Investidores celebram o avanço do Gemini 3 e das TPUs
As ações da Alphabet atingiram um novo recorde nesta quarta-feira (26), impulsionadas pelo crescente otimismo de Wall Street sobre o avanço do Google no setor de chips para inteligência artificial. O movimento no mercado reflete tanto a recepção ao modelo Gemini 3, quanto a expectativa sobre o uso comercial das Unidades de Processamento Tensor, as TPUs.
O rali ganhou força nas últimas semanas com notícias de negociações e parcerias, e com o lançamento do Gemini 3, que passou a ser visto como diferencial competitivo. Analistas e investidores avaliam que a combinação entre software — o novo modelo de IA — e hardware próprio pode reduzir dependências externas e abrir novas fontes de receita para a Alphabet.
Impulso do mercado e avanço das TPUs
O mês de novembro se tornou especialmente favorável para as ações da Alphabet: segundo os dados, as ações subiram cerca de 24% no período e acumulam avanço de quase 70% em 2025 — o maior entre as chamadas “Sete Magníficas”. Esse desempenho foi impulsionado por relatos de negociações com a Meta Platforms, que, conforme apurado pelo mercado, avalia investir bilhões na compra de chips TPU para seus data centers a partir de 2027. A empresa também pode passar a alugar capacidade de TPU do Google Cloud já no próximo ano.
Essas movimentações reforçam o interesse por alternativas aos chips tradicionais da Nvidia, especialmente em aplicações de larga escala em IA. A Alphabet acredita que a ampliação do uso comercial das TPUs pode gerar participação de até 10% da receita anual hoje conquistada pela Nvidia no setor de IA, uma projeção que alimenta a expectativa de crescimento da receita de serviços em nuvem e licenciamento.
Reação da Nvidia e dinâmica da competição
A disputa trouxe reação rápida da rival. A Nvidia respondeu à movimentação publicando uma nota na rede X, afirmando permanecer “uma geração à frente da indústria” e ressaltando que suas GPUs continuam sendo a plataforma mais versátil para treinar e executar qualquer modelo de IA em diferentes ambientes. A empresa destacou ainda vantagens como desempenho e flexibilidade superiores aos ASICs utilizados pela concorrência.
Apesar do embate retórico, especialistas apontam que a dinâmica do mercado está mais próxima de uma expansão simultânea do que de um vencedor absoluto. Segundo a Bernstein, a questão central é a alta demanda por computação, que deve permitir a expansão simultânea de diferentes tecnologias, o que diminuiria o risco de uma canibalização imediata entre GPUs e TPUs.
Gemini 3 como motor de confiança para investidores
Lançado em 17 de novembro, o modelo de IA Gemini 3 vem sendo apontado como um dos principais motores da alta das ações da Alphabet. O sistema alcançou 1501 Elo no ranking do LMArena e foi descrito como capaz de realizar “raciocínio em nível de doutorado”, avaliações que reforçaram a percepção de avanço técnico do ecossistema de IA do Google.
O modelo recebeu elogios públicos de líderes do setor, e a combinação do Gemini 3 com as TPUs tende a criar um ecossistema integrado, no qual o hardware é otimizado para rodar modelos desenvolvidos internamente. Para investidores, essa integração reduz custos de operação em larga escala e amplia a atratividade comercial dos serviços de nuvem da Alphabet.
Em suma, a alta das ações da Alphabet reflete uma soma de fatores: a recepção positiva ao Gemini 3, a expectativa por contratos corporativos envolvendo TPUs, e a confiança de que a demanda por computação em IA vai continuar crescendo. Pelo menos por enquanto, o mercado vê espaço para que tanto a Nvidia quanto a Alphabet ampliem seus negócios, cada qual explorando vantagens distintas em hardware e software para inteligência artificial.

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