75% dos humanitários usam IA regularmente, mas integração organizacional é baixa

Profissionais humanitários utilizando IA em um ambiente de trabalho colaborativo.

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Setor humanitário adota IA individualmente, mas falha na integração organizacional

Uma pesquisa recente aponta um cenário paradoxal no setor humanitário: enquanto a adoção individual de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) dispara, a integração dessas tecnologias nas estruturas organizacionais permanece incipiente. Apesar de 75% dos profissionais humanitários utilizarem IA regularmente, seja diariamente ou semanalmente, uma pequena minoria, inferior a 10%, atua em organizações onde a IA é amplamente integrada.

Os dados, revelados por um briefing da Humanitarian Leadership Academy e do Data Friendly Space, indicam que essa disparidade, conhecida como o “paradoxo da IA humanitária”, está se aprofundando. A confiança dos praticantes nos benefícios da IA cresceu significativamente, levando a questionamentos sobre “como usar IA de forma segura e responsável”, em vez de “se devemos usar IA”. No entanto, a falta de políticas formais e de uma integração estrutural adequada levanta preocupações sobre o uso seguro e eficaz dessas ferramentas.

O avanço da IA no trabalho humanitário: confiança em alta, integração em baixa

A pesquisa de janeiro de 2026, que contou com 1.729 praticantes de mais de 120 países, é a primeira atualização de um estudo global realizado em 2025. Os resultados confirmam e intensificam o paradoxo observado anteriormente: a lacuna entre a prática individual e a prontidão organizacional continua a aumentar. Atualmente, 95% dos respondentes utilizam ferramentas de IA, um número expressivo que demonstra a aceitação da tecnologia no dia a dia do trabalho.

Um dos indicativos mais fortes dessa mudança é a percepção sobre os benefícios da IA. O percentual de profissionais que sentem que a IA melhorou sua eficiência operacional saltou para 65%, um aumento de 18% desde 2025. Além disso, 54% acreditam que a IA contribuiu para uma tomada de decisão mais eficaz. Essa crescente convicção sugere uma mudança de mentalidade dentro do setor.

Ferramentas avançadas e a necessidade de capacitação

Com o aumento da confiança, os profissionais humanitários estão experimentando ferramentas de IA mais sofisticadas. Cerca de três em cada dez respondentes relatam o uso de agentes de IA customizados, desenvolvidos em plataformas como Microsoft Copilot Studio ou via OpenAI API. Isso demonstra um interesse em explorar o potencial máximo dessas tecnologias para otimizar as operações humanitárias.

Contudo, a expertise em IA ainda é um recurso escasso. Apenas 3% dos participantes se consideram usuários especialistas, uma ligeira queda em relação a 2025. A maioria, dois terços da força de trabalho, continua em grande parte autodidata. As respostas abertas da pesquisa destacaram “treinamento” e “cursos online” como os termos mais comuns, sinalizando uma demanda clara por oportunidades de capacitação.

O futuro da IA no setor humanitário: governança e supervisão

Diante desse cenário, a pesquisa enfatiza a necessidade crítica de desenvolver oportunidades de qualificação, estabelecer governança organizacional robusta e implementar mecanismos de supervisão adequados. Embora a adoção individual seja alta, a falta de uma integração organizacional formal, com políticas claras sobre o uso de IA, representa um desafio significativo.

Menos de um quarto dos entrevistados indicou que sua organização possui uma política formal de IA. Essa ausência de diretrizes estruturadas pode comprometer a segurança, a ética e a eficácia do uso da IA no setor humanitário. Portanto, é fundamental que as organizações invistam em capacitação e na criação de marcos regulatórios internos para acompanhar o ritmo da inovação tecnológica e garantir que a IA sirva verdadeiramente aos objetivos humanitários.

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