Tecnologia como aliada do médico: a visão da Rede Américas
O setor hospitalar brasileiro está em um momento de grande transformação, impulsionado por consolidação, escala, tecnologia e integração de serviços. Nesse cenário, a Rede Américas, criada em 2025 pela união entre Dasa e Amil, emerge como um player significativo. A rede busca integrar hospitais de alta complexidade em regiões estratégicas, com o objetivo de aprimorar a jornada do paciente, oferecer dados mais precisos para tomada de decisão e fortalecer a atuação de médicos referência.
Em entrevista ao Estadão Blue Studio Trends, o CEO da Rede Américas, Lício Cintra, detalha a estratégia por trás da formação da rede, os desafios de padronização clínica e o papel crucial da tecnologia e inteligência artificial (IA). Um ponto central da sua visão é claro: a tecnologia não substituirá o médico, mas sim servirá como uma ferramenta poderosa para aprimorar a prática médica.
A importância do paciente no centro do cuidado
Para Lício Cintra, a excelência em uma rede hospitalar vai além de indicadores clínicos e envolve uma percepção pública em constante evolução. Atualmente, a qualidade é definida pelo paciente no centro, cercado por uma equipe médica engajada e colaboradores com paixão por cuidar. O alinhamento a boas linhas de cuidado, protocolos e indicadores é fundamental para garantir essa entrega.
Padronização clínica: equilíbrio entre custo e autonomia
A padronização clínica é um dos pilares da Rede Américas, visando equilibrar o custo crescente da medicina com a qualidade assistencial. Ao padronizar processos, como a compra de medicamentos, a rede obtém maior poder de negociação e, consequentemente, uma melhor administração de custos. Essa padronização também se estende à prática médica, mas sempre com uma estrutura organizada para manter um diálogo vivo com os profissionais.
Cintra destaca que a padronização gera não apenas ganho de custo, mas também ganho assistencial significativo, ao permitir a comparação de indicadores e a melhoria contínua do atendimento.
Tecnologia e IA: ferramentas para uma medicina mais assertiva
A Rede Américas tem investido fortemente em tecnologia e IA como pilares estratégicos. Um exemplo notável é o Hospital 9 de Julho, pioneiro na América Latina em cirurgia robótica remota. Essa iniciativa demonstra o compromisso da rede em utilizar a tecnologia para oferecer uma assistência mais segura e eficaz.
“A tecnologia, seja inteligência artificial ou robô, não vai substituir o médico. É uma ferramenta para o médico exercer a medicina com mais qualidade, cometendo menos erros e com um nível de assertividade maior.”
A IA, em particular, tem um potencial imenso em áreas como análise de exames de imagem. Ao cruzar um vasto banco de dados de imagens, a tecnologia pode auxiliar os médicos na elaboração de laudos e na identificação de possíveis erros, elevando o nível de assertividade diagnóstica. A integração de sistemas que enviam dados para a nuvem para análise e devolvem resultados é uma transformação que abrange diversas frentes onde o dado é valioso.
Crescimento estruturado e sustentável
A expansão e o aumento da capilaridade do atendimento são desafios centrais para a Rede Américas. Cintra defende um crescimento organizado, focado em regiões densas e polos de alta complexidade médica. A prioridade é “deixar esse processo muito redondo”, garantindo a sustentação dos padrões e processos antes de uma expansão acelerada.
A integração de dados é vista como o primeiro passo para uma melhor tomada de decisão e para dar sustentação à maturidade dos processos. Essa abordagem estruturada visa evitar o erro comum de crescer muito rápido e depois ter que frear, assegurando uma expansão mais sólida e sustentável.
