Tag: Inteligência Artificial

  • Inteligência artificial reacende debates na Câmara dos Deputados

    Inteligência artificial reacende debates na Câmara dos Deputados

    Inteligência artificial em foco na Câmara dos Deputados em 2026

    A inteligência artificial (IA) voltou a ser tema central de discussões na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2026. Dois novos projetos de lei foram apresentados, intensificando o debate sobre a regulamentação e o desenvolvimento da IA no Brasil. Essas propostas somam-se ao já em andamento Projeto de Lei (PL) 2338/2023, que estabelece um marco legal para a IA.

    As novas iniciativas visam definir princípios estruturantes para a IA no país e estabelecer regras específicas para sistemas considerados de alto impacto. A discussão reflete uma tendência global de regulamentação baseada em riscos, com implicações diretas para empresas, desenvolvedores e usuários de sistemas de IA. O avanço dessas pautas já se conecta a importantes frentes de compliance, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a propriedade intelectual e a regulação do setor de telecomunicações.

    Impactos do PL 2338/2023 na proteção de dados e propriedade intelectual

    O PL 2338/2023 reforça uma abordagem de regulação por riscos, alinhada à LGPD. A proposta enfatiza os direitos dos indivíduos afetados por sistemas de IA, promovendo transparência e a possibilidade de revisão humana em decisões automatizadas. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem seu papel institucional fortalecido neste ecossistema.

    No campo da propriedade intelectual, o debate gira em torno do text and data mining (TDM), crucial para o treinamento de modelos de IA, especialmente os generativos. O projeto aborda questões como a transparência no treinamento por meio de sumários de dados, mecanismos de oposição (opt-out) para titulares, a discussão sobre remuneração e o reforço dos direitos autorais.

    Regulação de IA no setor de telecomunicações

    Iniciativas de IA no setor de telecomunicações também devem observar a regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O Regulamento Geral dos Serviços de Telecomunicações (RGST), aprovado pela Resolução ANATEL nº 777/2025, já incorpora princípios aplicáveis ao uso de IA. Adicionalmente, o Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações (R-Ciber), de 2020, impõe diretrizes como security by design e privacy by design.

    A Anatel também pondera sobre o uso de IA em sua atividade fiscalizatória, conforme discutido na Consulta Pública 31/2025. O objetivo é garantir a vigilância sobre aplicações de alto risco sem burocratizar indevidamente o uso da tecnologia.

    PL 704/2026: Princípios e prioridades para a IA no Brasil

    O Projeto de Lei 704/2026 busca estabelecer as prioridades estruturantes e os princípios orientadores para o desenvolvimento, implementação e uso da inteligência artificial em todo o território nacional. Um dos focos centrais é o combate à corrupção e a redução das desigualdades sociais e regionais como pilares da política nacional de IA.

    O projeto propõe que o uso da IA priorize:

    • A prevenção e detecção de práticas corruptas e fraudes.
    • Transparência e rastreabilidade em decisões automatizadas.
    • A redução de desigualdades sociais, econômicas, raciais, regionais e digitais.
    • O reforço da inclusão e do desenvolvimento econômico responsável.

    Áreas como análise de contratos, concessão de crédito e compras públicas são apontadas como prioritárias para aplicação da IA. O PL 704/2026 também veda sistemas que ampliem desigualdades e exige avaliação de impacto social.

    PL 762/2026: Regulação para sistemas de IA de alto impacto

    O Projeto de Lei 762/2026 foca em um marco regulatório específico para sistemas de IA considerados de alto impacto ou críticos. Estes sistemas deverão passar por uma Avaliação de Impacto de Inteligência Artificial (AIA).

    Os principais pontos do PL 762/2026 incluem:

    • Regras de classificação, segurança, privacidade, governança e responsabilização.
    • Requisitos obrigatórios para projeto, implementação e operação.
    • Certificação prévia e registro público antes da entrada em operação.
    • Competência da ANPD para emitir certificações e definir condicionantes.

    O projeto garante aos titulares o direito à informação sobre o uso de IA, acesso à explicabilidade e mecanismos de revisão humana para decisões prejudiciais. Além disso, propõe alterar o Marco Civil da Internet e o Código de Defesa do Consumidor para que provedores e plataformas mantenham registros para auditoria e publiquem relatórios de transparência. Em relações de consumo, o fornecedor de sistemas de IA de alto impacto terá responsabilidade objetiva por danos e deverá informar previamente o uso da tecnologia, garantindo canais para revisão humana.

    As novas propostas legislativas sinalizam um aumento significativo no engajamento do Poder Legislativo com as matérias relacionadas à IA a partir de 2026, buscando equilibrar inovação com segurança e direitos fundamentais.

  • O novo chip que pode mudar a corrida da inteligência artificial

    O novo chip que pode mudar a corrida da inteligência artificial

    A corrida pela inteligência artificial (IA) é frequentemente vista como uma batalha de software, focada em modelos maiores e algoritmos aprimorados. No entanto, uma camada fundamental dessa revolução reside nos chips que viabilizam a IA. Pesquisadores em Sydney, Austrália, apresentaram um avanço significativo nessa área: um novo tipo de chip que integra componentes eletrônicos e fotônicos.

    Essa inovação promete maior controle sobre o fluxo de informação dentro do hardware, ampliando drasticamente a capacidade de processamento. Essencialmente, sem novas arquiteturas de chips, a expansão da IA pode encontrar limites intransponíveis. O desenvolvimento apresentado em Sydney aborda diretamente esse gargalo computacional.

