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  • Índia desenvolve ferramentas de IA para prever nascimentos prematuros

    Índia desenvolve ferramentas de IA para prever nascimentos prematuros

    Índia desenvolve ferramentas de IA para prever nascimentos prematuros

    A Índia está na vanguarda do desenvolvimento de ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA) com o objetivo de aprimorar a previsão de nascimentos prematuros. O Ministro da Ciência e Tecnologia, Jitendra Singh, anunciou que esses modelos estão sendo criados para determinar a idade gestacional, com foco específico na população indiana. Essa iniciativa promete revolucionar o cuidado com a saúde materna e infantil no país.

    As novas tecnologias não se limitam apenas à data prevista para o parto. Elas são capazes de identificar marcadores genéticos e indicadores do microbioma que estão associados a um maior risco de prematuridade. A pesquisa faz parte de um programa governamental ambicioso e já conta com a participação de aproximadamente 12.000 gestantes, tornando-se um dos maiores estudos do gênero na América do Sul.

    Abordagem integrada para previsão personalizada

    Jitendra Singh destacou que o programa adota uma abordagem multifacetada, integrando epidemiologia clínica, biomarcadores multi-ômicos e inteligência artificial. Essa combinação visa oferecer uma previsão personalizada dos riscos de nascimento prematuro. Para dar suporte a essa pesquisa, foi estabelecida uma base de dados robusta, que inclui mais de 1,6 milhão de amostras biológicas e mais de um milhão de imagens de ultrassonografia.

    Complementando a infraestrutura de dados, uma plataforma de compartilhamento foi lançada para disponibilizar os recursos necessários à comunidade científica. Essa iniciativa reflete um esforço nacional maior, conectando o avanço científico ao desenvolvimento de longo prazo do país. Segundo o ministro, a bioeconomia indiana teve um crescimento notável, saltando de cerca de US$ 10 bilhões em 2014 para aproximadamente US$ 195 bilhões, com projeção de atingir US$ 300 bilhões até 2030.

    O ministro ressaltou ainda que a Índia está conquistando reconhecimento global por seus progressos em cuidados preventivos e primários de saúde, além de suas inovações domésticas. As ferramentas de IA para prever nascimentos prematuros são um exemplo concreto desse avanço, com potencial para salvar vidas e melhorar significativamente os resultados de saúde para mães e bebês.

  • Inteligência artificial identifica dor em bebês e pode auxiliar decisões médicas em UTI neonatal

    Inteligência artificial identifica dor em bebês e pode auxiliar decisões médicas em UTI neonatal

    Um avanço significativo na neonatologia foi anunciado por engenheiros do Centro Universitário FEI e pediatras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): o desenvolvimento de uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar o nível de dor em recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Esta tecnologia utiliza modelos multimodais de linguagem e visão para interpretar as expressões faciais dos bebês com mais precisão, reduzindo a subjetividade na avaliação e apoiando decisões médicas cruciais.

    A inovação surge como uma resposta à dificuldade de avaliar a dor em bebês que não podem se comunicar verbalmente, dependendo totalmente da observação. Em um ambiente de UTI neonatal, onde um recém-nascido pode ser submetido a até 13 procedimentos dolorosos diariamente, como punções e cirurgias, uma avaliação objetiva é fundamental para garantir o bem-estar e evitar sequelas duradouras.

    Nova ferramenta transforma avaliação da dor em recém-nascidos

    A tecnologia desenvolvida pela FEI e Unifesp, com financiamento da FAPESP, integra imagens e textos para analisar as expressões faciais dos pequenos pacientes. A professora de pediatria neonatal da Unifesp e coordenadora-geral da UTI Neonatal do Hospital São Paulo, Ruth Guinsburg, destaca a importância da ferramenta.

    “Como a dor é um fenômeno subjetivo e o bebê ainda não consegue se comunicar verbalmente, ele depende essencialmente da observação de terceiros. Em UTIs neonatais, utilizamos escalas de dor, mas elas são muito subjetivas. As interpretações podem variar conforme o estado emocional de quem o observa, já que um médico, um enfermeiro ou uma mãe mais angustiada podem ter percepções diferentes. Nesse contexto, a ferramenta de inteligência artificial pode ajudar a reduzir essa subjetividade e apoiar a tomada de decisões clínicas.”

    Publicada na revista Pediatric Research, a pesquisa demonstrou que o sistema de inteligência artificial supera as técnicas tradicionais de deep learning na identificação de estados de dor e conforto. Um dos grandes diferenciais é que o modelo não necessita ser treinado separadamente para cada tarefa, ampliando sua aplicabilidade clínica.

    Segundo Carlos Eduardo Thomaz, professor da FEI, isso se deve à utilização de modelos de linguagem multimodais pré-treinados, como ChatGPT e Gemini, que conseguem resolver tarefas médicas específicas com maior rapidez e eficiência, sem a necessidade de bancos de dados enormes e pré-processamento complexo de imagens, como era comum em modelos clássicos de machine learning.

    A urgência de uma avaliação precisa

    A Dra. Guinsburg ressalta que as intervenções médicas em UTIs neonatais, embora vitais, causam dor. Portanto, é crucial equilibrar a necessidade clínica com o sofrimento do bebê. Historicamente, até os anos 1990, acreditava-se erroneamente que recém-nascidos não sentiam dor devido à imaturidade neurológica. Hoje, sabe-se o oposto: justamente por serem neurologicamente imaturos, eles são mais vulneráveis aos efeitos adversos dos estímulos dolorosos.

    A dor mal gerenciada pode deixar sequelas duradouras, e no cérebro em desenvolvimento, tanto a dor não tratada quanto o excesso de medicação podem ser neurotóxicos. O desafio, portanto, é tratar a dor quando ela existe e suspender a medicação quando cessa, buscando o equilíbrio ideal.

    O futuro da monitorização e tratamento da dor neonatal

    Os pesquisadores têm grandes expectativas para o futuro da ferramenta. A inteligência artificial poderá atuar como um monitor de dor em tempo real, emitindo alertas ao lado de dispositivos cardíacos e respiratórios. Além disso, a tecnologia poderá apoiar prescrições mais seguras de analgésicos, transformando sinais subjetivos em parâmetros objetivos e funcionando como um “fiel da balança” na avaliação clínica.

    Lucas Pereira Carlini, engenheiro da equipe, enfatiza que o impacto da IA vai além da performance técnica. Para ele, o que cada ponto percentual de acerto representa para um bebê é o que realmente importa. A pesquisa completa, intitulada “Is this neonate feeling pain? Leveraging clinical knowledge towards high-precision Large Language Model-based neonatal pain assessment”, pode ser acessada para detalhes adicionais.

    Em 2026, esta ferramenta representa um marco na medicina neonatal, prometendo uma abordagem mais humanizada e eficaz no tratamento da dor em pacientes tão vulneráveis. A capacidade da IA de oferecer uma avaliação objetiva e contínua é um passo decisivo para melhorar a qualidade de vida e o prognóstico de milhares de recém-nascidos em UTIs ao redor do mundo.