Autor: Iago Mendes

  • Como a Nvidia transforma tokens de IA em benefício e acirra guerra por talentos no Vale do Silício

    Como a Nvidia transforma tokens de IA em benefício e acirra guerra por talentos no Vale do Silício

    A disputa por engenheiros no Vale do Silício ganhou um novo marcador de valor. Durante a Conferência de Tecnologia de GPUs da Nvidia, o CEO Jensen Huang afirmou que o acesso a tokens de inteligência artificial deve se consolidar como um benefício relevante nas ofertas de emprego, ao lado de salário e participação acionária. Essa sinalização revela uma mudança importante: o debate sobre IA agora alcança a rotina de trabalho, a produtividade e a forma como empresas disputam talentos.

    Na prática, o acesso a tokens de IA representa a capacidade de trabalho no novo ambiente tecnológico. Huang sugeriu que engenheiros com esse recurso produzem mais, podendo ampliar em até dez vezes o potencial de produtividade. Essa declaração traduz uma transformação em curso no setor, onde tokens deixaram de ser apenas métricas técnicas para se tornarem insumos estratégicos no desenvolvimento de projetos complexos e na construção de produtos com IA.

    Tokens de IA como nova moeda de produtividade

    O acesso à inteligência artificial não é mais uniforme dentro das empresas. Em áreas altamente técnicas, ter poder computacional disponível para testar, iterar e construir pode significar uma vantagem real no desempenho profissional. Essa demanda é tão alta que, segundo Thibault Sottiaux, líder de engenharia do Codex da OpenAI, os tokens de IA estão escassos enquanto a demanda cresce.

    Candidatos têm perguntado com frequência sobre a quantidade de poder computacional dedicada à inferência que terão disponível. O dado é relevante porque aponta uma mudança de mentalidade no mercado. O profissional não quer apenas remuneração competitiva, mas sim estrutura para produzir em alto nível.

    O futuro do trabalho técnico sob a ótica da Nvidia

    A fala de Jensen Huang reforça um traço decisivo da nova economia da inteligência artificial: ferramentas, acesso e infraestrutura influenciam diretamente a atratividade de uma empresa. Em um setor onde a inovação depende da velocidade dos testes e da capacidade de transformar ideias em aplicações concretas, limitar recursos pode significar limitar o próprio talento contratado.

    Para profissionais de IA, o cenário amplia a importância de compreender o mercado para além do uso superficial das ferramentas. A carreira em IA tende a favorecer aqueles capazes de ler a infraestrutura como parte da estratégia. Saber como modelos são consumidos, quais recursos sustentam a produção e de que forma empresas organizam o acesso a poder computacional torna-se uma camada relevante de diferenciação no competitivo mercado de talentos.

  • Fapeg é exemplo em Referencial Nacional pelo fomento responsável à inteligência artificial

    Fapeg é exemplo em Referencial Nacional pelo fomento responsável à inteligência artificial

    A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) foi destacada como exemplo na primeira edição do Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação. Lançado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2026, o guia reconhece a Fapeg por sua liderança na criação de políticas públicas, formação de especialistas e desenvolvimento de soluções em IA com impacto social e foco na inovação responsável.

    A iniciativa da Fapeg é um modelo concreto de como o fomento público pode impulsionar o desenvolvimento estratégico da inteligência artificial no Brasil. A fundação não apenas fortalece a infraestrutura de pesquisa, mas também promove a formação de recursos humanos altamente qualificados e a criação de soluções tecnológicas para a gestão pública.

    Referencial nacional destaca o papel da fapeg

    O documento federal, que serve como um norte para o país, ressalta que a Fapeg exerce um papel central na indução de ecossistemas de inovação. Esses ecossistemas são capazes de integrar universidades, governo e setor produtivo, fundamentais para o avanço tecnológico.

    Além disso, o Referencial do MEC aponta uma carência de diretrizes explícitas sobre o uso de inteligência artificial em projetos financiados com recursos públicos. Segundo o texto, essa ausência deixa pesquisadores e instituições sem referenciais para lidar com questões como soberania de dados, propriedade intelectual e validação de resultados em IA.

    É neste cenário que a Fapeg se sobressai, demonstrando como as agências de fomento podem ser indutoras decisivas do desenvolvimento tecnológico. Isso ocorre por meio de editais temáticos e investimentos direcionados à pesquisa, inovação e formação de capacidades nacionais em inteligência artificial, conforme explicitado no guia no portal Goiás.gov.br/fapeg.

    Ações concretas e o centro de excelência em ia

    Um dos projetos mais emblemáticos citados pelo Referencial é o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) em Goiás. Esta iniciativa envolve:

    • Aportes financeiros para estruturação da pesquisa.
    • Formação de recursos humanos qualificados, incluindo o primeiro curso de graduação em IA do País, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).
    • Desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas à gestão pública.

    O reconhecimento da Fapeg se estende aos próprios pesquisadores. O professor André Carlos Silva, da Universidade Federal de Catalão (UFCat), recentemente contemplado em edital, ressalta o apoio encontrado em Goiás. Ele vai coordenar um centro emergente, fruto da política da Fapeg de apoiar a estruturação de centros de excelência – atualmente são dez centros recebendo fomento do Estado – e de centros emergentes com potencial de referência nacional e internacional.

    “Os cientistas muitas vezes são pouco valorizados e reconhecidos, apesar de dedicarem suas vidas à produção de conhecimento, mas que em Goiás têm encontrado apoio nas universidades e na Fapeg”, afirma o professor Silva.

    Prêmio go.ia: inovação aberta e responsável

    Reforçando seu compromisso, a Fapeg lançou o Prêmio Anual Goiás Aberto para a Inteligência Artificial (GO.IA). O edital já teve seu resultado final divulgado, contemplando três propostas nas áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública, todas baseadas em IA.

    A iniciativa busca premiar soluções inovadoras com impacto social, econômico e ambiental positivo no estado, incentivando abordagens alinhadas à “IA aberta”, que preza pela transparência, colaboração e possibilidade de auditoria dos modelos, dados e resultados. Embora o uso de tecnologias open source seja preferencial, o edital valoriza o compromisso com a responsabilidade pública, a reprodutibilidade e a abertura das soluções.