    O gargalo da inteligência artificial: infraestrutura sob pressão

    A ascensão meteórica da IA generativa impôs uma demanda sem precedentes sobre a infraestrutura computacional global. Treinar e operar modelos de IA avançados requer centros de dados massivos, consome quantidades elevadas de energia e depende de chips especializados cada vez mais caros.

    Atualmente, um pequeno grupo de empresas, como Nvidia e AMD, domina esse mercado, criando uma dependência tecnológica significativa. Em resposta a essa realidade, laboratórios e universidades ao redor do mundo buscam reinventar o hardware da IA. O chip de Sydney, ao consolidar diferentes tecnologias em um único circuito, visa aumentar a largura de banda e a eficiência do processamento, permitindo mais capacidade de IA com menos limitações.

    Chips como epicentro da geopolítica tecnológica

    Enquanto a disputa tecnológica da década passada se concentrava em aplicativos e plataformas, o foco atual deslocou-se para a infraestrutura de computação. Os chips estão no centro dessa nova dinâmica.

    Diversos países e blocos econômicos estão investindo pesadamente. Os Estados Unidos, por exemplo, subsidiam sua indústria de semicondutores com bilhões de dólares. A China busca autonomia tecnológica com investimentos agressivos, a Europa tenta reestruturar sua cadeia produtiva, e a Austrália, junto a universidades globais, acelera pesquisas em novas arquiteturas de hardware. A razão é clara: quem detém o controle dos chips, dita o ritmo da inovação em IA.

    Hardware e software: a dança da evolução em IA

    Há uma percepção equivocada de que a evolução da inteligência artificial depende unicamente do software. Contudo, a história da computação demonstra que os saltos tecnológicos mais significativos ocorrem quando hardware e software avançam em conjunto.

    Exemplos históricos incluem as GPUs, que viabilizaram o deep learning; os chips móveis, que impulsionaram a economia dos smartphones; e os processadores especializados para data centers. Agora, a IA entra em uma nova fase onde inovações em chips podem redefinir o escopo do que é tecnologicamente possível construir.

    O impacto imensurável das novas arquiteturas de chips

    A consolidação de novas arquiteturas de chips trará consequências profundas para o avanço da IA. Espera-se um processamento mais rápido, um menor consumo de energia e a possibilidade de aplicações em escalas muito maiores.

    Isso abre caminho para o surgimento de novos dispositivos inteligentes em nosso cotidiano. A próxima geração de produtos digitais, de carros autônomos a robôs industriais, poderá depender diretamente de avanços como o chip desenvolvido em Sydney. A disputa, portanto, transcenderá as empresas de software, englobando também aquelas que constroem a infraestrutura tecnológica subjacente.

    O que líderes precisam compreender sobre a base da IA

    Atualmente, muitas empresas discutem IA focando apenas no nível da aplicação: chatbots, automação e assistentes virtuais. No entanto, a transformação mais profunda está ocorrendo na base tecnológica. Compreender essa mudança precocemente permite a tomada de decisões estratégicas mais assertivas em relação a investimentos, parcerias com fornecedores, desenvolvimento de produtos e adaptação de modelos de negócio.

    A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta; está se consolidando como a infraestrutura fundamental da próxima economia. Quem entender a evolução dessa base tecnológica, como a apresentada no desenvolvimento de novos chips, estará mais preparado para os desafios e oportunidades futuras.

  • IA para planejar viagem: riscos e cuidados essenciais

    IA para planejar viagem: riscos e cuidados essenciais

    IA para planejar viagem: riscos e cuidados essenciais

    O uso da inteligência artificial (IA) para planejar viagens oferece novas possibilidades, mas também apresenta riscos significativos. Recentemente, casos alarmantes surgiram onde ferramentas de IA criaram destinos turísticos que não existem, colocando viajantes em situações perigosas e frustrantes. A capacidade da IA de gerar informações convincentes, mas falsas, exige uma postura de vigilância redobrada por parte dos usuários.

    A inovação tecnológica, representada por ferramentas como o ChatGPT, tem sido um aliado para muitos na organização de roteiros. No entanto, a linha entre a conveniência e o perigo se torna tênue quando a IA inventa paisagens ou sugere atividades inviáveis. Viajantes que confiam cegamente nessas sugestões podem se encontrar em locais remotos, sem infraestrutura ou segurança adequada, enfrentando condições climáticas adversas e falta de comunicação.

    Destinos fictícios criados pela IA

    Um exemplo notório ocorreu no Peru, onde turistas foram levados a acreditar na existência do “Cânion Sagrado de Humantay”. Baseados em informações geradas por IA, dois viajantes pagaram cerca de US$ 160 para chegar a uma estrada rural perto de Mollepata. O local descrito pela IA era uma invenção, combinando elementos de dois lugares reais sem relação alguma com a narrativa apresentada. Miguel Ángel Gongora Meza, diretor da Evolution Treks Peru, alerta que esse tipo de desinformação é perigoso, especialmente em regiões com desafios de altitude, clima e acessibilidade.

    A IA também pode fabricar informações sobre pontos turísticos em outras partes do mundo. O site Layla, por exemplo, sugeriu a existência de uma Torre Eiffel em Pequim e traçou rotas de maratona impraticáveis no norte da Itália. Tais “alucinações” demonstram a capacidade da tecnologia de apresentar dados falsos de forma muito convincente.

