Tag: educação superior

  • Entre a inovação e a responsabilidade: o papel inadiável das IES na era da Inteligência Artificial

    Entre a inovação e a responsabilidade: o papel inadiável das IES na era da Inteligência Artificial

    Entre a inovação e a responsabilidade: o papel inadiável das IES na era da Inteligência Artificial

    A Inteligência Artificial (IA) emerge como uma força transformadora, exigindo das Instituições de Ensino Superior (IES) uma adaptação estratégica e ética. A necessidade premente é integrar essa tecnologia de forma pedagógica, sem que ela substitua o papel do professor, mas sim que impulsione novos modelos de avaliação e aprendizado.

    É fundamental que as IES abracem a IA não como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta a serviço da educação humana. Isso demanda um letramento crítico para formar profissionais capazes de guiar a inovação tecnológica com compromisso e consciência.

    A IA como aliada da pedagogia

    A Inteligência Artificial não deve ser vista como uma ameaça à figura do professor, mas como um catalisador para a evolução dos métodos de ensino e avaliação. O foco deve estar em como a tecnologia pode aprimorar a experiência educacional e preparar os estudantes para um futuro cada vez mais digital.

    Governança institucional e mitigação de riscos

    A implementação da IA nas IES requer uma governança institucional robusta. Essa estrutura é essencial para mitigar riscos inerentes à tecnologia, como a perpetuação de vieses algorítmicos e o potencial aumento das desigualdades educacionais.

    O novo referencial do Ministério da Educação serve como base para que as instituições possam navegar neste cenário complexo, assegurando que a inovação caminhe lado a lado com a responsabilidade social e pedagógica. Em última análise, a tecnologia deve amplificar o potencial humano, e não o contrário.

    Segundo Bruno Coimbra, autor do artigo original publicado em 18 de março de 2026, a tecnologia deve estar a serviço da pedagogia, exigindo um letramento crítico que forme profissionais conscientes e capazes de guiar a inovação tecnológica pelo compromisso com a educação humana.

  • Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    A Universidade de Brasília (UnB) celebrou um momento histórico na última segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, com o início das atividades de sua primeira turma de graduação em Inteligência Artificial (IA). O curso, que ofertará 60 vagas anualmente, busca suprir a crescente demanda por especialistas em um campo que redefine indústrias e a sociedade.

    A iniciativa representa um passo estratégico para a UnB, alinhada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, que visa expandir a formação na área e fortalecer a soberania nacional. Estudantes como Breno Rios, aprovado pelo Enem, e Letícia Mayr, que retorna aos estudos após uma pausa, expressam grande entusiasmo por fazerem parte desta turma pioneira e pela relevância do conhecimento em IA para o futuro profissional.

    Um curso interdisciplinar para formar inovadores

    Com duração de quatro anos, o bacharelado em Inteligência Artificial é fruto de uma colaboração conjunta entre o Instituto de Ciências Exatas (IE), a Faculdade de Tecnologia (FT) e a Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE). Essa estrutura interdisciplinar permite que os estudantes utilizem instalações e laboratórios de computação de alto desempenho nos campi Darcy Ribeiro e do Gama.

    A grade curricular é dividida em um ciclo básico comum, concentrado nos cinco primeiros semestres, seguido por um ciclo de especialização nos últimos três períodos. Ao final do quinto semestre, os alunos deverão escolher uma das quatro ênfases disponíveis: Desenvolvimento de Modelos para Indústria/Governo, IA Aplicada ao Design de Materiais, Engenharia de Sistemas Inteligentes ou Engenharia de IA.

    Formação com foco em impacto e ética

    O coordenador do curso, Paulo Henrique da Costa, destaca a empolgação do corpo docente em receber os novos alunos. Ele ressalta que o objetivo central é formar agentes de inovação com capacidade crítica e ética, aptos a desenvolver soluções complexas para setores como indústria, agronegócio, saúde e o setor público.

