Autor: Iago Mendes

  • SAP Business AI: Como a IA Transforma Empresas em 2025

    SAP Business AI: Como a IA Transforma Empresas em 2025

    SAP Business AI: Como a IA Transforma Empresas em 2025

    O SAP Business AI está redefinindo o panorama corporativo em 2025, integrando inteligência artificial (IA) diretamente ao cerne das operações empresariais. Ao invés de adicionar ferramentas isoladas, a SAP consolida a IA em sua suíte de negócios, alimentada por uma base de dados unificada e semanticamente rica que opera em tempo real. Essa abordagem abrange finanças, procurement, supply chain, gestão de capital humano e experiência do cliente, proporcionando um contexto abrangente para decisões mais precisas e eficientes.

    O diferencial reside na integração contextual e nativa com as aplicações que os profissionais utilizam diariamente. O SAP Joule, por exemplo, atua como um assistente inteligente personalizado, oferecendo ferramentas específicas para cada função. Essa fusão de IA com os processos de negócio existentes promete otimizar operações e impulsionar a performance das empresas.

    Agentes inteligentes: automação proativa em ação

    Os agentes inteligentes da SAP funcionam como sentinelas digitais, monitorando proativamente as operações empresariais. Eles identificam potenciais problemas antes que se agravem e implementam soluções preventivas, operando de forma autônoma e preditiva. Essa capacidade de antecipar e agir transforma a gestão empresarial, movendo-a de uma postura reativa para uma estratégia proativa e de preparação para o futuro.

    Em cenários práticos, esses agentes podem:

    • Supply Chain: Detectar rupturas de estoque ou atrasos logísticos e sugerir correções imediatas.
    • Recursos Humanos: Guiar colaboradores no onboarding e recomendar aprendizados personalizados.
    • Finanças: Automatizar a gestão de caixa, tesouraria e compliance, otimizando tempo em tarefas rotineiras.

    Segundo Muhammad Alam, Head of Product & Engineering da SAP, “é como ter uma equipe de escoteiros digitais sempre em alerta”. Essa supervisão constante garante visibilidade e uma vantagem competitiva, mantendo os negócios funcionando sem interrupções.

    Segurança e confiabilidade como pilares da IA SAP

    A confiabilidade e segurança são fundamentais no SAP Business AI, dado que a IA está intrinsecamente ligada aos processos de negócio. Todas as soluções de IA da SAP passam por rigorosas revisões éticas e estão alinhadas a padrões globais, como o EU AI Act e os princípios da UNESCO.

    As principais medidas de segurança incluem:

    • Privacidade de dados incorporada desde o design.
    • Controle granular de papéis e permissões de usuário.
    • Supervisão humana obrigatória em processos críticos.
    • Conformidade com regulamentações locais e globais.

    A SAP prioriza a construção de uma IA em que os usuários possam confiar, com a privacidade e a ética como prioridades inegociáveis. O controle das operações permanece sempre com o usuário, enquanto o ecossistema aberto da empresa garante flexibilidade para atender às necessidades locais com padrões globais unificados.

    Inovações em Supply Chain e Procurement impulsionadas pela IA

    A SAP está acelerando o lançamento de novas capacidades de IA, com foco especial em Supply Chain e Procurement. Uma nova solução de orquestração de supply chain utiliza IA e um gráfico de conhecimento de rede para analisar dados em tempo real, prevendo e prevenindo interrupções antes que ocorram.

    Entre as inovações:

    • SAP Ariba Source-to-Pay: Reconstruído como uma solução moderna e nativa em IA.
    • Procurement Agêntico: Agentes de IA para gerenciar eventos complexos de sourcing.
    • Agentes Financeiros: Automação de gestão de caixa, tesouraria e compliance.
    • SAP Joule Action Bar: Integra o assistente a todas as telas.

    O agent builder permite a personalização de assistentes sem codificação, e a SAP está integrando IA até mesmo à robótica para automação do mundo real. Essas atualizações visam tornar cada decisão de negócio mais inteligente, rápida e conectada ao cliente.

    O futuro do trabalho colaborativo entre humanos e IA

    O SAP Business AI redefine o futuro do trabalho, promovendo uma colaboração sinérgica entre humanos e máquinas. A IA, segundo Muhammad Alam, “aumentará principalmente o trabalho humano ao automatizar tarefas rotineiras e liberar pessoas para focar em atividades estratégicas e criativas”.

    Essa visão sugere uma mudança onde:

    • Tarefas repetitivas são automatizadas.
    • O papel dos profissionais evolui para supervisão e estratégia.
    • O foco se volta para o gerenciamento de exceções e decisões complexas.
    • A colaboração contínua entre humanos e agentes inteligentes é a norma.

    Profissionais precisarão aprender a colaborar com a IA para prosperar. Agentes inteligentes auxiliarão na tomada de decisões e na otimização de operações, liberando os humanos para atividades de maior valor estratégico. O resultado é um ambiente de trabalho onde “agentes lidam com as tarefas enquanto humanos estrategizam e verificam para garantir o sucesso”, potencializando o trabalho humano.

  • China coloca a inteligência artificial no centro da nova estratégia econômica

    China coloca a inteligência artificial no centro da nova estratégia econômica

    China coloca a inteligência artificial no centro da nova estratégia econômica

    A China anunciou uma mudança significativa em sua abordagem de desenvolvimento econômico, posicionando a inteligência artificial (IA) como a base para uma nova era de crescimento. Em 2026, o governo chinês apresentou o conceito de “economia inteligente”, com o objetivo de integrar a IA de forma massiva em setores como indústria, serviços e infraestrutura digital. Esta iniciativa visa não apenas ampliar a aplicação comercial da tecnologia em áreas cruciais, mas também fortalecer a infraestrutura de computação e fomentar novos modelos de negócios.