    Casos de turistas prejudicados

    Dana Yao e seu marido vivenciaram os perigos da desinformação da IA em uma viagem ao Japão. Tentando planejar uma caminhada para assistir ao pôr do sol no monte Misen, na ilha de Itsukushima, seguiram a sugestão do ChatGPT de partir às 15h, com base na informação de que o último teleférico descia às 17h30. Ao chegarem, descobriram que o teleférico já estava fechado, deixando o casal preso no topo da montanha.

    Um incidente ainda mais grave envolveu um casal que viajou à Malásia para visitar um teleférico panorâmico visto no TikTok. Descobriram no local que a estrutura era inteiramente gerada por IA, um vídeo criado pela tecnologia que não correspondia à realidade.

    Estatísticas alarmantes sobre o uso de IA em viagens

    Uma pesquisa realizada em 2024 revelou números preocupantes sobre a confiabilidade da IA para planejamento de viagens:

    • 37% dos usuários relataram que a IA não forneceu informações suficientes.
    • 33% afirmaram que as recomendações incluíam informações falsas.
    • 30% dos turistas internacionais já utilizam ferramentas de IA em seus planejamentos.

    Por que a IA gera informações incorretas?

    O professor Rayid Ghani, da Universidade Carnegie Mellon, explica que o problema reside na forma como a IA processa e gera informações. Segundo ele, os modelos de linguagem grandes funcionam analisando vastas coleções de textos e conectando palavras e frases que estatisticamente parecem respostas adequadas. Esse processo pode resultar tanto em dados precisos quanto em “alucinações” – invenções factuais.

    Ghani acredita que no caso do Cânion Sagrado de Humantay, a IA provavelmente combinou palavras que soavam apropriadas para a região peruana, criando uma narrativa falsa, mas plausível. Outro fator crítico é a falta de compreensão do mundo físico pela IA. Ela pode facilmente confundir uma caminhada urbana de 4 km com uma escalada de montanha de mesma distância, ou apresentar horários de funcionamento desatualizados e ignorar condições climáticas e de segurança específicas.

    Como as alucinações e as respostas factuais são apresentadas de maneira similar, torna-se difícil para os usuários distinguir o real do inventado.

    Como usar IA para planejar viagens com segurança

    A principal recomendação dos especialistas, como Rayid Ghani e o CEO do Google, Sundar Pichai, é a vigilância constante. As alucinações são consideradas uma “característica inerente” aos grandes modelos de linguagem. Para usar a IA de forma segura no planejamento de viagens, siga estas diretrizes:

    • Seja específico nas perguntas: Quanto mais detalhada a sua consulta, maior a chance de obter uma resposta mais precisa.
    • Verifique tudo em fontes oficiais: Sempre cruze as informações geradas pela IA com sites de turismo oficiais, guias locais e outras fontes confiáveis e independentes.
    • Desconfie de promessas perfeitas: Se algo parecer bom demais para ser verdade, provavelmente é. Sugestões excessivamente idealizadas podem ser um sinal de alerta.
    • Confirme horários diretamente: Verifique horários de funcionamento de estabelecimentos e serviços diretamente com eles, pois informações de IA podem estar desatualizadas.
    • Valide rotas e distâncias: Utilize mapas oficiais e ferramentas de navegação confiáveis para confirmar a viabilidade de rotas e a exatidão das distâncias.

    Ghani reconhece que o turismo apresenta desafios únicos, pois os viajantes frequentemente buscam informações sobre destinos desconhecidos. Por isso, a checagem cruzada de informações é fundamental. O tempo investido em verificar dados pode, em alguns casos, equiparar-se ao planejamento tradicional, mas é um passo indispensável para evitar imprevistos.

    Regulamentações e o futuro da informação em viagens

    Governos ao redor do mundo estão trabalhando em regulamentações para combater a desinformação gerada por IA. Propostas na União Europeia e nos Estados Unidos visam a criação de marcas d’água ou sinais que identifiquem conteúdo gerado ou alterado por inteligência artificial. No entanto, Rayid Ghani descreve isso como uma “batalha difícil”, focando a mitigação como uma solução mais confiável que a prevenção.

    O psicoterapeuta clínico Javier Labourt aponta um risco ainda maior: a desinformação da IA pode criar narrativas falsas sobre destinos antes mesmo da viagem, minando os próprios benefícios do turismo. Os desafios regulatórios incluem a identificação de conteúdo gerado por IA em tempo real, a responsabilização das plataformas e a padronização internacional de avisos. Mesmo com novas leis, a vigilância do usuário permanecerá como a principal defesa contra a invenção de informações por chatbots.

  • Trânsito de SP terá inteligência artificial para prevenir acidentes em 2026

    Trânsito de SP terá inteligência artificial para prevenir acidentes em 2026

    Trânsito de SP terá inteligência artificial para prevenir acidentes

    O estado de São Paulo dará um salto tecnológico em 2026 com a implementação de inteligência artificial (IA) para combater a violência no trânsito. O Departamento de Trânsito paulista (Detran-SP) confirmou o lançamento do Infosiga 4.0, um sistema que deixará de ser um mero registro estatístico para atuar diretamente na análise preditiva de riscos viários.

    A nova plataforma promete antecipar potenciais tragédias, identificando cruzamentos e avenidas perigosas com base em dados históricos e atuais. A iniciativa visa alertar as prefeituras sobre locais com histórico de colisões, mesmo sem vítimas, permitindo intervenções preventivas antes que acidentes graves ou mortes ocorram.

