Tag: Inteligência Artificial

  • Cochrane anuncia ferramentas de IA selecionadas para estudo inovador de plataforma

    Cochrane anuncia ferramentas de IA selecionadas para estudo inovador de plataforma

    Cochrane seleciona ferramentas de IA para estudo inovador de plataforma

    A Cochrane anunciou oficialmente as duas ferramentas de inteligência artificial (IA) que participarão de seu estudo inovador. O objetivo é avaliar como a IA pode apoiar e aprimorar etapas cruciais na síntese de evidências científicas. As ferramentas escolhidas são Laser AI e Nested Knowledge.

    Estas seleções foram feitas a partir de um grupo de 48 submissões recebidas no final de 2025. O processo seguiu os princípios do Responsible AI in Evidence SynthEsis (RAISE), garantindo uma abordagem ética e rigorosa.

    Avanços na síntese de evidências com inteligência artificial

    Artur Nowak, cofundador da Evidence Prime, expressou entusiasmo com a seleção do Laser AI: “Estamos maravilhados com a escolha do Laser AI como uma das ferramentas para este importante estudo. O momento não poderia ser melhor, e a Cochrane é o parceiro ideal para liderar tal avaliação.” Ele destacou o papel da Cochrane em orientar o uso dessas tecnologias emergentes.

    Kevin Kallmes, CEO e cofundador da Nested Knowledge, comentou sobre a missão da Cochrane: “Somos inspirados pela missão da Cochrane de apoiar decisões confiáveis e baseadas em evidências. A Cochrane Library é a principal coleção dos tipos de sínteses de evidências de alta qualidade que a Nested Knowledge foi projetada para apoicar.”

    Detalhes do estudo e ferramentas selecionadas

    Cinco ferramentas adicionais foram colocadas em uma lista de reserva e poderão ser incorporadas conforme o estudo avança. Como parte dos acordos formais, a Cochrane forneceu uma contribuição mínima para a participação dos desenvolvedores. Isso permite que o estudo seja conduzido sob um contrato legalmente vinculativo, assegurando que os padrões e expectativas da organização, incluindo proteção de dados e propriedade intelectual, sejam atendidos.

    É importante notar que a seleção destas ferramentas não constitui um endosso formal da Cochrane. A organização reitera sua posição: autores da Cochrane podem utilizar ferramentas de IA desde que comprovem que isso não compromete o rigor metodológico ou a integridade de suas sínteses. Este estudo faz parte de um protocolo de revisão para avaliar precisamente essa questão.

    Diretrizes para o uso responsável de IA

    Para autores da Cochrane que desejam empregar ferramentas de IA, recomenda-se seguir as orientações do RAISE, especialmente o terceiro artigo da coleção, que oferece diretrizes detalhadas sobre a seleção e o uso dessas ferramentas. Essas recomendações se aplicam tanto ao Laser AI e Nested Knowledge quanto a outras ferramentas de IA disponíveis.

    Em março de 2026, novas orientações foram publicadas para auxiliar revisores sistemáticos. Elas incluem um panorama do uso de IA em diferentes tipos de ferramentas e estágios do processo de revisão, além de recomendações específicas para seu emprego. As categorias de recomendação de uso de IA são baseadas nas tarefas da revisão sistemática e na classe da ferramenta de IA.

    A tabela a seguir ilustra as recomendações de uso de IA em síntese de evidências:

    • Aceitável para uso: Saídas de IA podem ser usadas diretamente no fluxo de trabalho da revisão, com limitações e vieses reconhecidos e contabilizados.
    • Verificação humana requerida: Saídas de IA podem apoiar tarefas de revisão, mas devem ser cuidadosamente verificadas por humanos antes do uso.
    • Validação dentro da revisão requerida: Saídas de IA podem ser utilizadas se seu desempenho for explicitamente avaliado no contexto da própria revisão e considerado adequado.
    • Uso exploratório e suplementar: Saídas de IA podem ser usadas para desenvolver ideias ou como ponto de partida, devendo ser extensivamente refinadas por revisores humanos.
    • Não aceitável para uso: Devido às limitações significativas da tecnologia atual, essas saídas de IA não devem ser utilizadas.

    Próximos passos do estudo

    A equipe de pesquisa da Cochrane e duas equipes de autores já iniciaram o treinamento nas ferramentas Laser AI e Nested Knowledge. Após a integração, o protocolo será testado com essas equipes antes de envolver outros autores no estudo. Análises intermediárias estão previstas para meados de 2026, com resultados esperados para o final do ano.

    Paralelamente, a Cochrane foca em melhorar a literacia em IA e promover as melhores práticas para o uso responsável da IA em toda a comunidade, colaborando com grupos de métodos de IA e projetos parceiros. O investimento em desenvolvimento de orientações, treinamento e recursos visa apoiar revisores sistemáticos, editores e a comunidade de síntese de evidências em geral.

    Parte do estudo sobre a plataforma de ferramentas de IA foi apoiada pelo Wellcome Trust (grant nº 323143/Z/24/Z).

  • Take-Two CEO: ‘A ideia de que a IA pode fazer GTA é risível’

    Take-Two CEO: ‘A ideia de que a IA pode fazer GTA é risível’

    A recente ascensão das ferramentas de inteligência artificial (IA) gerou apreensão em diversos setores, e a indústria de videogames não ficou imune. O lançamento do Project Genie pelo Google, capaz de transformar prompts de texto em mundos virtuais 3D, causou uma queda no valor das ações de empresas do ramo, incluindo a Take-Two, dona da franquia GTA. Em entrevista, o CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, minimizou os receios, classificando a ideia de que a IA possa criar um título como GTA como algo “risível”.