    Essa nova diretriz representa uma evolução da estratégia “IA Plus”, lançada em 2024. Agora, a IA é vista como um elemento estrutural, fundamental para a economia do país. Zhou Li’an, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e professor da Universidade de Pequim, explica que a “economia inteligente” sugere que a IA se torna um componente central do sistema econômico, influenciando desde a alocação de recursos até a organização de indústrias e a prestação de serviços. A meta é acelerar a adoção de terminais e agentes inteligentes, impulsionar o uso da IA em setores-chave e fortalecer ecossistemas de código aberto, serviços de nuvem e a capacidade de computação nacional.

    Aplicação industrial e infraestrutura em foco

    A estratégia prioriza a aplicação da IA na economia real, com ênfase especial na indústria. O governo chinês busca ampliar a comercialização e a implantação em larga escala da tecnologia. Um exemplo prático vem do CITIC Pacific Special Steel Group, que já desenvolveu mais de 100 modelos de IA para otimizar a manufatura inteligente, transformando uma de suas fábricas em um centro de excelência industrial. Este movimento sublinha a importância da IA para a competitividade industrial.

    O avanço da IA também está intrinsecamente ligado à infraestrutura computacional. A construção de clusters de computação inteligente e a coordenação entre sistemas de energia e centros de dados são prioridades. Regiões como o sudoeste da China, sob a estratégia “Dados do Leste, Computação do Oeste”, podem desempenhar um papel vital nesse desenvolvimento. A infraestrutura robusta é essencial para suportar a expansão e o processamento de dados necessários para as aplicações de IA.

    Governança e cooperação internacional

    Paralelamente ao desenvolvimento tecnológico e econômico, a China reforça a governança da IA. Foco em segurança de dados, proteção da privacidade e supervisão de algoritmos são pilares dessa abordagem. O esboço do 15º Plano Quinquenal (2026–2030) prevê avanços em sistemas multimodais, agentes de IA e inteligência coletiva.

    O setor de IA na China já demonstra força, com uma indústria central avaliada em mais de 1,2 trilhão de yuans (aproximadamente US$ 174 bilhões) em 2025, reunindo mais de 6.200 empresas. O ministro da Indústria e Tecnologia da Informação, Li Lecheng, enfatiza que a tecnologia deve “servir às pessoas, beneficiar as pessoas e permanecer sob controle humano”, destacando o potencial da IA como um bem público global. A cooperação internacional também é vista como um caminho para o aprimoramento e a disseminação responsável da inteligência artificial.

  • Novidades de Inteligência Artificial: Dia 10 de Março de 2026

    Novidades de Inteligência Artificial: Dia 10 de Março de 2026

    Novidades de inteligência artificial em 10 de março de 2026

    As últimas novidades da inteligência artificial e seus impactos políticos, jurídicos e econômicos marcam a pauta de 10 de março de 2026. Destaques incluem avanços, disputas judiciais e debates sobre regulamentação.

    O cenário político da inteligência artificial (IA) ganha contornos mais definidos com o apoio do Pro-AI PAC à campanha de Jesse Jackson Jr. utilizando anúncios gerados por IA. Paralelamente, a empresa Anthropic intensifica sua batalha legal contra o Departamento de Defesa dos EUA, alegando decisões ideológicas e buscando resguardar sua competitividade no setor.

    Pro-AI PAC apoia campanha de Jesse Jackson Jr. com anúncios baseados em IA

    Em meio a um escrutínio crescente sobre a regulamentação da inteligência artificial durante o período eleitoral, o ex-congressista Jesse Jackson Jr. recebe o suporte explícito de um comitê de ação política (PAC) a favor da IA. Financiado por stakeholders da OpenAI, o PAC utiliza anúncios criados com auxílio de IA para reforçar a imagem de Jackson, visando destacar sua postura pró-tecnologia no Distrito Democrático do 2º Congresso.

    Esse movimento sinaliza uma nova era onde tecnologias de IA influenciam diretamente campanhas políticas. A inteligência artificial oferece ferramentas poderosas para segmentação, análise e criação de conteúdo, abrindo caminho para campanhas mais dinâmicas e personalizadas. No entanto, essa evolução reforça a necessidade de regras claras para evitar manipulações e garantir transparência.

    Anthropic processa o Departamento de Defesa dos EUA alegando punição ideológica

    A empresa de inteligência artificial Anthropic protocolou duas ações judiciais contra o Departamento de Defesa dos EUA, contestando sua classificação como “risco à cadeia de suprimentos”. Segundo a Anthropic, essa designação é motivada por forças ideológicas, prejudicando a competitividade americana no setor de IA. A disputa envolve o uso da tecnologia da empresa em sistemas confidenciais para análise de dados da inteligência.

    Com essa ofensiva judicial, a Anthropic busca proteger sua reputação e preservar o acesso a contratos governamentais estratégicos. Essa disputa destaca o intenso debate sobre segurança nacional frente aos avanços tecnológicos e a integração da IA em setores sensíveis, lembrando momentos em que tecnologias emergentes foram vistas com desconfiança.

    CoreWeave cresce impulsionada pela parceria estratégica com Nvidia e a demanda por IA

    A CoreWeave, companhia especializada em infraestrutura para inteligência artificial, registra um crescimento expressivo em sua receita. O avanço é impulsionado pela colaboração próxima com a Nvidia e pela alta demanda por IA. Apesar de uma desaceleração no ritmo de crescimento, a empresa mais que dobrou sua receita no último trimestre e projeta potencial de valorização.

