Inteligência Artificial e futuro do Judiciário marcam a abertura do 39º Encor
A cidade histórica de Diamantina, em Minas Gerais, foi palco da abertura do 39º Encontro de Capacitação da Corregedoria-Geral de Justiça (Encor) na quarta-feira, 18 de março de 2026. O evento, sob o tema “Inteligência Artificial e Tecnologia da Informação no âmbito do Poder Judiciário”, reúne magistrados de todo o estado para três dias de aprofundamento em temas jurídicos e gerenciais, com foco na modernização da Justiça mineira.
O corregedor-geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho, presidiu a solenidade, destacando a Inteligência Artificial (IA) como um divisor de águas para o futuro do Judiciário. O evento ressalta a importância da tecnologia para a otimização de processos e a busca por uma prestação jurisdicional mais eficiente.
Abertura em Diamantina e o legado de JK
A escolha de Diamantina para sediar o 39º Encor não foi aleatória. O corregedor-geral Estevão Lucchesi ressaltou a simbologia do local, especialmente no ano em que se recorda o cinquentenário de falecimento de Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK). Ele associou o espírito inovador de JK ao propósito do Encor de projetar o futuro por meio da IA.
“Recordar JK é recordar um País que acreditava em si mesmo. O Encor é este espaço privilegiado de diálogo que, nesta 39ª edição, projeta o futuro por meio da Inteligência Artificial (IA)”, declarou Lucchesi. Ele enfatizou que a IA é uma realidade indispensável para automatizar tarefas repetitivas e organizar dados, mas fez questão de esclarecer que o futuro não prevê a substituição de juízes por máquinas.
“O desafio é o letramento digital e humano. Somos o 2º maior tribunal do País, com 298 comarcas, e nossa prioridade absoluta é o 1º Grau, porta de entrada da cidadania”, complementou o corregedor-geral, reforçando o compromisso com a humanização e a acessibilidade da Justiça.
Gestão, união e resultados do TJMG
O presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, celebrou a união entre a Presidência, a Corregedoria e as Vice-Presidências como um marco da gestão 2024-2026. Ele apresentou um balanço positivo, destacando que em 2025 o TJMG conseguiu julgar mais processos do que o volume distribuído na 1ª Instância, mesmo diante do aumento da demanda.
“Nosso foco é a melhoria da prestação jurisdicional e a valorização de magistrados e servidores”, afirmou Corrêa Junior. O 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), desembargador Saulo Versiani Penna, ressaltou a modernização normativa da Escola Judicial, que fortaleceu a Ejef como pilar de capacitação.
A juíza Rosimere das Graças do Couto, presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), elogiou a gestão da Corregedoria por aproximar o órgão das comarcas e pela sensibilidade na escolha do tema do evento.
Cooperação e avanços tecnológicos
Durante a solenidade, foi assinado um termo de cessão do antigo prédio do Fórum Joaquim Felício para o município de Diamantina, um ato de cooperação institucional celebrado pelo presidente Corrêa Junior e pelo prefeito Geferson Burgarelli.
O primeiro painel do evento abordou o avanço tecnológico do TJMG, com destaque para a migração do Processo Judicial Eletrônico (PJe) para o sistema eproc, que já alcançou 163 comarcas. A juíza Mariana de Lima Andrade, responsável pela Diretoria Executiva de Tecnologia da Informação e Comunicação (Dirtec), apresentou investimentos em infraestrutura, como a substituição de computadores por notebooks de alta performance preparados para IA.
Ela mencionou a capacitação em modelos avançados de linguagem (Large Language Models ou LLMs) realizada pelo Laboratório de Inovação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (UAILab). A meta é que o eproc receba os processos cíveis de todas as comarcas do Estado até junho de 2026, visando maior agilidade e mobilidade.
O juiz digital e a segurança jurídica
O encerramento do primeiro dia do Encor contou com a palestra magna “O juiz digital, a segurança jurídica e a efetiva Justiça”, proferida pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José Afrânio Vilela. Ele compartilhou a experiência de redução significativa do acervo em seu gabinete no STJ, utilizando análise técnica e recursos de automação.
“Nenhuma IA tem a capacidade de sentir o problema humano ou ser fraterna. Precisamos de juízes que utilizem a IA como ferramenta e não como substituta. O futuro pertence a quem entende como usar a tecnologia sem perder a si mesmo.”
O ministro Vilela destacou que o uso de IA, aliado à automação e ao Código de Processo Civil (CPC), deve ser pensado para alcançar uma Justiça mais célere, com isonomia nas decisões e segurança jurídica. Ele ressaltou, contudo, a importância do cuidado no uso dessas ferramentas, reforçando que a tecnologia deve ser uma aliada do juiz, sem jamais substituir a sensibilidade e a fraternidade humanas.
