Uber encerra contrato de funcionários do Projeto Sandbox: demissões em IA

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Uber encerra contrato de funcionários após mudança de prioridades do cliente

A Uber cortou contratos de profissionais que trabalhavam no chamado Projeto Sandbox, uma iniciativa de treinamento em inteligência artificial para o Google, segundo apuração do Business Insider. Os contratos, oferecidos com a promessa de ao menos três meses de trabalho, foram interrompidos cerca de um mês após o início, com a justificativa de uma mudança nas prioridades internas do cliente.

Fontes ouvidas pelo portal estimam que cerca de 12 profissionais participaram do projeto, entre eles pesquisadores com doutorado. A notícia abriu questionamentos sobre a proteção de trabalhadores temporários em projetos de IA e sobre a transparência nos acordos com fornecedores e clientes.

Como funcionava o projeto

No escopo das atividades, os profissionais eram responsáveis por marcação de imagens e vídeos, além de revisar respostas geradas por sistemas de IA para avaliar sua correção e completude. Essas tarefas fazem parte do trabalho de curadoria e rotulagem que alimenta modelos de aprendizado de máquina, e costumam exigir conhecimento técnico e atenção criteriosa.

A remuneração informada no anúncio do trabalho variava entre US$ 55 (R$ 294,20) e US$ 110 (588,39) por hora. Em regime de 40 horas semanais, esses valores poderiam equivaler a até cerca de US$ 19.000 (R$ 101.631) mensais, segundo os números citados pela reportagem. Esses pagamentos elevam a expectativa dos profissionais contratados, e a interrupção abrupta gerou incerteza financeira para parte deles.

Reclamações, trâmites e pendências

Além da suspensão antecipada dos contratos, ex-colaboradores relatam que ainda aguardam orientações para devolver notebooks fornecidos pela Uber, e que alguns não receberam o primeiro pagamento. Uma fonte ouvida pelo Business Insider indicou que o salário poderá levar até sete semanas para ser liberado. A falta de previsibilidade no pagamento agrava o impacto da rescisão, sobretudo para contratos de curto prazo que já vinham com a expectativa de remuneração elevada.

Em comunicado compartilhado com os profissionais por e-mail, a empresa afirmou: “A Uber está empenhada em mantê-lo(a) em nossa rede e entrará em contato para quaisquer oportunidades futuras em que seu perfil seja adequado”. A mensagem sugere que os desligados ficarão no banco de talentos da companhia para eventuais vagas, mas não traz garantias temporais ou contratuais sobre novas contratações.

Perspectivas e repercussão no setor

A interrupção dos contratos levanta debate sobre como grandes empresas e fornecedores gerenciam equipes terceirizadas em projetos de alta demanda, como os de inteligência artificial. A estimativa de cerca de 12 profissionais, embora não confirmada oficialmente pela Uber, indica um impacto restrito em escala, mas simbólico em termos de práticas de trabalho em tecnologia.

Especialistas em tecnologia e mercado de trabalho destacam que contratos por projeto exigem cláusulas claras sobre duração mínima, compensação por rescisão antecipada e cronograma de pagamentos, especialmente quando envolvem equipamentos fornecidos pela empresa. A situação também reforça discussões sobre responsabilidades de clientes finais, neste caso o Google, nas decisões que afetam mão de obra contratada por parceiros.

Enquanto aguardam a resolução dos pagamentos e orientações para a devolução de equipamentos, os profissionais demitidos seguem na expectativa de novas oportunidades. A companhia, por ora, sinaliza interesse em manter o contato com esses perfis, mas sem cronograma definido. A história ilustra a volatilidade dos contratos no ecossistema de IA, e a necessidade de maior proteção e transparência para quem contribui com dados e trabalho operacional na construção de modelos de inteligência artificial.

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