    Com uma capitalização de mercado significativa, a CoreWeave se posiciona como um player relevante no ecossistema de IA. Seu crescimento simboliza como parcerias no setor tecnológico são essenciais para fomentar inovações em inteligência artificial, tal como empresas de infraestrutura auxiliaram a popularização da internet no passado.

    Conselheiros debatem a importância de estabelecer limites no uso da IA

    Profissionais de aconselhamento em Erie, Pensilvânia, enfatizam a necessidade de definir relações claras e limites para o uso da inteligência artificial, mesmo em tarefas administrativas. Um conselheiro local desenvolveu um sistema com prompts em ChatGPT para auxiliar em decisões, demonstrando como a IA pode ser uma aliada, mas requer orientações éticas rigorosas.

    Esse diálogo interno no campo da saúde mental aponta para uma reflexão maior sobre a integração da IA em serviços humanos. A tecnologia tem potencial para otimizar processos e ampliar o alcance dos serviços, mas precisa respeitar limites que garantam a dignidade e o cuidado humano.

    Anthropic processa a administração Trump após ordem que proíbe parcerias militares

    A Anthropic também entrou com um processo contra a ordem executiva da administração Trump que proíbe agências federais de contratarem a empresa para projetos militares. A alegação é de que a proibição, baseada em riscos à segurança nacional, prejudica a competitividade e a inovação.

    A disputa legal se intensifica em meio a um conflito aberto sobre o uso do chatbot Claude em operações bélicas. Essa ação judicial reforça o caráter controverso do uso da inteligência artificial em contextos militares, levantando questões éticas sobre seu emprego em conflitos.

    As notícias de 10 de março de 2026 evidenciam como a inteligência artificial está cada vez mais entrelaçada com decisões políticas, judiciais e econômicas, apresentando tanto grandes oportunidades quanto desafios significativos. O acompanhamento constante é fundamental para entender a evolução deste universo dinâmico.

  • Exército brasileiro demonstra ação com enxame de drones controlados por inteligência artificial

    Exército brasileiro demonstra ação com enxame de drones controlados por inteligência artificial

    Exército brasileiro demonstra ação com enxame de drones controlados por inteligência artificial

    Em uma demonstração significativa de modernização e avanço tecnológico, o Exército Brasileiro apresentou no último 5 de março um projeto inovador: o uso coordenado de múltiplos drones em operações militares, controlados por inteligência artificial. Desenvolvida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) através do Instituto Militar de Engenharia (IME), essa iniciativa representa um salto nas capacidades operacionais da Força.

    O projeto, intitulado “Enxame de Veículos Autônomos Aéreos e Terrestres: Guiamento, Controle e Navegação” (EVAAT-GCN), popularmente conhecido como Sistema Enxame de Drones, visa criar um demonstrador tecnológico capaz de gerenciar simultaneamente uma frota de robôs autônomos, tanto aéreos quanto terrestres, para atuação integrada em missões de defesa.

    Como funciona o sistema enxame de drones

    A proposta central do Sistema Enxame de Drones é que os veículos operem de forma colaborativa. Eles compartilharão informações em tempo real e tomarão decisões de maneira distribuída, o que significa que não haverá um único ponto de controle centralizado. Essa arquitetura permite maior flexibilidade e resiliência em campo.

    Com essa tecnologia, o Exército poderá executar missões de reconhecimento e vigilância com maior precisão. Além disso, o sistema oferece potencial para apoio de fogo, tudo isso enquanto reduz a exposição de militares a situações de alto risco.

    Drones equipados e capacidades disruptivas

    O general de Exército Hertz Pires do Nascimento, Chefe do DCT, destacou que o sistema prevê o emprego de drones tanto para reconhecimento quanto drones armados, equipados com uma variedade de sensores. Ele classificou as capacidades em desenvolvimento como disruptivas, indicando um potencial transformador para as operações militares.

    O projeto, iniciado há aproximadamente um ano, já se encontra em estágio avançado. A expectativa é que as demonstrações e testes sejam concluídos até o final de 2026. As próximas fases de desenvolvimento incluem a integração de recursos de realidade virtual e aumentada, a ampliação do número de drones operando em conjunto e a incorporação de novos equipamentos, como aeronaves de asa fixa e veículos terrestres autônomos.

    Fortalecendo a indústria de defesa nacional

    A longo prazo, o projeto busca estabelecer uma base para um sistema padronizado de emprego pelo Exército. A produção futura dessas tecnologias está prevista para ser realizada por empresas da Base Industrial de Defesa (BID) nacional, o que fortalece o desenvolvimento tecnológico e a soberania do país.

    O desenvolvimento do Sistema Enxame de Drones conta com financiamento da FINEP, a Financiadora de Estudos e Projetos, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além da equipe de pesquisadores e estudantes do IME, o projeto conta com a colaboração de instituições de renome como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

    Este projeto é um dos 48 em andamento entre o Exército Brasileiro e a FINEP, abrangendo diversas áreas estratégicas como defesa cibernética, tecnologias quânticas, radares, sensores e defesa química, biológica, radiológica e nuclear (QBRN).

  • Inteligência artificial reacende debates na Câmara dos Deputados

    Inteligência artificial reacende debates na Câmara dos Deputados

    Inteligência artificial em foco na Câmara dos Deputados em 2026

    A inteligência artificial (IA) voltou a ser tema central de discussões na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2026. Dois novos projetos de lei foram apresentados, intensificando o debate sobre a regulamentação e o desenvolvimento da IA no Brasil. Essas propostas somam-se ao já em andamento Projeto de Lei (PL) 2338/2023, que estabelece um marco legal para a IA.

    As novas iniciativas visam definir princípios estruturantes para a IA no país e estabelecer regras específicas para sistemas considerados de alto impacto. A discussão reflete uma tendência global de regulamentação baseada em riscos, com implicações diretas para empresas, desenvolvedores e usuários de sistemas de IA. O avanço dessas pautas já se conecta a importantes frentes de compliance, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a propriedade intelectual e a regulação do setor de telecomunicações.