    A disciplina de Algoritmos e Programação de Computadores, ministrada por Luís Garcia, do Departamento de Ciência da Computação (CIC), é um exemplo da base fundamental oferecida. “É uma disciplina base para aprender o pensamento computacional, conceitos básicos de algoritmo, e a primeira linguagem de programação”, afirma o professor, ressaltando a importância desse conhecimento para a trajetória do estudante no curso.

    A carga horária total do curso é de 3.210 horas, sendo 2.130 horas em componentes obrigatórios, que incluem o ciclo básico, a ênfase escolhida, extensão curricular e o trabalho de conclusão de curso. As 1.080 horas restantes são destinadas a componentes optativos e eletivos, garantindo flexibilidade curricular.

    Um marco para a UnB e para o Brasil

    A criação do Bacharelado em Inteligência Artificial foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) em novembro de 2025 e ratificada pelo Conselho Universitário (Consuni). O vice-reitor Márcio Muniz enfatizou que o curso é um esforço institucional para posicionar a UnB no cenário nacional e internacional da IA, indo além da tecnologia e contemplando também os direcionamentos éticos, políticos e sociais da área, como apontado por Wander Cleber, coordenador acadêmico da FCTE.

    Este pioneirismo da UnB em oferecer um bacharelado dedicado à Inteligência Artificial demonstra o compromisso da instituição em formar profissionais qualificados para os desafios e oportunidades de um futuro cada vez mais moldado pela tecnologia.

  • Limite aos chatbots: quase metade das universidades federais tem guias ou debate regras para usar IA

    Limite aos chatbots: quase metade das universidades federais tem guias ou debate regras para usar IA

    Universidades federais buscam regulamentar uso de inteligência artificial

    Quase metade das 69 universidades federais do Brasil já implementou ou está em processo de debate sobre protocolos para o uso ético de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa. A medida abrange alunos, professores e pesquisadores, visando garantir transparência e proteger dados sensíveis.

    Essa iniciativa reflete a crescente preocupação com a integração da IA no ensino superior e se alinha à primeira regulamentação da tecnologia na educação brasileira, que está em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE). O tema tem ganhado força, com diversas instituições buscando definir diretrizes claras.

    O panorama atual nas instituições federais

    Um levantamento recente indica que 30 (43%) das universidades federais já possuem protocolos de uso de IA ou estão ativamente desenvolvendo-os. Deste total, 17 publicaram seus guias nos últimos dois anos, incluindo grandes nomes como a UFRJ, Unifesp, UFMG e UFBA. Outras 13 instituições, como UFRGS, UFPI e UFPA, criaram comissões específicas para discutir o assunto, e três iniciarão os debates em breve.

    Recomendações e exemplos práticos de regulamentação

    A maioria dos protocolos já estabelecidos recomenda que os professores definam em seus planos de aula o que é considerado uso aceitável de IA generativa. Um exemplo notório é o da UFRJ, que, em setembro de 2025, declarou que o uso dessas ferramentas para executar tarefas em avaliações, sem autorização explícita, será tratado como má conduta acadêmica, similar a plágio ou cola.

    A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) detalhou as tarefas em que a IA pode auxiliar, como automação de atividades repetitivas, busca por referências bibliográficas com verificação de links, análise de grandes volumes de dados e revisão gramatical. Contudo, a instituição ressalta que o uso inadequado pode gerar sanções disciplinares e que todo resultado gerado por IA deve ser revisado e informado pelo aluno ou pesquisador.

    A Unifesp exige que todo uso de IA especifique a ferramenta utilizada, a finalidade e o conteúdo produzido ou modificado. Já a UFF, assim como outras, pede a inclusão dos prompts (comandos dados à IA), buscando uma maior explicitação do processo cognitivo do usuário.