    Como a inteligência artificial mapeia padrões de risco

    Diferentemente do modelo tradicional, que atua de forma reativa após as ocorrências, o Infosiga 4.0 utilizará a IA para cruzar bases de dados em tempo recorde. Essa análise complexa e rápida identificará padrões de risco e gerará alertas mais precisos para a formulação de políticas públicas.

    Segundo o Detran-SP, a inovação representa um avanço tecnológico indispensável para a gestão pública moderna, permitindo “cruzamentos mais complexos e rápidos entre informações já disponíveis, gerando alertas mais precisos para formulação de políticas públicas.”

    Novo aplicativo eleva a precisão do Infosiga 4.0

    Para garantir a eficiência do novo algoritmo, policiais militares e agentes de trânsito receberão um aplicativo atualizado até maio. A ferramenta apresentará um formulário digital mais minucioso e estruturado, padronizando a coleta de dados em todo o estado. O aplicativo será disponibilizado aos municípios para corrigir falhas históricas no preenchimento.

    A diretora de Segurança Viária do órgão, Roberta Mantovani, destaca que “essa melhoria na coleta dados com IA vai permitir que se passe de análises reativas para preditivas. Garantirá um avanço significativo no tratamento das informações.”

    O que muda na estruturação oficial das ocorrências

    • Novos modais: Inclusão de autopropelidos, como patinetes e scooters elétricas.
    • Fatores críticos: Indicação clara sobre uso de álcool ou excesso de velocidade.
    • Geolocalização exata: Fim das distorções estatísticas causadas por registros aproximados de endereços.
    • Metodologia global: Classificação avançada da gravidade das lesões baseada em padrões comparativos dos Estados Unidos.

    Parceria técnica e próximos passos do projeto

    A modernização do sistema conta com forte colaboração técnica da Prodesp e apoio de empresas privadas. O escopo tecnológico já passou por validações práticas e a expectativa oficial é consolidar a nova camada analítica robusta até dezembro de 2026. Através dessa reestruturação digital, a inteligência artificial se consolida como recurso para resguardar a integridade física de condutores e pedestres no estado.

  • Deepfakes com IA: Como Criminosos Exploram Deficiências

    Deepfakes com IA: a nova fronteira da exploração digital

    A inteligência artificial (IA) avançou a ponto de criar representações digitais indistinguíveis da realidade, os chamados deepfakes. Infelizmente, essa tecnologia poderosa está sendo desvirtuada por criminosos que exploram vulnerabilidades específicas, como as deficiências, em esquemas de monetização predatórios. A tática envolve a apropriação não autorizada de imagens de pessoas reais, manipuladas por IA para simular condições como a síndrome de Down, com o objetivo de direcionar usuários a plataformas de conteúdo adulto pago.

    Esses esquemas representam uma dupla camada de exploração: violam a privacidade e a imagem de indivíduos e objetificam uma comunidade inteira. A pesquisa aponta para a sofisticação do método, que utiliza redes sociais para criar engajamento inicial e, em seguida, redireciona o tráfego para serviços pagos, muitas vezes ocultando o rosto das vítimas para contornar as políticas das plataformas. A comunidade com deficiência expressa profunda preocupação com essa prática, que perpetua estereótipos e fetichiza suas condições.

    Como funcionam os deepfakes exploratórios

    O método mais perturbador envolve a criação de deepfakes que simulam pessoas com síndrome de Down. Criminosos roubam imagens de perfis públicos de mulheres em redes sociais e utilizam filtros de IA para alterar suas feições, criando a aparência de ter a síndrome. Essas imagens manipuladas são então sobrepostas a corpos de mulheres reais, gerando personagens fictícias.

    Um exemplo alarmante é o caso de Alice, uma jovem de 17 anos, cuja imagem foi utilizada sem consentimento em uma conta do Instagram que alcançou 25 mil seguidores. O padrão observado em tais contas é:

    • Postagem de conteúdo sugestivo para gerar engajamento.
    • Recebimento de comentários sexualmente explícitos.
    • Redirecionamento de usuários para plataformas de conteúdo adulto pago, como o OnlyFans.
    • Exploração da deficiência como um nicho de mercado específico e lucrativo.

    Segundo a pesquisadora Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge, essa prática “retira dados das mulheres sem o seu consentimento e os usa para capitalizar a deficiência como forma de ganhar dinheiro”.

    O esquema de monetização nas redes sociais

    Esses deepfakes maliciosos são monetizados através de um sistema engenhoso que explora as políticas de diferentes redes sociais. O processo funciona como um funil de conversão, iniciado no Instagram e culminando em plataformas de conteúdo adulto. Os responsáveis por essa operação são conhecidos como “Geradores de IA do OnlyFans”, indivíduos especializados em criar influenciadores artificiais para promover conteúdo adulto.

    Um exemplo de operação envolve um “gerente” francês, identificado pela BBC, que compartilhava tutoriais sobre a criação desses deepfakes em canais no YouTube e Telegram. A estratégia de monetização se desdobra em etapas claras:

    1. Criação de engajamento: Contas no Instagram postam conteúdo provocativo para atrair um grande número de seguidores.
    2. Redirecionamento: Os usuários são subsequentemente direcionados para perfis pagos em plataformas como o OnlyFans.
    3. Adaptação às políticas: Para evitar detecção e violação de regras, os rostos nos perfis pagos são frequentemente cortados ou ocultados.
    4. Exploração de nichos: Deficiências são categorizadas como “mercados de nicho” com alto potencial de lucro, permitindo a criação rápida de personagens sob demanda.

