Intel: Previsão fraca em meio a tensões comerciais, CEO busca parceria com TSMC

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Intel prevê segundo trimestre fraco e busca revitalizar inovação sob novo CEO

CEO da Intel, Lip-Bu Tan, anuncia plano de reestruturação e discute colaboração com a TSMC em meio a tensões comerciais e temores de recessão.

A **Intel**, gigante dos semicondutores, apresentou uma **previsão de receita e lucro para o segundo trimestre abaixo das expectativas de Wall Street**, marcando o primeiro balanço sob a liderança do novo CEO, **Lip-Bu Tan**. A divulgação ocorre em um cenário de **crescente guerra comercial entre os Estados Unidos e a China**, que gera incertezas significativas para o setor. Em paralelo, Tan revelou os primeiros passos de um plano ambicioso para **revitalizar a cultura de inovação da empresa**, incluindo um retorno obrigatório ao escritório por quatro dias semanais, a redução de reuniões internas e o corte de atividades administrativas consideradas desnecessárias, visando um **foco maior em engenharia**.

Impacto das tensões comerciais e aumento de estoques

O diretor financeiro da Intel, **David Zinsner**, explicou que o aumento nas vendas no primeiro trimestre foi impulsionado pelo receio dos clientes em relação às tarifas comerciais, levando-os a **aumentar seus estoques de chips da Intel**. No entanto, esse benefício temporário não pôde ser totalmente mensurado e a expectativa é que o **segundo trimestre sinta os efeitos desse fenômeno**, com uma potencial desaceleração. Zinsner alertou que as **políticas comerciais, especialmente nos EUA e em outros mercados, somadas aos riscos regulatórios, aumentaram a chance de uma desaceleração econômica, com a probabilidade de uma recessão crescendo**.

As incertezas geradas pelas tarifas, que podem chegar a **85% ou mais sobre semicondutores fabricados nos EUA pela China**, lançam uma sombra sobre as vendas da Intel em seu maior mercado. A China importa anualmente aproximadamente **US$ 10 bilhões em chips dos EUA**, sendo que cerca de **US$ 8 bilhões** correspondem a unidades centrais de processamento (CPUs) fabricadas pela própria Intel. Apesar de os EUA terem, por enquanto, isentado os chips das tarifas, a escalada de medidas protecionistas por parte da China representa um **risco considerável para as operações da empresa**.

Colaboração estratégica com a TSMC e planos de corte de custos

Em meio a esse cenário desafiador, o CEO **Lip-Bu Tan** revelou um movimento estratégico importante: sua recente reunião com o CEO da **Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC)**, **C.C. Wei**, e com o ex-CEO da TSMC, **Morris Chang**. O objetivo principal do encontro foi **identificar possíveis áreas de colaboração** e buscar criar uma situação mutuamente vantajosa para ambas as gigantes do setor de semicondutores. Essa aproximação pode indicar uma busca por otimizar a cadeia de suprimentos e garantir a produção de chips em um ambiente global cada vez mais complexo.

Paralelamente aos esforços de reestruturação e busca por novas parcerias, a Intel anunciou uma **redução em sua meta de despesas operacionais ajustadas**. Para 2025, o objetivo passou de US$ 17,5 bilhões para aproximadamente **US$ 17 bilhões**, com uma previsão para 2026 em torno de **US$ 16 bilhões**. Essa medida visa aprimorar a eficiência financeira da companhia. Tan também destacou que a empresa está **analisando sua infraestrutura fabril**, o que inclui o adiamento, anunciado em fevereiro, de um projeto de fábrica de US$ 28 bilhões em Ohio, previsto agora para 2030. A necessidade de **otimizar o uso da capacidade existente** antes de novos investimentos é um ponto crucial.

Demissões, apoio governamental e perspectivas futuras

Em um comunicado interno, Tan informou que **demissões começarão no segundo trimestre**, com foco na redução da burocracia interna e na diminuição do número e da duração das reuniões. Segundo o CEO, essas medidas, embora dolorosas, são **necessárias para posicionar a empresa de forma sustentável para o futuro**. A busca por maior agilidade e eficiência operacional é um dos pilares da nova gestão.

A Intel recebeu **US$ 1,1 bilhão em subvenções do governo dos EUA**, estabelecidas pelo CHIPS Act, um apoio governamental importante em meio às incertezas. No entanto, a previsão de gastos com investimentos de capital para 2025 permanece entre **US$ 8 bilhões e US$ 11 bilhões**, refletindo a cautela da empresa quanto ao cronograma de cumprimento dos compromissos governamentais e a volatilidade do cenário econômico.

Para o trimestre que se encerra em junho, a Intel espera uma receita entre **US$ 11,2 bilhões e US$ 12,4 bilhões**, um valor abaixo da média estimada pelos analistas de US$ 12,82 bilhões. O lucro ajustado por ação para o período deverá se igualar às expectativas, contrastando com a previsão de um lucro de 6 centavos por ação. As ações da companhia fecharam o pregão estendido com uma **queda de 5%**, mas as declarações sobre o plano de reestruturação ajudaram a conter as perdas iniciais.

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