    O edital ainda exige que as propostas apresentem nível mínimo de maturidade tecnológica e impacto concreto no contexto goiano, com apoio financeiro para aprimoramento, validação e expansão das soluções. Isso inclui investimentos em infraestrutura computacional, aquisição de dados, testes e capacitação de equipes.

    Pioneirismo legislativo em goiás

    A solidez do fomento à IA em Goiás é complementada pela Lei Complementar nº 205, de 19 de maio de 2025, que instituiu a Política Estadual de Fomento à Inovação em Inteligência Artificial. Goiás foi o primeiro estado do Brasil a ter uma legislação específica para o fomento da IA.

    A lei estabelece diretrizes para o desenvolvimento e uso da IA no estado, reforçando princípios como ética, transparência, segurança, desenvolvimento sustentável e incentivo à pesquisa aplicada. Esse alinhamento entre instrumentos normativos e ações de fomento consolida um ambiente estruturado e favorável à inovação tecnológica.

    Compromisso da fapeg com o futuro

    Para Marcos Arriel, presidente da Fapeg, ser citado como exemplo em um documento federal tão relevante é fruto de um trabalho responsável de toda a equipe de servidores. “Nosso compromisso é fazer com que a inteligência artificial desenvolvida em Goiás seja não apenas tecnicamente avançada, mas também socialmente responsável, transparente e acessível”, destaca Arriel.

    Ao apoiar pesquisadores, empreendedores e instituições, a Fapeg busca construir um ecossistema onde o conhecimento gerado se converta em soluções concretas para a sociedade, fortalecendo a soberania tecnológica e ampliando oportunidades para o estado de Goiás. A experiência goiana, segundo Arriel, demonstra que o investimento coordenado, respaldado por marcos legais e orientado por demandas locais, contribui para a construção de capacidades nacionais em inteligência artificial, evidenciando a necessidade de maior reconhecimento público para todos os envolvidos.

  • OpenAI Lança Compras no ChatGPT: Nova Era do E-commerce

    OpenAI Lança Compras no ChatGPT: Nova Era do E-commerce

    OpenAI revoluciona e-commerce com compras diretas no ChatGPT

    A OpenAI deu um passo significativo na integração da inteligência artificial ao cotidiano do consumidor com o lançamento do Instant Checkout, uma funcionalidade que permite a realização de compras diretamente na interface de conversação do ChatGPT. Essa inovação elimina a necessidade de os usuários saírem do chat para finalizar transações, marcando o início de uma nova era para o e-commerce e o comércio conversacional.

    O sistema funciona de maneira intuitiva: após o ChatGPT identificar e sugerir produtos relevantes durante uma conversa, um botão de “Buy” (Comprar) surge. Ao clicar, o usuário pode revisar os detalhes do pedido e efetuar o pagamento instantaneamente, tudo sem sair da plataforma de chat. Essa abordagem promete reduzir o atrito tradicional das compras online, tornando o processo mais ágil e direto.

    Como funciona o sistema de compras do ChatGPT

    Para viabilizar essa experiência fluida, a OpenAI desenvolveu o Agentic Commerce Protocol, um protocolo subjacente disponibilizado como código aberto. Isso facilita a integração por parte de varejistas, permitindo que diversas plataformas de e-commerce se conectem ao sistema. Atualmente, o suporte inclui vendedores do Etsy, com a promessa de inclusão de mais de 1 milhão de comerciantes do Shopify em breve. A integração também foi simplificada para comerciantes que utilizam o Stripe, exigindo mudanças mínimas de código.

    A OpenAI estabeleceu um modelo de negócios onde cobra taxas dos comerciantes sobre as vendas concluídas. Contudo, é crucial notar que o ranking de produtos continua sendo orgânico, determinado estritamente pela relevância. Esse novo fluxo de receita representa um avanço substancial para a gigante da IA, consolidando o e-commerce com IA agêntica como um ponto de virada.

    Parceria OpenAI e Stripe revoluciona e-commerce

    A viabilização do Instant Checkout é fruto de uma parceria estratégica entre a OpenAI e a Stripe. Essa colaboração criou a infraestrutura necessária para estabelecer um novo padrão em transações comerciais integradas à inteligência artificial conversacional. O Stripe é responsável por toda a tecnologia de processamento de pagamentos, permitindo que os usuários finalizem suas compras sem abandonar o ambiente do ChatGPT.

    Os benefícios dessa integração são notáveis:

    • Experiência unificada: A descoberta, avaliação e compra ocorrem em uma única interface.
    • Segurança robusta: O processamento de pagamentos é realizado pela infraestrutura confiável do Stripe.
    • Escalabilidade: Suporte para milhões de comerciantes com um processo de integração simplificado.

    Essa abordagem representa uma mudança fundamental no comportamento de compra online. Em vez de navegar por sites ou marketplaces tradicionais, os consumidores podem descobrir e adquirir produtos durante conversas naturais. Essa modalidade, conhecida como conversational commerce, pode redefinir a experiência de compras na internet, tornando-a mais intuitiva e personalizada.

    Impacto da IA no futuro das vendas online

    A integração da IA no e-commerce está remodelando a forma como os consumidores descobrem, avaliam e compram produtos. Estamos testemunhando o início da era do comércio agêntico, onde assistentes de IA atuam como consultores de vendas personalizados. O modelo tradicional de navegação por catálogos está dando lugar a experiências conversacionais inteligentes.

    Com o ChatGPT processando compras diretamente nas conversas, a descoberta de produtos ocorre de forma natural, alinhada às necessidades expressas pelos usuários. As principais transformações incluem:

    • Personalização extrema: A IA analisa contexto e preferências em tempo real.
    • Redução de atrito: Eliminação de múltiplos cliques e redirecionamentos.
    • Recomendações contextuais: Sugestões baseadas no fluxo da conversa.
    • Novos modelos de receita: Plataformas de IA se beneficiam de taxas sobre transações.

