (texto, áudio e imagens) para filtrar e sinalizar posts com alto risco de serem falsos. Verificadores de fatos profissionais, então, analisam esse material, e suas avaliações alimentam o sistema, aprimorando seu desempenho continuamente.

    “Estamos em um ciclo contínuo de tentar entender e acompanhar a tecnologia mais recente”, diz Riccardo Gallotti, chefe da Unidade de Comportamento Complexo da Fondazione Bruno Kessler (FBK).

    Uma corrida armamentista tecnológica

    Usar IA para detectar IA pode parecer irônico, mas é uma necessidade séria. “É engraçado, mas é como uma corrida armamentista”, comenta Kompatsiaris. A velocidade com que os modelos de IA generativa evoluem é impressionante. Ferramentas como o ChatGPT eram incipientes quando o AI4Media começou, mas desde então a qualidade e o realismo do conteúdo gerado por IA avançaram drasticamente.

    “Entramos em uma nova era onde a aceleração é difícil para a mente humana acompanhar”, observa Papadopoulos. “Para acompanhar a IA, você precisa usar IA.” Os sistemas de detecção precisam se adaptar constantemente à medida que os modelos generativos se tornam mais poderosos. A equipe de pesquisa enfrentou o desafio de atualizar continuamente seus modelos para detectar imagens recém-geradas.

    Além da tecnologia: regulação e conscientização

    A tecnologia sozinha, no entanto, não é suficiente. “Precisamos de ferramentas, mas também precisamos de políticas e regras”, enfatiza Kompatsiaris. A União Europeia está implementando medidas como o Digital Services Act, que exige que grandes plataformas online avaliem e mitiguem riscos sistêmicos, incluindo a desinformação. O Artificial Intelligence Act impõe obrigações de transparência para sistemas de IA generativa, como a rotulagem de conteúdo criado por IA.

    Paralelamente, um código de práticas busca incentivar padrões de divulgação mais claros e marca d’água para conteúdo gerado por IA. A proteção do jornalismo independente também é uma prioridade, com o European Media Freedom Act estabelecendo salvaguardas para garantir que o conteúdo de mídia profissional seja reconhecido e protegido nas plataformas online.

    A conscientização pública permanece vital. “Não há uma solução única”, conclui Kompatsiaris. “Precisamos de uma combinação de ferramentas de IA, transparência, regulação e conscientização se quisermos ser mais eficazes contra a desinformação.” A pesquisa mencionada neste artigo foi financiada pelo Programa Horizonte da UE.

  • Fato ou fake: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria

    Fato ou fake: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria

    Publicações disseminadas em redes sociais levantam dúvidas sobre a autenticidade de um vídeo divulgado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no qual ele aparece em uma cafeteria em Jerusalém. As acusações apontam o uso de inteligência artificial (IA) na produção das imagens, com especulações que ganharam força após um pronunciamento anterior de Netanyahu, onde alguns usuários afirmaram ter visto seis dedos em sua mão, o que seria um indício de manipulação.

    Diante da repercussão, surgiram buscas globais por termos como “netanyahu está vivo últimas atualizações”, “dedos de netanyahu” e “vídeo de netanyahu no café”. No entanto, uma análise factual baseada em informações disponíveis revela o que realmente sabemos sobre o caso.

    Verificando a autenticidade do vídeo e do local

    Um dos posts que viralizaram em espanhol, e que já ultrapassou 45 mil visualizações, afirma categoricamente que o vídeo foi criado com inteligência artificial e que a situação, como o copo de café que não transborda, provaria a falsidade.

    Usuários destacaram pontos específicos da gravação, como o nível constante do café e o gesto de colocar a mão no bolso, interpretando-os como evidências de manipulação. Outras mensagens mencionavam a data vista na tela de um caixa registradora, que seria 15/03/2024, e sugeriam que a visita ocorreu durante a pandemia de Covid-19, com seguranças de máscara.

    Contudo, a verificação por meio do Google Maps demonstrou que a cafeteria em questão, identificada pela palavra “Sataf” no avental de um funcionário, realmente existe. Imagens panorâmicas e de satélite confirmam a localização exata do estabelecimento em Jerusalém, dissipando a ideia de ser um cenário sinteticamente criado.

    Adicionalmente, o perfil oficial da cafeteria no Instagram publicou fotos da visita de Netanyahu, acompanhadas de uma legenda expressando satisfação em recebê-lo. Essas postagens reforçam a veracidade do encontro.

