Anthropic refuta alegações de sabotagem em ferramentas de IA durante conflitos

Executivo da Anthropic em coletiva de imprensa falando sobre a segurança da IA Claude

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A empresa de inteligência artificial Anthropic veio a público, através de um documento judicial, refutar veementemente a possibilidade de manipular seu modelo de linguagem avançado, Claude, caso este seja operado pelas forças armadas dos Estados Unidos.

A declaração surge em resposta às alegações levantadas pela administração Trump, que suspeitava que a empresa pudesse interferir em suas ferramentas de IA durante cenários de guerra. Um executivo da Anthropic assegurou que a empresa jamais teve a capacidade de interromper o funcionamento do Claude, alterar sua funcionalidade ou influenciar operações militares.

Entenda o conflito entre Anthropic e o Pentágono

O Departamento de Defesa dos EUA tem mantido um embate com a Anthropic há meses, debatendo os limites de uso de sua tecnologia para a segurança nacional. Recentemente, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um risco na cadeia de suprimentos. Essa designação impede o Departamento de Defesa de utilizar softwares da empresa, mesmo através de contratados, nos próximos meses.

Diante dessa situação, a Anthropic protocolou duas ações judiciais contestando a constitucionalidade da proibição, buscando uma ordem de emergência para reverter a decisão. A controvérsia também já gerou cancelamentos de negócios por parte de clientes.

Alegações e refutação da Anthropic

O cerne da argumentação governamental reside no temor de que a Anthropic possa desestabilizar operações militares ativas, seja desativando o acesso ao Claude ou implementando atualizações prejudiciais. No entanto, Thiyagu Ramasamy, chefe de setor público da Anthropic, declarou em um documento judicial que a empresa não possui controle sobre o Claude após sua implementação.

Ramasamy detalhou que a Anthropic não dispõe de acesso para desativar a tecnologia ou modificar o comportamento do modelo durante operações em andamento. Ele afirmou categoricamente que a empresa não mantém nenhuma porta dos fundos ou um “kill switch” remoto. “O pessoal da Anthropic não pode, por exemplo, fazer login em um sistema do DoW para modificar ou desativar os modelos durante uma operação; a tecnologia simplesmente não funciona dessa maneira”, explicou.

Atualizações e acesso a dados sob escrutínio

A empresa também ressaltou que quaisquer atualizações futuras ao modelo Claude só seriam realizadas com a aprovação do governo e de seu provedor de nuvem. Adicionalmente, Ramasamy garantiu que a Anthropic não tem acesso aos prompts ou a quaisquer outros dados que os militares insiram no Claude, protegendo a confidencialidade das informações sensíveis.

Sarah Heck, chefe de política da Anthropic, reiterou em outro documento judicial que a empresa não tem interesse em exercer poder de veto sobre decisões táticas militares. A Anthropic chegou a propor um contrato garantindo essa posição, mas as negociações acabaram por não avançar.

Para evitar dúvidas, a licença [da Anthropic] não concede ou confere qualquer direito de controlar ou vetar a tomada de decisões operacionais legais do Departamento de Guerra.

Apesar dos impasses, o Departamento de Defesa informou, em documentos judiciais, que está adotando medidas adicionais para mitigar os riscos da cadeia de suprimentos, trabalhando com provedores de nuvem terceirizados para assegurar que a liderança da Anthropic não possa efetuar alterações unilaterais nos sistemas Claude existentes.

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