    Essa evolução pode significar um desafio para grandes players como a Amazon, forçando uma reavaliação de suas estratégias de descoberta de produtos. O futuro das vendas online aponta para interfaces conversacionais inteligentes que compreendem intenções implícitas e oferecem soluções personalizadas, transformando cada interação em uma potencial oportunidade comercial.

  • Apple Cancela Vision Pro e Foca em Óculos Inteligentes IA em Nova Estratégia

    Apple Cancela Vision Pro e Foca em Óculos Inteligentes IA em Nova Estratégia

    Apple Cancela Vision Pro e Foca em Óculos Inteligentes IA

    A Apple anunciou uma mudança drástica em sua estratégia de hardware vestível, cancelando os planos de reformulação do Vision Pro para direcionar todos os esforços ao desenvolvimento de óculos inteligentes com inteligência artificial (IA). A decisão visa competir diretamente com a linha Ray-Ban da Meta e marca um abandono do foco em headsets de realidade virtual e aumentada de alta complexidade.

    Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a empresa interrompeu o desenvolvimento de uma versão mais acessível e leve do Vision Pro, prevista para 2027. Em vez disso, as equipes foram realocadas para acelerar a criação de diversos modelos de óculos inteligentes. Essa movimentação reflete um reconhecimento de que o mercado ainda não está pronto para produtos premium como o Vision Pro, que enfrentou barreiras significativas como preço elevado, design pesado e baixa aceitação pública.

    Nova Geração de Óculos Inteligentes Apple

    A Apple está trabalhando em duas versões distintas de óculos inteligentes, cada uma voltada para um segmento de mercado específico e com cronogramas de lançamento escalonados. O primeiro modelo, com lançamento previsto para 2027, funcionará como um acessório conectado ao iPhone. Ele não possuirá tela integrada, mas priorizará a interação por voz, com recursos de IA impulsionados por uma versão aprimorada do Siri. Alto-falantes integrados, câmeras para processamento visual e sensores para monitoramento de saúde completarão o pacote.

    A segunda versão, ainda com um cronograma mais ambicioso, incluirá uma tela integrada, posicionando-se como um concorrente direto dos óculos Display da Meta. O sucesso de ambos os dispositivos dependerá fortemente da reformulação do Siri, que a Apple busca aprimorar para oferecer capacidades de IA conversacional mais avançadas, essenciais para a navegação e controle por voz.

    Concorrência Direta com a Meta Ray-Ban

    A Meta já estabeleceu uma presença consolidada no mercado de óculos inteligentes com sua linha Ray-Ban, lançando novos modelos e expandindo seu portfólio. A empresa considera os óculos como o “fator de forma ideal” para a IA pessoal, e os números de mercado parecem validar essa visão, com um foco em designs familiares e funcionalidades práticas.

    Em contraste, a Apple ainda enfrenta desafios para conquistar seu espaço. As limitações atuais do Siri em comparação com os assistentes da concorrência são um ponto fraco que precisa ser superado. Enquanto a Meta já se beneficia do feedback de usuários reais com seus produtos atuais, a Apple ainda está na fase de desenvolvimento, o que representa uma desvantagem competitiva.

    Impacto na Indústria de IA Vestível

    A mudança de estratégia da Apple sinaliza uma validação da abordagem da Meta de que óculos inteligentes são mais promissores para adoção em massa do que headsets complexos. Ao abandonar o Vision Pro, a Apple admite que o mercado de VR/AR premium ainda não está maduro.

    Este movimento intensifica a corrida pela liderança em IA vestível, um campo que promete ser o próximo grande campo de batalha entre as gigantes da tecnologia. Espera-se uma aceleração na inovação, potencial redução de preços devido à concorrência e um maior investimento em IA conversacional por parte de todos os players. Para o setor de IA, isso demonstra que a praticidade supera a sofisticação técnica na adoção pelo consumidor.

    Cronograma e Expectativas para 2027

    Com 2027 como meta para o lançamento da primeira geração de óculos inteligentes, a Apple adota um cronograma ambicioso. A expectativa é que esses dispositivos ofereçam:

    • Integração fluida com o ecossistema Apple.
    • Qualidade de construção premium.
    • Recursos avançados de privacidade.
    • Um preço mais competitivo, aprendendo com os erros do Vision Pro.

    O sucesso dependerá crucialmente da capacidade da Apple de entregar uma experiência de IA superior através de um Siri reformulado. Sem essa base tecnológica sólida, os óculos correm o risco de enfrentar os mesmos problemas de adoção do Vision Pro. O prazo de 2027 também permite que a Apple aprenda com a evolução dos produtos da Meta no mercado real.

  • Inteligência Artificial e futuro do Judiciário marcam a abertura do 39º Encor

    Inteligência Artificial e futuro do Judiciário marcam a abertura do 39º Encor

    Inteligência Artificial e futuro do Judiciário marcam a abertura do 39º Encor

    A cidade histórica de Diamantina, em Minas Gerais, foi palco da abertura do 39º Encontro de Capacitação da Corregedoria-Geral de Justiça (Encor) na quarta-feira, 18 de março de 2026. O evento, sob o tema “Inteligência Artificial e Tecnologia da Informação no âmbito do Poder Judiciário”, reúne magistrados de todo o estado para três dias de aprofundamento em temas jurídicos e gerenciais, com foco na modernização da Justiça mineira.

    O corregedor-geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho, presidiu a solenidade, destacando a Inteligência Artificial (IA) como um divisor de águas para o futuro do Judiciário. O evento ressalta a importância da tecnologia para a otimização de processos e a busca por uma prestação jurisdicional mais eficiente.

    Abertura em Diamantina e o legado de JK

    A escolha de Diamantina para sediar o 39º Encor não foi aleatória. O corregedor-geral Estevão Lucchesi ressaltou a simbologia do local, especialmente no ano em que se recorda o cinquentenário de falecimento de Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK). Ele associou o espírito inovador de JK ao propósito do Encor de projetar o futuro por meio da IA.

    “Recordar JK é recordar um País que acreditava em si mesmo. O Encor é este espaço privilegiado de diálogo que, nesta 39ª edição, projeta o futuro por meio da Inteligência Artificial (IA)”, declarou Lucchesi. Ele enfatizou que a IA é uma realidade indispensável para automatizar tarefas repetitivas e organizar dados, mas fez questão de esclarecer que o futuro não prevê a substituição de juízes por máquinas.