    Impactos do PL 2338/2023 na proteção de dados e propriedade intelectual

    O PL 2338/2023 reforça uma abordagem de regulação por riscos, alinhada à LGPD. A proposta enfatiza os direitos dos indivíduos afetados por sistemas de IA, promovendo transparência e a possibilidade de revisão humana em decisões automatizadas. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem seu papel institucional fortalecido neste ecossistema.

    No campo da propriedade intelectual, o debate gira em torno do text and data mining (TDM), crucial para o treinamento de modelos de IA, especialmente os generativos. O projeto aborda questões como a transparência no treinamento por meio de sumários de dados, mecanismos de oposição (opt-out) para titulares, a discussão sobre remuneração e o reforço dos direitos autorais.

    Regulação de IA no setor de telecomunicações

    Iniciativas de IA no setor de telecomunicações também devem observar a regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O Regulamento Geral dos Serviços de Telecomunicações (RGST), aprovado pela Resolução ANATEL nº 777/2025, já incorpora princípios aplicáveis ao uso de IA. Adicionalmente, o Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações (R-Ciber), de 2020, impõe diretrizes como security by design e privacy by design.

    A Anatel também pondera sobre o uso de IA em sua atividade fiscalizatória, conforme discutido na Consulta Pública 31/2025. O objetivo é garantir a vigilância sobre aplicações de alto risco sem burocratizar indevidamente o uso da tecnologia.

    PL 704/2026: Princípios e prioridades para a IA no Brasil

    O Projeto de Lei 704/2026 busca estabelecer as prioridades estruturantes e os princípios orientadores para o desenvolvimento, implementação e uso da inteligência artificial em todo o território nacional. Um dos focos centrais é o combate à corrupção e a redução das desigualdades sociais e regionais como pilares da política nacional de IA.

    O projeto propõe que o uso da IA priorize:

    • A prevenção e detecção de práticas corruptas e fraudes.
    • Transparência e rastreabilidade em decisões automatizadas.
    • A redução de desigualdades sociais, econômicas, raciais, regionais e digitais.
    • O reforço da inclusão e do desenvolvimento econômico responsável.

    Áreas como análise de contratos, concessão de crédito e compras públicas são apontadas como prioritárias para aplicação da IA. O PL 704/2026 também veda sistemas que ampliem desigualdades e exige avaliação de impacto social.

    PL 762/2026: Regulação para sistemas de IA de alto impacto

    O Projeto de Lei 762/2026 foca em um marco regulatório específico para sistemas de IA considerados de alto impacto ou críticos. Estes sistemas deverão passar por uma Avaliação de Impacto de Inteligência Artificial (AIA).

    Os principais pontos do PL 762/2026 incluem:

    • Regras de classificação, segurança, privacidade, governança e responsabilização.
    • Requisitos obrigatórios para projeto, implementação e operação.
    • Certificação prévia e registro público antes da entrada em operação.
    • Competência da ANPD para emitir certificações e definir condicionantes.

    O projeto garante aos titulares o direito à informação sobre o uso de IA, acesso à explicabilidade e mecanismos de revisão humana para decisões prejudiciais. Além disso, propõe alterar o Marco Civil da Internet e o Código de Defesa do Consumidor para que provedores e plataformas mantenham registros para auditoria e publiquem relatórios de transparência. Em relações de consumo, o fornecedor de sistemas de IA de alto impacto terá responsabilidade objetiva por danos e deverá informar previamente o uso da tecnologia, garantindo canais para revisão humana.

    As novas propostas legislativas sinalizam um aumento significativo no engajamento do Poder Legislativo com as matérias relacionadas à IA a partir de 2026, buscando equilibrar inovação com segurança e direitos fundamentais.

  • O novo chip que pode mudar a corrida da inteligência artificial

    O novo chip que pode mudar a corrida da inteligência artificial

    A corrida pela inteligência artificial (IA) é frequentemente vista como uma batalha de software, focada em modelos maiores e algoritmos aprimorados. No entanto, uma camada fundamental dessa revolução reside nos chips que viabilizam a IA. Pesquisadores em Sydney, Austrália, apresentaram um avanço significativo nessa área: um novo tipo de chip que integra componentes eletrônicos e fotônicos.

    Essa inovação promete maior controle sobre o fluxo de informação dentro do hardware, ampliando drasticamente a capacidade de processamento. Essencialmente, sem novas arquiteturas de chips, a expansão da IA pode encontrar limites intransponíveis. O desenvolvimento apresentado em Sydney aborda diretamente esse gargalo computacional.

    O gargalo da inteligência artificial: infraestrutura sob pressão

    A ascensão meteórica da IA generativa impôs uma demanda sem precedentes sobre a infraestrutura computacional global. Treinar e operar modelos de IA avançados requer centros de dados massivos, consome quantidades elevadas de energia e depende de chips especializados cada vez mais caros.

    Atualmente, um pequeno grupo de empresas, como Nvidia e AMD, domina esse mercado, criando uma dependência tecnológica significativa. Em resposta a essa realidade, laboratórios e universidades ao redor do mundo buscam reinventar o hardware da IA. O chip de Sydney, ao consolidar diferentes tecnologias em um único circuito, visa aumentar a largura de banda e a eficiência do processamento, permitindo mais capacidade de IA com menos limitações.

    Chips como epicentro da geopolítica tecnológica

    Enquanto a disputa tecnológica da década passada se concentrava em aplicativos e plataformas, o foco atual deslocou-se para a infraestrutura de computação. Os chips estão no centro dessa nova dinâmica.