    O criador de conteúdo artificial, Dorian, mencionou em seus tutoriais que “uma das melhores coisas com a IA é que você pode criar qualquer nicho sob demanda”, incluindo pessoas com deficiências como um “mercado pouco atendido”.

    Impactos devastadores na comunidade com deficiência

    Os deepfakes que simulam síndrome de Down causam danos que transcendem as vítimas individuais, impactando toda a comunidade de pessoas com deficiência. O prejuízo é tanto psicológico quanto social, reforçando estereótipos prejudiciais e objetificando uma condição genética.

    Ativistas e produtores de conteúdo com síndrome de Down, como Jeremy e Audrey, expressaram grande preocupação. “Acho que não está certo que eles tenham uma deficiência falsa”, disse Audrey. “Eu e Jeremy temos síndrome de Down e adoramos isso. Ela é única e eu adoro. É meio que a melhor coisa da minha vida.” Jeremy lamenta: “Estão fazendo isso por dinheiro. Por favor, parem com isso.”

    Os principais impactos incluem:

    • Fetichização da deficiência: Uma condição genética é transformada em objeto de desejo sexual.
    • Representação distorcida: Criação e disseminação de estereótipos negativos sobre pessoas com síndrome de Down.
    • Apropriação de identidade: Uso não consentido da imagem da comunidade para fins de lucro.
    • Normalização da exploração: A deficiência é tratada como um mero “nicho de mercado”.

    A sensação de “estar sendo usada”, expressa por Audrey, reflete como essa prática atenta contra a dignidade e a autorrepresentação da comunidade. Essa exploração, descrita como uma “rede de exploração” por Eleanor Drage, prejudica indivíduos e a percepção social sobre pessoas com deficiência.

    Resposta das plataformas digitais: um cenário complexo

    As plataformas digitais têm apresentado respostas inconsistentes e, por vezes, inadequadas diante do problema dos deepfakes exploratórios, evidenciando falhas em seus sistemas de moderação de conteúdo. A resposta inicial do Instagram ao caso de Alice foi problemática: após a denúncia, a plataforma informou que o usuário não violou as normas, pois os vídeos deepfake não eram explicitamente sexuais, explorando uma brecha nas políticas.

    No entanto, após a intervenção jornalística da BBC, houve ações mais efetivas:

    • YouTube: Cancelou canais de Dorian por violarem políticas de spam, fraude e práticas enganosas.
    • Meta (Instagram): Removeu a maioria das contas denunciadas por personificação e promoção de serviços sexuais.
    • OnlyFans: Afirmou que todos os criadores passam por verificação de identidade e que conteúdo desse tipo é proibido.

    Contudo, a conta que explorava a imagem de Alice só foi removida após a exposição midiática, o que demonstra a insuficiência das ferramentas automatizadas para detectar explorações sofisticadas. O OnlyFans alega verificar a idade e o consentimento das imagens, mas o sistema não detecta o uso não autorizado de terceiros.

    Como se proteger de deepfakes maliciosos

    A proteção contra deepfakes maliciosos exige uma abordagem multifacetada. É fundamental que os usuários estejam vigilantes, utilizem as ferramentas de denúncia disponíveis e compreendam os riscos inerentes à exposição online.

    Estratégias de proteção individual incluem:

    • Monitoramento constante: Realizar buscas periódicas pelo próprio nome e imagem em diferentes plataformas.
    • Configurações de privacidade: Limitar a visibilidade de fotos e vídeos em perfis públicos.
    • Denúncias persistentes: Não aceitar respostas automáticas negativas das plataformas e insistir nas denúncias.
    • Documentação: Manter registros de contas falsas e tentativas de contato.

    Alice, por exemplo, tentou contato direto com os criadores da conta falsa sem sucesso. A denúncia formal e persistente às plataformas, juntamente com a intervenção da imprensa, provou ser mais eficaz. Para a sociedade, a proteção envolve:

    1. Educação sobre deepfakes: Aprender a identificar conteúdo manipulado.
    2. Apoio às vítimas: Amplificar denúncias de pessoas afetadas.
    3. Pressão por políticas eficazes: Exigir que as plataformas aprimorem seus sistemas de detecção e moderação.

    A exposição pública através da mídia continua sendo uma ferramenta poderosa para combater essas práticas exploratórias, evidenciando a necessidade de uma vigilância contínua e de ações conjuntas para mitigar os danos causados pelos deepfakes maliciosos.

  • TST multa empresa e advogado por jurisprudência falsa criada por IA

    Tst vê má-fé e multa empresa de telecom e advogado por jurisprudência falsa criada por inteligência artificial

    O Tribunal Superior do Trabalho (TST) aplicou multa por má-fé a uma empresa de telecomunicações e ao seu advogado. A decisão ocorreu após a identificação de precedentes judiciais inexistentes, que foram apresentados nas contrarrazões de um recurso. O colegiado entendeu que a utilização de decisões falsas, possivelmente geradas por inteligência artificial, visava sustentar a tese da defesa de forma indevida, violando os princípios da boa-fé e da lealdade processual.

    O caso em questão é particularmente grave: trata-se de uma ação de indenização por danos morais movida pelos dependentes de um trabalhador que faleceu ao cair de uma altura de nove metros durante a instalação de uma linha de internet. O processo possui prioridade de tramitação, o que, na avaliação dos ministros, agrava ainda mais a conduta da defesa.