    “O desafio é o letramento digital e humano. Somos o 2º maior tribunal do País, com 298 comarcas, e nossa prioridade absoluta é o 1º Grau, porta de entrada da cidadania”, complementou o corregedor-geral, reforçando o compromisso com a humanização e a acessibilidade da Justiça.

    Gestão, união e resultados do TJMG

    O presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, celebrou a união entre a Presidência, a Corregedoria e as Vice-Presidências como um marco da gestão 2024-2026. Ele apresentou um balanço positivo, destacando que em 2025 o TJMG conseguiu julgar mais processos do que o volume distribuído na 1ª Instância, mesmo diante do aumento da demanda.

    “Nosso foco é a melhoria da prestação jurisdicional e a valorização de magistrados e servidores”, afirmou Corrêa Junior. O 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), desembargador Saulo Versiani Penna, ressaltou a modernização normativa da Escola Judicial, que fortaleceu a Ejef como pilar de capacitação.

    A juíza Rosimere das Graças do Couto, presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), elogiou a gestão da Corregedoria por aproximar o órgão das comarcas e pela sensibilidade na escolha do tema do evento.

    Cooperação e avanços tecnológicos

    Durante a solenidade, foi assinado um termo de cessão do antigo prédio do Fórum Joaquim Felício para o município de Diamantina, um ato de cooperação institucional celebrado pelo presidente Corrêa Junior e pelo prefeito Geferson Burgarelli.

    O primeiro painel do evento abordou o avanço tecnológico do TJMG, com destaque para a migração do Processo Judicial Eletrônico (PJe) para o sistema eproc, que já alcançou 163 comarcas. A juíza Mariana de Lima Andrade, responsável pela Diretoria Executiva de Tecnologia da Informação e Comunicação (Dirtec), apresentou investimentos em infraestrutura, como a substituição de computadores por notebooks de alta performance preparados para IA.

    Ela mencionou a capacitação em modelos avançados de linguagem (Large Language Models ou LLMs) realizada pelo Laboratório de Inovação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (UAILab). A meta é que o eproc receba os processos cíveis de todas as comarcas do Estado até junho de 2026, visando maior agilidade e mobilidade.

    O juiz digital e a segurança jurídica

    O encerramento do primeiro dia do Encor contou com a palestra magna “O juiz digital, a segurança jurídica e a efetiva Justiça”, proferida pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José Afrânio Vilela. Ele compartilhou a experiência de redução significativa do acervo em seu gabinete no STJ, utilizando análise técnica e recursos de automação.

    “Nenhuma IA tem a capacidade de sentir o problema humano ou ser fraterna. Precisamos de juízes que utilizem a IA como ferramenta e não como substituta. O futuro pertence a quem entende como usar a tecnologia sem perder a si mesmo.”

    O ministro Vilela destacou que o uso de IA, aliado à automação e ao Código de Processo Civil (CPC), deve ser pensado para alcançar uma Justiça mais célere, com isonomia nas decisões e segurança jurídica. Ele ressaltou, contudo, a importância do cuidado no uso dessas ferramentas, reforçando que a tecnologia deve ser uma aliada do juiz, sem jamais substituir a sensibilidade e a fraternidade humanas.

  • OpenAI Atinge Avaliação Recorde de $500B em 2025

    OpenAI Atinge Avaliação Recorde de $500B em 2025

    OpenAI Atinge Avaliação Recorde de $500B em 2025

    A OpenAI alcançou um marco histórico em 2025, tornando-se a empresa privada mais valiosa do mundo com uma avaliação de $500 bilhões. Este feito foi impulsionado por uma venda secundária de ações, permitindo que funcionários liquidassem participações e solidificando a posição da empresa no vanguarda da inteligência artificial.

    A valorização representa um salto notável em relação aos $300 bilhões registrados em março de 2024. O crescimento exponencial da OpenAI é sustentado por resultados financeiros impressionantes, com uma receita de $4,3 bilhões gerada apenas no primeiro semestre de 2025, superando o faturamento total de 2024.

    Superando Gigantes do Mercado

    Com essa nova avaliação, a OpenAI ultrapassou empresas como a SpaceX, que detinha uma avaliação de $456 bilhões, e a ByteDance. A conquista sublinha a crescente dominância da inteligência artificial como o setor mais atrativo para investidores globais.

    Enquanto outras empresas levaram décadas para alcançar valuations similares, a OpenAI demonstrou uma velocidade de crescimento sem precedentes, impulsionada pela adoção massiva de suas tecnologias de IA. Fatores chave para essa ascensão incluem:

    • Crescimento de receita de 300% no primeiro semestre de 2025.
    • Aceleração na adoção empresarial do ChatGPT e suas APIs.
    • Posicionamento como líder em IA generativa.
    • Alta demanda por soluções de automação inteligente.

    Detalhes da Venda Secundária de Ações

    A OpenAI autorizou a venda de $10,3 bilhões em ações, mas os funcionários optaram por vender apenas $6,6 bilhões. Esta diferença de quase $4 bilhões é vista como um sinal de forte confiança interna no potencial futuro da empresa, com muitos colaboradores preferindo manter suas participações.

    A venda secundária foi estruturada para beneficiar funcionários com pelo menos dois anos de posse de ações, oferecendo liquidez e recompensando contribuições de longo prazo. Entre os principais investidores participantes da rodada estão a Thrive Capital, SoftBank e MGX.

    Receita Impulsiona Valorização Histórica

    A receita de $4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025 não apenas superou o faturamento anual de 2024, mas também validou a avaliação de $500 bilhões. Este crescimento de 300% no semestre reflete a adoção generalizada de soluções de IA por empresas de todos os portes.

    As principais fontes desse crescimento incluem a adoção do ChatGPT Enterprise, o aumento no uso de APIs para desenvolvimento de novas aplicações, a expansão para novos mercados e o lançamento de funcionalidades inovadoras. Essa trajetória financeira redefine as expectativas para empresas de tecnologia de alto crescimento.