    Diversos países e blocos econômicos estão investindo pesadamente. Os Estados Unidos, por exemplo, subsidiam sua indústria de semicondutores com bilhões de dólares. A China busca autonomia tecnológica com investimentos agressivos, a Europa tenta reestruturar sua cadeia produtiva, e a Austrália, junto a universidades globais, acelera pesquisas em novas arquiteturas de hardware. A razão é clara: quem detém o controle dos chips, dita o ritmo da inovação em IA.

    Hardware e software: a dança da evolução em IA

    Há uma percepção equivocada de que a evolução da inteligência artificial depende unicamente do software. Contudo, a história da computação demonstra que os saltos tecnológicos mais significativos ocorrem quando hardware e software avançam em conjunto.

    Exemplos históricos incluem as GPUs, que viabilizaram o deep learning; os chips móveis, que impulsionaram a economia dos smartphones; e os processadores especializados para data centers. Agora, a IA entra em uma nova fase onde inovações em chips podem redefinir o escopo do que é tecnologicamente possível construir.

    O impacto imensurável das novas arquiteturas de chips

    A consolidação de novas arquiteturas de chips trará consequências profundas para o avanço da IA. Espera-se um processamento mais rápido, um menor consumo de energia e a possibilidade de aplicações em escalas muito maiores.

    Isso abre caminho para o surgimento de novos dispositivos inteligentes em nosso cotidiano. A próxima geração de produtos digitais, de carros autônomos a robôs industriais, poderá depender diretamente de avanços como o chip desenvolvido em Sydney. A disputa, portanto, transcenderá as empresas de software, englobando também aquelas que constroem a infraestrutura tecnológica subjacente.

    O que líderes precisam compreender sobre a base da IA

    Atualmente, muitas empresas discutem IA focando apenas no nível da aplicação: chatbots, automação e assistentes virtuais. No entanto, a transformação mais profunda está ocorrendo na base tecnológica. Compreender essa mudança precocemente permite a tomada de decisões estratégicas mais assertivas em relação a investimentos, parcerias com fornecedores, desenvolvimento de produtos e adaptação de modelos de negócio.

    A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta; está se consolidando como a infraestrutura fundamental da próxima economia. Quem entender a evolução dessa base tecnológica, como a apresentada no desenvolvimento de novos chips, estará mais preparado para os desafios e oportunidades futuras.

  • IA para planejar viagem: riscos e cuidados essenciais

    IA para planejar viagem: riscos e cuidados essenciais

    IA para planejar viagem: riscos e cuidados essenciais

    O uso da inteligência artificial (IA) para planejar viagens oferece novas possibilidades, mas também apresenta riscos significativos. Recentemente, casos alarmantes surgiram onde ferramentas de IA criaram destinos turísticos que não existem, colocando viajantes em situações perigosas e frustrantes. A capacidade da IA de gerar informações convincentes, mas falsas, exige uma postura de vigilância redobrada por parte dos usuários.

    A inovação tecnológica, representada por ferramentas como o ChatGPT, tem sido um aliado para muitos na organização de roteiros. No entanto, a linha entre a conveniência e o perigo se torna tênue quando a IA inventa paisagens ou sugere atividades inviáveis. Viajantes que confiam cegamente nessas sugestões podem se encontrar em locais remotos, sem infraestrutura ou segurança adequada, enfrentando condições climáticas adversas e falta de comunicação.

    Destinos fictícios criados pela IA

    Um exemplo notório ocorreu no Peru, onde turistas foram levados a acreditar na existência do “Cânion Sagrado de Humantay”. Baseados em informações geradas por IA, dois viajantes pagaram cerca de US$ 160 para chegar a uma estrada rural perto de Mollepata. O local descrito pela IA era uma invenção, combinando elementos de dois lugares reais sem relação alguma com a narrativa apresentada. Miguel Ángel Gongora Meza, diretor da Evolution Treks Peru, alerta que esse tipo de desinformação é perigoso, especialmente em regiões com desafios de altitude, clima e acessibilidade.

    A IA também pode fabricar informações sobre pontos turísticos em outras partes do mundo. O site Layla, por exemplo, sugeriu a existência de uma Torre Eiffel em Pequim e traçou rotas de maratona impraticáveis no norte da Itália. Tais “alucinações” demonstram a capacidade da tecnologia de apresentar dados falsos de forma muito convincente.

    Casos de turistas prejudicados

    Dana Yao e seu marido vivenciaram os perigos da desinformação da IA em uma viagem ao Japão. Tentando planejar uma caminhada para assistir ao pôr do sol no monte Misen, na ilha de Itsukushima, seguiram a sugestão do ChatGPT de partir às 15h, com base na informação de que o último teleférico descia às 17h30. Ao chegarem, descobriram que o teleférico já estava fechado, deixando o casal preso no topo da montanha.

    Um incidente ainda mais grave envolveu um casal que viajou à Malásia para visitar um teleférico panorâmico visto no TikTok. Descobriram no local que a estrutura era inteiramente gerada por IA, um vídeo criado pela tecnologia que não correspondia à realidade.

    Estatísticas alarmantes sobre o uso de IA em viagens

    Uma pesquisa realizada em 2024 revelou números preocupantes sobre a confiabilidade da IA para planejamento de viagens:

    • 37% dos usuários relataram que a IA não forneceu informações suficientes.
    • 33% afirmaram que as recomendações incluíam informações falsas.
    • 30% dos turistas internacionais já utilizam ferramentas de IA em seus planejamentos.

    Por que a IA gera informações incorretas?