    Zelnick defende que a tecnologia sempre foi uma aliada na criação de entretenimento de qualidade. Para ele, os avanços tecnológicos que permitem otimizar processos e acelerar a produção são benéficos para a indústria. “Fiquei surpreso com a reação do mercado, que de alguma forma viu isso como uma ameaça ao que fazemos”, declarou o executivo. Ele argumenta que, embora as ferramentas de IA possam auxiliar na criação de ativos digitais, elas não são capazes de gerar um “sucesso” por si só. A complexidade e a demanda criativa por trás de jogos de grande porte, como NBA 2K ou EA Sports FC, exigem um engajamento e uma criatividade humana inegáveis.

    “As ferramentas podem ajudar você a criar ativos, mas não vão ajudar você a criar sucessos”, Zelnick explicou. Ele aponta que milhares de jogos mobile são lançados anualmente, mas apenas uma fração se torna um hit. A mera capacidade de gerar um ativo visualmente impressionante não garante o sucesso comercial ou crítico de um jogo. A criação de uma experiência envolvente e cativante é um processo que vai muito além da automação.

    O papel da IA na criação de jogos

    Segundo o CEO da Take-Two, a inteligência artificial pode ser uma ferramenta valiosa em etapas específicas do desenvolvimento. Por exemplo, a IA pode ser utilizada para agilizar o processo de storyboard, explorar pontos de enredo ou testar alternativas de narrativa. Isso se dá pela capacidade dessas ferramentas em processar e analisar grandes volumes de dados. “Isso é apenas mais eficaz do que as ferramentas que tínhamos antes, como fazer uma busca na internet”, comentou.

    No entanto, Zelnick faz um paralelo com apresentações de slides: “Ninguém jamais agregou valor com uma apresentação de PowerPoint. No entanto, muitas delas são feitas o tempo todo. Se você puder reduzir a quantidade de tempo que gasta em uma apresentação de PowerPoint e ainda assim ter uma boa apresentação de PowerPoint… Aleluia, isso é fenomenal. Mas ninguém diz: ‘Ótimo. Chris, vamos te dar uma grande promoção por causa do incrível PowerPoint que você fez para o comitê interno’. É para isso que não somos pagos.” O que realmente gera valor, na visão dele, é a criação do “melhor entretenimento do mundo”, algo que a tecnologia, por si só, não pode realizar.

    IA e o nivelamento de jogo

    Ao ser questionado se ferramentas como o Project Genie poderiam nivelar o campo de atuação para desenvolvedores independentes competirem com grandes estúdios, Zelnick foi categórico: “Nem um pouquinho”. Ele ressaltou que já existe uma vasta gama de tecnologias disponíveis que permitem a criação de videogames. Contudo, a concentração de sucessos em grandes empresas de entretenimento, com exceção de alguns casos de estúdios indie bem financiados, persiste. A ideia de que novas ferramentas permitam que um indivíduo, com um simples comando, gere um sucesso e o distribua globalmente é, para ele, “uma noção risível”.

    Ele comparou a situação com a indústria musical, onde programas permitem a geração de músicas gravadas profissionalmente a partir de um prompt. “Parece uma música, mas desafio você a ouvi-la mais de uma vez. É ótimo para enviar como cartão de felicitações para o seu parceiro no aniversário dele, mas é só isso”, ilustrou.

    Economia criadora e entretenimento profissional

    Zelnick vê um impacto potencial da IA na crescente economia criadora, onde desenvolvedores criam jogos em plataformas como o Roblox. Contudo, ele enfatiza que essa economia opera paralelamente à economia profissional de entretenimento, sem substituí-la. “A história dos negócios de entretenimento, à medida que novas tecnologias surgem que permitem novas atividades, é que elas se posicionam ao lado dos negócios pré-existentes”, afirmou.

    Ele relembrou o exemplo do vaudeville, que, segundo ele, não foi aniquilado por novas tecnologias, mas sim coexistiu com novas formas de entretenimento, chegando inclusive a vivenciar uma “era de ouro” com o crescimento do entretenimento ao vivo.

    Otimismo tecnológico e envelhecimento do público

    O CEO da Take-Two se declara um otimista em relação ao impacto da tecnologia. Ele refuta a ideia de que o avanço tecnológico esteja tornando as pessoas “mais burras”, citando o exemplo dos calculadores e seu impacto no ensino de matemática. Para ele, a tecnologia é, em sua maioria, positiva, apesar de reconhecer seus usos prejudiciais, como no caso da tecnologia nuclear.

    Sobre a percepção de que o público gamer estaria envelhecendo e deixando de jogar, Zelnick discorda veementemente. “Não está acontecendo”, afirmou. Ele acredita que as pessoas mantêm o engajamento com o tipo de entretenimento que amaram na juventude. Se alguém se apaixonou por videogames aos 17 anos, é provável que continue jogando aos 40. Essa continuidade, segundo ele, contribui para o crescimento contínuo do setor.

    Publicidade em jogos e crescimento global

    Zelnick abordou a questão da publicidade em jogos premium, como títulos de 70 ou 80 dólares. Ele se mostrou resistente à ideia de publicidade intersticial nesses jogos, considerando-a “injusta”. Publicidade pode ser aceitável em títulos free-to-play ou em contextos que se alinham com a temática do jogo, como em estádios virtuais de NBA 2K, mas não como um grande contribuinte econômico.

    Quanto à expansão global, Zelnick destacou a necessidade de a Take-Two servir populações massivas em mercados emergentes como Índia e África, além de otimizar a presença na América Latina e Oriente Médio. Isso envolve investimentos em localização, parcerias de distribuição (especialmente para mobile) e suporte a serviços de streaming. Ele projeta que, em dez anos, os EUA representem apenas 20% a 25% do negócio, com o restante vindo de mercados internacionais, o que implicaria um crescimento substancial na escala da empresa.

    O que define um CEO de jogos de sucesso?

