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  • Oscar 2026: as regras para Inteligência Artificial e o valor do analógico

    Oscar 2026: as regras para Inteligência Artificial e o valor do analógico

    O Oscar 2026 marca um momento histórico ao apresentar as primeiras regras oficiais da Academia sobre o uso de Inteligência Artificial generativa. Esta edição define um novo panorama para a indústria cinematográfica, enfatizando que o mérito artístico permanece centrado na autoria criativa humana, independentemente do auxílio tecnológico.

    Em um contraponto fascinante, a valorização do artesanal e do analógico também ganha destaque, celebrando a imperfeição e a materialidade no processo de criação.

    A academia e as novas diretrizes para a ia

    A discussão sobre a IA no cinema não é recente, mas ganhou força na temporada anterior ao Oscar 2026. Ferramentas como o Respeecher, um gerador de voz baseado em IA, foram utilizadas em produções notáveis.

    Em “O brutalista” (2024), por exemplo, a tecnologia aprimorou o sotaque húngaro de Adrien Brody e Felicity Jones. Já em “Emilia Pérez” (2024), a IA auxiliou Karla Sofía Gascón a manter o tom ideal nas músicas.

    A resposta da Academia veio para clarificar seu posicionamento, conforme detalhado em artigo do Estado de Minas Oscar 2026: as regras para Inteligência Artificial e o valor do analógico. A regra é clara: a IA não confere mérito adicional nem o prejudica. O julgamento será focado no grau de envolvimento humano na autoria criativa.

    O resgate do analógico nas produções de 2025/2026

    Enquanto a tecnologia avança, observa-se também um movimento crescente de valorização do artesanal. Este fenômeno reflete-se na escolha de cineastas por métodos de produção que resgatam a essência e a materialidade.

    “Pecadores”: a textura real da película e os efeitos práticos

    O filme “Pecadores” (2025), de Ryan Coogler, é um exemplo notável dessa tendência. Coogler optou por rodar a produção em película de 65mm, buscando aquela textura granulada que a alta definição não consegue replicar.

    Nos efeitos especiais, a escolha foi pelo físico: maquiagem, próteses e lentes de contato reais foram usadas para criar o brilho nos olhos dos vilões. O esforço humano também se manifesta no suor de Michael B. Jordan, resultado de takes reais nos pântanos da Louisiana, exigindo presença e autenticidade.

    “O agente secreto”: uma imersão no passado pré-algoritmo

    Outro destaque é “O agente secreto” (2025), de Kleber Mendonça Filho. Ambientado no Recife de 1977, o filme transporta o espectador para um mundo de arquivos de papel, orelhões e vigilância analógica. A tensão do personagem de Wagner Moura não deriva de efeitos de alta tecnologia, mas da materialidade física de uma era pré-algoritmo.

    Da ilusão ao encantamento: méliès e a perfeição digital

    A reflexão sobre a tecnologia no cinema remonta aos primórdios da sétima arte. Mestres como Georges Méliès, considerado o pai dos efeitos especiais, utilizavam truques para encantar e surpreender a plateia, criando um mundo onde o impossível se tornava possível.

    A intenção era provocar encantamento, não enganar. A história de Méliès é parcialmente retratada em “A invenção de Hugo Cabret” (2011), um filme que vale a pena conferir.

    Hoje, a Inteligência Artificial muitas vezes aponta para um caminho oposto: um perfeccionismo exagerado. Essa busca por uma assepsia digital, que “limpa” a realidade ao remover rugas, notas fora do tom ou imprevistos, pode afastar o espectador do real. Quando a imagem atinge uma perfeição excessiva, ela corre o risco de se tornar uma ilusão, perdendo a capacidade de realmente encantar.

    Conclusão

    Em um cenário onde a otimização digital é onipresente, a pergunta fundamental persiste: onde escolhemos manter o analógico? A resposta pode residir na coragem de ser imperfeito, valorizando o esforço, o grão da película e a voz que oscila.

    Reconhecer a beleza no erro e no processo, por vezes tortuoso, até o acerto, ainda é um território inerentemente humano. Sentir a jornada, com todas as suas texturas e falhas, continua sendo uma experiência que somente a vivência humana é capaz de processar plenamente.

  • Empresa de inteligência artificial de Ben Affleck é vendida para a Netflix

    Empresa de inteligência artificial de Ben Affleck é vendida para a Netflix

    Netflix adquire empresa de inteligência artificial de Ben Affleck

    A Netflix anunciou a aquisição da InterPositive, empresa de inteligência artificial focada em produção audiovisual, fundada pelo ator e diretor Ben Affleck. A negociação, oficializada após anúncio da plataforma na quinta-feira, visa impulsionar a inovação no setor, mantendo o foco na criatividade humana.

    Ben Affleck permanecerá na companhia, atuando como consultor sênior. A aquisição representa um passo significativo da Netflix para integrar tecnologias avançadas em seus processos de produção, com a InterPositive prometendo ferramentas que apoiam e não substituem a visão dos criadores.