    O professor Rayid Ghani, da Universidade Carnegie Mellon, explica que o problema reside na forma como a IA processa e gera informações. Segundo ele, os modelos de linguagem grandes funcionam analisando vastas coleções de textos e conectando palavras e frases que estatisticamente parecem respostas adequadas. Esse processo pode resultar tanto em dados precisos quanto em “alucinações” – invenções factuais.

    Ghani acredita que no caso do Cânion Sagrado de Humantay, a IA provavelmente combinou palavras que soavam apropriadas para a região peruana, criando uma narrativa falsa, mas plausível. Outro fator crítico é a falta de compreensão do mundo físico pela IA. Ela pode facilmente confundir uma caminhada urbana de 4 km com uma escalada de montanha de mesma distância, ou apresentar horários de funcionamento desatualizados e ignorar condições climáticas e de segurança específicas.

    Como as alucinações e as respostas factuais são apresentadas de maneira similar, torna-se difícil para os usuários distinguir o real do inventado.

    Como usar IA para planejar viagens com segurança

    A principal recomendação dos especialistas, como Rayid Ghani e o CEO do Google, Sundar Pichai, é a vigilância constante. As alucinações são consideradas uma “característica inerente” aos grandes modelos de linguagem. Para usar a IA de forma segura no planejamento de viagens, siga estas diretrizes:

    • Seja específico nas perguntas: Quanto mais detalhada a sua consulta, maior a chance de obter uma resposta mais precisa.
    • Verifique tudo em fontes oficiais: Sempre cruze as informações geradas pela IA com sites de turismo oficiais, guias locais e outras fontes confiáveis e independentes.
    • Desconfie de promessas perfeitas: Se algo parecer bom demais para ser verdade, provavelmente é. Sugestões excessivamente idealizadas podem ser um sinal de alerta.
    • Confirme horários diretamente: Verifique horários de funcionamento de estabelecimentos e serviços diretamente com eles, pois informações de IA podem estar desatualizadas.
    • Valide rotas e distâncias: Utilize mapas oficiais e ferramentas de navegação confiáveis para confirmar a viabilidade de rotas e a exatidão das distâncias.

    Ghani reconhece que o turismo apresenta desafios únicos, pois os viajantes frequentemente buscam informações sobre destinos desconhecidos. Por isso, a checagem cruzada de informações é fundamental. O tempo investido em verificar dados pode, em alguns casos, equiparar-se ao planejamento tradicional, mas é um passo indispensável para evitar imprevistos.

    Regulamentações e o futuro da informação em viagens

    Governos ao redor do mundo estão trabalhando em regulamentações para combater a desinformação gerada por IA. Propostas na União Europeia e nos Estados Unidos visam a criação de marcas d’água ou sinais que identifiquem conteúdo gerado ou alterado por inteligência artificial. No entanto, Rayid Ghani descreve isso como uma “batalha difícil”, focando a mitigação como uma solução mais confiável que a prevenção.

    O psicoterapeuta clínico Javier Labourt aponta um risco ainda maior: a desinformação da IA pode criar narrativas falsas sobre destinos antes mesmo da viagem, minando os próprios benefícios do turismo. Os desafios regulatórios incluem a identificação de conteúdo gerado por IA em tempo real, a responsabilização das plataformas e a padronização internacional de avisos. Mesmo com novas leis, a vigilância do usuário permanecerá como a principal defesa contra a invenção de informações por chatbots.

  • Trânsito de SP terá inteligência artificial para prevenir acidentes em 2026

    Trânsito de SP terá inteligência artificial para prevenir acidentes em 2026

    Trânsito de SP terá inteligência artificial para prevenir acidentes

    O estado de São Paulo dará um salto tecnológico em 2026 com a implementação de inteligência artificial (IA) para combater a violência no trânsito. O Departamento de Trânsito paulista (Detran-SP) confirmou o lançamento do Infosiga 4.0, um sistema que deixará de ser um mero registro estatístico para atuar diretamente na análise preditiva de riscos viários.

    A nova plataforma promete antecipar potenciais tragédias, identificando cruzamentos e avenidas perigosas com base em dados históricos e atuais. A iniciativa visa alertar as prefeituras sobre locais com histórico de colisões, mesmo sem vítimas, permitindo intervenções preventivas antes que acidentes graves ou mortes ocorram.

    Como a inteligência artificial mapeia padrões de risco

    Diferentemente do modelo tradicional, que atua de forma reativa após as ocorrências, o Infosiga 4.0 utilizará a IA para cruzar bases de dados em tempo recorde. Essa análise complexa e rápida identificará padrões de risco e gerará alertas mais precisos para a formulação de políticas públicas.

    Segundo o Detran-SP, a inovação representa um avanço tecnológico indispensável para a gestão pública moderna, permitindo “cruzamentos mais complexos e rápidos entre informações já disponíveis, gerando alertas mais precisos para formulação de políticas públicas.”

    Novo aplicativo eleva a precisão do Infosiga 4.0

    Para garantir a eficiência do novo algoritmo, policiais militares e agentes de trânsito receberão um aplicativo atualizado até maio. A ferramenta apresentará um formulário digital mais minucioso e estruturado, padronizando a coleta de dados em todo o estado. O aplicativo será disponibilizado aos municípios para corrigir falhas históricas no preenchimento.

    A diretora de Segurança Viária do órgão, Roberta Mantovani, destaca que “essa melhoria na coleta dados com IA vai permitir que se passe de análises reativas para preditivas. Garantirá um avanço significativo no tratamento das informações.”

    O que muda na estruturação oficial das ocorrências

    • Novos modais: Inclusão de autopropelidos, como patinetes e scooters elétricas.
    • Fatores críticos: Indicação clara sobre uso de álcool ou excesso de velocidade.
    • Geolocalização exata: Fim das distorções estatísticas causadas por registros aproximados de endereços.
    • Metodologia global: Classificação avançada da gravidade das lesões baseada em padrões comparativos dos Estados Unidos.