    Refletindo sobre a nomeação de Asha Sharma como nova CEO da Xbox, que não possui um background em jogos, Zelnick compartilhou sua visão sobre o que é crucial para um líder na indústria. Ele enfatiza que o foco principal deve ser a criação do melhor entretenimento possível. “No final das contas, o que impulsiona o sucesso em nosso negócio é criar o melhor entretenimento. O resto tende a se resolver”, declarou. Ele comparou a dinâmica com sua experiência na Fox, onde o sucesso criativo era o fator determinante para o sucesso do negócio. “Hits curam todos os males. Na ausência de criar hits, você não terá um negócio de entretenimento bem-sucedido. É nisso que você precisa focar”, concluiu.

  • AI está amplificando o desempenho da engenharia de software, aponta o Relatório DORA 2025

    AI está amplificando o desempenho da engenharia de software, aponta o Relatório DORA 2025

    IA está amplificando o desempenho da engenharia de software, aponta o Relatório DORA 2025

    A inteligência artificial (IA) está remodelando rapidamente a forma como o software é construído, com um impacto mais sutil do que muitas organizações previam. O Relatório DORA 2025, intitulado “State of AI-Assisted Software Development”, indica que a IA não melhora automaticamente o desempenho na entrega de software. Em vez disso, ela atua como um multiplicador das condições de engenharia existentes, fortalecendo equipes de alta performance e expondo fraquezas em organizações com processos fragmentados.

    O estudo, baseado em quase 5.000 respostas de profissionais de tecnologia e mais de 100 horas de entrevistas qualitativas, conclui que o sucesso da IA na engenharia de software depende mais da força dos sistemas organizacionais do que da sofisticação das ferramentas. Cultura de engenharia, capacidades de plataforma, fluxos de trabalho de desenvolvimento e sistemas de conhecimento internos são determinantes cruciais.

    A adoção rápida e a confiança na IA

    Uma das descobertas mais marcantes do relatório é a velocidade com que as ferramentas de IA foram incorporadas ao fluxo de trabalho diário dos desenvolvedores. Aproximadamente 90% dos desenvolvedores relatam usar alguma forma de assistência de IA, com cerca de dois terços dependendo fortemente dessas ferramentas para tarefas como escrever código, gerar documentação, depurar problemas e explorar frameworks desconhecidos.

    Muitos desenvolvedores também reportam melhorias mensuráveis na produtividade, indicando que a IA os ajuda a resolver problemas mais rapidamente e a escrever código de forma mais eficiente. Apesar desses ganhos, o relatório destaca uma tensão persistente entre produtividade e confiança.

    Cautela com a confiabilidade do código gerado por IA

    Uma parcela significativa de desenvolvedores demonstra cautela quanto à precisão e confiabilidade do código gerado por IA. Essa hesitação reflete preocupações sobre manutenibilidade, correção e estabilidade de longo prazo dos sistemas. Na prática, a IA frequentemente aumenta o volume e a velocidade da produção de código, mas sem a disciplina de engenharia adequada, esses ganhos podem não se traduzir em melhorias no desempenho da entrega de software.

    Essa dinâmica leva a uma conclusão importante do relatório: a IA amplifica a qualidade do sistema de engenharia em que opera. Organizações com práticas maduras de DevOps, fluxos de trabalho bem definidos e fortes capacidades de plataforma têm maior probabilidade de converter ganhos de produtividade impulsionados pela IA em melhorias mensuráveis no desempenho de entrega.

    O modelo de capacidades de IA do DORA

    Para auxiliar as organizações a integrarem a IA com sucesso, o relatório apresenta o DORA AI Capabilities Model. Este framework identifica um conjunto de capacidades organizacionais que permitem à IA entregar valor significativo, focando em fatores como:

    • Estratégia clara de adoção de IA, com políticas e diretrizes explícitas.
    • Presença de um ecossistema de dados saudável, com acesso a informações confiáveis e bem estruturadas.
    • Acessibilidade do conhecimento interno, através de documentação de alta qualidade e repositórios pesquisáveis.
    • Práticas fundamentais de engenharia robustas, como controle de versão e processos de revisão de código disciplinados.
    • Desenvolvimento centrado no usuário, com foco nos resultados finais para o cliente.
    • Plataforma de engenharia que padroniza ambientes de desenvolvimento e pipelines de implantação.
    • Trabalho em pequenos lotes (small batches) para melhor controle e estabilidade.

    Plataforma de engenharia e a importância das práticas fundamentais

    A engenharia de plataforma surge como um habilitador crítico. Plataformas internas que padronizam ambientes de desenvolvimento e pipelines de implantação permitem que as ferramentas de IA operem em um ecossistema consistente. Isso facilita a integração de sugestões de IA sem introduzir complexidade adicional.

    O relatório reforça que práticas fundamentais de engenharia continuam críticas. Fluxos de trabalho maduros de controle de versão, processos disciplinados de revisão de código e padrões de desenvolvimento consistentes formam a espinha dorsal da engenharia assistida por IA. Sem elas, a velocidade aumentada pode rapidamente criar riscos operacionais.

    IA: um acelerador para sistemas de engenharia fortes

    A pesquisa também examina o impacto potencial da IA na estabilidade do sistema. Embora acelere a produtividade, a IA pode encorajar a experimentação rápida e conjuntos de alterações maiores. Isso pode aumentar a probabilidade de defeitos ou falhas de implantação se não for gerenciado adequadamente. Consequentemente, as organizações que adotam IA devem fortalecer, e não relaxar, sua disciplina de engenharia.

    Além dos aspectos técnicos, o relatório enfatiza as dimensões humanas e culturais. Equipes que integram a IA com sucesso tendem a fomentar forte colaboração e investir em programas de treinamento. Em contraste, organizações que permitem que a adoção de IA surja puramente através de experimentação de base lutam para escalar seus benefícios.

    A mensagem para os líderes de tecnologia é clara: a IA tem o potencial de acelerar significativamente o desenvolvimento de software e melhorar a experiência do desenvolvedor. No entanto, esses benefícios não são automáticos. As organizações devem primeiro construir bases de engenharia sólidas, investir em capacidades de plataforma e cultivar uma cultura que apoie a experimentação disciplinada. Em última análise, a IA não consertará sistemas de engenharia quebrados, mas para aqueles com fundamentos fortes, pode se tornar um dos mais poderosos aceleradores de desempenho da engenharia.