    O café, chamado Sataf, fica em Jerusalém e foi inaugurado em julho do ano passado, contrariando as alegações de que a gravação seria de 2024.

    Comparando imagens do Google Maps com o vídeo divulgado por Netanyahu, é possível notar a correspondência de detalhes como o mármore do balcão, as prateleiras e a disposição das garrafas, fortalecendo ainda mais a autenticidade.

    Ferramentas de detecção de IA e o veredito

    Para combater as acusações de manipulação, o vídeo e imagens relacionadas foram submetidos a diversas ferramentas de detecção de inteligência artificial. Os resultados indicaram uma baixa probabilidade de uso de IA.

    Ferramentas como o DecopyAI analisaram as imagens postadas pelo perfil oficial da cafeteria e indicaram chances mínimas de serem sintéticas, com resultados de 1% e 2%.

    O próprio vídeo de Netanyahu foi testado em três plataformas distintas:

    • Hive Moderation concluiu que “o arquivo provavelmente não contém IA ou deepfake”.
    • Sight Engine apontou apenas 13% de chance de uso de IA.
    • SynthID Detector, a ferramenta do Google, indicou “Não foi feito com a IA do Google”, o que significa que o conteúdo não foi gerado pela IA específica dessa empresa, que utiliza uma marca d’água digital para identificação.

    A análise dessas ferramentas sugere que as alegações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu na cafeteria não são sustentadas pelas evidências tecnológicas atuais.

  • TRE-GO conquista 3º lugar no 6º Prêmio Conexão Inova com projeto de inteligência artificial contra a desinformação

    TRE-GO conquista 3º lugar no 6º Prêmio Conexão Inova com projeto de inteligência artificial contra a desinformação

    TRE-GO conquista 3º lugar no 6º Prêmio Conexão Inova com projeto de inteligência artificial contra a desinformação

    O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) alcançou a 3ª posição no 6º Prêmio Conexão Inova, um reconhecimento de relevância no cenário de inovação pública. A conquista se deu com o projeto GuaIA – Tecnologia de Inteligência Artificial para Combate à Desinformação no Processo Eleitoral, que foi selecionado na categoria “Inteligência Artificial e outras Tecnologias Emergentes e Disruptivas”.

    Este prêmio destaca a capacidade do TRE-GO em desenvolver e implementar soluções tecnológicas avançadas para um dos maiores desafios da democracia contemporânea: a disseminação de informações falsas. O projeto GuaIA demonstra um compromisso com a integridade e a credibilidade do processo eleitoral.

    O que é o projeto GuaIA?

    O GuaIA é uma iniciativa pioneira do TRE-GO, desenvolvida em colaboração com o Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG). A ferramenta foi concebida especificamente para combater a propagação de conteúdos falsos e manipulados, incluindo fake news e deepfakes, que representam uma ameaça direta à confiança no sistema eleitoral.

    Como a inteligência artificial combate a desinformação

    Lançada em agosto de 2024, a ferramenta GuaIA emprega inteligência artificial para analisar rigorosamente conteúdos veiculados em diversas plataformas, como sites, redes sociais, vídeos e áudios. O sistema funciona cruzando informações em rede e atribui uma pontuação de 0 a 100, indicando o grau de veracidade das publicações analisadas.

    Essa abordagem analítica e baseada em dados fortalece significativamente a capacidade de identificação e combate à desinformação, oferecendo um importante suporte técnico para a proteção da integridade das eleições. A iniciativa se consolida como um instrumento fundamental para a proteção da integridade das eleições e para o fortalecimento da confiança da sociedade no processo democrático.

    Convergência 2026 e a Inovação Pública

    O 6º Prêmio Conexão Inova foi concedido durante o evento Convergência 2026 – Inovação Pública, realizado em Goiânia entre os dias 11 e 13 de março. O encontro reuniu iniciativas inovadoras do setor público, focando na modernização da gestão e no aprimoramento dos serviços prestados à população. O evento é uma realização da Rede Conexão Inovação Pública, em parceria com o Governo do Estado de Goiás.

    A parceria envolveu secretarias estaduais importantes, como a de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), a de Governo (SGG) e a de Administração (SEAD), reforçando o compromisso do estado com uma gestão pública moderna, orientada por resultados e focada em inovações tecnológicas como o projeto GuaIA.

  • Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    Evolução da inteligência artificial cria vídeos cada vez mais reais

    A inteligência artificial (IA) generativa está avançando a passos largos na criação de vídeos, produzindo conteúdos cada vez mais realistas que desafiam a distinção com a realidade. Essa evolução traz tanto avanços tecnológicos quanto preocupações significativas sobre a disseminação de informações falsas.

    Conforme avalia o professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos da USP, o processo de criação de vídeos por IA tem passado por um refinamento contínuo. Utilizando técnicas como redes adversárias, a IA aprimora a qualidade de suas produções ao identificar e corrigir falhas, resultando em vídeos que se assemelham impressionantemente ao que vemos no mundo real.

    Como a IA gera vídeos cada vez mais realistas

    O processo de geração de vídeos por IA pode ser iniciado de diversas formas, como a partir de comandos textuais (prompts), imagens ou outros recursos visuais. A IA, treinada em vastos bancos de dados, interpreta as instruções para construir cenas e narrativas visuais.

    As técnicas de deep learning, que utilizam redes neurais artificiais para o aprendizado de máquina, são fundamentais nesse desenvolvimento. Inicialmente, a IA gerava imagens a partir de texto. Atualmente, com o avanço das IAs multimodais, o sistema pode processar e gerar conteúdo combinando texto, imagem e, em alguns casos, áudio, expandindo a capacidade de criar desde imagens estáticas até vídeos dinâmicos.

    A complexidade da geração por texto é notável. Ao receber um prompt como “gere uma imagem de uma pessoa andando em uma rua”, a IA utiliza seu modelo padrão para preencher detalhes genéricos, como a aparência da pessoa, o ambiente, etc. Essa autonomia, embora poderosa, também levanta questões sobre os dados com os quais a IA é alimentada e os possíveis estereótipos que pode perpetuar.

    Os perigos da disseminação de informações falsas

    O professor Fernando Osório destaca que a disseminação de informações falsas é um dos danos mais emergentes da utilização irrestrita da IA. A capacidade de criar vídeos extremamente convincentes torna a detecção de fakes um desafio crescente.

    Antigamente, erros grosseiros, como o número incorreto de dedos ou representações fisicamente impossíveis, facilitavam a identificação de vídeos gerados por IA. Contudo, em um período de um a três anos, a evolução foi tão significativa que esses erros se tornaram raros. Hoje, os fakes são muito mais precisos, enganando até mesmo pessoas cientes da sua origem artificial.

    Osório relata que, em alguns casos, pessoas que sabem que um vídeo é falso podem desenvolver uma espécie de “memória de vida” de momentos que nunca existiram, tamanha a força e a precisão desse tipo de conteúdo. A dificuldade em distinguir o real do artificial é um ponto crítico.

    Como mitigar os riscos

    A utilização consciente e segura desse recurso passa pela implementação de limitações e ferramentas de controle. A IA já possui a capacidade de verificar a qualidade do que está sendo criado e de identificar elementos que não deveriam estar presentes.

    O professor Osório menciona a possibilidade de uso de filtros para bloquear a geração de conteúdo ilegal ou prejudicial, como representações de pessoas famosas de forma indevida, conteúdo sexual explícito, ou instruções para a fabricação de artefatos perigosos. No entanto, ele aponta que a decisão de disponibilizar e implementar esses filtros depende das grandes empresas de tecnologia (Big Techs).

    A motivação das Big Techs em ganhar dinheiro com a ferramenta, mesmo que envolva a venda de ilegalidade, pode ser um obstáculo para a filtragem eficaz. Algumas ações podem ser apenas performáticas, sem o real compromisso de impedir a disseminação de desinformação.

    Ferramentas de identificação de conteúdo gerado por IA

    Apesar dos desafios, existem ferramentas para auxiliar na identificação de conteúdos gerados por IA. Para textos, há sistemas que detectam se um material acadêmico foi criado por máquina, embora existam técnicas para disfarçar essa origem.

    No campo audiovisual, a identificação pode ser mais complexa. Uma abordagem promissora é a marca d’água, que pode ser visível ou invisível. As marcas d’água invisíveis são codificadas de forma a serem imperceptíveis ao olho humano, mas detectáveis por máquinas. Essa assinatura digital é uma forma ideal de rastrear a origem do conteúdo gerado por computador, permitindo sua identificação.

    A evolução da inteligência artificial na criação de vídeos reais é inegável e abre um leque de possibilidades, mas exige um olhar crítico e o desenvolvimento contínuo de mecanismos de segurança e ética para que seus benefícios superem os riscos.