    Impacto no Ecossistema de IA

    A valorização da OpenAI está gerando ondas de choque em todo o setor de inteligência artificial, estabelecendo novos padrões para avaliação e atraindo maior interesse institucional. Fundos de pensão e outros grandes investidores estão cada vez mais direcionando capital para empresas de IA.

    Esse cenário acelera a possibilidade de IPOs (ofertas públicas iniciais) mais cedo para algumas empresas e intensifica a guerra por talentos, com pacotes de compensação atingindo níveis recordes. A OpenAI, com sua avaliação de meio trilhão de dólares, consolida-se como o padrão de referência, impulsionando a inovação e o desenvolvimento em todo o mercado de IA.

  • Inteligência artificial, políticas públicas e novas competências profissionais pautam Fórum de Educação Executiva em Brasília

    Inteligência artificial, políticas públicas e novas competências profissionais pautam Fórum de Educação Executiva em Brasília

    Inteligência artificial, políticas públicas e novas competências profissionais pautam Fórum de Educação Executiva em Brasília

    A FGV Educação Executiva em Brasília sedia, entre 19 de março e 9 de abril de 2026, o 14º Fórum de Educação Executiva. O evento reunirá especialistas para debater temas cruciais da atualidade, como inovação, transformação digital, políticas públicas e o desenvolvimento profissional. Os encontros, realizados presencialmente na sede da instituição, a partir das 9h, abordarão desafios e tendências com foco na aplicação prática de novas tecnologias e nas mudanças do mercado de trabalho.

    O fórum se propõe a ser um palco para a discussão aprofundada sobre como a inteligência artificial está remodelando o cenário profissional e as estratégias governamentais. A programação foi estruturada em quatro painéis, cada um dedicado a explorar aspectos específicos dessa convergência, visando orientar tanto o setor público quanto o privado em suas jornadas de adaptação e crescimento.

    Inteligência artificial: do conceito à aplicação prática

    A abertura do fórum, em 19 de março, contará com a palestra “Inteligência Artificial do zero à prática”. Bruno Pimenta, executivo de tecnologia com vasta experiência em design, marketing digital, business intelligence e analytics, conduzirá a sessão. O objetivo é oferecer orientações estratégicas para a integração de ferramentas de IA no cotidiano profissional, abordando temas como engenharia de prompt e aplicações de tecnologias emergentes. A mediação ficará a cargo de Betovem Coura, doutor em Administração de Empresas e coordenador acadêmico da FGV.

    O futuro dos profissionais de TI com a evolução da IA

    No dia 26 de março, o painel “O futuro dos profissionais de TI com a evolução da IA” analisará o impacto da inteligência artificial generativa no setor de tecnologia da informação. Marcelo Magalhães, consultor e professor em estratégia e transformação digital, ministrará a palestra. O debate centrar-se-á na transição do perfil técnico executor para o de orquestrador de soluções, além de discutir as competências que se mostram essenciais em um ambiente cada vez mais automatizado. André Barcaui, doutor e pós-doutor em Administração, com experiência em gestão e tecnologia em empresas como HP e IBM, será o moderador.

    Novas habilidades para o profissional de relações governamentais

    A programação segue em 31 de março com o painel “Tech Skills: novas habilidades para o profissional de relações governamentais”. Camila Barbosa, cientista política e sócia da Prospectiva, abordará como o uso transversal da tecnologia pode expandir a atuação desses profissionais, integrando competências tecnológicas às já exigidas na área. A mediação será conduzida por Rodrigo Martins Navarro de Andrade, doutor em Administração e CEO da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos.

    Orçamento verde como instrumento de políticas públicas

    Encerrando o fórum, em 9 de abril, o painel “Green Budget: Painel Orçamentário de Gastos Climáticos como instrumento de coordenação de políticas públicas” discutirá como o orçamento verde pode fortalecer a coordenação de políticas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, preservação da biodiversidade e gestão de riscos. Virgínia de Angêlis, secretária Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, e Dalmo Palmeira, assessor parlamentar, serão os palestrantes, com moderação de Mauro Santos, doutor em Economia e coordenador de políticas de infraestrutura e regulação no IPEA.

    O 14º Fórum de Educação Executiva visa ampliar o debate sobre temas estratégicos, promovendo a troca de conhecimento entre especialistas e profissionais para acompanhar as transformações tecnológicas, econômicas e institucionais que moldam o desenvolvimento do país. Os encontros ocorrem na FGV Brasília, localizada na Av. L2 Norte, Quadra 602, Módulos A, B e C – SGAN.

  • GLM 4.7: Tudo sobre a IA que desafia o GPT-5 e Claude

    GLM 4.7: Tudo sobre a IA que desafia o GPT-5 e Claude

    GLM 4.7: Tudo sobre a IA que desafia o GPT-5 e Claude

    O cenário da inteligência artificial recebe um novo e poderoso competidor: o GLM 4.7. Desenvolvido pela Zhipu AI, este modelo chega com a promessa de entregar resultados que rivalizam e, em muitos aspectos, superam gigantes estabelecidos como GPT-5 e Claude. Com foco em raciocínio complexo e desenvolvimento de software, o GLM 4.7 se apresenta como uma alternativa viável e inovadora, pronta para transformar fluxos de trabalho.

    Para aqueles que acompanham a evolução das IAs, o GLM 4.7 representa um salto significativo, especialmente em eficiência e profundidade de análise. As inovações trazidas por este modelo da Zhipu AI merecem atenção detalhada, desde sua arquitetura única até suas aplicações práticas no desenvolvimento de código.

    Potencial e inovações do modelo GLM 4.7

    A arquitetura de Mistura de Especialistas (MoE) é um dos pilares do GLM 4.7. Diferentemente de modelos densos, o MoE ativa apenas os parâmetros necessários para cada tarefa. Isso resulta em um processamento mais ágil, eficiente em termos de energia e computação, tornando a ferramenta acessível sem sacrificar a profundidade do raciocínio.