    A importância da transparência no processo

    Segundo Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é fundamental que estudantes e pesquisadores demonstrem o processo de pensamento por trás de suas atividades. Ele sugere que, em algumas avaliações, os alunos apresentem o diálogo com a IA, explicando as perguntas feitas e como a tecnologia contribuiu para a resposta final. Essa abordagem torna mais difícil a falsificação do trabalho.

    Proibições e preocupações com dados sensíveis

    A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi mais restritiva, proibindo a reprodução de textos gerados por IA e o envio de dados inéditos, sensíveis ou identificáveis para essas ferramentas. Essa preocupação com a segurança de dados sensíveis é recorrente e observada em universidades internacionais de renome, como Harvard, Cambridge e Yale, que recomendam o uso de ferramentas licenciadas e estabelecem classificações de sigilo para informações discutidas com IA.

    Incentivo ao uso consciente e exemplos de protocolos

    Em contraste com as restrições, algumas instituições incentivam o uso consciente da IA. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) oferece uma IA gratuita para sua comunidade, estimulando seu uso para revisão de literatura e geração de ideias. A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) sugere que professores redesenhem avaliações para focar em “reflexão crítica” e priorizem provas presenciais para conteúdos essenciais.

    A Universidade Federal de Goiás (UFG) permite o uso de IA para auxiliar no desenvolvimento de ideias, busca de soluções e interpretação de dados, desde que haja liberação do professor da disciplina.

  • Unesp lança guia para orientar uso de ferramentas de inteligência artificial nas atividades de graduação

    Unesp lança guia para orientar uso de ferramentas de inteligência artificial nas atividades de graduação

    A Universidade Estadual Paulista (Unesp) deu um passo importante para guiar sua comunidade acadêmica no universo da inteligência artificial (IA). Foi lançado o “Guia para a Utilização de Inteligência Artificial na Graduação da Unesp: integridade, inovação e equidade“, um documento didático que visa orientar estudantes, gestores, servidores técnico-administrativos e docentes sobre o emprego responsável dessas tecnologias nas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

    Com o objetivo de aprofundar as diretrizes para o uso ético e eficaz da IA, o guia surge como um norteador em um cenário de rápidas transformações tecnológicas. A Unesp, que conta com cerca de 35 mil alunos em 136 cursos distribuídos por 24 câmpus, reforça seu pioneirismo ao ser uma das primeiras instituições de ensino superior a formalizar normativas para o uso de IA generativa, seguindo um documento lançado em abril de 2024 e disposições específicas para a pós-graduação em setembro do mesmo ano.

    O que o guia oferece?

    O documento adota um formato de “guia” para facilitar o diálogo com todos os segmentos da comunidade universitária. Ele apresenta de forma clara e objetiva tópicos sobre o que é permitido (“se pode fazer”), o que é estritamente proibido (“nunca se deve fazer”) e o que pode ser considerado com cautela (“talvez se possa fazer”). Essa estrutura visa promover a integridade, a inovação e a equidade no uso da inteligência artificial.

    A organização do guia ficou a cargo dos professores Amadeu Moura Bego e Denis Henrique Pinheiro Salvadeo. Em sua apresentação, eles ressaltam a necessidade de equilibrar o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e do letramento digital com as competências técnicas exigidas pela tecnologia em constante evolução. Segundo eles, “é de fundamental importância estabelecer valores e diretrizes éticas claras para o uso de inteligência artificial (IA) na educação, priorizando uma abordagem centrada no ser humano”.

    É importante notar que essa divisão didática não deve ser interpretada como uma prescrição rígida, mas sim como um facilitador de entendimento, conforme apontam os organizadores.

    Transparência no uso de IA

    Uma seção inovadora do guia detalha como a própria inteligência artificial foi utilizada em sua elaboração. São nomeadas as ferramentas de IA empregadas, o perfil definido para a sua utilização, um resumo dos comandos (prompts) fornecidos e os documentos submetidos para a geração do esboço inicial. Essa etapa foi seguida por uma revisão humana minuciosa por todas as instâncias envolvidas no projeto.