    Identificação de precedentes inexistentes

    Durante o exame do recurso de revista, o ministro relator, Fabrício Gonçalves, percebeu inconsistências nos precedentes citados pela empresa. Uma consulta ao Núcleo de Cadastramento Processual (NCP) e à Coordenadoria de Jurisprudência (CJUR) do próprio TST confirmou que nenhum dos julgados apresentados pela defesa existia. Uma apuração interna revelou que diversos casos simplesmente não foram localizados, enquanto outros continham dados adulterados. Entre os precedentes citados estavam um suposto julgado da ministra Kátia Arruda e outro atribuído ao ministro aposentado Alberto Bresciani, com data posterior à sua aposentadoria, mesmo assim a empresa sustentava a jurisprudência como “pacífica”.

    Conduta enquadrada como dolo processual

    Para o ministro relator, a situação extrapolou um simples erro material ou interpretação equivocada. Foi caracterizada como criação intencional de conteúdo jurídico fictício, com o objetivo deliberado de induzir o juízo a erro, buscando uma vantagem processual indevida. Essa conduta resultou em prejuízos não apenas para a parte adversa, mas também para a própria Justiça do Trabalho e a coletividade.

    O ministro Fabrício Gonçalves enquadrou a conduta como dolo processual e abuso do direito de defesa, afirmando que a tentativa de dar aparência de legitimidade à argumentação por meio de decisões inexistentes compromete diretamente a integridade da atividade jurisdicional e viola deveres processuais fundamentais, como os de veracidade e cooperação entre as partes.

    Inteligência artificial e responsabilidade do advogado

    O relator abordou diretamente o possível uso de ferramentas de inteligência artificial na elaboração da peça processual. Contudo, o alerta foi claro: “A responsabilidade pela verificação da veracidade das informações permanece integralmente com o advogado e a parte.” A tecnologia, portanto, não pode ser utilizada como escudo para o descumprimento dos deveres éticos da advocacia. A verificação da autenticidade das informações é uma responsabilidade intrínseca ao profissional do direito.

    Sanções e encaminhamentos

    Como consequência, a empresa de telecomunicações foi condenada ao pagamento de multa por litigância de má-fé, além de honorários advocatícios e demais despesas processuais. O advogado responsável pela peça recebeu a mesma penalidade pecuniária. Adicionalmente, o ministro determinou o envio de ofícios à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Ministério Público Federal para apuração de possíveis infrações disciplinares e criminais.

    Os ministros Augusto César e Kátia Arruda, membros da Turma, ressaltaram a gravidade da situação, especialmente por se tratar de uma ação que envolve a morte de um trabalhador e foi apresentada por seus dependentes, em um caso com prioridade legal de tramitação. A decisão, publicada pelo ConvergênciaDigital, reforça a importância da ética e da precisão na prática jurídica, mesmo com o avanço das tecnologias.

  • Redação Paraná: correção por inteligência artificial é ampliada para novos gêneros textuais

    Redação Paraná: correção por inteligência artificial é ampliada para novos gêneros textuais

    Redação Paraná: correção por inteligência artificial é ampliada para novos gêneros textuais

    A plataforma Redação Paraná, ferramenta fundamental para o desenvolvimento da escrita de estudantes da rede estadual, anunciou um importante avanço tecnológico. A partir de agora, a correção automática por inteligência artificial (IA) foi expandida para incluir os gêneros textuais conto, crônica e relato. Essa novidade, oficializada na última terça-feira (10), amplia significativamente as possibilidades de produção textual em sala de aula.

    Anteriormente, desde 2025, o sistema já oferecia correção automatizada para textos dissertativo-argumentativos. Com a atualização, o recurso passa a contemplar novos formatos de escrita, reforçando o trabalho pedagógico com a diversidade de gêneros e oferecendo mais oportunidades de prática aos alunos.

    Um passo rumo à modernização educacional

    Para o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a incorporação da IA em mais gêneros no Redação Paraná reflete o compromisso do Estado em modernizar o ensino e integrar novas tecnologias ao processo de aprendizagem. “Nosso objetivo é oferecer ferramentas que apoiem o trabalho dos professores e ajudem os estudantes a desenvolver cada vez mais suas habilidades de escrita. Esse é mais um passo para tornar a educação paranaense inovadora, eficiente e alinhada às demandas do mundo atual”, afirmou.

    A expansão faz parte de um processo contínuo de inovação do Redação Paraná, visando tornar o acompanhamento da aprendizagem mais ágil e qualificado. Para isso, foram desenvolvidas novas rubricas avaliativas. Elas permitem que a inteligência artificial reconheça as características específicas de cada gênero, garantindo análises mais precisas e fortalecendo a avaliação formativa.

    Como a IA avalia os textos?

    Nas correções realizadas pela inteligência artificial, diversos aspectos da produção textual são avaliados. Entre eles estão a adequação ao gênero proposto, a organização e progressão das ideias, o desenvolvimento do tema, o uso de recursos de linguagem e os aspectos linguísticos gerais do texto. Com base nesses critérios, o sistema gera um feedback detalhado, orientando o estudante na revisão e no aprimoramento de suas produções.

    A ferramenta, desenvolvida pela Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR) em parceria com o Google, consolida-se como um recurso estratégico para o ensino da escrita na rede estadual, unindo tecnologia, rigor avaliativo e intencionalidade pedagógica.