  • Eleições terão regras mais rígidas para uso de inteligência artificial nas campanhas

    Eleições terão regras mais rígidas para uso de inteligência artificial nas campanhas

    Eleições terão regras mais rígidas para uso de inteligência artificial nas campanhas

    As eleições de 2026 trarão um novo cenário para o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceram novas e mais rigorosas restrições para a produção e circulação de conteúdos sintéticos, visando combater a desinformação em um período crítico do processo eleitoral.

    A principal novidade é a proibição da disseminação de material produzido ou manipulado por IA nas 72 horas que antecedem o dia da votação e nas 24 horas posteriores ao pleito. Essa medida, mesmo para conteúdos devidamente identificados como gerados artificialmente, busca blindar o eleitor de possíveis manipulações em momentos decisivos.

    Avanço na regulamentação contra desinformação

    Segundo Luiz Eugênio Scarpino Junior, especialista em direito eleitoral, as novas regras representam uma evolução significativa em relação às eleições anteriores. “Desde 2024, a Justiça Eleitoral já demonstrava preocupação com a desinformação e com as dificuldades de fiscalização do uso da inteligência artificial nas campanhas”, explica. O que se observa em 2026, segundo ele, é um “avanço na regulamentação para evitar abusos tecnológicos e o chamado caos informacional”.

    Uma das determinações do TSE é o aumento da agilidade na remoção de conteúdos considerados irregulares da internet. Plataformas digitais deverão cumprir decisões judiciais de retirada de material de forma mais célere. “As plataformas deverão apresentar um plano de conformidade, deverão especificar as suas estratégias com relação ao controle de como eles estão usando a inteligência artificial”, aponta Scarpino Junior. Ele reforça que a resposta a ordens de remoção não pode mais esperar “24, 48 horas”, devendo ser cumpridas “automaticamente”.

    Equilíbrio entre liberdade de expressão e controle

    O professor Rubens Beçak, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, avalia que as novas medidas buscam um equilíbrio importante entre a liberdade de expressão e o controle de abusos. As regras “preservam o direito de candidatos e partidos divulgarem suas ideias e propostas, mas deixam claro que excessos e distorções, como as chamadas fake news, podem levar o eleitor a erro e comprometer a escolha nas urnas”, afirma.

    A regulamentação não visa proibir o uso de IA, mas sim conter seus excessos. Caso conteúdos como imagens, áudios ou vídeos sejam alterados por recursos como deepfakes, a propaganda deverá informar claramente que o material foi produzido ou modificado por meios sintéticos. “O eleitor não pode ser induzido a acreditar que um conteúdo é natural quando, na verdade, foi produzido ou manipulado com inteligência artificial”, concorda Scarpino Junior.

    Inovações em proteção a grupos minorizados

    Além das regras sobre IA, as resoluções aprovadas pelo TSE trazem outras inovações importantes. Há um reforço na proibição da violência política contra mulheres, uma questão já reprimida pelo Direito Penal, mas que agora encontra também regulamentação na Justiça Eleitoral.

    Outras medidas visam ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados. A garantia de recursos para candidaturas de pessoas negras, em conformidade com as emendas constitucionais 130 e 133, que asseguram a destinação de até 30% dos fundos, é um exemplo.

    Uma nova iniciativa, denominada “O Seu Voto Importa”, prevê a locomoção gratuita de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, buscando facilitar a participação eleitoral desse público. Essas regras foram elaboradas após audiências públicas que coletaram mais de 1.600 sugestões da sociedade, tornando o processo mais democrático e adaptado aos desafios tecnológicos.

  • TRE-GO é finalista do Convergência 2026 com projeto de inteligência artificial para combate à desinformação

    TRE-GO é finalista do Convergência 2026 com projeto de inteligência artificial para combate à desinformação

    Tribunal Regional Eleitoral de Goiás é reconhecido em evento de inovação pública

    O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) alcançou a fase final do evento Convergência 2026 – Inovação Pública. A instituição foi selecionada com o projeto GuaIA – Tecnologia de Inteligência Artificial para Combate à Desinformação no Processo Eleitoral, competindo na categoria “Inteligência Artificial e outras Tecnologias Emergentes e Disruptivas”.

    O Convergência 2026, que ocorre de 11 a 13 de março em Goiânia, tem como objetivo reunir e destacar iniciativas inovadoras do setor público. O evento busca promover a modernização da gestão pública e o aprimoramento dos serviços oferecidos à sociedade, com a realização feita pela Rede Conexão Inovação Pública em parceria com o Governo do Estado de Goiás.

