Com US$ 253 bilhões em vendas online, IA no varejo disputa atenção dentro de chatbots
Grandes varejistas mudaram a estratégia digital para a temporada de festas, ao mirar não apenas anúncios tradicionais, mas a presença dentro de assistentes virtuais. Com as previsões de que US$ 253 bilhões serão movimentados em vendas online neste fim de ano, a corrida é ser encontrado por ferramentas de IA generativa, que os consumidores usam cada vez mais para buscar ideias de presentes, comparar preços e, em alguns casos, concluir compras.
O movimento mostra que IA no varejo deixou de ser um tema experimental e passou a integrar decisões de marketing e produto. Em vez de concentrar esforços apenas em Google e redes sociais, empresas agora disputam espaço dentro de chatbots como ChatGPT e Gemini, tentando influenciar jornadas de compra que começam com uma conversa com a IA.
Como os varejistas estão adaptando conteúdo para a IA
Um dos efeitos práticos dessa mudança é a produção massiva de conteúdo com foco em tornar produtos “visíveis” para modelos de linguagem. Segundo a Evertune.ai, marcas que antes publicavam poucos textos por mês agora chegam a produzir centenas, tentando tornar seus produtos mais “visíveis” para os modelos de linguagem. Essa estratégia inclui descrições otimizadas, transcrições de vídeos, textos de influenciadores e FAQs pensadas para serem lidas por algoritmos.
Não se trata apenas de volume, mas de formato. Conteúdos mais conversacionais, perguntas e respostas diretas, e trechos que respondam intenções de busca aumentam a chance de a IA recomendar um produto. Para muitos varejistas, investir em conteúdo adaptado à IA é uma forma de conquistar tráfego qualificado, que pode ter maior propensão a comprar.
Visitas modestas, valor na qualidade do tráfego
Apesar do foco, o impacto ainda é incipiente em termos de volume. Em outubro, as referências do ChatGPT representaram menos de 1% do tráfego de gigantes como Amazon e Walmart. Mesmo assim, empresas destacam a importância da qualidade desses visitantes, que chegam com intenções de compra mais definidas do que quem apenas clica em um anúncio genérico.
Marcas como Brooklinen intensificam parcerias com influenciadores para abastecer modelos com textos e transcrições, enquanto a R+Co compra anúncios baseados em perguntas feitas à assistente Alexa. Essas iniciativas mostram que a estratégia vai além da otimização de SEO tradicional, buscando posicionamento direto dentro da interação entre usuário e assistente virtual.
Plataformas ampliam recursos e a experiência de compra via chat
Os grandes provedores de tecnologia responderam ao movimento. Google e Amazon expandem recursos de IA voltados ao consumo, e redes como Walmart e Target já planejam apps que permitirão compras diretamente por chatbots. A possibilidade de concluir a jornada dentro da mesma interface que deu a recomendação reduz atritos, e cria um novo canal para conversão no varejo.
Para os varejistas, a aposta em IA no varejo também implica mudanças internas, como novas equipes, parcerias com criadores de conteúdo e ferramentas que convertem material multimídia em texto legível por modelos. Há ainda questões sobre transparência e controles para evitar recomendações enviesadas ou erradas.
Especialistas ressaltam que, mesmo com potencial, a estratégia exige paciência. O tráfego vindo de assistentes de IA é hoje limitado, mas bem segmentado. Marcas que investirem na produção de conteúdo consistente e na integração com plataformas conversacionais podem ganhar vantagem justamente quando o uso desses assistentes se tornar mais corriqueiro entre consumidores.
O movimento observado nos Estados Unidos deve inspirar varejistas no Brasil a testar formatos e medir resultados, com foco em conversas que transformem intenção em compra. A temporada de festas funciona como laboratório: quem acertar a interação com a IA pode colher ganhos em visibilidade e receita.
Reportagem baseada em matéria da Reuters. Informação adicional e contexto por Leandro Criscuolo.

Deixe um comentário