    Outro diferencial marcante é a vasta capacidade de retenção de contexto. Com suporte para janelas de contexto que podem atingir até 200 mil tokens, o GLM 4.7 mantém a coerência em conversas extensas e na análise de grandes bases de código. Desenvolvedores e analistas de dados se beneficiam dessa funcionalidade, pois o assistente pode compreender projetos inteiros, oferecendo sugestões mais holísticas.

    Raciocínio intercalado e preservação de pensamento

    O mecanismo de “pensar antes de agir” é uma das características mais impressionantes do GLM 4.7. Ele utiliza um processo de raciocínio intercalado, planejando a execução de tarefas complexas antes de gerar a resposta final. Isso minimiza drasticamente a taxa de erros em instruções com múltiplas etapas.

    Adicionalmente, a tecnologia de “Preserved Thinking” (Pensamento Preservado) garante que o sistema mantenha sua linha de raciocínio lógico ativa durante toda a interação. Em cenários que exigem ações sequenciais, como em agentes autônomos, essa memória de trabalho assegura que o objetivo inicial não se perca, eliminando a necessidade de reexplicar o contexto.

    Revolução no desenvolvimento de software e ‘Vibe Coding’

    No campo da engenharia de software, o GLM 4.7 demonstra uma competência notável. O conceito de ‘Vibe Coding’ foca na estética e usabilidade do código gerado, especialmente para interfaces de usuário (front-end). O sistema não apenas produz código funcional, mas também se preocupa com o design visual, criando páginas web e apresentações com layouts modernos.

    A precisão em tarefas de terminal e automação foi aprimorada. Testes indicam que a capacidade de lidar com linhas de comando e scripts de automação supera modelos concorrentes, auxiliando profissionais de DevOps e engenheiros de sistemas. A integração com ferramentas como Claude Code e ambientes de desenvolvimento populares é fluida, funcionando como um par programador sênior.

    Benchmarks: Números comprovam a eficácia

    Os resultados em plataformas de avaliação como o SWE-bench, que mede a habilidade de resolver problemas reais de engenharia de software, colocam o GLM 4.7 no topo do ranking de código aberto. Houve uma melhoria de dois dígitos em comparação com versões anteriores, consolidando sua liderança.

    No teste “Humanity’s Last Exam” (HLE), conhecido por sua dificuldade para IAs, o modelo alcançou uma pontuação que demonstra capacidade de generalização e lógica abstrata. Esses dados indicam que o GLM 4.7 está preparado para desafios que exigem rigor técnico e criatividade simultaneamente.

    Comparativo direto: desempenho frente à concorrência global

    Em comparação com o GPT-5 e o Claude Sonnet, o GLM 4.7 se destaca pelo equilíbrio entre pragmatismo e potência. Em tarefas de raciocínio matemático e lógica dedutiva, os testes mostram paridade técnica ou até uma leve vantagem para o modelo da Zhipu AI.

    Além do desempenho, a relação custo-benefício é um ponto forte. Com um preço por milhão de tokens significativamente menor que seus rivais ocidentais, o GLM 4.7 democratiza o acesso a inteligência de ponta, permitindo que empresas e desenvolvedores independentes integrem capacidades avançadas de IA sem comprometer o orçamento.

    Integração com agentes e ferramentas externas

    A habilidade de uso de ferramentas externas (Tool Use) é outro ponto forte do GLM 4.7. O sistema navega na web, executa código Python em ambientes isolados e interage com APIs de forma autônoma com alta taxa de sucesso. Comparado a outros modelos, a fluidez com que ele alterna entre geração de texto e ação prática é notável.

    Essa competência é crucial para a criação de agentes autônomos capazes de realizar tarefas como pesquisa de mercado, compilação de relatórios e envio de e-mails sem intervenção humana constante. A arquitetura foi otimizada para reduzir alucinações durante o uso de ferramentas, garantindo ações precisas e seguras.

    Em suma, o GLM 4.7 da Zhipu AI surge como um marco na evolução das IAs, oferecendo um conjunto robusto de capacidades que desafiam o status quo e abrem novas possibilidades para desenvolvedores e empresas. Sua combinação de raciocínio avançado, eficiência e custo-benefício o posiciona como um forte concorrente no mercado global de inteligência artificial.

  • The pentagon’s AI-first doctrine and its implications for modern warfare: lessons from the conflict with Iran

    The pentagon’s AI-first doctrine and its implications for modern warfare: lessons from the conflict with Iran

    A adoção da doutrina AI-First pelo Pentágono marca uma transformação profunda na maneira como as guerras são concebidas e travadas. Longe de ser apenas uma ferramenta de apoio, a inteligência artificial (IA) está se tornando uma infraestrutura estratégica fundamental, permeando a cadeia de comando, a coleta de inteligência e o planejamento de operações em múltiplos teatros.

    Esta mudança conceitual redefine a vantagem estratégica na era algorítmica. Um exemplo prático e contundente dessa implementação pode ser observado na recente confrontação entre os Estados Unidos e o Irã, onde sistemas de IA foram empregados para acelerar análises e decisões cruciais no campo de batalha.

    A doutrina AI-first: uma mudança estratégica

    A doutrina AI-First do Pentágono baseia-se na premissa de que a vantagem estratégica em futuras guerras dependerá, em grande parte, da capacidade dos estados de integrar algoritmos avançados ao cerne dos sistemas de tomada de decisões militares. Dentro dessa estrutura, os Estados Unidos buscam preservar e expandir o que o documento define como Dominância Militar de IA – uma superioridade ancorada na inovação tecnológica, dados operacionais e uma indústria civil de IA avançada.

    A estratégia instrui os ramos de defesa dos EUA a se tornarem uma “força de combate baseada em IA”, acelerando a experimentação com modelos avançados, removendo barreiras burocráticas e priorizando a vantagem assimétrica em dados e poder computacional. Os EUA possuem vantagens estruturais únicas, incluindo um ecossistema de inovação líder e repositórios de dados operacionais acumulados ao longo de décadas de atividade militar e de inteligência. A integração dessas vantagens visa superar os rivais na corrida armamentista algorítmica.