    GuaIA: a ferramenta de IA contra fake news

    O projeto GuaIA é uma iniciativa pioneira do TRE-GO, desenvolvida em colaboração com o Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG). Sua criação visa combater um dos maiores desafios da democracia atual: a disseminação de conteúdos falsos ou manipulados, como fake news e deepfakes, que podem minar a credibilidade das eleições.

    Lançada em agosto de 2024, a plataforma GuaIA emprega recursos avançados de inteligência artificial. Ela é capaz de analisar conteúdos diversos, incluindo publicações em sites, redes sociais, vídeos e áudios. O sistema opera cruzando informações em rede e, com base nessa análise, apresenta um índice de veracidade em uma escala de 0 a 100 pontos.

    Fortalecendo a confiança no processo democrático

    A ferramenta GuaIA tem se consolidado como um importante instrumento de apoio técnico e de proteção à integridade eleitoral. Ao contribuir ativamente para o enfrentamento da desinformação, a iniciativa fortalece a confiança da sociedade no processo democrático e na lisura das eleições.

    A participação do TRE-GO como finalista no Convergência 2026 demonstra o compromisso do órgão com a inovação e a busca por soluções tecnológicas para desafios públicos complexos.

  • É #FAKE vídeo que mostra torres destruídas em Tel Aviv; cenas foram geradas por inteligência artificial e já viralizaram em 2025

    É #FAKE vídeo que mostra torres destruídas em Tel Aviv; cenas foram geradas por inteligência artificial e já viralizaram em 2025

    É #FAKE vídeo que mostra torres destruídas em Tel Aviv; cenas foram geradas por inteligência artificial e já viralizaram em 2025

    Um vídeo que circula nas redes sociais e mostra imagens aéreas de supostas torres destruídas em Tel Aviv, Israel, após ataques com mísseis, é falso. As cenas foram criadas por inteligência artificial (IA) e já haviam viralizado anteriormente, em 2025. Uma ferramenta de detecção apontou 99,9% de probabilidade de uso de IA no conteúdo.

    A publicação, que apareceu em plataformas como o X (antigo Twitter) com legendas alegando que Tel Aviv estaria destruída em 48 horas, gerou questionamentos em meio ao contexto de guerra entre Estados Unidos e Irã. É importante ressaltar que, apesar da falsidade das imagens em questão, houve ataques reais com mísseis em Tel Aviv no sábado (28), que resultaram em mortes e feridos, além de danos a edificações.

    Análise da veracidade do vídeo

    A checagem do conteúdo foi realizada pelo portal Fato ou Fake, que utilizou a plataforma Hive Moderation, especializada na detecção de conteúdos fabricados por IA. A análise indicou uma probabilidade de 99,9% de uso de inteligência artificial em toda a extensão do vídeo.

    Além da detecção técnica, foram observadas falhas características de cenas sintéticas. A partir do sexto segundo do clipe, um caminhão de bombeiros no canto inferior direito da tela se transforma em um carro branco. Outro indício é um letreiro em um dos prédios, com uma língua inexistente que apenas se assemelha ao hebraico, não sendo reconhecida por aplicativos de tradução.

    Origem e histórico do conteúdo falso

    Para rastrear a origem das imagens, a equipe do Fato ou Fake utilizou a ferramenta InVID para fragmentar o vídeo em quadros estáticos. Uma busca reversa por essas imagens no Google Lens revelou que o conteúdo já havia sido publicado anteriormente. Um vídeo de 16 segundos com cenas similares foi encontrado no TikTok, datado de 14 de junho do ano passado, onde o perfil citava o termo “resistência da inteligência artificial”.

    Anteriormente, nos dias 26 e 27 de maio de 2025, o mesmo perfil já havia divulgado conteúdos que supostamente mostravam áreas residenciais destruídas em Tel Aviv. Naquela época, Irã e Israel não estavam em conflito armado, o que reforça a natureza fabricada das imagens.

    Contexto e desinformação

    A disseminação deste vídeo falso ocorreu em um momento delicado, com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. A guerra, iniciada em 28 de maio, tem o programa nuclear iraniano como principal objetivo declarado. A circulação de desinformação como esta pode intensificar pânico e confusão em períodos de crise.

    É fundamental que os usuários verifiquem a veracidade das informações antes de compartilhar, especialmente em cenários de conflito. Ferramentas de checagem e a análise crítica do conteúdo são essenciais para combater a desinformação.