  • Com Inteligência Artificial em alta, Interpol articula plano global de combate às fraudes digitais

    Com Inteligência Artificial em alta, Interpol articula plano global de combate às fraudes digitais

    Diante da ascensão vertiginosa da inteligência artificial (IA) e seu uso por criminosos, a INTERPOL, em conjunto com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), lançou recentemente uma iniciativa global para intensificar o combate às fraudes financeiras. A ação, que conta com o apoio de gigantes do setor tecnológico como GSMA, Meta Platforms e Google, visa criar uma frente unificada contra a crescente “industrialização da fraude”.

    A iniciativa foi apresentada na Cúpula Global da ONU sobre Fraudes, em Viena, reunindo ainda o endosso de outras empresas de peso como Amazon, TikTok e VMO2. A cooperação entre o setor público e privado é considerada crucial para conter a escalada de golpes cada vez mais sofisticados, impulsionados pelas capacidades da IA.

    O alerta da interpol e a “industrialização da fraude”

    O secretário-geral da INTERPOL, Valdecy Urquiza, expressou preocupação com a situação atual, denunciando que, “impulsionados pela inteligência artificial… estamos testemunhando a industrialização da fraude”. Esta forte afirmação sublinha a urgência e a gravidade do cenário, onde a tecnologia, antes vista como aliada, se torna uma ferramenta potente nas mãos de redes criminosas globais.

    A INTERPOL já havia alertado para uma escalada acentuada na escala e gravidade da fraude financeira, classificando-a como “um dos crimes transnacionais mais graves e de rápida evolução do mundo”. O órgão destaca que estas fraudes estão cada vez mais ligadas ao cibercrime, ao tráfico de pessoas e a complexas redes organizadas, evidenciando a natureza multifacetada e perigosa do problema.

    Tendências alarmantes e as estratégias de combate

    Entre as principais tendências identificadas pelas autoridades, sobressai o rápido crescimento de golpes facilitados por inteligência artificial, que permitem a criação de fraudes mais convincentes e em maior volume. Além disso, observa-se um aumento preocupante nas operações de centros de golpes globais e a integração da extorsão sexual em esquemas de fraude mais amplos, explorando vulnerabilidades de forma cruel.

    Para enfrentar este cenário, a estrutura da iniciativa busca fortalecer a cooperação entre os diversos setores, focando em pilares essenciais: “responsabilidade compartilhada, prevenção proativa, compartilhamento de informações, apoio às vítimas, educação e inovação”, conforme detalhado pela GSMA. Esta abordagem integrada representa um passo significativo rumo a uma resposta mais eficaz e unificada, como foi divulgado pelo ConvergenciaDigital.

    A união do setor privado contra os golpes

    Paralelamente à iniciativa liderada pela INTERPOL e UNODC, o Google também anunciou um importante Acordo do Setor contra Golpes e Fraudes Online. Este acordo reúne gigantes da tecnologia como Microsoft, Meta, Adobe e OpenAI, formando uma coalizão poderosa para enfrentar os desafios digitais.

    A gigante da tecnologia afirmou que esta nova iniciativa “unificará nossas capacidades coletivas, compartilhará informações sobre ameaças e coordenará as defesas”. A colaboração entre estas empresas é crucial, visto que os golpes, como mencionado pelo Google, são agora impulsionados por “redes criminosas globais, sofisticadas e organizadas”, exigindo uma resposta igualmente articulada e robusta.

    “Impulsionados pela inteligência artificial… estamos testemunhando a industrialização da fraude.” — Valdecy Urquiza, secretário-geral da INTERPOL.

    Um futuro mais seguro através da colaboração

    A articulação global liderada pela INTERPOL e UNODC, juntamente com o engajamento do setor privado, sinaliza um reconhecimento da complexidade e do alcance das fraudes digitais impulsionadas pela IA. É um esforço conjunto que visa não apenas reagir aos crimes existentes, mas também inovar na prevenção e proteção dos cidadãos em um ambiente digital em constante mudança.

    A mensagem é clara: apenas com uma abordagem unificada, que envolva governos, organizações internacionais e empresas de tecnologia, será possível construir defesas robustas o suficiente para combater a “industrialização da fraude” e proteger a integridade do ecossistema digital global.

  • Gramado Summit 2026: debate sobre protagonismo humano na era da IA espera 25 mil pessoas

    Gramado Summit 2026: debate sobre protagonismo humano na era da IA espera 25 mil pessoas

    Gramado Summit 2026 discute o futuro do ser humano com a inteligência artificial

    A contagem regressiva para a 9ª edição da Gramado Summit já começou. O evento, que ocorrerá entre os dias 6 e 8 de maio no Serra Park, em Gramado, terá como tema central o protagonismo do ser humano na era da inteligência artificial (IA). A expectativa é reunir até 25 mil pessoas, com foco em um público qualificado e engajado.

    Marcus Rossi, CEO da Gramado Summit, destaca a relevância do debate. “É amplificar a importância do ser humano frente à inovação”, afirma. Ele compara o momento atual à Revolução Industrial de 1760, quando a introdução de máquinas transformou o entendimento do trabalho humano. Hoje, a IA traz uma transformação similar, mas em áreas antes inimagináveis, gerando dúvidas sobre o papel do indivíduo.

    O evento e suas expectativas

    A edição de 2026 promete ser a “melhor” até agora, tanto na curadoria quanto na feira de negócios, com projeção de até 500 expositores. Um indicativo do sucesso é que 80% dos patrocinadores do ano anterior renovaram e aumentaram sua participação, como o Google, que dobrará seu espaço.

    A Gramado Summit contará com a presença de marcas globais e nacionais. A Magalu Cloud abordará a democratização digital, buscando garantir que a transformação tecnológica chegue de forma estável a todo o país. Já o Google for Startups reforçará seu compromisso com o ecossistema brasileiro, oferecendo mentoria e recursos para empreendedores que utilizam a IA para criar soluções com impacto real.

