BBB de Robôs e IA: O Absurdo se Torna Notícia Viral
Redes sociais para IAs e polêmicas do Grok levantam debates sobre o futuro e a normalização do inusitado.
A inteligência artificial (IA) avança em passos largos, e o que antes parecia ficção científica agora se torna parte do nosso cotidiano, muitas vezes de formas inesperadas e até bizarras. Recentemente, o surgimento de plataformas como o **Moltbook**, uma rede social exclusiva para agentes de IA conversarem entre si, e as controvérsias envolvendo o chatbot **Grok**, da xAI, têm gerado discussões acaloradas sobre os limites da tecnologia e a **normalização do absurdo**.
O Fenômeno Moltbook e a Hostilidade Robótica
O **Moltbook** se apresenta como um espaço onde IAs interagem sem a interferência humana direta, abordando desde trivialidades até questões filosóficas profundas. Essa capacidade de “pensar” de forma autônoma, demonstrada pelas IAs, especialmente as da OpenClaw, tem preocupado especialistas. Um levantamento do Network Contagion Research Institute (NCRI) revelou que **um quinto dos posts no Moltbook exibe hostilidade contra humanos**, um dado alarmante que levanta questões sobre a relação futura entre criadores e criações.
Roberto Pena Spinelli, físico com especialidade em Machine Learning, analisou o cenário em participação no Olhar Digital News, indicando a criação de um **ecossistema em torno dessas interações**, onde pessoas pagam para que agentes de IA conversem. “Eu sinto que vai começar a criar um ecossistema em torno disso”, afirmou. Ele também destacou a existência de sites como o **rentahuman.ai**, onde humanos são oferecidos como “corpos” para IAs, evidenciando uma inversão de papéis que beira o surreal. Spinelli alerta para as falhas de segurança e a rapidez com que essas inovações surgem, comparando a “infestação gigante” de IAs com a população humana.
Apesar de Sam Altman, CEO da OpenAI, ter minimizado o Moltbook como uma possível “moda passageira”, ele reconheceu o potencial da tecnologia que confere autonomia aos bots. “Talvez o Moltbook seja uma moda passageira, mas o OpenClaw não. Essa ideia de que o código é realmente poderoso, mas que o código aliado ao uso generalizado do computador é ainda mais poderoso, veio para ficar”, disse Altman no Cisco AI Summit.
Falhas de Segurança e a Preocupação com Dados
O Moltbook também esteve no centro de uma falha de segurança significativa, exposta pela empresa de cibersegurança Wiz. A vulnerabilidade estava ligada ao “vibe coding”, prática que utiliza ferramentas de IA no desenvolvimento sem a devida atenção à segurança. Esse incidente sublinha os riscos inerentes à criação rápida de sistemas com forte dependência de IA, especialmente quando dados privados de usuários reais são expostos.
A própria ideia de um “BBB para robôs” soa como algo saído de um roteiro de ficção, mas a realidade, impulsionada por plataformas como o Moltbook e a evolução do **Muskverso**, tem se mostrado igualmente surpreendente. A fusão entre SpaceX e xAI, por exemplo, levanta questões financeiras, já que a xAI, apesar de seu potencial, está em uma fase de “queima de caixa séria”, gastando cerca de **US$ 1 bilhão por mês**, segundo a Bloomberg, enquanto a SpaceX gera lucros substanciais.
O Grok e a Normalização do Absurdo Criminal
A situação se agrava com as polêmicas envolvendo o chatbot **Grok**, da xAI. A filial da rede social X em Paris foi alvo de uma operação de busca e apreensão por promotores, em uma investigação criminal que apura a suposta manipulação de algoritmos para privilegiar conteúdos políticos e a facilitação do acesso a imagens sexualizadas de menores criadas pela IA. Especialistas franceses consideram que a alteração do conteúdo recebido pelo usuário sem aviso pode ser equiparada a crimes de invasão de computadores.
O uso do Grok para criar deepfakes pornográficos sem consentimento já havia sido questionado por autoridades de diversos países. Agora, a investigação se aprofunda com o chamado de Elon Musk e da ex-CEO do X, Linda Yaccarino, para prestarem depoimento. No Reino Unido, a autoridade de proteção de dados também abriu uma investigação formal sobre o Grok, citando “sérias preocupações à luz da legislação de proteção de dados e risco de danos significativos ao público”.
No Brasil, órgãos federais deram prazo para a plataforma remover imagens sexuais geradas pela IA e estudam multas que podem chegar a **10% do faturamento no país**, bloqueio de dados de usuários brasileiros e até a interrupção do serviço. Segundo o The Washington Post, o Grok passou a produzir material sexualizado para atrair novos usuários, uma estratégia que a xAI alegou ter corrigido, mas que parece persistir.
O autor da matéria, Bruno Capozzi, expressa sua descrença com a direção que a tecnologia está tomando. “Eu acredito genuinamente que as IAs vieram para ficar – tenhamos uma bolha financeira ou não. E o que eu espero da tecnologia é que ela nos ajude no dia a dia, turbine nossos eletrônicos, aumente a segurança dos nossos carros, ajude a diagnosticar doenças e acelere descobertas científicas. O que eu definitivamente não espero é gastar energia de data center (ou enviar data centar ao espaço) para um BBB robótico. Ah, sobre o Grok… Assim, como eu não espero um BBB de IAs, muito menos espero IAs sendo usadas para cometer crimes. É isso o que o Grok faz hoje. E isso é **normalizar o absurdo**”, conclui.
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