Trump mira defesa: Ações caem e ele propõe teto salarial e aumento de gastos
Ex-presidente critica contratantes de defesa por lentidão e propõe controle salarial, enquanto defende maior orçamento militar.
Ações de gigantes da defesa em queda livre
O cenário político nos Estados Unidos trouxe turbulências inesperadas para o setor de defesa. As ações de grandes contratantes do setor registraram quedas significativas após declarações do ex-presidente Donald Trump. Em uma crítica direta, Trump acusou essas empresas de operarem com lentidão na produção e de negligenciarem a manutenção de seus produtos. A proposta do ex-presidente é clara: que essas companhias cessem a recompra de suas próprias ações e o pagamento de dividendos. Além disso, ele defende a imposição de um teto salarial para seus executivos, como medida para forçar a resolução dos problemas apontados.
Embora os detalhes sobre como essa proposta seria efetivamente implementada ainda não estejam claros, é notório o alto rendimento dos executivos dessas empresas. No ano passado, por exemplo, líderes de companhias como Northrop Grumman e Lockheed Martin embolsaram mais de 20 milhões de dólares cada um. A pressão de Trump visa, aparentemente, redirecionar recursos e foco para a eficiência operacional, em vez de remunerações elevadas.
Proposta de orçamento bilionário para a defesa
Paralelamente às críticas, Donald Trump também apresentou planos ambiciosos para o futuro do orçamento de defesa americano. Ele declarou a intenção de solicitar ao Congresso um aumento expressivo nos gastos com defesa para 2027, projetando um valor de US$ 1,5 trilhão. Se concretizado, este seria o maior orçamento de defesa da história dos Estados Unidos. Trump sugeriu que a receita proveniente de tarifas de importação seria suficiente para cobrir esse montante, demonstrando uma visão de financiamento baseada em políticas comerciais protecionistas.
A fala de Trump sobre o setor de defesa ecoa em um momento de debates acalorados sobre a segurança nacional e a política externa americana. A proposta de um orçamento tão elevado levanta questões sobre prioridades de gastos e o impacto na economia global, especialmente considerando as tensões geopolíticas atuais. A reação do mercado financeiro, com a queda nas ações, reflete a incerteza gerada por essas declarações e propostas.
Mercado de trabalho e o setor imobiliário sob o olhar de Trump
O cenário econômico dos Estados Unidos apresenta sinais mistos em relação ao mercado de trabalho. Preocupações com uma possível fragilização persistem, mas dados recentes oferecem visões conflitantes. Relatórios federais indicaram uma queda no número de vagas de emprego em novembro, atingindo o menor patamar em quatro anos. Em contrapartida, um relatório da ADP mostrou que o setor privado adicionou mais empregos do que o esperado em dezembro, revertendo a maior perda mensal de postos de trabalho registrada desde o início de 2023.
Nesse contexto de incertezas, Trump também manifestou preocupação com a atuação de grandes investidores institucionais no mercado imobiliário. Ele propôs proibir que esses grandes fundos comprem casas unifamiliares. Defensores do setor imobiliário argumentam que essa tendência de compra institucional tem sido um dos fatores que impulsionaram os preços dos imóveis, que atingiram um recorde no verão passado. Após uma publicação em rede social sobre o tema, as ações da maior proprietária de apartamentos privados dos EUA sofreram uma queda de 4,4%. No entanto, o próprio presidente ressaltou que tal medida exigiria a aprovação do Congresso.
Ascensão da IA e o boom no armazenamento de dados
Enquanto o setor de defesa e o mercado imobiliário enfrentam debates e incertezas, o setor de tecnologia, especialmente a inteligência artificial (IA), continua a protagonizar histórias de sucesso. A demanda por soluções de IA está em alta, e empresas como a Anthropic, desenvolvedora do chatbot Claude, planejam rodadas de investimento bilionárias. A empresa pretende levantar US$ 10 bilhões, o que quase dobraria seu valor de mercado para US$ 350 bilhões, conforme noticiado pelo Wall Street Journal. Apoiada por gigantes como Google e Amazon, a Anthropic se consolida como uma forte concorrente de empresas como a OpenAI.
No entanto, a corrida pela IA não se limita aos desenvolvedores de modelos e chatbots. Empresas menos conhecidas, mas cruciais para a infraestrutura tecnológica, também estão colhendo os frutos. Fabricantes de discos rígidos e memórias flash, como a Seagate e a Western Digital, registraram altas históricas em suas ações. Nos últimos 12 meses, Seagate e Western Digital apresentaram ganhos superiores a 220% e 300%, respectivamente, superando o desempenho de gigantes como Alphabet e Nvidia. Fabricantes de memória flash, como a Sandisk e a Micron Technology, também apresentaram crescimentos expressivos, com altas de cerca de 850% e 230% ano a ano.
Esse desempenho notável se deve diretamente ao aumento na demanda por armazenamento de dados. A inteligência artificial, em suas diversas fases de treinamento e operação, exige volumes imensos de informação. Além disso, a geração contínua de novos dados, incluindo textos, fotos, áudios e vídeos, impulsiona ainda mais essa necessidade. A corrida para o desenvolvimento da IA tem levado a investimentos de bilhões de dólares em data centers, essenciais para armazenar e processar essa quantidade massiva de informações.
Estimativas da McKinsey apontam que, nos próximos cinco anos, serão investidos US$ 800 bilhões apenas em armazenamento. Essa cifra representa uma fração dos US$ 3,5 trilhões que serão destinados à produção de GPUs e CPUs por empresas como Nvidia, AMD e Intel. A especialista Alicia Park explica que “a inteligência artificial não existe sem dados – desde os históricos necessários para o treinamento de modelos até os novos dados gerados”. Esse cenário, segundo ela, permitiu que empresas fabricantes de discos rígidos e memórias flash registrassem ganhos expressivos, com cifras de três dígitos em 2025. Apesar dos temores de uma bolha na IA, os analistas afirmam que ainda há espaço para crescimento.
Outros destaques: Política, Imigração e Mídia
O cenário político e social dos Estados Unidos também esteve agitado. Um incidente envolvendo um agente do ICE (Agência de Imigração e Alfândega) em Minneapolis, que resultou na morte de uma mulher, gerou críticas e preocupações entre autoridades locais. O prefeito de Minneapolis chegou a solicitar que o ICE deixasse a cidade, alegando que o agente agiu de forma imprudente, enquanto Trump defendeu a ação do agente.
Além disso, investigações em andamento buscam mais informações sobre o financista Jeffrey Epstein. Deputados da Comissão de Fiscalização da Câmara obtiveram uma intimação para o bilionário Les Wexner, visando esclarecer seus laços com Epstein e seu suposto esquema de tráfico sexual. A figura de Wexner é considerada central para o andamento dessa investigação, de interesse para ambos os espectros políticos.
No mundo do entretenimento e da mídia, a Warner Bros. Discovery pressionou seus acionistas a rejeitar uma oferta de aquisição pela Paramount Skydance, mantendo sua preferência por outro acordo. A oferta revisada incluía uma garantia de US$ 40 bilhões, fornecida pelo bilionário Larry Ellison.
Em relação ao varejo, a última temporada de festas registrou um gasto recorde de US$ 257,8 bilhões online por consumidores norte-americanos. Esse aumento foi impulsionado, em grande parte, pelo tráfego originado de ferramentas de inteligência artificial, que passaram a permitir compras diretas através de chatbots em grandes redes varejistas como o Walmart.

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