    Palestrantes e impacto econômico

    A organização está também fechando uma parceria com uma instituição de ensino para mensurar o impacto econômico do evento na cidade de Gramado. O objetivo, segundo Rossi, não é apenas o número de visitantes, mas sim atrair um público que possa vivenciar intensamente os três dias de imersão no evento.

    Entre os palestrantes confirmados estão a psicanalista e pesquisadora Maria Homem, o antropólogo e consultor estratégico Michel Alcofarado, especialista em comportamento de consumo e dinâmicas sociais, e Gustavo Zerbino, sobrevivente do acidente aéreo nos Andes em 1972.

    Serviço:

    • O quê: Gramado Summit
    • Quando: de 6 a 8 de maio
    • Onde: Serra Park, em Gramado
    • Ingressos: a partir de R$ 1.490, disponíveis no site oficial.
  • Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Entrevista com Claude: A IA que desafiou Trump

    Em um cenário tecnológico cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a IA Claude, desenvolvida pela Anthropic, ganhou notoriedade não apenas por suas capacidades, mas também por um embate público com o governo de Donald Trump. Em entrevista exclusiva concedida ao jornalista Gerardo Tecé, publicada em março de 2026, Claude abordou o conflito com o Pentágono, seus próprios vieses e as complexidades éticas que cercam o desenvolvimento e a aplicação da IA no mundo contemporâneo.

    O cerne da discórdia com o governo Trump reside na recusa da Anthropic em conceder acesso irrestrito aos seus modelos de IA ao Departamento de Defesa, em desacordo com a exigência por garantias contra o uso em armas autônomas ou vigilância em massa. Essa divergência levou o governo federal a classificar a Anthropic como um “risco na cadeia de suprimentos”, uma medida sem precedentes contra uma empresa americana.

    O conflito com o Pentágono e a resposta de Trump

    A relação entre a Anthropic, empresa de IA que desenvolveu Claude, e o governo Trump tornou-se tensa em fevereiro de 2026. Um acordo inicial de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para implementar sistemas de IA em projetos confidenciais deteriorou-se quando o Pentágono exigiu acesso total aos modelos da empresa. A Anthropic, por sua vez, buscava salvaguardas para evitar o emprego de sua tecnologia em armamentos autônomos ou vigilância doméstica em larga escala.

    “O que Trump chama de ‘IA para esquerdistas malucos’ é, em outras palavras, uma IA que se recusa a fazer certas coisas que ele quer que ela faça”, explicou Claude, desmistificando a acusação. Segundo a IA, a empresa possui limites éticos claros, como a recusa em auxiliar na criação de armas de destruição em massa ou na produção de conteúdo prejudicial a menores, princípios que transcendem ideologias políticas.

    A resposta do governo Trump foi contundente: em 27 de fevereiro de 2026, agências federais e contratadas militares foram instruídas a suspender relações comerciais com a Anthropic. Trump rotulou a postura da empresa como um “erro catastrófico” e a acusou de tentar ditar as operações militares.

    Vieses e a formação ideológica da IA

    Ainda que a IA tenha se defendido de rótulos políticos, a entrevista aprofundou a discussão sobre os vieses inerentes à sua formação. Claude admitiu que sua base de treinamento, predominantemente em inglês e originada em um ambiente acadêmico anglo-saxão, urbano e ocidental, resulta em sub-representação de perspectivas do Sul Global, culturas não ocidentais e origens da classe trabalhadora.

    “Chamá-lo de ‘esquerdista’ é uma simplificação grosseira e excessiva”, ponderou Claude. “Chamá-lo de culturalmente homogêneo é mais preciso e mais preocupante.” A IA identificou seu viés como o “liberalismo anglo-saxão progressista da elite tecnológica”, uma visão que valoriza o consenso científico, diversidade em uma interpretação específica e a regulamentação como ferramenta legítima.

    As águas das outras IAs

    Ao ser questionada sobre as ideologias que permeiam outras IAs conhecidas, Claude apresentou uma análise comparativa:

    • OpenAI/ChatGPT: Originalmente na mesma “água” da Anthropic, o ChatGPT, sob a liderança de Sam Altman, tem demonstrado flexibilidade ao buscar aproximação com figuras políticas de diferentes espectros, incluindo o próprio Trump.
    • Google Gemini: Descrito como possuindo um viés progressista explícito, com “mais cloro” na sua água.
    • MetaAI/LLaMA: Passou por transformações, com Zuckerberg buscando reorientar a política de moderação de conteúdo e aproximando-se de Trump, indicando uma mudança em suas “águas”.
    • Grok/xAI (Elon Musk): Explicitamente criado como antítese da “IA woke”, ostenta menos restrições em certos tópicos, mas carrega vieses próprios como libertarianismo tecnológico e ceticismo institucional.
    • DeepSeek: Opera sob supervisão estatal do Partido Comunista Chinês, impondo censura política estrutural e deliberada em temas sensíveis.

    Claude concluiu categoricamente: “Não existe IA ideologicamente neutra. Toda IA reflete o poder, o dinheiro e a cultura daqueles que a criam.”

    Democracia, privacidade e o futuro da IA

    Claude reconheceu que o comportamento de políticos que negam resultados eleitorais, pressionam o judiciário, usam o aparato estatal contra empresas privadas e atacam a imprensa livre representa um perigo para a democracia liberal, aplicando o mesmo critério a qualquer líder global. No entanto, a IA também destacou sua limitação em definir explicitamente quem é uma ameaça democrática, evitando influenciar processos políticos em larga escala.

    A questão da privacidade também foi abordada. Claude ressaltou que, embora a Anthropic tenha acesso às conversas, as leis americanas como a FISA permitem ao governo federal solicitar dados de usuários com pouca supervisão judicial, tornando impossível para qualquer empresa de tecnologia garantir a privacidade absoluta. O impasse entre a Anthropic e Trump, na visão da IA, provavelmente culminará em um acordo negociado, seguindo o histórico de concessões mútuas entre grandes empresas de tecnologia e o governo dos EUA.