    Benefícios para alunos e professores

    “Para os alunos, a correção por IA permite receber devolutivas mais rápidas e consistentes sobre seus textos, o que estimula a reflexão sobre a própria escrita e o aprimoramento das habilidades de produção textual. Já para os professores, a ferramenta funciona como um importante apoio pedagógico, ao oferecer análises estruturadas que ajudam no acompanhamento dos estudantes e no planejamento de intervenções didáticas mais direcionadas.”

    Essa declaração é de Elaine Manoel Juliani, técnica pedagógica do Programa Redação Paraná, que destaca os principais beneficiados com essa ampliação. A IA oferece devolutivas consistentes aos alunos, incentivando a autocrítica e o aprimoramento. Para os educadores, a plataforma funciona como um suporte valioso, fornecendo análises estruturadas que auxiliam no acompanhamento individual e no planejamento de aulas mais eficazes.

    Histórico e Alcance do Redação Paraná

    Lançada em 2021 pela Seed-PR, a ferramenta Redação Paraná é fruto da integração entre equipes pedagógicas e tecnológicas. Seu objetivo é fortalecer o ensino da língua portuguesa e preparar os estudantes para avaliações escolares e nacionais. O sistema realiza análises automáticas de coesão, coerência, gramática e argumentação, fornecendo feedbacks personalizados em tempo real.

    Desde 2025, a ferramenta foi atualizada com base nos critérios do Enem, oferecendo um extenso banco de temas no formato exigido pelo exame. “O Redação Paraná tem se mostrado essencial na preparação dos estudantes, oferecendo atividades orientadas e devolutivas automáticas baseadas nos mesmos critérios avaliativos do exame”, explicou a coordenadora de Educação Digital da Seed-PR, Lorena Pantaleão.

    Atualmente, o Redação Paraná conta com mais de 833 mil usuários ativos. Em 2025, foram mais de 4,6 milhões de redações concluídas na plataforma, com aproximadamente 153 mil textos corrigidos com o apoio da inteligência artificial. A expansão da IA para novos gêneros representa um avanço significativo na democratização do acesso a ferramentas de escrita de alta qualidade.

  • Ucraniano atribui medalha paralímpica ao uso de inteligência artificial

    Ucraniano atribui medalha paralímpica ao uso de inteligência artificial

    O atleta ucraniano Maksym Murashkovskyi revelou que a inteligência artificial (IA) desempenhou um papel crucial em sua conquista da medalha de prata no biatlo, durante os Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina. Após finalizar a prova em segundo lugar, Murashkovskyi, de 25 anos, classificou o ChatGPT como uma tecnologia revolucionária que moldou significativamente sua preparação.

    Murashkovskyi, que já havia garantido uma medalha de bronze no Campeonato Mundial de 2023, foi superado apenas pelo chinês Dang Hesong. A medalha de prata recém-conquistada evidencia a eficácia de métodos de treinamento inovadores.

    Inteligência artificial como aliada no esporte

    O atleta compartilhou que, nos últimos seis meses, integrou o ChatGPT em seu regime de treinamento. “Não foi apenas sobre tática. Foi metade do meu plano de treinamento, motivação e outras coisas. Foi um grande volume de todo o meu treinamento”, explicou Murashkovskyi a jornalistas.

    A ferramenta de IA foi empregada em diversas frentes durante sua preparação para os Jogos Paralímpicos:

    • Psicólogo: Auxiliou no aspecto mental e motivacional.
    • Treinador: Contribuiu para a definição de táticas e estratégias.
    • Médico: Ofereceu suporte em questões relacionadas à saúde e bem-estar.

    O futuro da IA no treinamento esportivo

    Maksym Murashkovskyi acredita que a inteligência artificial tem o potencial de transformar o cenário esportivo. Ele prevê que, em um futuro próximo, a IA poderá assumir parte das responsabilidades atualmente desempenhadas por treinadores humanos.

    “Não completamente pelos próximos cinco a dez anos. Mas uma parte, definitivamente”, afirmou o atleta, reforçando sua convicção na IA como um divisor de águas.

    Até o momento, a delegação ucraniana acumula 10 medalhas nesta edição dos Jogos Paralímpicos, destacando a força e a resiliência dos atletas do país.

  • Excesso de ferramentas de IA pode reduzir produtividade e causar ‘burnout cerebral’, aponta estudo

    Excesso de ferramentas de IA pode reduzir produtividade e causar ‘burnout cerebral’, aponta estudo

    Excesso de ferramentas de IA pode reduzir produtividade e causar ‘burnout cerebral’, aponta estudo

    O uso simultâneo de múltiplas ferramentas de Inteligência Artificial (IA), embora promissor para aumentar a eficiência, pode, paradoxalmente, levar a uma queda na produtividade e a um fenômeno preocupante denominado ‘AI brain fry’ (burnout cerebral por IA). Essa fadiga mental e outros sintomas de exaustão podem surgir quando trabalhadores se sentem sobrecarregados pela gestão de diversas ferramentas de IA.

    Essa constatação emerge de um estudo publicado na Harvard Business Review, que investigou o impacto do uso de IA em 1.488 trabalhadores americanos em grandes empresas. Os resultados indicam que uma parcela considerável, embora minoritária, de profissionais relata sentir névoa mental, dores de cabeça e lentidão na tomada de decisões após o uso intensivo dessas tecnologias.

    O que é o ‘burnout cerebral por IA’?

    O ‘AI brain fry’ é descrito pelos autores do estudo como um sinal de alerta. Ele se manifesta como uma neblina mental e fadiga que afeta trabalhadores quando eles se esforçam excessivamente para gerenciar múltiplas ferramentas de IA. Matthew Kropp, um dos autores principais do estudo e diretor sênior do Boston Consulting Group (BCG), compara a situação a um ‘canário na mina de carvão’, indicando um potencial problema que pode se expandir.