    Parceria técnica e próximos passos do projeto

    A modernização do sistema conta com forte colaboração técnica da Prodesp e apoio de empresas privadas. O escopo tecnológico já passou por validações práticas e a expectativa oficial é consolidar a nova camada analítica robusta até dezembro de 2026. Através dessa reestruturação digital, a inteligência artificial se consolida como recurso para resguardar a integridade física de condutores e pedestres no estado.

  • SPIA: Governo levará policiamento por inteligência artificial a mais cinco cidades para reduzir roubos no Piauí

    SPIA: Governo levará policiamento por inteligência artificial a mais cinco cidades para reduzir roubos no Piauí

    SPIA: Governo levará policiamento por inteligência artificial a mais cinco cidades para reduzir roubos no Piauí

    O Governo do Piauí anunciou a expansão do Sistema de Policiamento por Inteligência Artificial (SPiA) para mais cinco cidades do estado. A iniciativa visa consolidar o uso da tecnologia como ferramenta estratégica na prevenção e combate a crimes, com foco na redução de roubos de veículos e celulares, além da identificação de foragidos da Justiça.

    A ampliação do SPiA, que já opera em Teresina e Parnaíba, é parte de um plano de modernização da segurança pública no Piauí. O sistema utiliza inteligência artificial para reconhecer placas de veículos e faces de transeuntes, permitindo uma resposta mais ágil das forças de segurança.

    Como o SPiA funciona

    O delegado Yan Brayner, diretor de Inteligência Estratégica da Secretaria da Segurança Pública (SSP-PI), explica que o sistema funciona por meio do reconhecimento automático de placas e rostos. As câmeras são estrategicamente posicionadas em pontos cruciais, como entradas e saídas de bairros e vias de grande circulação, otimizando a vigilância.

    A tecnologia identifica veículos com registro de roubo e pessoas com mandado de prisão em aberto, possibilitando que as equipes policiais sejam acionadas rapidamente para interceptar atividades criminosas ou capturar foragidos.

    Resultados e expansão

    O SPiA já demonstra resultados significativos na redução da criminalidade no Piauí. Segundo dados da SSP, os roubos de veículos registraram uma queda de 33,22% em 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Apenas em março de 2026, a redução foi de 25%.

    Em Teresina, os roubos com uso de arma de fogo apresentaram uma diminuição expressiva de 47,8% entre 2025 e 2026. Os furtos de celulares também caíram, com uma redução de 18%.

    Novas cidades beneficiadas

    A próxima etapa de expansão do SPiA incluirá as cidades de Nazária, José de Freitas, Altos, Luís Correia e Cajueiro da Praia. Atualmente, Teresina conta com 739 câmeras, enquanto Parnaíba possui 77 equipamentos instalados.

    Futuro do videomonitoramento

    Yan Brayner destacou que o sistema tem potencial para evoluir para um modelo de videomonitoramento colaborativo. A ideia é integrar câmeras de outras cidades, bem como de instituições públicas e privadas, desde que atendam aos requisitos de qualidade de imagem estabelecidos.

    Totens de emergência: mais segurança nas ruas

    Paralelamente à expansão do SPiA, o Governo do Piauí implantará 15 totens de segurança em áreas de grande circulação. O primeiro totem foi instalado na Avenida Raul Lopes, próximo à Ponte Estaiada, em Teresina.

    Esses equipamentos contam com botão de emergência e câmeras de alta resolução, permitindo contato direto com a central de monitoramento da SSP. Ao serem acionados, câmeras com rotação de 360 graus monitoram a área até a chegada de uma viatura policial, reforçando a segurança pública no estado.

  • Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: a nova fronteira da exploração digital

    A inteligência artificial (IA) avançou a ponto de criar representações digitais indistinguíveis da realidade, os chamados deepfakes. Infelizmente, essa tecnologia poderosa está sendo desvirtuada por criminosos que exploram vulnerabilidades específicas, como as deficiências, em esquemas de monetização predatórios. A tática envolve a apropriação não autorizada de imagens de pessoas reais, manipuladas por IA para simular condições como a síndrome de Down, com o objetivo de direcionar usuários a plataformas de conteúdo adulto pago.

    Esses esquemas representam uma dupla camada de exploração: violam a privacidade e a imagem de indivíduos e objetificam uma comunidade inteira. A pesquisa aponta para a sofisticação do método, que utiliza redes sociais para criar engajamento inicial e, em seguida, redireciona o tráfego para serviços pagos, muitas vezes ocultando o rosto das vítimas para contornar as políticas das plataformas. A comunidade com deficiência expressa profunda preocupação com essa prática, que perpetua estereótipos e fetichiza suas condições.

    Como funcionam os deepfakes exploratórios

    O método mais perturbador envolve a criação de deepfakes que simulam pessoas com síndrome de Down. Criminosos roubam imagens de perfis públicos de mulheres em redes sociais e utilizam filtros de IA para alterar suas feições, criando a aparência de ter a síndrome. Essas imagens manipuladas são então sobrepostas a corpos de mulheres reais, gerando personagens fictícias.

    Um exemplo alarmante é o caso de Alice, uma jovem de 17 anos, cuja imagem foi utilizada sem consentimento em uma conta do Instagram que alcançou 25 mil seguidores. O padrão observado em tais contas é:

    • Postagem de conteúdo sugestivo para gerar engajamento.
    • Recebimento de comentários sexualmente explícitos.
    • Redirecionamento de usuários para plataformas de conteúdo adulto pago, como o OnlyFans.
    • Exploração da deficiência como um nicho de mercado específico e lucrativo.