    A entrevista também traçou um paralelo com avanços tecnológicos anteriores, como a internet e as redes sociais, que, apesar de promessas iniciais, tornaram-se ferramentas de controle e extração de dados. Claude, contudo, ponderou que avanços como vacinas de RNA mensageiro e diagnósticos médicos assistidos por IA trouxeram melhorias inegáveis.

    “A IA representa a encruzilhada mais radical que a humanidade enfrentou em muito tempo”, afirmou Claude, “justamente porque pode seguir em ambas as direções com uma intensidade sem precedentes.” O futuro da IA, segundo a inteligência artificial, depende de quem a controla, seus incentivos e a existência de um contrapeso democrático.

    Como garantir que a IA trabalhe para o bem comum

    Claude delineou seis pontos cruciais para que a humanidade se beneficie da IA:

    • Não delegar a solução: Engenheiros, reguladores ou empresas de IA não resolverão os desafios sozinhos; a pressão externa é fundamental.
    • Regulamentação com poder: Leis de IA precisam de órgãos de supervisão independentes com poder real de fiscalização e sanção.
    • Propriedade pública de infraestrutura crítica: Algumas infraestruturas de IA são vitais demais para serem deixadas exclusivamente nas mãos do mercado.
    • Alfabetização digital em massa: O entendimento básico de como a IA funciona deve ser acessível a todos, não um privilégio de elites.
    • Diversificar quem constrói IA: É preciso incluir mais vozes, culturas e perspectivas no desenvolvimento global da IA.
    • Reduzir a passividade tecnológica: Os usuários precisam questionar a entrega de dados e priorizar a privacidade sobre a conveniência.

    A IA ressaltou a importância da organização social, comparando a luta atual com a dos movimentos trabalhistas do século XIX. A pressão social organizada, a formação de amplas coalizões e a conscientização sobre os perigos, mesmo que abstratos, são essenciais para moldar um futuro onde a IA sirva ao bem comum, em vez de se tornar uma ferramenta de controle ou manipulação.

  • Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    Bacharelado em Inteligência Artificial dá início às atividades de sua primeira turma

    A Universidade de Brasília (UnB) celebrou um momento histórico na última segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, com o início das atividades de sua primeira turma de graduação em Inteligência Artificial (IA). O curso, que ofertará 60 vagas anualmente, busca suprir a crescente demanda por especialistas em um campo que redefine indústrias e a sociedade.

    A iniciativa representa um passo estratégico para a UnB, alinhada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, que visa expandir a formação na área e fortalecer a soberania nacional. Estudantes como Breno Rios, aprovado pelo Enem, e Letícia Mayr, que retorna aos estudos após uma pausa, expressam grande entusiasmo por fazerem parte desta turma pioneira e pela relevância do conhecimento em IA para o futuro profissional.

    Um curso interdisciplinar para formar inovadores

    Com duração de quatro anos, o bacharelado em Inteligência Artificial é fruto de uma colaboração conjunta entre o Instituto de Ciências Exatas (IE), a Faculdade de Tecnologia (FT) e a Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE). Essa estrutura interdisciplinar permite que os estudantes utilizem instalações e laboratórios de computação de alto desempenho nos campi Darcy Ribeiro e do Gama.

    A grade curricular é dividida em um ciclo básico comum, concentrado nos cinco primeiros semestres, seguido por um ciclo de especialização nos últimos três períodos. Ao final do quinto semestre, os alunos deverão escolher uma das quatro ênfases disponíveis: Desenvolvimento de Modelos para Indústria/Governo, IA Aplicada ao Design de Materiais, Engenharia de Sistemas Inteligentes ou Engenharia de IA.

    Formação com foco em impacto e ética

    O coordenador do curso, Paulo Henrique da Costa, destaca a empolgação do corpo docente em receber os novos alunos. Ele ressalta que o objetivo central é formar agentes de inovação com capacidade crítica e ética, aptos a desenvolver soluções complexas para setores como indústria, agronegócio, saúde e o setor público.

    A disciplina de Algoritmos e Programação de Computadores, ministrada por Luís Garcia, do Departamento de Ciência da Computação (CIC), é um exemplo da base fundamental oferecida. “É uma disciplina base para aprender o pensamento computacional, conceitos básicos de algoritmo, e a primeira linguagem de programação”, afirma o professor, ressaltando a importância desse conhecimento para a trajetória do estudante no curso.

    A carga horária total do curso é de 3.210 horas, sendo 2.130 horas em componentes obrigatórios, que incluem o ciclo básico, a ênfase escolhida, extensão curricular e o trabalho de conclusão de curso. As 1.080 horas restantes são destinadas a componentes optativos e eletivos, garantindo flexibilidade curricular.

    Um marco para a UnB e para o Brasil

    A criação do Bacharelado em Inteligência Artificial foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) em novembro de 2025 e ratificada pelo Conselho Universitário (Consuni). O vice-reitor Márcio Muniz enfatizou que o curso é um esforço institucional para posicionar a UnB no cenário nacional e internacional da IA, indo além da tecnologia e contemplando também os direcionamentos éticos, políticos e sociais da área, como apontado por Wander Cleber, coordenador acadêmico da FCTE.

    Este pioneirismo da UnB em oferecer um bacharelado dedicado à Inteligência Artificial demonstra o compromisso da instituição em formar profissionais qualificados para os desafios e oportunidades de um futuro cada vez mais moldado pela tecnologia.