    Um componente central desse conceito é a integração da IA ao processo de decisão operacional, desde o processamento de inteligência até o planejamento de sistemas de combate complexos. Projetos como sistemas de gerenciamento de batalha baseados em IA, desenvolvimento de capacidades para coordenar enxames de sistemas não tripulados e o uso extensivo de simulações operacionais com IA foram definidos para demonstrar o novo ritmo de implementação tecnológica.

    A implementação não se limita a declarações estratégicas. O Pentágono começou a implantar plataformas dedicadas, como o GenAI.mil, que permite a integração de modelos generativos e ferramentas analíticas em redes classificadas e não classificadas. Essa iniciativa visa expandir o acesso a ferramentas de IA para milhões de militares e funcionários governamentais, incorporando as capacidades de IA nos processos de trabalho diários do sistema de defesa. A doutrina reflete o entendimento de que a velocidade de processamento de informações e o encurtamento dos ciclos de decisão se tornarão fatores decisivos em futuros conflitos.

    Da análise de suporte à aceleração operacional

    A integração da IA em sistemas de defesa, que inicialmente se enraizou em campos como manutenção preditiva, análise de inteligência e suporte administrativo, está agora expandindo seu papel sob o conceito AI-First. Esses sistemas se tornam ferramentas que permitem a aceleração de processos operacionais.

    Modelos avançados são capazes de sintetizar vastas quantidades de dados de uma variedade de sensores, sistemas de inteligência e informações de código aberto, produzindo insights em tempo real. Essas capacidades permitem que comandantes priorizem alvos, examinem diferentes cenários operacionais e conduzam avaliações de situação com uma velocidade significativamente maior do que os processos analíticos humanos tradicionais. Esse desenvolvimento muda a natureza da tomada de decisões militares, transformando a IA de mero suporte analítico em um componente ativo que aprimora o planejamento e o gerenciamento de complexos sistemas de combate.

    Estudo de caso: o uso da IA no conflito com o Irã

    A confrontação entre os Estados Unidos e o Irã oferece um exemplo tangível da translação do conceito AI-First para a atividade operacional. Durante ataques a alvos iranianos, foi reportado que as forças armadas dos EUA utilizaram sistemas de IA para análise de inteligência, identificação de alvos e execução de simulações operacionais, incluindo o modelo de linguagem grande Claude da Anthropic.

    Segundo o Instituto Nacional de Estudos de Segurança Nacional (INSS), o Comando Central dos EUA (CENTCOM) integrou o modelo ao lado de sistemas de armas convencionais, como mísseis Tomahawk, aeronaves stealth e drones baseados em IA. O sistema auxiliou no processamento em tempo real de dados recebidos de diversos sistemas de sensores, encurtando o tempo necessário para a análise de inteligência e a geração de insights operacionais. A IA também foi utilizada para executar cenários “e se”, permitindo aos planejadores de operações examinar diferentes cursos de ação em um tempo relativamente curto. Essas capacidades demonstram o potencial da IA para acelerar os processos de tomada de decisão em situações de combate complexas.

    Entre o campo de batalha e o Silicon Valley: a disputa ético-legal

    A adoção acelerada de sistemas de IA no sistema de defesa dos EUA tem sido acompanhada por disputas significativas entre o governo e as empresas de tecnologia. A Anthropic, que forneceu o modelo usado em operações de combate, opôs-se a algumas das exigências do Pentágono para remover mecanismos de segurança relacionados a usos como armas autônomas e sistemas de vigilância em larga escala.

    A empresa argumentou que os sistemas de IA não são suficientemente confiáveis para a operação de armas totalmente autônomas e que o uso de IA para vigilância em massa de civis não é moral ou regulatoriamente legítimo, traçando uma “linha vermelha” nessas exigências. Em contraste, o Pentágono emitiu um ultimato para remover essas restrições e chegou a ameaçar designar a Anthropic como um “risco na cadeia de suprimentos”, um passo incomum. Essas disputas refletem tensões mais amplas entre considerações de segurança nacional e questões éticas, legais e de governança no campo da IA, com discussões internas na indústria e oposição de funcionários a certos usos militares.

    Implicações estratégicas: rumo à guerra algorítmica

    O uso de sistemas de IA em conflitos militares marca uma nova etapa no desenvolvimento da guerra moderna. Enquanto os sistemas de IA antes serviam principalmente como ferramentas de apoio, agora eles se tornam multiplicadores de força que permitem o processamento de informações em uma escala e velocidade impossíveis para sistemas humanos sozinhos. Ao mesmo tempo, essa integração também levanta questões complexas relacionadas à responsabilidade, supervisão e arcabouços legais.

    À medida que os sistemas de IA influenciam cada vez mais as decisões operacionais, incluindo aquelas relativas ao uso da força, ajustes serão necessários no direito internacional, nas regras de engajamento e nos mecanismos de prestação de contas. A evolução da relação entre instituições de defesa, formuladores de políticas e a indústria de tecnologia determinará, em grande parte, as regras do jogo na era da guerra baseada em IA.

    Implicações políticas e de segurança para Israel

    A experiência americana demonstra que a integração sistemática da inteligência artificial no núcleo da atividade militar altera as regras do jogo no campo de batalha. Para Israel, que possui uma vantagem significativa no campo da inovação em defesa, esse contexto acarreta diversas implicações estratégicas.

    Primeiramente, há a necessidade de transitar de uma abordagem centrada no desenvolvimento de tecnologias de IA discretas para uma abordagem sistêmica, similar à doutrina AI-First americana. Nela, a inteligência artificial é integrada sistematicamente à cadeia de comando, aos processos de processamento de inteligência e ao planejamento de operações em múltiplos teatros. Essa transição exige uma integração mais profunda entre a comunidade de defesa, as indústrias de defesa e o setor de alta tecnologia civil, juntamente com investimentos em infraestruturas de dados e poder computacional avançado.

    Em segundo lugar, à luz da aceleração global da corrida armamentista de IA, Israel deve fortalecer sua cooperação estratégica com os Estados Unidos neste campo. Essa colaboração pode incluir pesquisa e desenvolvimento, integração entre sistemas operacionais de IA e um aprofundamento do diálogo estratégico sobre o uso responsável da inteligência artificial em sistemas militares. Por fim, juntamente com as vantagens operacionais, a integração de sistemas de IA na guerra também levanta complexas questões legais e éticas. Israel, que está na vanguarda do enfrentamento de ameaças de segurança e tecnológicas, pode desempenhar um papel significativo na moldagem de arcabouços de governança e padrões internacionais para o uso responsável da IA em sistemas de defesa, enquanto preserva sua vantagem tecnológica e operacional.

