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    Parlamento Europeu deve gerenciar IA embarcada, não desativá-la

    Parlamento Europeu desativa IA embarcada por receios de segurança

    O Parlamento Europeu tomou a decisão de desativar recursos de inteligência artificial (IA) embarcada em tablets e telefones corporativos fornecidos a membros (MEPs) e funcionários. A justificativa apresentada gira em torno de preocupações de que os dados enviados para serviços de nuvem por essas funcionalidades representem um risco de segurança.

    No entanto, essa medida é vista como equivocada, pois não aborda efetivamente os riscos de segurança, em vez disso, empurra o uso da IA para a informalidade e impõe custos desproporcionais às delegações menores. Este artigo explorará os motivos pelos quais o Parlamento Europeu deveria repensar essa política e adotar uma abordagem de gerenciamento em vez de desativação.

    Por que desativar a IA embarcada é uma abordagem falha

    A decisão de bloquear as funcionalidades de IA embarcada ignora caminhos mais eficazes e seguros para lidar com a tecnologia. Há pelo menos quatro razões principais pelas quais o Parlamento Europeu deveria reconsiderar sua posição.

    1. Ignora o arcabouço de avaliação de segurança existente

    Em vez de aplicar os protocolos de segurança já estabelecidos pela União Europeia, o Parlamento optou por contorná-los. Existe um sistema baseado em risco para avaliar serviços de nuvem, que analisa salvaguardas, controles de conformidade e padrões técnicos.

    Acordos de processamento de dados, certificações de segurança e auditorias de fornecedores são mecanismos estruturados para verificar a segurança. O Código de Conduta para Serviços de Nuvem da UE, endossado pelo Comitê Europeu de Proteção de Dados, e o Esquema de Certificação de Serviços em Nuvem da Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) são exemplos de frameworks que já lidam com a conformidade e segurança de dados sensíveis. A questão relevante é se um serviço atende aos benchmarks de segurança estabelecidos, e não se ele incorpora IA.

    2. Empurra o uso da IA para fora do controle institucional

    Restringir ferramentas de IA embarcada nos dispositivos corporativos não impede seu uso. Pelo contrário, direciona essa utilização para dispositivos pessoais e aplicativos de terceiros, fora de qualquer supervisão institucional. Isso troca um risco gerenciável e auditable por um risco invisível.

    Um estudo recente, o Public Sector AI Adoption Index, do Center for Data Innovation, revelou que quando agências governamentais não fornecem ferramentas de IA a seus trabalhadores, funcionários públicos entusiastas acabam utilizando a tecnologia sem o conhecimento de seus empregadores.

    3. Ampla gama de funcionalidades afetadas

    Exigências para evitar recursos de IA que escaneiam ou analisam dados podem, inadvertidamente, incluir uma variedade de ferramentas comuns. Isso pode abranger desde ferramentas de correção ortográfica e gramatical até sugestões de texto preditivo e recursos de acessibilidade.

    Os desenvolvedores modernos criam aplicações empresariais para operar em ambientes de nuvem. Desativar essas funcionalidades de IA limita fundamentalmente o que essas aplicações podem oferecer, impactando a produtividade diária.

    4. Custos reais e impacto na produtividade

    Essas restrições geram custos tangíveis. O Parlamento Europeu opera em 24 idiomas oficiais, com 552 combinações linguísticas possíveis. Assistentes de escrita e tradução baseados em IA são multiplicadores de força nesses cenários.

    Grupos e delegações com recursos bem-dotados podem absorver mais facilmente a perda dessas ferramentas, mas delegações menores, com menos pessoal, enfrentam dificuldades maiores. Um banimento generalizado de recursos de IA não afeta apenas a produtividade interna; ele degrada a velocidade e a qualidade do serviço prestado ao público.

    Cidadãos que contatam seus representantes esperam uma resposta oportuna e substancial; eles não se importam com os meios pelos quais o documento foi redigido.

    Um precedente preocupante

    Se o passado serve de guia, as restrições do Parlamento Europeu às ferramentas de IA embarcada podem não ser temporárias. Em 2023, a instituição baniu o TikTok de dispositivos de funcionários por preocupações de segurança semelhantes, e essa proibição permanece em vigor.

    O risco é que essa restrição se torne uma exclusão permanente, em vez de um catalisador para o desenvolvimento e implementação de medidas de mitigação de riscos. O Parlamento Europeu deveria reverter essa política imediatamente.

    Gerenciar, não desativar: o caminho a seguir

    Ao desativar recursos de IA embarcada, o Parlamento Europeu sinaliza para todos os órgãos do setor público na Europa, bem como para consumidores e empresas, que a melhor opção é desligar a IA em vez de gerenciá-la responsavelmente. É difícil defender a inovação em IA de forma crível enquanto se desliga essa tecnologia dentro da própria instituição que ajudou a criar as regras para ela.

    Em vez de uma proibição, o caminho a ser seguido é o de um gerenciamento inteligente e baseado em risco, aplicando os frameworks de segurança existentes e garantindo que a IA seja utilizada de forma segura e produtiva.