Inteligência artificial cria fraudes milionárias; entrevista exclusiva no SXSW explica
As fraudes digitais impulsionadas pela Inteligência Artificial (IA) dispararam mais de 1000% em 2025, um crescimento alarmante que reflete a democratização e o avanço rápido dessas tecnologias. Em uma conversa exclusiva no SXSW 2026, em Austin (EUA), o analista de negócios Guilherme Ravache obteve insights valiosos com Davi Reis, da Unico, sobre como os deepfakes se tornaram uma ameaça direta a bancos e sistemas financeiros, e como soluções inovadoras como a prova de vida surgem como contramedidas essenciais.
A acessibilidade e a sofisticação aprimorada das ferramentas de IA são os principais motores por trás desse aumento expressivo. O que antes exigia conhecimento técnico avançado, hoje está ao alcance de um número muito maior de pessoas, permitindo a criação de golpes cada vez mais elaborados e convincentes.
O impacto dos deepfakes no setor financeiro
Os deepfakes deixaram de ser uma preocupação hipotética para se tornarem uma realidade com impacto direto na segurança de usuários e na integridade de sistemas financeiros. Ferramentas antes voltadas para o entretenimento, como as oferecidas pelo Google e o ChatGPT, agora são exploradas por criminosos para aplicar fraudes sofisticadas.
“A mesma tecnologia que é usada pra gente rir também pode ser usada por um fraudador para atacar o sistema financeiro”, afirma Davi Reis.
A capacidade de replicar rostos e criar vídeos falsos extremamente realistas coloca em risco os métodos tradicionais de autenticação, incluindo sistemas de reconhecimento facial. A engenharia social se intensifica, permitindo que criminosos se passem por qualquer pessoa, ampliando o leque de golpes possíveis.
A tecnologia como defesa contra si mesma
Diante deste cenário desafiador, empresas de tecnologia estão investindo massivamente em soluções de segurança mais robustas. A prova de vida, tecnologia central da Unico, destaca-se nesse contexto. O sistema é projetado para verificar a autenticidade de uma pessoa em tempo real, garantindo que não se trata de uma imagem ou vídeo manipulado.
A corrida armamentista entre fraudadores e defensores da segurança digital é uma constante. Davi Reis enfatiza que a solução para combater as ameaças criadas pela própria tecnologia reside em usar a tecnologia de forma inteligente.
“Esse mundo de ficção científica chegou aqui para nós agora e a gente precisa da tecnologia exatamente para combater e controlar a tecnologia”, afirma Davi.
Riscos além do setor financeiro
Embora o setor financeiro seja um dos alvos mais evidentes, o uso de deepfakes transcende as fraudes bancárias. A capacidade de criar vídeos falsos convincentes pode abalar relações pessoais e sociais, enganando até mesmo familiares e amigos, o que demonstra a amplitude dos desafios impostos pela nova era digital.