    A doutrina AI-First do Pentágono reflete uma mudança profunda na concepção americana de guerra. A inteligência artificial não é mais percebida como uma ferramenta tecnológica suplementar, mas sim como uma infraestrutura estratégica que molda a forma como os militares planejam e conduzem campanhas. O conflito com o Irã demonstra como esse conceito está começando a ser concretizado na prática, com a IA se integrando mais profundamente à cadeia de comando, síntese de inteligência e planejamento operacional.

    Uma nova realidade se forma, na qual a fronteira entre o julgamento humano e o suporte algorítmico se torna mais dinâmica e flexível. Para nações como Israel, isso representa tanto uma oportunidade quanto um desafio: há a necessidade não apenas de desenvolver capacidades de IA discretas, mas de adotar uma abordagem sistêmica, integrar inteligência, comando e sistemas de combate, e criar uma infraestrutura avançada de dados e poder computacional. Ao mesmo tempo, é preciso fortalecer a cooperação estratégica e avançar sua influência nos padrões internacionais para o uso seguro da IA militar.

    Dessa forma, será possível preservar a vantagem tecnológica e operacional, mantendo a legitimidade e preparando-se para uma era em que a IA se torna um multiplicador de força estratégico no campo de batalha. Em qualquer caso, a forma como as relações evoluírem entre as instituições de defesa, os formuladores de políticas e a indústria de tecnologia determinará, em grande parte, as regras do jogo na era da guerra baseada em IA.

  • Google AI Studio lança experiência de codificação full-stack para desenvolvimento de apps

    Google AI Studio lança experiência de codificação full-stack para desenvolvimento de apps

    O Google AI Studio apresentou uma atualização significativa em sua plataforma, introduzindo uma nova experiência de codificação full-stack projetada para transformar prompts em aplicações prontas para produção. A novidade visa democratizar o desenvolvimento de apps modernos e escaláveis, integrando ferramentas poderosas para que desenvolvedores possam criar desde protótipos até softwares complexos sem sair do ambiente do AI Studio.

    A principal inovação é o agente de codificação Google Antigravity, que acelera o caminho do prompt à produção. Essa evolução permite a construção de aplicações de IA nativas de forma mais eficiente, com integrações robustas de back-end via Firebase para armazenamento seguro e autenticação de usuários.

    Construindo aplicações reais com IA

    A nova atualização no Google AI Studio oferece diversas funcionalidades para quem deseja criar aplicativos funcionais. Agora é possível desenvolver experiências multiplayer, onde múltiplos usuários podem interagir em tempo real em jogos, espaços de trabalho colaborativos ou ferramentas compartilhadas.

    A integração com o Firebase permite que o agente detecte proativamente a necessidade de um banco de dados ou um sistema de login. Após a aprovação do usuário, o sistema provisiona automaticamente o Cloud Firestore para bancos de dados e o Firebase Authentication para um sign-in seguro, geralmente utilizando contas Google.

    O ecossistema da web moderna ao seu alcance

    Para criar aplicações voltadas para a web moderna, o agente agora utiliza um vasto ecossistema de ferramentas. Seja para implementar animações fluidas ou ícones profissionais, o agente identifica e instala automaticamente as soluções adequadas, como Framer Motion ou Shadcn, para dar vida à visão do desenvolvedor.

    A capacidade de conectar a serviços do mundo real transforma protótipos em softwares de nível de produção. Desenvolvedores podem trazer suas próprias credenciais de API para integrar serviços como processadores de pagamento ou ferramentas Google, como o Google Maps. O agente identifica quando uma chave de API é necessária e a armazena de forma segura no novo Secrets Manager, acessível na aba de Configurações.

    Eficiência e persistência no desenvolvimento

    Um dos recursos destacados é a capacidade de retomar o trabalho de onde parou. Os dados e o progresso são acessíveis entre dispositivos e sessões. Fechar a aba do navegador não significa perder o trabalho, pois o aplicativo lembra o ponto de interrupção, permitindo que o desenvolvedor continue quando desejar.

    O agente também se tornou mais poderoso, mantendo uma compreensão profunda da estrutura completa do projeto e do histórico de conversas. Isso resulta em iterações mais rápidas e edições de código multi-etapa mais precisas, facilitando a construção de apps complexos com prompts mais simples.

    Suporte ampliado para frameworks

    Em adição ao suporte já existente para React e Angular, o Google AI Studio agora oferece suporte nativo para aplicativos desenvolvidos com Next.js. A seleção do framework desejado pode ser feita no painel de Configurações atualizado.

    O Google AI Studio tem sido usado internamente para construir centenas de milhares de aplicativos nos últimos meses, demonstrando a eficácia da nova experiência de codificação full-stack.

    Exemplos práticos da nova experiência

    A nova capacidade do agente pode ser vista em ação com exemplos como:

    • Jogos multiplayer em tempo real: Criação de jogos como um massivo jogo de laser tag multiplayer em estilo retrô a partir de um único prompt.
    • Colaboração em tempo real: Desenvolvimento de experiências multiplayer com partículas 3D, onde o agente configura a lógica de sincronização em tempo real e integra bibliotecas como Three.js.
    • Física e design de jogos: Implementação de interações 3D complexas com mecânicas do mundo real, como física de máquinas de garra, timers e leaderboards.
    • Conexão com o mundo real: Construção de aplicativos que interagem com serviços externos, como o Google Maps, utilizando credenciais de API seguras.
    • Geração e catalogação de receitas: Organização e geração de receitas culinárias, com possibilidade de colaboração com amigos e familiares.

    O Google AI Studio está em constante evolução, com planos de integrar mais funcionalidades, como a conexão com o Google Workspace (Drive e Sheets), e a possibilidade de migrar aplicativos do AI Studio para o Google Antigravity com um único clique.