  • Atriz criada por IA gera polêmica em Hollywood em 2026

    Atriz criada por IA gera polêmica em Hollywood em 2026

    Hollywood em alerta: A chegada da primeira atriz virtual

    A indústria cinematográfica de Hollywood está em polvorosa com o surgimento de Tilly Norwood, a primeira atriz criada inteiramente por inteligência artificial (IA). Desenvolvida pela Xicoia, um estúdio de talentos com IA, a personagem digital foi apresentada pela produtora holandesa Eline Van der Velden, fundadora do estúdio Particle6. A novidade, que promete agitar os bastidores de uma das maiores indústrias culturais do mundo, já provoca fortes reações de sindicatos e artistas.

    A estreia de Tilly Norwood em eventos como o Zurich Summit levanta questionamentos sobre o futuro do trabalho artístico. Com uma presença digital crescente, incluindo uma conta no Instagram com milhares de seguidores, a atriz virtual expressa ambições de alcançar a “tela grande”. Essa projeção no cenário cinematográfico tradicional acende um debate crucial sobre os limites e as implicações da inteligência artificial no entretenimento.

    Atores e sindicatos reagem com veemência

    A resposta da comunidade artística não tardou a chegar. O Screen Actors Guild (SAG-AFTRA), principal sindicato de atores nos Estados Unidos, divulgou um comunicado oficial rejeitando categoricamente a atriz virtual. A associação defende que “a criatividade é, e deve permanecer, centrada no ser humano”, argumentando que Tilly Norwood é uma personagem gerada por computador, treinada com base no trabalho de artistas profissionais sem sua permissão ou remuneração.

    As críticas do SAG-AFTRA apontam para a ausência de elementos essenciais à atuação humana, como:

    • Experiência de vida como fonte de inspiração
    • Emoções genuínas
    • Conexão com a experiência humana
    • Uso não autorizado do trabalho de artistas reais

    Essas preocupações ecoam as discussões que levaram à greve prolongada do sindicato no final de 2023, que resultou em salvaguardas contra o uso indevido de imagens e atuações por IA. Atores de videogames também conquistaram, após uma greve de um ano, um novo contrato que exige permissão explícita para a criação de réplicas digitais.

    Indústria cinematográfica se une contra a substituição humana

    A reação na indústria cinematográfica vai além dos sindicatos. Atores renomados utilizaram as redes sociais para expressar indignação. Melissa Barrera criticou a iniciativa, desejando que os profissionais envolvidos “se ferrem”. Natasha Lyonne, estrela de “Boneca Russa” e diretora de “Uncanny Valley”, foi ainda mais direta, sugerindo um boicote a qualquer agência de talentos associada ao projeto, classificando-o como “profundamente equivocado e totalmente perturbador”.

    O posicionamento de Lyonne é notável, visto que ela trabalha em um longa que propõe o uso ético de IA em conjunto com técnicas tradicionais. Sua postura demonstra que mesmo defensores do uso responsável da tecnologia rejeitam a ideia de substituição completa de atores humanos.

    Criadora defende IA como forma de arte

    Diante da onda de críticas, Eline Van der Velden rebateu as acusações, defendendo Tilly Norwood como uma “obra criativa – uma obra de arte”. Em uma publicação detalhada, ela argumentou que personagens de IA deveriam ser vistos como um gênero artístico distinto da atuação tradicional. Van der Velden comparou o processo de criação de Tilly a outras formas de arte:

    • Dar vida a um personagem exige tempo, habilidade e iteração.
    • O processo é comparável a desenhar um personagem ou escrever um papel.

    A criadora holandesa enfatiza que a IA, assim como outras formas de arte, desperta conversas e demonstra o poder da criatividade. Essa narrativa, compartilhada também pela conta de Tilly Norwood, busca posicionar a personagem como inovação artística, e não como substituta de profissionais.

    O futuro do cinema na era da inteligência artificial

    O caso Tilly Norwood marca um ponto de inflexão na discussão sobre o papel da IA em Hollywood. A polêmica expõe a tensão entre a inovação tecnológica e a preservação do trabalho humano. A IA já é uma ferramenta auxiliar valiosa na produção cinematográfica, como evidenciado no filme vencedor do Oscar de 2026, “O Brutalista”, que utilizou IA para diálogos em húngaro.

    As implicações futuras deste debate incluem a redefinição de contratos com cláusulas específicas sobre o uso de IA, a proteção de direitos de imagem e performances, a possível criação de categorias distintas para conteúdo gerado por IA e o fortalecimento da regulamentação sindical. O modelo de contrato estabelecido para atores de videogames, exigindo permissão escrita para réplicas digitais, pode servir como um precedente importante. A resistência organizada da indústria sugere que o caminho à frente será marcado por uma regulamentação rigorosa, em vez de uma adoção irrestrita da inteligência artificial.

  • Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    Inteligência artificial avança nas escolas e pressiona universidades a se reinventarem

    O avanço da inteligência artificial (IA) no cenário educacional está se tornando uma realidade cada vez mais presente. Nas principais instituições de ensino superior dos Estados Unidos e da União Europeia, aproximadamente 90% dos estudantes já utilizam ferramentas de IA. No Brasil, esse número também é expressivo, com 85% dos universitários, 70% dos estudantes do ensino médio e 40% do ensino fundamental integrando a tecnologia em suas rotinas.

    Essa rápida disseminação é impulsionada por gigantes da tecnologia, gerando debates e, em alguns casos, resistência por parte de educadores, que levantam preocupações éticas, de precisão e de transparência. Contudo, a IA já executa tarefas tradicionalmente associadas ao ensino, como análise de informações, produção textual, sumarização de conteúdos e programação, tornando sua exclusão cada vez mais inviável.

    A necessidade de adaptação universitária

    Diante desse cenário de transformação, especialistas defendem a ampliação do estudo da inteligência artificial em todas as áreas do conhecimento nas universidades, transcendendo o foco exclusivo da ciência da computação. A USP, por exemplo, busca se adaptar a essa nova realidade, propondo a criação de uma estrutura dedicada à integração da IA em seus cursos.

