São Paulo no SXSW: futurista Amy Webb diz na SP House que senso de comunidade fortalece o Brasil na era da inteligência artificial
A SP House, espaço dedicado a negócios e tecnologia do Governo de São Paulo no South by Southwest (SXSW), sediou um debate fundamental sobre o futuro diante das rápidas transformações impulsionadas pela inteligência artificial. A renomada futurista Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group e autora de influentes relatórios de tendências tecnológicas, participou do evento, oferecendo uma perspectiva otimista sobre o papel do Brasil.
Durante um bate-papo mediado pelo advogado e pesquisador de tecnologia Ronaldo Lemos, com a presença de Thiago Camargo, vice-presidente executivo da InvestSP, Amy Webb compartilhou suas visões. A autora, conhecida por seu relatório anual de tendências tecnológicas que serve de referência global, destacou o senso de comunidade e o modo de vida brasileiro como diferenciais estratégicos em um cenário mundial cada vez mais impactado pela automação.
O Brasil como diferencial estratégico
“Eu acredito profundamente que o Brasil vai ser importante nesse cenário”, afirmou Webb. Ela explicou que sociedades excessivamente focadas em produtividade e trabalho podem enfrentar maiores desafios com o avanço da automação. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas pessoas se definem primariamente por seus empregos, o que as deixa vulneráveis quando o trabalho é alterado ou substituído.
Em contraste, o Brasil possui um forte senso de comunidade e pertencimento, que pode atuar como uma camada de proteção contra os impactos da automação no mercado de trabalho. Essa característica cultural, segundo a futurista, é um ativo valioso.
Decisões urgentes na era da inteligência artificial
Amy Webb também lançou um alerta sobre a urgência das decisões relacionadas à inteligência artificial. Ela enfatizou que as escolhas feitas no presente terão efeitos cumulativos e, em alguns casos, irreversíveis. Por isso, governos e líderes precisam estar preparados para tomar decisões difíceis enquanto ainda há tempo hábil para ação.
Stephanie Costa, secretária-executiva da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, esteve presente e ressaltou dois pontos cruciais da fala de Webb para o governo paulista. “Quando perguntaram para ela quais instituições seriam mais vulneráveis a esse futuro, ela respondeu: governos. Isso é algo que a gente precisa estar atento”, comentou.
Costa acrescentou a importância de aprender a lidar com a IA e explorar como a cultura brasileira pode contribuir para o desenvolvimento do estado. “O segundo ponto que me chamou muita atenção é a margem de ação. A gente precisa acompanhar o que está acontecendo. Não digo que a gente precisa copiar, mas precisa saber o que está sendo feito para poder agir”, declarou.
Habilidades humanas valorizadas no futuro
Webb abordou as habilidades que ganharão destaque no futuro. Ela mencionou sua filha de 15 anos, que, apesar de ter crescido imersa em tecnologia, não utiliza redes sociais e considera ferramentas como o ChatGPT “irritantes” por não pensarem como ela.
“São os valores humanos intrínsecos, como paciência, resiliência e capacidade de adaptação, que estamos começando a entregar quando nos tornamos tão dependentes dessas tecnologias. O problema é a dependência excessiva.”
A futurista destacou que os valores humanos essenciais, como paciência, resiliência e adaptabilidade, são justamente os que podem ser perdidos com a dependência excessiva de tecnologias. O desafio reside na busca por um equilíbrio.
SP House no SXSW 2026
Esta foi a terceira participação da SP House no SXSW, um evento que ocorreu em Austin, nos Estados Unidos, entre 13 e 16 de março de 2026. O espaço paulista no festival contou com 2.200 m², quase o dobro da edição anterior, com capacidade para receber até 600 pessoas simultaneamente. A programação incluiu cerca de 60 horas de conteúdo, distribuídas em dois palcos, além de encontros institucionais e discussões sobre negócios e parcerias internacionais.
Sob o tema “We are borderless”, a edição de 2026 do SXSW buscou refletir sobre a circulação de ideias, talentos e oportunidades em um mundo cada vez mais interconectado. A SP House funcionou como um ponto de encontro para empreendedores, executivos, investidores, pesquisadores, gestores públicos e criadores, promovendo trocas e colaborações.

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