    Segundo a pesquisadora Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge, essa prática “retira dados das mulheres sem o seu consentimento e os usa para capitalizar a deficiência como forma de ganhar dinheiro”.

    O esquema de monetização nas redes sociais

    Esses deepfakes maliciosos são monetizados através de um sistema engenhoso que explora as políticas de diferentes redes sociais. O processo funciona como um funil de conversão, iniciado no Instagram e culminando em plataformas de conteúdo adulto. Os responsáveis por essa operação são conhecidos como “Geradores de IA do OnlyFans”, indivíduos especializados em criar influenciadores artificiais para promover conteúdo adulto.

    Um exemplo de operação envolve um “gerente” francês, identificado pela BBC, que compartilhava tutoriais sobre a criação desses deepfakes em canais no YouTube e Telegram. A estratégia de monetização se desdobra em etapas claras:

    1. Criação de engajamento: Contas no Instagram postam conteúdo provocativo para atrair um grande número de seguidores.
    2. Redirecionamento: Os usuários são subsequentemente direcionados para perfis pagos em plataformas como o OnlyFans.
    3. Adaptação às políticas: Para evitar detecção e violação de regras, os rostos nos perfis pagos são frequentemente cortados ou ocultados.
    4. Exploração de nichos: Deficiências são categorizadas como “mercados de nicho” com alto potencial de lucro, permitindo a criação rápida de personagens sob demanda.

    O criador de conteúdo artificial, Dorian, mencionou em seus tutoriais que “uma das melhores coisas com a IA é que você pode criar qualquer nicho sob demanda”, incluindo pessoas com deficiências como um “mercado pouco atendido”.

    Impactos devastadores na comunidade com deficiência

    Os deepfakes que simulam síndrome de Down causam danos que transcendem as vítimas individuais, impactando toda a comunidade de pessoas com deficiência. O prejuízo é tanto psicológico quanto social, reforçando estereótipos prejudiciais e objetificando uma condição genética.

    Ativistas e produtores de conteúdo com síndrome de Down, como Jeremy e Audrey, expressaram grande preocupação. “Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa”, disse Audrey. “Eu e Jeremy temos síndrome de Down e adoramos isso. Ela é única e eu adoro. É meio que a melhor coisa da minha vida.” Jeremy lamenta: “Estão fazendo isso por dinheiro. Por favor, parem com isso.”

    Os principais impactos incluem:

    • Fetichização da deficiência: Uma condição genética é transformada em objeto de desejo sexual.
    • Representação distorcida: Criação e disseminação de estereótipos negativos sobre pessoas com síndrome de Down.
    • Apropriação de identidade: Uso não consentido da imagem da comunidade para fins de lucro.
    • Normalização da exploração: A deficiência é tratada como um mero “nicho de mercado”.

    A sensação de “estar sendo usada”, expressa por Audrey, reflete como essa prática atenta contra a dignidade e a autorrepresentação da comunidade. Essa exploração, descrita como uma “rede de exploração” por Eleanor Drage, prejudica indivíduos e a percepção social sobre pessoas com deficiência.

    Resposta das plataformas digitais: um cenário complexo

    As plataformas digitais têm apresentado respostas inconsistentes e, por vezes, inadequadas diante do problema dos deepfakes exploratórios, evidenciando falhas em seus sistemas de moderação de conteúdo. A resposta inicial do Instagram ao caso de Alice foi problemática: após a denúncia, a plataforma informou que o usuário não violou as normas, pois os vídeos deepfake não eram explicitamente sexuais, explorando uma brecha nas políticas.

    No entanto, após a intervenção jornalística da BBC, houve ações mais efetivas:

    • YouTube: Cancelou canais de Dorian por violarem políticas de spam, fraude e práticas enganosas.
    • Meta (Instagram): Removeu a maioria das contas denunciadas por personificação e promoção de serviços sexuais.
    • OnlyFans: Afirmou que todos os criadores passam por verificação de identidade e que conteúdo desse tipo é proibido.

    Contudo, a conta que explorava a imagem de Alice só foi removida após a exposição midiática, o que demonstra a insuficiência das ferramentas automatizadas para detectar explorações sofisticadas. O OnlyFans alega verificar a idade e o consentimento das imagens, mas o sistema não detecta o uso não autorizado de terceiros.

    Como se proteger de deepfakes maliciosos

    A proteção contra deepfakes maliciosos exige uma abordagem multifacetada. É fundamental que os usuários estejam vigilantes, utilizem as ferramentas de denúncia disponíveis e compreendam os riscos inerentes à exposição online.

    Estratégias de proteção individual incluem:

    • Monitoramento constante: Realizar buscas periódicas pelo próprio nome e imagem em diferentes plataformas.
    • Configurações de privacidade: Limitar a visibilidade de fotos e vídeos em perfis públicos.
    • Denúncias persistentes: Não aceitar respostas automáticas negativas das plataformas e insistir nas denúncias.
    • Documentação: Manter registros de contas falsas e tentativas de contato.

    Alice, por exemplo, tentou contato direto com os criadores da conta falsa sem sucesso. A denúncia formal e persistente às plataformas, juntamente com a intervenção da imprensa, provou ser mais eficaz. Para a sociedade, a proteção envolve:

    1. Educação sobre deepfakes: Aprender a identificar conteúdo manipulado.
    2. Apoio às vítimas: Amplificar denúncias de pessoas afetadas.
    3. Pressão por políticas eficazes: Exigir que as plataformas aprimorem seus sistemas de detecção e moderação.

    A exposição pública através da mídia continua sendo uma ferramenta poderosa para combater essas práticas exploratórias, evidenciando a necessidade de uma vigilância contínua e de ações conjuntas para mitigar os danos causados pelos deepfakes maliciosos.