    Originalmente observado em engenheiros que são os primeiros a adotar essas tecnologias e a orquestrar múltiplos agentes de IA, o fenômeno tende a se espalhar à medida que mais pessoas buscam alcançar esse nível de utilização.

    Produtividade em ascensão e seus limites

    A pesquisa aponta que as ferramentas de IA, de fato, podem impulsionar a produtividade. No entanto, esse aumento não é linear. Trabalhadores que passam de um para dois agentes de IA simultaneamente experimentam um aumento significativo na produtividade. Contudo, o ganho é menor ao transitar de duas para três ferramentas, e a produtividade começa a diminuir a partir de três ou mais aplicações, evidenciando os limites do multitasking com IA.

    “Tive uma ferramenta me ajudando a ponderar decisões técnicas, outra cuspindo rascunhos e resumos, e eu ficava pulando entre elas, verificando cada pequena coisa. Mas, em vez de me mover mais rápido, meu cérebro começou a parecer poluído. Não fisicamente cansado, apenas… lotado.”

    Esse relato de um gerente sênior de engenharia ilustra a experiência de sobrecarga.

    Gerenciando o uso da IA com consciência

    Kropp enfatiza que o objetivo não é desencorajar o uso de múltiplos agentes de IA, mas sim promover a consciência sobre seu impacto. “Essa é a realidade. É assim que trabalharemos em muitos empregos. Teremos humanos gerenciando agentes. Acho que o importante é estarmos conscientes de que isso tem um impacto e que gerenciamos para isso”, afirma.

    Ele distingue o ‘burnout cerebral por IA’ do esgotamento profissional geral, ressaltando que o primeiro é um efeito específico da alta carga cognitiva necessária para supervisionar eficazmente um agente de IA. Tarefas que exigem atenção minuciosa, como o desenvolvimento de código por engenheiros de software, tornam a supervisão de IA uma atividade que demanda grande esforço mental.

    O papel das empresas na prevenção do esgotamento

    A pressão de gerenciar um agente de IA é amplificada a cada ferramenta adicional, podendo levar os trabalhadores a um ponto de ruptura. Por isso, os autores sugerem que as empresas sejam diligentes na elaboração de suas políticas de IA, incluindo a permissão para pausas. “Se eu sou 50 vezes mais produtivo, talvez eu devesse ser 20 vezes mais produtivo, mas ter uma melhor saúde mental e não querer desistir”, pondera Kropp.

    O estudo também observou que quando a IA é utilizada para substituir tarefas rotineiras ou repetitivas, a taxa de burnout diminui, mesmo que a fadiga mental não desapareça completamente. A sensação de empoderamento proporcionada pelas ferramentas pode levar os usuários a não pararem, intensificando a exposição aos efeitos negativos.

    Variação por setor

    A incidência de ‘AI brain fry’ variou entre os setores. Enquanto 14% dos trabalhadores pesquisados relataram o problema, as taxas foram significativamente mais altas em marketing (25.9%), recursos humanos (19.3%), operações (17.9%) e engenharia de software (17.8%). Em contraste, funções jurídicas e de conformidade registraram taxas próximas a 6%. Essa disparidade é atribuída às taxas de adoção da IA em cada indústria.

    Com a rápida evolução das capacidades da IA, espera-se que outras indústrias também passem por transformações semelhantes. Atualmente, menos de 5% das organizações corporativas utilizam agentes de IA, indicando que o fenômeno ainda está em seus estágios iniciais.

  • Sindicato de artistas de Hollywood condena “atriz” gerada por IA Tilly Norwood

    Sindicato de artistas de Hollywood condena “atriz” gerada por IA Tilly Norwood

    Sindicato de artistas de Hollywood condena “atriz” gerada por IA Tilly Norwood

    A inteligência artificial (IA) deu mais um passo no universo do entretenimento, mas não sem gerar controvérsia. Tilly Norwood, uma “atriz” desenvolvida por IA, foi apresentada em uma conferência da indústria cinematográfica em Zurique, provocando reações imediatas no meio artístico de Hollywood.

    A novidade, que supostamente despertou interesse de executivos de grandes estúdios, logo enfrentou a oposição do sindicato dos atores, o SAG-AFTRA. A organização manifestou seu repúdio à ideia de substituir profissionais humanos por performances sintéticas, sinalizando um receio crescente na comunidade criativa.

    A reação do SAG-AFTRA à “atriz” de IA

    O SAG-AFTRA criticou duramente a possibilidade de a inteligência artificial assumir papéis tradicionalmente interpretados por atores. O sindicato enfatiza a importância insubstituível da experiência, emoção e autenticidade que caracterizam a atuação real.

    Este episódio levanta um debate crucial sobre a interseção entre tecnologia e entretenimento. As implicações éticas e profissionais do avanço da IA em áreas criativas estão no centro da discussão.

    Tecnologia e arte: um futuro em debate

    Enquanto parte do setor enxerga grandes possibilidades na incorporação dessas inovações tecnológicas para novas formas de produção, surge a preocupação com a preservação da sonoridade humana e do valor artístico.

    A iniciativa que apresenta Tilly Norwood desafia os limites entre o real e o digital, instigando um intenso debate sobre o futuro da atuação em Hollywood. A fonte desta notícia é a Reuters, conforme divulgado em andrelug.com.