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  • Universidades brasileiras estabelecem regras para o uso de inteligência artificial

    Universidades brasileiras estabelecem regras para o uso de inteligência artificial

    Universidades brasileiras definem diretrizes para o uso de inteligência artificial

    Três das principais instituições de ensino superior do Brasil – a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) – estão implementando protocolos para o uso de inteligência artificial (IA) em atividades acadêmicas. A principal diretriz estabelecida é a transparência, exigindo que o emprego da tecnologia seja acordado entre professores e alunos e devidamente declarado em pesquisas e trabalhos.

    A medida visa garantir a integridade acadêmica e promover um uso consciente da IA. Não basta apenas mencionar o uso da ferramenta; o rigor acadêmico demanda a especificação das ferramentas de IA utilizadas, incluindo suas versões e modelos, além de detalhar como foram aplicadas, chegando a reproduzir os comandos (prompts) inseridos.

    O caminho traçado por USP, Unicamp e Unesp

    Considerando a relevância dessas universidades, as normas adotadas tendem a se tornar uma referência nacional. A Unesp, que já havia publicado uma resolução geral e uma portaria de pós-graduação no ano anterior, finalizou um guia específico para a graduação. Este novo documento, ao qual a reportagem teve acesso, divide as regras em categorias claras: “O que você PODE fazer”, “O que você JAMAIS deve fazer” e “O que você PODERÁ fazer”.

    Exemplos de uso permitido e proibido

    Entre as ações permitidas para os estudantes estão o uso da IA para tradução de textos, parafrasear parágrafos e para a produção de resumos. Em contrapartida, o que os alunos não devem fazer sob nenhuma circunstância é apresentar trabalhos gerados integral ou parcialmente por IA como se fossem de autoria própria, ou utilizar a ferramenta em avaliações sem a prévia autorização do professor responsável.

    Foco na educação e no uso responsável

    Curiosamente, o próprio guia da Unesp foi elaborado com o auxílio de IA e contém um capítulo dedicado à discussão do tema. Denis Salvadeo, um dos organizadores do guia, enfatiza o objetivo de “promover o uso responsável”. Isso inclui a capacitação sobre o que é a IA, abordando suas bases, riscos, potencialidades e aspectos éticos.

    A iniciativa dessas três grandes instituições paulistas sinaliza um movimento importante para a adaptação do ensino superior brasileiro à realidade da inteligência artificial, estabelecendo um precedente para outras universidades e setores que buscam navegar pelos desafios e oportunidades dessa tecnologia emergente.

  • Estudando com inteligência artificial: diretrizes e desafios

    Estudando com inteligência artificial: diretrizes e desafios

    Estudando com inteligência artificial

    O avanço da inteligência artificial (IA) tem provocado uma mobilização significativa no setor acadêmico, tanto no Brasil quanto globalmente, para o estabelecimento de diretrizes claras sobre seu uso. Instituições de referência como a USP, Unicamp e Unesp já estão à frente, desenvolvendo protocolos e estruturando departamentos dedicados à pesquisa, criação de ferramentas e capacitação de seus membros.

    A orientação geral é que a IA deve ser uma ferramenta de apoio, utilizada em colaboração entre professores e alunos, com sua aplicação detalhada em trabalhos e pesquisas. Isso inclui especificar os modelos e versões utilizados, bem como os prompts (comandos) empregados na interação com a tecnologia. Essa abordagem visa garantir a transparência e a integridade acadêmica diante de uma ferramenta em rápida evolução.

    Regras e diretrizes em universidades

    As principais universidades brasileiras estão definindo o escopo de aplicação da IA no ambiente educacional. O guia da Unesp, por exemplo, distingue claramente o que é permitido e o que é vedado aos estudantes e docentes. Entre as atividades autorizadas estão o auxílio em traduções, revisões gramaticais, elaboração de resumos e a criação de roteiros e imagens.

    Por outro lado, submeter trabalhos integralmente gerados por IA ou simular resultados experimentais sem a devida indicação do uso da tecnologia são práticas proibidas. Espera-se que essas normas, estabelecidas por instituições de excelência, sirvam de modelo para outras universidades, a educação básica e até mesmo para setores profissionais.

    IA na educação básica e formação de professores

    A disseminação da IA já impacta diretamente as escolas. Uma pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) em 2025 revelou que 70% dos alunos do ensino médio utilizam IA para fazer trabalhos escolares. No entanto, apenas 32% deles relatam ter recebido orientação sobre o uso da tecnologia, e somente 54% dos professores passaram por formação continuada para lidar com ferramentas digitais.

    Diante desse cenário, o Conselho Nacional de Educação (CNE) está discutindo uma resolução que propõe a inclusão do ensino de inteligência artificial em cursos de pedagogia e licenciaturas. Iniciativas pioneiras, como a do Piauí, que instituiu a disciplina obrigatória de IA no ensino fundamental e médio em 2024, premiada pela Unesco, demonstram o caminho a ser seguido.

    Potencial educativo e desafios éticos

    A inteligência artificial apresenta um vasto potencial para enriquecer o processo educativo e a produção de conhecimento. Contudo, seu uso também acarreta riscos que precisam ser gerenciados.

    A formação de estudantes e educadores para um uso consciente, ético e transparente da IA emerge como a estratégia mais promissora para explorar os benefícios dessa ferramenta. Organismos internacionais e pesquisas apontam para a necessidade de capacitação contínua para navegar neste novo cenário.