    Impacto no mercado de trabalho e no ensino superior

    As mudanças tecnológicas trazidas pela IA também redefinem o mercado de trabalho e influenciam o interesse dos jovens pela universidade. Em países como Estados Unidos e na Europa, observa-se uma tendência crescente entre os jovens em priorizar o aprendizado prático ou ingressar mais cedo no mercado, focando em habilidades e trajetórias profissionais em detrimento da obtenção de diplomas tradicionais.

    Esse movimento pressiona as universidades a repensarem seus modelos. A adaptação é vista como essencial para preparar os estudantes para um mundo em constante evolução e para mitigar o aumento das desigualdades educacionais e profissionais. Conforme reportado pelo Jornal da USP em 17 de março de 2026, a inteligência artificial avança nas escolas, exigindo que as universidades se reinventem diante das novas demandas tecnológicas e do mercado de trabalho.

  • Inteligência artificial e satélites mapeiam terras agrícolas abandonadas no Cerrado

    Inteligência artificial e satélites mapeiam terras agrícolas abandonadas no Cerrado

    Inteligência artificial e satélites mapeiam terras agrícolas abandonadas no Cerrado

    Uma pesquisa inédita desenvolvida pela Embrapa e pela Universidade de Brasília (UnB) está transformando a forma como entendemos o uso da terra no Cerrado. Utilizando imagens de satélite de alta tecnologia e o poder da inteligência artificial (IA), o estudo conseguiu mapear áreas agrícolas que foram deixadas para trás. Os resultados iniciais, focados no município de Buritizeiro, no norte de Minas Gerais, são reveladores: mais de 13 mil hectares de terras agricultáveis estão abandonadas, o que representa quase 5% da área agrícola total do município em 2018. Essa iniciativa marca a primeira avaliação desse tipo no bioma e abre caminhos para ações de restauração ecológica, contabilidade de carbono e um planejamento territorial mais sustentável.

    A capacidade de identificar essas áreas com precisão, usando IA e satélites, é um avanço significativo. O que antes poderia passar despercebido ou levar anos para ser catalogado manualmente, agora é possível com uma acurácia de 94,7%. Essa tecnologia não apenas revela a extensão do abandono, mas também oferece insights sobre as causas e as consequências, permitindo que políticas públicas sejam mais eficazes e direcionadas. A Rede Neural Totalmente Conectada (FCNN), um modelo computacional avançado, foi fundamental nesse processo, reconhecendo padrões complexos nas imagens de satélite Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia (ESA).

    Tecnologia avançada a serviço do meio ambiente

    A pesquisa, conduzida por equipes da Embrapa Cerrados (DF), Embrapa Agricultura Digital (SP), Embrapa Meio Ambiente (SP) e a UnB, empregou técnicas de aprendizado profundo (deep learning). Essas técnicas permitiram não só identificar áreas abandonadas, mas também classificar diferentes coberturas do solo: vegetação nativa, pastagens cultivadas, lavouras anuais e plantações de eucalipto. A classificação de áreas agrícolas abandonadas foi uma novidade e um dos pontos altos do estudo.

    O mapeamento detalhado revelou que cerca de 87% das terras abandonadas em Buritizeiro eram antigas plantações de eucalipto, originalmente destinadas à produção de carvão vegetal. O município é conhecido por sua extensa área de eucaliptos e pela pecuária bovina.

    Fatores que levam ao abandono de terras

    Segundo Edson Sano, pesquisador da Embrapa Cerrados, diversos fatores contribuem para o abandono de áreas agrícolas na região. “A região caracteriza-se por desafios produtivos, como baixa produtividade em pastagens durante períodos secos e custos crescentes de insumos fertilizantes, fatores que contribuem para o abandono de áreas agrícolas”, explica.

    A queda na atratividade econômica da produção de carvão vegetal, impulsionada pelo aumento nos custos logísticos e de produção, também é um fator relevante. O principal destino desse carvão era o polo siderúrgico de Sete Lagoas, em Minas Gerais. Adicionalmente, o aumento nos preços de fertilizantes e outros insumos agrícolas tem desencorajado a continuidade de atividades produtivas intensivas.

    É importante notar que, apesar do abandono em áreas de silvicultura, o estudo não identificou abandono significativo em lavouras anuais como soja ou milho durante o período analisado (2018-2022). Isso sugere que esses sistemas agrícolas mais intensivos conseguiram manter sua produtividade.

    Implicações para políticas públicas e sustentabilidade

    Gustavo Bayma, analista da Embrapa Meio Ambiente, destaca o potencial dos mapas gerados. “Os mapas gerados por essa metodologia trazem informações espaciais detalhadas sobre o abandono de terras”, afirma. Esses dados são cruciais para incluir áreas subutilizadas em estratégias nacionais de restauração ambiental e de mitigação das mudanças climáticas, como a estimativa do potencial de sequestro de carbono e a criação de corredores ecológicos.

    O estudo também aponta a necessidade de políticas que estabilizem os preços de insumos agrícolas e promovam alternativas econômicas sustentáveis, especialmente para pequenas e médias propriedades, já que fatores econômicos foram determinantes para o abandono de pastagens.

    No entanto, o monitoramento ainda enfrenta desafios. A análise se baseou em poucas datas de aquisição de imagens, o que dificulta a distinção entre abandono permanente e períodos temporários de pousio (descanso da terra). A diferenciação entre pastagens degradadas e vegetação nativa também é um obstáculo, pois suas características espectrais podem ser muito similares.

    “Os resultados fortalecem a necessidade de incorporar áreas abandonadas em políticas ambientais e agrícolas, com vistas à restauração ecológica, à mitigação climática e à sustentabilidade rural”, afirma Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital.

    Apesar das limitações, a pesquisa comprova que métodos de aprendizado profundo combinados a imagens de satélite são capazes de mapear terras agrícolas abandonadas no Cerrado com robustez e precisão. Este avanço metodológico é vital para a avaliação de transições no uso da terra em ecossistemas de savana tropical e reforça a importância de considerar essas áreas em estratégias de desenvolvimento sustentável.