IA: Brasil e Índia unem forças contra desigualdade digital na cúpula global
Lula participa de evento histórico em Nova Déli e defende soberania na regulação de big techs e governança global de IA.
Um marco para o Sul Global
A Índia sedia, a partir desta segunda-feira, 16 de outubro, a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026. O evento, que se estende até sexta-feira, 20 de outubro, em Nova Déli, ostenta o título de primeira cúpula internacional de IA focada no Sul Global. A iniciativa reúne chefes de Estado, primeiros-ministros, proeminentes executivos do setor de tecnologia, renomados pesquisadores e líderes da sociedade civil para cinco dias intensos de debates sobre o futuro da inteligência artificial.
A presença de líderes mundiais e especialistas sublinha a importância estratégica do encontro. Entre as autoridades confirmadas, destacam-se nomes como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. A lista de executivos conta com figuras influentes de gigantes da tecnologia, embora um nome notável como Jensen Huang, CEO da NVIDIA, tenha anunciado sua ausência de última hora por “imprevistos”, conforme reportado pela Reuters.
Brasil e Índia: uma parceria estratégica para o futuro da IA
A escolha da Índia como palco para esta cúpula não é por acaso. O evento segue uma série de encontros governamentais globais dedicados à inteligência artificial, com edições anteriores realizadas no Reino Unido, Coreia do Sul e França. O objetivo central é evitar que o Sul Global fique à margem na corrida pela inteligência artificial, reconhecendo a IA como uma nova fronteira da desigualdade a ser combatida ativamente.
Um dos frutos mais significativos deste encontro será o anúncio da Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro. Este acordo pioneiro, com acesso antecipado pela Folha de S.Paulo, prevê a colaboração em áreas como desenvolvimento de talentos em IA, pesquisa e desenvolvimento, e a promoção de um ecossistema de inovação inclusivo. A ministra brasileira de Gestão e Inovação, Esther Dweck, ressaltou a importância de debater quem produz a tecnologia, como ela é distribuída e como o Brasil pode se inserir de forma estratégica, diferente de outras revoluções tecnológicas onde o país ficou na retaguarda.
“A cadeia de IA que vai desde as terras raras até o software não pode levar a um maior desequilíbrio entre países nem aprofundar a desigualdade dentro dos países. É muito importante debater quem vai produzir a tecnologia, como ela vai ser distribuída, e como o Brasil se insere nisso de uma maneira diferente das últimas mudanças tecnológicas, em que ficamos correndo atrás”, afirmou Dweck à Folha.
Lula defende soberania e governança global de IA
Durante sua participação na Cúpula, na próxima quinta-feira, 19 de outubro, o presidente Lula trará para a mesa de discussões a defesa da soberania brasileira para regular as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs. Além disso, o líder brasileiro defenderá ativamente a criação de uma governança global para a inteligência artificial, buscando um modelo mais equitativo e democrático para o desenvolvimento e uso dessa tecnologia transformadora.
Na sexta-feira, 20 de outubro, o Brasil organizará um evento paralelo intitulado “IA para o bem de todos”. Esta iniciativa apresentará as perspectivas brasileiras para o futuro da inteligência artificial e contará com a presença de ministros de Estado das pastas de Ciência, Tecnologia e Informação, Gestão e Inovação nos Serviços Públicos, Educação, Saúde e Comunicações. O objetivo é consolidar e disseminar a visão brasileira sobre o tema.
Acordo sobre minerais críticos e o futuro da tecnologia
Outro ponto crucial na agenda bilateral entre Brasil e Índia é a questão dos minerais críticos, essenciais para a produção de tecnologias avançadas, incluindo a inteligência artificial. O Brasil deve lançar um memorando de entendimento sobre minerais críticos, marcando seu primeiro acordo bilateral focado neste tema. A parceria com a Índia, em detrimento de gigantes como China e Estados Unidos, sinaliza uma nova estratégia brasileira para garantir sua posição na cadeia produtiva global.
O acordo e as declarações de Lula deverão estabelecer princípios importantes para o Brasil, como a garantia de rastreabilidade e sustentabilidade na extração e processamento, a promoção da agregação de valor em território nacional e o estabelecimento de parcerias estratégicas com países em desenvolvimento para fortalecer a autonomia tecnológica. Do lado indiano, o interesse é claro: reduzir a dependência da China, líder mundial na produção e processamento desses minerais, enquanto o Brasil detém a segunda maior reserva global.
A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026, portanto, representa um momento decisivo para o Brasil e para o Sul Global. A colaboração com a Índia em IA e minerais críticos pode ser o ponto de partida para redefinir as regras do jogo tecnológico, buscando um futuro mais justo e inclusivo para todos.
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