    InterPositive: inovação com controle criativo

    A tecnologia desenvolvida pela InterPositive foi criada com o propósito de preservar o controle criativo dos cineastas e showrunners. A diretora de produtos e tecnologia da Netflix, Elizabeth Stone, destacou o alinhamento de valores: “A equipe da InterPositive está se juntando à Netflix devido à nossa crença compartilhada de que a inovação deve capacitar os contadores de histórias, e não substituí-los”.

    Stone complementou, afirmando que a tecnologia da InterPositive é “impressionante” e foi desenvolvida especificamente para oferecer aos profissionais ferramentas que apoiem suas visões criativas e a forma como desejam dar vida a elas. Isso ressalta o compromisso da plataforma em utilizar a IA como um complemento ao talento humano.

    Tecnologia desenvolvida com foco em técnicas de filmagem

    Ben Affleck explicou que a InterPositive desenvolve ferramentas de IA que asseguram a manutenção da intenção criativa original no processo de produção de filmes. O diretor revelou ter treinado o primeiro modelo da empresa em um estúdio de gravação controlado, com o objetivo de mapear e capturar o fluxo de trabalho de uma produção cinematográfica.

    “Os resultados desse trabalho fundamental foram conjuntos de dados e modelos deliberadamente menores, focados em técnicas de filmagem, e não em atuações, criando ferramentas que os artistas podem usar, controlar e das quais podem tirar proveito”, declarou Affleck. Essa abordagem demonstra um cuidado particular em criar soluções que sejam úteis e controláveis pelos próprios artistas, alinhado com a filosofia de que a tecnologia deve servir à arte.

  • Festival em SP exibe 38 filmes realizados com inteligência artificial

    Festival em SP exibe 38 filmes realizados com inteligência artificial

    Em São Paulo, o Festival Mundial de Cinema com Inteligência Artificial (WAIFF 2026) exibirá 38 filmes que foram realizados com o auxílio de ao menos três ferramentas de inteligência artificial. O evento, que acontece nos dias 27 e 28 de fevereiro, busca ampliar a discussão sobre o papel crescente da tecnologia no mercado audiovisual. A iniciativa propõe a reflexão sobre as transformações em curso na indústria cinematográfica.

    A programação do festival vai além das exibições, incluindo também painéis, palestras, workshops e rodadas de negócios, todos com um foco central nas implicações da IA. Os 38 filmes finalistas serão apresentados em diferentes gêneros, como animação, ação, emoção, fantasia e documentário, demonstrando a versatilidade das ferramentas de criação digital.

    A inteligência artificial invade o território da criação

    O avanço da inteligência artificial no cinema representa não apenas uma mudança de ferramenta, mas de paradigma. Diferentemente de transformações anteriores, como a chegada do som, da cor ou do digital, que foram essencialmente técnicas, a IA agora atua diretamente no campo da criação. Ela não se limita a executar tarefas, mas também sugere, reorganiza, simula e aprende padrões, alterando fundamentalmente o processo de produção cinematográfica.

    “Vejo a ferramenta como algo que pode ajudar a viabilizar projetos. Se a pessoa está fazendo um filme cuja trama se passa no Japão dos anos 1940, como recriar esse contexto? É muito complexo. Nesse caso, acredito que a pessoa pode assumir uma linguagem específica para esse recorte e contar, nessa parte, com inteligência artificial”, afirma Carlos Guedes, diretor do festival.

    Democratização e polêmicas da IA no cinema

    Defensores da inteligência artificial enxergam na tecnologia uma oportunidade de democratização sem precedentes. Realizadores independentes podem agora gerar cenários complexos, testar movimentos de câmera e estruturar pré-visualizações que antes demandavam equipes extensas e orçamentos elevados. No entanto, a origem dos vastos bancos de dados utilizados para treinar esses modelos nem sempre é transparente, levantando questionamentos sobre apropriação de estilos e autoria.

    A questão ética surge quando estilos são assimilados, replicados e recombinados pelos algoritmos. Surge a polêmica: onde termina a referência e onde começa a apropriação? E, fundamentalmente, quem detém a autoria quando uma parte significativa do processo criativo é realizada por um sistema algorítmico?

    Preocupações e o futuro do trabalho no audiovisual

    Críticos apontam um risco na padronização estética, onde ferramentas amplamente utilizadas podem gerar imagens com paletas e composições reconhecíveis e similares. Essa preocupação se estende para além da área trabalhista, tocando também em aspectos simbólicos e criativos. Carlos Guedes ressalta que, embora haja apreensão sobre a perda de empregos, estudos indicam a criação de novas funções ainda inexistentes como consequência da IA.

    O debate sobre o papel da inteligência artificial no cinema está apenas em seus estágios iniciais. O objetivo do festival é justamente promover essa discussão, buscando entender como a tecnologia pode se integrar ao processo criativo sem comprometer a originalidade e os direitos autorais, explorando as novas possibilidades estéticas e narrativas que ela oferece.

    O WAIFF 2026 acontece na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, nos dias 27 e 28 de fevereiro, das 9h30 às 17h. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.