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  • ‘AI washing’: Como a inteligência artificial se tornou bode expiatório para layoffs

    ‘AI washing’: Como a inteligência artificial se tornou bode expiatório para layoffs

    ‘AI washing’: Como a inteligência artificial se tornou bode expiatório para layoffs

    Em 2026, a inteligência artificial (IA) assumiu uma nova função no mundo corporativo: a de justificar demissões. Empresas têm recorrido ao discurso de que a IA é a razão por trás dos cortes de pessoal, uma estratégia que o CEO da OpenAI, Sam Altman, já classificou como “AI washing”. A prática consiste em atribuir reduções de quadro a avanços tecnológicos, quando, na realidade, as demissões poderiam ter ocorrido por outros motivos, como reestruturação ou dificuldades financeiras.

    A Block, empresa de fintech, exemplifica essa tendência ao anunciar um corte de 40% em sua força de trabalho, com seu CEO, Jack Dorsey, atribuindo a decisão à IA. Essa narrativa visa apresentar os cortes como uma medida proativa de adaptação e crescimento, em vez de uma resposta a problemas financeiros. Dados, contudo, sugerem uma realidade distinta, onde a tecnologia ainda não é o principal motor por trás dessas decisões.

    O poder da narrativa no mercado financeiro

    Décadas de pesquisa indicam que investidores reagem de forma diferente a anúncios de demissões. Quando cortes são apresentados como consequência de problemas, as empresas tendem a ser penalizadas. Em contrapartida, demissões enquadradas como parte de uma reestruturação proativa, especialmente em torno de novas tecnologias como a IA, são vistas de forma mais favorável.

    A crença no potencial da IA, mesmo sem comprovação concreta em muitos casos, oferece um poderoso enquadramento. Anúncios como “estamos nos reestruturando em torno da IA” sinalizam crescimento, enquanto “contratamos em excesso durante a pandemia” indica a necessidade de assumir responsabilidades. Essa distinção é crucial em um mercado que valoriza histórias de adoção tecnológica.

    Dados revelam a discrepância

    Apesar do discurso corporativo, os números frequentemente contam outra história. Uma pesquisa do site Resume.org com mil gerentes de RH indicou que 59% usam a IA como justificativa para demissões por ser uma visão mais favorável às partes interessadas. No entanto, apenas 9% afirmaram que a IA de fato substituiu alguma função integralmente. A tecnologia, neste contexto, torna-se um véu para a gestão de pessoal.

    Um estudo do National Bureau of Economic Research, que entrevistou milhares de executivos nos EUA, Reino Unido, Alemanha e Austrália, reforça essa discrepância. Quase 90% dos executivos afirmaram que a IA não teve impacto no emprego nos últimos três anos. Dados da Challenger, Gray & Christmas registraram 1,2 milhão de demissões em 2025, com a IA citada em menos de 55 mil casos (4,5%). As chamadas “condições de mercado e econômicas” foram responsáveis por quatro vezes mais demissões.

    O impacto do ‘AI washing’ na gestão e na percepção pública

    O fenômeno do “AI washing” gera confusão interna e externa às empresas. Um exemplo notório foi o caso da Amazon em 2025, onde o CEO Andrew Jassy inicialmente indicou que a IA levaria à redução de pessoal. Meses depois, após demissões, ele corrigiu o discurso, afirmando que os cortes não foram impulsionados pela IA, mas sim pela “cultura”. Essa incoerência reforça a ideia equivocada de que a IA está eliminando empregos em um ritmo acelerado, algo que os dados não sustentam.

    “Quando a narrativa da inevitabilidade tecnológica se torna mais valiosa do que a própria tecnologia, você criou um mercado futuro de desculpas.”

    Embora sinais iniciais de substituição real pela IA em funções específicas já comecem a ser documentados, a diferença entre essa realidade e as afirmações corporativas é gritante. Em 1987, o economista Robert Solow observou que os computadores estavam por toda parte, exceto nas estatísticas de produtividade. Naquela época, era um problema de medição. Hoje, com a IA, a situação é diferente: a tecnologia está presente, mas as demissões atribuídas a ela não são comprovadas pelos dados, sendo preenchidas por narrativas gerenciais.

    Ao contrário das décadas passadas, quando o surgimento do computador pessoal não era culpado por demissões decorrentes de recessões, hoje a IA é invocada para justificar cortes pós-pandemia e desaceleração econômica. Um problema de gestão que se agrava ao adotar explicações falsas, impedindo o diagnóstico preciso da realidade organizacional e reforçando a falácia da massa de trabalho – a ideia de que a tecnologia devora empregos existentes.

    Ainda que a IA possivelmente transforme a produtividade no futuro, como os computadores fizeram, o “AI washing” atual dificulta a distinção entre substituição genuína e ficção. Ao tornar a narrativa de inevitabilidade tecnológica mais vantajosa que a própria tecnologia, cria-se um terreno fértil para desculpas corporativas, mascarando os verdadeiros motivos por trás das demissões.

  • Oracle planeja cortes de pessoal com avanço de ferramentas de IA na eficiência

    Oracle planeja cortes de pessoal com avanço de ferramentas de IA na eficiência

    A Oracle está se preparando para reduzir seu quadro de funcionários à medida que ferramentas de inteligência artificial (IA) impulsionam a eficiência na codificação. A medida surge em meio ao contínuo investimento da empresa em infraestrutura de data centers baseada em IA.

    Executivos da companhia destacam que as ferramentas de desenvolvimento assistidas por IA permitem que equipes menores de engenharia entreguem aplicações com maior rapidez. Ao automatizar tarefas rotineiras de codificação, essas tecnologias possibilitam à Oracle manter sua produção enquanto diminui o número de colaboradores em certas áreas.

    Cortando custos e investindo em IA

    Essa otimização gerou especulações de que milhares de postos de trabalho podem ser afetados, embora números exatos não tenham sido confirmados. Os cortes parecem fazer parte de uma estratégia mais ampla para gerenciar os custos crescentes associados aos ambiciosos planos de infraestrutura de IA da Oracle.

    A empresa está investindo significativamente em data centers capazes de suportar cargas de trabalho de IA generativa, posicionando-se para atender à crescente demanda por serviços corporativos de IA. Relatórios indicam que os requisitos de financiamento para esses projetos podem atingir dezenas de bilhões de dólares.

    IA como motor de produtividade

    A liderança da Oracle tem buscado tranquilizar investidores, enfatizando que a IA está impulsionando ganhos de produtividade, e não sinalizando um declínio nos negócios. A companhia acredita que suas ofertas de software empresarial e nuvem estão bem posicionadas para se beneficiar da integração de IA.

    A empresa também considera que os temores sobre uma disrupção generalizada no setor de software como serviço (SaaS) são exagerados. A estratégia da Oracle sugere um movimento para otimizar operações e focar recursos em áreas de alto crescimento impulsionadas pela tecnologia.