    Essa transparência é um princípio fundamental que visa demonstrar o compromisso da Unesp com o uso aberto e compreensível da IA. A iniciativa busca servir de exemplo para outras instituições e para a própria comunidade acadêmica.

    Aprovação e disponibilidade

    O “Guia para a Utilização de Inteligência Artificial na Graduação” foi aprovado pelo Comitê Superior de Tecnologia da Informação (CSTI) da Unesp, órgão que assessora a Reitoria na governança digital da universidade. A expectativa é que esta primeira versão estimule discussões produtivas e a partilha de experiências positivas sobre o uso da IA no âmbito da graduação.

    O guia está disponível gratuitamente ao público em geral na página do Laboratório do Futuro da Unesp, no endereço www.unesp.br/laf.

  • USP terá novo escritório voltado à transformação digital e à inteligência artificial

    USP terá novo escritório voltado à transformação digital e à inteligência artificial

    USP terá novo escritório voltado à transformação digital e à inteligência artificial

    A Universidade de São Paulo (USP) anunciou a criação de um novo escritório dedicado a impulsionar a transformação digital e a aplicação da inteligência artificial (IA) em suas atividades. A iniciativa visa aprimorar a gestão acadêmica e administrativa, inovar nos processos de ensino e avaliação, e fortalecer a pesquisa e a relação da universidade com a sociedade.

    Esta medida reflete o reconhecimento da importância crescente das novas tecnologias digitais, que impactam todos os setores e, em especial, o ambiente universitário. A meta é incorporar essas ferramentas de forma crítica, ética e pedagogicamente responsável, conforme destacou o reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado.

    Desafios e oportunidades da era digital na USP

    O reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, abordou em entrevista ao boletim Por Dentro da USP, no dia 6 de março de 2026, os desafios de sua gestão frente aos avanços tecnológicos. Ele ressaltou que a transformação digital afeta a educação e a missão universitária como um todo.

    “O mundo vem se transformando através das novas tecnologias digitais. Esta chamada transformação digital afeta todos os setores da sociedade, afeta o mundo das comunicações, afeta a educação, afeta a relação entre as pessoas e afeta, certamente, tudo aquilo que envolve a missão universitária.”

    Segurado vê na inteligência artificial uma poderosa aliada para otimizar processos e enriquecer a experiência educacional. A IA pode simplificar a gestão, tornar os espaços pedagógicos mais interativos e centrados no estudante, além de exigir uma revisão nos métodos de ensino e avaliação.

    Origem da iniciativa e liderança do novo escritório

    A ideia de incorporar novas tecnologias de maneira responsável surgiu de demandas apresentadas por docentes que participaram de oficinas sobre IA aplicada ao ensino em 2025. A preocupação com o uso ético e eficaz dessas ferramentas levou à proposta de criação do novo escritório.

    O Escritório de Transformação Digital e Inteligência Artificial será ligado ao Gabinete do Reitor e está em fase de implementação. A coordenação ficará a cargo de André Ponce de Leon Ferreira Carvalho, diretor do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC). A vice-coordenação será de Adriana Backx Noronha Viana, professora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA).

    Objetivos do escritório de transformação digital e IA

    O novo escritório terá como missão estabelecer um espaço multifacetado para a USP. Entre os principais objetivos, destacam-se:

    • Criação de um espaço de formação para alunos, docentes e servidores no uso das novas tecnologias.
    • Desenvolvimento de um repositório de material instrucional sobre o tema.
    • Implementação de um portal de acesso a plataformas de grandes modelos de linguagem (LLMs).
    • Discussão e estabelecimento de diretrizes éticas para o uso dessas tecnologias na universidade.

    Os procedimentos administrativos para a formalização do Escritório já estão em andamento, indicando um passo concreto da USP rumo à inovação e à adaptação às demandas do século XXI.